Bernard van Orley (antes de 1491- 1541)
óleo sobre painel de carvalho, 39 x 32 cm
Museus Reais de Belas Artes da Bélgica
Bernard van Orley (antes de 1491- 1541)
óleo sobre painel de carvalho, 39 x 32 cm
Museus Reais de Belas Artes da Bélgica
Jovem com véu [Margarita Luti], 1516
Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)
óleo sobre madeira, 82 x 61 cm
Palazzo Pitti, Florença
Há dois meses postei uma nota de Stendhal sobre um quadro de Rafael Sanzio, pintor da Renascença italiana. Era o retrato de uma jovem mulher, provavelmente de sua amante, conhecida como La Fornarina [a padeira, ou a filha do padeiro]. A paixão de Rafael por Margarita Luti, a jovem retratada foi amplamente conhecida. Vasari — autor da primeira compilação das vidas dos artistas italianos — não a menciona mas se referiu a Rafael como um homem que gostava muito da companhia de mulheres, um sedutor. Mais tarde, depois da morte de Rafael, em publicações posteriores o nome de Margarita Luti foi ligado ao de Rafael. Nunca houve identificação clara de que essa modelo era de fato Margarita. O artista pintou diversos retratos em que essa jovem aparece, mas não há até agora prova concreta de identificação.
Jovem com véu de 1516, mostra Rafael no seu melhor estilo. Grande delicadeza na pintura dos tons de pele, nas cores, prestimoso retratar dos tecidos. Um cuidado muito acima dos já espetaculares retratos anteriores.
La Fornarina, ou Retrato de uma jovem mulher, 1519
Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)
óleo sobre madeira, 85 x 60 cm
Galleria Nazionale d’Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma
No retrato do Palácio Barberini em Roma, posterior ao encontrado no Palazzo Pitti, vemos um Rafael mais enfatuado com sua modelo? Sem qualquer joia exceto a pérola no cabelo,que já aparecia no retrato anterior, acima, e a fita azul amarrada no braço, local que Rafael escolheu para assinar a obra; com um belo turbante oriental, última moda na época, a jovem seminua parece fazer um pequeno esforço para cobrir os seios. É uma pose associada às esculturas de Vênus, cujas cópias romanas dos originais gregos estavam à disposição do pintor. Vênus a deusa do amor é assim associada ao retrato da jovem mulher.
Mais tarde, depois da morte de Rafael, foi descoberta na Vila Hadriana em Tívoli, uma escultura em mármore, de origem grega, provável cópia de Praxíteles, cuja pose muito se assemelha à pintura de Rafael.
Vênus, dita Vênus de Médici, século I a.E.C.
Cleomenes , d’après Praxíteles
Mármore, 153 cm de altura
Encontrada em 1680 na Vila Hadriana, Tívoli
Galleria degli Uffizi, Florença
Beatrice Cenci *, 1662
Ginevra Cantofoli (Itália, 1618-1672)
Anteriormente atribuído a Guido Reni (Itália, 1575 -1642)
óleo sobre tela, 65 x 49 cm
Galleria Nazionale d’Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma
“O segundo retrato precioso da Galeria Barberini é obra de Guido: é o retrato de Beatrice Cenci de que se vê tantas gravuras imperfeitas. Esse grande pintor colocou no pescoço de Beatrice um insignificante pedaço de pano e cobriu-a com um turbante; temeu que a verdade chegasse ao horrível se reproduzisse exatamente as vestes que ela mandara fazer para aparecer na execução e os cabelos em desordem de uma pobre jovem de dezesseis anos que se abandona ao desespero. A cabeça é bela e suave, o olhar muito doce e os olhos muito grandes: têm o aspecto aturdido de alguém que é surpreendido no momento em que verte lágrimas ardentes. Os cabelos são louros e muito belos. Essa cabeça nada tem do orgulho romano e desta consciência de suas próprias forças que se surpreende às vezes no olhar confiante de uma filha do Tibre, di una figlia del Tevere, como elas dizem de si mesmas com altivez. Infelizmente as meias tintas se transformaram em rouge de brique durante esse longo intervalo de duzentos e trinta e oito anos que nos separam da catástrofe cujo relato se vai ler.”
Em: Crônicas italianas, Stendhal, tradução de Sebastião Uchoa Leite, São Paulo, Editora Max Limonad: 1981, p. 101
La Fornarina, ou Retrato de uma jovem mulher, 1519
Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)
óleo sobre madeira, 85 x 60 cm
Galleria Nazionale d’Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma
“A galeria deste palácio está agora reduzida a sete ou oito quadros; mas quatro deles são obras-primas: de início o retrato da célebre Fornarina, amante de Rafael, de autoria do próprio Rafael. Esse retrato cuja autenticidade não pode ser posta em dúvida, pois existem cópias da mesma época, é totalmente diferente da figura que, na galeria de Florença, é dada como o retrato da amante de Rafael, e que foi gravado, com essa indicação, por Morghen. O retrato de Florença não é de Rafael. Em homenagem ao prestígio desse grande nome poderia o leitor perdoar essa pequena digressão?”
Em: Crônicas italianas, Stendhal, tradução de Sebastião Uchoa Leite, São Paulo, Editora Max Limonad: 1981, p. 101
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O retrato a que Stendhal se refere é o seguinte:
La Fornarina ou Retrato de uma jovem mulher, 1512
Sebastiano del Piombo (Itália, 1485-1547)
óleo sobre madeira, 68 x 55 cm
Galleria degli Uffizi, Florença
Retrato da irmã da artista, 1914
Zinaida Evgenievna Serebriakova (Rússia, 1884-1967)
óleo sobre tela
Carlos de Laet (Brasil 1847-1927) em Triste Filosofia, Poesias, 1873
[Retrato de Zofia Potocka?]
círculo de Élisabeth Vigée-Le Brun
óleo sobre tela, 101 x 66 cm
Jacques Louis David (França, 1748-1825)
óleo sobre tela, 66 x 55 cm
The Art Institute of Chicago
Opala ardente [Retrato de Grace Mutell], 1899
Laura Coombs Hills (EUA, 1859- 1952)
óleo sobre tela, 15 x 12 cm
Museu de Belas Artes de Boston