PAPA-LIVROS: Veronika Peters, O que cabe em duas malas

24 09 2009

Freira lendo no interior de igreja, Enrico Coleman (Itália 1846-1911)Freira lendo no interior de uma igreja, 1877.

Enrico Coleman (Itália, 1846 – 1911)

Aquarela,  54,25 cm x 36 cm

 

Milhares de pessoas, muitas das que temos entre nossos amigos, parecem estar sempre à procura de um significado maior em suas vidas, de uma paz espiritual que não encontram no dia a dia,  de uma comunhão, talvez, um encontro transcendental.  Alguns procuram esta espiritualidade nas filosofias orientais ou no estudo de conceitos metafísicos.  Tenho certeza grande parte do sucesso de muitas das obras do mago brasileiro, Paulo Coelho, se deve,  justamente, a esta procura por um significado maior do que os limites físicos de cada ser.  Poucas pessoas, no entanto, se entregam à esta procura na curiosa maneira em que a autora deste livro autobiográfico relata:  entrada para um convento. 

Considerando-se que Veronika Peters não havia sido educada dentro do catolicismo e que havia saído de casa ainda jovem adolescente de 14-15 anos, rebelde,  sua entrada num convento de freiras beneditinas aos 21 anos, já demonstra desde o início desta narrativa a ânsia de um significado maior em sua vida; a incrível sede de reflexão e auto-conhecimento que a absorvem; todas características que a levam a testar seus limites, seguidamente pelos 12 anos que permance no convento.   Inicialmente, a autora parece ciente do teste a que se submete:

O que vai acontecer se eu for privada de toda espécie de “distração”: sem rádio, sem televisão, sem telefone?  Vou enlouquecer, ou fazer alguma descoberta?  Seja como for, quero conhecer a experiência do silencio, quero sem me distrair, refletir sobre Deus, sobre a minha vida, sobre o mundo….  [pág.45]

Mas, a medida que a vida no convento continua, Veronika, ao contrário do que poderíamos esperar ou ao contrário do que ela mesma esperava, continua procurando por respostas e acalentando dúvidas quanto a sua permanência no local, sem se esquecer de que ainda há algo que lhe escapa. 

Vou bem aqui, é provável que ainda permaneça por algum tempo.  Um pequeno mundo próprio, onde não me sinto mais tão estranha como nos primeiros dias, espera aos poucos ser descoberto por mim.  Viver por algum tempo nesse lugar, com estas mulheres, em conformidade com esta idéia, parece-me ser a oportunidade para descobrir coisas, que em nenhum outro lugar serei capaz de aprender.  Algumas delas possuem algo que eu também gostaria de possuir. [pág 67-68, em carta a sua amiga Lina].

E assim passam-se doze anos no convento.  De noviça à freira, Veronika procura por respostas a perguntas que não sabe formular, mas que sente estarem presentes em sua vida.  Através desses anos, temos uma interessante visão da vida num convento moderno.   Para quem, como eu, que só conhece o interior dos conventos através de turismo histórico,  da leitura de Vida de Santa Teresa e de produções Hollywoodianas, foi uma verdadeira lição do modernismo católico.   Mas mesmo através destes estágios todos para total aceitação da vida como freira, Veronika se sente em descompasso com a comunidade e é frequentemente advertida por isso:

— Você está me ouvindo? Por que fica tão dura assim atrás do volante?

— Desculpe, eu ainda não me sinto muito à vontade no meu novo papel.

— Você não está representando papel nenhum.

— Ainda preciso me exercitar para ser o que represento com esta roupa.

— Isso todas nós precisamos.  [pág. 89]

 

veronika peters 1

A autora, Veronika Peters.

Eventualmente  Veronika sai do convento.  E escreve o livro sobre sua vida lá.   A popularidade deste romance,  (Was in zwei Koffer passt), foi um dos dez livros mais vendidos na Alemanha em 2007, onde permaneceu na lista da Der Spiegel por mais de seis meses, é um testemunho do grande número de pessoas se identificam com a procura espiritual.  E como o texto da editora mesmo diz, esse verdadeiro fenômeno editorial já demonstra um significativo sintoma social.  Um texto leve, de leitura muito rápida, que encoraja todos seus leitores a perseguirem os caminhos — mesmo que difíceis — na procura de sua própria espiritualidade.





PAPA-LIVROS: Benoîte Groult, Um toque na estrela

25 08 2009

As Parcas castellcoch

As Parcas, c. 1875

Escultura sobre a lareira, Salão Principal

Castell Coch, próximo a Cardiff .

País de Gales, Grã Bretanha

 

Aos 86 anos, Benoîte Groult, famosa feminista e jornalista francesa, escreveu um livro que se tornou um grande best-seller naquele país: Um toque na estrela [Rio de Janeiro, Record: 2009, 2ª edição].  O título é intrigante e esclarecido só ao final da leitura.  Mas o texto é claro e ajuda a refletir sobre um assunto raramente abordado com tanta destreza: a velhice.   Com extraordinário bom humor, Benoîte Groult nos guia revelando o processo de envelhecimento de um ser humano: as restrições físicas; as restrições e expectativas impostas pela sociedade, pelos colegas de trabalho, ou membros da família. 

Um recurso literário de grande valia neste romance,  que ajuda o enquadramento das causas defendidas pela autora, foi a narração  ser feita por uma das Parcas ou Moiras.  No romance, cuja tradução, de Ari Roitman e Carmem Cacciacarro, achei às vezes próximo demais ao francês, uma Moira começa e termina a história.  O parágrafo inicial marca o tom imparcial, às vezes irônico e nunca piedoso desta divindade que não nos deixará esquecê-la através do romance: 

Todos me chamam de Moira.  Vocês pensam que não me conhecem, mas todo mundo vive mais ou menos comigo sem saber, e ocupo um lugar cada vez maior em boa parte de suas vidas.  Aliás, ser uma Moira tornou-se um emprego apaixonante desde que tantas pessoas, que passaram seus verdes anos se achando eternas, perdem o norte conforme a flor da idade vai murchando e surge, inexorável, o fruto da maturidade.

 

Lafayette Ragsdale, (EUA) A good book,  2006

Um bom livro, 2006

Lafayette Ragsdale (EUA, contemporâneo)

 

É de fato esta Moira, quem fechará com chave de ouro a narrativa que culmina no debate interno que cada leitor , gentilmente guiado, trava com a autora, sobre a eutanásia, ou mesmo, o direito de se escolher o momento da morte.   

Acostumada a tratar de assuntos polêmicos através de suas colunas jornalísticas Benoîte Groult se tornou conhecida pela maneira sucinta com que caracteriza conceitos complexos, lembrando em muito suas conterrâneas, as grandes pensadoras francesas do século XVII, XVIII e XIX,  tais como Marquesa de Lambert,  Mme de Sévigné,  Françoise de Graffigny, Mme de Staël, e tantas outras cujas citações, por suas clareza e mordacidade atravessam séculos.   Como elas, Benoîte Groult tem dezenas de frases conhecidas: A velhice é tão longa que não se deve começá-la muito cedo [«La vieillesse est si longue qu’il ne faut pas la commencer trop tôt.»];  O que há de melhor na navegação é desembarcar [«Ce qu’il y a de plus beau dans la navigation, c’est de débarquer.»]; O feminismo nunca matou ninguém – o machismo mata todos os dias [« Le féminisme n’a jamais tué personne – le machisme tue tous les jours »].

 Muitas e muitas citações semelhantes podem ser retiradas de Um toque na estrela.  Quando o grupo Papa-livros se reuniu para discussão do texto , alguns membros, conhecidos por tomarem notas de passagens importantes dos livros que lêem, chegaram desta vez com os próprios livros cheios de marcadores, tal a abundância não só de possíveis citações significativas, mas de passagens inteiras que remetem a experiências próximas, às vezes bastante engraçadas, às vezes sentimentais.  

