Imagem de leitura — Alfredo Valenzuela Puelma

3 06 2010

A lição de geografia, 1883

Alfredo Valenzuela Puelma ( Chile, 1856 – França, 1909)

Óleo sobre tela

Alfredo Valenzuela Puelma, nasceu em Valparaíso, no Chile em 1856.  Demonstrou desde cedo habilidade como artista e estudou na Academia de Pintura de Santiago, sob a orientação de Ernesto Kirchbach e de Giovanni Mochi.  Entre 1881 e 1885 esteve na Europa graças à uma bolsa de estudos.  Voltou ao Chile onde trabalhou com o pintor Pedro Lira, mas logo voltou a Paris onde trabalhou com Paul Laurens.  Foi o primeiro pintor chileno a trabalhar com nus.  Especializado em retratos e na figura humana, Valenzuela Puelma também se dedicou à pintura religiosa e de gênero, nesta última muitas de suas obras mostram o gosto da época  pelo exótico com cenas repletas de um orientalismo sedutor.  Morreu na França em 1909.





Imagem de leitura — Mathias Stomer

27 05 2010

Jovem rapaz lendo à luz de vela, s/d

Mathias Stomer ( Holanda c. 1600- c. 1650)

Óleo sobre tela, 175 x 172 cm

Museu Nacional de Estocolmo,  Suécia.

Mathias Stomer, também conhecido com Stom ou Stomma ( Amsterdam c. 1600 – Sicilia depois de 1650) foi um pintor holandes, com formação artística no atelier  do pintor Gerard van Honthorst, que trabahava no estilo caravagista.  Seguiu os passos dos  pintores maneiristas Simon Vouet e Abraham Bloemart.  Mas sua grande dívida estilística vem de Dirck van Baburen e de Hendrick ter Brugghen.   Encontra-se em Roma em 1630, ainda que não se saiba ao certo a data de sua chegada à Itália.  De 1633 a 1639 trabalha em Nápoles e em seus arredores.   Depois se instala na Sicília, onde permanece até a morte.  Lá  é bastante  influenciado por alguns dos mestres da pintura italiana meridional e se  torna  ainda mais adepto dos grandes mestres nos contrates de luz e sombra, estilo que domina com grande mestria.





Pobreza de espírito e de informações nas nossas capas de livros!

26 05 2010

O campo de Santana no Rio de Janeiro, 1818

Franz Joseph Frühbeck (Áustria 1795 — data de morte incerta, depois de 1830)

Gravura aquarelada

Há algum tempo quero escrever sobre as capas de livros publicados no Brasil.  Em primeiro lugar, gostaria de saber, porque é difícil encontrarmos o crédito [o nome do artista gráfico que fez a capa de um livro] das capas de livros por estas bandas?  Aliás, esta falta de informação não é de hoje: mesmo livros dos anos 40, 50, 60 do século passado que encontramos em sebos e que eram habitualmente ilustrados, muitas vezes  não têm a menção do autor (ou autores) das ilustrações.  Uma falta na ficha bibliográfica da obra.   Uma vergonha para a história da ilustração no Brasil, uma vergonha para editores que se diziam sérios.  Porque mesmo que as ilustrações usadas fossem compradas lá fora, deveríamos ter tido o direito, o acesso à informação de pelo menos os nomes dos ilustradores.

O livro ponto zero desta postagem foi lido em 2008, o charmoso Era no tempo do rei, de Ruy Castro, Alfaguara:2007, sucesso de vendas e, hoje, sucesso de dramaturgia depois de ter sido adaptado para o teatro.   Este foi um dos livros que o meu grupo de leitura mensal trouxe para discussão em março de 2008.  Entre as muitas observações que fizemos – que nos levaram de volta a deliciosos aspectos do Rio de Janeiro de 200 anos atrás — houve também a reclamação, entre nós, da falta de relação entre a capa e seu conteúdo.  Desde então tenho prestado mais atenção às capas dos livros que leio. 

— 

— 

Era no tempo do rei se passa no Rio de Janeiro, logo depois da chegada da família real ao Brasil.  Num artigo do jornal O Globo, de 17 de novembro de 2007, Suzana Velasco lembra que  “ A primeira imagem que Ruy Castro pensou para o romance Era no tempo do rei foi a dos meninos Pedro e Leonardo fugindo pelos Arcos da Carioca”.  Como a jornalista sublinha a ambientação desse romance é no Rio de Janeiro colonial.  E aí olhamos para capa do livro e o que vemos?  Será que vemos uma paisagem do Rio de Janeiro colonial, dentre as tantas a que temos acesso através dos pintores viajantes de diferentes países?  Não.  Será que temos um desenho moderno de uma representação do Rio de Janeiro com os arcos monumentais dominando a paisagem de então?  Não.  Será que teríamos uma ilustração de dois meninos perambulando pelas ruas de um Rio de Janeiro colonial, feita por algum ilustrador nosso, de hoje?  Não

 —

O ferrolho, 1778

Jean Honoré Fragonard ( França, 1732 – 1822)

