
Ilustração: Maurício de Souza
Está na hora de prestar atenção ao relógio.
Preparar-se para uma mudança: atrasar o relógio de uma hora.
Acabou hoje o horário de verão.
Não se esqueçam!

Ilustração: Maurício de Souza
Está na hora de prestar atenção ao relógio.
Preparar-se para uma mudança: atrasar o relógio de uma hora.
Acabou hoje o horário de verão.
Não se esqueçam!

Bananeiras, sd
J. Inácio (Brasil)
Acrílica sobre tela, 70 x 60 cm
A Bananeira
Humilde, em meio à flora, a bananeira,
Sozinha, transplantada em terra boa,
Vive ocultando à Natureza inteira
O seu destino de morrer à toa.
E parece feliz, bebendo as águas
Do céu, para o consolo das raízes,
Como se viessem transformar-lhe as mágoas
Nos encantos das árvores felizes.
O sol enche-lhe as palmas de pepitas
De ouro, na exaltação do amor violento,
E ela paneja suas largas fitas,
As folhas verdes balançando ao vento…
Outras vezes, a chuva, como um véu
Desatado de nuvem passageira,
Cai das vitrinas rútilas do céu
Para vestir de noiva a bananeira.
Noiva, mas noiva-mãe, toda pureza,
Pois sem amor, sem mácula e empecilhos,
Faz rebentar à luz da Natureza,
Na terra, em torno, a vida de seus filhos.
Pende-lhe, em breve, o cacho, de ouro ou prata,
Dos frutos bons… Depois, a golpes brutos,
A bananeira cai em terra ingrata,
Pela desdita de ter dado frutos.
João Pessoa, Paraíba, 10-7- 1940
Em: Natureza: versos, Pongetti: 1960, Rio de Janeiro
Sabino de Campos, Retrato a bico de pena, por Seth, 1947.
Sabino de Campos (Amargosa, BA, 1893– ? ), poeta, romancista e contista.
Obras:
Jardim do silêncio, 1919, (poesia)
Sinfonia bárbara, 1932, (poesia)
Catimbó: um romance nordestino, 1945 (romance e novela)
Os amigos de Jesus, 1955 (romance e novela)
Lucas, o demônio negro, 1956 – romance biográfico de Lucas da Feira (romance e novela)
Natureza, 1960 (poesia)
Cantigas que o vento leva, 1964, (poesia)
Contos da terra verde, 1966 (contos)
Fui à fonte beber água, 1968 (poesia)
A voz dos tempos, memórias, 1971
Cantanto pelos caminhos, 1975
Autor, junto de Manoel Tranqüilo Bastos, do hino da cidade de Cachoeira, BA

A cortesã Hanashiba, da casa Tamaya, lendo um livro, 1816-1818
Kikugawa Eizan ( Japão 1787-1867)
Xilogravura
Museu Nacional de Etnologia, Leiden, Holanda.
—
Kikugawa Eizan – Japão – Edo — 1787-1867
Eizan estudou primeiro com seu pai, Kikugawa Eiji, pintor do estilo Kano e também um fabricante de leques. Mais tarde estudou com Suzuki Nanrei um pintor de Shijo e foi aluno também de Hokkei. Eizan foi um dos mais prolíficos artistas japoneses da xilogravura. Também teve uma longa vida. Considerado um dos melhores seguidores de Utamaro, cujo estilo ele tentou continuar depois da morte do artista em 1806.
O trabalho que Eizan desenvolveu a partir do estilo Utamaro, seguindo perto as técnicas do mestre, como era hábito entre os artista ukiyo-e, é elegante e gracioso. Sua obra pode ser vista desde a grande semelhança de estilo com o mestre, à uma estudada independência. Aos poucos, à medida que se desvencilha das técnicas anteriores seus trabalhos ganham uma beleza singular.

