Plantar, um poema infantil para o dia da árvore de Baltazar de Godoy Moreira

19 09 2008
Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

PLANTAR

                   Baltazar de Godoy Moreira 
 
 
 

 
 
 —

 

Planta-se uma sementinha,

dá isso muito trabalho?

Nasce em pouco uma plantinha,

um caule, depois um galho,

depois um outro, e a ramagem

abre-se e, após coroada

de verdejante folhagem,

fica uma árvore formada.

 

 

Depois chega a primavera.

O Sol tem outros fulgores!

E a planta que já crescera

cobre-se toda de flores!

O outono, após o verão,

traz os seus dias enxutos,

e brilha a árvore, então

toda arreada de frutos!

 

 

Muito trabalho dá isso?

Basta plantar a semente!

Em paga desse serviço

a árvore, fartamente,

depois de grande, viçosa,

além de muitos produtos,

dá sempre sombra gostosa,

quando não flores e frutos!

—-

 

 
Baltazar de Godoy Moreira, (SP 1898- 1969) Poeta, contista, professor, pedagogo. 
 
 

Marília, cidade nova e bonita, 1936  

Negro velho de guerra, 1947  

Roteiro de Pindamonhangaba Poesia, 1960

Curumim sem nome, s/d

Aventuras nos garimpos de Cuiabá, 1960

Rio Turbulento, s/d

O Castelo dos Três Pendões

A Caminho do Oeste, s/d

 

NOTA: Seu nome aparece com diversas maneiras de escrever.  Achei as seguintes, nem todos os serviços de busca reconhecem estas variantes. 

Baltazar de Godoy Moreira (não confundir com o bandeirante do mesmo nome, que deve ser seu antecessor).

Baltazar de Godói Moreira

Baltazar Godói Moreira.

 

Há também as mesmas variantes com Baltazar com a letra “z” e Baltasar com a letra “s”.

 




Chuvinha serena e mansa, poema infantil de Gevaldino Ferreira

16 09 2008
Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

Chuvinha Serena e Mansa 
                                                      
Gevaldino Ferreira

Que boa que és, chuvinha!
Chuvinha serena e mansa
caindo assim levezinha,
reverdecendo a campina,
molhando o pelo do gado
batendo no meu telhado,
trazendo um pouco de frio.
Trazendo sono às crianças
trazendo alegria ao rio.
Chuvinha que foi neblina.,
que depois virou garoa;
chuvinha serena e fina,
chuvinha serena e boa
que veio do céu cantando,
deixando o campo molhado,
germinando as sementeiras,
deixando o mato contente;
molhando a palha nas eiras,
molhando a terra e o arado,   
molhando tudo, molhando,
molhando a alma da gente.

Gevaldino Ferreira (RS 1912)  —

Poeta, carreteiro, tropeiro de gado, jornalista, crítico, técnico rural, fitopatologista, chefe do Laboratório Bromatológico do Rio Grande do Sul Flores da Cunha, diretor do ensino no Senai de Porto Alegre, membro da Academia Sul-rio-grandense de Letras e da Estância da Poesia Crioula.

 

Também usou os seguintes cognomes:  Conde de Ani e Fábio Ferreira Jr.

 

 

Obras:

Cantigas Que Vêm da Terra Poesia 1939  

Caravana Sentimentalista Poesia 1937  

Poemas da Alvorada de Mim Mesmo Poesia 1976  

Seara Alheia Crítica, teoria e história literárias 1971  

Tapera da Saudade Poesia 1940 





Lunar, uma poesia infantil de Wilson Pereira

13 09 2008

 

Noite estrelada à beira do Reno, 1888, Vincent Van Gogh (Holanda 1853-1890), 72,5 x 92 cm, Musée d'Orsay, Paris

Noite estrelada à beira do Reno, 1888, Vincent Van Gogh (Holanda 1853-1890), 72,5 x 92 cm, Musée d'Orsay, Paris

 

LUNAR

 

                                           Wilson Pereira 

 

A cidadezinha

encostada no rio

 

 

dorme devagar

 

 

branca de frio

e de luar. 

 

 

 

Wilson Pereira (MG 1949-): Poeta, contista, cronista, ensaísta e autor de textos infantis.

 

Obra: 

 

Escavações no Tempo(poemas), 1974; 

Menino sem Fim(poemas), 1988;

Pedras de Minas(poemas), 1994;

Pé de Poesia(literatura infantil), 1995; 

Amor de Menino(contos), 1997. 