Óleo sobre tela, 73 x 93 cm

Museu do Louvre, Paris

O que temos em mãos é um quadro francês, do século XVIII, pintura de gênero, de uma suposta aventura amorosa, picante.   Nem preciso dizer que a Alfaguara,  selo da Editora Objetiva, do Grupo Santillana, não se deu ao trabalho de identificar para o leitor curioso – como a maioria das editoras estrangeiras o fazem no verso da página de rosto —  que a capa do livro era um detalhe de uma obra de Fragonard que se encontra no Louvre.   Ironicamente no portal da Editora Objetiva encontramos o seguinte texto:  A Objetiva se consolidou ao longo dos anos 90, como uma das editoras de referência no segmento de livros de interesse geral. Publica escritores de qualidade, como Luis Fernando Verissimo, Tony Judt, Arnaldo Jabor e Harold Bloom, entre tantos outros, assim como o Dicionário Houaiss, o mais completo da língua portuguesa. Atua em vários segmentos e especialmente em história, biografia, política, comportamento, humor, reportagem, ensaio e referência.  Referência?   Onde estava a referência ao quadro em questão?

Este assunto rodopiou na minha cabeça por muito tempo: tenho muitas perguntas que não cessam sobre a falta do costume de informações corretas no Brasil e, até certo ponto, a falta de cuidado com o livro, com o leitor, com a curiosidade alheia, o que é certamente o papel de uma editora.  Mas há três semanas, por outros motivos, me encontrei com o livro Don Juan acorrentado, da escritora carioca Wanda Fabian, publicado oito anos antes de Era no tempo do rei, pela Editora Lacerda:1999, leia-se Nova Aguilar, que é parte da Nova Fronteira.   E pasmem: tem a mesma capa de Era no tempo do rei.  O mesmo detalhe, o mesmo corte de imagem!

 —

Agora a pergunta que não cala:  só este quadro de Fragonard tem permissão de ser usado por editoras brasileiras para livros de ficção histórica?  É claro que não.  Por que então este favoritismo?  Eu poderia assumir que é pura preguiça, acomodação, falta de respeito ao leitor, falta de conhecimento do mercado editorial…  Mas, lá atrás, no fundo das minhas desconfianças, há uma voz gritando:  tem a ver com direitos autorais.  Tem a ver com imagem em domínio público.  Mas será que O ferrolho, de Fragonard, é o único quadro conhecido pelos editores?  Será que é a única imagem em domínio público?  Talvez tenha a ver com a divisão de marketing dessas editoras?  Será que ambas as editoras contrataram a mesma companhia de marketing?  Ou foi o  mesmo estagiário?  A pessoa de uma só obra de arte?  Como se justifica isso?  Quem pode me responder?





A Marcelina, um conto de Arthur Azevedo

19 05 2010

 

Retrato de um janota, s/d

Giovanni Boldini ( Itália, 1842-1931)

Pastel sobre papel, 63 x 41 cm

The Norton Simon Art Foundation, Pasadena, Califórnia

A Marcelina

                                                         Arthur Azevedo

I

 

Naquele tempo ( não há necessidade de precisar a época) era o doutor Pires de Aguiar o melhor freguês da alfaiataria Raunier e uma das figuras obrigatórias da Rua do Ouvidor.  Como advogado diziam-no de uma competência um pouco duvidosa, o que aliás não obstava que ele ganhasse muito dinheiro, — mas como janota – força é confessá-lo – não havia rapaz tão elegante no Rio de Janeiro.

Rapaz?  Rapaz, sim:  o doutor Pires de Aguiar pertencia a essa privilegiada classe de solteirões que se conservam rapazes durante trinta anos. 

Quando lhe perguntavam a idade, respondia invariavelmente:  — Orço pelos quarenta, — e durante muito tempo não deu outra resposta.  Os seus contemporâneos de Academia atribuíam-lhe cinqüenta, e bem puxados.  As senhoras, essas não lhe davam mais que trinta e cinco.

Ele tinha um fraco pelas mulheres de teatro.  Consistia o seu grande luxo em ser publicamente o amante oficial de alguma atriz.  Não fazia questão de espírito nem de beleza; o indispensável é que ela ocupasse lugar saliente no palco, e fosse aplaudida e festejada pelo público.  Não era o amor, era a vaidade que o conduzia à nauseabunda Cythera dos bastidores.

Essas ligações depressa se desfaziam; duravam enquanto durava o brilho da estrela;  desde que esta começava a ofuscar-se, ele achava um pretexto para afastar-se dela e procurar imediatamente outra.  Como era inteligente e generoso – muito mais generosos que inteligente, — nunca ficava mal com o astro caído.

Algumas vezes o rompimento era provocado por elas – pelas de mais espírito – que facilmente se enfaravam de um indivíduo tão preocupado com a própria pessoa, e tão vaidoso das suas roupas.

Ivette Guilbert agradecendo ao público, 1894

Henri Toulouse-Lautrec (França, 1864-1901)

Óleo sobre papel fotográfico, 48 x 28 cm

Museu Toulouse Lautrec, Albi, França.

