Minha profissão: Fernanda Nunes, cientista social

27 03 2011

Fernanda Nunes

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Esta é a sétima entrevista com o título Minha profissão, que foca em jovens profissionais falando sobre suas preparações para exercerem as profissões que têm.  As anteriores incluem: bibliotecária, músico, empresária em comércio exterior, fotógrafo, analista de sistemas, designer industrial.

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Fernanda Nunes, cientista social—-

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Perfil

Sou formada em Ciências Sociais pelo CPDOC/FGV. Fui bolsista de iniciação científica (CNPq) nas pesquisas “A construção da favela carioca como destino turístico” e “Ações solidárias e o consumo de experiências: um estudo sobre o campo do ‘turismo voluntário’ no Rio de Janeiro“.

Que tipo de trabalho você faz?

O cientista social pode se especializar em três áreas de conhecimento (antropologia, sociologia e ciência política), estando apto a atuar como pesquisador e/ou professor.

Na condição de bolsista, desenvolvi o trabalho de campo em duas favelas cariocas (Rocinha e Pereira da Silva). Durante quatro anos, fiquei responsável pela observação participante, produção de diários de campo, bem como pela realização de entrevistas com diferentes personagens. Após a análise do material coletado, foram publicados artigos (nos quais fui co-autora) e um livro – “Gringo na Laje” (2009), da Prof.ªDrª. Bianca Freire-Medeiros.

 Atualmente, trabalho como assistente de pesquisa, na Fundação Getulio Vargas.  Minha função constitui-se, basicamente, em pesquisar em arquivos e fazer transcrições ou resumos a pedido dos coordenadores das investigações.

 

Você trabalha no campo de sua formação profissional ou trabalha numa área diferente daquela para qual estudou?

No momento, trabalho no campo de minha formação. Embora não desconsidere a minha experiência no âmbito das Ciências Sociais – devido ao meu interesse no desenvolvimento de outras pesquisas-, pretendo seguir carreira na área da saúde coletiva.

Para o trabalho que você faz agora, o que poderia ter sido diferente no seu curso de formação? Não digo para o trabalho que faço agora, mas sim, para o que penso em relação ao meu futuro: acredito que os professores deveriam indicar aos alunos algumas alternativas à carreira acadêmica.

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O que você faz para continuar a se atualizar? A intensa carga de leitura e a participação em congressos e seminários, tanto nacionais quanto internacionais, são imprescindíveis. Ademais, recomendo o ingresso em um programa de pós-graduação.

 

Você precisa usar alguma língua estrangeira frequentemente?

No meu atual trabalho, não. No entanto, nas pesquisas que envolviam favela, turismo e consumo fiz uso do inglês e, algumas vezes, do espanhol, para me comunicar (pessoalmente ou via email) com os meus “nativos”, ou seja, estrangeiros que eram “turistas” ou “voluntários”, nas favelas.

Que conselho daria a um adolescente que precisa decidir que carreira escolher?

Que converse com profissionais da sua área de interesse e que olhe a grade curricular dos cursos, geralmente, disponível no site das universidades.

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Você tem um lugar na internet que gostaria de mostrar para os nossos leitores? Um blog, twitter?

Não tenho nenhum site pessoal, mas recomendo o Scielo (http://www.scielo.org/php/index.php), que abrange uma infinidade de textos acadêmicos. E, para saber mais sobre turismo na favela, indico nosso artigo (online) publicado na Revista “Os Urbanitas”: http://www.aguaforte.com/osurbanitas7/Freire-MedeirosMenezes&Nunes.html





Imagem de leitura — Rhoda Yanow

26 03 2011

 

Hora do chá, s/d

Rhoda Yanow (EUA< contemporânea)

Pastel

www.painting-palace.com

 Rhoda Yanow nasceu em Newark, New Jersey.  Estudou na Parsons School of Design e na  National Academy of Design. Hoje ensina na DuCret School of Art;  no Newark Museum e na  The Pastel Society of America School.  Recebeu em 2002 um prêmio da Community Art Association Award por seus trabalhos em pastel.  A partir daí seus prêmios são muito numerosos para serem listados neste parágrafo.  Sua maior preocupação é retratar a luminosidade em pastels enquanto retrata a vibração dos movimentos.  www.painting-palace.com





O mundo mágico de Célestine Hitiura Vaite

26 03 2011

Mercado de Papeete, Taiti, 2008

Roy Boston

Aquarela,  55 x 35 cm

Aquanetart

Há muito tempo não me acontece de ler um livro e ficar tão encantada que me precipitei a  procurar por outro do mesmo autor.  E ainda mais, acabar a leitura do segundo volume e me sentir tão feliz quanto na primeira vez.  Mas foi exatamente isso que me aconteceu quando li, com a recomendação de um livreiro conhecido, A flor do Taiti de Celéstine Hitiura Vaite [Rocco: 2011]. 

