Uma família de matemáticos… texto de Leonard Mlodinow

10 07 2014

 

 

2-the-great-comet-of-1556-science-source xiloXilogravura alemã de 1556 em livro científico retratando a passagem de um cometa.

 

“…E numa outra noite de céu limpo, na porção de terra chamada Basileia, na Suíça, outro homem destinado à grandeza também estava prestando atenção. Era um jovem teólogo que, fitando a cauda brilhante e nebulosa do cometa, deu-se conta de que queria dedicar sua vida à matemática, e não à Igreja. Dessa decisão nasceu não apenas uma nova carreira para Jakob Bernoulli, como também o que se tornaria a maior árvore genealógica na história da matemática: nos 150 anos entre o nascimento de Jakob e o ano de 1800, a família Bernoulli gerou muitos filhos, dos quais aproximadamente a metade foi brilhante — entre eles, oito matemáticos notáveis, dos quais três (Jakob, seu irmão mais moço Johann, e o filho de Johann, Daniel) são tidos atualmente como alguns dos maiores matemáticos de todos os tempos.

 

Em: O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas, Leonard Mlodinow, tradução Diego Alfaro, Rio de Janeiro, Zahar: 2009, p. 118

 





O verde do meu bairro: as trepadeiras para muros

27 04 2014

 

 

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Muitas casas muradas no Rio de Janeiro optaram pela hera para cobrir seus muros e protegê-los dos grafiteiros.  Não há mais bela proteção do que a parede verde vertical.  Não só se incorpora bem ao meio ambiente, como serve de oásis para os olhos, para a mente, para todos nós cansados do estresse diário de uma grande metrópole. Os grafiteiros que me perdoem, mas muitos grafites produzem um embaralhamento visual, muita informação de uma vez, que tonteia e desagrada. Acabamos com uma super dose de informação visual que não deixa espaço para um respiro; informação que asfixia.  E os desenhos em painéis se perdem, porque são impossíveis de serem apreciados.  Muito grafite contribui para caos visual da cidade. Assim aplaudo as ilhas de verde trazidas pelos proprietários das residências muradas porque eles proporcionam a outros moradores da nossa cidade a tão desejada paz visual.

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Há diversas plantas que são usadas na cobertura de muros. Uma pequena busca na internet revela diversas espécies diferentes que podem ser usadas para esse fim. Aqui estão algumas: Tetrastigma ou trepadeira-castanha (Tetrastigma voinierianum)– esta fica mais feliz no sul do Brasil, onde o clima é mais ameno. Uma planta vistosa que dá muitas flores e precisa de sol é Amor-agarradinho ou mimo-do-céu (Antigonon leptopus). Unha-de-gato (Ficus pumila), Jibóia (Sindapsus aureus) são muito populares, esta última perfeita para o clima carioca.  Tumbérgia-azul (Tumbergia grandiflora) também floresce, fazendo o muro ficar lindo. A brasileiríssima Cipó-de-São-João ou Flor-de-São-João é uma ótima opção.

 

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Alamanda (Allamanda cathartica), Madressilva (Lonicera japonica), Lágrima-de-cristo ou Clerodendro-trepador (Clerodendrum thomsonae), Costela-de-adão ou banana-de-macaco (Monstera deliciosa), Congéia (Congea tomentosa), Sete-léguas (Pandorea ricasoliana), Tumbérgia-azul (Tumbergia grandiflora) e também a Tumbérgia-sapatinho ou Sapatinho-de-judia (Tumbergia mysorensis) são opções para cobertura de muros. Sugiro que você procure informações sobre a melhor planta para a sua casa e ponha mãos à obra para fazer de sua casa ou do seu edifício um lugar mais belo, mais ameno ao meio ambiente e que também traga prazer aos que passarem por sua propriedade.

 

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Todas as fotos tiradas em bairros da zona sul do Rio de Janeiro, em ruas abertas. Nenhuma em condomínio fechado.  Ruas comuns, algumas com mais trânsito do que outras.





Natureza maravilhosa — besouro dourado

6 04 2014

besouro douradoCharidotella sexpunctata, nativo dos Estados Unidos.

Esse inseto pequenino — entre 5 e 7 milímetros de tamanho — costuma ser encontrado nas folhas de uma planta conhecida por aqui como glória-da-manhã, que é o seu quitute favorito. No entanto, existem algumas particularidades que tornam o C. sexpunctataainda mais interessante, como uma película transparente que o recobre e que pode mudar de cor.

Veja mais





Natureza maravilhosa — Galo

16 03 2014

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Alguém sabe a raça deste galo?  Procurei mas não consegui encontrar.

NOTA:  O leitor Fábio manda a identificação é um Galo Garnizé, derivado da raça Bantham.





Arqueologia do futuro poderá ser debaixo d’água

7 03 2014

Raising-the-Korean-Flag-in-the-South-Pole-11Foto sem indicação de autoria. Provavelmente do filme 2012.

Pesquisadores alemães alertam que, caso emissões de gases de efeito estufa continuem no ritmo atual, um quinto dos monumentos e locais protegidos pela Unesco desapareceriam nos próximos dois mil anos.

