Imagem de leitura — Vladimir Ezhakov

29 03 2010

Menina Lendo,  s/d

Vladimir Ezhakov ( Rússia, 1975)

óleo sobre tela,  30 x 48 cm

Vladimir Ezhakov, (São Petersburgo, Rússia, 1975), formou-se em arte em 1995, na Faculdade V. Serov, prolongando seus estudos, mais tarde e se formando em pintura, em 2003 pelo Instituto de Artes Visuais I. E. Repin em São Petersburgo, um dos locais de maior tradição na educação artística da Rússia, fundado em 1757.  Lá Vladimir Ezhakov foi aluno do pintor V. A. Mylnikova.  Continua ativo como pintor do realismo russo na cidade em que nasceu.





A cara do Rio, 115 visões do Rio de Janeiro em uma única exposição

25 03 2010

Vista de uma das salas da exposição  A CARA DO RIO  no Centro Cultural dos Correios.  Foto:  Ladyce West

Uma divertida exposição das artes plásticas cariocas: A CARA DO RIO, 2010,  está instalada no Centro Cultural dos Correios, no centro da cidade.   Esta é a 6ª edição dessa exposição que comemora anualmente o aniversário do Rio de Janeiro, juntando trabalhos dos mais diversos artistas visuais, sob um único tema:  a cidade do Rio de Janeiro.    São 115 artistas selecionados na curadoria de Marcelo Frazão.  A exposição que abriu no dia 27 de fevereiro vai até o dia 11 de abril, e se você ainda não foi lá, faça planos, para se encantar, rir, sorrir e se emocionar com as pinturas, esculturas, fotografias expostas.

É difícil escolher dentre tantas obras algumas para ilustrar bem essa postagem.  Mas aqui ficam:

PELA IRREVERÊNCIA:

Redentora, 2010  — DETALHE

Solange Palatnik ( Brasil, Rio de Janeiro, 1944)

Acrílica sobre tela

70 x 200 cm

PELA POESIA:

Vôo da Paz, 2010

Ruth Kac  ( Brasil, Rio de Janeiro, 1945)

Resina

33 x 35 x 47 cm  e 30 x 19 x 33 cm

PELA ALEGRIA:

Praia de Copacabana, 2010

Lúcia de Lima ( Brasil, Rio de Janeiro, 1947)

Acrílica sobre tela

20 x 80 cm

PELA VIBRANTE ENERGIA:

Rio 40 graus, [tetrádico], 2010

Paulo Maurício ( Brasil, Petrópolis,  1960)

Acrílica sobre tela

200 x 200 cm

PELA ALUSÃO HISTÓRICA:

Casario, 2010

Eleny Victoria Eksterman ( Brasil, Riio de Janeiro, 1957)

Giclée em Canvas Hahnemühle

120 x 100 cm

Mas a verdade é que são muito os trabalhos que fascinam, encantam e se fixam nas nossas retinas deslumbradas…  Vale a pena checar esta exposição.   

SERVIÇO:

Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro
Corredor Cultural
20010-976 – Rio de Janeiro – RJ
Telefone: 0XX 21 2253-1580
Fax: 0XX 21 2253-1545
E-mail: centroculturalrj@correios.com.br

Funcionamento:

O Centro Cultural Correios recebe visitantes de terça-feira a domingo, das 12 às 19h
Entrada franca.





Imagem de leitura — Elizabeth Gordon Werner

6 03 2010

Olhando pela porta, 2007

[da série Café Society]

Elizabeth Gordon Werner ( Nova Zelândia, contemporânea)

 Aquarela sobre papel     35 x 27 cm

Elizabeth Gordon Werner reside na cidade de Dunedin, na Nova Zelândia e pinta em quase todos os gêneros, paisagem, retratos, naturezas mortas.  É primeiramente uma pintora de aquarelas sobre papel ou sobre tela.  Recentemente começou a expandir sua técnica para outros métodos de pintura.  Prefere pintar in loco, raramente utilizando um estúdio.  Morou por muitos anos na Europa e também na Austrália.  A série de aquarelas de cafés e bares, a que deu o nome de Café Society,  foi pintada em Newtown, Sidney, onde a pintora residu em 2007.

