Trova sobre a infância

28 08 2011

Ilustração Maurício de Sousa.

Cantiga da bela infância,

peteca, bola, pião …

Minha inocência pelada

nadando no ribeirão…

(Clóvis Brunelli)





Roupa na corda, poesia de Jorge de Lima

27 08 2011

Roupa estendida, 1944

Eliseu Visconti (1866-1944)

óleo sobre tela  67 x 82 cm

Coleção Particular

Roupa na corda

                                Jorge de Lima

No fio de arame

tem roupa estendida,

tem roupa na corda,

ceroulas e cuecas

que dizem coisas brejeiras

às calçolas da sinhá

                   sinhá, sinhá

                   toma vento

                   senão vem um pé-de-vento

                   e carrega com sinhá!

no fio de arame

tem roupa pingando água,

deixa pingar

não faz mal nenhum…

Em: Poesias completas, vol. IV, Jorge de Lima, Rio de Janeiro, José Aguilar:1974

Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.

Obras:

Poesia: 

XIV Alexandrinos (1914)

O Mundo do Menino Impossível (1925)

Poemas (1927)

Novos Poemas (1929)

O acendedor de lampiões (1932)

Tempo e Eternidade (1935)

A Túnica Inconsútil (1938)

Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)

Poemas Negros (1947)

Livro de Sonetos (1949)

Obra Poética (1950)

Invenção de Orfeu (1952)

Romance: 

O anjo (1934)

Calunga (1935)

A mulher obscura (1939)

Guerra dentro do beco (1950)





No Paraíba — poesia infantil de Julinda Alvim

18 08 2011

Animais em beira de rio, s/d

Alexandre Reider ( Brasil, SP, 1973)

Óleo sobre tela

www.areider.com.br

No Paraíba

                 Julinda Alvim

Sulcando a plaga serena

à luz da manhã dourada,

numa cantiga magoada,

chora o rio a sua pena.

E uma bonita morena,

lavadeirinha engraçada,

canta saudosa balada,

descendo a margem amena.

Chega e depõe a bacia

de roupa.  Seu vulto espia

na flor do rio, cismando.

Volve, escuta os passarinhos.

Depois a nuvem de linhos

mergulha na água, cantado…

Em: Vamos estudar?3ª série primária – edição especial para o estado do Rio de Janeiro,  Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1957





Quadrinha infantil sobre a praia

17 08 2011

Que grande travesso é o mar!

Molha de novo o lençol

que a praia para secar,

expôs aos raios do sol!

(Walter Waeny)





Lágrima de preta — poesia juvenil de Antônio Gedeão

16 08 2011

Negra com paisagem ao fundo, 1935

Genesco Murta ( Brasil, MG 1885 —  MG, 1967)

óleo sobre tela sobre eucatex, 58 x 48 cm

Coleção Particular

Lágrima de preta

                        Antônio Gedeão

Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.

Recolhi a lágrima

com todo cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.

Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.

Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.

Rômulo Vasco da Gama de Carvalho , rambém conhecido pelos pseudônimos : Antônio Gedeão ou por Rômulo de Carvalho. (Portugal,  1906-1997)  Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa.  Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições.  Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo

Obras poéticas:

Movimento perpétuo, 1956

Teatro do Mundo, 1958

Máquina de Fogo, 1961

Poema para Galileu 1964

Linhas de Força, 1967

Poemas Póstumos, 1983

Novos Poemas Póstumos, 1990





Pontinho de vista, poesia infantil de Pedro Bandeira

12 08 2011

Pontinho de vista

                          Pedro Bandeira

Eu sou pequeno, me dizem,

e eu fico muito zangado.

Tenho de olhar todo mundo

com o queixo levantado.

Mas, se formiga falasse

e me visse lá do chão,

ia dizer, com certeza:

— Minha nossa, que grandão!





