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Ora é canto, ora é lamento,
canção de amor em surdina,
esse sussurro de vento
nas ramas da casuarina.
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( José Lucas Filho)
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Ora é canto, ora é lamento,
canção de amor em surdina,
esse sussurro de vento
nas ramas da casuarina.
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( José Lucas Filho)
Ilustração de Meredith Johnson—
Zilda Maria Vasconcellos
Bem na pontinha dos pés,
sobre a erva do caminho,
com os sapatos na mão,
fui caminhando sozinho.
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Belo dia de verão!
Tudo parado, quietinho…
perfumes para todo lado,
e um gostoso calorzinho.
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O sol bateu em meu rosto
e a leve aragem do vento.
Fui caminhando com gosto
num passo lento, bem lento.
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Demorei a encontrar
as minhas vespas amigas,
as cigarras a cantar,
as diligentes formigas.
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Então, no grande silêncio,
uma formiga ouvi:
Precisamos trabalhar,
O outono está quase aí.
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Já vão-se abrir as escolas,
Irás estudar também.
Adeus, meu bom amiguinho,
até o verão que vem!
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Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971
Ilustração, Walt Disney.
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Se tens à frente uma estrada,
não passes por um atalho,
que a vida só é gozada
à custa de muito trabalho.
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(Luiz Evandro Innocêncio)
Ilustração de Walt Disney.
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Uma equipe de físicos britânicos conseguiu dar vários nós em feixes de luz, em uma experiência inédita relatada em artigo na revista científica Nature Physics.
Segundo o especialistas, o feito foi possível graças à chamada “Teoria dos Nós“, um ramo da matemática abstrata inspirado nos nós cotidianos, como os de cordas e sapatos. “Em um feixe, o fluxo de luz no espaço é semelhante ao das águas de um rio“, explicou Mark Dennis, da Universidade de Bristol e principal autor do estudo. “Apesar de correr em uma linha reta, a luz também pode fluir em voltas e redemoinhos, formando linhas no espaço chamadas de vórtices ópticos.”
“Ao longo desses vórtices, a intensidade da luz é zero. Toda a luz à nossa volta é cheia dessas linhas negras, apesar de não podermos vê-las“, disse.
Foto: BBC
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Vórtices ópticos podem ser criados com hologramas que direcionam o fluxo de luz. Neste estudo, a equipe desenhou hologramas usando a teoria dos nós. E com esses hologramas, conseguiram criar nós em vórtices ópticos. Para os cientistas, a compreensão de como controlar a luz tem importantes implicações para a tecnologia a laser usada em vários campos, da medicina à indústria.
“O sofisticado desenho de hologramas necessário para a nossa experiência mostra um avançado controle óptico, o que pode sem dúvida vir a ser usado em futuros aparelhos a laser“, disse Miles Padgett, da Universidade de Glasgow.
FONTE: Terra
Antigo Theatro Lyrico no Rio de Janeiro.
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Feito no Império, o Theatro Lyrico tinha a graça e a beleza adequada à função. Acústica perfeita, harmonia perfeita. Nos intervalos das aulas eu ia explorar todos os seus recantos e o conheci do avesso, quando não tinha ninguém, e isso era fantástico. Sabia como entrar no palco diretamente dos camarotes. Conhecia todos os seus intricados caminhos. Era um labirinto de madeira, uma jóia. As cadeiras da platéia, estilo império, traziam a numeração em metal encravada numa placa de madrepérola e eram de jacarandá e palhinha. Confortáveis e sóbrias, a princípio eram cadeiras cativas. Gostava de ir ao palco depois de terminado o espetáculo. Fiz isso muitas vezes quando os Cossacos do Don se apresentaram e porque eles tinham o magnetismo selvagem da alma russa, atraíam as mulheres que iam assediá-los – eu, entre elas, com uma diferença de idade que transformava qualquer aproximação em amizade carinhosa. Conversava com eles por mímica e lhes pedia que me ensinassem passos da dança. Levava-lhes minhas aquarelas nas quais eles apareciam fazendo malabarismos, passos de danças guerreiras, acrobacias que ficavam muito aquém das que faziam no palco. Eram, belos, leves, ligeiros, imponderáveis. Eu havia lido Os cossacos de Tolstói e eles eram o que Tolstói havia descrito: tinham a sensualidade à flor da pele – sofrimento e prazer viviam neles ancestralmente juntos, confundindo amor e ódio, êxtase e agonia. Pedi a alguém que lhes perguntasse – Como dançavam tão bem? — Eles responderam: — Dançamos com “raiva”. Era uma raiva diferente, uma explosão de virilidade, garra, grito tribal, paroxismo do sexo. Havia a “dança dos punhais”, em que ao som da música em coro iam lançando com a boca, uma a um, enormes punhais ou adagas que se fixavam no chão, em círculo, numa precisão assustadora.
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Cossacos do Don
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O entusiasmo das moças que freqüentavam as vesperais despertou uma reação histérica nas autoridades e, de repente, foi proibida a presença de mulheres no palco. Ignorei essa ordem, talvez por me considerar de certa forma, “dona da casa”. Continuei lá, no meio deles, interessados a me ensinar a letra dos “Barqueiros do Volga”, canção admirável.