Depois que Barack Obama foi eleito presidente dos EUA fala-se de empregos verdes, de contribuição ao meio ambiente, com muito mais frequência naquele país do que durante os anos dedicados a George Bush.
Soube de uma idéia interessante hoje, através do programa Morning Edition, da National Public Radio de Washignton DC, que revelou que a Virgin America, uma das companhias aéreas americanas, inaugurou uma nova maneira de fazer seu impacto positivo num mundo de equilíbrio ambiental. Veja aqui o artigo de Ben Bergman no site da NPR.
Com a população mundial cada vez mais preocupada com a pegada de carbono que cada um de nós deixa no meio ambiente a linha aérea teve a boa idéia de oferecer aos passageiros, que usam seus vôos de um lado ao outro do país, a oportunidade de comprar créditos de carbono dali mesmo de seus lugares na aeronave. A companhia aérea recebe o dinheiro e o passa para dois projetos ambientais na Califórnia. Até agora, só 1% dos passageiros usaram esta maneira de desanuviar suas consciências.
Mas antes que os críticos venham dizer 1) que isso é só propaganda ou 2) que é muito pouco a ser feito quando se necessita de um esforço muito maior, é bom lembrarmos que o programa da UNICEF — Change for good, que se apóia num trocadilho muito bom baseado na palavra Change [ trocado e mudança], Trocados para o bem, — é um grande sucesso. Neste programa da UNICEF, nos vôos internacionais de certas companhias, o passageiro recebe um envelope onde, se quiser, deposita aquelas moedinhas que ficaram perdidas no bolso, nos últimos momentos de saída de um país, uma quantia em geral muito pequena para poder fazer câmbio; e um dinheiro que não poderá mais ser usado por aquele passageiro.

Este programa, que é uma parceria entre a UNICEF e a indústria aérea com vôos internacionais, foi criado em 1987. Não tenho comigo os números totais de arrecadação, mas se virmos os números parciais, podemos ter uma idéia:
Cathay Pacific entrou para o programa só em 1991. Do início até 2008 esta linha aérea recolheu aproximadamente 17 milhões de Hong Kong dólares.
British Airways recolheu 30 milhões de dólares em 10 anos entre 1994 e 2004;
Pode ainda parecer pouco dinheiro, mas vejamos o que eles consideram:
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Um Trocado Que Faz Um Mundo De Diferença |
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Sobrevivência Infantil |
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$0.06 |
possibilita um sache de sais de re-hidratação oral para ajudar no combate à desidratação infantil, uma ameaça comum e mortal à vida das crianças, mas que pode ser facilmente evitada. |
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$6 |
garante um mosquiteiro de longa duração, que protege as famílias da malária, responsável pela morte de uma criança na África a cada 30 segundos. |
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$244 |
permite comprar um kit de saúde de emergência com medicação básica, suprimentos médicos e equipamentos para 1.000 pessoas por três meses. |
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Imunização |
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$2 |
permite imunizar 20 crianças contra a difteria, o tétano e a coqueluche |
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$5 |
é o que custa uma caixa de 100 seringas descartáveis, utilizadas durante as campanhas de imunização |
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Proteção Infantil em Emergências |
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$3 |
permite comprar um cobertor de lã grande para proteger a criança do frio durante uma emergência |
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$12 |
permite comprar 20 pacotes de biscoitos altamente energéticos, desenvolvidos especialmente para crianças subnutridas em situações de emergência |
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$101 |
atende a 10 famílias com kits de água básicos familiares, para uso em situações de emergências |
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Combate ao HIV/AIDS |
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$1 |
permite comprar um teste rápido de HIV para o diagnóstico individual para a prevenção à disseminação do vírus |
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$2 |
por dia, é o custo do atendimento a uma criança órfã devido ao HIV/AIDS com serviços essenciais, incluindo educação, saúde, comida e apoio psicológico. |
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$2.50 |
fornece cotrimoxazole para crianças expostas ao HIV por um ano, o que já se mostrou eficaz na redução da mortalidade em até 43%. |
Então é para nos animarmos ao ver uma linha aérea se envolver na Troca de créditos de gás carbônico. Pode parecer pouco, mas como nossos avós já diziam: De grão em grão a galinha enche o papo.

Roulette em Monte Carlo, c. 1900
SEM [Georges Goursat] (França 1863-1934)
Foi com ansiedade e saudosismo, que li ontem, de uma só sentada, 24 horas na vida de uma mulher – um dos trabalhos mais conhecidos de Stefan Zweig. Sempre me senti bastante familiarizada com o autor, não porque houvesse lido qualquer de seus trabalhos, mas porque seus livros faziam parte de uma pequena coleção de capa dura e letras pretas, talvez meia dúzia de volumes, que habitaram por muitas décadas as estantes da casa de meus pais. Lembro-me principalmente da vida de Maria Antonieta cujo volume recordo nas mãos de minha mãe, em leitura e re-leituras. E é claro, crescendo aqui no Brasil, quem não se lembraria pelo menos do título do volume Brasil país do futuro, expressão fartamente popularizada na política e peça de despedida do autor austríaco, que refugiado em Petrópolis, suicida-se em 1942 junto com sua segunda esposa. Meus pais eram leitores de Zweig, que admiravam. Mas, por razões desconhecidas, eu nunca o havia lido.
Em 2006, a New York Times Review of Books publicou um artigo, de Joan Acocella, acompanhando a re-edição de Zweig nos EUA, que lembrava aos leitores de hoje sobre a injustiça do esquecimento de Stefan Zweig, um escritor excepcional do início do século XX, cujos contos e romances ficaram conhecidos pelos retratos psicológicos dos personagens. Joan Acocella lembrou também da linguagem precisa do autor, de sua sutileza e gentil narrativa.

A tradução de Lya Luft, nesta edição da LP&M é maravilhosa. Não há nunca a sensação de que a obra foi traduzida. Há uma cadência, uma expressão lingüística que coloca de fato Zweig no meio dos escritores da Europa germânica, eslávica. Sua maneira de escrever, suas preocupações lembraram-me em muito os romances de Sándor Màrai. O estilo e as preocupações dos cidadãos do antigo império austro-húngaro são palpáveis nos trabalhos de ambos escritores.
Stephan Zweig
Acho, no entanto, que pelo menos neste livro 24-horas na vida de uma mulher, dito um dos livros favoritos de Sigmund Freud, o retrato psicológico do jogador obsessivo, talvez mesmo, pela popularidade dos estudos psicológicos através do século XX, perde um pouco do viço, da novidade. A história é previsível. Ligeiramente datada. Mas o estilo, a maneira de escrever — ah! — estes aspectos estilísticos são fenomenais. Chega a ser difícil separar um único trecho, um parágrafo para ilustrar a beleza, a claridade do texto.
“…Nunca no teatro fitei com tamanha atenção o rosto de um ator como olhei aquele semblante, onde, como luz e sombra sobre uma paisagem, ocorria uma incessante alternância de todas as cores e sentimentos. Nunca segui um jogo com tamanha intensidade como no reflexo daquela estranha excitação. Se alguém me observasse nesse instante teria considerado meu olhar fixo como uma hipnose, meu estado se parecia com isso – eu simplesmente não conseguia afastar os olhos daquela expressão facial, e tudo o mais que havia no salão, luzes, rostos, pessoas e olhares, apenas me envolvia sem forma como uma fumaça amarela no meio da qual estava aquele rosto, chama entre chamas. Eu não ouvia nada, nada sentia, não percebia gente ao meu lado, outras mãos que se estendiam de repente como antenas…”
A maneira precisa e envolvente com que Stefan Zweig caracteriza seus personagens, nos faz presa fácil, incapazes que somos, de nos separar de seu estilo mesmerizante. Certamente encontramos no escritor um grande mestre da escrita. E se este pequeno romance é um bom exemplo do resto de sua obra, Zweig é com certeza um escritor que não merece cair no esquecimento.

A Lagartixa
Da Costa e Silva
A um só tempo indolente e inquieta, a lagartixa,
Uma réstia de sol buscando a que se aqueça,
À carícia da luz toda estremece e espicha
O pescoço, empinando a indecisa cabeça.
Ei-la aquecendo ao sol; mas de repente a bicha
Desatina a correr, sem que a rumo obedeça,
Rápida num rumor de folha que cochicha
Ao vento, pelo chão, numa floresta espessa.
Traça uma reta, e pára; e a cabeça abalando,
Olha aqui, olha ali; corre de novo em frente
E outra vez, pára, a erguer a cabeça, espreitando…
Mal um inseto vê, detém-se de repente,
Traiçoeira e sutil, os insetos caçando,
A bater, satisfeita, a papada pendente…
Em: Poesias completas, Da Costa e Silva, Nova Fronteira: 1985, Rio de Janeiro
Antonio Francisco da Costa e Silva – (Amarante, Piauí, 1885 – Rio de Janeiro, 1950) Poeta. Começou a compor versos por volta de 1896, tendo seus primeiros poemas publicados em 1901. Todavia, seu primeiro livro de poesia, Sangue, foi lançado só em 1908, primeira obra da última geração simbolista. . Formou-se pela Faculdade do Direito do Recife. Foi funcionário do Ministério da Fazenda, tendo ocupado os cargos de Delegado do Tesouro no Maranhão, no Amazonas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Viveu não só na capitais desses estados, mas também, por mais de uma vez, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Jornalista. Exerceu função pública na Presidência da República do Brasil, entre 1931 e 1945, a pedido do então presidente Getúlio Vargas. É o autor da letra do hino do Piauí. Recolheu-se ao silêncio, demente, pelos últimos 17 anos de vida. Faleceu em 29 de junho de 1950.
Publicou os seguintes livros de poemas:
Sangue (1908),
Zodíaco (1917),
Verhaeren (1917),
Pandora (1919)
Verônica (1927)
Praça Serzedelo Correia, Copacabana

Tasmânia: estrela do mar em cores brilhantes a 1 km de profundidade
Uma equipe de cientistas australianos e americanos descobriu quase 300 espécies de corais, anêmonas e aranhas marinhas em uma reserva marinha a sudoeste da ilha de Tasmânia, na Austrália.
A equipe fez duas expedições. Cada uma de duas semanas. Elas cobriram tanto a Reserva Marinha Tasman Fracture Commonwealth, reconhecendo o terreno até 4 mil metros de profundidade com um submarino não-tripulado; quanto a Reserva Marinha Huon Commonwealth, de aproximadamente 185km – ou 100 milhas náuticas – da costa da Tasmânia.
Estas reservas marinhas servem de abrigo a muitos recifes de coral. Corais em geral se dão muito bem em montanhas submersas, em geral formadas por vulcões em baixo d’água, que se elevam algumas centenas de metros acima do fundo do mar. Vastos fósseis de coral foram descobertos a menos de 1. 400 metros. Os cientistas acreditam que eles se formaram há mais de 10 mil anos.

Tasmânia, esponja gigante
A expedição, liderada pelos cientistas Jess Adkins do Instituto de Tecnologia da Califórnia e Ron Thresher, do CSIRO da Austrália, encontrou também registros de danos ao meio ambiente.
“Nós também recolhemos dados para avaliar a ameaça representada pela acidificação do oceano e mudança climática nos recifes de coral únicos das profundezas característicos da Austrália“, disse Thresher.
Os pesquisadores afirmaram que há evidências de que recifes de coral mais novos estão morrendo. Segundo Thresher, as causas ainda estão sendo analisadas, mas os fatores podem incluir o aumento da temperatura dos oceanos, o aumento da acidez das águas ou doenças.
Este projeto descobriu um leque enorme de novos seres marítimos que eram até hoje completamente desconhecidos. Ficaram encantados com as novas imagens, principalmente com aquelas mandadas por um submarino não tripulado. Ele explorou uma fenda geológica no fundo do mar, de quase 4 km de extensão, próximo à costa da Tasmânia. Mas o programa só visitou duas das quatorze reservas marinhas da cadeia de reserva marinhas da região. É óbvio que ainda há muito a ser descoberto.
Está mais do que na hora de formarmos no Brasil um maior número de cientistas dedicados às formas de vida do mar.

Escritor Sir John Mortimer, 2006, The Guardian
Sir John Mortimer, um dos meus escritores favoritos, passou desta para a outra aos 85 anos. O escritor inglês deixa para trás milhares e milhares de seguidores de seus livros e principalmente de seu mais conhecido personagem, Horace Rumpole, of the Bailey, o temível defensor de muitos Zé-niguéns, que só se calava frente à sua impagável esposa Hilda, — “a quem é preciso obedecer”.

A última publicação
Sir John Mortimer, escritor e advogado. Teve uma carreira brilhante como advogado de defesa, em casos importantes, sempre defendendo a liberdade de expressão. Formado pela Universidade de Oxford, trabalhou a vida inteira como advogado em tribunais britânicos. Teve uma carreira brilhante. Ficou conhecido por sua defesa de casos notórios que envolviam a liberdade de expressão. Entre eles, defendeu a editora Penquin contra acusações de obscenidade, pela publicação de “O Amante de Lady Chatterley“ na década de 60. Mais tarde, ele representou a revista “Oz“ em um julgamento sobre obscenidade. Sempre conciliou a vida de escritor com a de advogado. Era conhecido por escrever seus livros de manhã, antes de sair para o trabalho no tribunal.

Coletânea, volume I
Seu nome passou a ser ainda mais conhecido fora dos círculos ingleses quando a televisão pública nos EUA, a PBS [ Public Broadcasting Service] levou a série inglesa, Rumpole of the Bailey, na televisão, caracterizado pelo ator Leo McKern.

Coletânea, volume 2
Mortimer, morre depois de uma longa batalha contra um mal incurável. Mas até recentemente ainda ia de cadeira de rodas a um grande número de eventos culturais, concertos e teatro na Inglaterra. Uma de suas filhas é a atriz inglesa: Emily Mortimer.
Desconheço se seus livros foram alguma vez publicados no Brasil.