Minha apresentação ao trabalho dessa escritora taitiana deu-se “fora de ordem”, ou seja, li o segundo livro antes de ler o primeiro Os sabores da fruta-pão [Rocco: 2006].  Apesar de terem em comum os mesmos personagens, nada impediu o deleite de qualquer um dos volumes em separado.   São obras totalmente independentes, em que os mesmos personagens reaparecem com suas deliciosas filosofias de vida, maneiras de viver, dizeres na ponta da língua…

O mundo que se apresenta ao leitor de Célestine Hitiura Vaite tem o encanto da simplicidade, do saber popular, da vida “como ela é vivida” por milhões de pessoas no mundo.  Pode-se dizer que a escritora passa ao leitor um mundo realista, porque nele as menores decisões são avaliadas, contadas e elas levam não a conseqüências operáticas, desastrosas ou de grande sucesso, mas levam — de uma maneira ou outra —  ao desenvolvimento da história como acontece na maioria de nossas vidas: nem grandes tragédias, nem grandes transformações. 

Nesse aspecto, Célestine Hitiura Vaite lembra em estilo de narrativa os escritores ingleses.  Interessante, que mesmo tendo sido criada com o francês, — o Taiti ainda faz parte da comunidade francesa, é um “país do francês ultramarino”  – a autora declara na contracapa que se sente mais à vontade escrevendo em inglês.  Se sofreu ou não influência de escritores ingleses tais como Jane Austen, Barbara Pym, Alexander McCall Smith não vem ao caso, o que importa e notarmos que a mesma consideração para as pequenas decisões, para as nuances de comportamento que caracterizam os escritores acima mencionados estão presentes no trabalho dessa taitiana.

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Em A flor do Taiti, nos encontramos com uma família daquele país, onde a personagem principal, Materena Mahi, é uma apresentadora de um popular programa de rádio.  Ela e o marido estão prestes a se tornarem avós e esse evento em suas vidas transforma o dia a dia e os personagens retratados.  Em Os sabores da fruta-pão  nos confrontamos com o relacionamento de Materena e sua única filha – ela tem outros dois meninos.  São outros tempos.  Ela ainda não é apresentadora de rádio e seus filhos ainda estão dando bastante trabalho.  Todos são mais jovens, inclusive Pito, o marido, cujo comportamento em qualquer um dos volumes, levou essa leitora a boas gargalhadas.  Retratada está a sabedoria popular e vemos como a sensibilidade de Materena consegue caminhar por entre assuntos difíceis e espinhosos com a delicadeza e graça.

Apesar de a autora não se dedicar a problemas sociológicos, há através dos dois livros lançados no Brasil (originalmente é uma trilogia) um alerta para alguns problemas sociais, entre eles o grande número de crianças nascidas de pais franceses  radicados no arquipélago durante o serviço militar e que voltam para a França sem reconhecerem os filhos das ligações amorosas no local.  Vemos também a discriminação entre classes sociais, prevalente praticamente no mundo inteiro, assim como o descaso dos homens – todos centrados nos seus próprios umbigos — para com os trabalhos femininos.  No entanto, tudo isso é retratado com muito bom humor e com delicada franqueza.  O que acaba por exaltar a nossa familiaridade com esses assuntos acentuando o alto astral dessas comédias humanas. 

Ambos, A flor do Taiti e Os sabores da fruta-pão,  são romances de costumes que giram em torno de sentimentos e de dúvidas universais.  Não se perdem no retrato da pobreza de uma região do país, nem tampouco tentam solucionar ou delatar problemas socioeconômicos.  Mas em questão está o realismo emocional de uma família que faz tudo para sobreviver bem e que leva a vida tão agradável quanto o absolutamente possível.  Não há como sair de nenhum desses dois romances, sem estarmos felizes com a natureza humana e com a vida em geral. 

