O Gato — poema infantil de João de Deus Souto Filho

22 08 2008
Gato Kimono, de Jorji Gardener
Gato Kimono, de Jorji Gardener

 

O gato

 

João de Deus Souto Filho

 

 

 

O gato Miguelim,

De rabo malhado

E bigode de espeto,

Só sabe o miado

do meio pro fim.

 

 

De tanto barulho

Que faz este gato,

Miando esquisito

No meio do mato,

A gente só ouve

O firinfinfin…

 

 

 

João de Deus Souto Filho – (MA 1957) geólogo e formado em letras, autor de diversos de livro infantis:  

 

Obra publicada:

 

O Quintal do Seu Nicolau, (1992)

O Aprendiz de Jardineiro – teatro (1992)

O Passeio da Cinderela – teatro (1992)  

 





Duas estrelas — poema infantil de Pedro Farinha

19 08 2008

 

Estrela Cadente, desenho escolar de Cristina Ciurez (15 anos) aluna do curso médio na Romênia, 2008.

Estrela Cadente, desenho escolar de Cristina Ciurez (15 anos) aluna do curso médio na Romênia, 2008.

 

Duas Estrelas

 

 

 

A estrela que está no céu

Pôs-se um dia a voar

Viu outra estrela nas ondas

Era a estrela do mar

 

As duas estrelas se olharam

E ficaram encantadas

Juntas nadaram, voaram

Duas estrelas apaixonadas

 

E ao darem o primeiro beijo

Tornaram-se uma estrela cadente

Se a vires, pede um desejo

Como faz tanta gente

 

 

 

Pedro Farinha (Portugal)

Julho de 2001

  

Da revista eletrônica: As letras de Paganini

 





Terra Natal — poema para 3a série — D. Aquino Correia

18 08 2008

Menino Índio de Mato Grosso.  Foto de MARC FERREZ, 1896.

 

Menino Índio de Mato Grosso. Foto de MARC FERREZ, 1896.

Terra Natal

 

                                    D. Francisco Aquino Correia

 

 

Nasci à beira

Da água ligeira,

Sou paiaguá!

De Sul a Norte,

Tribo mais forte

Que nós não há.

 

Nas mansas águas,

Vive sem mágoas

O paiaguá;

O seu recreio,

O seu enleio

No rio está.

 

Nele me afundo,

Nado no fundo,

Surjo acolá;

E nem há peixe,

Que atrás me deixe,

Sou paiaguá!

 

Se faz soalheira,

Durmo-lhe à beira,

Ao pé do ingá;

Mas se refresca,

Lá vai à pesca

O paiaguá!

 

E quando guio,

À flor do rio,

A minha ubá,

Nem flecha voa,

Como  a canoa

Do paiaguá!

 

Um  dia os brancos,

Dentre os barrancos,

Surgem de lá;

Mas, em  momentos,

Viram quinhentos

Arcos de cá.

 

Na luta ingente,

Que eternamente

Retumbará,

Fez quatrocentas

Mortes cruentas

O paiaguá.

 

Não!  O emboaba,

Em nossa taba,

Não reinará!

Nós coalharemos

A água de remos,

Sou paiaguá!

 

Nas finas proas

Destas canoas,

Triunfará,

Por todo o rio,

O poderio

Do paiaguá!

 

Nasci à beira

Da água ligeira,

Sou paiaguá!

De Sul a Norte,

Tribo mais forte

Que nós não há!

 

 

D. Francisco Aquino Correia ( Cuiabá, MT 1885 – São Paulo – 1956)  arcebispo de Cuiabá.

 

 

Do livro:

 

Vamos estudar?: 3a série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro,  Agir: 1961. 12a edição.





Bailado Russo — poema infantil de Guilherme de Almeida

14 08 2008

Bailado Russo

 

REYNALDO FONSECA (1925) O Pião – Óleo s/ tela – 70 x 50 cm – ass. sup. esquerdo e verso 2002.

REYNALDO FONSECA (1925) O Pião – Óleo s/ tela – 70 x 50 cm – ass. sup. esquerdo e verso 2002.

