As marchinhas no carnaval carioca: Ruy Castro

24 02 2009

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O entrudo no Rio de Janeiro, 1823

Jean-Baptiste Debret ( França 1768-1848)

Aquarela sobre papel

Museu da Chácara do Céu

Rio de Janeiro

Dos anos 30 a meados dos anos 60, foram compostos, editados e gravados mais de 15 mil sambas e marchinhas – somente para o Carnaval, note bem.  Em média quase quatrocentas novas canções carnavalescas por ano.  Destas, apenas uma minoria emplacava.  Mas as que caíam na preferência do povo eram tocadas até dizer chega e incorporadas ao repertório permanente do Carnaval.  Tornavam-se os standards do gênero: sambas como Agora é cinza (1934),  Meu consolo é você (1939), Ai que saudade da Amélia (1942),  Lata d’ água (1952),  e marchinhas como O teu cabelo não nega (1932), Mamãe eu quero (1937), Touradas em Madri (1938), Jardineira (1939), Aurora (1941), Alá-lá-ô (1941), Piada de salão (1954), A lua é dos namorados (1964) – no caso delas a lista não teria fim.  O samba podia ser o ritmo nobre do Carnaval e do resto do ano, mas eram as marchinhas que determinavam a temperatura da folia.  Sua fórmula era simples: melodias diretas e fáceis de aprender, ritmo frenético para se dançar aos pulos e letras curtas, sacanas,  cheias de duplos sentidos.

 

Nada podia ser mais politicamente incorreto do que as marchinhas.  Suas letras eram “ofensivas” a qualquer grupo que você pudesse imaginar: negros, índios, homossexuais, gordos, carecas, gagos, adúlteras, mulheres feias, maridos em geral, patrões, funcionários públicos – para cada um desses temas fizeram-se várias marchinhas arrasadoras.  Mas eram tão divertidas ou absurdas que, incrivelmente, ninguém parecia se ofender.  Outros alvos eram o custo de vida, os baixos salários, a falta d’ água, o “progresso” e a destruição dos redutos históricos da cidade como a Lapa e a praça Onze.  Durante a Segunda Guerra, elas se politizaram e ridicularizaram Hitler e os japoneses.  Seus autores eram o creme da música brasileira do período: Ary Barroso, Noel Rosa, Benedito Lacerda, Ataulfo Alves, Herivelto Martins.  E havia os especialistas em Carnaval, os reis das marchinhas como Lamartine Babo, João de Barro, Nássara, Haroldo Lobo, Wilson Batista, Roberto Martins, Luiz Antonio, Klecius Caldas, João Roberto Kelly.  Eram homens inteligentes e abençoados com uma inesgotável veia melódica e humorística.  Graças a eles, o carioca refinou o seu jeito de criticar tudo na base da brincadeira – e também de aceitar a crítica.

 

 

Ruy Castro

Carnaval no fogo: crônica de uma cidade excitante demais

São Paulo, Cia das Letras: 2003, páginas 95 e 96

 

 





Tuareg, romance/aventura de Alberto Vazquez-Figueroa

23 02 2009

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Tuareg, 2007

Mo Skett (Austrália)

Aquarela sobre papel

 

 

 

Minha fascinação com o deserto, com o norte da África, com os bérberes, data de muito tempo.  Foi parcialmente domada pelo ano que morei em Oran, na Argélia.  Foi naquela época que deixei de lado idéias românticas da vida no local, em grande parte feitas robustas pelos escritores e pintores europeus do século XIX, que conseguiram gravar na minha imaginação cenas de maravilhosos banhos públicos, circundados por paredes cobertas de azulejos com desenhos abstratos e colorido especial; ricos ambientes com dezenas de tapetes grossos de lã, cuja arte de fiação local, transformava em sedosos, brilhantes e macias cobertas protetoras para os pés;  adereços de ouro, pulseiras escravas; roupas de odalisca e tudo mais com que a imaginação romântica de uma adolescente poderia se deslumbrar.  Essas idéias foram rapidamente aparadas, reduzidas quando da minha estadia na moderna cidade de Oran nos anos 80.

 

Mas meu interesse por este pedaço do mundo nunca chegou a se apagar.  E, se quando saí da Argélia havia chegado a um ponto saturação com uma cultura radicalmente oposta à minha – a saturação veio na terceira semana do Ramadã, em que os dias são trocados pelas noites –, saí daquele país ciente de que ainda teria que voltar ao norte da África.  Não quis naquela época emendar a minha viagem com a Tunísia ou os Marrocos porque sabia que era preciso fazer jus aos povos que aí habitavam sem trazer comigo preconceitos desenvolvidos ao longo da minha estadia em Oran.  