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Celestine Hitiura Vaite

Esses são livros de grande entretenimento; eles contribuem para nos sentirmos bem ao final da leitura.  Os personagens são todos mais ou menos nossos conhecidos.  Eles nos surpreendem porque temos que aceitar que são em geral de bom caráter, mesmo as tias fofoqueiras, ou os companheiros machistas de Pito no trabalho.  Conhecemos a todos, mesmo antes de lermos uma única palavra dos romances.  Reconhecemos seus trejeitos e modo de pensar, assim como podemos reconhecer muitos personagens de novelas televisivas.  Mas é  a mágica narrativa da autora nos leva a aceitá-los exatamente como são: defeitos e qualidades inclusos. 

Em abril temos uma semana de feriados: Semana Santa, Tiradentes, Descobrimento, etc.  Se você está pensando em levar alguma boa leitura, leve e feliz para o seu feriado, não deixe de considerar esses dois livros.  Não vai se arrepender.  

NOTA:  Há duas grandes contribuições para o sucesso desse livro:  a tradução de Léa Viveiros de Castro e as capas de Flor Opazo, que saem da mesmice de retratar o Taiti como Gauguin o fez.   Parabéns às duas.





Descobertas e mais descobertas paleontológicas no RS e na Espanha…

25 03 2011

 

Tiajudens eccentricus, no Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul

Uma equipe de paleontólogos das Universidades Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Federal do Piauí (UFPI) e de Witwatersrand (África do Sul) descobriu fósseis de um vertebrado herbívoro com dentes de sabre em Tiarajú, na região central do Rio Grande do Sul.

Segundo a UFRGS, o animal era um terápsido (antiga linhagem de vertebrados que deu origem aos mamíferos) que viveu no Período Permiano da Era Paleozoica – pelo menos 260 milhões de anos atrás.  Este período foi sucedido pelo Mesozóico, quando os dinossauros apareceram.

Apesar de não ser muito grande (tinha o tamanho de uma anta), o espécime chama a tenção por seus dentes de 12 cm.  Os pesquisadores chegaram à conclusão de que era uma nova – e estranha – espécie e a nomearam de Tiarajudens eccentricus.  Seu nome se refere a Tiaraju,  distrito de São Gabriel no estado do Rio Grande do Sul.   Além da arcada dentária o Tiajudens contava com 26 dentes largos, semelhantes aos nossos molares, no céu da boca.  Acredita-se que eles servissem para mastigar folhas.

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— “Os incisivos, posicionados na maxila, tinham serrilha para arrancar as plantas, muito parecidos com os que encontramos hoje nos ruminantes.  Os dentes do palato mastigavam, o que era uma novidade, porque proporcionava melhor digestão” — disse Juan Carlos Cisneros, paleontólogo da Univerdidade do Piauí.

Os pesquisadores destacam também que é o mais antigo registro de terápsido que tinha a capacidade de mastigar e o mais antigo de um herbívoro com dentes de sabre – característica comum em alguns carnívoros extintos, como o famoso tigre dentes de sabre, mas rara em herbívoros.

Os cientistas acreditam que os longos dentes eram usados em lutas entre membros da mesma espécie ou como defesa contra predadores. A descoberta está publicada na revista científica Science.

— ” Alguns estudos já haviam encontrado fósseis do Paleozóico no Pampas.  Por isso, resolvemos intensificar a pesquisa naquela região.  Foi assim que chegamoso ao Tiarajudens.  Além do crânio, encontramos vestígios de uma pata e de outras partes do corpo, que ainda estão sendo estudadas, e que permitirão, em breve, outras descobertas sobre a espécie.   Por enquanto sabemos que era um animal adulto, e provavelmente macho.  As fêmeas não deviam ter dentes de sabre ou então eles eram mais curtos.” — esclareceu Cisneros.

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Enquanto isso, na Espanha….

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Narulagus Rex
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Pesquisadores do Instituto Catalão de Paleontologia (ICP) descobriram fósseis de um coelho gigante na ilha de Minorca, na Espanha. A descoberta foi publicada no Journal of Vertebrate Paleontology. O coelho, de nome científico Nuralagus rex, viveu há cerca de 5 milhões de anos e pesava entre 12 e 15 kg, cerca de 10 vezes o peso de um coelho nos dias de hoje.

A pesquisa indica que o mais curioso deste coelho gigante é o fato de ele não poder pular e se mover com as mãos e os pés colocados ao chão – característica de animais como ursos e capivaras. O estudo aponta que a existência deste mamífero roedor pode ser entendida pelo motivo de o ecossistema da ilha de Minorca não ter predadores para esta espécie.

