Biblioteca no metrô, um programa de sucesso

27 05 2011

Compatimento C, trem 293, 1938

Edward Hopper ( EUA,1882-1967)

óleo sobre tela,  50 x 45

IBM Corporation, Armonk, Nova York

Ler em público, no metrô, na sala de espera, na fila do banco ainda é um comportamento mais raro no Rio de Janeiro do que na maioria das cidades americanas, inglesas e de muitos países da Europa continental. É interessante notar, no entanto, que cada vez mais vemos pessoas lendo em lugares públicos, bem mais do que se via algum tempo atrás quando comecei uma brincadeira de fotografar pessoas lendo em público.  Quem está familiarizado com este blog sabe que no seu primeiro ano de existência – 2008 – ainda postei muitas fotos que eu mesma tirei de pessoas lendo em lugares públicos.  Acho que uma alavanca para essa leitura em lugar público deva-se em parte ao sucesso dos projetos de bibliotecas públicas localizadas nos metrôs das grandes cidades brasileiras.

No metrô do Rio de Janeiro a Biblioteca Livros & Trilhos já funciona há mais de 4 anos, e está localizada na estação do metrô da Central.  O projeto é fruto de uma parceria de três elementosMetrô Rio, Instituto Brasil Leitor e da iniciativa privada.  No final de 2010 esta biblioteca contava com 8.000 sócios e próximo de 80.000 empréstimos.

Aconchego, 1976

Beryl Cook ( Inglaterra, 1926 – 2008)

Óleo sobre madeira e colagem de jornal

www.berylcook.org

A Biblioteca Livros e Trilhos foi inspirada pelas Bibliotecas Embarque na Leitura do metrô paulista, que hoje conta com 5 bibliotecas nas estações Santa Cecília, Luz, Tatuapé, Paraíso e Brás (CPTM) que também são fruto do Instituto Brasil Leitor.

O sucesso dessas bibliotecas é muito claro quando se contabiliza o número de sócios e  o número de empréstimos, mas o exemplo mais concreto desse sucesso pode ser visto no menino Lucas Reis de Lima Silva, 9 anos, morador de Osasco, região metropolitana de São Paulo.   Esse menino, que adora nadar e fazer educação física durante as tardes, depois da escola, ganhou no mês passado, o título de campeão das Bibliotecas Embarque na Leitura, de São Paulo.  Entre o público de sua faixa etária, Lucas foi o que mais tomou livros emprestados: 190 livros em 2 anos.

Lucas pega livros emprestado na biblioteca do Metrô instalada na Estação Santa Cecília, Foto: Tiago Queiroz/AE

Lucas, que passa pela estação Santa Cecília todos os dias com a mãe, foi quem pediu  para que ambos se tornassem sócios da biblioteca.   D. Valéria, sua mãe, é uma grande incentivadora da leitura. Ambos logo se acostumaram a retirar livros na estação, mas quando se trata de volume de leitura, Lucas passa sua mãe, que em média tira 2 livros por mês para ler.  Ele mesmo admite que a leitura tem o ajudado bastante na escola.  “Quando tem ditado na escola, aparecem palavras que já li nos livros e acerto tudo.”

É maravilhoso ver que um jornal do porte do O Estado de São Paulo tenha dedicado seu espaço para a divulgação de tão boas novas, no mês passado.  Depois algumas semanas conturbadas com notícias sobre cartilhas escolares distribuídas pelo governo repletas de erros gramaticais; depois das reportagens na televisão sobre a precariedade de grande parte das escolas brasileiras, é bom voltarmos atrás só uns poucos dias, para nos lembrarmos que ainda há esperança…  de que ainda há crianças que lêem e pais que se preocupam com a educação de seus filhos… que nem tudo parece estar à beira do abismo.