www.artsmitten.com





Imagem de leitura — Francine Van Hove

16 02 2010

Capítulo XII, 1999

Francine Van Hove ( França, 1942)

óleo sobre tela

Francine Van Nieuwenhove, que trabalha sob o cognome de Francine Van Hove nasceu em Paris, em 1942, e continua a trabalhar naquela cidade.  Ilustradora e pintora.  Trabalha num estilo realista, e se fez conhecida pelo retrato de momentos íntimos no mundo feminino.   Suas mulheres estão com frequência retratadas em momentos meditativos ou saboreando dos prazeres mais simples do dia a dia.  Em toda a sua obra há grande sensualidade e a insinuação de movimentos suaves, vagarosos, lânguidos. 

Para maiores informações: www.francinevanhove.com





Porque é Carnaval … “Pelo telefone”, composição de Donga

15 02 2010

Carnaval em Madureira, 1924

Tarsila do Amaral ( Brasil, 1886 – 1973)

óleo sobre tela, 76 x 63 cm

Na postagem anterior, um texto de Ruy Castro, há uma referência ao samba Pelo Telefone, do compositor Donga.  Posto aqui a letra assim como um  vídeo para ilustração.

Pelo Telefone

Compositor: DONGA

O chefe da folia

Pelo telefone manda me avisar

Que com alegria

Não se questione para se brincar

===

Ai, ai, ai

É deixar mágoas pra trás, ó rapaz

Ai, ai, ai

Fica triste se és capaz e verás

— 

Tomara que tu apanhe

Pra não tornar fazer isso

Tirar amores dos outros

Depois fazer teu feitiço

Ai, se a rolinha, sinhô, sinhô

Se embaraçou, sinhô, sinhô

É que a avezinha, sinhô, sinhô

Nunca sambou, sinhô, sinhô

Porque este samba, sinhô, sinhô

De arrepiar, sinhô, sinhô

Põe perna bamba, sinhô, sinhô

Mas faz gozar, sinhô, sinhô

O “peru” me disse

Se o “morcego” visse

Não fazer tolice

Que eu então saísse

Dessa esquisitice

De disse-não-disse

Ah! ah! ah!

Aí está o canto ideal, triunfal

Ai, ai, ai

Viva o nosso carnaval sem rival

 —

Se quem tira o amor dos outros

Por deus fosse castigado

O mundo estava vazio

E o inferno habitado

 —

Queres ou não, sinhô, sinhô

Vir pro cordão, sinhô, sinhô

É ser folião, sinhô, sinhô

De coração, sinhô, sinhô

Porque este samba, sinhô, sinhô

De arrepiar, sinhô, sinhô

Põe perna bamba, sinhô, sinhô

Mas faz gozar, sinhô, sinhô

 —

Quem for bom de gosto

Mostre-se disposto

Não procure encosto

Tenha o riso posto

Faça alegre o rosto

Nada de desgosto

 —

Ai, ai, ai

Dança o samba

Com calor, meu amor

Ai, ai, ai

Pois quem dança

Não tem dor nem calor

O chefe da polícia

Com toda carícia

Mandou-nos avisá

Que de rendez-vuzes

Todos façam cruzes

Pelo carnavá!…

— 

Em casas da zona

Não entra nem dona

Nem amigas sua

Se tem namorado

Converse fiado

No meio da rua.

 —

Em porta e janela

Fica a sentinela

De noite e de dia;

Com as arma embalada

Proibindo a entrada

Das moça vadia

 —

A lei da polícia

Tem certa malícia

Bastante brejeira;

O chefe é ranzinza

No dia de “cinza”

Não quer zé-pereira!

 —

Coro (civis)

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Me dá licença, não dou, não dou

Faça favô, não dou, não dou

Pra residença, não dou, não dou

Com pressa vou, não dou, não dou

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Coro (madamas)

Do chefe é orde? não vou, não vou

Sua atrevida, não vou, não vou

Entrar não pode, não vou, não vou

Vá pra avenida, não vou, não vou.