 

Linda Armstrong Joan_Reading 1994

Joan lendo, 1994, por Linda Armstrong.

 

Entrelaçado à descrição do dia a dia da velhice,  Benoîte Groult narra um belíssimo e tórrido romance entre dois adultos, um romance extraconjugal de ambas as partes, um romance além das fronteiras geográficas de cada componente.  Ele lembra ao leitor, entre outras situações, da necessidade de se aproveitar a vida ao máximo, ao extremo, com corpo e alma, porque é só do presente que se sabe.  E talvez nem mesmo deste. 

Enquanto, como leitores, somos apresentados a situações relativas ao incômodo do envelhecimento, ao incômodo,  para os outros, do nosso próprio envelhecimento, ao incômodo de termos que estar sempre parecendo mais jovens do que somos;  somos também apresentados em cores vivas e berrantes à beleza de se estar vivo, à necessidade que temos de nos agarrar ao momento, ao presente, à plenitude.   Por nos mostrar como é envelhecer, e também como é estar vivo, ainda no esplendor de uma idade madura e competente, somos convidados a desfrutar ao máximo a vida que temos.  Este livro é um hino à vida.  Um lembrete para que não a tratemos mal, mas que a honremos.  É preciso tomar com suas próprias mãos as oportunidades, porque elas não voltam mais.  As Parcas, as Moiras, elas sim, estão sempre atentas, sempre ocupadas, prontas para exercer os seus poderes.

***

 

Benoîte Groult

A escritora Benoîte Groult.

 

 

Benoîte Groult trabalha hoje, aos 89 anos, num outro livro.





O lobo e o cão, fábula de Esopo, recontada por Olavo Bilac e ilustrada por diversos artistas

1 08 2009

 

 Hoje, selecionei uma fábula de Esopo, recontada por La Fontaine entre outros.  Aqui, em versos magistrais de Olavo Bilac.  Por ser uma fábula popular, tenho muitas ilustrações, através dos séculos, que se referem diretamente a ela.   Coloquei algumas por entre o texto de Bilac.   No entanto, tenho ainda algumas outras ilustrações.  Para não corromper o texto completamente, [mais do que já o fiz] vou colocar outras ilustrações separadas, no final assim como repetir o texto original de Olavo Bilac. 

 

dog and wolf

Ilustração Harrison Weir (Inglaterra 1824-1906).

 

O lobo e o cão

 

                                  Olavo Bilac

 

 

Encontraram-se na estrada

um cão e um lobo.  E este disse:

— Que sorte amaldiçoada!

Feliz seria, se um dia

como te vejo me visse.

 

dog & wolf Eleanor Grosch

Ilustração Eleanor Grosch (EUA, contemporânea).

 

Andas gordo e bem tratado,

vendes saúde e alegria;

ando triste e arrepiado,

sem ter onde cair morto!

 

loup-chien-esope, moyen age

O cão e o lobo, ilustração em manuscrito francês, Idade Média.

 

 

Gozas de todo conforto,

e estás cada vez mais moço;

e eu, para matar fome,

nem acho às vezes um osso!

 

DOG AND WOLF BENNET

Ilustração Charles H Bennet (Inglaterra, 1829-1867).

 

 

Esta vida me consome…

Dize-me tu, companheiro:

onde achas tanto dinheiro?

Disse-lhe o cão: — Lobo amigo!

Serás feliz, se quiseres

Deixar tudo e vir comigo:

vives assim porque queres…

 

dog & wolf

 Ilustração, André Quellier (França, 1925)

 

Terás comida à vontade,

terás afeto e carinho,

mimos e felicidade,

na boa casa em que vivo!

Foram-se os dois.  Em caminho,

disse o lobo, interessado:

— Que diabo é isto?  Por que motivo

tens o pescoço esfolado?

 

dog and wolf,george fairpont

Ilustração Georges Fraipont (França, 1873-1912).

 

— É que às vezes amarrado

Me deixam durante o dia…

— Amarrado?  Adeus, amigo!

(disse o lobo) Não te sigo!

Muito bem me parecia

Que era demais a riqueza…

 

loupetchien, henri morin

Ilustração Henry Morin (França, 1873-1961).

 

Adeus!  Inveja não sinto:

quero viver como vivo!

Deixa-me com a pobreza!

Antes livre, mas faminto,

Do que gordo, mas cativo!

 

 

 

 

Seguem ilustrações: Continue lendo »





Os 10 mais na ficção americana da primeira parte de 2009, Amazon

29 07 2009

angela ursilloLendo no ônibus, no Japão, 2001.

Ângela Ursillo (EUA, contemporânea)

Trabalho totalmente digital, usando Painter.

 

Chegado o meio do ano, e com as vendas em baixa, a maioria das livrarias americanas que tem portal na internet anda pressionando bastante, através de emails as promoções e as chamadas especiais de títulos que acreditam estar dentro do seu perfil de comprador.  Recebi hoje da Amazon a lista das dez melhores publicações em ficção nos EUA para 2009, que rapidamente passo aqui para o blog.  Isso nos dará uma idéias do que pode estar a nosso caminho nas produções editoriais brasileiras, se estes livros realmente se mostram ter o sucesso já anunciado pela livraria digital.

 

Os dez mais da ficção publicada nos EUA em 2009.  Está em ordem alfabética pelo último nome do autor, como é praxe nos EUA.   

SWEETNESS AT THE BOTTOM OF THE PIE, de Alan Bradley.  È um livro de mistério.  Quando uma sagaz  menina adolescente com aspirações de ser uma futura química descobre um corpo na plantação de pepinos em sua casa, deixa de lado os cadinhos e corre atrás do assassino.

 

EVERYTHING MATTERS, de Ron Currie, Jr. Ao nascer Junior Thibodeau é informado do momento exato em que o mundo vai acabar.  Esse conhecimento, revelado a ele por uma entidade desconhecida, faz com que ele se pergunte, constantemente, se vale a fazer qualquer coisa comum, vivenciar o dia a dia.  Aos poucos, através de experiências comuns ele e o leitor chegam a uma conclusão.

 

Ro Lohin (EUA, contemp), Subway Reader, 2005,ost

Leitor no Metrô, 2005

Ro Lohin, (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela

 

EVERY MAN DIES ALONE, de Hans Fallada.  Trata da história verdadeira de um casal de Berlim, que independentemente, toma em suas mãos uma pequena e reservada resistência ao regime nazista. Este é um livro antigo, um resgate.  Seu autor morreu em 1947.

 

TINKERS, de Paul Harding.  Este é o primeiro romance de Paul Harding.  Nele, estão registradas as memórias de sua vida como uma faz-tudo, especializado principalmente no conserto de relógios,  e suas lembranças de seu pai, que como ele também era uma faz-tudo.  O pai sofria de crises epiléticas o que aparentemente dá um ar do inexplicável a esta curta narração.  Muito apreciado pela precisão de seu texto de menos de 200 páginas.  

 

THE VAGRANTS, de Yiyun Li.  A história se refere ao tempo da Revolução Cultural na China onde crianças denunciam seus pais, amantes traem seus parceiros, tudo para sua sobrevivência.  A narrativa começa com a história dos pais de Gu Shan, uma vítima do regime que é executada como contra-revolucionária.  O texto mostra como pequenos atos de corrupção, crueldade e medo, acabam com a moralidade da sociedade.  Este é o primeiro romance de Yiyum Li.

