Outonal, poema de Eduardo Victor Visconti

14 04 2009

outono-cores-foz-do-iguacu1Outono em Foz do Iguaçu, Brasil.

 

 

OUTONAL

 

 

(Lendo Mário Pederneiras)

 

 

O Outono é lânguido e doce…

Em tudo os mesmos tons fanados,

A mesma luz pálida e frouxa.

— O Outono é como se fosse

Ocasos alongados…

 

Sempre a meia tinta roxa

Dos clarões crepusculares.

Tudo vago, indeciso…

Entre a neblina cinzenta, diviso

Um lenço branco, como a enviar saudades…

 

Pela paisagem anda esparsa

A sombra, a melancolia…

Às montanhas envolve a névoa garça.

O melro um triste canto preludia…

 

São velhos os troncos

A paisagem sem viço e sem frescura:

Ao longe os penedos broncos

Projetam sombra escura…

 

Sinto o ritmo nostálgico do Outono

Na cor, na luz, no soluçar das águas…

 

Ao vento, bailam folhas amarelas,

A Natureza dorme um calmo sono,

Há em tudo um lamento impreciso de mágoas,

Erram na bruma sugestões de velas…

O Outono é plácido, macio,

Nele vive dispersa,

A saudade dolente do estio…

 

 

 

Cantagalo —  1926.

 

 

Em: Aurora de Símbolos, Rio de Janeiro, Edições Laemmert: 1942

 

 

 

Eduardo Victor Visconti ( Salvador, BA 1906 — 1998) poeta, contista, ensaísta, sociólogo, crítico de arte, professor, jornalista, membro Acad. Letr. RJ.

 

 

Obras:

 

Aurora de símbolos  1942  

Poemas do meu abismo  1969  

Samburá de ritmos  1989  

Sociólogo dos sertões  1968  

Últimos queixumes  1926  

Vidas desiguais  1962  

Vocação do abismo  1980  

 

—–

 

 

Outras postagens sobre esta estação do ano:

 

Olavo Bilac

Entrada da estação

Mário Pederneiras

Baltazar de Godoy Moreira





Concurso estimula hábito de leitura entre criança e jovens

14 04 2009

livro-para-ler2

Luluzinha

 

 

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) recebe, até o próximo dia 30, inscrições para quatro concursos destinados à promoção do hábito de leitura entre crianças e adolescentes. Os concursos são realizados em parceria com a Petrobras. Os regulamentos estão disponíveis no site da fundação, no endereço http://www.fnlij.org.br.

 

O 14º concurso Os Melhores Programas de Incentivo à Leitura junto a Crianças e Jovens de todo o Brasil 2009 visa a premiar projetos com pelo menos dois anos de existência. “Pode ser em qualquer lugar. Pode ser na escola, na biblioteca, na rua. São projetos que já tenham uma experiência, um trabalho desenvolvido há pelo menos dois anos e que privilegiem a literatura”, afirmou a secretária-geral da FNLIJ, Elizabeth Serra.

 

Esse concurso foi lançado pela fundação em 1994 e retomado em 1997. Em 2003, foi iniciada a parceria com a Petrobras. “A finalidade é estimular e dar conhecimento dessas experiências que a gente sabe que há pelo Brasil, cada vez mais, de pessoas e empresas que estão procurando levar a leitura a crianças mais distantes”, explicou.

 

Outro concurso, o Leia Comigo, está em sua oitava edição e visa a premiar textos de adultos brasileiros ou estrangeiros residentes no país. “São dois tipos de relatos. Podem ser relatos reais, de coisas que tenham ocorrido de fato, ou relatos imaginados, ficcionais sobre essa idéia de ler junto. O que a gente está querendo promover é a importância de ler para o outro. Esse hábito estabelece relações entre membros da família, como pai e filho, irmão e avó. Como isso é rico e faz mover a leitura”!

 

Mais dois concursos – o Curumim e o Tamoios – são voltados, respectivamente, para leitura de obras de escritores indígenas e textos de escritores indígenas. Esta será a sexta edição de cada um deles.

 

Elizabeth Serra disse que os dois concursos são feitos em conjunto com o Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi). Ela lembrou que embora a cultura indígena tenha a tradição da oralidade, a preservação da escrita voltada para as crianças garante a perpetuação dessa cultura e sua difusão.