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Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos)
(Compositor e violonista)
5/4/1889, Rio de Janeiro (RJ)
25/9/1974, Rio de Janeiro (RJ)

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As fogueiras do rei, romance histórico de Pedro Casals

8 02 2010

O tribunal da inquisição, 1812-1814

Francisco Goya (Espanha, 1746-1828)

Museu da Real Academia de São Fernando, Madri

 

Como estudante de mestrado em história da arte participei de um seminário sobre Goya.  Foi o meu primeiro grande contato com a  cultura espanhola.  Naquela época, para trabalhar com a iconografia desse pintor, li  diversos clássicos da literatura espanhola, uma das mais ricas em textos do século XVI ao XVII, os séculos de ouro.  Mas, depois dessa época, só ultimamente tive  a oportunidade  de  rever  e de conhecer alguns clássicos daquele país.

Foi com grande prazer, então, que me entretive com o livro de espionagem de Pedro Casals, intitulado As fogueiras do rei, [Record: 1990].  Apesar de ter sido publicado há vinte anos é um livro que, por ser um romance histórico, não perdeu a atualidade.  Ao que eu saiba, é o único romance do escritor publicado no Brasil, ainda que com o livro La Jerenguilla Casals tenha sido finalista para o prêmio Planeta de 1986 e em 1989 com este  romance aqui discutido.  Em 1992 ganhou o prêmio Ateneu de Sevilha, com o livro: El infante de la noche.

 

As fogueiras do rei  não é só um romance histórico, mas um romance de intriga palaciana, numa época crucial da cultura espanhola.  Uma época importante, simultaneamente para a Inglaterra,  Portugal e até mesmo o Brasil, porque além de tratar da Inquisição, retrata também o período anterior à invasão holandesa no Brasil, ou seja anterior à coroa de Portugal passar para as mãos espanholas.  Desse modo podemos entender com maior clareza  a interdependência dos países europeus, através das ligações matrimoniais  entre diversas famílias reais.  A história se passa no final do século XVI durante o reinado de Felipe II (1527-1598).

Princesa de Éboli, desconheço a autoria.

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Sinceramente, eu não sabia muito a respeito de Felipe II.  Lembrava-me de um retrato dele feito por Ticiano. [Essa é uma das falhas do historiador da arte, às vezes só conhecemos a história por causa das pinturas de época]!   Mas, corrigindo qualquer falha anterior, aprendi, com esse romance um pouco mais sobre Felipe II.  Familiarizei-me com sua vida, suas preocupações e suas conquistas amorosas.   E, principalmente, com a Princesa de Éboli, Doña Ana Mendoza y de La Cerda, uma das grandes aventuras amorosas do rei, que deve ter sido uma mulher fascinante: mesmo tendo tido um ferimento no olhos direito e obrigada a usar uma venda ,  Ana de Mendoza era de uma beleza a que poucos podiam resistir.  Teve dez filhos e uma enormidade de amantes.  É verdade, que para ajudá-la havia muito poder e grande fortuna já que era a  única herdeira de uma poderosa casa nobre da Espanha   E ela é uma das  personagens centrais na trama que se desenrola em As fogueiras do rei.

Felipe II da Espanha e de Portugal,  c. 1550

Ticiano  Vecellio, dito Ticiano  (Itália, c. 1490-1576)

Óleo sobre tela, 185 x 103 cm

Sala da Ilíada,  Palácio Pitti,  Florença

Um auto da fé é a cena em torno da qual a história se desenrola.  Assistindo às punições dos hereges,  está um grupo de especialistas em espionagem e contra-espionagem representando diversos interesses da política interna e externa do reinado.  O leitor acompanha as intrigas e  tentativas mais variadas para a subida ao poder desde a coroa da Inglaterra,  ao meio-irmão de Felipe II, filho bastardo de Carlos V,  D. João da Áustria.  Mas mais interessante ainda do que essa intriga palaciana é o entendimento com que saímos, após a leitura do livro, não só dos judeu-portugueses, dos marranos, dos cristão-novos, mas  suas preocupações e meios de sobrevivência.  E acima de tudo, nos enfronhamos na Inquisição na Espanha para desvendar que ela não foi só uma maneira de estabelecer  o domínio da Igreja Católica contra a religião muçulmano, ou contra os judeus, mas foi, também, uma maneira de evitar o crescimento dos ensinamentos de Lutero, que ameaçavam  tornarem-se populares.  Além disso, fica claro o modo da Inquisição, com suas práticas subjetivas,  deter a subida da burguesia,  um interesse da realeza que o Vaticano protegia das ameaças que a nobreza considerava perigosas, nos exemplos vindos dos Países Baixos, onde a burguesia subia e tomava conta do poder.  Essa  era a preocupação da nobreza, era um futuro, que sem os ensinamentos da Igreja Católica,  poderia vir a acontecer e derrubar o poder das grandes casas nobiliárquicas, mesmo que, na Península Ibérica, estas tivessem muito sangue judeu.