 

soraya-french (Teerã, Irã), Contemporanea, mixed media, 40x40

Jornal de Domingo, 2005

Soraya French ( Irã, contemporânea)

Técnica mista, 40 cm x 40 cm

 

BORDER SONGS, de Jim Lynch. Este romance tem como principal personagem o guarda de fronteira Brandon Vanderkool, que consegue uma série de apreensões de importância no trânsito entre os EUA e o Canadá, trazendo uma mudança generalizada a um trecho da fronteira entre os dois países que havia sido, até então, ignorado.

 

MILES FROM NOWHERE, de Nami Mun.  Este romance está centrado em Joon, personagem adolescente, que fugiu de casa.  É a história de diversas de suas aventuras que têm em comum um parâmetro de valores que as faz todas terem sentido.  Este é o primeiro romance de Nami Mun.

EVERYTHING RAVAGED, EVERYTHING BURNED, de Wells Tower.   Esta é uma coleção de contos do autor, muito apreciada pelo senso de humor, e por seus personagens fora da veia normal da sociedade.  

 

Yusuf Arakkal (Índia, 1945) Paper reading, óleo sobre tela,120 cm x 120 cm

Lendo o jornal, 2004

Yusuf Yakkal (Índia, 1945)

óleo sobre tela, 120 cm x 120 cm

 

CUTTING FOR STONE, de Abraham Verghese.  Marion e Shiva Praise Stone são gêmeos, nascidos de um relacionamento entre uma freira/santa e um pobre cirurgião, trabalhando ambos num hospital missionário em 1950 na Etiópia.  O autor é um médico e este é seu primeiro romance, uma obra em que ele demonstra o magnífico poder das artes medicinais.

 

LOWBOY, de John Wray.  Lowboy é o pseudônimo do personagem principal, Will Heller, um esquizofrênico que está certo de que o mundo acabará logo, corre em fuga atrás de uma solução, pelos caminhos do metrô de Nova York.   Romance muito apreciado pela descrição dos altos e baixos, do pulos e brancos, de uma mente doente.





Mil tsurus ou Nuvens de Pássaros Brancos de Yasunari Kawabata

10 03 2009

 tsuru-wc

 

 

 

Foi durante o Carnaval de 2009 que encontrei a paz necessária para me dedicar à leitura de Nuvens de pássaros brancos [Nova Fronteira: 1969], meu primeiro livro do escritor japonês Yasunari Kawabata, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1968 e considerado um dos maiores escritores do século XX no Japão.  

 

Neste livro, que curiosamente também foi editado no Brasil, por outros editores, com um outro nome: Mil Tsurus, seguimos os problemas de Kikuji Mitani, que depois da morte de seu pai acaba se encontrando durante uma cerimônia de chá com duas antigas amantes do falecido: a viúva Ota  e Chikako Kurimoto.   A partir deste momento, Kikuji é um pequeno inseto preso nas teias que essas mulheres tecem à sua volta.  Chikako luta por arranjar um casamento para Kikuji.  E a senhora Ota, passa a ter um relacionamento amoroso com Kikuji, filho de seu antigo amante.   Há ainda a bela e sedutora Fumiko, filha da Sra. Ota, que aos poucos cava um lugar para si própria no coração de Kikuji.  As intrigas entre todas as mulheres são constantes e bastante malévolas.  E mesmo sem ser uma conhecedora da literatura japonesa em geral elas me lembraram as intrigas da corte, tão bem retratadas nas histórias de Genji.   

 

 

kawabata

 

 

 

Mesmo através de tradução, neste caso feita por Paulo Hecker Filho, podemos sentir uma linguagem extremamente poética e delicada, quase ritualística, um paralelo perfeito aos procedimentos da cerimônia do chá, que neste romance tem papel central no desenvolvimento da trama, servindo também de contraponto de beleza e serenidade a um mundo que apesar de dominado por gestos gentis, pela beleza das mulheres, é repleto de disse-me-disses, de alfinetadas, que criam distúrbios numa vida que poderia, outrossim, ser tão bucólica e meticulosa quanto a cerimônia em questão.  

 

Surpreendente, é ver este jovem, que capaz de desfrutar dos prazeres sensuais mais diversos, capaz de imaginar prazeres e de se render ao desejo sexual, se deixar dominar não só pelos rituais e costumes da boa forma, como e principalmente pelas mulheres que o cercam.  Kikuji é quase uma vítima de conjecturas femininas, de ações que por pouco não lhe destituem de todo, ou quase todo, o poder sobre sua vida.  

 

Reconheço que, provavelmente para apreciar devidamente, para saborear  as descrições sensíveis dos personagens, deveria ser útil uma maior familiaridade com a cerimônia do chá no Japão.  No entanto, mesmo sem este conhecimento, reconheço a felicidade de certas imagens que Kawabata seleciona no romance, como as marcas de batom da Sra. Ota  no mizusachi , uma imagem belíssima, poética e representativa da presença permanente desta senhora em sua vida e na vida de sua filha.

 

Estudiosos da obra de Kawabata dizem que há três assuntos que permeiam os romances do autor: o mundo feminino, a sexualidade humana e o tema da morte.  Todos os três estão presentes neste romance.  Todos delicadamente manuseados, talhados, desenhados para que se incluam no romance com naturalidade e poesia.   Com mestria. 

 

 

kawabata-1 O escritor Yasunari Kawabata

 

 

Recomendo a leitura deste livro.  É fascinante, mesmo que às vezes se tenha a noção de não se estar captando tudo, tudo que foi selecionado e representado pelo autor, por falta de familiaridade com a cultura japonesa.   Não importa.  Vale a pena.





Outras opções de livros para meninos e meninas leitores

9 03 2009

alex-russell-flint-uk

Leitura no Domaine de Nerige, s/d

Alex Russell Flint ( Reino Unido, 1974)

óleo sobre tela

 www.alexrussellflint.com

 

 

Ontem mostrei aqui a lista dos livros que meninos e meninas de 9 a 12 anos estão encantados em ler de acordo com um artigo publicado no jornal O GLOBO.  A lista pode ser encontrada aqui.

 

Hoje coloco aqui outras opções de livros de mais de 250 páginas que estão interessando jovens leitores no Brasil.  A lista foi compilada através dos livros mais vendidos em livrarias virtuais e livrarias físicas.   Eliminei as repetições para poder enquadrar o maior número possível de opções para quem quer ler algo de diferente ou para quem quer  presentear um filho, um parente, um amiguinho.  

 

 

 

200vendido-segredouniverso

 

George e o segredo do universo, Lucy & Stephen Hawking, RJ, editora Ediouro: 2007: 304 páginas

 

 

Radicais, os pais de George não o deixam ter acesso à tecnologia. Mas junto com a amiga Annie e um supercomputador, eles farão uma viagem de aventura e aprendizado pelo espaço sideral. Um enredo criado para mostrar as revolucionárias idéias e conceitos de Física e Astrofísica de Stephen Hawking sobre o Universo, de uma forma divertida para o público infantil. 1º livro da trilogia.

 

 200vendido-brisingr3

 

 

 

Brisingr – Trilogia da Herança – vol 3, Christopher Paolini, RJ, Editora Rocco: 2008: 720 páginas

 

Eragon e seu dragão, Saphira, conseguiram sobreviver à batalha colossal na Campina Ardente contra os guerreiros do Império. No entanto, Cavaleiro e dragão ainda terão de se deparar com inúmeros desafios?