FONTE; Estadão On Line





Imagem de leitura — Alexandre Auguste Hannotiau

24 05 2011

 

A leitura no café, s/d

Alexandre Auguste Hannotiau (Bélgica, 1863-1901)

óleo sobre tela, 65 x 54 cm

Leilão da Southeby’s, Nova York, 2004

,

Alexandre Auguste Hannotiau, (1863-1901) nasceu na Bélgica. Estudou na Academia de Bruxelas onde foi aluno de Artan e de Van Hammee.  Pintor de cenas históricas, de gênero, se caracterizando pela vida diária de Bruges e foi também pintor para a decoração de diversos prédios de uso religioso.  Em 1892 tornou-se um dos membros fundadores do círculo artístico Para Arte [ Pour l’Art].  Foi também um grande ilustrador e conhecido desenhista de cartazes.  Foi professor da escola de artes decorativas de Molenbeek-Saint-Jean.





Imagem de leitura — Nicole Etiènne Powell

18 05 2011

Manhã de domingo

Nicole Etiènne (EUA, 1974)

Óleo sobre tela

Nicole Etienne Powell ( EUA, 1974). Nasceu na Califórnia, filha de uma pintora.  Começou desde cedo a experimentar com tintas. Estudou na Universidade da Califórnia-Santa Bárbara e depois na Universidade da Califórnia-Santa Cruz, de onde se graduou em 1997.   Estudou também na Itália, na Escola Lorenzo de Médici, continuando seus estudos com um mestrado em arte na  Academia de Arte de Nova York.  Atualmente mora em Nova York. www.nicoleetiennepowell.com





Imagem de leitura — Dong Wen Jie

10 05 2011

Jovem lendo à luz de vela, s/d

Dong Wen Jie ( China, 1972)

óleo sobre tela

Dong Wen Jie nasceu em Baishan, na China em 1972, é uma pintora e designer conhecida no mundo ocidental pelo nome de Angel.  Ela freqüentou a Academia de Arte Xi’an ao Norte da China onde começou sua colaboração com Xie Qiu Wa – hoje seu marido.  Por muitos anos teve um ateliê em Qingdao, mas hoje reside no norte da China. É uma artista da escola do realismo chinês.  Hoje, depois de muitos anos de sucesso dentro da China, seus trabalhos também são apreciados no ocidente onde já expôs e onde também tem muitos colecionadores





Papa-livros, leitura para maio: O oficial dos casamentos, Anthony Capella

9 05 2011

Leitora reclinada, s/d

Imre Goth ( Hungria, 1893-1982)

óleo sobre tela, 99 x 75 cm

Leitura para MAIO, discussão a partir do dia 16


O oficial dos casamentos, Anthony Capella

SINOPSE

Durante a ocupação da Itália, na Segunda Guerra Mundial, o capitão inglês James Gould é enviado a Nápoles com uma missão curiosa: desencorajar os oficiais britânicos a se casarem com as italianas. O exército teme que os soldados percam a vontade de lutar se tiverem uma linda signorina à espera deles. Assim, Gould, o oficial dos casamentos, chega a uma cidade devastada e caótica, onde as regras são flexíveis demais para seus rígidos valores britânicos, e acaba se tornando um obstáculo aos matrimônios.

Criada sob a sombra ameaçadora do Vesúvio, Livia Pertini é uma cozinheira brilhante que encanta o pequeno vilarejo de Fiscinno com seus pratos. Ela se casa com um soldado de Mussolini, mas a guerra a torna viúva. Assediada por um homem a quem despreza e sob o duro racionamento de alimentos, a jovem vai para Nápoles a procura de emprego e, graças à manipulação dos habitantes da cidade, cansados das restrições aos casamentos, acaba na cozinha de Gould. Afinal, para os italianos, um homem bem-alimentado é feliz, e, claro, só pode desejar que os outros também sejam.

Apesar de todos os esforços de James, e do temperamento impetuoso de Livia, aos poucos as resistências de ambos são quebradas e eles se apaixonam. A moça o apresentará a universos até então desconhecidos: a culinária e o amor.