II

 

No tempo em que se passou a ação deste ligeiro conto, a nova conquista do doutor Pires de Aguiar era uma atriz portuguesa, a Clorinda, que viera de Lisboa apregoada pelas cem trombetas da réclame, e cuja estréia num dos nossos teatrinhos de opereta, o público esperava ansiosamente.

Uma hora antes de começar o espetáculo de estréia, entrou o advogado triunfantemente na caixa do teatro, levando pelo braço a sua nova amiga, elegantemente envolvida numa soberba capa de pelúcia.  Ia fazer-lhe entrega do camarim, cujo arranjo confiara liberalmente ao bom gosto e à perícia dos mais hábeis tapeceiros e estofadores.

Ela ficou  encantadíssima, e agradeceu com beijos quentes e sonoros a dedicada solicitude do amante. 

Que belo tapete felpudo!  que bonitos quadros!  que papel bem escolhido!  que delicioso divã!  que magnífico espelho de três faces, onde o seu vulto airoso se refletia três vezes por inteiro!  e que profusão de perfumarias!  e que precioso serviço de toilette!…

Nada faltava também sobre a mesinha da maquilagem, intensamente iluminada por dois bicos de gás. 

O doutor Pires de Aguiar tinha longa prática desses arranjos;  não podia esquecer-se de nenhum dos ingredientes necessários ao camarim de uma atriz que se respeita; o arsenal estava completo.

Dali a nada ouviu-se um – Dá licença?  — e o diretor de cena entrou no camarim acompanhado por uma mulher já idosa, muito pálida, de aspecto doentio, pobremente trajada.

— Dona Clorinda, aqui tem a sua costureira.

 

Mulher com espartilho, 1896

[Esboço para Elles]

Henri Toulouse-Lautrec ( França 1864-1901)

Óleo pastel sobre papel, colado em tela,  104 x 566 cm

Museu des Augustins,  Toulouse.

A estrela não conteve um gesto de despeito.  O diretor de cena compreendeu-o, e saiu imediatamente, para não entrar em explicações.

— É doente?  perguntou Clorinda à costureira.

— Não, senhora.  Tive uma doença grave, mas agora estou boa.  Saí há dois dias da Santa Casa.

Clorinda trocou um olhar com o advogado, e este disse-lhe, resfestelando-se no divã:

Ma chère, il faut se contenter de cette habilleuse; nous ne sommes pas en Europe.

Ele impingiu a frase em francês, para que na a entendesse a costureira, mas a verdade é que Clorinda também não percebeu, o que aliás não a impediu de responder: — Oui.

Despojada da mantilha e da bela capa de pelúcia Clorinda sentou-se entre os dois bicos de gás, e começou a pintar-se dizendo: — Vamos a isto!

E dirigindo-se à costureira:

— Sente-se.  Porque está de pé?

A pobre mulher sentou-se a medo, como receiosa de macular a palhinha dourada da cadeira com o seu miserável vestido de chita.

— Sabe que me disseram bonitas coisas a seu respeito?  Perguntou a atriz ao advogado, olhando-o pelo espelho.

— Deveras?

— Ao que me parece, você tem sido um gajo!

O doutor Pires de Aguiar teve um sorriso inexprimível.  Aquele gajo entrou-lhe pela vaidade a dentro como uma grã-cruz.

— Com que então a sua especialidade são as atrizes?

— Sou doido pelo teatro. 

Atriz no camarim, 1879

Edgar Degas ( França, 1834-1917)

Óleo sobre tela, 85 x 76 cm

The Norton Simon Museum, Pasadena, Califórnia.

— E há quanto tempo dura essa doidice?

— Há muito tempo.  Estou velho, bem vê.  Orço pelos quarenta.

— Ninguém lhe dará mais de trinta e cinco.

— São os seus olhos.

— Qual foi a sua primeira paixão no teatro?

— Ah, isso…

O advogado levantou o braço e estalou os dedos.

— … isso é pré-histórico; perde-se na noite dos tempos.

— Como se chamava essa colega?

— Chamava-se Marcelina.

— Que fim levou?

Ele encolheu os ombros.

— Sei lá!  provavelmente morreu.  Nunca mais ouvi falar dela.  Há mulheres que desaparecem como os passarinhos que não foram mortos a tiro nem engaiolados:  ninguém lhes vê os cadáveres.

— Gostou dela?

Foi talvez a paixão mais séria da minha vida.

— Nunca mais a procurou?

— Para que?

— Tinha talento?

— Talento?  Não.  Tinha habilidade.

E depois de uma pausa:

— Tinha habilidade e era muito boa rapariga.

— Brasileira?

— Sim.  Representava ingênuas em dramalhões de capa e espada, ali, no São Pedro de Alcântara.  Um dia – eu já a tinha deixado – um dia patearam-na ppor motivos que nada tinham que ver com a arte dramática;  ela desgostou-se;  andou mourejando pelas províncias, e afinal desapareceu.  Requiescat in pace!  