“Ei uh… niem…
Ei uh…niem…
E…ste…raaazik
Eestedara…”
De repente vi, à minha frente, o professor Guanabarino e sua noiva, d. Lalita. O mestre estava irado. Passou-me um pito e exigiu que eu saísse de lá. Fiquei indignada, revoltada, envergonhada, mas tive de obedecer. Os russos, surpresos e constrangidos, gritaram para mim: Dasvidania!, que quer dizer Adeus.
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Arturo Toscanini
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Seria admirável se alguém escrevesse a história do Theatro Lyrico, nomeando os grandes artistas que por lá passaram. Companhias líricas, cantoras famosas, tenores, baixos, barítonos, pianistas, violinistas, grandes orquestras… Toscanini virou maestro nesse teatro, quando os fados o obrigaram a substituir o maestro que adoeceu no dia da estréia de um espetáculo de gala. Eleonora Duse, Sara Bernhardt, e sua célebre frase aos estudantes que a vaiaram: “ Vous m’avez jugé avant de m’avoir connue.” [Vocês me julgaram antes de me conhecerem] E o teatro veio abaixo com os aplausos dos que a vaiaram. Mas, aos poucos, as grandes temporadas foram se deslocando para o Teatro Municipal. O Lyrico, abandonado, passou a ser o lugar preferido para a exibição de diversos tipos de circos e imensas estruturas para trapezistas eram armadas sobre a platéia… A desmoralização terminou com a demolição da “jóia de madeira” e o terreno vazio, sem o menor vestígio de gloriosas noites que se prolongavam até altas madrugadas, virou local de estacionamento de veículos. Que país admirável! O teatro estava “atravancando” um espaço incomensurável!
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Eleonora Duse
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O interior do Theatro Lyrico, Rio de Janeiro.
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Em: A família de guizos: história e memórias, de Ivna Thaumaturgo, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira: 1997; p.73-75.
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A companhia de canto e dança Cossacos do Don, ainda se apresenta hoje em dia nos maiores palcos do mundo. Coloco aqui abaixo um vídeo de Cossacos do Don que achei no YouTube.
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Senhora oriental lendo à luz do luar
Keisai Eisen (Japão, 1790-1848)
xilogravura policromada
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Keisai Eisen – ( Edo [Tokyo]1790-1848) Nascido na família Ikeda, filho de um calígrafo e poeta, que aparentemente aprendeu com seu pai a maneira de usar o pincel. Já bem jovem foi instruído seu pai demonstrou grande confiança num futuro brilhante para o filho colocando-o para estudar o estilo Kano com o pintor Hakkerisai. Logo depois da morte de seu pai, Eisen procurou um padrinho no pintor Kikugawa Eizan, que era exemplar na pintura das belezas bijin, e com quem Eisen treinou nno estilo ukiyo-e. Em 1820, já se manifesta com estilo próprio. Com Kunisada e Kuiyoshi, Eisen é considerado um dos maiores artistas do estilo ukiyo-e do período “decadente”.
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O filhote de panda gigante Yun Zi, de cinco meses de idade, foi apresentado à imprensa no zoológico de San Diego, nos Estados Unidos. Yun Zi, que significa “filho da nuvem“, tentou subir em uma árvore, caiu e subiu novamente no galho, observado por sua mãe, Bai Yun, que significa “nuvem branca”.
“Bebês pandas são muito resistentes e é tudo parte do processo de aprendizado“, disse a funcionária do zoológico Kathy Hawk. “Cair é parte do processo educacional.”
Yun Zi nasceu no zoológico no dia 5 de agosto do ano passado. “Ele é muito ativo. Ele estava brincando e definitivamente se mostrando para os câmeras. Uma pessoa até me perguntou brincando se eu preparei o panda para o evento“, disse Kathy. Os pandas gigantes foram emprestados ao zoológico de San Diego pelo governo da China.
FONTE: Terra
O muro do jardim, 1910
John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)
Aquarela e grafite sobre papel, 40 x 53 cm
Museu de Belas Artes, Boston
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B. Lopes
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Velho muro da chácara! Parcela
Do que já foste: resto do passado,
Bolorento, musgoso, úmido, orlado
De uma coroa víride e singela.
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Forte e novo eu te vi, na idade bela
Em que, falando para o namorado,
Tinhas no ombro de pedra debruçado
O corpo senhoril de uma donzela…
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Linda epoméia te bordava a crista;
Eras, ao luar de leite, um linho albente,
Folha de prata, ao sol, ferindo a vista.
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Em ti pousava a doce borboleta…
E quantas noites viste, ermo e silente,
Romeu beijando as mãos de Julieta!
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Em: Antologia dos poetas brasileiros da fase parnasiana, ed. Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do livro: 1951.
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Vocabulário:
Víride: verde, uso poético
Epoméia: ver ipoméia, trepadeira rústica comum em terrenos baldios, também conhecida como jitirana, jetirana, corriola, campainha, corda-de-viola.