 

O concurso Tamoios procura incentivar a produção de textos para crianças e jovens por escritores adultos indígenas residentes no Brasil. Já o Curumim premia o relato de trabalhos que as escolas fazem com os livros desses autores. “Então, a gente visa aos dois lados: promover a autoria desses indígenas, com textos para crianças e jovens e, por outro lado, estimular a leitura desses livros nas escolas”.

 

Os vencedores dos quatro concursos serão conhecidos no site da FNLIJ até o fim de maio. A premiação será feita durante o Salão do Livro Infantil e Juvenil, programado para o período de 10 a 21 de junho.

 

Os três vencedores do 14º Concurso FNLIJ “Os Melhores Programas de Incentivo à Leitura” receberão certificados, livros e prêmios em dinheiro que variam de R$ 10 mil a R$ 3 mil. Nos demais concursos, os ganhadores receberão certificados e livros e terão seus textos publicados no informativo mensal da fundação. São concedidas também menções honrosas.

 

 Agência Brasil





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

14 04 2009

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Praça Serzedelo Correia.  RJ   Foto:  Ladyce West





Ser criança — quadrinha de Porphírio Rodrigues

14 04 2009

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Ser criança é coisa boa.

É estudar, comer, dormir.

É ter muito tempo à toa,

aguardando um bom porvir.

 

 

 

 

 

 

 

Outras quadrinhas neste blog:

 

 

O dia

Gato e Rato

Passarinhos

Cuidar dos animais

 

 





Imagem de leitura: William Shih-Chieh Hung

13 04 2009

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A pedra da leitura, 1992

William S Hung ( China, 1928)

Óleo sobre tela,  75 cm x 95cm

 

 

William Shih-Chieh Hung, nasceu em Jieyang, na província de Guangdong, na China em 1928.  É um pintor reconhecido internacionalmente.  In 1980, ele emigrou para os EUA com sua esposa Susie Hsueh-Ping Hung e hoje em dia reside na Califórnia nos arredores de São Francisco.

 

Desde 1950 ele foi reconhecido pelos seus retratos e nus.  Grande conhecedor das técnicas de pintura ocidentais e orientais ele parece sempre capaz de combinar o melhor de cada mundo em seu trabalho.

 

 





Domingo, poema de Wilson Frade

12 04 2009

soneca-44-walt-disneyZé Carioca, ilustração de Walt Disney.

 

 

 

 

 

Domingo

 

Wilson Frade

 

 

Os raios do sol não entraram

pela fresta da janela

porque eu não deixei:

fechei-a com cuidado e preguiça.

E disse-lhe baixinho: você não vai me trair

ainda que tenha sol e ar puro.

Preciso sonhar e dormir,

dormir e sonhar.

Os meus pensamentos estão esgotados,

a minha insônia precisa de uma reciclagem

e quero viajar.

Andar nas ruas de Florença,

dar uma alô a David

e ver o Arno correr da Pontevecchio.

Não me acordem,

ainda que o sol queira

iluminar o meu descanso,

porque é domingo.

 

 

Em: Poemas de um livro só, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1991

 

 

Wilson Frade – (MG 1920-2000) jornalista, pintor, poeta, instrumentista e compositor mineiro.

 

 

 

Outros poemas de Wilson Frade neste blog:

 

Ano Novo





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

12 04 2009

dsc05633





Viajando? Que livros levar?

11 04 2009

viajantes

 

Amigos me mandaram um link para um artigo do escritor Frank Bures, na Worldhum, onde ele fez uma provocadora lista para nos ajudar a selecionar os livros que devemos levar numa viagem, principalmente se esta é uma viagem longa e para terras estrangeiras.   Gente que lê mal pode imaginar não carregar um peso extra na mala para preencher com leitura não só as horas de espera nos aeroportos, como as horas passadas nos aviões, as horas em que se acorda no meio da noite por conta de diferentes fusos horários, assim como os minutos antes e depois de dormir.  Cada qual tem seu ritual, mas se você é um leitor provavelmente fica num marasmo em frente de sua mala feita, pensando no que levar para ler nos dias que se abrem numa viagem internacional.

 

Como gostei imensamente das razões explicitadas na lista do autor, coloco aqui, em linhas mais gerais sua maneira de selecionar os oito tipos de livros que devem fazer parte da lista de itens nas suas malas.  

 

 

Categoria I:

 

Escapismo:  Em geral são os livros que nos deixam confortáveis, envolvidos na trama, sem nos sentirmos ameaçados, tais como  uma boa ficção científica ou um bom livro de mistério.

