Romance ingênuo de duas linhas paralelas – José Fanha — para crianças, jovens e adolescentes

22 08 2009

linha paralelas

***

 

Romance ingênuo de duas linhas paralelas

 

                                                               José Fanha

 

Duas linhas paralelas

Muito paralelamente

Iam passando entre estrelas

Fazendo o que estava escrito:

Caminhando eternamente de infinito a infinito

Seguiam-se passo a passo

Exactas e sempre a par

Pois só num ponto do espaço

Que ninguém sabe onde é

Se podiam encontrar

Falar e tomar café.

Mas farta de andar sozinha

Uma delas certo dia

Voltou-se para a outra linha

Sorriu-lhe e disse-lhe assim:

“Deixa lá a geometria

E anda aqui para o pé de mim…!

Diz a outra: “Nem pensar!

Mas que falta de respeito!

Se quisermos lá chegar

Temos de ir devagarinho

Andando sempre a direito

Cada qual no seu caminho!”

Não se dando por achada

Fica na sua a primeira

E sorrindo amalandrada

Pela calada, sem um grito

Deita a mãozinha matreira

Puxa para si o infinito.

E com ele ali à frente

As duas a murmurar

Olharam-se docemente

E sem fazerem perguntas

Puseram-se a namorar

Seguiram as duas juntas.

Assim nestas poucas linhas

Fica uma estória banal

Com linhas e entrelinhas

E uma moral convergente:

O infinito afinal

Fica aqui ao pé da gente.

 

fanha

José Fanha

 

José Fanha (Portugal, 1951) Formado em arquitetura é hoje professor do ensino médio e trabalha também para a televisão e o cinema.  Poeta, declamador, autor de letras para canções e de histórias para crianças, autor de textos para televisão, para rádio e para teatro e, também pintor nos tempos livres.

Obras:

Eu sou português aqui

Breve tratado das coisas da arte e do amor

A porta

Elogio dos peixes, das pedras e dos simples

Alex Ponto Com – Uma aventura virtual

Diário Inventado de Um Menino Já Crescido

Os Novos Mistérios de Sintra de Rosa Lobato de Faria, Mário Zambujal, Luísa Beltrão, José Jorge Letria, José Fanha, João Aguiar, Alice Vieira

O Dia em Que o Mar Desapareceu

Poemas da Natureza + CD-Áudio

Abril 30 Anos Trinta

De Palavra em Punho

Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade de José Jorge Letria, José Fanha

Tempo Azul

Poemas Com Animais

Cantigas e Cânticos

Baal

Cem Poemas Portugueses Sobre a Infância de José Jorge Letria, José Fanha

Cem Poemas Portugueses Sobre Portugal e o Mar de José Jorge Letria, José Fanha

O Código D’Avintes de Rosa Lobato de Faria, Mário Zambujal, Luísa Beltrão, José Jorge Letria, José Fanha, João Aguiar, Alice Vieira

***  NOTA:  Acredite, na ilustração inicial deste poema só há quadrados perfeitos e linhas paralelas.





Tarefa no Dia do Índio: Ler Santa Rita Durão

18 04 2009

elon-brasil-expo-em-franca

Jovem índia, sd

Elón Brasil (Niterói, RJ, 1957)

Técnica mista

Foto de uma exposição na França

 

 

 

 

 

Quem já se preparou para um exame de vestibular em letras no Brasil deve se lembrar que uma das leituras obrigatórias, ou melhor, uma das leituras que podem ser discutidas nessas provas é o poema-livro de Santa Rita Durão:  Caramuru.  Publicado em 1781, é considerado a primeira criação literária de um brasileiro com tema indígena.  E apesar de ser uma obra enquadrada nas linhas do neoclassicismo, por sua temática é freqüentemente considerada como “ponte” para o romantismo,  apesar de ser também fortemente influenciado pelo poema-épico de Camões, Os Lusíadas.  Caramuru está em domínio público e foi do texto oferecido pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro – online – que copiei aqui, a passagem sobre a morte de Moema, que é sem sombra de dúvida, uma das mais belas horas da literatura brasileira.  Faz parte do CANTO VI.

 

 

 

XXXIV

 

Dizendo assim, com calma vê lutando

Formosa nau de Gálica bandeira,

Que a terra ao parecer vinha buscando,

E a proa mete sobre a própria esteira:

Vem seguindo a canoa, e sinais dando,

Até que aborda a embarcação veleira;

E de paz dando a mostra conhecida,

As praias de Bahia a nau convida.

 

XXXV

 

A Gupeva entretanto, e Taparica

Dava o último abraço, e à forte Esposa

A intenção de levá-la significa,

A ver de Europa a Região famosa:

Suspensa entre alvoroço, e pena fica

Paraguaçu contente, mas saudosa;

E quando o pranto na sentida fuga

Começava a saudade, amor lho enxuga.