Entrou o cabeleireiro.  Enquanto Clorinda lhe confiou a cabeça, o doutor Pires de Aguiar divagou longamente sobre os méritos da Marcelina;  depois falou de outras atrizes, desfiando um interminável rosário das suas mancebias.

Clorinda, a costureira e o cabeleireiro, ouviam sem dizer palavra.

Terminado o serviço do cabeleireiro, que logo se retirou, Clorinda ergueu-se:

— Agora, meu doutor, há de me dar licença, sim?  Vou vestir-me.

— Até logo, disse o advogado.  O seu penteado ficou esplêndido!  Vou aplaudi-la.  Bonne chance!

Deu-lhe um beijo – na testa para não desmanchar a pintura,  — e saiu do camarim, cuja porta a costureira discretamente fechou.

A meia, 1894

Henri Toulouse-Lautrec ( França 1864-1901)

Óleo sobre papelão,  58 x 48 cm

Museu d’ Orsay, Paris.

III

 

Minutos depois, Clorinda estava completamente nua.

— A senhora é muito bem feita de corpo, disse-lhe num tom adultório, a costureira, enfiando-lhe pela cabeça uma camisa de seda.

— Acha?  perguntou desdenhosamente a atriz.

— Ah!  eu também já fui bem feita de corpo, mas…  não tive juízo:  fiei-me demais nos homens.  Se quer aceitar um conselho, filha, preste mais atenção à sua arte do que a todos esses … gajos, que fazem das mulheres um objeto de luxo e nada mais.  Só assim a senhora evitará o hospital e a miséria.

— Ora esta!  exclamou  Clorinda.  Quem é você mulher, para me falar assim?

— Eu sou … a Marcelina.

###

 Em:  Contos fora de moda, originalmente publicado em 1894.

 

Artur Azevedo (Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo), jornalista, poeta, contista e teatrólogo, nasceu em São Luís, MA, em 7 de julho de 1855, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 22 de outubro de 1908. Figurou, ao lado do irmão Aluísio de Azevedo, no grupo fundador da Academia Brasileira de Letras, onde criou a Cadeira n. 29, que tem como patrono Martins Pena.

Obra:

Carapuças, poesia, 1871

Sonetos, 1876

Um dia de finados, sátira, 1877

Contos possíveis, 1889

Contos fora da moda, 1894

Contos efêmeros, 1897

Contos em verso, 1898

Rimas, poesia, 1909

Contos cariocas, 1928

Vida alheia, 1929

Histórias brejeiras, seleção e prefácio de R. Magalhães Júnior 1962

Contos, 1973





Imagem de leitura — Pierre Pivet

19 05 2010

O vestido amarelo, s/d

Pierre Pivet ( França, 1948)

óleo sobre tela, 100 cm x 60 cm

www.pierrepivet.com

Pierre Pivet nasceu na Normandia, na França em 1948.  Mudou-se para Paris em 1953 e começou a pintar em 1962, inspirado então pelos trabalhos de Velazquez e de Rembrandt.  Em 1969 ficou órfão de pai e mãe.  Começou então a trabalhar como programador  para uma companhia francesa.  Em 1972 fixa residência nos Estados Unidos e se casa.  Em 1974 retorna à França e completa seus estudos na Academia Port Royal.  Quando emigra para o Canadá em 1983, e se estabelece em Montreal, Pierre Pivet já havia visitado o Marrocos diversas vezes e se encantado com as cores do país.   Apreciador dos Fauvistas , ele retém até hoje a palheta cromática desses pintores.  É atrás de cores também que visita por diversas vezes países da America Central,  na década de 90.





Itu comemora 400 anos com exposição de Almeida Júnior!

11 05 2010

  

O violeiro, 1899

José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850- 1899)

óleo sobre tela — 141 x 172 cm

Pinacoteca do Estado de São Paulo

Já era tempo de José Ferraz deAlmeida Júnior ser honrado com uma exposição de seu trabalho na sua cidade natal.  Um dos grandes expoentes da arte brasileira do final do século XIX, finalmente vai ser conhecido e se possível reconhecido por seus conterrâneos.  O pintor que como muitos de sua época,  estudou fora do Brasil, teve a coragem  de voltar ao país e procurar, encontrar e desenvolver  um vocabulário imagístico próprio, totalmente brasileiro.  Suas obras captam uma realidade regional  que foi pouco explorada por seus companheiros de profissão na época e que além do valor artístico que demonstram, esses quadros têm o valor de documentos de época, documentos de valores. 

Com o tema “Homem e Natureza”,  20 das principais obras do pintor que integram o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo completam a exposição.  “Caipira Picando Fumo“, de 1893, um dos destaques do acervo. A mostra faz parte das comemorações dos 160 anos do nascimento do pintor, além de comemorar os 400 anos da fundação de Itu.  

