Quadrinha para o Dia das Mães

24 04 2011
Ilustração, mãe e filho, Frederick Richardson, 1975.

Tudo o que fui e que sou

devo ao seu zelo e carinho.

— Mãezinha, você plantou

roseiras no meu caminho!

( Pedro Peixoto de Aguiar)





Seis quadrinhas escolares sobre Tiradentes por Walter Nieble de Freitas

17 04 2011

6 quadrinhas escolares  para o Dia de Tiradentes

                                               Walter Nieble de Freitas

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Por ter sido descoberto

Por Pedro Álvares Cabral,

O Brasil, caros colegas,

Pertenceu a Portugal.

Ouvi dizer que homens bravos,

Chefiados por Tiradentes,

Receberam nesse tempo,

O nome de inconfidentes.

Os nossos inconfidentes

Nutriam um ideal:

Desejavam separar

O Brasil de Portugal.

Joaquim Silvério dos Reis

Traiu os incoonfidentes,

Destruindo dessa forma,

O sonho de Tiradentes.

No dia Vinte e Um de Abril,

Sob vivas estridentes,

Foi, no Rio de Janeiro,

Enforcado Tiradentes.

O exemplo que Tiradentes

nos deu a Vinte e Um de Abril

É a página mais linda

da História do Brasil.

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Em: 1000 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural: 1965





A banana, poema de Sônia Carneiro Leão

11 04 2011

Campo de Batalha 5 , 1973

Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)

óleo sobre tela, 182 x 234cm

A banana

Sônia Carneiro Leão

A fruta mais descarada

da espécie vegetal,

exibicionista, safada,

a mais amada,

preferência nacional.

Nasce, assim, sem respeito,

em qualquer parte,

de qualquer jeito,

em qualquer quintal

onde houver

um sol tropical.

Em terras baianas,

pernambucanas,

nossa República das Bananas.

Verdadeiro tesouro:

banana-prata, banana-ouro.

Chiquita bacana.

Banana querida,

banana amiga,

da nossa barriga.

Banana brasileira,

te como toda,

te como inteira.

Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.

Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife.  Psicanalista, escritora, poetisa, contista  e tradutora.





Quadrinha sobre o namoro

9 04 2011

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Se estiverdes namorando,

aos beijinhos, no portão,

já sabes, o amor é cego,

porém, os vizinhos,  não…

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(Dieno Castanho)





Vozes da noite, poema para a infância de Armando Côrtes-Rodrigues

28 03 2011

Vozes da noite

                                           Armando Côrtes Rodrigues

Vozes na Noite!  Quem fala

Com tanto ardor, tanto afã?

Falou o Grilo primeiro,

Logo depois foi a Rã.

Pobre loucura dos homens

Quando julgam entendê-las…

Só eles pasmam os olhos

Neste encanto das estrelas…

Lá no silêncio dos campos

Ou no mais ermo da serra,

Na voz das rãs dala a àgua,

Na voz dos grilos a Terra.

Só eles cantam a vida

Com amor e singeleza,

Por ser descuidadaa, alegre;

Por ser simples, com beleza.

Pudesse agora dizer-te,

Sem ser por palavras vãs,

O que diz a voz dos grilos,

O que diz a voz das rãs.

Em: Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: s/d

Armando César Côrtes-Rodrigues (Portugal, 1891 — 1971 ) Escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que se distinguiu pelos seus estudos de etnografia e em particular pela publicação de um Cancioneiro Geral dos Açores e de um Adagiário Popular Açoriano, obras de grande rigor e qualidade.

Obra poética:

 Ode a Minerva:angra do heroísmo, 1922

Em Louvor da humildade: poemas da terra e dos pobres., 1924

Cântico das Fontes, 1934

Cantares da noite seguidos dos poemas de orpheu, 1942

Quatro poemas líricos, 1948

Horto fechado e outros poemas, 1953

Antologia de Poemas de Armando Côrtes-Rodrigues, 1956.





Trova do jogo

24 03 2011

Pato Donald compete com Gastão, ilustração Walt Disney.

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Não adianta reclamar,

quem joga tem que saber:

jamais deverão jogar

os que não sabem perder.

(Décio Valente)





Outono, poesia de Cyra de Queiroz Barbosa

21 03 2011

Outono, ilustração de revista americana, 1922, sem título.

Outono

Cyra de Queiroz Barbosa

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A calçada está coberta

com folhas soltas

das amendoeiras

sopradas pelo vento.

Vermelhas

amareladas

quase secas

outonadas.

As árvoes se despiram.

Esgalharam.

Braços suspensos

como em preces

implorando

o reviver na primavera.

Nos rostos que caminham pela rua

há marcas das horas

vividas

sofridas.

Há passos que se apagam

entre as duas calçadas.

Há braços que se estendem

na vã espera.

Outono

sem reviver

sem primavera.

Em: Moenda:painéis e poemas interiorizados, Cyra de Queiroz Barbosa, Rio de Janeiro, Rocco:1980, p. 129





Quadrinha infantil sobre o leite

16 03 2011

 

Creme

Alfred Arthur Brunel de Neuville (França, 1851-1941)

óleo sobre madeira

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O leite, que é a bebida

Ideal para o estudante,

É mil vezes superior

A qualquer refrigerante.

(WNF)





Pirilampos, poesia infantil de Henriqueta Lisboa

12 03 2011

Ilustração, Vagalumes, de Leslie Harrington.

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Pirilampos

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Henriqueta Lisboa

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Quando a noite

vem baixando,

nas várzeas ao lusco-fusco

e na penumbra das moitas

e na sombra erma dos campos,

piscam piscam pirilampos.

São pirilampos ariscos

que acendem pisca-piscando

as suas verdes lanternas,

ou são claros olhos verdes

de menininhos travessos,

verdes olhos semitontos,

semitontos mas acesos

que estão lutando com o sono?

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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta,  tradutora professora de literatura,  Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.  Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.





Minha cama — poesia infantil de Sérgio Capparelli

26 02 2011

Hipopótamo na banheira

Adam Fryda  (Inglaterra, contemporâneo)

gravura 20 x 16,5 cm

www.adamfryda.co.uk

Minha cama

                                                 Sérgio Capparelli

Um hipopótamo na banheira

molha sempre a casa inteira.

A água cai e se espalha

molha o chão e a toalha.

E o hipopótamo: nem ligo

estou lavando o umbigo.

E lava e nunca sossega,

esfrega, esfrega e esfrega

a orelha, o peito, o nariz

as costas das mãos, e diz:

Agora vou dormir na lama

pois é lá a minha cama!

Sérgio Capparelli (MG, 1947) é um escritor de literatura infanto-juvenil, jornalista e professor universitário.

VEJA O PORTAL DO AUTOR:  http://www.capparelli.com.br/