 

 

XXXVI

 

 

É fama então que a multidão formosa

Das Damas, que Diogo pretendiam,

Vendo avançar-se a nau na via undosa,

E que a esperança de o alcançar perdiam:

Entre as ondas com ânsia furiosa

Nadando o Esposo pelo mar seguiam,

E nem tanta água que flutua vaga

O ardor que o peito tem, banhando apaga.

 

 

XXXVII

 

 

Copiosa multidão da nau Francesa

Corre a ver o espetáculo assombrada;

E ignorando a ocasião da estranha empresa,

Pasma da turba feminil, que nada:

Uma, que às mais precede em gentileza,

Não vinha menos bela, do que irada:

Era Moema, que de inveja geme,

E já vizinha à nau se apega ao leme.

 

 

XXXVIII

 

 

Bárbaro (a bela diz) Tigre, e não homem…

Porém o Tigre por cruel que brame,

Acha forças amor, que enfim o domem;

Só a ti não domou, por mais que eu te ame:

Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,

Como não consumis aquele infame?

Mas pagar tanto amor com tédio, e asco…

Ah que o corisco és tu… raio… penhasco.

 

 

XXXIX

 

 

Bem puderas, cruel, ter sido esquivo,

Quando eu a fé rendia ao teu engano;

Nem me ofenderas a escutar-me altivo,

Que é favor, dado a tempo, um desengano:

Porém deixando o coração cativo

Com fazer-te a meus rogos sempre humano,

Fugiste-me, traidor, e desta sorte

Paga meu fino amor tão crua morte?

 

XL

 

Tão dura ingratidão menos sentira,

E esse fado cruel doce me fora,

Se a meu despeito triunfar não vira

Essa indigna, essa infame, essa traidora:

Por serva, por escrava te seguira,

Se não temera de chamar Senhora

A vil Paraguaçu, que sem que o creia,

Sobre ser-me inferior, é néscia, e feia.

 

 

 

XLI

Enfim, tens coração de ver-me aflita,

Flutuar moribunda entre estas ondas;

Nem o passado amor teu peito incita

A um ai somente, com que aos meus respondas:

Bárbaro, se esta fé teu peito irrita,

(Disse, vendo-o fugir) ah não te escondas;

Dispara sobre mim teu cruel raio…

E indo a dizer o mais, cai num desmaio.

 

 

 

XLII

 

Perde o lume dos olhos, pasma, e treme,

Pálida a cor, o aspecto moribundo,

Com mão já sem vigor, soltando o leme,

Entre as falsas escumas desce ao fundo:

Mas na onda do mar, que irado freme,

Tornando a aparecer desde o profundo;

Ah Diogo cruel! disse com mágoa,

E sem mais vista ser, sorveu-se n’água.

 

 

XLIII

 

 

Choraram da Bahia as Ninfas belas,

Que nadando a Moema acompanhavam;

E vendo que sem dor navegam delas,

À branca praia com furor tornavam:

Nem pode o claro Herói sem pena vê-las,

Com tantas provas, que de amor lhe davam;

Nem mais lhe lembra o nome de Moema,

Sem que ou amante a chore, ou grato gema.

 

 

MINSTÉRIO DA CULTURA

Fundação Biblioteca Nacional

Departamento Nacional do Livro

CARAMURU: POEMA ÉPICO

Santa Rita Durão

 

 

 

 

 

Frei José de Santa Rita Durão, poeta brasileiro da fase neoclássica (Cata Preta, MG, 1720 – Lisboa, Portugal, 1784). Escreveu o poema épico Caramuru (1781), primeira obra literária a usar como tema o índio brasileiro, suas lendas e seus costumes, e heróis nacionais. Nascido no Brasil, Durão partiu para a Europa em 1731, radicando-se em Portugal, onde teve marcante participação política. Foi um grande orador.

 





Dia do Índio: o amor de Moema

18 04 2009

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Moema, 1866

Victor Meirelles (Brasil, SC 1832- RJ 1903)

Óleo sobre tela, 129 x 199 cm

MASP – Museu de Arte de São Paulo

 

 

 

 

 

Entre as muitas histórias brasileiras, verdadeiras ou não, em que índios têm um papel importante, como guerreiros, aliados, conhecedores da mata, personagens de literatura, há grandes histórias de amor.  Dentre elas, uma em particular se firmou na nossa paisagem cultural: Moema. 

 

 

Aqui está a história de Moema mais detalhada que encontrei.  É parte da descrição de Arilda Ines Miranda Ribeiro, para sua tese de mestrado, intitulada: Mulheres educação no Brasil Colônia: histórias entrecruzadas.

