… não sou terráqueo, sou brasileiro!

12 03 2009

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Capa do livro:  Viagens de João Peralta e Pé-de-moleque de Luis Díaz Correa.

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O interrogatório

 

O rei perguntou aos meninos:

 

— Quem são vocês?

 

— Nós somos…

 

— Eu sou…

 

— Fale de uma vez.  Comece você; e indicou Joãozinho.

 

— Eu sou um  menino brasileiro, filho do Sr. Nazário, um homem  muito bom, e me chamo João Peralta.

 

— O Brasil tem muitos meninos peraltas, disse o rei.

 

Pé-de-Moleque deu uma risadinha.  O rei olhou-o carrancudo e berrou:

 

— E você tem cara de ser o mais peralta de todos!…  Diga, e você quem é?

 

— Eu sou Pé-de-Moleque, filho da Benedita cozinheira.  Ela é muito boa mãe e há de me pregar uma sova bem merecida por ter cometido a tolice de vir parar numa terra onde me chamam de terráqueo!  Eu não sou terráqueo, sou brasileiro!

 

 

Em: Viagens de João Peralta e Pé-de-Moleque, Menotti Del Pichhia.

 

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O escritor Paulo Menotti del Picchia

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Paulo Menotti Del Picchia (São Paulo, 1892 — 1988) foi um poeta, escritor e pintor modernista brasileiro. Foi deputado estadual em São Paulo.   Foi também advogado, tabelião, industrial, político entre outras funções assumidas durante sua vida.

 

Com Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros jovens artistas e escritores paulistas, participou da Semana de Arte Moderna de Fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. Em 1943, foi eleito para a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras, tendo sido suas principais obras Juca Mulato (1917) e Salomé (1940). Um livro seu de elevada popularidade é Máscaras (1920), pela sua nota lírica.

 

 

Obras:

 

A “Semana” Revolucionária Crítica, teoria e história literárias, 1992  

A Angústia de D. João, Poesia 1922  

A Crise Brasileira: Soluções Nacionais Crítica, teoria e história literárias 1935  

A Crise da Democracia Crítica, teoria e história literárias 1931  

A Filha do Inca, Romance e Novela 1949  

A Longa Viagem Crítica, teoria e história literárias 1970  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1922  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1923  

A Outra Perna do Saci Romance e Novela 1926  

A República 3000, 1930  

A Revolução Paulista Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Revolução Paulista Através de um Testemunho do Gabinete do Governador Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Tormenta, Romance e Novela 1932  

A Tragédia de Zilda, Romance e Novela 1927  

Angústia de João, Poesia 1925  

As Máscaras, Poesia 1920  

Chuva de Pedra, Poesia 1925  

Curupira e o Carão, Conto 1927  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1922  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1925  

Flama e Argila, Romance e Novela 1919  

Homenagem aos 90 anos, Outros 1982  

Jesus: Tragédia Sacra Teatro 1933  

Juca Mulato Poesia 1917  

Juca Mulato Poesia 1924  

Kalum, o Mistério do Sertão Romance e Novela 1936  

Kummunká Romance e Novela 1938  

Laís Romance e Novela 1921  

Máscaras Poesia 1924  

Moisés Poesia 1924  

Moisés: Poema Bíblico Poesia 1917  

Nacionalismo e “Semana de Arte Moderna” Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1962  

Nariz de Cleópatra Crônicas e textos humorísticos 1923  

No país das formigas Literatura Infanto-juvenil   

Novas Aventuras de Pé-de-Moleque e João Peralta Romance e Novela   

O Amor de Dulcinéia Romance e Novela 1931  

O Árbrito Romance e Novela 1959  

O Crime daquela Noite Romance e Novela 1924  

O Curupira e o Carão Crítica, teoria e história literárias   

O Dente de Ouro Romance e Novela 1924  

O Despertar de São Paulo Crítica, teoria e história literárias 1933  

O Deus Sem Rosto Poesia 1968  

O Gedeão do Modernismo Crítica, teoria e história literárias 1983  

O Governo de Júlio Prestes e o Ensino Primário Crítica, teoria e história literárias   