 

 

 

 

 

A mão firme e ligeira

puxou com força a fieira:

e o pião

fez uma eclipse tonta

no ar e fincou a ponta

no chão.

 

É o pião com sete listas

de cores imprevistas.

Porém,

nas suas voltas doudas,

não mostra as cores todas

que tem:

 

— fica todo cinzento,

no ardente movimento…

E até

parece estar parado,

teso, paralisado,

de pé.

 

Mas gira.  Até que aos poucos,

Em torvelins tão loucos

assim,

já tonto, baboleia,

e bambo, cambaleia…

Enfim,

Tomba.  E, como uma cobra,

Corre mole e desdobra

então,

em hipérboles lentas,

sete cores violentas,

no chão.

 

Guilherme de Almeida

 

 

Guilherme de Andrade e Almeida (SP 1890- SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro.

 

 

Obras:

 

Nós (1917);

A dança das horas (1919);

Messidor (1919);

Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);

Era uma vez… (1922);

A flauta que eu perdi (1924);

Meu (1925);

Raça (1925);

Encantamento (1925);

Simplicidade (1929);

Você (1931);

Poemas escolhidos (1931);

Acaso (1938);

Poesia vária (1947);

Toda a poesia (1953).

 

Do livro:  Antologia Poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, INL-MEC, 1961.





A galinha cor de rosa, poema infantil de DUDA MACHADO

11 08 2008
A Galinha Cor de Rosa, de Keith Norval.

A Galinha Cor de Rosa, de Keith Norval.

 

 

A galinha cor-de-rosa

 

Era uma galinha cor-de-rosa,

Metida a chique, toda orgulhosa,

Que detestava pisar no chão

Cheio de lama do galinheiro.

 

Ficava no alto do poleiro

E quando saía do lugar,

Batia as asas para voar.

Mas seus pés acabavam na lama.

 

Aí armava o maior chilique,

Cacarejava, bicava o galo,

E depois, com ar de rainha,

Lavava os pés numa pocinha.

DUDA MACHADO

Do livro:

Histórias com poesia, alguns bichos e Cia. Duda Machado, Editora 34:2003

Carlos Eduardo Lima Machado, Duda Machado, nasceu em Salvador, BA em 1944. poeta professor de literatura e tradutor.  Tem diversos livros infantis entre outros publicados.

 

 

 





Uma poesia para crianças para o Dia do PAPAI.

9 08 2008
Mauricio de Sousa

Ilustração: Maurício de Sousa

 

 

 

 

Porque domingo é o Dia dos Pais.

 

 

 

Dia do Papai

 

Meu coração bate tanto

que alegria nele vai!

Estou feliz, pulo, canto:

— Hoje é o dia do papai.

 

O papai essa criatura

a quem amo com ardor,

que faz minha ventura

e me trata com amor.

 

O papai que minha vida

torna feliz, sem par,

— Ó mamãezinha querida;

Vamos o papai beijar!

 

 

Recolhi este poema do meu livro de poemas de escola.  Não tenho o autor.  Naquela época não me importava com isso.  Eu estava na segunda série primária, de uma escola pública no Rio de Janeiro, quando comecei, graças à minha professora D. Yolanda, um caderno de poesias.  Nele colocava pequenas poesias, em geral dadas pela professora. Aos poucos ela nos incentivou a copiarmos poesias de que gostássemos.   Minha avó, espertamente,  me deu um belo livro de capa dura com a palavra POESIAS em letras douradas,com páginas em branco, que tenho até hoje.  Este era o único lugar em que eu podia escrever a tinta.  Lá estão os meus garranchos a bico de pena… Foi daí que veio não só a apreciação pela poesia, mas o hábito de ler poesias sempre.

 

 





Borba Gato e os diamantes, poema de Cassiano Ricardo

7 08 2008
Charles Landseer (Inglaterra 1799-1879) Tropeiro Paulista, 1827, ost,

Charles Landseer (Inglaterra 1799-1879) Tropeiro Paulista, 1827, ost

 

Borba gato e os Diamantes

 

“Eu vou buscar diamantes”.