Paisagem do Sítio Rio das Pedras, 1899

José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850-1899)

óleo sobre tela —  57 x 35 cm

Pinacoteca do Estado de São Paulo

A curadoria de Ana Paula Nascimento ressalta  nessa exposição os quadros que representam a temática de Almeida Júnior, mostrando a preocupação do pintor de valorizar o caipira e sua cultura: “Caipiras Negaceando” (1888), “Cozinha Caipira” (1895) e “O Violeiro” (1899)[ foto acima], demonstram esse cuidado do pintor.    Almeida Júnior foi um pintor que viveu exclusivamente de sua arte, assim sendo, grande parte do acervo do pintor  é dedicada aos retratos de pessoas ilustres, que fazia por encomenda.  [Por exemplo, neste blog, Retrato de D. Joana Cunha] Mas Almeida Júnior também se dedicou ao retrato da natureza à sua volta, pintando com cuidado locais favoritos de seus passeios pelos arredores de Itu: “Cascata do Votorantim” (1843) e “Paisagem do Sítio Rio das Pedras” (1899) [foto acima] são dois exemplos de seu paisagismo nessa exposição.

—–

——

SERVIÇO:

Exposição:

Regimento Deodoro — Antigo Colégio São Luiz

Data:  9 de maio de 2010 a 20 de junho de 2010

Praça Duque de Caxias, 284, Centro

Telefones: (11) 4022-2967 ou (11) 4022-1184

Entrada Franca.

—-





Imagem de leitura — Carl Larsson

6 05 2010

Senhora lendo jornal, 1886

Carl Larsson ( Suécia, 1853-1919)

Aquarela

Carl Larsson nasceu em  Estocolmo, em 28 de maio de 1853, numa família muito pobre.  Seu talento artístico só se desenvolveu aos  treze anos quando  entrou para a Principskolan, um departamento temporário da Academia de Arte.  Lá ele achou difícil se adaptar, sentindo-se  em inferioridade social.  Aos dezesseis anos, foi transferido para  um departamento menor da Academia de Arte, onde aos pouco tornou-se mais confiante, e passou a participar ativamente do grupo estudantil.

Formando-se, dedicou-se à  ilustração de livros, revistas e jornais diários.  Passou anos em Paris sem conseguir muito sucesso até 1882 quando conhecer um artistas escandinavos fora de Paris.  Lá conheceu sua esposa, casando-se em 1883.  Abandonou a pintura a óleo em favor da aquarela  pintando então seus mais importantes trabalhos.  Sua esposa e filhos tornaram-se seus principais modelos. Larsson ficou famoso por aquarelas retratando a vida em família. As coleções Ett Hem (Uma Casa) de 1899, (26 aquarelas);  Larssons (Os Larssons), 1902 com (32 aquarelas)  e o grupo  Åt solsidan (O Lado Ensolarado) de 31 aquarelas foram livros que, ilustrando  a vida simples do campo, tiveram uma enorme influência no design de interior sueco para as gerações seguintes.  Morreu em 1919.





Imagem de leitura — Eugênio Zampighi

29 04 2010

Lendo as notícias, s/d

Eugênio Zampighi ( Itália 1859-1944)

óleo sobre tela

Eugênio Zampighi nasceu em Modena na Itália em 1859 e mostrou ter talento para as belas artes desde cedo.  Entrou para a escola de arte local aos treze anos de idade e depois, mais tarde foi estudar em Roma.  Ao completar sua educação mudou-se para Florença onde estabeleceu residência, e onde prosperou principalmente através de encomendas de patronos abastados.  Especializou-se em cenas domésticas, em geral de gente da terra, o dia a dia dos peões italianos, e nunca pareceu querer fazê-los mais bonitos do que a realidade.  Nesse aspecto Zampighi, que seguia o espírito de sua época ao documentar cenas diárias com crianças, pais e avós, diverge das normas dos pintores franceses, ingleses e americanos do final do século XIX e primeira metade do séc. XX, entre eles, Bouguereau, Norman Rockewell e outros,  por não idealizar a beleza.   Era como se conseguisse celebrar a beleza das pessoas comuns e até mesmo feias.  Faleceu em 1944, em Maranello na Itália.





Imagem de leitura — Harriet Backer

23 04 2010

A leitora, 1890

Harriet Backer ( Noruega, 1845 -1932)

óleo sobre tela

Museu Nacional de Oslo

Harriet Backer ( Holmestrand,1845 – Oslo, 1932) – pintora norueguesa de importância no final do século XIX.  Nasceu no interior do país mas mudou-se com a família para Oslo em 1857, quando Harriet tinha 12 anos de idade.  Foi aluna de Joachim Calmeyer e de Johan Frederick Eckersberg.  Acompanhando sua irmã, a renomada pianista Agathe Backer- Grøndahl  teve oportunidade de viajar extensamente pela Europa continental, e quando podia estudava durante as viagens.  Foi bastante influenciada pelo impressionismo na maneira de pintar, ainda que suas telas tivessem a preocupação com a descrição de situações realísticas.





A inteligência do Inconfidente, texto de Viriato Corrêa

22 04 2010

A Inconfidência,  década de 1960-70

Emiliano Di Cavalcanti (Brasil 1897 – 1976)

óleo sobre tela

A Inteligência do Inconfidente

                                                                                              Viriato Corrêa

 

A natureza é inexorável nos seus caprichos.  Assim como talha criaturas para os surtos dos sucessos, molda outras irremediavelmente para  as sensaborias da vida.

