Ilustração, mãe e filho, Frederick Richardson, 1975.
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Tudo o que fui e que sou
devo ao seu zelo e carinho.
— Mãezinha, você plantou
roseiras no meu caminho!
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( Pedro Peixoto de Aguiar)
Ilustração, mãe e filho, Frederick Richardson, 1975.—
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Tudo o que fui e que sou
devo ao seu zelo e carinho.
— Mãezinha, você plantou
roseiras no meu caminho!
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( Pedro Peixoto de Aguiar)
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Walter Nieble de Freitas
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Por ter sido descoberto
Por Pedro Álvares Cabral,
O Brasil, caros colegas,
Pertenceu a Portugal.
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Ouvi dizer que homens bravos,
Chefiados por Tiradentes,
Receberam nesse tempo,
O nome de inconfidentes.
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Os nossos inconfidentes
Nutriam um ideal:
Desejavam separar
O Brasil de Portugal.
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Joaquim Silvério dos Reis
Traiu os incoonfidentes,
Destruindo dessa forma,
O sonho de Tiradentes.
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No dia Vinte e Um de Abril,
Sob vivas estridentes,
Foi, no Rio de Janeiro,
Enforcado Tiradentes.
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O exemplo que Tiradentes
nos deu a Vinte e Um de Abril
É a página mais linda
da História do Brasil.
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Em: 1000 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural: 1965
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Campo de Batalha 5 , 1973
Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)
óleo sobre tela, 182 x 234cm
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Sônia Carneiro Leão
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A fruta mais descarada
da espécie vegetal,
exibicionista, safada,
a mais amada,
preferência nacional.
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Nasce, assim, sem respeito,
em qualquer parte,
de qualquer jeito,
em qualquer quintal
onde houver
um sol tropical.
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Em terras baianas,
pernambucanas,
nossa República das Bananas.
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Verdadeiro tesouro:
banana-prata, banana-ouro.
Chiquita bacana.
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Banana querida,
banana amiga,
da nossa barriga.
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Banana brasileira,
te como toda,
te como inteira.
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Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
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Se estiverdes namorando,
aos beijinhos, no portão,
já sabes, o amor é cego,
porém, os vizinhos, não…
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(Dieno Castanho)
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Armando Côrtes Rodrigues
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Vozes na Noite! Quem fala
Com tanto ardor, tanto afã?
Falou o Grilo primeiro,
Logo depois foi a Rã.
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Pobre loucura dos homens
Quando julgam entendê-las…
Só eles pasmam os olhos
Neste encanto das estrelas…
–
Lá no silêncio dos campos
Ou no mais ermo da serra,
Na voz das rãs dala a àgua,
Na voz dos grilos a Terra.
–
Só eles cantam a vida
Com amor e singeleza,
Por ser descuidadaa, alegre;
Por ser simples, com beleza.
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Pudesse agora dizer-te,
Sem ser por palavras vãs,
O que diz a voz dos grilos,
O que diz a voz das rãs.
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Em: Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: s/d
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Armando César Côrtes-Rodrigues (Portugal, 1891 — 1971 ) Escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que se distinguiu pelos seus estudos de etnografia e em particular pela publicação de um Cancioneiro Geral dos Açores e de um Adagiário Popular Açoriano, obras de grande rigor e qualidade.
Obra poética:
Ode a Minerva:angra do heroísmo, 1922
Em Louvor da humildade: poemas da terra e dos pobres., 1924
Cântico das Fontes, 1934
Cantares da noite seguidos dos poemas de orpheu, 1942
Quatro poemas líricos, 1948
Horto fechado e outros poemas, 1953
Antologia de Poemas de Armando Côrtes-Rodrigues, 1956.
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Não adianta reclamar,
quem joga tem que saber:
jamais deverão jogar
os que não sabem perder.
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(Décio Valente)
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Cyra de Queiroz Barbosa
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A calçada está coberta
com folhas soltas
das amendoeiras
sopradas pelo vento.
Vermelhas
amareladas
quase secas
outonadas.
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As árvoes se despiram.
Esgalharam.
Braços suspensos
como em preces
implorando
o reviver na primavera.
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Nos rostos que caminham pela rua
há marcas das horas
vividas
sofridas.
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Há passos que se apagam
entre as duas calçadas.
Há braços que se estendem
na vã espera.
Outono
sem reviver
sem primavera.
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Em: Moenda:painéis e poemas interiorizados, Cyra de Queiroz Barbosa, Rio de Janeiro, Rocco:1980, p. 129
Creme
Alfred Arthur Brunel de Neuville (França, 1851-1941)
óleo sobre madeira
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O leite, que é a bebida
Ideal para o estudante,
É mil vezes superior
A qualquer refrigerante.
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(WNF)
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Henriqueta Lisboa
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Quando a noite
vem baixando,
nas várzeas ao lusco-fusco
e na penumbra das moitas
e na sombra erma dos campos,
piscam piscam pirilampos.
São pirilampos ariscos
que acendem pisca-piscando
as suas verdes lanternas,
ou são claros olhos verdes
de menininhos travessos,
verdes olhos semitontos,
semitontos mas acesos
que estão lutando com o sono?
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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta, tradutora professora de literatura, Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Obras:
Fogo-fátuo (1925)
Enternecimento (1929)
Velário (1936)
Prisioneira da noite (1941)
O menino poeta (1943)
A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano
Flor da morte (1949)
Madrinha Lua (1952)
Azul profundo (1955);
Lírica (1958)
Montanha viva (1959)
Além da imagem (1963)
Nova Lírica ((1971)
Belo Horizonte bem querer (1972)
O alvo humano (1973)
Reverberações (1976)
Miradouro e outros poemas (1976)
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)
Pousada do ser (1982)
Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.
Adam Fryda (Inglaterra, contemporâneo)
gravura 20 x 16,5 cm
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Sérgio Capparelli
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Um hipopótamo na banheira
molha sempre a casa inteira.
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A água cai e se espalha
molha o chão e a toalha.
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E o hipopótamo: nem ligo
estou lavando o umbigo.
—
E lava e nunca sossega,
esfrega, esfrega e esfrega
—
a orelha, o peito, o nariz
as costas das mãos, e diz:
—
Agora vou dormir na lama
pois é lá a minha cama!
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Sérgio Capparelli (MG, 1947) é um escritor de literatura infanto-juvenil, jornalista e professor universitário.
VEJA O PORTAL DO AUTOR: http://www.capparelli.com.br/