Poema — Fernando Pessoa — para crianças

24 10 2008

 

Parati: lembrança do passado, 1958

Armando Viana (RJ 1897- RJ 1992)

óleo sobre tela, Coleção Particular

 

POEMA

Ó sino de minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minha alma.

 

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

 

Por mais que tanjas perto,

Quando passo sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto saudade de perto.

 

 

Fernando Pessoa

 

Vocabulário: 

 

dolente – triste

me tanjas – me toques

errante – sem destino

 

 

Em:

Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Edições de Ouro:s/d, Rio de Janeiro

 

 

Fernando Antônio Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.





O engenho do ovo… poesia infantil de Wilson W Rodrigues

22 10 2008
Engenho de açúcar, MEC

Engenho de açúcar, MEC

 

O Engenho do Ovo…

 

                        Wilson W Rodrigues

 

A madrinha era pobre,

tão pobre, que no batizado,

um ovo bem pequenino

deu de presente ao afilhado.

 

Do ovo nasceu uma pintinha,

que de pinta se fez franga,

e de franga se fez galinha

com olhinhos de sapiranga.

 

A galinha deu ninhada,

que encheu o galinheiro,

e vendendo essa ninhada

o rapaz ganhou dinheiro.

 

Com o dinheiro comprou um porco,

que matou para vender;

então comprou uma bezerra

que como ele estava a crescer.

 

A bezerra se fez vaca

e no rapaz a barba cresceu.

A vaca deu tanto filho,

que o rapaz enriqueceu.

 

E agora já bem taludo

dono de grande criação,

o rapaz comprou Engenho

como era sua ambição.

 

De um ovo de batizado,

dado com todo empenho,

um felizardo afilhado

acabou senhor de engenho.

 

Wilson R. Rodrigues

 

Vocabulário:

 

Olhos de sapiranga – olhos sem pestanas

Nunhada – todos os pintos que nascem de uma vez

Taludo – crescido, forte

Ambição – desejo

Empenho – boa vontade

Senhor – dono

 

Em:

 

Leituras Infantis, 2° livro, Theobaldo Miranda Santos, Agir:1962, Rio de Janeiro

 

Wilson Woodrow Rodrigues, nasceu em 1916 em Salvador, BA.  Foi poeta, folclorista e jornalista.

 

 

Obras:

 

A caveirinha do preá,  Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro

O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro

O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Bahia flor, 1948 (poesias)

Folclore Coreográfico do Brasil, 1953

Contos, s/d

Contos do Rei-sol, s/d

Contos dos caminhos, s/d

Pai João, 1952

 





A borboleta — poesia infantil de Olavo Bilac

17 10 2008

A borboleta

 

Olavo Bilac

 

 

Trazendo uma borboleta,

Volta Alfredo para casa.

Como é linda!  É toda preta,

Com listas douradas na asa.

 

Tonta, nas mãos da criança,

Batendo as asas, num susto,

Quer fugir, porfia, cansa,

E treme, e respira a custo.

 

Contente, o menino grita:

“É a primeira que apanho,

“Mamãe vê como é bonita!

“Que cores e que tamanho!

 

“Como voava no mato!

“Vou sem demora pregá-la

“Por baixo do meu retrato,

“Numa parede da sala”.

 

Mas a mamãe, com carinho,

Lhe diz: “Que mal te fazia,

“Meu filho, esse animalzinho,

“Que livre e alegre vivia?

 

“Solta essa pobre coitada!

“Larga-lhe as asas, Alfredo!

“Vê como treme assustada…

“Vê como treme de medo…

 

“Para sem pena espetá-la

“Numa parede, menino,

“É necessário matá-la:

“Queres ser um assassino?”

 

Pensa Alfredo…  E, de repente,

Solta a borboleta…  E ela

Abre as asas livremente,

E foge pela janela.

 

“Assim, meu filho!  Perdeste

“A borboleta dourada,

“Porém na estima cresceste

“De tua mãe adorada…

 

“Que cada um cumpra a sorte

“Das mãos de Deus recebida:

“Pois só pode dar a Morte

“Aquele que dá a Vida.”

 

Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro, 17ª edição, pp. 21-23

 

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas BrasileirosJornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro. 