 

Eragon se vê envolvido numa série de promessas que talvez não consiga cumprir, como o juramento a seu primo, Roran, de ajudá-lo a resgatar sua amada Katrina das garras de Galbatorix. Todavia, Eragon deve lealdade a outros também. Os Varden precisam desesperadamente de sua habilidade e força, assim como elfos e anões. Com a crescente inquietação dos rebeldes e a iminência da batalha, Eragon terá de fazer escolhas que o levarão a atravessar o Império, viajando muito além. Escolhas que poderão submetê-lo a sacrifícios inimagináveis?

 

 

Eragon é a única esperança de libertar o reino da tirania de Gabaltorix. Conseguirá o jovem unir as forças rebeldes e derrotar o Império?

 

 

 200vendido-ocoforasteiro

 

 

 

 

 

 

The O.C.: o Forasteiro, Corin Martin, RJ, Editora: Pretígio: 2006: 250 páginas

 

Orange County é um paraíso na Califórnia onde tudo aparenta ser extremamente perfeito. Porém, por trás dessa superfície idealizada, mundos são desconstruídos e segredos vêm à tona. The O.C. é uma história de relacionamentos entre pais e filhos, maridos e esposas e o amadurecimento de três jovens de personalidades bem diferentes. Ryan, Marissa, Seth e todos os personagens e conflitos da série mais badalada da TV se encontram nesse livro, para alegria do fãs e de todos que gostam de uma comovente e divertida história.

 

 

 

 200vendido-colin

 

 

 

Colin Cosmo e os Supernaturalistas, Eoin Colfer, RJ, Editora Record: 2005: 317 páginas

 

Em um futuro próximo, o jovem Colin Cosmo é manda pra um orfanato, no qual era forçado a trabalhar sem descanso, além de servir de cobaia para um monte de testes. Ele decide fugir e para isso conta com a ajuda dos Supernaturalistas, garotos que, como ele, possuem uma certa habilidade especial. O que eles não imaginavam é que iriam descobrir um terrível segredo que poderia destruir o mundo.

 

 

200vendido-sorte-ou-azar 

 

 

 

Sorte ou Azar?,  Meg Cabot, RJ, Editora Record: 2008: 288 páginas

 

A falta de sorte parece perseguir Jinx onde quer que ela vá ? e por isso ela está tão animada com a mudança para a casa dos tios, em Nova York. Talvez, do outro lado do país, Jinx consiga finalmente se livrar da má sorte. Ou, pelo menos, escape da confusão que provocou em sua pequena cidade natal. Mas logo ela percebe que não é apenas da má sorte que está fugindo. É de algo muito mais sinistro… Será que sua falta de sorte é, na verdade, um dom, e a profecia sob a qual ela viveu desde o dia que nasceu é a única coisa que poderá salvá-la?

 

 

200vendidoheranca 

 

 

 

 

 

Eldest Trilogia A Herança, vol 2, Christopher Paolini, RJ, Editora Rocco: 2008: 656 páginas.

 

Emoção e aventura aguardam os leitores na continuação desta aventura fantástica iniciada com Eragon, título que vendeu mais de oito milhões de exemplares em 42 países.

 

Eldest acompanha o amadurecimento do jovem guerreiro protagonista da história e mostra também o crescimento de Christopher Paolini como escritor. Agora com 20 anos, o jovem autor utiliza técnicas narrativas mais complexas para contar as aventuras e os desafios encarados por Eragon. Ousei mais neste segundo livro e usei técnicas que não tinha usado no primeiro, como trocar pontos de vista e trabalhar de maneira mais completa os personagens e suas emoções?, explica o escritor.

 

As expressões criadas por Paolini para cada povo do reino de Alagaësia ganham mais espaço e transformam-se em frases inteiras em Eldest. Inspiradas no norueguês antigo ou simplesmente inventadas, a Língua antiga, a Língua dos anões e a Língua dos urgals exigiram muita pesquisa por parte do autor. ?Acho que as línguas criadas fluem melhor no segundo livro e aparecem como uma linguagem mais completa?, conta Paolini. O segundo volume da Trilogia da Herança traz um glossário com o significado dos termos originais mais usados no épico do autor norte-americano.

 

A narrativa de Eldest começa três dias após a cruel batalha travada por Eragon para libertar o Império das forças do mal. Agora, o Cavaleiro de Dragões se vê envolvido em novas e emocionantes aventuras. Em busca de um tal Togira Ikonoka. O Imperfeito que é Perfeito, que supostamente possui as respostas para todas as suas perguntas, Eragon parte, junto com Saphira, o dragão azul que o acompanha desde o início da aventura, para Ellesméra, a terra onde vivem os elfos. Lá, eles pretendem aprender os segredos da magia, da esgrima e aperfeiçoar o seu domínio da língua antiga.

 

Em sua jornada, que também é uma caminhada para a maturidade, Eragon conhece seres e lugares diferentes e se apaixona por Arya, filha da rainha Islanzdaí. Mas também descobre que nem tudo é o que parece. Conflitos e traições aguardam o jovem herói e por um longo tempo ele não tem certeza em quem pode confiar. Os desafios de Eragon são entremeados pela luta de Roran, cuja importância aumentou em relação ao primeiro livro, formando narrativas paralelas que se juntam no fim com um único objetivo: derrotar o grande rei.

Mais maduro e preparado, Eragon consegue afastar o exército inimigo por algum tempo. A vitória definitiva, no entanto, só acontece depois da revelação de um grande segredo, que fará com que Eragon e Roran se unam novamente e decidam partir para uma nova e perigosa missão, que parece ser o ponto de partida do terceiro livro: salvar a noiva de Roran, Katrina, dos Razac.

 

 

 200vendido-tuneis

 

 

 

 

 

Túneis, Roderick Gordon e Brian Williams, RJ, Editora Rocco: 2008: 480 páginas

 

 

Will é um garoto de 14 anos cuja única afinidade com seu excêntrico pai é a paixão pela arqueologia. Ele passa a maior parte do seu tempo livre cavando buracos nos arredores do terreno de sua casa para realizar descobertas científicas, fugir da pressão da escola e da mesmice da família. Um dia, seu pai desaparece misteriosamente por um túnel que Will não conhecia, e o garoto começa a cavar, literalmente, a verdade por trás do sumiço do pai. Este é o mote de Túneis, sucesso na Europa e nos EUA que a Rocco traz agora para o Brasil. Escrito pela dupla Roderick Gordon e Brian Williams, o livro tem adaptação garantida para o cinema e já foi vendido para 35 países. Túneis é a aposta do agente literário Barry Cunningham, responsável, no fim da década de 1990, por descobrir Harry Potter e sua então desconhecida criadora, J. K. Rowling.

 

 200vendido-pegandofogo1

 

 

 

 

 

Pegando fogo!, Meg Cabot, RJ, Editora Record: 2009:  308 páginas

 

Katie Ellison é uma mentirosa de mão-cheia e ainda por cima guarda um grande segredo sobre seu antigo melhor amigo, Tommy, que, quatro anos antes, criou um sério tumulto e acabou saindo da cidade. Agora, ele está de volta, e Katie vai ter que decidir se prefere continuar com as mentiras para manter as aparências, ou se finalmente vai abrir a boca e aceitar que as coisas nunca mais serão como antes.

 

 

 200vendido-coracao-de-tinta

 

 

 

 

Coração de Tinta, Cornelia Funke, SP, Editora Cia das Letras: 2006: 456 páginas

 

Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.

 

É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado Coração de tinta. Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada. Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de Coração de tinta um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente seqüestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.

 

 

 200vendido-gossip-girl

 

 

 

 

Gossip Girl: as Delícias da Fofoca – vol. 1, Cecily Von Ziegesar, RJ, Editora Record: 2005: 253 páginas

 

Blair Waldorf e Serena van der Woodsen são duas adolescentes da alta roda nova-iorquina, ricas, bonitas, chiques e cheias de problemas. Este livro inaugura a série Gossip Girl, considerada o Sex and the City para adolescentes.