Pedro Casals

Curioso, também,  foi saber que apesar de haver muitos hábitos e costumes considerados desrespeitosos à Igreja,  esses mesmos costumes eram praticados pela realeza e pela classe dominante: astrologia, leituras dos textos de Erasmo,  simpatias as mais diversas oriundas de crendices ligadas às bruxarias.   E aos poucos podemos fazer uma pequena lista das obras impressas, que preenchiam os gabinetes de leitura da nobreza e que eram proibidas pela Santa Inquisição, só para perceber que elas incluem os grandes clássicos da literatura não só espanhola como da portuguesa:  Amadis de Gaula, Palmerim de Inglaterra, Obras de Teresa d’Ávila, Lazarillo de Tormes, A Celestina: tragicomédia de Calixto e Malibeia,  Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdão, e assim por diante.

Mais do que um romance de espionagem, As fogueiras do rei é um excelente romance histórico, que leva o leitor a considerar os acontecimentos do século XVI na Espanha sob um novo olhar, um olhar de dentro.   Quem está à procura de um romance que vai além de uma mera distração,  um romance que enriquece o leitor com os detalhes históricos coletados, Pedro Casals oferece bastante conteúdo para um aprendizado rápido e compreensivo.





Imagem de leitura — Ricardo Sanz

5 02 2010

Manhã de domingo, 2005

Ricardo Sanz ( San Sebastián, Espanha — contemporâneo)

Óleo sobre tela,  89 x 116 cm

Ricardo Sanz é um pintor espanhol.  Nasceu em San Sebastián, na província de Guipúscoa, na região Basca, em uma família bastante engajada com o mundo das artes plásticas.    Quando seu avô percebeu que o menino Ricardo tinha habilidades no desenho, foi estudar com o pintor José Camps e mais tarde com outros pintores.  Permaneceu muito tempo na sua cidade Natal mas logo que pode visitou Madri onde pode observar as pinturas de Velázquez, Van Dyck, Rembrandt, e a do século XIX, que lhe encantavam.  Mais tarde foi a Paris.  Vive atualmente em Madri.

Maiores informações:  http://ricardosanz.com





Imagem de leitura — Franz Becker-Tempelburg

22 01 2010

Leitora no jardim, 1920

Franz Becker-Tempelburg (Alemanha, 1876 — ?)

óleo sobre tela, 61 x 61 cm

Coleção Particular

Franz Becker-Tempelburg nasceu em Berlim em 1876.  Sua vida profissional começou com estudos na Academia de Arte de Berlim, sob a tutela de Emil Döpler.  Estudou também com Max Seliger e L. Meyn.  Pouco se sabe de sua vida ou até mesmo de sua morte.  Ele aparece em todos os catálogos de importância de arte alemã, inclusive o famoso Vollmer e tem algumas obras em museus em Berlim.  Só agora, no final do século XX , quando muitos de seus trabalhos começaram a aflorar no mercado de arte, vindos ao público de coleções particulares, que estamos tendo uma melhor idéia da excelência de sua pintura..  Mas não sabemos nem a data de sua morte.  Possivelmente morreu durante a Segunda Guerra Mundial.





Velho Muro, soneto de Bernardino Lopes

10 01 2010

 

O muro do jardim, 1910

John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)

Aquarela e grafite sobre papel, 40 x 53 cm

Museu de Belas Artes, Boston

Velho Muro

 

                                    B. Lopes

Velho muro da chácara!  Parcela

Do que já foste: resto do passado,

Bolorento, musgoso, úmido, orlado

De uma coroa víride e singela.