O oficial dos casamentos consegue extrair humor da tragicidade da guerra, contando com os tropeços do idioma e com uma leve malícia para arrancar boas risadas do leitor. A Itália surge com todas as suas cores e sabores em uma leitura de dar água na boca.

EDITORA: Record

Ano: 2011

Número de páginas: 496





Imagem de leitura — Walter Crane

4 05 2011

Em casa: um retrato, 1872

Walter Crane (Inglaterra, 1845 — 1915)

aquarela e têmpera sobre papel

Leeds City Art Gallery

Walter Crane, RSW, (Inglaterra, 1845-1915) foi um pintor, ilustrador, designer, escritor e professor.  Desde criança mostrou ter habilidade para a pintura e o desenho que foi prontamente encorajada por seu pai, o retratista e miniaturista Thomas Crane (1808-1959).  A série de desenho para ilustrações que Walter Crane fez para o livro Lady of Shalott de Tennyson, foi primeiro  mostrado a Ruskin que se encantou com o uso das cores.  Mais tarde quem acreditou no talento de Walter Crane foi o gravador William James Linton de quem Crane foi aprendiz.  De 1859 a 1862 Walter Crane aprendeu as técnicas da exatidão e da economia de traços num desenho para ser transposto para a xilogravura.  E se esmerou no assunto.  Teve uma carreira de grande sucesso, morrendo em 1915 aos 75 anos.





O trabalho, leitura escolar, Assis Cintra

2 05 2011

Menina tricotando, s/d

Julian Alden Weir ( EUA, 1852-1919)

óleo sobre tela

O trabalho

Cora e Paulina eram duas meninas muito boazinhas que tinham um único defeito: eram preguiçosas.

Posso dizer que começaram uma vez a fazer um trabalho para dar à sua mãe e que só o acabaram ao fim de dois anos.  

Muitas vezes D. Leonor dizia:

— Minhas filhas, porque não fazem algum trabalho, em vez de andarem sempre brincando?  É tão feio uma menina ser preguiçosa!

— Ora, mamãe!  Era a resposta.   Estou com tanto calor!  Não tenho coragem para ficar parada.  Quando vier o inverno hei de trabalhar bastante para recuperar o tempo perdido.

Os meses passaram chegando o inverno; e quando a mãe lhes lembrou a promessa feita responderam:

— Está fazendo tanto frio!  Como é que a gente pode trabalhar com as mãos geladas?

E assim o tempo ia correndo.

Um dia, em que estava fazendo muito frio, uma coleguinha chegou à escola com os beicinhos roxos, e tremendo tanto que fazia pena.

— Por que você não pôs um capote? perguntou Cora.

Está gelado, isto há de lhe fazer mal, Paulina acrescentou.

— E porque não pede à sua mãe que lhe compre ao menos um xale? 

— Mamãe não o pode comprar.  Somos muito pobres. 

Cora e Paulina ficaram com muita pena da sua colega pobre.  Logo que chegaram em casa, pediram à D. Leonor que comprasse um agasalho para a infeliz pequena. 

— Não posso, não tenho dinheiro disponível.  Tenho alguns novelos de lã, mas falta-me tempo para fazer o xale, respondeu a mãe.

— Nós o faremos, exclamaram as duas meninas ao mesmo tempo.

— Vocês são tão preguiçosas!  Poderiam começá-lo, mas com certeza não chegariam ao fim, ou então levariam dois anos.   E, enquanto isso, a pequena morreria de frio.

— Não, a senhora verá como o  xale fica pronto depressa.

E tanto insistiram que D. Leonor foi buscar a lã.

As meninas começaram a trabalhar,  e com tanto ardor trabalharam, que no fim de alguns dias a menina pobre teve a surpresa de encontrara na sua carteira uma xale bem quentinho.