O aumento dos níveis dos mares por causa aquecimento global pode levar, nos próximos dois mil anos, ao desaparecimento de mais de 130 dos cerca de 750 Patrimônios Mundiais da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), alerta um estudo divulgado no início de março.

Se não limitarmos as mudanças climáticas, no futuro os arqueólogos terão que procurar uma grande parte de nossos patrimônios culturais no mar“, afirma o pesquisador Ben Marzeion, da Universidade de Innsbruck e um dos autores do estudo.

Essa notícia me faz lembrar o impactante livro: Seis Graus, de Mark Lynas, lançado no Brasil em 2008. Ele conseguiu que eu mudasse alguns pequenos hábitos diários.  Sou a formiguinha que acredita que o trabalho em conjunto nos levará às necessárias soluções, apesar de sermos testemunhas das pilhas de lixo deixadas no Rio de Janeiro, numa greve fomentada por interesses políticos que deveriam ser enquadrados em crime contra o meio ambiente. Em novembro de 2008 já aqui no blog publicamos uma entrevista com Mark Lynas – Seis graus e as soluções alternativas. Recomendo a leitura desse livro. Livro bom pode ser lido a qualquer hora, mesmo que tenha sido publicado há seis anos.

Não temos tempo a perder. Como os pesquisadores alemães ressaltam um aquecimento menor também já é uma ameaça para uma boa parte desses locais. O aumento de apenas 1 grau na temperatura seria suficiente para colocar em risco a existência de 40 dos Patrimônios Mundiais da Unesco.

A elevação do nível do mar também será responsável por uma diminuição considerável da superfície terrestre. Com um aumento de 3 graus 12 países perderiam mais da metade de seus territórios, a maioria deles localizada no Sudeste Asiático.

A temperatura global média aumentou cerca de 0,8 grau em comparação com a era pré-industrial. Se as emissões de gases do efeito estufa crescerem como ocorreu até o momento, devemos calcular um aquecimento global de até 5 graus no final do século“, aponta o pesquisador Anders Levermann, coautor do estudo.

FONTE: TERRA

Com essa postagem, voltamos a divulgar notícias de ciências e meio ambiente. A pedidos.





Quanto vale um manuscrito medieval de medicina?

18 02 2014

almanac-topPagina do almanaque comprado pela Biblioteca Wellcome.

Quanto vale um manuscrito medieval de medicina?  100.000 libras esterlinas  aproximadamente R$ 400.000, hoje.

No finalzinho do ano passado, depois do Natal de 2013, a Wellcome Library, biblioteca londrina, especializada na história da medicina,  pagou exatamente essa quantia pelo pequeno almanaque médico medieval. Este volume tem um história interessante além da páginas decoradas à mão. Pertenceu a excêntrica poeta e crítica literária Edith Sitwell.  O almanaque é um calendário combinado a mapa astrológico e também a um  livro de medicina.  E cabe na palma de uma mão.

Nessa época era comum associar-se os signos do zodíaco ao corpo humano.  Na verdade até o final do século XVI médicos anotavam regularmente a posição dos signos, e a fase da lua quando atendiam a seus pacientes.

Medical almanacO mapa do corpo humano ilustrado no manuscrito da Biblioteca Wellcome, em Londres.

Por ter uma função específica, auxiliar o médico em sua tarefa de cura, o almanaque de medicina  era em geral muito manuseado. Além disso muitos deles eram presos ao cinto ou à sacola do médico que o levava para atender seus pacientes.  Por isso mesmo poucos restam da época medieval. Este manuscrito é do século XV.  Só 30 desses almanaques são conhecidos dessa época.  Excepcionalmente, este era um objeto de luxo, iluminado com cores ricas e folha de ouro, e encadernado em brocado de seda.

Não se conhece a história do proprietário original desse manuscrito e nem mesmo de como ele conseguiu chegar em tão boas condições até 1940, quando foi dado de presente à Edith Sitwell. São 600 anos de mistério.  Mas agora ele estará ao alcance do público numa biblioteca especializada.

FONTE: The Guardian





Gravuras de Redouté: herança de Josefina de Beauharnais

12 11 2013

Josephine bonaparte, firmin massot, ostJosephine de Beauharnais, 1812

Firmin Massot (França, 1766-1849)

óleo sobre tela, 32 x 28 cm

Coleção Particular

Josefina de Beauharnais teve só dez anos para deixar uma bela herança cultural para as gerações futuras.  Durante os seis anos em que foi Imperatriz da França adquiriu, renovou e cuidou do Castelo de Malmaison, no meio de um imenso parque em Paris.  Lá plantou uma grande variedade de plantas exóticas, que o marido mandava dos lugares que conquistava. Josefina continuou residindo em Malmaison e cuidando dos jardins, mesmo depois do divórcio.  Conseguiu manter o parque com todas as plantas exóticas até sua morte quatro anos mais tarde.  De todas as plantas que cultivava a ex-esposa de Napoleão Bonaparte preferia as rosas. E não só se dedicava a cultivá-las como a desenvolver novos exemplares.