 

 

 

 

 200vendido-it-girl

 

 

 

It Girl 3 – Garota Sem Limite, Cecily Von Ziegesar,  RJ,  Editora Galera: 2008:  272 páginas

 

Este é o volume três da nova série de Cecily von Ziegesar. Jenny Humphrey, uma das mais polêmicas personagens da série Gossip Girl, deixou a Constance Billard para estudar na Waverly Academy. E ela chega chamando a atenção.

 

O charmoso Easy Walsh agora é seu, mas, infelizmente, ele era o ex da bela Callie, colega de quarto de Jenny. Tinsley, é claro, usa a traição em seu benefício e, para piorar, elas não dividem mais o mesmo quarto: Jenny ficou com Callie e Tinsley com Brett. Mas se no amor e na guerra vale tudo, o que vai acontecer quando Easy for ver Jenny no meio da noite e encontrar Callie?

 

E se um segredo misterioso de Tinsley for revelado?





Meninos e meninas, leitores de peso!

8 03 2009

anne-belov-eua-monica-reading-2000

Monica Lendo, 2000  

Anne Belov  (EUA, Filadélfia)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

 

O jornal O Globo de hoje, 7 de março de 2009, em seu caderno GLOBINHO,  dedicado aos mais jovens, traz um artigo na primeira página que é alentador.  Intitulado Devoradores de Livros, o artigo escrito por Christine Lages, mostra o interesse na leitura desenvolvido por muitos meninos e meninas dos 9 aos 12 anos.  Este interesse está refletido na leitura não de livros com ilustrações coloridas e letras grandes, maiores do que as usadas em livros de prosa, mas por livros, que  sem ilustrações ainda são grossos,  com muitas e muitas páginas, que poderiam facilmente intimidar até um adulto.  

 

Estes novos leitores já devoraram os livros de Harry Potter e agora estão expandindo seus horizontes por outras áreas.   Duas meninas de 11 e 12 anos por exemplo já leram os três títulos publicados em português da escritora americana Stephenie Meyer.  Enquanto que outra da mesma idade já havia anteriormente lido diversos livros da série da Princesa de Meg Cabot.   Diogo, um menino de 9 anos, já consumiu as histórias de Harry Potter e diz claramente: Gosto de pegar nos livros antes de dormir, depois que termino o meu dever de casa, e quando os meus pais estão lendo.

 

Junto a este artigo há uma lista dos livros de grandes sucessos que reproduzo aqui, para facilitar aqueles que gostariam de apresentar algumas histórias fascinantes para estes jovens leitores.  Bom proveito!  Incentive a leitura.  E veja que o exemplo em casa sempre fala mais alto!

 

 

GRANDES SUCESSOS, lista de O GLOBO:

 

 

De Stephenie Meyer:

 

 

 a-crepusculo

 

 

 

           Crepúsculo, editora: Intrínseca, 2008: 416 páginas

 

Crepúsculo poderia ser como qualquer outra história não fosse um elemento irresistível: o objeto da paixão da protagonista é um vampiro. Assim, soma-se à paixão um perigo sobrenatural temperado com muito suspense, e o resultado é uma leitura de tirar o fôlego – um romance repleto das angústias e incertezas da juventude – o arrebatamento, a atração, a ansiedade que antecede cada palavra, cada gesto, e todos os medos. Isabella Swan chega à nublada e chuvosa cidadezinha de Forks – último lugar onde gostaria de viver. Tenta se adaptar à vida provinciana na qual aparentemente todos se conhecem, lidar com sua constrangedora falta de coordenação motora e se habituar a morar com um pai com quem nunca conviveu. Em seu destino está Edward Cullen.

 

Ele é lindo, perfeito, misterioso e, à primeira vista, hostil à presença de Bella o que provoca nela uma inquietação desconcertante. Ela se apaixona. Ele, no melhor estilo “amor proibido”, alerta: Sou um risco para você. Ela é uma garota incomum. Ele é um vampiro. Ela precisa aprender a controlar seu corpo quando ele a toca. Ele, a controlar sua sede pelo sangue dela. Em meio a descobertas e sobressaltos, Edward é, sim, perigoso: um perigo que qualquer mulher escolheria correr.

 

Nesse universo fantasioso, os personagens construídos por Stephenie Meyer – humanos ou não – se mostram de tal forma familiares em seus dilemas e seu comportamento que o sobrenatural parece real. Meyer torna perfeitamente plausível – e irresistível – a paixão de uma garota de 17 anos por um vampiro encantador.

 

 

a-luanova

 

           Lua Nova, editora: Intrínseca, 2008: 480 páginas

 

Para Bella Swan, há uma coisa mais importante do que a própria vida: Edward Cullen. Mas estar apaixonada por um vampiro é ainda mais perigoso do que ela poderia ter imaginado. Edward já resgatara Bella das garras de um mostro cruel, mas agora, quando o relacionamento ousado do casal ameaça tudo o que lhes é próximo e querido, eles percebem que seus problemas podem estar apenas começando…

 

Legiões de leitores que ficaram em transe com o best-seller Crepúsculo estão ávidos pela seqüência da história de amor de Bella e Edward. Em Lua nova, Stephenie Meyer nos dá outra combinação irresistível de romance e suspense com um toque sobrenatural. Apaixonante e cheia de reviravoltas surpreendentes, essa saga de amor e vampiros segue rumo à imortalidade literária.

 

a-eclipse

 

 

           Eclipse, editora: Intrínseca, 2009: 464 páginas

 

“Havia algo que Edward não queria que eu soubesse. Algo que Jacob não teria escondido de mim. Algo que pôs tanto os Cullen quanto os lobos no bosque, movendo-se juntos numa proximidade perigosa. (…)  Algo que eu, de algum modo, esperava. Que eu sabia que aconteceria de novo, tanto quanto desejava que jamais acontecesse. Nunca teria um fim, teria?”

 

Enquanto Seattle é assolada por uma sequência de assassinatos misteriosos e uma vampira maligna continua em sua busca por vingança, Bella está cercada de outros perigos. Em meio a isso, ela é forçada a escolher entre seu amor por Edward e sua amizade com Jacob – uma opção que tem o potencial para reacender o conflito perene entre vampiros e lobisomens. Com a proximidade da formatura, Bella vive mais um dilema: vida ou morte. Mas o que representará cada uma dessas escolhas?

 

 

De Meg Cabot:

 

 

a-odiariodaprincesa

 

 

           O diário da princesa, RJ, editora: Record, 2001: 288 páginas

 

 

Mia é uma adolescente como qualquer outra mas, um belo dia, sua vida vira de cabeça para baixo. Normalmente ela só vê o pai no Natal. O pai é na realidade um príncipe, e descobre que não pode ter mais filhos. Mia torna-se a única herdeira do trono de Genovia, transformando-se numa celebridade. Mas descobre que a vida de uma princesa pode ser muito dura. O livro se transformou em filme nas mãos do diretor Garry Marshall e conta com a participação de Julie Andrew e Anne Hathaway.

 

b-avalon-high

 

           Avalon High, RJ, editora: Record, 2007: 350 páginas

 

Avalon High pode não ser exatamente o lugar onde Ellie gostaria de estudar, mas até que não e tão ruim assim. Uma escola americana normal, freqüentada pelos mesmos tipos de sempre: Lance, o esportista; Jennifer, a animadora de torcida; e Will, o presidente da turma, jogador talentoso, bom momo… e muito charmoso! Mas nem todos na Avalon High são o que pensam ser… nem mesmo Ellie, como ela logo vai descobrir.