 

Categoria II:

 

História:  Devemos conhecer pelo menos as linhas gerais da história do lugar que visitamos.  Isso certamente enriquece a nossa visita e nos faz entender melhor o que vemos.

 

Categoria III:

 

Guia:  Guias de turismo sempre nos ajudam na seleção do que ver e como fazê-lo.  É um guia.  Direciona.  E combinado com a Categoria II: história local, pode nos ser de grande serventia.

 

Categoria IV:

 

Literatura local: é sempre bom ler um livro que mostre a literatura local, para que se conheça valores ou guias culturais do lugar que visitamos.

 

 

Categoria V:

 

Antologia: uma antologia de contos, crônicas ou até mesmo de ensaios pode resolver muitos problemas, principalmente se a viagem é longa e a gente não sabe exatamente o que gostaríamos de ler em certos momentos.  A variedade de autores numa antologia nos dará a chance de sempre podermos encontrar um texto que nos apeteça num momento especial.

 

Categoria VI:  

 

Língua local: Sempre haverá um momento oportuno para usar uma palavra ou uma frase na língua local.  Livros de frases feitas na língua local são uma excelente ferramenta.  Há horas em que estas palavras podem fazer a diferença entre uma bem sucedida ida a um ponto turístico, ou fazer com que se evite no cardápio aquele marisco que nos dá alergia.  

 

Categoria VII: 

 

Saudades de casa: se a viagem é longa, certamente um livro que leve sua imaginação de volta à casa, à infância à cultura que você deixou para trás certamente terá um lugar especial para aquele momento em que a saudade bate.

 

Categoria VIII:  

 

Observações de viagem: Livros com observações de outros viajantes em terras estranhas podem aguçar a nossa sensibilidade a respeito do que estamos vendo de diferente e como estamos percebendo o mundo que nos cerca.  Muitos escritores famosos tiveram suas melhores páginas ao viajar e descrever o que viam.  Indiretamente eles podem ajudar na nossa própria maneira de observar aquilo que nos cerca.  





Anjo da Guarda — poema infantil de Emílio Moura

10 04 2009

vaso-com-dragao-gary-michael

Vaso chinês com dragão, pintura de Gary Michaels.

 

 

 

 

 

Anjo da Guarda

 

Emílio Moura

 

 

Dentro da sala meio escura

o Dragão salta do vaso.

Nenhuma espada em minha mão.

 

 

O tapete foge, o teto estica-se.

 

 

“ – Dorme, dorme, meu filhinho…”

 

 

Quem é que pega o Monstro

E prega o Monstro no vaso?

 

 

Alguém está pegando o Monstro…

 

 

 

Em: Antologia Poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, INL: 1961

 

 

 

Emílio Guimarães Moura (14 de agosto de 1902, Dores do Indaiá—28 de setembro de 1971, Belo Horizonte) foi um professor universitário, poeta modernista e redator dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também um dos fundadores da FACE-UFMG, onde lecionou e da qual foi o primeiro reitor.

 

 

Obras:

 

Ingenuidade (1931)

Canto da hora amarga (1936)

Cancioneiro (1945)

O espelho e a musa (1949)

O instante e o eterno (1953)

A casa (1961)

50 Poemas escolhidos pelo autor (1961)

Itinerário Poético (1969)

 

 

 





Imagem de leitura — Boris Mikhailovich Lavrenko

10 04 2009

boris-mikhailovich-lavrenko-1920-2001-russia-a-leitora-na-casa-de-campo-1950

Leitora em sua casa de campo, 1950

Boris Mikhailovich Lavrenko (Rússia, 1920-2000)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

 

 

Boris Mikhailovich Lavrenko, (1920-2000), nasceu em Rostov-on-Don em 1920, onde estudou na Escola de Belas artes de 1936 a 1940.  Voltou aos estudos no Instituto Repin de 1946 a 1952 e mais tarde de 1952 a 1957 dedicou-se à pintura na Academia Russa de Artes em Leningrado, hoje São Petersburgo.  Foi aluno de Michail Avilov, Ivan Stepashkin, Piotr Belousov e Boris Ioganson.  Começou a expor em 1952.  Um pintor generalista, famoso por seus retratos, pinturas de gênero, paisagens e naturezas-mortas: um mestre do impressionismo russo.