Redoute_-_Rosa_gallica_flore_giganteo_brighter-1000pxRosa Gallica flore giganteo

Redoute - Rose TricoloreRosa Tricolore

Redoute --  Rosa BengaleRosa Bengale Thé Hyménée

Em 1798 Josefina de Beauharnais se tornou patrocinadora do pintor Pierre-Joseph Redouté, que havia sido pintor da corte de Maria Antonieta.  Redouté era não só um excelente aquarelista mas também um botânico.  Foram sua competência e arte as qualidades que o levaram a sobreviver o período de turbulência na França durante a Revolução Francesa e também ao Reino do Terror, para então, ser reconhecido também pela imperatriz Josefina.

Rosa_sulfurea_1000pxRosa Sulfurea

Rosa_Damascena_Celsiana_1000pxRosa Damascena Celsiana

Redoute_-_Rosa_gallica_purpuro-violacea_magnaRosa gallica purpuro violacea magna

Redouté, nascido na Bélgica, havia aprendido a arte da pintura em casa:  seu pai e avô haviam sido pintores também.  Uma vez em Paris, começou a trabalhar com o irmão na decoração de interiores, mas a carreira como ilustrador botânico acabou o seduzindo quando, em 1786, foi orientado pelo botânico Charles Louis L’Héritier de Brutelle e René Desfontaines, encantados com suas aquarelas, a se dedicar a este ramo emergente que combinava a arte com a ciência.

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Rosa noisettiana

Redoute - rosa-lumila-pierre-joseph-redouteRosa lumila

Rosa_alba_Regalis_1000pxRosa alba regalis

Foi durante o patrocínio da imperatriz Josefina que Redouté pintou algumas  das mais belas aquarelas de plantas e flores exóticas.  E depois da morte de sua patrocinadora, Redouté publicou diversos livros de gravuras baseados em suas aquarelas.  A precisão dos detalhes que retratava na pintura, a delicadeza e quase transparência das pétalas desenhadas com cuidado, o colorido muitas vezes em degradé na mesma pétala, tudo contribuiu para que suas gravuras fossem apreciadas até os dias de hoje. Elas são também preciosos documentos de algumas plantas que hoje se tornaram raras.  Redouté morreu em 1840.  Juntos Josefina de Beauharnais e Redouté deixaram uma grande contribuição para as gerações futuras.  Ela, por ter-se dedicado ao desenvolvimento e plantio de plantas exóticas. Ele por tê-las documentado com suas aquarelas e distribuído seu conhecimento com suas gravuras. Hoje Malmaison é a sede do Senado francês e seus jardins são uma pequena percentagem daqueles tratados por Josefina.

Pierre-Joseph_Redouté_-_Rosa_Bifera_Macrocarpa_-_WGA19030Rosa bífera macrocarpa

Redoute_-_Rosa_gallica_pontiana-1000pxRosa gallica pontiana

Rosa_indica_fragrans_1000px RedoutéRosa indica fragrans

Redoute_-_Rosa_centifolia_foliacea-1000pxRosa centifolia foliace





Natureza maravilhosa — caracol de lábios brancos

27 10 2013

Yellow-Snail-423x550Foto: Wikipedia

Este é o caracol de lábios brancos, (Cepaea hortensis). É um molusco terrestre de tamanho médio que habita a Europa Ocidental e Central.   Mais informações veja White-lipped snail.





Inspirações certeiras de Jonathan Swift e Voltaire?

3 10 2013

523px-J._VERMEER_-_El_astrónomo_(Museo_del_Louvre,_1688)

O astrônomo, 1668

Johannes Vermeer (Holanda,1632-1675)

Óleo sobre tela, 50 x 45 cm

Museu do Louvre, Paris

Jonathan Swift  em 1726 publicou o livro Viagens de Gulliver, hoje considerado uma das obras precursoras da ficção científica. Nesse romance picaresco  no capítulo III, intitulado Viagem a Laputa, astrônomos, personagens de Swift, descrevem duas luas em Marte, mencionando seu tamanho e órbita. A descrição foi bastante próxima da realidade encontrada 150 anos mais tarde, quando  Asaph Hall em 1877 descobriu as luas Phobos e Deimos circulando em volta de Marte.

Mas Swifft não foi o único a escrever sobre as duas luas de Marte.  Voltaire, 24 anos depois de Swift, em 1750, publicou o conto Micromégas, onde também descrevia essas duas luas de Marte.  Teria ele sido influenciado por Swift?  Teriam ambos tido uma ajuda externa?  De algum visitante extra-terrestre?

Hoje há duas crateras em Deimos chamadas de Swift e Voltaire em homenagem a esses dois escritores.





Natureza maravilhosa — Peixe mandarim

15 09 2013

mandarin fish7Peixe Mandarim.  Foto: Life of Sea.

O peixe-mandarim (Synchiropus splendidus) vive na água salgada em lugares de clima tropical. Mede de 6 a 10 centímetros de comprimento. Vive escondido em fendas nos recifes de coral e alimenta-se de pequenos animais marinhos que passam próximo de seu esconderijo; também come pequenas quantidades de algas e outros flocos que possam lhe servir de alimento. Vive no Pacífico.