Vento Moleque(literatura infantil), 2002;  

Riozinhos de Brinquedo(literatura infantil), 2006; 

Rãzinha que queria ser rainha (Callis, 2008);    

A Pedra de Minas – Poemas Gerais, que reúne poemas dos três livros editados e mais um livro inédito (Decantação)





Mendel, poema para crianças de Jorge Sousa Braga

12 09 2008
Giuseppe Arcimboldo, O Hortelão, 1590

Giuseppe Arcimboldo, O Hortelão, 1590

 

Mendel

 

Jorge Sousa Braga

 

 

Ao contrário dos monges beneditinos,

Que ficaram a meditar nas suas celas,

Ele gostava de meditar entre os pepinos,

Os brócolos, as favas e as berinjelas.

E foi num momento de meditação

Entre ervilhas de casca lisa e rugosa,

Que descobriu por que é que os teus olhos

São castanhos e não azuis ou cor-de-rosa.

 

Jorge Sousa Braga nasceu em 1957, em Vila Verde, Portugal. Médico e poeta. Seus cinco primeiros livros de poesia, publicados nos anos oitenta, encontram-se reunidos no livro O  Poeta Nu (1991).

 

      Outras obras:

      Fogo sobre Fogo (1998)

      Herbário (1999)

      A Ferida Aberta (2001)

 

Do livro: Herbário, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999      

    

 

 

 

Nota da Peregrina:

 

Mendel: 

Gregor Mendel (1822-1884) é chamado, com mérito, o pai da genética. Realizou trabalhos com ervilha (Pisum sativum 2x=14 ) no mosteiro de Brunn, na Áustria.

Arcimboldo:

Giuseppe Arcimboldo (15271593) foi um pintor italiano.





A onça e o macaco, poema infantil de Maria Lúcia Godoy

11 09 2008

A ONÇA E O MACACO

 

 

Maria Lúcia Godoy

 

 

Lá vem a onça pintada!

fico toda arrepiada,

mas vendo a sua beleza

fico a olhá-la encantada,

bem a distância, é claro,

que não sou boba nem nada.

 

Concordo que seja linda

mas tem a garra afiada.

Seu olhar verde, rasgado,

seu andar macio e ágil.

É uma onça menina,

brincando aprende a caçar.

 

Ora, a onça vem com fome.

Há muitos dias não come,

pois a caça está bem rara,

e ela só vê a cara

de um macaquinho engraçado.

 

Entre as folhas se disfarça.

Ligeira prepara o bote:

como uma flecha dispara

sobre o animal assustado.

O macaco dá um pulo,

foge para um galho alto

onde a onça não alcança.

 

De longe ele faz caretas

meu Deus, mas que aflição!

Acalmei meu coração,

disse adeus ao macaco e à onça

   desliguei a televisão.

 

 

Do livro:  O boto cor-de-rosa, Maria Lúcia Godoy, Rio de Janeiro, Editora Lê: 1987





A Laranjeira, poema de Júlia Lopes de Almeida

10 09 2008

 

A Laranjeira

 

 

Júlia Lopes de Almeida

 

 

Perfumada laranjeira,

Linda assim dessa maneira,

Sorrindo à luz do arrebol,

Toda em flores, branca toda

– Parece a noiva do Sol

Preparada para a boda.

 

E esposa do Sol, que a adora,

Com que cuidados divinos

Curva ela os ramos, agora!

E entre as folhas abrigados,

Seus filhos, frutos dourados,

Parecem sois pequeninos.

 

 

 

Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida (RJ 1862-  RJ 1934), foi uma escritora abolicionista brasileira, contista, romancista, cronista, teatróloga.  Iniciou sua carreira de escritora no jornal Gazeta de Campinas, onde morava em 1881.

Obras:

Memórias de Marta, 1889

A Família Medeiros, 1892

A Viúva Simões, 1897

A Falência, 1901

A Intrusa , 1908

Cruel Amor, 1911

Correio da Roça, 1913

A Silveirinha, 1914

A Isca, 1922

A Casa Verde (com Felinto de Almeida), 1932

Pássaro Tonto, 1934

O Funil do Diabo

 





PEIXE, poesia para crianças de Maria da Graça Almeida

8 09 2008

 

 

 

 

 Peixe

O peixinho prateado
no aquário sempre vejo!
Bem me fita, o assanhado,
só querendo me dar beijos.