 

 

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Tipaza, Argélia: teatro romano

 

 

Houve naquele ano na Argélia duas visitas que me marcaram para sempre e que estarão vívidas na minha imaginação até os meus derradeiros dias: a visita às ruínas romanas de Tipaza e a visita ao deserto de Saara, mais particularmente, ao oásis que abriga cinco cidades, inclusive a cidade de Ghardaia, também chamado de Pentápolis.   Esta passagem pelo deserto foi de uma beleza sem igual, um momento em que tudo se cala diante do espetáculo da natureza.  Sempre imaginei voltar.  

 

Com esta dívida à mim mesma foi com grande satisfação que comecei 2009 com a leitura de um livro surpreendente,  Tuareg, do escritor espanhol Alberto Vazquez-Figueroa (LP&M: 1988, reimpressão, 2008).  Este foi o primeiro livro de Vazquez-Figueroa que li.  Não o conhecia.  Fiquei certamente encantada com sua habilidade narrativa, extremamente evocativa.  Sua descrição do deserto, das paisagens inóspitas que fazem parte do dia a dia dos Tuaregs, é absorvente e sedutora.

 

 

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É importante também reconhecer que Vazquez-Figueroa consegue num enredo simples e linear trazer a tona os problemas da colonização de povos anciães, tais como os Tuaregs: Gacel Sayad – personagem principal do romance — é imensamente desonrado quando assassinam uma pessoa que estava protegida, sob seu teto, no deserto.  Não há maior desonra.   Faz-se necessário que ele puna aqueles que cometeram este ato. E assim começa uma aventura no deserto, uma sequência de perseguições, de dissimulações, truques, golpes, tudo parte de uma perseguição da qual ninguém sai vencedor.  

 

Tomando por base o conhecimento dos princípios que regem as ações de Gacel Sayad, é impossível não simpatizar com ele e reconhecer que para aqueles que vivem no deserto nas circunstâncias em que eles vivem o conceito de país, de fronteira, de nacionalidade não só não existe como não faz sentido.   E mesmo que não se aprove os diversos assassinatos que ele conduz, nossa simpatia e lealdade estão com ele até o final, porque sabemos que são ações baseadas num extraordinário senso de justiça, mesmo que esta justiça seja completamente diferente da aceita pelo leitor.  

 

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Tudo isso é particularmente assessorado por uma belíssima prosa, em que as cenas mais corriqueiras conseguem se transformar em imagens poéticas e sonhadoras:

 

A noite se fechara sobre a planície pedregosa, a primeira hiena riu longe e tímidas estrelas piscaram em um céu que, logo, estaria todo tomado por elas, no belíssimo espetáculo que nunca cansava de admirar.  Eram essas estrelas, das noites de paz, talvez, que o ajudavam a persistir, após um longo dia de calor, tédio e desesperança.  “Os tuareg espetam as estrelas com suas lanças para, com elas, iluminar os caminhos…Um belo ditado do deserto, nada mais que uma frase, mas quem a inventou conhecia bem aquelas noites e aquelas estrelas, e sabia também o que significava contemplá-las horas a fio, de tão perto.

 

Descrições detalhadas do deserto, da experiência do deserto, são,  não só essenciais para o comportamento de Gacel Sayad, mas provavelmente parecem verdadeiramente precisas porque o Vazquez-Figueroa, tendo nascido no Tenerife, passou sua infância no Saara, antes de estabelecer residência em Madri.  

 

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O escritor: Alberto Vazquez-Figueroa

Poucos de seus livros estão traduzidos para o português.  Além de Tuareg encontrei O iguana, não obstante, vou fazer um esforço para ler seus outros livros.  O sucesso de Tuareg, que vendeu mais de dois milhões de exemplares na Espanha e na América Espanhola não vem sem motivo.  É um ótimo livro, em que o entretenimento, a aventura, não tiram de foco considerações mais sérias sobre a colonização e o estupro cultural de povos cujas bases culturais são tão antigas quanto a humanidade.  

 





Evitando acidentes XV

23 02 2009

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Água fervendo evapora.

Não vá chegar perto logo agora!