 

 

Obras:

 

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas.





Poeminha para crianças, Manoel de Barros

16 10 2008

 

O cachorro vira-lata

queria que queria

entrar dentro de um inseto.

Mas a lata não deu inteira

dentro do inseto.

O rabo ficou de fora.

 

Em: Cantigas por um passarinho à toa, Manoel de Barros, Ed. Record:2003, Rio de Janeiro.

 

Manoel Wenceslau Leite de Barros, (Cuiabá, MT 1916) é advogado, fazendeiro e poeta.

 

 

 

Obras

 

1937 — Poemas concebidos sem pecado

1942 — Face imóvel

1956 — Poesias

1960 — Compêndio para uso dos pássaros

1966 — Gramática expositiva do chão

1974 — Matéria de poesia

1982 — Arranjos para assobio

1985 — Livro de pré-coisas (Ilustração da capa: Martha Barros)

1989 — O guardador  das águas

1990 — Poesia quase toda

1991 — Concerto a céu aberto para solos de aves

1993 — O livro das ignorãças

1996 — Livro sobre nada (Ilustrações de Wega Nery)

1998 — Retrato do artista quando coisa (Ilustrações de Millôr Fernandes)

1999 — Exercícios de ser criança

2000 — Ensaios fotográficos

2001 — O fazedor de amanhecer

2001 — Poeminhas pescados numa fala de João

2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo (Ilustrações de Martha Barros)

2003 — Memórias inventadas – A infância (Ilustrações de Martha Barros)

2003 — Cantigas para um passarinho à toa

2004 — Poemas rupestres (Ilustrações de Martha Barros)

 





COMPENSAÇÃO — poema de Cyra de Queiroz Barbosa

13 10 2008

 

COMPENSAÇÃO

 

Cyra de Queiroz Barbosa

 

Ao meu irmão Celso

 

 

Couve mineira

picada fininha

me lembra Vovó.

Sentada no mocho

de saia cobertos

só a ponta se via

dos pés pequeninos.

As mãos enrugadas

cortavam cortavam

a couve fininha.

 

Colhida na horta

que antes plantara

a couve verdinha

que agora picava

iria pra mesa

em travessa esmaltada.

Comida sadia

de gente mineira

arroz com feijão

que era tropeiro

torresmos sequinhos

lingüiça de lombo

farinha torrada

com ovos mexidos.

 

“Menina gulosa

tira a mão do torresmo!

Só quer escolher

o mais tenro e carnudo

aquele que o Celso

mais gosta e aprecia!”

— Couve mineira

picada fininha

me lembra a Vovó.

 

Café ralo e bem doce

com leite e farinha

que era de milho

torrada em fogão.

 Os netos gostavam

e ela sorria,

pra todos, é certo

mas um era neto

a quem mais queria.

 

— Só filhas criara

E nele beijava

o filho menino

que sempre sonhara.

 

Em: Moenda:painéis e poemas interiorizados, Cyra de Queiroz Barbosa, Rocco:1980, Rio de Janeiro





A Primavera — poema de P. de Petrus

12 10 2008

Ilustração de Rebecca Peed

A primavera

 

P. de Petrus

 

 

Primavera!  A Natureza,

Agora em nova roupagem,

Traz às plantas mais beleza,

Deita perfumes na aragem.

 

A colina é uma princesa

Dentro da mata selvagem.

Já não existe a tristeza

No sorriso da paisagem.

 

O sol, dourando o horizonte,

Cobre de beijos a fonte

E também a flor que o espera…

 

E o cantar dos passarinhos,

Quebrando a calma dos ninhos

Vem saudar a Primavera.

 

Pedro Bandettini, cognome P. de Petrus (SP 1920 – SP 1999)

 

Obras:

 

Paisagens Poéticas, 1970

Pensamentos Poéticos , 1975

Meu Canteiro de Trovas, 1984





Os periquitos — poema de Osório Dutra

10 10 2008

Os Periquitos

 

 

Osório Dutra

 

 

No leque verde dos coqueiros

Que ornam a margem dos caminhos,

Os periquitos galhofeiros

Zombam dos outros passarinhos.

 

Numa algazarra delirante,

Batendo as asas irisadas,

Cantam a terra e o céu distante,

Glorificando as alvoradas.

