Emeric Marcier (Romênia/Brasil, 1916-1990)
óleo sobre madeira, 20 x 31 cm
Mihail Aleksandrov (Rússia/EUA, 1949)
óleo sobre tela, 55 x 65 cm
“Senti uma espécie de aflição tão intensa e pura, que achei que fosse morrer. Uivei feito um bebê com meu cachorro nos braços. Então coloquei-o em uma caixa de vinho, e o levei para o jardim onde o enterrei debaixo de uma cerejeira.
Ele é só um cachorro velho, digo para mim mesmo, e viveu uma vida de cachorro plena e feliz. Mas o que me deixa indescritivelmente triste, é que, sem ele, fico sem amor na vida. Pode parecer estúpido, mas eu o amei e sei que ele me amou. Isso significou que houve um fluxo descomplicado de amor recíproco na minha vida e acho difícil admitir que terminou. Olhe só para mim, murmurando, mas é verdade, é verdade. E, ao mesmo tempo, sei que uma parte da minha tristeza é apenas autopiedade disfarçada. Precisei daquela troca e estou preocupado por não saber como viverei sem ela nem se conseguirei arranjar um substituto — quem dera fosse tão fácil quanto comprar um novo cachorro. Sinto muita pena de mim mesmo — é isso que é aflição.”
Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 503-4.
Cremilda faz campanha, ilustração de Maurício de Sousa.
Este mundo é interessante!
Eu conheço muita gente
que não tem mente brilhante
mas mente brilhantemente.
(José Nogueira da Costa)
Natureza morta com laranjas, 1962
Yoshia Takaoka (Japão/Brasil, 1909-1978)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Auto-retrato com chapéu de palha, depois de 1782
Élisabeth-Louise Vigée-Lebrun (França, 1755-1842)
óleo sobre tela, 98 x 70 cm
National Gallery, Londres
Ilustração, Pierre Mornet (França, 1972).
Chamford
Ilustração mostrando a diferença de dias entre os calendário juliano e gregoriano, no ano e mês de sua adoção.
O mundo comemora este ano os 400 anos de morte de duas das maiores figuras das letras na cultura ocidental. Cervantes e Shakespeare são autores que revolucionaram as convenções estabelecidas para criações literárias. Suas influências são sentidas até hoje.
Cervantes e Shakespeare morreram no mesmo ano e, curiosamente, estabeleceu-se que ambos morreram também no mesmo dia. Mas isso não passa de uma convenção, de uma combinação do mundo literário. Não há dúvida de que ambos morreram no dia 23 de abril de 1616. Mas o dia 23 de abril de 1616 era em época diferente entre a Espanha e a Inglaterra. Como?
Simples: enquanto a Espanha já havia adotado o calendário gregoriano em 1616, a Inglaterra ainda usava o calendário juliano, que mostra o dia 23 de abril com 11 dias de atraso.
A Inglaterra só adotou o calendário gregoriano em 1752.
Chuva, ilustração de Tatsuro Kiuchi.
Wilson W. Rodrigues
Chuva — miçangas do céu
de um invisível colar
que na amplidão se partiu
veio na terra tombar.
Chuva — miçangas do céu
feita de pingos de luz;
cada pingo — estojo d’água
que um diamante conduz.
Chuva — miçangas do céu
do colar que se partiu;
miçanga — orvalho perdido
que no seu peito luziu.
Em: Bahia Flor – Poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: s/d, p. 127
Nota: Na publicação original a palavra miçangas encontra-se escrita com dois esses — missangas. Ambas as formas: miçangas e missangas estão corretas. No entanto, desde a publicação deste livro [acredito que tenha sido publicado nos anos 50 do século passado] convencionou-se que a forma missanga é a correta em Portugal enquanto que a forma miçanga é a correta no Brasil. Assim, ao postar este poema troquei a grafia para corresponder à forma correta no Brasil.
Atores da Comédie Française, 1712
Jean-Antoine Watteau (França,1684-1721)
óleo sobre madeira, 20 x 25 cm
Hermitage, São Petersburgo, Rússia
Shakespeare era um homem bastante confortável financeiramente quando morreu. Não era muito rico. Mas tinha fortuna maior do que a de se todos os seus colegas de trabalho da companhia de atores a que pertencia, conhecida como King’s Men. Mas sua situação financeira não chegou a se igualar às fortunas adquiridas pelos donos do teatro e seus gerentes. O grande rival de Shakespeare, Ben Jonson, esse sim ficou muito rico. Diferente de Shakespeare, Jonson se recusou a ser um acionista na companhia teatral, preferindo o patrocínio da aristocracia e as grandes comissões pelos ricos eventos de entretenimento, algo que Shakespeare nunca fez.
Informações no artigo: How rich was Shakespeare? de Robert Bearman, na Revista Prospect de março de 2016.