Forte e novo eu te vi, na idade bela

Em que, falando para o namorado,

Tinhas no ombro de pedra debruçado

O corpo senhoril de uma donzela…

Linda epoméia te bordava a crista;

Eras, ao luar de leite, um linho albente,

Folha de prata, ao sol, ferindo a vista.

Em ti pousava a doce borboleta…

E quantas noites viste, ermo e silente,

Romeu beijando as mãos de Julieta!

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Em: Antologia dos poetas brasileiros da fase parnasiana,  ed. Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do livro: 1951.

Vocabulário:

Víride:  verde,  uso poético

Epoméia: ver ipoméia, trepadeira rústica comum em terrenos baldios, também conhecida como  jitirana, jetirana, corriola, campainha, corda-de-viola.

Albente:  que alveja, que embranquece

Bernardino Lopes, pseudônimo B. Lopes (Rio Bonito, RJ, 1859 — RJ,1916) foi um poeta brasileiro de diferentes tendências literárias na passagem do século XIX ao XX.  Foi funcionário do Correio Geral,  Membro da boemia intelectual carioca foi um poeta de transição do fim do romantismo.  Ficou muito conhecido pelos seus sonetos parnasianos.  Tem grande afinidade com os simbolistas.

Obras:

Cromos (1881) – 2ª Edição 1896

Pizzicatos – “Comédia Elegante” (1886)

Brasões (1895)

Sinhá Flor (1899)

Val de Lírios (1900)

Helenos (1901)

Plumário (1905)

Poesias Completas (1945)





E você? O que sabe sobre o “erro de Aristóteles”?

7 01 2010
Ilustração, Walt Disney.  Pato Donald estuda matemática.

Há mais de 2.300 anos, Aristóteles errou.  Agora, no ano passado, um turbilhão de atividades acadêmicas está de repente se aproximando de uma resposta para um problema similar à pergunta de quantas pessoas cabem em um fusca da Volkswagen ou em uma cabine telefônica.  Com a diferença de que, nesse caso, os matemáticos não têm pensado no agrupamento de pessoas, mas de sólidos geométricos conhecidos como tetraedros.

É extraordinária a quantidade de artigos escritos sobre isso no ano passado“, disse Henry Cohn, matemático da Microsoft Research New England. O tetraedro é um objeto simples de quatro lados, cada um, um triângulo. Para o problema do agrupamento, pesquisadores estão observando os chamados tetraedros regulares, cujos lados são idênticos a um triângulo equilátero. Jogadores de Dungeons & Dragons reconhecem esse formato triangular de pirâmide em um dado usado no jogo.

Aristóteles equivocadamente acreditava que tetraedros regulares idênticos agrupados perfeitamente, como cubos idênticos, não deixavam espaços entre eles, preenchendo 100% do espaço disponível. Mas não é o que acontece, e 1,8 mil anos se passaram para que alguém apontasse que ele estava errado. Mesmo depois disso, o agrupamento de tetraedros atraiu pouco interesse. Mais séculos se passaram.

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Aristóteles equivocadamente acreditava que tetraedros regulares idênticos agrupados perfeitamente, como cubos idênticos, não deixavam espaços entre eles, preenchendo 100% do espaço disponível.

Um enigma similar sobre qual a melhor forma de agrupar esferas idênticas possui uma história mais célebre.   Aqui, a resposta era óbvia.  Elas devem ser empilhadas como laranjas no supermercado (com uma densidade de agrupamento de 74%), e foi isso que Johannes Kepler conjecturou em 1611.   Mas provar o óbvio levou quase quatro séculos, até Thomas C. Hales, um matemático da Universidade de Pittsburgh, conseguir esse feito em 1998 com a ajuda de um computador.

Com os tetraedros, o melhor arranjo de agrupamento não é óbvio, e depois de ter sido constatado que os tetraedros não se agrupavam perfeitamente, ficou a impressão de que eles não se agrupavam bem de maneira alguma. Em 2006, dois pesquisadores da Universidade de Princeton, Salvatore Torquato, um químico, e John H. Conway, um matemático, relataram que a melhor forma de agrupamento encontrada por eles preenchia menos de 72% do espaço – um agrupamento mais espaçado do que o das esferas.

Isso contestava a conjectura matemática de que, entre os chamados objetos convexos (sem cavidades, buracos ou orifícios), as esferas teriam o agrupamento ideal mais espaçado.