Tiradentes é uma figura nascida com pouca sorte.  Por mais de um século que vem rolando na história e, até hoje, a história não lhe fez a justiça que merecem  os seus grandes gestos e as suas virtudes cívicas.

Há ainda hoje quem lhe negue tudo: o desassombro em tramar a conjuração mineira, a grandeza da alma em chamar para si as responsabilidades totais do movimento, a confiança no seu papel, a coragem inflamada ao subir à forca, a resignação de mártir, tudo.  E, não satisfeita com isso, a história, quase sem dissonância alguma, nega-lhe até as qualidades de inteligência.

 Ainda hoje o grande sacrificado da inconfidência de Minas é apontado como um ignorantão.  É esse o conceito geral entre quase todos os historiadores do movimento mineiro.

A injustiça é flagrante.  Tiradentes nunca foi a cavalgadura que se propala.

Numa rebelião da ordem da de 1789, em que havia figuras da estatura intelectual de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa, Gonzaga, cônego Luiz Vieira da Silva e outros, Tiradentes não podia ser uma personalidade de predominância mental.

Mas, nem por isso, se deve dizer que ele fosse a besta chapada que nossos historiadores têm feito acreditar. 

Sobre os dotes da cultura de Tiradentes há ainda um ponto de interrogação na história.

Ninguém sabe as escolas que o incendido alferes mineiro cursou quando menino e rapaz.  Acostumaram-se os cronistas a julgá-lo um tipo inferior, e ninguém mais cuidou de apurar a verdade.

Não é, porém, provável que o mártir da inconfidência tivesse tido uma educação completamente descurada.  Os seus pais tinham posses para o educar.

Há na Revista do Instituto Histórico um documento interessante a esse respeito.  É o inventário dos bens de dona Antônia da Encarnação Xavier, mãe do futuro sacrificado da conspiração de Minas.

O inventário é de 1756, data em que Tiradentes tinha apenas oito anos de idade.  O inventariante é Domingos da Silva Santos, pai do futuro  alferes e marido de dona Antônia.

Por aquele documento se vê que o casal se não é rico, é pelo menos remediado.  É possuidor de fazenda agrícola do Pombal no Rio Abaixo, no município de São João D’ El-Rei.   Na fazenda trabalham trinta e cinco escravos.  Estende-se nos seus domínios uma lavra de terras minerais, tudo de propriedade do casal.  Entre os bens inventariados lá estão um jarro de prata para lavar as mãos, galhetas e talheres também de prata, sinal de abastança na época.

Todo mundo sabe o que são avaliações de inventário – tudo pela metade ou pelo terço.  O monte mor dos bens do casal progenitor de Silva Xavier é avaliado em mais de dez contos de réis.

Jornada dos Mártires, circa 1928

Antônio Parreiras ( Brasil,  1860-1937)

óleo sobre tela, 200 x 365 cm

Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora

Poder-se-á dizer que, apesar de remediados, os pais de Tiradentes podiam não cuidar da educação dos filhos.  Mas Xavier da Veiga, nas Efemérides Mineiras, cita um outro documento em que se vê que isso não é verdade.  É aquele em que se verifica que dois irmãos do sonhador da inconfidência eram padres.  Não parece provável que o velho Domingos da Silva tivesse ordenado dois filhos e descurasse completamente da educação de um  terceiro.

Sobre esse ponto a história se conserva muda.  Sabe-se precisamente o ano em que Tiradentes nasceu – 1748.

Há, porém, uma profunda treva em derredor de sua adolescência.  Vamos depois encontrá-lo em Minas Novas , arvorado em mascate, já homem feito, mercadejando de vila em vila. 

Se nesse tempo tinha ou não o polimento das escolas, está tudo por apurar-se.  Pereira da Silva afirma que ele viajou pela Europa e pelos Estados Unidos, voltando ao Brasil inflamado pelas idéias liberais que no momento incendiavam o mundo.  A informação parece leviana, pois não há nenhum documento que a confirme.

Na profissão de mascate é homem de pouca sorte que a fatalidade caprichosamente atirou ao mundo.  Não progride e é até preso por dívidas, segundo muitos afirmam.

Parece que são os desastres de negociante que o empurram para a farda.  Há quem atribua essa resolução a um caso de amor. [* Martinho de Freitas – Memórias Históricas].

Tiradentes, em S. João D’ El-Rei, amou perdidamente uma moça filha de pais portugueses, abastados.  Os preconceitos de cor e os preconceitos de fortuna predominavam mais do que nunca.  Ele era de cor morena e pobre.  A oposição dos pais da moça não pode ser vencida.  Arreliado, desiludido, corre a por nas costas a farda do regimento de dragões.

Onde e quando a sua alma se inflamou pelas idéias republicanas?  No ambiente do quartel?  Nas peregrinações de mascate?

