Imagem de leitura — Inessa Garmash

22 11 2008

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Mundo maravilhoso, 2005

Michael Garmash (Ucrânia 1969) e Inessa Garmash (Rússia, 1972)

Óleo sobre tela

[retrato do filho do casal]

 

 

 

Inessa e Michael Garmash são dois pintores contemporâneos.  Ele é ucraniano e ela é russa.  Sempre pintaram separadamente até  1986 quando começaram a pintar juntos.  São hoje em dia considerados grandes retratistas.  





5 melhores livros de crime publicados nos EUA em 2008, NPR

22 11 2008

 

 

No início desta semana a National Public Radio, nos EUA, revelou sua lista dos 5 melhores livros de crime publicados em 2008.

 

O critério foi baseado numa frase de Sam Spade no livro O Falcão Maltês:  um grande mistério deve tirar a tampa da vida e deixar você ver como funciona.  A parte de entretenimento também foi considerada essencial, mas defuntos, jóias roubadas, cartas, material que faz parte de todo bom mistério são só motivos para se falar dos grandes mistérios da vida: amor, morte, Deus e a presença do Mal na vida diária.   De acordo com a NPR, todos esses elementos estão presentes nos cinco mistérios selecionados:

 

 

Small Crimes de Dave Zeltserman: é um mistério noir.  A história é contada crime-zeltserman_200por Joe Denton, um tipo clássico deste tipo sombrio de mistério dos anos 30 —  um ex-policial corrupto, que ao sair da prisão depois de sete anos encarcerado por ter assassinado a facadas um promotor publico começa a receber todo tipo de visitas de pessoas que lhe cobram por seu passado.  

 

crime-larsson_200The girl with the Dragon Tatoo, de Stieg Larsson: se passa na Suécia.  O autor, jornalista, estreou como escritor com este título que foi imensamente bem recebido pelo público europeu.  O livro inclui corrupção corporativa, suspense na corte da justiça, uma família disfuncional e um quebra-cabeças do gênero Agatha Christie.  Tudo enquanto o repórter Mikael Blomkvist é empregado por um velho mogul para desvendar um antigo crime envolvendo o desaparecimento de sua sobrinha, há 40 anos.  Junto com o repórter está a hacker de computadores Lisbeth Salander.  

 

 

The Chinaman, de Friedrich Glauser, é a tradução de um antigo mistério do escritor austríaco, nascido em 1896.   Glauser passou muitos anos de sua vida entrando e saindo de hospitais e clínicas psiquiátricas mas mesmo assim crime-glauser_200conseguiu escrever uma série de romances de mistério com narrativas completamente hipnóticas.  Eles são estrelados pelo policial Suíço Sargento Studer.  [ Em reconhecimento pelo grande escritor, a Alemanha nomeou seu mais prestigiado prêmio para a ficção de mistério de Prêmio Glauser].  Este mistério é o quarto da série de Glauser e foi publicado pela primeira vez em 1939.  

 

 

Death Vows, de Richard Stevenson, tem Donald Strachey, o conhecido crime-deathvows_200detetive gay, que habita os romances de Stevenson.  Este é seu nono livro e motivo central circula à volta do direitos do casamento gay.   Strachey é contratado por um grupo de amigos, que suspeitam de alguma coisa errada sobre o noivo, logo, logo marido, de um amigo deles Bill Moore.  Assim que Strachey entra em cena, um assassinato acontece.  

 

 

The Long Embrace, de Judith Freeman, é um mistério com uma narrativa crime-freeman_200atmosférica.  Apesar de não ser tecnicamente um livro de crime, este romance gira em torno da vida de um dos escritores de histórias de detetives mais queridos nos EUA: Raymond Chandler.  O livro se concentra no casamento de 30 anos  desse escritor  com Cissy Pascal, que era 18 anos mais velha que ele. 

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Títulos  no Brasil:

 

 

Stieg Larsson:  Os homens que não amavam as mulheres, tradução de Paulo Neves, Companhia das Letras: 2008, São Paulo.

 

  





A arte de fazer filas

21 11 2008

formigas-em-fila-carlos-weikerFoto do site de Carlos Weick

 

Se você se acha freqüentemente na fila do supermercado, do cinema, do metro, do estacionamento, do pagamento no banco, sabe como é duro ficar ali, em pé à espera da sua vez.  

