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Olívia Hill ( EUA, 1985)
óleo sobre tela, 75 x 50cm
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Olívia Hill ( EUA, 1985)
óleo sobre tela, 75 x 50cm
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Dando continuidade ao tema de ilustradores de livros do século XX, hoje apresento as ilustrações de Euclides L. Santos. Elas foram feitas para o livro Flor Silvestre de Nilo Bruzzi, publicado no Rio de Janeiro, pela Editora Aurora em 1962. Nilo Bruzzi (MG 1897- RJ 1978) foi um escritor capixaba, melhor conhecido por sua poesia, ainda que tenha uma extensa lista de publicações que incluem contos, palestras e romances. A primeira edição de Flor Silvestre foi de 1953. Deve ter tido uma boa aceitação já que nove anos mais tarde há a publicação da 2ª edição do livro. As ilustrações têm todas as características de estilo da década de 1950.
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A mesma ilustração da capa, aparece de novo, em preto e branco, antes da página de rosto.
Euclides Luís dos Santos nasceu em Mussaré, PE, em 1908. Pintor, desenhista e caricaturista. Veio para o Rio de Janeiro em 1930, juntamente com o desenhista e caricaturista Nestor Silva. Logo publicou seus primeiros desenhos no Para Todos, O Jornal e Diário da Noite, e realizou exposição com seu companheiro de viagem na Sociedade Brasileira de Belas Artes em 1931. No período de 1933 a 1955 colaborou como ilustrador nas páginas de A Noite, A Noite Ilustrada, Vamos ler! (onde ilustrou o romance Oliver Twist de Dickens), Carioca, O Cruzeiro, O Malho e Revista da Semana. Herman Lima, que o focalizou na História da Caricatura no Brasil (1963), referiu-se à intensidade de seu trabalho no campo da ilustração. Como pintor recebeu as medalhas de prata e de ouro e o prêmio de viagem ao estrangeiro no SNBA, do qual participou inclusive em 1964. [Roberto Pontual, Dicionário das Artes Plásticas no Brasil, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira: 1969]
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“Corina França foi a primeira. Trouxe uma braçada de rosas brancas…”
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É uma pena que a impressão das ilustrações coloridas do livro, não tenha sido partcularmente boa. A edição toda foi em brochura, com papel de baixa qualidade, mas as ilustrações foram feitas em papel couché e têm uma folha de papel fino protegendo. Ao todo são 10 capítulos e 11 ilustrações de texto coloridas e a capa.
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“…passeios, picnics na Crèmerie…”
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“Pegado a esse terreno começa o prédio de O Primeiro Barateiro…”
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Pela maneira como as cores foram reproduzidas, acredito que os originais sejam aquarelas. Quem será que tem esses originais?
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“… dizia que o clima era ótimo…”
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“Era uma flor volante, vestido cor-de-rosa pálido…”
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“Fez dela uma grande dama. Sensacional mesmo.”
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“Caminhamos rumo à avenida conversando.”
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“Dei-lhe o envelope com o dinheiro, dizendo-lhe quem o mandava.”
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“…e fechou-nos por dentro. Voltou à poltrona…”
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“Risonha e linda entrou segura ao meu braço na igreja…”
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“…tinha criado asas, voado, vencido distâncias e pousado sobre o banco do jardinzinho de Batuíra…”
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Amigos, pintura de Mark Arian (EUA).–
Amigo é uma conquista
fruto da interação.
Colega é só um turista,
que passa no coração.
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(Heliodoro Morais)
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Jean-François de Troy ( França, 1679-1752)
óleo sobre tela
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Jean-François de Troy nasceu em Paris em 1679. Foi um pintor, decorador e desenhista de tapeçarias. Sendo de uma família de pintores renomados, aprendeu a pintar com seu pai, que mais tarde o mando para a Itália (1699-1706) para estudar pintura. Voltou para a França em 1706 mas seu amor pela Itália o fez retornar mais tarde àquele país. Sua tendência era trabalhar em grande escala, pinturas monumentais que se adaptavam bem à tapeçaria. Cenas históricas estavam entre seus motivos favoritos. Morreu em Roma em 1752.
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Malie Baehr (Holanda)
óleo sobre tela, 24 x 18
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Harold Bloom
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Homem Ioruba em trajes tradicionais.–
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Nos velhos tempos, na cidade de Ilesa, antes das guerras entre os reinos, havia mulheres governantes assim como homens. Uma geração se sucedia a outra em paz. Às vezes as mulheres reinavam, às vezes os homens. Até que houve uma governante em Ilesa, chamada Aderemi.