 

 

Depois de um esbarrão durante uma corrida no parque, os destinos de Ellie e Will parecem estar irremediavelmente entrelaçados. Ela começa a notar uma série de estranhas coincidências entre o seu cotidiano e a lenda do rei Arthur -nomes similares, triângulos amorosos, sociedades secretas -, mas qual seria seu verdadeiro papel nessa história? Como em Camelot, estariam seus novos amigos fadados a um trágico destino? E, pior, o que ela pode fazer para impedir que uma profecia milenar se cumpra mais uma vez?

 

De J. K. Rowling:

 

c-potter-pedra

 

     

           Harry Potter e a pedra filosofal, RJ, Rocco: 2000:263 páginas

 

 

Primeiro volume da série. Prepare-se para entrar no mundo da magia, sonhar com os feitiços que só se aprendem em Hogwarts e detestar uma família adotiva. Este é um resumo raso do mundo de Harry Potter, o menino que tem um raio na testa. De forma divertida, no ritmo dos melhores filmes de aventura, a escocesa J.K. Rowling está conquistando o mundo com a série, que deverá chegar a sete volumes.

 

a-potter-camara

 

 

           Harry Potter e a câmara secreta, RJ, Rocco: 2000: 288 páginas

 

Segundo livro da saga do atrapalhado aprendiz de feiticeiro. Desta vez, terríveis perigos rondam o Colégio Hogwarts de Magia e Feitiçaria. Harry e seu amigo Ron terão que enfrentar tenebrosos monstros e, o que é pior, a encarnação nada amigável de seu inimigo número um: Lorde Voldemort.

 

 

a-potter-e-o-prisioneiro

 

Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, RJ, Rocco: 2000: 366 páginas

 

As aulas estão de volta a Hogwarts e Harry Potter não vê a hora de embarcar no Expresso a vapor que o levará de volta à escola de bruxaria. Mais uma vez suas férias na rua dos Alfeneiros, 4, foi triste e solitária. Tio Válter Dursley estava especialmente irritado com ele, porque seu amigo Rony Weasley tinha lhe telefonado. E ele não aceitava qualquer ligação de Harry com o mundo dos mágicos dentro de sua casa. A situação piorou ainda mais com a chegada de tia Guida, irmã de Válter. Harry já estava acostumado a ser humilhado pelos Dursley, mas quando tia Guida passou a ofender os pais de Harry, mortos pelo bruxo Voldemort, ele não agüentou e transformou-a num imenso balão. Irritado, fugiu da casa dos tios, indo se abrigar no Beco Diagonal.

 

Lá ele reencontra Rony e Hermione, seus melhores amigos em Hogwarts e, para sua surpresa, é procurado pelo próprio Ministro da Magia. Sem que Harry saiba, o ministro está preocupado com o garoto, pois fugiu da prisão de Azkaban o perigoso bruxo Sirius Black, que teria assassinado treze pessoas com um único feitiço e traído os pais de Harry, entregando-os a Voldemort. Sob forte escolta, o garoto é levado para Hogwarts.

 

Na escola as dificuldades são as de sempre: Severo Snape, o professor de Poções, o trata cada vez pior, enquanto ele tem de se esforçar nos treinos de quadribol, e levar Grifinória à vitória do campeonato. Para piorar a situação, os terríveis guardas de Azkaban, conhecidos por dementadores, estão de guarda nos portões da escola, caso Sirius Black tente algo contra Harry. Por fim, Harry tem de enfrentar seu inimigo para salvar Rony e obrigado a escolher entre matar ou não aquele que traiu seus pais.

a-potter-eo-calice

 

           Harry Potter e o cálice de fogo, RJ, Rocco: 2001: 584 páginas

 

Verão, Harry Potter, agora com 14 anos, sente sua cicatriz arder durante um sonho bastante real com Lord Voldemort, o qual não consegue esquecer; três dias depois, já em companhia da família Weasley, com quem foi passar o restante das férias, na final da Copa Mundial de Quadribol, os Comensais da Morte, seguidores de Você-Sabe-Quem, reaparecem e alguém conjura a Marca Negra ? o sinal de Lord Voldemort ? projetando-a no céu pela primeira vez em 13 anos, causando pânico na comunidade mágica. Será que o terrível bruxo está voltando? Tudo indica que sim…

 

O ano letivo já começa agitado. Harry volta para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts para cursar a quarta série. Acontecimentos inesperados ? como, por exemplo, a presença de um novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas e um evento extraordinário promovido na escola ? alvoroçam os ânimos dos estudantes. Para surpresa de todos não haverá a tradicional Copa Anual de Quadribol entre Casas. Será substituída pelo Torneio Tribuxo, uma competição amistosa entre as três maiores escolas européias de bruxaria ? Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang ? que não se realizava havia um século. A competição é dividida em tarefas, cuja finalidade é testar a coragem, o poder de dedução, a perícia em magia e a capacidade de enfrentar o perigo dos campeões. Liderados pelo professor Dumbledore, os alunos de Hogwarts terão de demonstrar todas as habilidade mágicas e não-mágicas que vêm adquirindo ao longo de suas vidas.

 

Apesar de alunos menores de 17 anos não poderem se inscrever no Torneio, inexplicavelmente Harry é escolhido pelo Cálice de Fogo, um grande copo de madeira toscamente talhado cheio até a borda com chamas branco-azuladas, para competir como um dos campeões de Hogwarts. Tendo a seu lado os fiéis amigos Rony Weasley, Hermione Granger e agora também o seu padrinho, o bruxo Sirius Black, que fugiu de Azkaban no ano anterior, o menino feiticeiro tentará escapar mais uma vez das armadilhas de Lord Voldemort.

 

Além de todos os desafios, há feitiços a serem aprendidos, poções a serem preparadas e aulas de Adivinhação, entre outras, a serem assistidas, Harry terá que lidar ainda com os problemas comuns da adolescência: amor, amizade, aceitação e rejeição.

 

Harry Potter é o tipo de livro que fascina, encanta, surpreende e prende a atenção até o último segundo. Uma série recomendada para todas as idades.

 

 

a-potter-e-fenix

 

 

 

           Harry Potter e a Ordem da Fênix, RJ, Rocco: 2003: 702 páginas

 

 

O quinto volume da série Harry Potter traz a mais longa das aventuras do aprendiz de feiticeiro: tem cerca de 255 mil palavras, pesa 800 gramas e tem tudo para surpreender os leitores. J. K. Rowling chegou a revelar que chorou ao escrever a morte de um dos personagens mais ligados a Harry Potter em A Ordem da Fênix, cujo título faz menção a uma sociedade secreta envolvendo parte dos professores da Escola de Magia. No livro, Harry não é mais um garoto. Aos 15 anos, continua sofrendo a rejeição dos Dursdley, sua estranhíssima família no mundo dos “trouxas”, ou seja, todos os que não são bruxos. Também continua contando com Rony Weasley e Hermione Granger, seus melhores amigos em Hogwarts, para levar adiante suas investigações e aventuras. Mas o bruxinho começa a sentir e descobrir coisas novas, como o primeiro amor e a sexualidade. Nos volumes anteriores, J. K. Rowling mostrou como Harry foi transformado em celebridade no mundo da magia por ter derrotado, ainda bebê, Voldemort, o todo-poderoso bruxo das trevas que assassinou seus pais. Neste quinto livro da saga, o protagonista, numa crise típica da adolescência, tem ataques de mau humor com a perseguição da imprensa, que o segue por todos os lugares e chega a inventar declarações que nunca deu. Harry vai enfrentar as investidas de Voldemort sem a proteção de Dumbledore, já que o diretor de Hogwarts é afastado da escola. E vai ser sem a ajuda de seu protetor que o jovem herói enfrentará descobertas sobre a personalidade controversa de seu pai, Tiago Potter, e a já anunciada morte de alguém muito próximo. O desaparecimento de um dos personagens centrais da trama é um dos trunfos de A Ordem da Fênix que, com isto, transforma-se no livro mais dramático da série até agora. Não foi por acaso que J. K. Rowling chegou às lágrimas escrevendo.