Foi quanto disse e já montou no rio

pôs mantimentos na garupa

levou o bugre pela frente

atrás do bugre o mameluco.

 

Montou no rio, então o rio

Logo desceu da cabeceira…

foi resmungando mas desenrolando

o corpo azul numa porção de voltas

mato a dentro à semelhança de uma

cobra muito grande que roncasse

e que passasse sacudindo

o rabo da cachoeira.

 

E levou na cacunda

em redemoinhos de água barafunda

uma porção de gente

armada de trabuco.

Formaram-se de pronto

alas de jacarés abrindo

a todo instante

a bocarra vermelha

no escurão do tijuco.

“Eu vou buscar diamantes”.

E armou seu barracão de couro

a quatrocentas léguas da partida.

 

Tudo correu, tudo saiu gritando!

Só porque um homem

chamado Borba Gato

armado de trabuco

entrou no mato…

 

 

Cassiano Ricardo

 

 

Do livro:  Terra Bandeirante: a história, as lendas e as tradições do Estado de São Paulo, para a 3ª série do curso primário, de Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1954

 

 

Cassiano Ricardo Leite (SP 1895 – RJ 1974), jornalista, poeta e ensaísta;

 

Obras

 

 

Dentro da noite (1915)

A flauta de Pã (1917)

Jardim das Hespérides (1920)

A mentirosa de olhos verdes (1924)

Vamos caçar papagaios (1926)

Borrões de verde e amarelo (1927)

Martim Cererê (1928 )

Deixa estar, jacaré (1931)

Canções da minha ternura (1930)

Marcha para Oeste (1940)

O sangue das horas (1943)

Um dia depois do outro (1947)

Poemas murais (1950)

A face perdida (1950)

O arranha-céu de vidro (1956)

João Torto e a fábula (1956)

Poesias completas (1957)

Montanha russa (1960)

A difícil manhã (1960)

Jeremias sem-chorar (1964)

Os sobrebiventes (1971)





A boneca — poesia infantil de Olavo Bilac

2 08 2008
A boneca quebrada ilustração de Cristina Rosetti

A boneca quebrada ilustração de Christina Rossetti

 

 

A  BONECA

 

 

Deixando a bola e a peteca,

Com que inda há pouco brincavam,

Por causa de uma boneca,

Duas meninas brigavam.

 

Dizia a primeira: “É minha!”

  “É minha!” a outra gritava;

E nenhuma se continha,

Nem a boneca largava.

 

Quem mais sofria (coitada!)

Era a boneca. Já tinha

Toda a roupa estraçalhada,

E amarrotada a carinha.

 

Tanto puxaram por ela,

Que a pobre rasgou-se ao meio,

Perdendo a estopa amarela

Que lhe formava o recheio.

 

E, ao fim de tanta fadiga,

Voltando à bola e à peteca,

Ambas, por causa da briga,

Ficaram sem a boneca…

 

                                                        Olavo Bilac

 

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas BrasileirosJornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro. 

 

 

Muito antes de Fernando Pessoa dizer que sua pátria era sua língua, já Olavo Bilac havia proclamado:  A Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo.

 

Obras:

 

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas.

Outras ilustrações de Christina Rossetti neste blog:

 

Gato e Rato

Os músicos de Bremen

 

 





A canção dos tamanquinhos, poema infantil, Cecília Meireles

28 07 2008
Detalhe do quadro de Van Eyck, O noivado dos Arnolfini

Detalhe do quadro de Van Eyck, O noivado dos Arnolfini

 

A CANÇÃO DOS TAMANQUINHOS

 

 

 

Troc…  troc…  troc…  troc…

ligeirinhos, ligeirinhos,

troc…  troc…  troc…  troc…

vão cantando os tamanquinhos…

 

Madrugada.   Troc…  troc… 

pelas portas dos vizinhos

vão batendo, Troc…  troc… 

vão cantando os tamanquinhos…

 

Chove.  Troc…  troc…  troc… 

no silêncio dos caminhos

alagados, troc…  troc…

vão cantando os tamanquinhos…

 

E até mesmo, troc…  troc…

os que têm sedas e arminhos,

sonham, troc…  troc…  troc…

com seu par de tamanquinhos…

 

 

Cecília Meireles

 

 

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, jornalista.