Albente: que alveja, que embranquece
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Bernardino Lopes, pseudônimo B. Lopes (Rio Bonito, RJ, 1859 — RJ,1916) foi um poeta brasileiro de diferentes tendências literárias na passagem do século XIX ao XX. Foi funcionário do Correio Geral, Membro da boemia intelectual carioca foi um poeta de transição do fim do romantismo. Ficou muito conhecido pelos seus sonetos parnasianos. Tem grande afinidade com os simbolistas.
Obras:
Cromos (1881) – 2ª Edição 1896
Pizzicatos – “Comédia Elegante” (1886)
Brasões (1895)
Sinhá Flor (1899)
Val de Lírios (1900)
Helenos (1901)
Plumário (1905)
Poesias Completas (1945)
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Um fragmento de cerâmica com cinco linhas de texto e mais de 3.000 anos de idade, descoberto no local onde a Bíblia diz que Davi matou Golias, acaba de ser decifrado e, de acordo com arqueólogos israelenses, é o mais antigo registro de hebraico escrito. As inscrições estavam em protocananeu –usado por israelitas, filisteus e outros povos da região– e foram descobertas há 18 meses.
O material foi decifrado por Gershon Galil, Professor da cadeira de Estudos Bíblicos da Universidade de Haifa, que identificou a escritura como hebraico. Em comunicado, a instituição afirma que se trata “do mais antigo registro conhecido” em hebraico. Análises de datação radioativa, feitos para determinar a idade do material, indicam que as inscrições são do século 10 a.C., época do reinado de Davi, o que as torna quase mil anos mais antigas que os pergaminhos do mar Morto e que provam que o reino de Israel já estava em existência neste período.
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“O texto é um manifesto social, referente a escravos, viúvas e órfãos“, disse Galil, acrescentando que as palavras e os conceitos utilizados eram específicos do idioma e da sociedade hebraica da época. O fragmento foi encontrado perto do portão do local conhecido como “Fortaleza de Elá“, cerca de 30 quilômetros a oeste de Jerusalém, no vale onde se acredita que a batalha entre Davi e Golias aconteceu. O texto gravado em tinta num pedaço de cerâmica de 15 cm x 16,5 cm foi descoberto há aproximadamente 18 meses em excavações conduzidas pelo Professor Yosef Garfinkel em Khirbet Qeiyafa, no vale do Elá. Mas até agora a definição da língua em que o texto havia sido escrito não tinha sido feita: até o estudo do prof. Galil, não se sabia se esse texto era de fato em hebreu ou se era de alguma outra língua local.
A definição dada pelo Prof. Galil de que o texto estava escrito em hebreu se baseou no uso de verbos muito específicos do hebreu, e, também, na cultura hebraica, traços que não teriam sido adotados por nenhuma outro grupo cultural da região. “Esse texto é de caráter social, refere-se a escravos, viúvas e órfãos. Usa verbos que são característicos do hebreu, como asah (feito) e avad (trabalhado) que eram raramente usados em qualquer outra língua regional. Palavras específicas que aparecem no texto, como almanah (viúva) são exclusivas do hebreu e são escritas de maneiras distintas em outras línguas locais. O significado do texto tampouco era comum a outras culturas fora da sociedade hebraica, explicou o professor.
O texto exprime preocupação com os membros mais frágeis da sociedade. Ele também serve de testemunha de que a presença de estrangeiros dentro da sociedade de Israel data de épocas remotas, e que mesmo então, já clamava por uma maneira de dar apoio a esses estrangeiros. Faz também um apelo para o cuidar de viúvas e de órfãos e que o rei – que naquela época tinha a responsabilidade de diminuir a desigualdade social – se envolvesse na questão. Esse texto é semelhante em conteúdo ás escrituras bíblicas (Isaías 1:17, Salmos 72:3, Êxodo 23:3, entre outros) mas está claramente estabelecido que não foi copiado de nenhum texto bíblico.
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Prof. Galil dá destaque também à localização do achado que foi numa localidade no interior da Judéia. E explica: se havia escribas na periferia, podemos assumir que aqueles moradores da região central e de Jerusalém deveriam ser melhores escribas. “Podemos agora manter a premissa de que durante o século X a.C., durante o reinado de Davi, havia escribas capazes de de escrever textos literários e historiografias complexas tais como os livros dos Juizes e Samuel”. Ele ainda acrescenta: “a complexidade do texto descoberto em Khirbet Qeiyafa, junto com as construções fortificadas encontradas no local, rejeitam qualquer idéia de negar a existência do Reino de Israel naquela época”.
Em comunicado, a Universidade de Haifa afirma que “a descoberta de um exemplo tão antigo de escrita hebraica torna possível que a Bíblia tenha sido escrita vários séculos antes das estimativas atuais“. “As inscrições têm conteúdo semelhante às escrituras bíblicas, mas fica claro que não são cópias de nenhum texto da Bíblia“, afirma a universidade.
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Fontes:
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A teia se expande e estica
porque a aranha o fio tece.
O milagre não se explica
e simplesmente acontece.
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(José Augusto Fernandes)