 

a-potter-e-principe

 

           Harry Potter e o enigma do príncipe, RJ, Rocco, 2005: 510 páginas

 

 

Este é o sexto volume das aventuras de Harry e seus amigos. Esta turma agora está no sexto ano da escola de Bruxaria e Magia Hogwarts.   Em meio à batalha entre o bem e o mal, o poder de Voldemort e seus seguidores está aumentando dia após dia e a luta contra Voldemort não está indo bem. Ron procura por nomes familiares nas páginas do obituário do Profeta Diário. A Ordem da Fênix já sofreu algumas perdas. Os gêmeos Weasley ampliam seus negócios. Adolescentes lutam e se apaixonam. As aulas não têm sido fáceis, embora Harry receba ajuda do misterioso príncipe. Em Hogwarts, Harry procurará pela verdadeira e completa história do menino que se tornou Lord Voldemort – e assim, descobrirá o que pode ser sua única vulnerabilidade.

 

 

a-potter-morte

 

           Harry Potter e as relíquias da morte, RJ, Rocco, 2007: 590 páginas

 

 

 

A conclusão da saga do bruxinho mais querido do mundo esta prestes de começar!  Voldemort está cada vez mais forte e Harry Potter precisa encontrar e aniquilar as Horcruxes para enfraquecer o Lorde das Trevas e poder enfrentá-lo. Nessa busca desenfreada, contando apenas com os leais amigos Rony e Hermione, Harry descobre as Relíquias da Morte, que serão úteis na batalha do bem contra o mal. Ação eletrizante conduzida com maestria por J. K. Rowling, concluindo os passos de herói de Harry Potter na maior saga bruxa de todos os tempos.

 

 

 

De Júlio Verne:

 

 

 

a-ilha-misteriosa

 

           A ilha misteriosa, RJ, Ediouro, 2006: 204 páginas

 

 

Um balão cai perto de ilha desconhecida no Oceano Pacífico. Os cincos sobreviventes enfrentam os obstáculos naturais impostos pela ilha misteriosa, desde animais selvagens e temperaturas extremas a um navio repleto de piratas. Nessa história empolgante, com um final surpreendente, Verne combina aventura e pesquisa científica em uma narrativa clara e dinâmica, entremeada pelo humor, ironia e criatividade.  

 

O artigo também menciona o livro Pippi Meialonga, de Astrid Lindgren, que tem duas edições no momento, a maior delas com 208 páginas .  Seguido em popularidade por Túneis de Brian Williams e Roderick Gordon com 480 páginas.





Maria de Sanabria, de Diego Bracco

26 02 2009

barcos20026

 

 

 

 

Um bom romance histórico sempre me fascinou, principalmente quando o autor, como o uruguaio Diego Bracco, é um professor de história e tem o cuidado de colocar as fontes, ou a documentação em capítulo à parte como é o caso no livro Maria de Sanabria [ Rio de Janeiro, Record: 2008]. A vantagem destes romances quando são escritos por um historiador é que temos a impressão de aprender mais do que se estivéssemos sentados numa sala de aula atentos às explicações dos cuidados necessários, por exemplo, com a organização de uma expedição à América do Sul no século XVI.

 

E é esta exatamente a história fascinante que nos leva a conhecer bem mais de perto Maria de Sanabria, a organizadora da chamada expedição das mulheres  que atravessou o Atlântico em 1550.  Seis anos são necessários para que o grupo expedicionário tendo  chegado a Santa Catarina, depois de uma estadia muito difícil na costa do Brasil, que durou dois anos, procure, mais ao norte, a proteção dos portugueses na província de  São Paulo e finalmente chegue a Assunção, no Paraguai, um vilarejo ainda diminuto em 1556.  Lá, Maria de Sanabria se estabelece para ficar.  Seu filho do primeiro casamento tornou-se um monge franciscano e mais tarde um “dos grandes protagonistas da vida religiosa e intelectual no Rio da Prata.”  Enquanto que seu filho do segundo casamento, Hernandarias foi três vezes governador e grande protagonista civil e militar no Rio da Prata, uma figura de grande importância na história do Paraguai, da Argentina e do Uruguai.

 

bracco

 

A vantagem deste romance é que podemos adentrar a vida diária, o desenrolar das tarefas comuns da época e entender as razões e as necessidades destas pessoas, melhor ainda do que se estivéssemos lendo uma tese de mestrado, descrevendo detalhes do dia a dia das limitações e dos compromissos que estavam implícitos numa família burguesa e também o que era ou não prescrito para uma mulher em Sevilha, neste período.  

 

É de grande virtude o fato deste historiador ser um ótimo contador de histórias.  Na verdade, Diego Bracco já foi honrado com o Prêmio de Narrativa da Universidade de Sevilha e com o Prêmio Revelação da Feira do Livro do Uruguai com o seu romance anterior:  El mejor de los mundos.  Digo isto, porque apesar de detalhes interessantíssimos, a narrativa corre suavemente, cheia de aventura e imprevistos, cheia de ação e simpatia para com Maria de Sanabria, de tal forma que as 270 páginas deste livro são lidas rapidamente, como num bom livro de aventuras.  

 

diego-bracco

Escritor e historiador Diego Bracco.

Há no entanto grande cuidado com a verdade histórica.  A descrição por exemplo dos preparativos da saída de Sevilha podem nos dar um gostinho desta preciosa maneira de contar a história:

 

Na última terça-feira de janeiro de 1550, a catedral de Sevilha recebeu com pompa e circunstância os que se preparavam para participar da expedição.  Depois da primeira missa da manhã, todos foram em procissão até o cais, levando uma imagem abençoada de Nossa Senhora das Mercês.  Os poucos que deviam conduzir a nau rio abaixo e os muitos que se juntariam a eles em Sanlúcar de Barrameda despediram-se como quem deixa uma festa e promete se encontrar na seguinte.  Pouco tempo, poucas e precisas manobras e uma única vela foram suficientes para que a embarcação desse início à viagem.  Uma multidão de curiosos fez seu rumor pairar sobre o navio que começava a se afastar em direção à desembocadura do rio.  Atrás da esteira d’ água, como se quisessem alcançar os que se distanciavam, ouviam-se risadas prognosticando infernos e também bênçãos lançadas como beijos no ar; prantos de mães pressentindo o pior e aclamações aos heróis que voltariam distribuindo ouro. [p. 150].

galeoesnaus_1

 

Mas além de este ser um ótimo romance, além de ser rico em detalhes de época, um outro aspecto que o faz sensacional é justamente o resgate da história desta corajosa mulher, que se rodeou de outras mulheres para ganhar um espaço na história, para fazer, sua, a aventura do século.  Gosto de ver que as gerações de hoje e de amanhã, diferentemente da minha, têm e terão exemplos de mulheres corajosas e aventureiras que existiram de verdade.  Mulheres cujos retratos podem servir de exemplo de vida para todas as meninas e jovens que ainda hoje  vêem seus sonhos de aventura desconsiderados, minados, cerceados por costumes, pela família, por limitações que não lhes pertencem.   Leiam o livro, vale a pena!