A pressão seletiva sobre os ecossistemas insulares gera a limitação de recursos, o que implica a ausência de predadores. Não podemos comparar com o que acontece hoje, porque a atividade humana levou à introdução de novas espécies e à caça“, disse Meike Köhler, co-autora do artigo e chefe do grupo de pesquisa de Paleontologia do ICP.

FONTES: Portal Terra e O Globo, edição impressa.





Trova do jogo

24 03 2011

Pato Donald compete com Gastão, ilustração Walt Disney.

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Não adianta reclamar,

quem joga tem que saber:

jamais deverão jogar

os que não sabem perder.

(Décio Valente)





Outono, poesia de Cyra de Queiroz Barbosa

21 03 2011

Outono, ilustração de revista americana, 1922, sem título.

Outono

Cyra de Queiroz Barbosa

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A calçada está coberta

com folhas soltas

das amendoeiras

sopradas pelo vento.

Vermelhas

amareladas

quase secas

outonadas.

As árvoes se despiram.

Esgalharam.

Braços suspensos

como em preces

implorando

o reviver na primavera.

Nos rostos que caminham pela rua

há marcas das horas

vividas

sofridas.

Há passos que se apagam

entre as duas calçadas.

Há braços que se estendem

na vã espera.

Outono

sem reviver

sem primavera.

Em: Moenda:painéis e poemas interiorizados, Cyra de Queiroz Barbosa, Rio de Janeiro, Rocco:1980, p. 129





Um gigante chileno: Atacamaticán, um dinossauro herbíforo

19 03 2011

 

Criação artística de como deveria ser o Atacamaticán.

Um gigante chileno: esta é a melhor descrição do Atacamaticán, um dinossauro herbívoro que habitou o norte do Chile há cerca de 100 milhões de anos.  Seu nome deriva do  deserto do Atacama localizado na região norte do país, um dos desertos mais áridos do mundo.  A notícia foi divulgada na revista científica Anais da Academia Brasileira de Ciências.

O Atacamatitán chilensis é o primeiro dinossauro a ser batizado no Chile“, afirmou  o paleontólogo David Rubilar, integrante da equipe que realizou a descoberta.

Esta nova espécie fóssil permitirá ampliar o conhecimento dos dinossauros na América do Sul e representa uma grande contribuição para a paleontologia nacional“, acrescentou o pesquisador.

Trata-se de uma nova espécie de dinossauro gigante, o titanossauro, herbívoro, com pescoço e cauda muito longos.  Ele teria cerca de oito metros de comprimento e pesaria próximo a  cinco toneladas. A particularidade desse dinossauro são suas pernas mais magras, reflexo da geografia do local onde esses animais viveram no passado e de sua alimentação, segundo o cientista.

Sua particularidade foi diagnosticada a partir das vértebras do dorso e da cauda e pelo formato do fêmur, mais fino do que em que qualquer titanossauro já descoberto“, explicou Rubilar.  “Não é nem o maior nem o menor, sua principal característica distintiva está no fêmur“, acrescentou o especialista.

Os restos desse dinossauro foram encontrados em 2000 onde fica hoje o deserto do Atacama, o mais árido do mundo, localizado no extremo norte do Chile com uma extensão de mais de 100.000 km2 e com períodos de até 300 anos sem chuvas.

O Atacamaticán se alimentava dos frutos das araucárias, o que indica que, naquela época, o deserto do Atacama não era um lugar tão árido como agora“, explicou Rubilar, paleontólogo do Museu de História Natural do Chile.

FONTE: AFP





Imagem de leitura — Alexander Sokht

18 03 2011

Romance, 2010

Alexander Sokht ( República Checa, 1967)

óleo sobre tela, 80 x 70cm

www.alexandersokht.com

Alexander Sokht  nasceu em Praga em  1967 e foi criado em Krasnodar  no sul da Rússia, próximo ao Mar Negro.  Estudou arte na Universidade Estadual de Krasnodar.   Logo depois de sua graduação participou de diversas exposições em grupo, em Krasnodar e Sochi.  Em 1991, começou a exibir em Moscou.  Com o sucesso de seu trabalho na capital russa, mudou-se para Moscou, onde viveu pelos dez anos seguintes.  In 1997, seu trabalho começa a ser exibido fora da Rússia: Suiça, Alemanha, Luxembugo, França, Espanha.  A porta para sua carreira internacional, européia havia sido aberta.  Em 2002 expõe em Berlin e Londres.   Com a carreia européia aquecida, sai de Moscou e se estabelece em Praga, onde abre seu ateliê e sua própria galeria de arte e onde vive até hoje.  www.alexandersokht.com





Vida de flor, poema de Fagundes Varela, 1861

17 03 2011

 

Flores, 1961

Agostinho Batista de Freitas ( Brasil, 1927-1997) 

óleo sobre tela,  50 x 70 cm

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Vida de flor

                             Fagundes Varela

Por que vergas-me a fronde sobre a terra,

Diz a flor da colina ao manso vento,

SE apenas às manhãs o doce orvalho

          Hei gozado um momento?