 

Porque se julguem muito ricos

Donos do espaço e das alturas,

Fogem dos pobres tico-ticos,

Trocando afetos e ternuras.

 

Unidos contra aos caçadores,

Andam ariscos e assustados:

Temem os ventos destruidores

E a poeira azul dos descampados.

 

São tão alegres, tão ruidosos,

Que a gente ao vê-los avalia

Que sejam todos venturosos,

Brincando ao sol de cada dia.

 

Não param nunca os mais tranqüilos.

Pulam, febris, de galho em galho.

Com que prazer, para segui-los,

Deixo de lado o meu trabalho!

 

Passam a vida saltitando

E é cada qual mais tagarela.

Onde vai um, lá vai o bando,

Cortando o azul na tarde bela.

 

Ordena um deles a partida

Em busca de outros horizontes.

Depois é a volta…  E que corrida

Vertiginosa sobre os montes!

 

E quando, à noite, escuto os gritos

De mil insetos bandoleiros,

Dormem, sonhando, os periquitos

No leque aberto dos coqueiros.

 

Osório Hermogênio Dutra, Vassouras, Estado do Rio, (1889 -1968). Diplomata brasileiro e poeta.

Obras:

 

O país do deuses (crônicas sobre o Japão)

Terra Bendita, 1923 (poesia)

Castelos de Marfim e  Céu Tropical (poesia), 1930

Inquietação, 1933 (poesia)

Dentro da noite Azul, 1934

Silêncio doce silêncio, 1936 (poesia)

O gênio poético de Martins Fontes, 1938

Mundo sem alma, 1943

Terra da gente, 1944 (poesia)

Emoção, 1945

Tempo perdido, 1946

Elas e nós, 1955, (poesia)

 

 

Vocabulário para uso escolar:

 

Ornar = decorar, enfeitar

Galhofeiro = brincalhão

Irisada = furta-cor

Venturoso = feliz

Bandoleiros =  errante, sem paradeiro





PRIMAVERA, poema infantil de Francisca Júlia e Júlio César da Silva

8 10 2008
Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

 

PRIMAVERA

 

Francisca Júlia e Júlio César da Silva

 

Bem cedo, mal rompe o dia,

já estão gorjeando as aves

os seus pipilos suaves

em desusada alegria.

 

Vasto, o campo se descobre,

ondula, se estende e perde,

todo verde, todo verde

da nova relva que o cobre.

 

De toda banda invadidos

e cheios estão os ares

do perfume dos pomares

e dos jardins florescidos.

 

A ave eriça a pluma,

Varre os ares e os refresca

O sopro da brisa fresca

Que tudo beija e perfuma.

 

A natureza se esmera

Em galas e enfeites novos;

Ri o sol, brotam renovos…

É a risonha primavera

 

que bem cedo acorda os ninhos,

as flores perfuma, enfolha

as árvores, folha a folha,

onde cantam os passarinhos.

 

 

 

 

Vocabulário:

 

gorjeando = cantando

desusada = incomum

eriça = levanta

galas = belezas

renovos = ramos novos

 

 

Encontrado em:

 

Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Ediouro: s/d, Rio de Janeiro

 

Francisca Júlia da Silva Munster (SP 1871 – SP 1920)  Poetisa brasileira.

  

Obras:

 

 

1895 – Mármores

1899 – Livro da Infância

1903 – Esfinges

1908 – A Feitiçaria Sob o Ponto de Vista Científico (discurso)

1912 – Alma Infantil (com Júlio César da Silva)

1921 – Esfinges – 2º ed. (ampliada)

——

A VOZ DOS ANIMAIS  é uma outra poesia de Francisca Júlia publicada neste blog.





Anjo bom, poema de Martins d’Alvarez para o dia do Mestre! 15 de outubro

7 10 2008
Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

 

 Anjo Bom

 

Martins d’Alvarez

 

 

Minha mestra mora aqui

dentro do meu coração.

Foi este anjo bom que, um dia,

vendo que eu nada sabia,

que tudo olhava e não via,

me conduziu pela mão.