 

Obras

 

Van Eyck, o noivado dos Arnolfini

DETALHE: Van Eyck, o noivado dos Arnolfini

 

 

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa

 

 

 

 

 

 





História da Planta, poesia infantil de Ofélia e Narbal Fontes

26 07 2008
Partes das plantas

Partes das plantas

 

HISTÓRIA DA PLANTA

 

 

A raiz:        Do mundo não vejo nada,

                   Pois vivo sempre enterrada,

                   Mas não me entristeço, não,

                   Seguro a planta e a sustento

                   Sugando água e alimento.

 

 

O caule:     Sou tronco que levanta

                   E estende para os espaços

                   Braços, braços e braços

                   Colhendo a luz para a planta.

 

 

A folha:     Da planta sou o pulmão

                   Mas além de respirar,

                   Tenho uma grande função:

                   Roubo energia solar.

 

 

A flor:        Sou a mãe da vegetação

                   e me perfumo e me enfeito

                   para criar em meu peito

                   plantinhas que nascerão.

 

 

O fruto:      Sou o cálice da flor,

                   Que inchou e ficou maduro

                   Pela força do calor

                   E guardo em mim, com amor,

                   As plantinhas do futuro.

 

 

Ofélia e Narbal Fontes

 

 

 

Árvore e suas partes. Desenho de aluno da 2a série do curso básico, escola de Mateus, Portugal, 2006

Árvore e suas partes. Desenho de aluno da 2a série do curso básico, escola de Mateus, Portugal, 2006

Ofélia e Narbal Fontes casal de educadores brasileiros, paulistas, que escreveram livros em conjunto, na sua maioria didáticos.  Ofélia de Avelar Barros Fontes (SP 1902 –? ) poeta, biógrafa, autora didática, tradutora, romancista, teatróloga, professora, radialista; Narbal de Marsillac Fontes (SP 1899– RJ 1960) Poeta, biógrafo, cronista, teatrólogo, professor, jornalista, diplomado em medicina (1930), médico.

 

 

Livros:

 

No Reino do Pau-Brasil – Crônicas humorísticas (1933)

Senhor Menino – Poesias —

Regina, A Rosa de Maio

Romance de São Paulo – Romance — (1954)

Rui, O Maior – Biografia Rui Barbosa

Precisa-se de Um Rei — Literatura infanto-juvenil

Anhangüera, o gigante de botas – Literatura infanto-juvenil, (1956)

Coração de Onça – Literatura infanto-juvenil

O Talismã de Vidro — Literatura infanto-juvenil

Heróis da comunidade Mundial — biografias

A Gigantinha

A Espingarda de Ouro

Aventuras de Um Coco da Bahia

Esopo, O Contador de Estórias

Novas Estórias de Esopo

A Falsa Estória Maravilhosa

Espírito do Sol — Literatura infanto-juvenil

O Micróbio Donaldo  — Saúde e higiene — paradidático — (1949)

História do Bebê — Saúde e higiene — para didático

Ler, Escrever e Contar

Ilha do Sol

Segredos das mágicas — Literatura infantil

Brasileirinho – Música (1942)

Companheiros: história de uma cooperativa escolar (1941)

Pindorama

O Menino dos Olhos Luminosos

A Boa Semente

A Vida de Santos Dumont – Biografia Santos Dumont — (1935)

O Bicho “Sete-Ciências”  — Literatura infanto-juvenil

O Gênio do Bem —

Cem Noites Tapuias – Literatura infanto-juvenil

Ascensão – Poesia – (1961)

Um Reino sem mulheres – Biografia: Villegagnon

O leão obediente — (1915)

Libretto de La Traviata — Música — (1940)