O mais antigo manuscrito cristão da África

8 02 2014

Garima-gospels_2_1672773cOs Evangelhos de Garima, iluminura, c. 330-660 EC.

Em janeiro passou sem referência na imprensa carioca uma descoberta anunciada em quase todos os  jornais europeus: novas datação para os Evangelhos de Garima, que os transformam no mais antigo manuscrito ilustrado cristão do mundo.  Esses dois volumes, um de 348 páginas com 11 páginas iluminadas e  outro de 322 página com 17 iluminuras, foram encontrados em um mosteiro etíope na região montanhosa do país  a 2.150 m de altitude.  Os Evangelhos de Garima haviam sido anteriormente datados de 1100 da Era Comum, mas novo exame por rádio carbono realizado em Oxford sugere data anterior:  entre 330 e 650EC, tendo os anos de 487-488 a data mais indicada. Esta descoberta tem duas conseqüências: muda o nosso conhecimento sobre o desenvolvimento de manuscritos iluminados e lança uma nova luz sobre a difusão do cristianismo na África subsaariana. Preservados em um mosteiro isolado na região de Ti Gray, os Evangelhos de Garima permanecem como únicos exemplares datados de antes do século XII,  pré-datando todos os outros manuscritos cristãos por mais de 500 anos.  Essa nova informação sobre o manuscrito pode ligá-lo diretamente ao tempo de Abba Garima, fundador do mosteiro.  Vindo de Constantinopla, o monge Garima chegou à a Etiópia por volta de 494. Diz a lenda que ele copiou os Evangelhos em um único dia.  Para ajudá-lo a concluir esta longa tarefa, Deus teria adiado o por do sol.

garima_gospels2.jpgOs Evangelhos de Garima

A sobrevivência dos Evangelhos Garima é surpreendente,  já que todos os outros manuscritos etíopes anteriores parecem ter sido destruídos em tempos de turbulência. Muito pouco se sabe sobre a história do Mosteiro de Abba Garima, mas ele pode ter sido invadido na década de 1530 por muçulmanos.   E em 1896 essa área foi o centro de resistência das forças italianas que lutavam para manter a colônia.  Além disso a igreja principal do monastério pegou fogo em 1930. Sabe-se que esses evangelhos estavam escondidos, talvez por séculos ou até mesmo por mais de um milênio.  Em 1520, capelão Português Francisco Álvarez visitou o mosteiro e registrou que havia uma caverna (agora perdida ou destruída), onde acreditava-se que Abba Garima havia vivido. Álvarez relatou que os monges desciam até a gruta por uma  escada para fazer penitência.  Especula-se,portanto, que  os Evangelhos possam ter sido escondidos nesta caverna.

FONTE: The Art Newspaper





Palavras para lembrar — Stéphane Mallarmé

5 02 2014

Nicole Ladrak, readingMoça lendo

Nicole Ladrak (Holanda, contemporânea)

Pintura em tecido, 115 x 130 cm

www.nicoleladrak.nl

“Tudo no mundo existe para, algum dia, terminar em um livro.”

Stéphane  Mallarmé (1842-1898)





Pode entrar, que a casa é sua — poesia de Djalma Andrade

4 02 2014

Casario e igrejas em Ouro Preto, MG, 1963

Luiz de Almeida Júnior ( Brasil 1894-1970)

óleo sobre tela  50 x 60cm

Pode entrar, que a casa é sua

-(

Djalma Andrade

Minas… Igrejas e sinos
De sons puros, cristalinos…
Pompas… Passado de glórias…
Cidades velhas, velhinhas,
Com ternura de avozinhas,
Que contam lindas histórias.

Minas… As velhas fazendas
Cheias de casos e lendas
De uma era sombria, escura…
E Minas das claras fontes,
Dos rasgados horizontes,
Minas do pão, da fartura.

Minas… as longas estradas
Nos duros morros cravadas…
Gente forte à luta afeita!
Carros gemendo e cantando,
Serras e montes galgando,
Na alegria da colheita.

Minas… Repiques festivos,
A banda, dobrados vivos
Rompe com fúria infernal…
Foguetes, o largo cheio…
Todo o povo alegre veio
Para a festa no arraial.

Minas… É o lar que se agita
Gente de fora, visita,
Todos à porta da rua…
Sorriso franco e bondoso,
Lá dentro o café cheiroso:
– Pode entrar, que a casa é sua.