Sua boca um “oi” miúdo
vai dizendo e isso é bom,
só o peixe, neste mundo,
fala “oi”, sem soltar som.

 

Maria da Graça Almeida

Maria da Graça Almeida – Pindorama, SP.  Escritora, poetisa, professora, pedagoga e formada em Educação Artística.

 

Obras: –

Espelho

Poesias Sem Mistério

A Graça que o bicho Tem

Que traça sem graça

Mitos do folclore

A Menina da janela

O Cuco Maluco

O besouro

 





A Pátria. Não há 7 de setembro, sem este poema!

7 09 2008

Bandeira do Brasil, criação fotográfica de Culiculicz.

Retirado de:

http://flickr.com/photos/62759970@N00/167812480/

 

 

A PÁTRIA

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!

A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!

Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

Vê que grande extensão de matas, onde impera

Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha

O pão que mata a fome, o teto que agasalha…

Quem com seu suor a fecunda e umedece,

Vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este:

Imita na grandeza a terra em que nasceste!

Olavo Bilac

Do livro:  Poesias Infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves: 1949, 17a edição.

 

 





Canto Nativo, de Jaime d’ Altavila, poesia para a 3a série, na semana da pátria.

6 09 2008

 

Paisagem, por Aldemir Martins (-2006), AST.

Paisagem, por Aldemir Martins (CE 1922- SP 2006), AST.

 

CANTO NATIVO

 

Jaime d’ Altavila

 

 

Quando eu morrer,

você rasgue um pedaço deste céu

            E faça dele a minha mortalha.

Quando eu morrer,

            você cave um torrão de terra virgem

            E faça dele o meu travesseiro.

Quando eu morrer,

            você arranque o Cruzeiro do Sul

            E faça das estrelas meus círios.

 

……………………………………………………………………..

 

Quando eu morrer,

            você  corte um ramo de pitangueiras

            E cruze, sobre ele, as minhas mãos.

Quando eu morrer,

            você plante sobre a minha sepultura

            uma palmeira de ouricuri.

………………………………………………………………………

 

Quando eu morrer,

            você diga aos que perguntarem por mim

            Que eu morri como nasci:

                        Brasileiro,

                        Brasileiro,

                        Brasileiro.

 

Jaime d’Altavila,  pseudônimo de Anfilófio Melo (AL 1895-1970), formado em Direito,  novelista, cronista, poeta, ensaísta, historiador.  Fundador da Academia Alagoana de Letras.

 

Obras:

 

A Terra Será de Todos  1983  

Canto Nativo  1949  

Estudos de literatura brasileira  1937  

Gênese da literatura alagoana  1922  

Lógica de um Burro  1924  

Luango  1945  

Mil e Duas Noites  1931  

O Tesouro Holandês de Porto Calvo  1961  

Poesias de J. A.  1995

Encontrado em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3a série primária, Rio de Janeiro, Agir: 1961.





MINHA TERRA, poesia para 3a série, Semana da Pátria

5 09 2008

 

Índio brasileiro.

Índio brasileiro.

 

MINHA TERRA

 

 

D. Aquino Correia

 

 

Minha terra é Pindorama

de palmares sempre em flor:

quem os viu e não os ama,

não tem alma nem amor.

 

Santa Cruz é minha terra,

terra santa cá do sul:

seu pendão a cruz encerra,

tem a cruz no céu azul.

 

Deus num último batismo

meu país Brasil chamou;

se me abrasa o patriotismo,

brasileiro então eu sou.

 

Eis os nomes que assinalam

minha terra sempre em flor:

são três nomes que me falam

de beleza, fé e amor.

 

Pindorama!  és meu encanto!

Santa Cruz!  és minha fé!

O’ Brasil!  Eu te amo tanto,

que por ti morrera até.

 

 

VOCABULÁRIO:

 

Pindorama – terra das palmeiras, nome dado ao Brasil pelos índios.

 

♦♦♦♦♦♦

 

 

D. Francisco Aquino Correia ( Cuiabá, MT 1885 – São Paulo – 1956)  arcebispo de Cuiabá.

 

 

Do livro:

 

Vamos estudar?: 3a série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro,  Agir: 1961. 12a edição. [Edição especial para os Estados de Goiás e Mato Grosso].