O Homem e a Morte Romance e Novela 1922  

O Homem e a Morte Romance e Novela 1924  

O Momento Literário Brasileiro Crítica, teoria e história literárias   

O Nariz de Cleópatra Romance e Novela 1922  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Pão de Moloch Miscelânea 1921  

Pelo Amor do Brasil, Discursos Parlamentares Crítica, teoria e história literárias   

Pelo Divórcio, s/d   

Poemas Poesia 1946  

Poemas do Vício e da Virtude Poesia 1913  

Poemas Sacros: Moisés e Jesus Poesia 1958  

Poesias Poesia 1933  

Poesias (1907-1946) Poesia 1958  

Por Amor do Brasil Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1927  

Recepção do Dr. Menotti Del Picchia na Academia Brasileira de Letras Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1944  

República dos Estados Unidos do Brasil Poesia 1928  

Revolução Paulista, 1932  

Salomé Romance e Novela 1940  

Seleta em Prosa e Verso Poesia 1974  

Sob o Signo de Polumnia Crítica, teoria e história literárias 1959  

Soluções Nacionais,  1935  

Suprema Conquista Teatro 1921  

Tesouro de Cavendish: Romance Histórico Brasileiro Crítica, teoria e história literárias 1928  

Toda Nua Romance e Novela   

Viagens de João Peralta e Pé-de- Moleque Literatura Infanto-juvenil





Imagem de leitura — Gustave Leonhard de Johnge

12 03 2009

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Momentos de lazer,

Gustave Leonhard de Johnge (Bélgica 1829-1893)

óleo sobre tela

 

 

 

 

Gustave Leonhard de Johnge (Bélgica 1829-1893) . Filho de Jan Baptist e aluno de Navez.  Pintou retratos, cenas históricas e cenas de família.  Ganhou medalhas de ouro nas exposições de Amsterdam em 1862 e na de Paris em 1863.  Sua grande especialidade foram os retratos de mulher.  Conhecido pelo especial cuidado na representação de tecidos finos, sedas, veludos, e outros materiais semelhantes que tornaram o grande numero de interiores que pintou obras de grande charme e extremamente procuradas por colecionadores.





Tique tique … tique, taque — poeminha para crianças

12 03 2009

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Ilustração Blanche Wright

 

 

 

Tique, tique… tique, taque

 

                              Maria dos Reis Campos

                             e Alcina M. de Sousa

 

 

Tique, tique… tique, taque

Bate dentro de meu peito

um coração todo feito

tique, tique… tique, taque…

para amar a vovozinha,

que é só minha!  que é só minha!

 

 

Em: Surpresas e mais surpresas, de Magdala Lisboa Bacha, da série Que Aconteceu? — primeiro livro, Rio de Janeiro, Agir:1962





Autores favoritos das crianças

11 03 2009

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***

 

Apesar de eu não estar ligada diretamente à educação, por causa das minhas escolhas de postagem, dando ênfase a livros e poesia para os jovens, freqüentemente amigos e conhecidos me perguntam o que comprar para um presente para um jovem leitor.  E eu me acho na posição extremamente delicada de sem conhecer a personalidade do pequeno leitor ir dando palpites na esperança de não errar muito feio.  Por coincidência, hoje voltei a um portal sobre livros que não visitava há muito tempo: Oyo e encontrei por lá uma lista dos autores preferidos entre leitores infanto-juvenis com os respectivos livros favoritos.  A amostra é muito pequena, mas já dá para se ter uma idéia do que anda lendo este leitor infanto-juvenil.  Repasso aqui a lista dos 10 primeiros colocados e a sugestão dos dois livros mais favorecidos pelas crianças, um o recomendado pelo portal, o outro entre os mais vendidos do autor.  Isto é válido para a maioria na lista a não ser os seguintes casos: há dois autores cujos livros não foram especificados.  Os Irmãos Grimm e Rubem Alves, respectivamente os 4° e 8° colocados.  Neste caso, fui ver a obra destes autores que se encontra entre as mais vendidas e coloquei aqui como sugestão.  E há Antoine Saint-Exupéry que fica simplesmente com o Pequeno Príncipe.

