Quadrinha infantil sobre a praia

17 08 2011

Que grande travesso é o mar!

Molha de novo o lençol

que a praia para secar,

expôs aos raios do sol!

(Walter Waeny)





Lágrima de preta — poesia juvenil de Antônio Gedeão

16 08 2011

Negra com paisagem ao fundo, 1935

Genesco Murta ( Brasil, MG 1885 —  MG, 1967)

óleo sobre tela sobre eucatex, 58 x 48 cm

Coleção Particular

Lágrima de preta

                        Antônio Gedeão

Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.

Recolhi a lágrima

com todo cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.

Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.

Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.

Rômulo Vasco da Gama de Carvalho , rambém conhecido pelos pseudônimos : Antônio Gedeão ou por Rômulo de Carvalho. (Portugal,  1906-1997)  Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa.  Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições.  Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo

Obras poéticas:

Movimento perpétuo, 1956

Teatro do Mundo, 1958

Máquina de Fogo, 1961

Poema para Galileu 1964

Linhas de Força, 1967

Poemas Póstumos, 1983

Novos Poemas Póstumos, 1990





Pontinho de vista, poesia infantil de Pedro Bandeira

12 08 2011

Pontinho de vista

                          Pedro Bandeira

Eu sou pequeno, me dizem,

e eu fico muito zangado.

Tenho de olhar todo mundo

com o queixo levantado.

Mas, se formiga falasse

e me visse lá do chão,

ia dizer, com certeza:

— Minha nossa, que grandão!





Ambição do Pingo d’água — poesia de Jacy Pacheco, para uso escolar

9 08 2011

 

Ambição do Pingo D’Água 


                                                      Jacy Pacheco


A noite esqueceu
no côncavo de uma folha
vizinha de um riacho,
um pingo d’água.

Veio o sol
como uma rosa grande ardendo em febre
envolveu a pequenina gota
num punhado de cores.

Pingo d’água acordou,
olhou para baixo,
gostou do riacho…
Sonhou ser assim,
ser riacho também…

E correr,
e crescer,
ir além…
ser um rio bem grande,
maior do que ninguém…

veio o vento
de repente
e desgarrou da folha o pingo d’água.
Pingo d’água morreu.
Pingo d’água perdeu-se no riacho.

Pingo d’água sou eu.


Jacy
de Freitas Pacheco nasceu em Monerat, no estado do Rio de Janeiro, em 1910.  Poeta e escritor. Autor de músicas e letras  que nunca foram gravadas.   Faleceu em Niterói em 1989.





Herança Paterna — poema de Vicente de Paula Reis, pelo Dia dos Pais

3 08 2011




Herança paterna

                                      Vicente de Paula Reis

De meu pai, como herança que bendigo,

Recebi, neste vale de amargura,

Um tesouro do qual não me desligo

E o guardo avaramente, com ternura.

Escudando-me nele é que consigo,

Tornando a minha vida menos dura,

Impávido, vencer qualquer perigo,

Sobrepondo-me à própria desventura.

Essa herança, meu pai, que me legaste,

Tem suavizado muito a minha vida,

Dos espinhos do mundo mal ferida!

E essa prenda moral, que me deixaste,

É toda essa riqueza de ser pobre!

É toda essa grandeza de ser nobre!

Vicente de Paula Reis ( Rio de Janeiro 1895-?) Professor de português do Colégio Pedro II e jornalista com colunas em diversos periódicos do Rio de Janeiro.

Obra:

Esparsos, poesia, s/d





Quadrinha infantil do passarinho

4 07 2011
Cartão postal, 1907, ilustração assinada pelas iniciais JLS.

Não te invejo, ave que voas

tão livre no firmamento!

Vou também aonde quero

nas asas do pensamento!

(A. Coelho Neto)





Minha terra, poema de Casimiro de Abreu

26 06 2011

Paisagem com touro, 1925

Tarsila do Amaral ( Brasil, 1886 – 1973)

óleo sobre tela, 52 x 65 cm

Coleção Particular

Minha terra

                             Casimiro de Abreu

Todos cantam sua terra

Também vou cantar a minha

Nas débeis cordas da lira

Hei de fazê-la rainha.

— Hei de dar-lhe a realeza

Nesse trono de beleza

Em que a mão da natureza

Esmerou-se em quanto tinha.

Correi pras bandas do sul:

Debaixo de um céu de anil

Encontrareis o gigante

Santa Cruz, hoje Brasil.

— É uma terra de amores,

Alcatifada de flores,

Onde a brisa fala amores

Nas belas tardes de abril.

Tem tantas belezas, tantas,

A minha terra natal,

Que nem as sonha o poeta

E nem as canta um mortal!

— É uma terra encantada

— Mimoso jardim de fada –

Do mundo todo invejada,

Que o mundo não tem igual.

Em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, edição especial para o estado do Rio de Janeiro, RJ, Agyr:1957, 9ª edição.

Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839 — Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) poeta brasileiro da segunda geração romântica. Foi a Portugal com seu pai em 1853, onde permaneceu até 1857. Morreu aos 21 anos de idade de tuberculose. Deixou um único livro de poesias publicado em 1859, Primaveras, mas foi o suficiente para se tornar um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos. 

Obras: 

Teatro:

Camões e o Jaú , 1856

 Poesia:

Primaveras, 1859

 Romances: 

Carolina, 1856

Camila, romance inacabado, 1856

A virgem loura,

Páginas do coração, prosa poética,1857





Versinho do pica-pau — Manoel Xudu, repentista

14 06 2011

Admiro um pica-pau

Numa madeira de angico

Que passa o dia todim

Taco-taco, tico-tico

Não sente dor de cabeça

Nem quebra a ponta do bico

Manoel Xudu Sobrinho, (São José do Pilar, PB, 1932-  Salgado de São Félix, PB, 1987) poeta repentista.





A omeleta, poesia infantil de Maria de Lourdes Figueiredo

26 05 2011

A omeleta

Maria de Lourdes Figueiredo

Vou fazer uma omeleta

pra botar dentro do pão,

e, para isto, é preciso

que eu preste toda atenção.

Primeiro bater os ovos;

depois, fritar no fogão.

Virá-la, então, com cuidado…

Escapuliu!  Foi ao chão!…

Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1,  Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 110





Gemedeira dos pássaros , poesia de Roberto Pontes

18 05 2011

Gemedeira dos pássaros

                                       Roberto Pontes

                                                     Para Gracia Levine

Onde é que ficaram as praças

E os meus doces passarinhos

Da infância inesquecida?

Na aragem dos caminhos?

— As flores murcharam cedo

E os passarinhos com medo

Ai! ai! uui! ui!

Foram viver sozinhos.

Deixaram algum recado

Nos canteiros ressequidos?

Na trança tenra dos ninhos

O trinar pros meus ouvidos?

— O tziu levou seus filhos

A murta fechou seus cílios

Ai! ai! ui! ui!

Tão breve adormecidos.

Meus canteiros carregados

Minhas jandaias de sonho

O passado onde eu regava

E ainda  hoje amanho.

Jardins como um vasto véu

E asas pardas pelo céu

Ai! ai! ui! ui!

Vocês me põem tristonho.

Em: Poesia simplesmente, coletânea de diversos poetas, Edição independente, 1999.

Francisco Roberto Silveira de Pontes Medeiros, nasceu em Fortaleza, Ceará (04/02/1944). Cursou Direito (1964) e mestrado em Literatura Brasileira (1991) na UFC. 

Dados biográficos: Antônio Miranda