Quando Cora e Paulina voltaram da escola e descreveram a alegria da coleguinha, D. Leonor falou com grande contentamento:

— Sou feliz, vendo as minhas filhas tão caridosas.  Mas como é que vocês, cheias de preguiça, puderam fazer o xale?  Pensei que desistiriam.

— Muitas vezes, disse Paulina, tivemos a tentação da preguiça, mas logo nos lembrávamos dos lábios roxos e trêmulos da coleguinha pobre.  Isso parece que nos dava novas forças.

— E, ajuntou Cora, no fim já gostávamos de trabalhar.  Quero que a senhora me arranje logo um outro trabalho.  O tempo parece que passa depressa e a gente é mais feliz.

D. Leonor, muito contente, abraçou as filhas dizendo-lhes:

— Eu sempre lhes falava nisso, e vocês não acreditavam.

Os vadios e preguiçosos é que estão descontentes e acham o tempo demorado.  Só os que trabalham é que são completamente felizes.

Em: Pequenas histórias, Assis Cintra, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1924 — obra pela Diretoria Geral da Instrução Pública de São Paulo e adotada na escola modelo e grupos escolares do estado de São Paulo.

Francisco de Assis Cintra (Bragança Paulista, 1887 – São Paulo, 1953), jornalista, filólogo e historiador





História, mistério e aventura: O último cabalista de Lisboa, de Richard Zimler

24 04 2011

Leitura ritual em sinagoga, iluminura, manuscrito em Emília, na Itália.

—-

Raramente no grupo de leitura a que pertenço nos dedicamos a livros lançados há muito tempo, porque nem sempre é fácil para os membros conseguirem comprar volumes esgotados.  Mesmo sabendo que o livro é muito bom temos o cuidado de verificar se está disponível nas livrarias antes de o recomendarmos.  Isso nos faz ler principalmente os mais recentes lançamentos.  Foi, portanto com prazer que verificamos que a editora Best Bolso [Grupo Editorial Record] havia lançado O último cabalista de Lisboa, de Richard Zimler, originalmente publicado no Brasil em 1997 e que havia sido muito bem recomendado por amigos leitores.

Valeu à pena seguirmos essa indicação.  O romance de mistério e também histórico passado em Lisboa, em 1506, se concentra num assassinato que acontece ao mesmo tempo em que no centro da capital portuguesa aproximadamente 2000 judeus e cristãos novos são exterminados em praça pública, sacrificados vivos numa grande fogueira.  É na semana dessa horrível, desmesurada ,matança, fato histórico comprovado, instigada pelos Dominicanos, que se passa o assassinato que Berequias Zarco investiga. A vítima era Abraão, seu tio e mentor no estudo da Cabala.

O romance começa com um aceno, uma referência, às tradições românticas do século XIX, quando um autor, antes de desfiar a sua narrativa, a enquadra como vinda da descoberta de um manuscrito recém-encontrado.  Os escritores Bram Stoker (irlandês) e Nathaniel Hawthorne (EUA) são apenas dois nomes que vêm à mente quando penso nesse tipo de gancho na narrativa. Tratando-se de O último cabalista de Lisboa essa introdução é de grande efeito, porque sabemos que as histórias que conhecemos do período da Inquisição em Portugal na época de D. Manoel, O Venturoso,  são escassas e tendenciosas.  Grande parte dos manuscritos – judaicos ou não – que faziam parte da biblioteca de mais de 70.000 volumes da Coroa Portuguesa, desapareceu no terremoto de 1755.  Assim, a suposta descoberta de um manuscrito em Constantinopla, dá, desde o início da narrativa, um cunho de verdade, como um crédito para aliviar a nossa descrença.