Ambição do Pingo d’água — poesia de Jacy Pacheco, para uso escolar

9 08 2011

 

Ambição do Pingo D’Água 


                                                      Jacy Pacheco


A noite esqueceu
no côncavo de uma folha
vizinha de um riacho,
um pingo d’água.

Veio o sol
como uma rosa grande ardendo em febre
envolveu a pequenina gota
num punhado de cores.

Pingo d’água acordou,
olhou para baixo,
gostou do riacho…
Sonhou ser assim,
ser riacho também…

E correr,
e crescer,
ir além…
ser um rio bem grande,
maior do que ninguém…

veio o vento
de repente
e desgarrou da folha o pingo d’água.
Pingo d’água morreu.
Pingo d’água perdeu-se no riacho.

Pingo d’água sou eu.


Jacy
de Freitas Pacheco nasceu em Monerat, no estado do Rio de Janeiro, em 1910.  Poeta e escritor. Autor de músicas e letras  que nunca foram gravadas.   Faleceu em Niterói em 1989.





Herança Paterna — poema de Vicente de Paula Reis, pelo Dia dos Pais

3 08 2011




Herança paterna

                                      Vicente de Paula Reis

De meu pai, como herança que bendigo,

Recebi, neste vale de amargura,

Um tesouro do qual não me desligo

E o guardo avaramente, com ternura.

Escudando-me nele é que consigo,

Tornando a minha vida menos dura,

Impávido, vencer qualquer perigo,

Sobrepondo-me à própria desventura.

Essa herança, meu pai, que me legaste,

Tem suavizado muito a minha vida,

Dos espinhos do mundo mal ferida!

E essa prenda moral, que me deixaste,

É toda essa riqueza de ser pobre!

É toda essa grandeza de ser nobre!

Vicente de Paula Reis ( Rio de Janeiro 1895-?) Professor de português do Colégio Pedro II e jornalista com colunas em diversos periódicos do Rio de Janeiro.

Obra:

Esparsos, poesia, s/d





Quadrinha infantil do passarinho

4 07 2011
Cartão postal, 1907, ilustração assinada pelas iniciais JLS.

Não te invejo, ave que voas

tão livre no firmamento!

Vou também aonde quero

nas asas do pensamento!

(A. Coelho Neto)





Minha terra, poema de Casimiro de Abreu

26 06 2011

Paisagem com touro, 1925

Tarsila do Amaral ( Brasil, 1886 – 1973)

óleo sobre tela, 52 x 65 cm

Coleção Particular

Minha terra

                             Casimiro de Abreu

Todos cantam sua terra

Também vou cantar a minha

Nas débeis cordas da lira

Hei de fazê-la rainha.

— Hei de dar-lhe a realeza

Nesse trono de beleza

Em que a mão da natureza

Esmerou-se em quanto tinha.

Correi pras bandas do sul:

Debaixo de um céu de anil

Encontrareis o gigante

Santa Cruz, hoje Brasil.

— É uma terra de amores,

Alcatifada de flores,

Onde a brisa fala amores

Nas belas tardes de abril.

Tem tantas belezas, tantas,

A minha terra natal,

Que nem as sonha o poeta

E nem as canta um mortal!

— É uma terra encantada

— Mimoso jardim de fada –

Do mundo todo invejada,

Que o mundo não tem igual.

Em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, edição especial para o estado do Rio de Janeiro, RJ, Agyr:1957, 9ª edição.

Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839 — Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) poeta brasileiro da segunda geração romântica. Foi a Portugal com seu pai em 1853, onde permaneceu até 1857. Morreu aos 21 anos de idade de tuberculose. Deixou um único livro de poesias publicado em 1859, Primaveras, mas foi o suficiente para se tornar um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos. 

Obras: 

Teatro:

Camões e o Jaú , 1856

 Poesia:

Primaveras, 1859

 Romances: 

Carolina, 1856

Camila, romance inacabado, 1856

A virgem loura,

Páginas do coração, prosa poética,1857