Djalma Andrade (Congonhas, MG, 1871-1975)





Dominância anglófona…

3 02 2014

Anthony A. González, Reading a Poem_de Daily Painters of Texas de ANTHONY A. GONZÁLEZLendo um poema

Anthony A. González (EUA)

óleo sobre tela

www.obra-de-gonzalez.com

Bisbilhotando na internet hoje, cheguei a essa estatística que coloco abaixo porque me pareceu estarrecedora, os dados são de 2007 ou seja quase sete anos atrás, mas acredito que não tenha havido qualquer mudança significativa. Refere-se a livros publicados em tradução.

2% dos livros publicados no Reino Unido e nos Estados Unidos são traduções.

13% na Alemanha

27% na França

28% na Espanha

40% na Turquia

70% na Eslovênia

Não tenho os dados sobre o Brasil. Não achei. Talvez não tenha sabido procurar. Talvez caia sob o véu do silêncio que aflige a nossa cena editorial.

Essas estatísticas foram mencionadas no artigo Writers attack ‘overrated’ Anglo-American literature at Jaipur Festival, do jornal inglês The Guardian, sobre a acusação de escritores não anglófonos da dominância mundial da literatura produzida nos países de língua inglesa.  Não vou entrar no assunto, nessa postagem, mas me pergunto se no século XIX também havia muita reclamação sobre a dominância do francês nas letras mundiais, que dadas as devidas proporções me parece ter sido igualmente abrangente.  Fica aqui a consideração.





Quadrinha do teu destino

31 01 2014

aranha, Clarence Coles PhillipsIlustração Clarence Coles Phillips.

Não tens mais do que mereces,

homem fraco e pequenino,

porque tu mesmo é que teces

a teia do teu destino.

(Ariston Teles)





Perdoa, poesia de Maria Pagano de Botana

28 01 2014

Bernard rolland-la-lectureA leitura

Bernard Rolland (França, contemporâneo)

acrílica sobre tela

Perdoa

Maria Pagano de Botana

Se o vento desfolhar do teu jardim as rosas

E as deixar pelo chão espalhadas à toa,

Cruza os braços, fitando as roseiras graciosas,

— E a maldade do vento, em silêncio, perdoa!

Se a poeira vier ferir teus olhos, na estrada,

Deixa que o teu olhar tranquilamente doa,

Eleva para o azul as pálpebras, mais nada…

— E a maldade do pó, com ternura, perdoa!

Se alguém encher de fel teu coração dorido,

Sem que do teu pesar um dia se condoa,

Não maldigas: esquece o insulto recebido,

E a maldade do mundo, em lágrimas, perdoa!

Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 342.

Maria Pagano de Botana  ( Pederneiras, SP, 1909)  [ Baronesa de Santa Inês] Poeta, cronista, professora, jornalista .  Pseudônimos:  Marlon, Maria do Rosário.

Obras:

Do sonho à realidade, crônicas, 1945

Canteiro humilde, pensamentos, 1948

Amor fonte de vida, poesia, 1950

Luzes e imagens, 1972, biografia romanceada





Minuto de sabedoria — Abe Kobo

24 01 2014

Auguste Macke, elisabeth lebdo com frutas à mesa, 1908Elizabeth lendo com frutas à mesa, 1908

Augusto Macke (Alemanha, 1887-1914)

óleo sobre tela

“A liberdade não consiste só em seguir a sua própria vontade, mas às vezes também em fugir dela.”

images  Abe Kobo





Palavras para lembrar — Edmund Wilson

17 01 2014

Girl in Green by Sara HaydenJovem de verde, 1899

Sarah Sewell Hayden (EUA, 1862-1939)

óleo sobre tela

Sheldon Museum of Art, Lincoln, NE

“Duas pessoas nunca leem o mesmo livro”.

Edmund Wilson (1895-1972)





Quadrinha do amigo cão

11 01 2014

cachorrinho e pintinhos, Diana ThorneIlustração Diane Thorn.

Se chegares a entender
os homens, como eles são,
poderás compreender
a grandeza do teu cão!

(V. C.  Soares de Sousa)





Palavras para lembrar — Napoleão Bonaparte

10 01 2014

Catherine Chauloux (França, 1957) a_la_recherche_des_mots In search of lost words.  Oil on canvas, 40x40 cmÀ procura de palavras perdidas, s/d

Cathérine Chauloux (França, 1957)

óleo sobre tela, 40 x 40 cm

www.catherinechauloux.fr

“Mostre-me uma família de leitores, e lhe mostrarei o povo que dirigirá o mundo”.

Napoleão Bonaparte