Tímida ainda, nas folhagens verdes

Abro a corola à quietação das noites,

Ergo-me bela, me rebaixas triste

          Com teus feros açoites!

Oh! Deixa-me crescer, lançar perfumes,

Vicejar das estrelas à magia,

Que minha vida pálida se encerra

          No espaço de um dia!

Mas o vento agitava sem piedade

A fronte virgem da formosa flor,

Que pouco a pouco se tingia, triste,

          De mórbido palor.

Não vês, ó brisa?  lacerada, murcha,

Tão cedo ainda vou pendendo ao chão,

E em breve tempo esfolharei já morta

          Sem chegar ao verão?

Tem piedade de mim!  Deixa-me ao menos

Desfrutar um momento de prazer,

Pois que é meu fado despontar n’aurora

          E ao crepúsc’lo morrer!…

Brutal amante não lhe ouviu as queixas,

Nem às suas dores atenção prestou,

E a flor mimosa, retraindo as pétalas,

          Na tige se inclinou.

Surgiu n’aurora,   não chegou à tarde,

Teve um momento de existência só!

A noite veio, procurou por ela,

          Mas a encontrou no pó.

Ouviste, ó virgem, a legenda triste

Da flor do outeiro e seu funesto fim?

Irmã das flores à mulher, às vezes,

          Também sucede assim.

São Paulo, 1861

 

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880




No Maranhão: Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis

17 03 2011

Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis, ilustração de reconstrução.

 Cientistas brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro, (UFRJ), anunciaram ontem,  [16/03], no lançamento da publicação Anais da Academia Brasileira de Ciências, a descoberta de um dinossauro gigante, a que se deu o nome de Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis.  Este é o maior dinossauro carnívoro já encontrado no Brasil. Viveu no nordeste brasileiro, mais especificamente, no Ilha de Cajual (MA), onde foi encontrado.

O Oxalaia quilombensis  — cujo nome homenageia Oxalá,  divindade masculina mais respeitada na religião africana e  também os quilombos, povoações que construídas por escravos fugidos que existiam na ilha — media de 12 a 14 metros de comprimento, pesava entre 5 e 7 toneladas e viveu há cerca de 95 milhões de anos.  

Essa descoberta foi a estrela da apresentação, onde os pesquisadores do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostraram que ao encontrarem os vestígios do pré-maxilar, com sete dentes, e da narina do dinossauro, constataram que o réptil tinha mais semelhanças com outros dinossauros encontrados na costa da África do que com os descobertos até hoje em terras brasileiras, tais como os répteis da Bacia do Araripe.  Verificaram também que o Oxalaia quilombensis, quando comparado a dinossauros da mesma espécie, mas encontrados na costa africana, tem dimensões significativamente maiores do que seus pares da África.   A familiaridade entre esse dinossauro e os encontrados na África nos lembra que há 115 milhões de anos as terras da América do Sul e da África ainda eram unidas, permitindo a livre migração de um lado ao outro de fauna e de flora (atrvés de sementes), pois o Oceano Atlântico ainda não separava os dois modernos continentes. 

Uma das características dos Espinossaurídeos são dentes mais finos e mais fracos  do que os encontrados em outros dinossauros carnívoros.  Essas características levou cientistas a pensarem, por muito tempo, que esses dinossauros se alimentassem de peixes.   Mas há pouco tempo foi descoberta uma mordida de um Espinossaurídeo na vértebra do pescoço de um pterossauro.  Isso mudou tudo e hoje então sabemos que eles tinham uma dieta mais variada, pois podia se alimentar de répteis.   Os Espinossaurídeos reinavam absolutos como maiores carnívoros do país.  Fora eles, não há qualquer outra espécie que ostente mais de 8 metros de comprimento no Brasil.

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A pesquisadora Elaine Machado mostra as partes achadas e o desenho de reconstrução.

O Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis tinha espinhos neurais muito alongados que formavam a vela – uma estrutura nas costas como um leque.  Seu crânio lembrava o dos crocodilos porque também era longo. 

Fonte: O GLOBO, versão impressa.