 

 

Autores favoritos para leitura infanto-juvenil:

 

 

 

    Monteiro Lobato  Memórias da Emília e

                                            O saci

 

 

    J. K. Rowling  Harry Potter e as relíquias da morte

                                      Harry Potter e  o prisioneiro de Azkaban

 

 

    Antoine de Saint-Exupéry – O pequeno príncipe

 

 

    Irmãos Grimm – A guardadora de gansos e

                                      Os seis criados do príncipe

 

 

    Ana Maria Machado – Cinco estrelas [antologia poética]

                                                  O menino que espiava para dentro

 

 

    Ruth Rocha – Marcelo Marmelo Martelo e outras histórias

                                Quem tem medo de dizer não?

 

 

    Pedro Bandeira —  A marca de uma lágrima

                                        A onça e o saci

 

 

    Rubem Alves – O país dos dedos gordos

                                   Lagartixas e dinossauros

 

 

    Walcyr Carrasco – A corrente da vida

                                         As asas do Joel

 

 

10º    Thalita Rebouças  Fala sério, mãe!

                                              Fala sério, amiga!





Brasil que lê: foto tirada em lugar público

11 03 2009

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Café da manhã na boa companhia de um livro!  Copacabana, RJ





Murucututu — cantiga de ninar — Wilson Woodrow Rodrigues

10 03 2009

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Ilustração de Walt Disney.

 

 

 

 

 

 

O MURUCUTUTU

 

 

                                                   Wilson Woodrow Rodrigues

                                                     

 

 

( Cantiga de ninar )

 

Murucututu,

que está escondidinho

na copa folhuda

do pé de araçá.

 

Murucututu,

o meu irmãozinho

precisa de sono,

onde é  que ele está ?

 

Murucututu,

amigo da lua,

que não teme a noite

que não tem luar.

 

Murucututu,

que sorte é a sua

ir dentro da noite

o sono buscar.

 

Murucututu.

o meu irmãozinho

que não tinha sono

sonhando já está?

 

 

 

 Wilson Woodrow Rodrigues — poeta, folclorista, jornalista, professor e técnico de educação.  Nasceu em 6 de julho de 1916, na cidade de São Salvador, Bahia.  Filho do Cel. Julio Rodrigues de Sousa e de D. Josina Parente Rodrigues, família do Recôncavo Baiano.  Desde menino revelou vocação para a poesia, tendo publicado as suas primeiras composições em periódicos escolares.  Seu primeiro livro publicado teve as bençãos antecipadas do poeta Jorge de Lima.   

 

Obras:

 A caveirinha do preá,  Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

 

Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro

O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro

O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Bahia flor, 1948 (poesias)

Folclore Coreográfico do Brasil, 1953

Contos, s/d

Contos do Rei-sol, s/d

Contos dos caminhos, s/d

Pai João, 1952

Sombra de Deus

Pai João, 1952

Lendas do Brasil





Imagem de leitura — Paul Ledent

10 03 2009

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Lendo, 2006

Paul Ledent (Bélgica 1952)

óleo sobre tela

 

 

 

Pol Ledent nasceu na Bélgica em 1952.  Começou a pintar em 1989.  Primeiro usou aquarela, mas logo passou a pintar a óleo, que ele considera um melhor meio para o seu trabalho.  Autodidata, ele não tem fugido de cursos de desenho.





Mil tsurus ou Nuvens de Pássaros Brancos de Yasunari Kawabata

10 03 2009

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Foi durante o Carnaval de 2009 que encontrei a paz necessária para me dedicar à leitura de Nuvens de pássaros brancos [Nova Fronteira: 1969], meu primeiro livro do escritor japonês Yasunari Kawabata, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1968 e considerado um dos maiores escritores do século XX no Japão.  