Porque é Carnaval…

23 02 2009

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Baile à fantasia, 1913

Rodolpho Chambelland (RJ 1879 – RJ 1967)

Óleo sobre tela, 149 x 209 cm

Museu Nacional de Belas Artes,

Rio de Janeiro

 

 

Rodolfo Chambelland (Rio de Janeiro RJ 1879 – Idem 1967). Pintor, professor, desenhista e decorador. Inicia seus estudos em artes no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro RJ).  Trabalha inicialmente realizando capas de partituras para a Casa Bevilacqua e retoques em fotografias para a Casa Bastos Dias. Em 1901, ingressa no curso livre da Escola Nacional de Belas Artes – Enba, onde é aluno de Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), Zeferino da Costa (1840 – 1915) e Henrique Bernardelli (1858 – 1936). Em 1905, recebe o prêmio de viagem da Enba pelo quadro Bacantes em Festa e viaja para Paris no mesmo ano, onde permanece por dois anos. Em Paris, cursa a Académie Julien e estuda com Jean-Paul Laurens (1838 – 1921). Ao retornar ao Brasil realiza a primeira individual, no Rio de Janeiro, em 1908. Em 1911, viaja para Turim, Itália, acompanhado de Carlos Chambelland (1884 – 1950), seu irmão, e dos artistas João Timótheo da Costa (1879 – 1930) e do irmão Arthur Timótheo da Costa (1882 – 1922), entre outros, contratados pelo governo brasileiro para realizar a decoração do Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional daquela cidade. Em 1916, assume a cadeira de professor de desenho de modelo vivo da Enba, cargo que exerce até 1946. Participa freqüentemente das Exposições Gerais de Belas Artes, entre 1896 e 1927, recebendo a pequena medalha de ouro, em 1912, pelo retrato de José Mariano Filho. Em colaboração com Carlos Chambelland, pinta oito painéis para a cúpula da sala de sessões do Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro em 1920.

 

 

 

 

Fonte: Itaú Cultural

 





A mesma rosa amarela — poema de Carlos Pena Filho

23 02 2009

 

 

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A rosa amarela, 2008

Fernanda Guedes

Caneta Fredix sobre tela, 20 x 25 cm

 

 

A mesma rosa amarela

 

                                 Carlos Pena Filho

 

 

Você tem quase tudo dela,

o mesmo perfume, a mesma cor,

a mesma rosa amarela,

só não tem o meu amor.

 

Mas nestes dias de carnaval

para mim, você vai ser ela.

O mesmo perfume, a mesma cor,

a mesma rosa amarela.

Mas não sei o que será

quando chega a lembrança dela

e de você apenas restar

a mesma rosa amarela,

a mesma rosa amarela.

 

 

Em:  Melhores poemas, Carlos Pena Filho, ed. Edilberto Coutinho, Editora Global: 2000, São Paulo.

 

 

Carlos Pena Filho ( PE 1929-PE 1960) poeta brasileiro. 

 

Obras:

 

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1956

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral, 1959

 





Imagem de leitura — Márcio Melo

22 02 2009

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A cortina de renda, 2008

Márcio Melo ( Brasil)

Acrílica sobre tela, 61cm x 76 cm

 

 

 

 

 

 

Márcio Melo é um pintor brasileiro, morando em Québec.  Radicado no Canadá desde 1987. 





Romances celulares, você leria?

22 02 2009

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Há dois meses, no final de 2008 li uma reportagem de Dana Goodyear na revista The New Yorker que me deixou ao mesmo tempo feliz e preocupada.  O artigo chamado Carta do Japão: eu romances, considera que em 2007 quatro dos cinco romances mais vendidos no Japão haviam sido escritos em telefones celulares.  

 

Dana Goodyear centralizou seu artigo na experiência de Mone uma jovem de 21 anos que em março de 2006, achando-se casada, sem muito o que fazer, começou a escrever um romance, em grande parte baseado nos seus próprios diários de adolescente.  Na casa de sua mãe, à espera do marido completar um curso em Tóquio,  Mone se acomodou em sua antiga cama e começou a escrever seu romance no telefone celular.  Neste mesmo dia ela começou a postar o que escrevia num portal japonês chamado Maho i-Land ( A Ilha Mágica), sem nunca dar uma segunda olhadela no que havia escrito nem pensando num roteiro.  No terceiro dia de postagem Mone começou a ter contato com leitores de sua prosa que já se encontravam intrigados com as aventuras de Saki, personagem que narra o romance em questão.  O Sonho Eterno, nome que dera aos seus escritos, havia conquistado leitores que lhe pediam mais capítulos.