 

 

Tiradentes, 1928

Décio Villares

óleo sobre tela

Joaquim Felício dos Santos, na Revista do Arquivo Mineiro, parece esclarecer esse ponto.  Quando mercador ambulante, Tiradentes foi muitas vezes à Bahia refazer o sortimento de mercadorias para os seus negócios.  A capital baiana era o centro da efervescência maçônica, foi mesmo o primeiro ponto de entrada da maçonaria no Brasil.  E, naquela época, as lojas de maçonaria eram verdadeiras oficinas revolucionárias, verdadeiro centro de cultura, sob o influxo novo dos enciclopedistas que transformaram o mundo.

Numa daquelas viagens, Tiradentes se fez maçom  e, na atmosfera crepitante das lojas, formou seu espírito de revolucionário liberal.

A sua vida militar foi amarga e dura.

No século XVIII Portugal insaciavelmente explorou o Brasil.  Explorou-o em tudo> no ouro, nos diamantes, na incultura imposta nos cargos públicos.  O brasileiro não tinha direito de subir.   No exército só os portugueses conseguiam os melhores postos.

A vida militar de Tiradentes dói exemplaríssima.  Apesar disso, sofreu as mais cortantes injustiças.  Não sabia pedir, não sabia adular, e o preteriam nas promoções.

Não passou de alferes.  Valeriano Manso, seu furriel, avançou-lhe à frente, conquistando o posto de tenente.  Antônio José de Araújo, que ele viu furriel, subiu a capitão nas suas próprias barbas.  O cadete Fernando Vasconcelos fez-se alferes da noite para o dia.

Esses dissabores constantes deviam-lhe ter arranhado fundamente a alma, acendendo-lhe os ímpetos de independência, despertando-lhe o sonho de um país emancipado, onde houvesse justiça e prêmio às virtudes. 

Nenhum estudo foi feito até hoje em que se pudessem aquilatar com precisão os dotes de cultura do admirável sacrificado da conjuração mineira.

É possível mesmo que esses dotes fossem poucos, mas o que ninguém poderá negar é qie Tiradentes tivesse sido uma criatura inteligentíssima, de uma inteligência clara e avançada, muito superior para a época em que viveu.

Não falemos das suas incontestáveis habilidades de dentista.  Não há notícia de que ele tivesse aprendido a cirurgia dentária e, no entanto, os cronistas são unânimes em afirmar ter sido ele um habilíssimo cirurgião “que tirava os dentes com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais”, segundo informação dada por frei Raimundo Penaforte, aquele estranho frade que lhe assistiu os últimos momentos.  E, naquela época, no Brasil, isso constituía um verdadeiro assombro.

Não falemos das suas qualidades de médico, das suas curas felizes entre a pobreza, fatos que ninguém contesta e que todos apontam.

Falemos apenas de Tiradentes engenheiro, Tiradentes homem de larga iniciativa.

São João D’  El-Rei, 1983

Emeric Marcier ( Romênia 1916- Paris 1990)

óleo sobre tela                73 x 92 cm

Os documentos da história neste particular são positivos.  Tiradentes era tido no seu tempo como uma competência em assuntos mineralógicos.  Em 1784, o governador Luiz da Cunha Menezes incumbiu o sargento-mor  Pedro Afonso Galvão de S. Martinho de proceder a uma “exatíssima averiguação” nos sertões de leste de Minas.  Para acompanhar o sargento-mor foi escolhido o alferes republicano.  Lá está no ofício que o  governador envia ao coronel Manuel Rodrigues da Costa:

          “ o mesmo (Pedro Afonso Galvão de S. Martinho) leva para o acompanhar o alferes Joaquim José da Silva Xavier, que se acha destacado na ronda do Mato, visto Vmcê, também me dizer que ele tem inteligência mineralógica.”

Esse “também” mostra a boa fama em que Tiradentes  era tido no assunto.

Mas não é só  como minerador que ele se firma um homem de inteligência incontestável.  É com trabalhos mais largos, com iniciativa mais vasta.

A primeira vez que Tiradentes veio ao Rio, já militar, ficou deslumbrado pela grandeza e pela riqueza da cidade.  O Rio de Janeiro, naquela época, tinha apenas cinqüenta mil habitantes, mas era já a maior e mais bela cidade brasileira. 

Num lancear de olhos o humilde alferes mineiro compreendeu o progresso futuro da capital do Brasil.  O Rio de Janeiro desenhou-se-lhe no espírito de homem superior com a grandeza e o vulto que hoje tem.  Havia de ser uma das vastas capitais do mundo, no correr de um século.

E reparem bem isto:  Tiradentes teve a visão que se não tinha ainda: uma cidade como o Rio, com o futuro do Rio, exigia, com urgência, um perfeito abastecimento de água e um porto onde não faltassem trapiches.

E em 1788, quando volta ao Rio, propõe ao vice-rei Luiz de Vasconcelos a canalização dos riachos Maracanã e Andaraí, para o abastecimento da cidade e a construção de vastos trapiches na Saúde.

É preciso considerar com justiça esse fato e pesar, no seu valor, as duas propostas.  Só podem ser de um homem de inteligência admirável.  Raros serão os engenheiros do século XX que,  ao chegar rapidamente a uma cidade, sem conhecimento da sua topografia, possam perceber, de um golpe, não só as suas necessidades de abastecimento de água como os meios de resolver o caso.