 

Hoje em dia, a maioria dos lugares – ainda bem – oferece uma fila única para diversos caixas, o que garante que as pessoas sejam atendidas por ordem de chegada.  Vamos e venhamos, nada pior do que ver a sua vez pulada… O que eu não sabia é que a arte de fazer filas é foco de estudos por psicólogos nos EUA.  Richard Larson, diretor do Centro de Fundamentos da Engenharia de Sistemas no MIT, estuda o assunto há mais de 20 anos.   Seu interesse é saber o que faz as pessoas perderem a calma nas filas e também o que as faria não perceberem a chatice de estar numa fila.  

 

O objetivo do estudo não é reduzir o tempo na fila, mas fazer com que filas possam ser vistas como uma experiência prazerosa.   Diga-se de passagem, sua primeira descoberta é simplesmente uma questão de bom senso, e nem deveria fazer parte de tal estudo: eliminar a sensação de perda de tempo, entretendo os participantes da fila, faz com que esta experiência seja mais bem recebida por quem espera.  

 

Este método já é bastante utilizado em locais que exigem uma longa espera.  Um dos exemplos dados são filas em parques de diversões, como os de Walt Disney nos EUA, que usam uma maneira das pessoas na fila de suas atrações começarem a se divertir com a futura atração participando de questionários e brincadeiras cujo tema é relacionado à atração por que o público espera.  

 

Aqui estão as pequenas regras da psicologia da fila:

 

• O tempo passado com a mente ocupada parece menor.

 

• As pessoas querem começar.

 

• A ansiedade faz as pessoas acharem que o tempo passa devagar.

 

• Uma espera sem tempo diagnosticado parece maior do que uma espera em que se conhece o fim.

 

• Esperas sem explicação parecem mais longas do que as que são justificadas.  

 

• Esperas igualmente distribuídas parecem menores do que as que parecem aleatórias.

 

• Quanto mais desejado o serviço, mais o cliente estará disposto a esperar.

 

• Para uma pessoa esperando sozinha o tempo passa mais devagar do que se ela estivesse num grupo.

 

Para maior detalhamento da arte de fazer filas, veja o artigo original de A. Pawlowski, na CNN, AQUI.

 





Ofícios — poesia de Cid Silveira para uso escolar

21 11 2008

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Engraxate

Patrice Piard (Haiti)

 

 

 

Ofícios
                                                        Cid Silveira

Para ganhar meu pão, basta que exista
um ofício qualquer, seja qual for:
caldeireiro, engraxate, motorista,
tecelão, alfaiate ou ferrador.

Todo trabalho é nobre quando honesto,
quando não favorece a exploração
e não provoca o mínimo protesto
de outros que também têm seu ganha-pão.

Por mais rude que for, não me intimida
nem me causa aversão nenhum mister.
Porque trabalho, não receio a vida
e espero sempre o que de pior me vier.

Nem todos os ofícios são amenos
como os que para nós sonharam nossas mães …
Tudo serei na vida, tudo; menos
agente de polícia ou laçador de cães!

 

 

 

Obras:

Poemas da Minha Saudade, 1928.

Poesias, 1944

 

Cid Silveira – (SP 1910). Trabalhou muitos anos em Santos, como empregado do comércio, numa casa comissária de café.  Contador, Bacharel em Ciências Econômicas; colaborou na imprensa por muitos anos.                                             





Evitando acidentes IV

20 11 2008

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Jamais converse com alguém,

se você não o conhece bem.





As línguas estão acabando!

20 11 2008

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Construção da Torre de Babel , 1424-25

Mestre do Duque de Bedford, (França, circa 1405-1435)

Iluminura.

 

 

Um artigo recente da revista O Economista, fala com pesar sobre os milhares de línguas humanas em processo de extinção.  Apesar de ser interessante sabermos a maneira como seres humanos pensam e de como desenvolveram maneiras de pensar, parece inevitável que num mundo de comunicações instantâneas algumas línguas deixem de existir.  

 

As projeções são de que a maioria das 7000 línguas do mundo não serão mais faladas até o final deste século; 200 línguas africanas morreram no último século e 300 mais correm sério risco de desaparecerem.  No Sudeste da Ásia 145 línguas estão prestes a desaparecer, entre elas a língua Manchu falada na China, a Hua falada em Botswana, e a Gwich’in falada no Alasca.