É bom afirmar desde logo que este não é um romance religioso.  É principalmente uma história de mistério, de resolução de um crime, que acontece numa semana de grande inquietação social nas comunidades não-cristãs:  judaica e muçulmana, na Lisboa de 1506.  As referências à Cabala – estudo da natureza do que é divino – não são mais do que um pano de fundo, uma ferramenta de uso dramático, que ajuda a apresentar ao leitor, através de liberais pinceladas culturais, alguns aspectos do dia a dia da Alfama moura e judia.  A Cabala permeia o texto através de citações filosóficas de fácil compreensão, tais como “os livros são feitos por letras mágicas”, entre outras.   Torna-se evidente, logo após as primeiras 50 páginas que a intenção de Richard Zimler (um judeu americano naturalizado português que reside na cidade do Porto) é a de escrever um livro de suspense que absorva o leitor de tal maneira que não possa deixá-lo de lado.  E isso ele consegue facilmente.  Também é sua intenção, acredito, manter a memória viva de todos os sacrifícios pelos quais o povo judeu passou.  Mas seu retrato da brutalidade da época, das maneiras rudes da população, dos medos, das doenças, da peste, das crendices, do sexo, tudo que ele descreve, nos leva, a nós também, que não somos judeus, a querermos manter a memória viva dessa e de outras épocas — sobreviventes que somos todos nós dos augúrios do passado — para que chacinas, preconceitos, extermínios não se repitam nunca mais.  Nem pelas nossas mãos, nem pelas de outrem.

—-

—-

Richard Zimler

O último cabalista de Lisboa apresenta uma história sobre anti-semitismo e os judeus em Portugal.  Somos levados a considerar, mais uma vez, as conseqüências de uma nobreza associada por baixo dos panos ao financiamento dos empréstimos judeus, e acima da mesa à uma religião cega, dominada pelo medo e mantenedora da  ignorância do povo.  Lembramos com esse romance do fiasco das conversões forçadas e das reações às doenças da época.  Temos que confrontar os hábitos porcos, insalubres, violentos e amorais da era das grandes descobertas lusitanas.  E de sobra somos apresentados aos valores das reais e das falsas amizades.  Tudo isso num ritmo frenético, de grande suspense.  Que mais se pode pedir de um romance de mistério?  Leitura gostosa, com passagens violentas, mas de grande lucidez e magia.





Imagem de leitura — Bairam Salamov

20 04 2011

Menina lendo, s/d

Bairam Salomov (Belorússia, 1965)

Óleo, 100 x 100 cm

http://bairam-salamov.narod.ru

Bairam Salomov nasceu na República do Azerbaijão, no subúrbio de Hohmug, Shecki, em 1965.  Estudou na Escola Estadual de Arte do Azerbaijão em Baku.  Emigrou para a Rússia em 1990, onde vive, em Togliatti.    

http://bairam-salamov.narod.ru





A lenda do chupim — 2º Livro de leituras infantis

11 04 2011

—-

—-

A lenda do chupim

—-

O  chupim é um passarinho escuro também chamado de anu ou azulão.  Possui um canto suave e melodioso.  Mas tem o mau costume de por seus ovos nos ninhos dos outros pássaros.  Além disso come as sementes e destrói as plantações. 

O chupim era, porém um pássaro bonito e trabalhador.  Fazia o seu ninho com capricho e cuidava bem dos filhotes.  Mas houve uma guerra entre as aves, de que resultou queimarem o ninho do chupim.  Por milagre, o pássaro salvou-se, mas ficou todo preto, sapecado.  Lá se foram seus ovos e suas lindas penas!

Daí por diante o chupim ficou preguiçoso.  Não quis mais trabalhar.  Deixou de fazer o ninho.  E passou a por os ovos nos ninhos dos outros pássaros.  Por isso, não cria mais filhotes.  Quando o censuram por sua preguiça, diz que não faz ninhos porque tem medo de novo incêndio.  E assim vai levando a vida.  O passarinho mais explorado do chupim é o tico-tico.  Coitado!  até o chamam, por isso, de engana-tico…

—-

—-

Em:  Leituras infantis, Theobaldo Miranda Santos, 2º livro, Rio de Janeiro, Agyr:1962