 

Neste livro, que curiosamente também foi editado no Brasil, por outros editores, com um outro nome: Mil Tsurus, seguimos os problemas de Kikuji Mitani, que depois da morte de seu pai acaba se encontrando durante uma cerimônia de chá com duas antigas amantes do falecido: a viúva Ota  e Chikako Kurimoto.   A partir deste momento, Kikuji é um pequeno inseto preso nas teias que essas mulheres tecem à sua volta.  Chikako luta por arranjar um casamento para Kikuji.  E a senhora Ota, passa a ter um relacionamento amoroso com Kikuji, filho de seu antigo amante.   Há ainda a bela e sedutora Fumiko, filha da Sra. Ota, que aos poucos cava um lugar para si própria no coração de Kikuji.  As intrigas entre todas as mulheres são constantes e bastante malévolas.  E mesmo sem ser uma conhecedora da literatura japonesa em geral elas me lembraram as intrigas da corte, tão bem retratadas nas histórias de Genji.   

 

 

kawabata

 

 

 

Mesmo através de tradução, neste caso feita por Paulo Hecker Filho, podemos sentir uma linguagem extremamente poética e delicada, quase ritualística, um paralelo perfeito aos procedimentos da cerimônia do chá, que neste romance tem papel central no desenvolvimento da trama, servindo também de contraponto de beleza e serenidade a um mundo que apesar de dominado por gestos gentis, pela beleza das mulheres, é repleto de disse-me-disses, de alfinetadas, que criam distúrbios numa vida que poderia, outrossim, ser tão bucólica e meticulosa quanto a cerimônia em questão.  

 

Surpreendente, é ver este jovem, que capaz de desfrutar dos prazeres sensuais mais diversos, capaz de imaginar prazeres e de se render ao desejo sexual, se deixar dominar não só pelos rituais e costumes da boa forma, como e principalmente pelas mulheres que o cercam.  Kikuji é quase uma vítima de conjecturas femininas, de ações que por pouco não lhe destituem de todo, ou quase todo, o poder sobre sua vida.  

 

Reconheço que, provavelmente para apreciar devidamente, para saborear  as descrições sensíveis dos personagens, deveria ser útil uma maior familiaridade com a cerimônia do chá no Japão.  No entanto, mesmo sem este conhecimento, reconheço a felicidade de certas imagens que Kawabata seleciona no romance, como as marcas de batom da Sra. Ota  no mizusachi , uma imagem belíssima, poética e representativa da presença permanente desta senhora em sua vida e na vida de sua filha.

 

Estudiosos da obra de Kawabata dizem que há três assuntos que permeiam os romances do autor: o mundo feminino, a sexualidade humana e o tema da morte.  Todos os três estão presentes neste romance.  Todos delicadamente manuseados, talhados, desenhados para que se incluam no romance com naturalidade e poesia.   Com mestria. 

 

 

kawabata-1 O escritor Yasunari Kawabata

 

 

Recomendo a leitura deste livro.  É fascinante, mesmo que às vezes se tenha a noção de não se estar captando tudo, tudo que foi selecionado e representado pelo autor, por falta de familiaridade com a cultura japonesa.   Não importa.  Vale a pena.





Quadrinha para crianças, sobre animais

10 03 2009

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Dizem sempre nossos pais

frases de grande razão:

Maltratar os animais

prova ter mau coração.

 

Leonor Posada

 

 

 

Leonor Posada, (Cantagalo, RJ 1893 – Rio de Janeiro, RJ, 1960) Poeta, teatróloga, professora.

 

Obras:

 

Plumas e espinhos,  poesia, 1926

Leituras cívicas, didático, 1943

Guia de redação, didático, 1953

Serenidade, poesia, 1954

Os primeiros passos na redação, 1956

 

 

Em: Terra Bandeirante: a vida na cidade e na roça no Estado de São Paulo, 2° ano, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1954

 

 

 

Outras quadrinhas neste blog:

 

 

Ser criança

O dia

Gato e rato

Passarinhos





Evitando acidentes XVIII

9 03 2009

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Cuidado!  Olhe pra frente!

Você pode se queimar no ferro quente!