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Aristóteles contemplando o busto de Homero, 1653

Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606-1669)

Óleo sobre tela,  143,5 x 136,5 cm

The Metropolitan Museum of Art, NY

O artigo de Princeton levou Paul M. Chaikin, professor de física da Universidade de Nova York, a comprar centenas de dados tetraedros e pedir a um aluno do ensino médio que enchesse aquários de peixes e outros recipientes com eles. “Imediatamente, percebemos que conseguíamos um agrupamento maior do que 72%“, disse Chaikin, que havia trabalhado anteriormente com Torquato no agrupamento de esferas achatadas, ou elipsóides. (Descobriu-se que as esferas achatadas têm um agrupamento mais denso do que as esferas regulares.)

O artigo de Princeton também levou Jeffrey C. Lagarias, professor de matemática da Universidade de Michigan, a pedir que Elizabeth Chen, uma de suas alunas de mestrado, estudasse o agrupamento de tetraedros. Chen se recorda do que Lagarias lhe disse: “Você precisa superá-los. Se você superá-los, será muito bom para você.

Chen examinou centenas de arranjos ao longo das semanas subsequentes, e, ela disse, “vários deles se destacaram pela alta densidade.” Seu melhor arranjo facilmente superou o de Conway e Torquato, com uma densidade de agrupamento de quase 78%, superior ao das esferas.

Na verdade, nem meu orientador acreditou em mim”, Chen se lembra. Depois de produzir modelos físicos dos tetraedros e demonstrar os padrões de agrupamento, ela convenceu Lagarias de que seus agrupamentos eram tão densos quanto ela havia afirmado e finalmente publicou sua descoberta há um ano.

Enquanto isso, Sharon C. Glotzer, professora de engenharia química, também da Universidade de Michigan, estava interessada em descobrir se os tetraedros podiam se agrupar como cristais líquidos. “Nos envolvemos nisso porque estávamos tentando desenvolver novos materiais com propriedades ópticas interessantes para a Força Aérea“, ela disse.

Glotzer e seus colegas criaram um programa de computador que simulava o agrupamento dos tetraedros e seu arranjo sob compressão. Em vez de cristais líquidos, eles descobriram estruturas complexas de quasicristais, com padrões quase, mas não exatamente, repetidos. “Essa foi a coisa mais surpreendente e maluca“, Glotzer disse.

Examinando os quasicristais, eles conseguiram encontrar uma estrutura periódica que representou outro salto na densidade de agrupamento: superior a 85%. No mês passado, quando essa descoberta ficou pronta para publicação na revista Nature, um grupo da Universidade Cornell, usando um método de pesquisa diferente, encontrou outro agrupamento com densidade similar.

Mas enquanto a estrutura de Glotzer era surpreendentemente complexa “um padrão de repetição formado por 82 tetraedros “, o cristal da Cornell era surpreendentemente simples, com apenas quatro elementos. Também é surpreendente para os pesquisadores o fato dos tetraedros nas simulações de Glotzer tenderem a estruturas complexas de quasicristais quando o melhor agrupamento é na verdade uma estrutura muito mais simples.

Isso faz parte da surpresa em relação a isso“, disse Cohn, da Microsoft Research. “Cada um desses agrupamentos parece muito diferente.” Alguns dias antes do Natal, Torquato e Yang Jiao, aluno de mestrado, relataram que haviam ajustado a estrutura da Cornell, aumentando ligeiramente a densidade de agrupamento para 85,55%.

Ficaria chocado se esse agrupamento atual fosse o mais denso“, Torquato disse em entrevista na semana passada. “Ele é apenas o mais denso por enquanto.”

Torquato não precisa ficar chocado. Na segunda-feira, Chen, aluna de mestrado da Universidade de Michigan, divulgou um novo avanço, que descreve uma família de agrupamentos que incluem as últimas estruturas de Cornell e Princeton. Mas ele também inclui um melhor agrupamento. O cálculo foi verificado por simulações do grupo de Glotzer. O novo recorde mundial de densidade de agrupamento de tetraedros: 85,63%.

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Tradução: Amy Traduções

Artigo original no The New York Times.  Em português:  Terra