 

Parece-me inexorável o desaparecimento destas línguas.  Principalmente quando a comunicação entre povos tornou-se comum e diária.  Num mundo em que pelo simples ligar de um aparelho de televisão uma pessoa é exposta a uma dúzia de línguas, essas, que ouvimos, parecem ser de maior importância para a própria sobrevivência do ser humano; sem se falar nas linguas usadas nas comunicações virtuais.  Este é um desenvolvimento natural.  Se nos lembrarmos bem, outras tantas línguas  já desapareceram através dos milênios tais como a língua Acadiana, Etrusca, Tangut, Chibcha e muitas, muitas outras,  algumas até de que não se tem noção.   

 

Algumas línguas, hoje, mesmo usadas por um grupo significativo de pessoas, estão sendo aos poucos trocadas por línguas que possam trazer maior sucesso econômico e conseqüentemente  melhor nível de sobrevivência para aqueles que as falam.   Assim, aos poucos, a pluralidade lingüística da Rússia está desaparecendo à medida que a juventude descobre ser indispensável o uso do Russo no cotidiano.  O mesmo acontece com habitantes da China e do Tibete que sentem necessidade de trocar suas respectivas línguas natais pelo Mandarim, a língua de franco acesso no território chinês.

 

Assim como há aqueles que querem salvar as espécies de animais em perigo de extinção, há muita gente querendo salvar, preservar se possível, línguas que tem poucos habitantes usando-as como no exemplo citado pela revista O Economista de Peter Austin, um lingüista Australiano.  Ele menciona:  Njerep, uma das 31 línguas em extinção tem no momento só 4 pessoas que a falam e todas acima de 60 anos de idade.   

 

Mas línguas são difíceis de serem preservadas, pois uma língua só faz sentido quando é falada e entendida.  Se não tem mais essa função entre os seres humanos, deixou de ter razão para a sua sobrevivência, porque deixou de produzir  aquilo a que se propõe: comunicação.

 

Este é um aspecto muito diferente dos apresentados pelos animais em extinção, que muitas vezes se acham nestas condições,  porque há muito mais demanda para suas virtudes ou suas qualidades do que esses animais têm em capacidade de reprodução.  Assim me parece ser o caso do marfim dos elefantes, das peles de jacarés, da carne de baleia, da carne do urso polar.  Por outro lado, uma língua não desaparece porque muitos querem falá-la.  Ao contrário, ela desaparece porque já não comporta a realidade em que precisa ser acionada.  

 

Saber lidar com a mudança de uma realidade para outra foi o que fez com que os seres humanos sobrevivessem.  A perda voluntária de uma língua como está acontecendo nas culturas mencionadas faz parte deste processo de sobrevivência humana.  E da seleção natural entre os seres vivos. 

 

 

 

Para ler o artigo da revista O Economista.

 

Mestre do Duque de Bedford: Pintor de iluminuras.  Échamado de Mestre do Duke de Bedford por não se saber seu nome original.  Leva então o nome pela comissão que recebeu de John, Duque de Bedford, entre os anos de 1422 e 1435.  Quando a serviço do duque deve ter recebido o título de Assistente Mestre do Duque de Bedford, por causa da importância das obras a ele requisitadas.  Seu estilo em iluminuras é identificado pela maneira de modelar o corpo humano, pela restrição cromática de sua palheta e pelo pouquíssimo uso da folha de ouro como embelezamento.   





Canção de Gonçalves Crespo, no dia da consciência negra

20 11 2008

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Mulata, s/d

Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)

Óleo sobre tela.

 

 

 

 

 

CANÇÃO 

 

                               Gonçalves Crespo

 

                                                            A Bernardino Machado

 

 

                              I

 

Mostraram-me um dia na roça dançando

Mestiça formosa de olhar azougado,

Co’um lenço de cores nos seios cruzado,

Nos lobos de orelha pingentes de prata.

               Que viva mulata!

                Por ela o feitor

Diziam que andava perdido de amor.

 

 

                             II

 

De entorno dez léguas da vasta fazenda

A vê-la corriam gentis amadores,

E aos ditos galantes de finos amores,

Abrindo seus lábios de viva escarlata,

                 Sorria a mulata,

                 Por quem o feitor

Nutria quimeras e sonhos de amor.

