A palavra é tão sublime,
tem tamanha divindade,
que deveria ser crime
usá-la contra a verdade.
(Luiz Evandro Inocêncio)
A palavra é tão sublime,
tem tamanha divindade,
que deveria ser crime
usá-la contra a verdade.
(Luiz Evandro Inocêncio)
Heitor dos Prazeres ( Brasil 1898-1966)
Óleo sobre tela
Às vezes um assunto fica na cabeça da gente, como um refrão de música popular que não conseguimos esquecer. Foi isso o que aconteceu comigo e Os Arcos da Lapa. Para me exorcizar volto ao assunto, 24 horas mais tarde. Passei a tarde a procura de um ou dois textos que me lembrava ter lido, mas não sabia onde. Bem aqui está um deles.
Texto do visitante James Hardy Vaux, no Rio de Janeiro em 1807:
Tendo mencionado as fontes públicas – em grande número nesta cidade – não posso deixar de descrevê-las. Em razão de haver poucas nascentes no Rio de Janeiro, a água é coletada no pico de uma elevada montanha e conduzida à cidade por um majestoso aqueduto, que atravessa um vale de muitas milhas de distância. Ao chegar à urbe a água é distribuída pelas fontes situadas nas ruas principais. Essas fontes, todas muito bonitas, são construídas em pedra e contam com uma grande cisterna para armazenar a água. Essa escoa daí por umas bicas de metal fundido, muito bem trabalhado, que têm a forma de bicos de ganso, de pato e de outras aves.
Em: Outras visões do Rio de Janeiro Colonial 1582-1808; antologia de textos, editado por Jean Marcel Carvalho França, Rio de Janeiro, José Olympio: 2000, p. 305
Chafariz do Largo do Moura, Rio de Janeiro, 1817
Thomas Ender (Áustria 1793-1875)
aquarela
Lúcia de Lima ( Brasil, contemporânea)
Acrílica sobre tela
Coleção Particular
As notícias de hoje me levaram aos Arcos da Lapa no Rio de Janeiro. Um acidente com o bondinho de Santa Teresa me fez pensar como seria triste a vida nesta cidade sem o bondinho passeando por cima dos Arcos da Lapa, um dos locais mais interessantes e atraentes do Rio de Janeiro.
Este não é só o símbolo da Lapa, tradicional bairro boêmio da cidade. Mas um símbolo do Rio de Janeiro. É, sem dúvida, uma das primeiras obras grandiosas da cidade. Com o passar dos séculos obras gigantescas quase se tornaram lugar comum na cidade, com governantes derrubando morros, fazendo aterros, perfurando montanhas de granito para abrirem longos túneis urbanos. Tudo de um gigantismo, de uma grandiosidade, raramente igualadas em qualquer outro lugar do mundo.
Lagoa do Boqueirão com o Aqueduto da Carioca ao fundo
Leandro Joaquim ( Brasil, c. 1738 – c. 1798)
óleo sobre madeira, originalmente para um dos Pavilhões do Passeio Público.
Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro
Os Arcos da Lapa estão entre as primeiras grandes interferências arquitetônicas no Rio de Janeiro. É a obra de maiores dimensões e maior impacto do período colonial. Seu nome original — Aqueduto da Carioca — quase explica sua função. Essa construção de pedra e argamassa, em estilo romano, com dupla arcada, 42 arcos e óculos, edificada nos anos entre 1744 e 1750, trazia para o centro da cidade as águas do Rio da Carioca.
Mas por incrível que pareça, estes não foram os primeiros arcos construídos como parte do Aqueduto da Carioca. Os Arcos que conhecemos hoje, vieram para substituir os Arcos Velhos. Os primeiros arcos do Rio de Janeiro foram decididos por ordem régia de 1672. Mas só foram inaugurados em 1723, junto com o Chafariz da Carioca. Sua função como a dos Arcos que vemos hoje na cidade era trazer as águas do Rio da Carioca até o Largo da Carioca. Esta obra, bastante ambiciosa, só começou a tomar forma no governo de Ayres de Saldanha [ e Albuquerque] (1719-26). Mas seu traçado repleto de curvas mostrou-se imprático, sem resistência, chegando às ruínas com grande rapidez.
Foi no governo de Gomes Freire de Andrade, último governador do Rio de Janeiro (1733 a 1763) — antes de ser criado o Vice-reinado –, que o Aqueduto da Carioca, que hoje conhecemos, foi construido e inaugurado.
Os arcos, no finalzinho do século XIX, quando os bondes foram eletrificados, 1896.
No final do século XIX o sistema de adução das águas do Rio da Carioca tornou-se obsoleto e o aqueduto foi desativado. Eis que surge, então, em 1896, a oportunidade de transformar tamanha construção em rota para o bonde elétrico, servindo assim aos moradores do bairro de Santa Teresa.
O bairro possui a única linha urbana remanescente de bondes do Brasil. A Companhia Ferro-Carril Carioca, que introduziu o serviço de bondes no bairro na década de 1870, eletrificou as linhas em 1896. E aproveitou a construção colonial como via de acesso ao bairro. Por ter sido feito onde corria o aqueduto, os bondes de Santa Teresa trafegam usando uma bitola especial, bastante estreita, de 1,10m.
Os Arcos da Lapa, Cartão Postal, 1925.
Talvez nunca mais se ouvisse
falar em guerra ou maldade
se todo mundo aderisse
ao cultivo da amizade.
(Eno Teodoro Wanke)
Algumas dicas que ajudam alunos entrando no mercado de trabalho. Essas dicas foram sugestões de G. Krishnamukar, publicadas no jornal The Hindu, da Índia, no dia 11 de agosto. Elas também são válidas para o lado de cá do mundo. A tradução, adaptação são minhas.