Tuareg, romance/aventura de Alberto Vazquez-Figueroa

23 02 2009

mo-skett-australia-the-tuareg-2008

Tuareg, 2007

Mo Skett (Austrália)

Aquarela sobre papel

 

 

 

Minha fascinação com o deserto, com o norte da África, com os bérberes, data de muito tempo.  Foi parcialmente domada pelo ano que morei em Oran, na Argélia.  Foi naquela época que deixei de lado idéias românticas da vida no local, em grande parte feitas robustas pelos escritores e pintores europeus do século XIX, que conseguiram gravar na minha imaginação cenas de maravilhosos banhos públicos, circundados por paredes cobertas de azulejos com desenhos abstratos e colorido especial; ricos ambientes com dezenas de tapetes grossos de lã, cuja arte de fiação local, transformava em sedosos, brilhantes e macias cobertas protetoras para os pés;  adereços de ouro, pulseiras escravas; roupas de odalisca e tudo mais com que a imaginação romântica de uma adolescente poderia se deslumbrar.  Essas idéias foram rapidamente aparadas, reduzidas quando da minha estadia na moderna cidade de Oran nos anos 80.

 

Mas meu interesse por este pedaço do mundo nunca chegou a se apagar.  E, se quando saí da Argélia havia chegado a um ponto saturação com uma cultura radicalmente oposta à minha – a saturação veio na terceira semana do Ramadã, em que os dias são trocados pelas noites –, saí daquele país ciente de que ainda teria que voltar ao norte da África.  Não quis naquela época emendar a minha viagem com a Tunísia ou os Marrocos porque sabia que era preciso fazer jus aos povos que aí habitavam sem trazer comigo preconceitos desenvolvidos ao longo da minha estadia em Oran.  

 

 

tipaza4

 

Tipaza, Argélia: teatro romano

 

 

Houve naquele ano na Argélia duas visitas que me marcaram para sempre e que estarão vívidas na minha imaginação até os meus derradeiros dias: a visita às ruínas romanas de Tipaza e a visita ao deserto de Saara, mais particularmente, ao oásis que abriga cinco cidades, inclusive a cidade de Ghardaia, também chamado de Pentápolis.   Esta passagem pelo deserto foi de uma beleza sem igual, um momento em que tudo se cala diante do espetáculo da natureza.  Sempre imaginei voltar.  

 

Com esta dívida à mim mesma foi com grande satisfação que comecei 2009 com a leitura de um livro surpreendente,  Tuareg, do escritor espanhol Alberto Vazquez-Figueroa (LP&M: 1988, reimpressão, 2008).  Este foi o primeiro livro de Vazquez-Figueroa que li.  Não o conhecia.  Fiquei certamente encantada com sua habilidade narrativa, extremamente evocativa.  Sua descrição do deserto, das paisagens inóspitas que fazem parte do dia a dia dos Tuaregs, é absorvente e sedutora.

 

 

tuareg

 

É importante também reconhecer que Vazquez-Figueroa consegue num enredo simples e linear trazer a tona os problemas da colonização de povos anciães, tais como os Tuaregs: Gacel Sayad – personagem principal do romance — é imensamente desonrado quando assassinam uma pessoa que estava protegida, sob seu teto, no deserto.  Não há maior desonra.   Faz-se necessário que ele puna aqueles que cometeram este ato. E assim começa uma aventura no deserto, uma sequência de perseguições, de dissimulações, truques, golpes, tudo parte de uma perseguição da qual ninguém sai vencedor.  

 

Tomando por base o conhecimento dos princípios que regem as ações de Gacel Sayad, é impossível não simpatizar com ele e reconhecer que para aqueles que vivem no deserto nas circunstâncias em que eles vivem o conceito de país, de fronteira, de nacionalidade não só não existe como não faz sentido.   E mesmo que não se aprove os diversos assassinatos que ele conduz, nossa simpatia e lealdade estão com ele até o final, porque sabemos que são ações baseadas num extraordinário senso de justiça, mesmo que esta justiça seja completamente diferente da aceita pelo leitor.  

 

morocco-tuareg

Tudo isso é particularmente assessorado por uma belíssima prosa, em que as cenas mais corriqueiras conseguem se transformar em imagens poéticas e sonhadoras:

 

A noite se fechara sobre a planície pedregosa, a primeira hiena riu longe e tímidas estrelas piscaram em um céu que, logo, estaria todo tomado por elas, no belíssimo espetáculo que nunca cansava de admirar.  Eram essas estrelas, das noites de paz, talvez, que o ajudavam a persistir, após um longo dia de calor, tédio e desesperança.  “Os tuareg espetam as estrelas com suas lanças para, com elas, iluminar os caminhos…Um belo ditado do deserto, nada mais que uma frase, mas quem a inventou conhecia bem aquelas noites e aquelas estrelas, e sabia também o que significava contemplá-las horas a fio, de tão perto.

 

Descrições detalhadas do deserto, da experiência do deserto, são,  não só essenciais para o comportamento de Gacel Sayad, mas provavelmente parecem verdadeiramente precisas porque o Vazquez-Figueroa, tendo nascido no Tenerife, passou sua infância no Saara, antes de estabelecer residência em Madri.  

 

vazquezfigueroa_en1

O escritor: Alberto Vazquez-Figueroa

Poucos de seus livros estão traduzidos para o português.  Além de Tuareg encontrei O iguana, não obstante, vou fazer um esforço para ler seus outros livros.  O sucesso de Tuareg, que vendeu mais de dois milhões de exemplares na Espanha e na América Espanhola não vem sem motivo.  É um ótimo livro, em que o entretenimento, a aventura, não tiram de foco considerações mais sérias sobre a colonização e o estupro cultural de povos cujas bases culturais são tão antigas quanto a humanidade.  

 





A última aventura de Rumpole

18 01 2009
Escritor Sir John Mortimer, 2006, The Guardian

Escritor Sir John Mortimer, 2006, The Guardian

Sir John Mortimer, um dos meus escritores favoritos, passou desta para a outra aos 85 anos.  O escritor inglês deixa para trás milhares e milhares de seguidores de seus livros e principalmente de seu mais conhecido personagem, Horace Rumpole, of the Bailey, o temível defensor de muitos Zé-niguéns, que só se calava frente à sua impagável esposa Hilda, — “a quem é preciso obedecer”.

 

 

A última publicação

A última publicação

 

 

Sir John Mortimer, escritor e advogado.  Teve uma carreira brilhante como advogado de defesa, em casos importantes, sempre defendendo a liberdade de expressão.  Formado pela Universidade de Oxford, trabalhou a vida inteira como advogado em tribunais britânicos.  Teve uma carreira brilhante.  Ficou conhecido por sua defesa de casos notórios que envolviam a liberdade de expressão.  Entre eles, defendeu a editora Penquin contra acusações de obscenidade, pela publicação de “O Amante de Lady Chatterley na década de 60. Mais tarde, ele representou a revista “Oz em um julgamento sobre obscenidade.  Sempre conciliou a vida de escritor com a de advogado.  Era conhecido por escrever seus livros de manhã, antes de sair para o trabalho no tribunal.

 

Coletânea, volume I

Coletânea, volume I

 

Seu nome passou a ser ainda mais conhecido fora dos círculos ingleses quando a televisão pública nos EUA, a PBS [ Public Broadcasting Service] levou a série inglesa, Rumpole of the Bailey, na televisão, caracterizado pelo ator Leo McKern.

Coletânea, volume 2

Coletânea, volume 2

Mortimer, morre depois de uma longa batalha contra um mal incurável.   Mas até recentemente ainda ia de cadeira de rodas a um grande número de eventos culturais, concertos e teatro na Inglaterra.   Uma de suas filhas é a atriz inglesa: Emily Mortimer.

 

 

Desconheço se seus livros foram alguma vez publicados no Brasil.