 

Linda fada, com ternura,

pôs-se o mundo a me mostrar:

— a terra, — os espinhos e flores,

— o céu ardendo em fulgores;

— a vida cheia de amores;

— todo o mistério do mar.

 

Santa, ensinou-me a ser boa,

a ser alegre e feliz:

— a praticar a virtude;

— a cultivar a saúde;

— a enfeitar a juventude

com meus sonhos infantis.

 

— Minha mestra, minha amiga,

a ti, minha gratidão.

Pelo bem que me tens feito,

terás meu culto e respeito

no templo do amor-perfeito

que guardo no coração.

 

 

Vocabulário:

 

Ternura – carinho

Fulgores – brilhos, clarões

Juventude – mocidade

Mistério – segredo

 

Encontrado em:

 

Leituras Infantis, 2° livro, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1962, Rio de Janeiro

 

José Martins D’Alvarez   (CE 1904)  Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras.

 

 

Obras:

 

“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930 (versos).

“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).

 “Vitral”, 1934 (poemas).

“Morro do moinho” 1937 (romance)

“0 Norte Canta”, 1941 (poesia popular).

“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).

“Chama infinita, 1949 (poesias)

“O nordeste que o sul não conhece 1953 (ensaio)

“Ritmos e legendas” 1959 (poesias escolhidas)

“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967 (poesias escolhidas)

“Poesia do cotidiano”, 1977 (poesias)

Outros poemas de Martins d’Alvarez neste blog:

 

JOÃO e MARIA ; AMIGOS ; SÚPLICA





Pé de vento, poesia de Olegário Mariano, poema infantil

5 10 2008

 

Pé de vento…

 

Olegário Mariano

 

Ágil, violento,

De copa em copa,

Salta, galopa,

Relincha o vento.

 

Corcel alado,

Solta as crinas,

Desce às campinas

Desenfreado…

 

Transpõe barrancas,

Vales, penhascos,

Nas nuvens brancas

Imprime os cascos.

 

Da terra fura

Fundo as entranhas,

Na noite escura

Galga as montanhas,

 

Tolda os remansos,

Muda em cachoeiras

As cabeceiras

Dos rios mansos…

 

Arranca os galhos,

Pelos caminhos,

Deixa em frangalhos

Frondes e ninhos.

 

De salto em salto.

Revoluteia…

Lambe o planalto,

Dança na areia…

 

Na amaldiçoada

Força que o agita,

De cambulhada

Se precipita…

 

Pende o arvoredo

Num murmúrio:

“Meu Deus!  Que medo!

Que horror!  Que frio!”

 

Diz um arbusto:

“Por que me levas?

Tremo de susto

Dentro das trevas.”

 

Uma andorinha,

De asa quebrada:

“Morro sozinha,

Solta na estrada!”

 

Pobre tropeiro

Se desengana:

“Rolou do outeiro

Minha choupana!”

 

Vozes de magoas

Despedaçadas

Choram nas águas

E nas ramadas…

 

Uivam nas furnas

Feras aflitas,

Sob infinitas

Sombras noturnas…

 

E o vento nessa

Marcha selvagem,

Corta, atravessa,

Rasga a paisagem.

 

E segue o rumo

Do movimento,

Subindo a prumo

No firmamento,

 

Até que rola,

No último açoite,

Como uma bola

Dentro da noite…

 

 

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, (PE1889 —  RJ 1958). Poeta, político e diplomata brasileiro.

 

Obras:

 

Angelus (1911)

Sonetos (1921)

Evangelho da sombra e do silêncio (1913)

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac (1917)

Últimas cigarras (1920)

Castelos na areia (1922)

Cidade maravilhosa (1923)

Bataclan, crônicas em verso (1927)

Canto da minha terra (1931)

Destino (1931)

Poemas de amor e de saudade (1932)

Teatro (1932)

Antologia de tradutores (1932)

Poesias escolhidas (1932)

O amor na poesia brasileira (1933)

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso (1933)

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas (1937)

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência (1939)

Em louvor da língua portuguesa (1940)

A vida que já vivi, memórias (1945)

Quando vem baixando o crepúsculo (1945)

Cantigas de encurtar caminho (1949)

Tangará conta histórias, poesia infantil (1953)

Toda uma vida de poesia, 2 vols. (1957)