Companhias têm exigido bastante no momento de recrutamento nessa hora de crise mundial, com o objetivo de escolher só os melhores profissionais.
Com o número de vagas reduzido, candidatos, principalmente os recém formados, precisam apurar suas aptidões para corresponder à crescente concorrência. Aqui estão algumas dicas que podem ajudar a que estiver à procura de um novo emprego.
• As grandes companhias estão à cata de pessoas independentes. Empresas querem pessoas dispostas a assumir novas responsabilidades.
• Os candidatos a emprego terão necessariamente que aprender novas ferramntas de trabalho. Para aqueles que resistem à uma nova aprendizagem, a um novo treino em diferentes áreas, o trajeto para emprego relevante será mais difícil.
• As empresas também querem maior empenho de seus empregados, na garantia do sucesso que a empresa terá no futuro. A dedicação do empregado não pode ser comprometida. Se você fizer alguma coisa, será melhor fazê-lo com todo o seu empenho, se o fizer só para terminar a tarefa, pensando que você afinal não foi contratado para aquilo, o investimento da companhia em você não valerá a pena. É um desperdício de tempo para você e para eles.
• É preciso que o candidato tenha bom desempenho para trabalhar em equipe. Em geral novos empregados precisam se encaixar numa equipe já existente para atuarem numa empresa.
• Os jovens precisam aumentar suas habilidades em comunicação.
• Os requisitos para um candidato a emprego estão mais exigentes. Uma das principais razões para a rejeição de um candidato nas entrevistas é a falta de habilidade, de comunicação oral e escrita. Você pode melhorar sua comunicação só mesmo com a prática. Não há alternativa.
• As empresas preferem pessoas que tenham capacidade de fazer várias tarefas diferentes, sem se limitarem ao nicho específico para o qual foram contratadas.
Banho de sol com leitura, 1977
Ivan Chichelanov (Rússia, 1920)
Aquarela
Hoje abri outra página neste blog: Papa-livros, um clube de leitura: ler, comer, falar
A intenção é tornar publica a opinião geral do grupo de leitura Papa-livros, que eu coordeno, sobre o livro que discutimos. Na página explico como o grupo começou e dou a lista dos livros lidos no curso de mais de cinco anos. Nessa lista, grifei em azul os livros de que mais gostei. O meu gosto não reflete completamente o gosto do grupo. Mas é difícil lembrar agora como foi que as pessoas reagiram há algum tempo atrás. Fica aqui o convite para a leitura do mês de agosto:
Um toque na estrela de Benoîte Groult, Rio de Janeiro, Record: 2009. 218 páginas.
O encontro do Papa-livros será dia 23 de agosto. E nenhuma discussão sobre o livro será publicada até lá.
Bem-vindos.
Capa de revista, 1939
EM CAMINHO
Zalina Rolim
SOU filha de lavradores;
Moro longe da cidade;
Amo os pássaros e as flores
E tenho oito anos de idade.
Quereis seguir-me à campina?
A tarde convida e chama,
O calor do sol declina,
E o horizonte é um panorama.
Neste samburá de vime
Levo coisa apetitosa;
mas, ai! que ninguém se anime
A meter-lhe a mão curiosa.
É o jantar do papaizinho;
Manjares de fino gosto;
Carne, legumes, toucinho,
Tudo fresco e bem disposto.
Papai trabalha na roça;
O dia inteiro labuta;
Tem a pele rija e grossa
E a alma afeita à luta.
Mas leal, franco, modesto
Como ele, não há no mundo:
Vive de trabalho honesto,
Cavando o solo fecundo.
Acorda ao nascer da aurora,
Abre a janela de manso,
E o campo e os ares explora
Da vista aguda num lanço.
Depois, nos ombros a enxada,
Abraça a Mamãe, sorrindo,
Beija-me a face rosada
E vai-se ao labor infindo.
Em casa também se lida
Daqui, dali, todo o instante,
Que o trabalho é lei da vida
E nada tem de humilhante.
Depois do trabalho, estudo;
Abro os meus livros e leio;
Eles me falam de tudo
O que eu desejo e receio.
Contam-me histórias bonitas,
Falam da terra e dos ares,
De vastidões infinitas,
De rios, campos e mares.
Mamãe diz que são modelos
De amigos leais e finos;
Que a gente deve atendê-los
Como aos maternais ensinos.
E agora, adeus, até breve.
Eis-me de novo a caminho:
Não esfrie o vento leve
O jantar do papaizinho.
Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.
Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.
Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.
Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.
Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.
Obras:
1893 – O coração
1897 – Livro das Crianças
1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)
Calor na Holanda dá dó aos tratadores do Zoológico que deram um prêmio às Girafas quando a temperatura esquentou. Aqui, girafas lambem um pedaço de sorvete, no zoológico da cidade de Rhenen. A guloseima foi oferecida aos animais do local para refrescá-los, enquanto as temperaturas atingiram 29°C.
–
–
Henriqueta Lisboa
–
–
Coraçãozinho que bate
tic-tic
Reloginho de Papai
tic-tac
Vamos fazer uma troca
tic-tic-tic-tac
Relógio fica comigo
tic-tic
dou coração a Papai
tic-tic-tac.
Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta, tradutora professora de literatura, Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Obras:
Fogo-fátuo (1925)
Enternecimento (1929)
Velário (1936)
Prisioneira da noite (1941)
O menino poeta (1943)
A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano
Flor da morte (1949)
Madrinha Lua (1952)
Azul profundo (1955);
Lírica (1958)
Montanha viva (1959)
Além da imagem (1963)
Nova Lírica ((1971)
Belo Horizonte bem querer (1972)
O alvo humano (1973)
Reverberações (1976)
Miradouro e outros poemas (1976)
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)
Pousada do ser (1982)
Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento