Lendo: “A inesperada herança do inspetor Chopra” , Vaseem Khan

19 05 2018

 

 

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Lendo:

A inesperada herança do Inspetor Chopra
Vaseem Khan
São Paulo, Editora Morro Branco: 2017, 312 páginas

SINOPSE
No dia de sua aposentadoria, o inspetor Chopra herda dois inesperados mistérios. O primeiro é o afogamento de um jovem pobre, cuja suspeita morte ninguém quer investigar. O segundo é um bebê elefante.

Enquanto sua busca por pistas o leva através da movimentada cidade de Mumbai – das ricas mansões ao submundo sombrio das favelas – Chopra começa a suspeitar que há bem mai por trás dos dois mistérios do que ele pensava. E rapidamente descobre que um determinado elefante pode ser exatamente o que um homem honesto precisa…

“Uma atmosfera colorida e vibrante transborda para fora de cada página nesta divertida e curiosa história” – Daily Express

“Mumbai, assassinatos e um bebê elefante combinados em um espirituoso mistério” – Books Monthly





Ética e estética, por Arnon Grunberg

16 05 2018

 

 

Paul Wonner The Newspaper 1960 painting oil on canvas, 120x 138O jornal, 1960

Paul Wonner (EUA, 1920 – 2008)

óleo sobre tela,  120 x 138 cm

 

 

“Não há ética sem estética. Quem negligencia a estética mais cedo ou mais tarde também pode enterrar a ética.”

 

Em: O homem sem doença, Arnon Grunberg, Rio de Janeiro, Rádio Londres: 2016, p. 53





Voar, texto de Juan Gabriel Vásquez

14 05 2018

 

 

avião sobre o mar, ilustração Lucille HollingIlustração de Lucille Holling

 

 

“E você nem imagina, Elena Fritts, você nem imagina o que é decolar à noite, a adrenalina que é decolar à noite entre as cordilheiras, com o rio embaixo feito uma lâmina de alumínio, um jorro de prata fundida, o rio Magdalena nas noites de lua é a coisa mais impressionante de se ver. E você não sabe o que é ver lá de cima e seguir o rio, sair para o mar, para o espaço infinito do mar, quando ainda não amanheceu, e ver o amanhecer no mar, o horizonte que se acende como se fosse de fogo, a luz que deixa a gente cego de tão clara que é.”

 


Em: O ruído das coisas ao cair, de Juan Gabriel Vásquez, Rio de Janeiro, editora Alfaguara: 2013. página 177





Lendo: “O homem sem doença”, Arnon Grunberg

12 05 2018

 

 

 

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Lendo:

O HOMEM SEM DOENÇA

Arnon Grunberg

Rádio Londres: 2016, 240 páginas

 

SINOPSE

O romance narra as desventuras tragicômicas no Oriente Médio de Samarendra Ambani, jovem e idealista arquiteto zuriquense de origem indiana. Ao participar de um concurso para a construção de um teatro de ópera em Bagdá, Sam é selecionado e convidado para ir ao Iraque. A viagem, iniciada em clima de ingênuo otimismo, rapidamente se transforma em uma experiência traumatizante: no país devastado pela violência, ele vivenciará a brutalidade da guerra na própria pele: enganado, absurdamente acusado de ser espião, é preso, interrogado e torturado, conseguindo retornar para a Suíça graças apenas à inesperada intervenção da Cruz Vermelha. Uma vez em Zurique, Sam tenta retomar a normalidade, mas, ferido no corpo e na mente, não consegue e, pouco tempo depois, viaja para Dubai, a fim de acompanhar o projeto de construção de uma grandiosa biblioteca. No emirado, nosso herói é novamente acusado de espionagem e até de assassinato, acusações que o levarão a um trágico e surreal epílogo.
Uma história trágica contada com irresistível ironia, O homem sem doença é um impiedoso ato de acusação contra o idealismo e a hipocrisia do Ocidente, que logra, ao mesmo tempo, divertir e chocar o leitor. Em outras palavras, é um típico romance de Arnon Grunberg.





Convite, poema de Alfredo de Souza

12 05 2018

 

 

 

joseph_caraud_a2889_the_love_birdsDois pombinhos, 1897

Joseph Caraud (França, 1821-1905)

óleo sobre tela, 60 x 45 cm

 

 

 

Convite

 

Alfredo de Souza

 

Vem, sem demora, ver estes pombinhos

Que se beijam tão ternos, venturosos,

Deixando muito tempo os seus biquinhos

Colados em transportes amorosos;

 

Vem — mirar como fazem seus carinhos;

Ora arrulando em cantos maviosos,

Ora as asas batendo para os ninhos

— Ninhos plenos de odor, ninhos ditosos.

 

E já que tu sentiste quanto é bela

Essa cena que vimos, dando ensejo

De imitá-la por dentro da janela…

 

Resta apenas dizer-te, ó minha flor,

Que colemos os lábios, num só beijo,

Fingindo de pombinhos, meu amor!

 

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, p. 232.

 

Alfredo de Souza  (Rio de Janeiro, 1880 — ??) — Foi jornalista e funcionário público.

Bibliografia

Aurora, sem data

 





Entre História e Romance, texto de Bernhard Schlink

11 05 2018

 

 

 

Allan Österlind. (1855 - 1938)The women at the windows,Duas mulheres à janela

Allan Osterlind (Suécia, 1855 – 1938)

óleo sobre tela

 

 

 

“Não leio romances, apenas livros de história. O que aconteceu de verdade é diferente daquilo que as pessoas imaginam. Quando nos informamos sobre a história, aprendemos sobre a realidade, não fantasias engenhosas, com frequência, tolas.  E quem acha que romances são mais coloridos que a história não usa sua fantasia imaginando como foram, por exemplo, César que amava Brutus como a um filho e foi apunhalado por ele; ou os astecas, que foram dizimados pelas doenças dos brancos antes mesmo de lutarem contra eles; as mulheres e crianças que foram pisoteadas na neve ou empurradas nas águas geladas, atravessando o rio Beresina, seguindo o exército de Napoleão. Tragédias e comédias, sorte e azar, amor e ódio, alegria e sofrimento — a história oferece tudo isso. Romances não conseguem nos oferecer nada mais.”

 

 

Em: A mulher na escada, Bernhard Schlink, tradução de Lya Luft, Rio de Janeiro, Record: 2018, pg 36.





Lendo: “Um cavalheiro em Moscou”, Amor Towles

6 05 2018

 

 

DSC03828.JPGUM CAVALHEIRO EM MOSCOU

Amor Towles

Intrínseca: 2018, 464 páginas

 

SINOPSE

Nobre acusado de escrever uma poesia contra os ideais da Revolução Russa, Aleksandr Ilitch Rostov, “O Conde”, é condenado à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar associado ao luxo e sofisticação da antiga aristocracia de Moscou. Mesmo após as transformações políticas que alteraram para sempre a Rússia no início do século XX, o hotel conseguiu se manter como o destino predileto de estrelas de cinema, aristocratas, militares, diplomatas, bons-vivants e jornalistas, além de ser um importante palco de disputas que marcariam a história mundial. Mudanças, contudo, não paravam de entrar pelo saguão do hotel, criando um desequilíbrio cada vez maior entre os velhos costumes e o mundo exterior. Graças à personalidade cativante e otimista do Conde, aliada à gentileza típica de suas origens, ele soube lidar com a sua nova condição. Diante do risco crescente de se tornar um monumento ao passado até ser definitivamente esquecido, o Conde passa a integrar a equipe do hotel e a aprofundar laços com aqueles que vivem ao seu redor. Com sua perspectiva única de prisioneiro de duas realidades distintas, o Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como a conhecemos, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro.





Lendo ficção, por Charles Van Doren

28 04 2018

 

 

David Brooke, (Inglaterra) Written-Word-made-Flesh_sA palavra escrita incorporada

David Brooke (GB, contemporâneo)

 

 

“Apaixonar-se pela heroína é somente uma das formas pelas quais o leitor pode, e deve, participar do livro que está lendo. Romance, conto, ou poema, por exemplo, um leitor pode , e deve, compartilhar os triunfos e os sucessos dos personagens. Em Tom Jones, por exemplo, não somente me apaixonei por Sophia Western, sua amada, mas também compartilhei as angústias de Tom e seus sucessos na conquista final, inclusive Sophia, devo dizer. No caso de Orgulho e Preconceito fico muito feliz que Elisabeth e Darcy fiquem juntos no final, compartilhei a felicidade deles. Eu posso compartilhar o prazer da vitória da justiça num romance,na realidade, um romance só é bom quando a justiça é feita corretamente. Uma das grandes coisas relativas à Odisseia, que por sinal é o primeiro exemplo de western, é que no final, os caras bons conseguem o que merecem, assim como os maus recebem seu castigo.”

 

 

Em: A arte da leitura, Mortimer J. Adler e Charles Van Doren, É Realizações Editora: 2017, página 74.





Papalivros, um grupo de leitura, 15 anos de existência!

16 04 2018

 

 

30708363_10216448248102687_3601373864887582720_nBolo de comemoração dos Quinze Anos do Grupo de Leitura Papalivros

Da Graça Pâtisserie, em Copacabana

 

 

Em março de 2003, três meses após o meu retorno ao Brasil, pensei abrir caminho para novas amizades e atiçar fogo nos velhos relacionamentos depois de décadas fora do país. Resolvi fazer no Rio de Janeiro um grupo de leitura nos moldes que conhecera no estrangeiro.

Nos Estados Unidos, nos meus primeiros anos, tive o apoio da Secretaria de Estudantes Estrangeiros da Universidade Johns Hopkins.  Através deles fui apresentada a maneiras de complementar  renda e também, modos de me integrar à vida do país, o que incluiu pertencer a grupos que se encontravam não mais do que uma vez por mês.

Participei de grupos de culinária, onde a cada mês uma pessoa mostrava em sua cozinha, como fazer uma especialidade de seu país de origem.  Participei de grupo de estudos (leituras) de história da Europa. E antes mesmo de completar seis meses no país, entrei para um grupo de leitura. Grupos de leitura são comuns nos EUA.  Morei por muitos anos no país, em três diferentes estados e no Distrito de Columbia e em todos os locais fui membro de um grupo de leitura.

É um meio de se conhecer pessoas, de descobrir afinidades, aprofundar o conhecimento geral.  Ainda me lembro com prazer de algumas leituras dos dois anos em que pertenci ao primeiro grupo, na cidade de Baltimore: John Steinbeck, Of mice and men;  John Fowles, The MagusThe once and future king, T. H. White, All creatures great and small, James Herriot, Watership Down, Richard Adams, Breakfast of Champions, Kurt Vonegut,  Burr, Gore Vidal.  Desses tornei-me fã de Vidal, de Vonegut, e Fowles.  E apaixonada pela história do Rei Artur. Em outros grupos de leitura, conheci dezenas de autores americanos e estrangeiros que me roubaram o coração e a atenção.  E mais, fiz grandes amizades nesses grupos.  Pessoas com afinidades.  E aprendi, sobretudo, a respeitar os gostos de cada um, a ouvir as opiniões dos outros sem interferir e a aceitar que cada um de nós tem gosto único e que ele pode mudar através dos anos.

Minha intenção de abrir um grupo de leitura aqui no Rio de Janeiro, cidade de festa, sol, samba e extroversão, foi recebida com surpresa e descrença. Mas à maneira americana, fui pragmática.  Segui em frente até ver no que dava.  E deu samba.  Muito além das minhas expectativas.  Neste mês de abril o Grupo de Leitura Papalivros (nome escolhido por votação logo no primeiro encontro) completa 15 anos de existência.  Começamos com seis pessoas.  Minhas primas, minha cunhada, uma amiga de mamãe.  Quinze anos depois, ainda temos sete membros que entraram no primeiro ano, dos familiares só minhas primas. Somos 22 pessoas, todas mulheres, mas já foi um grupo misto. Somos leitoras.  E amigas. Nossas idades variam dos 34 anos aos 90.  E continuamos muito amigas, a cada ano, mais amigas.

15 anos, 180 livros, 180 encontros, sem nenhuma falha.  É para nos orgulharmos de nós mesmas, do nosso comprometimento, que melhor acontece quando a verdadeira amizade brota e é cuidada.  Que venham mais 15 ou 30.  É um prazer pertencer a esse grupo.

 

 





Maluquices do “H”, poesia de Pedro Bandeira

13 04 2018

 

 

 

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Maluquices do H

 

 

Pedro Bandeira

 

O H é letra incrível,
muda tudo de repente.
Onde ele se intromete,
tudo fica diferente…

Se você vem para cá,
Vamos juntos tomar chá.
Se o sono aparece,
tem um sonho e adormece.
Se sai galo do poleiro,
pousa no galho ligeiro.
Se a velha quiser ler,
vai a vela acender.
Se na fila está a avó,
vira filha, veja só.
Se da bolha ele escapar,
Uma bola vai virar.
Se o bicho perde o H,
com um bico vai ficar.
Hoje com H se fala,
sem H é uma falha.
Hora escrita sem H,
ora bolas vai ficar.

H é letra incrível,
muda tudo de repente.
Onde ele se intromete,
tudo fica diferente…

 

 

Em: Mais respeito, eu sou criança, Pedro Bandeira, São Paulo, Moderna: 1994