Monumento à civilização mineira

Praça da Estação Rodoviária

Belo Horizonte, MG

E de que Tiradentes teve em pleno século XVIII a verdadeira visão comercial do Rio futuro, aí estão as obras do porto, só começadas no século XX, como uma necessidade imprescindível do comércio.

E através dos séculos futuros, só vêem as inteligências privilegiadas…

Não se sabe bem qual foi a impressão que as propostas de Tiradentes causaram ao vice-rei.   Luiz de Vasconcelos era homem de certo gosto, mas era também cortesão.  Um simples alferes provinciano não lhe devia merecer grande importância.  O certo é que, por isto ou aquilo, enviou as propostas a Lisboa, ao Conselho Ultramarino.  Em Portugal os planos do republicano mineiro foram levados a sério.  O Conselho, tomando-os em consideração, devolveu os papéis ao vice-rei para que os informasse.

Que Tiradentes foi um homem de talento não se pode ter dúvida.  Os próprios historiadores que o apontam como cavalgadura dizem-no orador vibrante, eloqüente, que arrebatava as multidões com rasgos de fulgor.

E só podia ser uma inteligência de imenso vulto.  Só uma grande inteligência poderia ser irmã daquela esplêndida alma desassombrada que, diante da morte, sorri tranqüila e, diante da miséria dos companheiros, consegue ter alento para perdoar.

***

 

Em:  Terras de Santa Cruz: contos e crônicas da História Brasileira,  Viriato Corrêa, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro: 1956,  páginas 153-160.

Manuel Viriato Corrêa [ou Correia] Baima do Lago Filho (Pirapemas, MA 1884 — Rio de Janeiro, RJ 1967) – Pseudônimos: Viriato Correia, Pequeno Polegar, Tibúrcio da Anunciação. Diplomado em direito, jornalista, contista, romancista, teatrólogo, autor de literatura infantil e crônicas históricas, professor de teatro, membro da ABL e político brasileiro.

Obras:

Minaretes,  contos, 1903

Era uma vez…, infanto-juvenil, 1908

Contos do sertão, contos, 1912

Sertaneja, teatro, 1915

Manjerona, teatro, 1916

Morena, teatro, 1917

Sol do sertão, teatro, 1918

Juriti, teatro, 1919

O Mistério, teatro,  1920

Sapequinha, teatro, 1920

Novelas doidas, contos, 1921

Contos da história do Brasil, infanto-juvenil,  1921

Terra de Santa Cruz, crônica histórica, 1921

Histórias da nossa história,crônica histórica, 1921

Nossa gente, teatro, 1924

Zuzú, teatro,  1924

Uma noite de baile, infanto-juvenil,1926

Balaiada, romance, 1927

Brasil dos meus avós, crônica histórica, 1927

Baú velho, crônica histórica,  1927

Pequetita, teatro, 1927

Histórias ásperas, contos, 1928

Varinha de condão, infanto-juvenil, 1928

A Arca de Noé, infanto-juvenil, 1930

A descoberta do Brasil, infanto-juvenil,1930

A macacada, infanto-juvenil, 1931

Bombonzinho, teatro,  1931

Os meus bichinhos, infanto-juvenil, 1931

No reino da bicharada, infanto-juvenil, 1931

Quando Jesus nasceu, infanto-juvenil, 1931

Gaveta de sapateiro, crônica histórica,  1932

Sansão, teatro, 1932

Maria, teatro, 1933

Alcovas da história, crônica histórica,  1934

História do Brasil para crianças, infanto-juvenil, 1934

Mata galego, crônica histórica, 1934

Meu torrão, infanto-juvenil,1935

Bicho papão, teatro, 1936

Casa de Belchior, crônica histórica, 1936

O homem da cabeça de ouro, teatro, 1936

Bichos e bichinhos, infanto-juvenil, 1938

Carneiro de batalhão, teatro, 1938

Cazuza, infanto-juvenil, 1938

A Marquesa de Santos, teatro, 1938

No país da bicharada, infanto-juvenil, 1938

História de Caramuru, infanto-juvenil, 1939

O país do pau de tinta, crônica histórica, 1939

O caçador de esmeraldas, teatro, 1940

Rei de papelão, teatro, 1941

Pobre diabo, teatro, 1942

O príncipe encantador, teatro, 1943

O gato comeu, teatro, 1943

À sombra dos laranjais, teatro, 1944

A bandeira das esmeraldas, infanto-juvenil, 1945

Estão cantando as cigarras, teatro, 1945

Venha a nós, teatro, 1946

As belas histórias da História do Brasil, infanto-juvenil, 1948

Dinheiro é dinheiro, teatro, 1949

Curiosidades da história do Brasil, crônica histórica, 1955

Terras de Santa Cruz: contos e crônicas da História Brasileira, 1956

O grande amor de Gonçalves Dias, teatro, 1959.

História da liberdade do Brasil, crônica histórica, 1962