 

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Em meados de abril Mone havia terminado seu primeiro romance, dezenove dias depois de ter iniciado o trabalho.  Nesta altura, seu marido também acabara o curso e ela voltou a Tóquio.   Eis que de repente ela se vê procurado por uma casa editorial que queria publicar seu romance como um livro comum.  Em dezembro de 2006, o livro,  O Sonho Eterno, com aproximadamente 300 páginas foi lançado e distribuído pela Tohan, transformando-se imediatamente num dos dez mais vendidos livros do Japão em 2007.  No final daquele ano, romances escritos em telefones celulares haviam tomado 4 dos 5 primeiros lugares de mais vendidos em ficção.  O romance Linha vermelha de Mei, vendeu 1.800.000 exemplares, e ficou em segundo lugar para o romance Céu de Amor, de autoria de Mike, conseguiu o primeiro lugar em vendas.  

 

Estes escritores hoje em dia chamados de escritores de celulares conseguiram depois deste sucesso serem completamente reconhecidos como parte de um movimento cultural.  Inicialmente houve um grande rebuliço nas letras japonesas.  Muitos temiam que esta literatura, em grande parte direcionada a adolescentes viesse a acabar com a tradicional arte da escrita japonesa.  Mas logo descobriram que este não é o caso. 

 

Para jovens japoneses, e especialmente para meninas, os celulares são sofisticados, baratos e há mais de dez anos facilmente conectáveis com a internet.  Na verdade, 82% dos japoneses entre 10 e 21 anos de idade usam telefone celular.  Há uma geração inteira crescendo acostumada ao uso do celular como um mundo deles portátil, por onde eles compram, usam a internet, jogam videogames, vêem televisão em portais na web explicitamente dedicados aos celulares. 

 

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Este fenômeno daqui a pouco deixará de ser só japonês.  Com os novos IPhone e com serviços de entrega de textos como Twitter, os hábitos americanos estão no momento se desenvolvendo paralelamente aos japoneses.  Há nos EUA dois portais Quillpill e Textnovel, ambos ainda em beta, que oferecem modelos para a escrita e a leitura de ficção em celulares.  

 

A indústria editorial japonesa que havia encolhido por mais de 20% nos últimos 11 anos, abraçou o fenômeno da ficção celular com gosto.  Editoras já começam a contratar escritores para este tipo de ficção, e a distribuir capítulos dessas histórias por uma pequena taxa.  É a volta dos seriados, tal qual muito livros do século XIX foram escritos, com a diferença de terem sido publicados nos jornais.  Em 2007, 98 romances originalmente produzidos em celulares foram publicados em forma de livro.   Mais uma vez a internet mostra também como o a rede de conhecimentos de uma pessoa pode servir de base para o apoio inicial e para o sucesso mais tarde de um membro da sociedade.  Como Yoshida – um executivo em tecnologia – descreve, é um esforço coletivo.  Seus fãs lhe dão apoio e o encorajam a continuar no seu processo criador,  — eles ajudam na criação.   Depois eles compram o livro para re-afirmar aquela conexão, aquela “amizade” que têm com o autor.  

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Sozinhas estas jovens adolescentes escritoras e leitoras de ficção no celular estão mudando os costumes tradicionais.  Agora, para esta geração o sinal da tribo, é gostar de ler.  

 

Com tanto sucesso em ficção,  por que eu fiquei ao mesmo tempo feliz e preocupada?  Feliz, porque acho que qualquer incentivo à leitura é positivo. A leitura expande os conhecimentos, a imaginação.  Ela fertiliza o cérebro, ela nos mantem flexíveis nos modos de pensar, de ver e de calcular.   Preocupada, bem, fiquei mais com a escala da diferença tecnológica brasileira.  Por mais que tenhamos grandes cérebros trabalhando no Brasil em tecnologia, tenho a sensação de que o abismo entre as sociedades mais desenvolvidas tecnologicamente e nós se aprofunda.  Contrariando muitas projeções de desenvolvimento e de capacitação.  Isso é preocupante.   E muito.

 





Nós e a comida cozida

22 02 2009

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Neste último número da revista The Economist, há um artigo muito interessante sobre a evolução do ser humano.  Nele o professor da Universidade de Harvard, Richard Wrangham considera a probabilidade dos seres humanos terem se desenvolvido em humanos principalmente pelo descobrimento e manutenção do hábito de se comer alimentos cozidos.  Ou seja, depois que aprendemos a cozinhar os alimentos encontrados na natureza, depois que aprendemos a assar a carne dos animais que caçávamos, o desenvolvimento do ser humano  se modificou  muito e facilitou o crescimento dos nossos cérebros da maneira que conhecemos.