 

 

                           III

 

Um pobre mascate, que em noites de lua

Cantava modinhas, lunduns magoados,

Amando a faceira dos olhos rasgados,

Ousou confessar-lhe com voz timorata…

                 Amaste-o, mulata!

                 E o triste feitor

Chorava na sombra perdido de amor.

 

 

                           IV

 

Um  dia encontraram na escura senzala

O catre da bela mucamba vazio;

Embalde recortam pirogas o rio,

Embalde a procuram nas sombras da mata.

                 Fugira a mulata,

                 Por quem o feitor

Se foi definhando, perdido de amor.  

 

 

 

 

Em: Obras Completas, Gonçalves Crespo, Livros de Portugal, s/d, Rio de Janeiro.

 

 

 

 

goncalves-crespo

 

 

 

 

 

António Cândido Gonçalves Crespo (Rio de Janeiro, 1846 — Lisboa, 1883), jurista e poeta, membro das tertúlias intelectuais portuguesas do último quartel do século XIX. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, tendo colaborado em diversos periódicos, entre os quais O Ocidente e a Folha, o jornal de que era director João Penha, o poeta que introduziu em Portugal o Parnasianismo.  Foi casado com a poetisa Maria Amália Vaz de Carvalho.

 

 

 

 

 

dicavalcantiEmiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, mais conhecido como Di Cavalcanti (Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1897 — Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1976) foi um pintor, ilustrador e caricaturista brasileiro.





Brasil que lê: foto tirada em lugar público

20 11 2008

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Praça do Lido, Copacabana, Rio de Janeiro.





10 passos para que seus filhos se tornem bons leitores

20 11 2008

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A Leitura, s/d

Sharon Wilson (Bermudas)

Pastel a óleo sobre papel

 

 

1          Leia em voz alta com eles.  Explore com eles os livros e outros materiais de leitura – revistas, jornais, folhetos, almanaques, cartazes, placas.

 

 

2       – Ofereça a eles um ambiente favorável à leitura: fazendo atividades com leitura, mesmo com bebês e crianças bem pequenas.

 

 

3       – Converse com seus filhos e escute-os quando falam.  Isso ajuda muito no desenvolvimento da linguagem oral.

 

 

4       – Peça para eles recontarem histórias que você leu em voz alta para eles.   (Isso não é aula!  Cuidado!  Precisa ser descontraído e agradável!)

 

 

5       – Incentive seus filhos a desenhar e fazer de conta que escrevem as histórias que ouviram.  Depois peça a eles que “leiam” as histórias que eles desenharam.

 

 

6       – Dê o exemplo: faça com que eles vejam você lendo e escrevendo.

 

 

7       – Vá à biblioteca mais próxima de sua casa regularmente e leve seus filhos com você.

 

 

8       – Crie uma pequena biblioteca em casa e uma prateleira de livros para sua criança, onde ela se acostume a colocar livros, guardá-los e buscá-los.

 

 

9       – Faça um pouquinho de mistério com os livros ou as histórias a serem contadas, aguce a curiosidade da criança, faça com que ela deseje um certo livro, uma história específica.

 

 

10  – Leve seus filhos sempre que houver Hora do Conto, teatro infantil e atividades similares na comunidade, na escola, no município onde você mora. 

 

 

 

Texto adaptado do Passaporte da Leitura: brincar de ler, do Instituto EcoFuturo, publicado pela Editora Globo:2008

 

 

 

 





19 de novembro: o dia do cordelista

19 11 2008

Uma pequena homenagem aos nossos  cordelistas.

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…………..

 

Agora com mensalão

Tudo virou um mistério

O homem rico do Brasil

Agora é Marcos Valério

Nossa justiça não brinca

Eu digo que o caso é sério

 

 

O povo tá arretado

E coberto de razão

Dinheiro sendo roubado

Para pagar o mensalão

Eu só vou me conformar

Depois de pegar o ladrão

 

 

FIM

 

 

 

Duas últimas estrofes de – Mensalão: um vírus no Brasil, em literatura de cordel de Davi Teixeira.  Capa: xilogravura do autor. ©2005 

 

 

David Teixeira da Silva nasceu em Bezerros em 1959 começou a escrever seus poemas em 1998, alguns deles já foram publicados no jornal A Folha de Pernambuco.

 

 

 

Para mais informações sobre O dia do cordelista.