Um dia, durante o seu governo, um exército de guerreiros de outro reino, tentou invadir Ilesa. Essa era a primeira vez que a cidade tinha que se defender para sobreviver. Por isso mesmo não havia procedimentos a serem seguidos para proteger a cidade. Não havia tradição. Ninguém podia dizer: “Oba Tal lutou dessa maneira”, ou “Oba Fulano-de-Tal lutou daquela maneira”. Aderemi juntou seus conselheiros. Alguns eram homens e alguns eram mulheres. Eles confabularam. Arguiram sobre a melhor maneira de se livrarem dos inimigos. Os conselheiros homens disseram que os guerreiros homens deveriam se munir de lanças e escudos, cajados, arcos e flechas e ir à luta. Mas as conselheiras tinham outras ideias e sugeriram que as melhores armas seriam os pilões, longos com que batiam nos grãos para preparar a comida. Elas também favoreciam o uso de ovos, porque estes continham o poder de neutralizar os poderes dos inimigos, e assim, ovos deveriam ser usados. A discussão entre os conselheiros foi esquentada, mas finalmente Aderemi declarou que as conselheiras haviam ganho.
Os conselheiros homens perguntaram: “Que guerreiro vai para o campo de batalha munido de pilão e ovos?”
Aderemi respondeu indignada, “ Muito bem, então os homens ficam na cidade e fazem as tarefas daqui. Enquanto isso as mulheres vão defender Ilesa.”
Ela mandou as mulheres pegarem as armas e se prepararem para a luta. Elas tiraram seus longos pilões das cumbucas, apertaram as roupas e se pintaram seus rostos para guerra. Cada mulher segurou um ovo na mão esquerda e juntas foram para frente da casa de Aderemi.
A líder lembrou-as que deveriam ter coragem dizendo: “Vão e encontrem o inimigo. Joguem os ovos na frente deles para combater seus poderes. Ataquem e faça com que eles fujam, sem piedade para o lugar de onde vieram, para que eles nunca voltem a atacar a cidade de Ilesa.”
No entanto, os homens continuaram a reclamar dizendo, “não é assim que se faz isso.”
Aderemi respondeu ríspida, “guardem para si, os seus conselhos.”
As guerreiras saíram com os pilões nas mãos direitas e os ovos nas esquerdas. Acharam o inimigo. Os inimigos riram quando viram as guerreiras vindo com pilões e ovos para defender Ilesa. E gritaram, “não há homens nessa cidade? Voltem. Não viemos à procura de esposas, essas nós já temos em casa.”
As mulheres de Ilesa ouviram o insulto e jogaram seus ovos em direção aos invasores dizendo, “assim como os seus poderes se tornam estéreis, também vocês ficarão sem poderes.” E elas correram a atacar com seus pilões. Mas os inimigos se protegeram com os escudos, e lutaram de volta com cajados, lanças, arcos e flechas. Muitas mulheres de Ilesa morreram no campo de batalha. As outras deram para trás. Daí, os inimigos atacaram e as mulheres fugiram para a cidade. Chegando lá, elas entraram em casa e se desfizeram dos pilões.
Os homens de Ilesa viram tudo o que aconteceu. Foram até Aderemi e disseram, “isso é demais para você. Nos tempos de paz você reinou bem. Mas agora, que a guerra veio, você tentou moer o inimigo como se fosse milho puro e simples. Essa é a natureza das mulheres. Assim, não podemos mais ter uma governante mulher em Ilesa. Daqui por diante, Ilesa deve ter um chefe guerreiro como governante.” Os homens se reuniram em um conselho e selecionaram um homem para ser Oba da cidade e das terras à sua volta.
Sob orientação do novo Oba, os homens munidos de lanças, escudos, facas, cajados e arcos e flechas, saíram da cidade cantando seus gritos de guerra, e atacaram o inimigo. Fizeram-no voltar atrás, eliminando o inimigo de sua terra. Os inimigos ficaram confusos e se desorganizaram. A batalha continuou até que o único inimigo à vista eram os corpos caídos no chão. Depois disso, os guerreiros Ilesa foram para casa. Disseram, “foi feito.”
Os guerreiros voltaram a dizer que daí por diante Ilesa só teria homens como governantes. Disseram, “Obatala fez todos humanos e os amou igualmente. No entanto, cada pessoa tem habilidades para coisas específicas. Mulheres têm autoridade sobre pilões e ovos. Essa é a natureza delas. Os homens são bons para defenderem suas casas. Vamos respeitar as nossas diferenças.”
Desde então só homens governaram Ilesa e só eles entram em guerra enfrentando inimigos.
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Tradução e adaptação: Ladyce West
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Em: Tales of Yoruba Gods and Heroes: myths, legends and heroic tales of the Yoruba people of West Africa, Harold Courtlander, New York, Fawcett Premier Book: 1974.
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Fábio Hurtado (Espanha, 1960)
óleo sobre tela
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Fábio Hurtado nasceu em Madri, na Espanha em 1960. É pintor e fotógrafo. Dedica-se à pintura num estilo que se assemelha ao inicio da era Art Déco, das décadas de 1920 e 1930, amplamente influenciado pela fotografia e pelo cinema. Formou-se pela Escola de Belas Artes de Madri e em 1982 abriu seu próprio ateliê.
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O baile de máscaras, s/d
Giuseppe Bernardino Bison (Itália, 1762-1844)
óleo sobre tela
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Ilustração de Clive Upton, 1971.–
Quando a safra é recolhida,
quem planta o bem não se espanta;
na agricultura e na vida
a gente colhe o que planta!
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(Pedro Ornellas)