 

 

Cozinhar é universal para todos os seres humanos.  Não há uma única cultura, um único grupo humano que não dependa da preparação da comida no fogo.    E há ainda um outro detalhe de grande importância de acordo com a pesquisa de Wrangham:  o consumo de uma refeição em que o alimento é cozido no início da noite, em grupo, com família e amigos, é padrão, é o normal em todas as sociedades conhecidas.  E que sem cozinhar seu alimento o cérebro humano – que consome de 20 a 25% da energia do corpo – não poderia trabalhar o tempo todo.  Ele ainda advoga que a humanidade e a comida cozida nasceram simultaneamente.

 

Com o cozimento dos alimentos há 3 grandes mudanças que favoreceram o desenvolvimento de seres humanos como os conhecemos: 1)  moléculas nos alimentos são quebradas em fragmentos de mais fácil digestão.  2)  As moléculas de proteína quando quebradas revelam cadeias de aminoácidos em que as enzimas digestivas  podem ser mais facilmente processadas.  3) O calor amacia os alimentos.  Isto os faz mais fáceis de digerir.  Assim o corpo usa menos calorias para ingerir e digerir o alimento cozido do que o faz com o alimento cru.

 

Para a defesa de sua tese, Dr. Wrangham, usou de pesquisas em diversos outros campos. Para maior detalhamento do que ele fez, por favor, clique aqui:  THE ECONOMIST.   É importante, no entanto, lembrar que a contribuição que ele faz ao estudo da evolução do ser humano é a ligação entre a comida cozida e a humanidade.





Brasil que lê: foto tirada em lugar público

16 02 2009

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Um porteiro de um edifício na Avenida Atlântica, Copacabana.





A chave do relógio, poema de Joaquim José Teixeira

15 02 2009

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A CHAVE DO RELÓGIO

                                                

                                                 Joaquim José Teixeira

 

 

                                            Fábula

 

 

 

A um relógio dava corda

Chavinha de áureo metal.

E mui vaidosa do impulso

Parar não quis afinal.

 

Forçou, pois, e desta força

Dentro a mola arrebentou,

E do tempo o mecanismo

Sem movimento ficou.

 

Resolvam, mandem governos

Nas raias do seu poder,

Vejam bem nesta chavinha

Que não basta o só querer.

 

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, editado por Frederico Trotta, Editora Vecchi:1965, Rio de Janeiro.

 

 

Joaquim José Teixeira (RJ 1811- RJ 1885) poeta, romancista, teatrólogo tradutor, conferencista, diplomado em letras e direito, magistrado.  Foi presidente da Província de Sergipe; do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e um dos fundadores do Instituto dos Advogados – Colaborou em vários jornais e revistas.  Traduziu Goethe, Molière, La Fontaine.  Usou o cognome: Papagaio.

 

 

Obras:

 

A Aposta, teatro   

A Heroína do Pará, romance e novela 

Elogio Dramático, poesia 1840  

Mata escura, romance, 1849

A sobrinha do cônego, romance, 1850

Fábulas, poesia 1864  

Versos, poesia, 1865

A Memória de Rita Manuela Duque-Estrada Teixeira, poesia 1873  

A Rica de Honra, teatro   

As Eleições, teatro   

As noites do cemitério,   tradução   

Camões, teatro   

Conferências literárias. Crítica, teoria e história literárias, 1874  

La fontaine e suas fabulas, ensaio, 1874  

O Barricida, teatro   

O Juiz de Paz, teatro   

O Ministro e seu Secretário, teatro   

O Ministro Traidor, teatro   

O Novo Gil Brás, romance e novela   

Os Compadres, teatro   

Os Dois Descontentes, teatro   

Pastoral, implorando um óbolo dos fieis para a reconstrução do seminário, 1894  

Pensamentos, poesia, 1878

Prometeu, tradução 1879  

Quelques Essais, crítica, teoria e história literárias,  1877  

Razão de recurso, apresentada no Tribunal da Relação da Corte pelo advogado de Domingos Moutinho. 1866  

Romances, romance e novela 1876  

Tartufo,  tradução 1880  

Três Dias de Ministro, teatro