 

 

 

No Brasil, no início da colonização dos portugueses, vivia na Bahia, na cidade que seria chamada mais tarde de São Salvador, Diogo Álvares Correa. Ele era um “galaico-minhoto” (região da Galícia), que naufragou nas águas do mar tenebroso, próximo à Bahia de Todos os Santos, nos baixos de Maiririquiig (Maraquita). Salvou-se matando dois pássaros com um arcabuze, sendo reverenciado pelos indígenas como amássununga, que quer dizer entre outros: O Trovão, Caramuru, a grande moréia, o dragão que surgiu do mar, homem de fogo. 

 

Foi assim que em 1509 Diogo Álvares Correia, o Caramuru tornou-se uma grande liderança entre os tupinambás, e como presente do cacique, podia se deitar com as mais belas mulheres. Dentre elas, escolheu Moema, concebendo os primeiros mestiços, que seriam mais tarde denominados de “Brasileiros”. Alvares Correira transformou-se em um grande negociante de pau-de-tinta, talvez o primeiro comerciante brasileiro. Comercializava com os franceses, porque Portugal abandonara o Brasil, nessa época, tendo olhos apenas para o comércio africano. O forasteiro passava muitas horas com Moema e também se afeiçoou a ela. Aprendeu-lhe a fala, o dialeto tupi, e confidenciou-lhe os segredos do seu mundo, um lugar chamado Portugal. Dizia “Na terra de onde vim, em última partida da localidade de Lisboa, não há aldeias e sim cidades com muitas casas feitas de tijolos e pedras, com portas e janelas, trancas de ferro e outros objetos, inclusive um tipo de tocha que clareia as noites. “O local se chama Viana do Castelo e sou uma pessoa distinta e de destaque na cidade, assim com são aqui na Aldeia os guerreiros Piatã e Itapuã.”

 

Dessa forma, aos poucos, Diogo, entre beijos ardentes, muito amor, ensinou Moema, sua língua estrangeira. Diogo era muito paciente com Moema e contou-lhe toda a sua história de sua vida.

 

Tendo demorado a aprender o tupi, a decifrar os códigos da linguagem tupinambá, ele despendeu longos períodos para explicar-lhe como e quando ocorrera o seu nascimento em Viana do Castelo, como se processara sua formação cultural desde pequeno, suas idas e vindas aos colégios e como aprendera a ler e escrever pois, em sua terra, havia tinta e papel para elaborar documentos e livros. Moema foi aprendendo com Caramuru.

 

Moema ficava encantada com as palavras de Diogo, principalmente com a “cidade”. Como seria isso?

 

O amor entre o vienense a indígena ia muito bem. Entretanto, um dia a história mudou. Diogo, que ajudava a proteger os seus indígenas amigos de outros mais ferozes, foi chamado às pressas para auxiliar o Cacique Taparica da guerra com outros indígenas. Com seus arcabuzes e sua astúcia bélica, saíram-se vencedores.

 

A noite, para comemorar, o cacique dessa tribo, chamado Taparica, fez-lhe um festa na Aldeia e lá pelas tantas, apresentou ao Caramuru a sua filha mais bonita, a linda Paraguaçu. Ela lhe disse: “Meu nome é Quaydim-Paraguaçu” e ele embasbacado: “Sou Diogo Álvares Correia”.

 

Os dois ficaram enebriados e imediatamente se casaram dentro da tribo. Depois da Lua de Mel, Caramuru voltou à aldeia de Piatã e levou consigo Paraguaçu, consciente de haver encontrado a mulher dos seus sonhos nas terras dos brasilíndios.

 

Quando chegou a aldeia, Moema, sua primeira grande companheira, viu a nativa bela e ficou muito triste. Percebeu que tinha perdido o seu amado. Diogo então, não deu a menor atenção a Moema e nem as suas amantes. Só tinha olhos para Paraguaçu.

 

Diogo e Paraguaçu fizeram amor a noite toda e no dia seguinte ele anunciou que daquele dia em diante ela seria a única mulher da vida dele, consciente dos muitos “pecados” que havia cometido com outras tupinambás.O tempo foi passando, e Paraguaçu foi conhecendo as outras mulheres da tribo, de linhagem mais nobre, ente elas Indaiá e Inaciara. Fez muitas amizades.

 

Moema ainda tinha esperanças de recuperar o amado. Certo dia foi em uma pajelança e o xamã assegurou-lhe que a alma de Paraguaçu seria levada para o mundo do Bem, e se distanciaria do português.

 

Diogo resolveu levar Paraguaçu para a Europa, em 1528, para conhecer seus costumes. Seguiram viagem no navio de um francês, Jacques Cartier, amigo de Diogo e que lhe recomendou que não tivesse mais do que uma mulher. Esse navio foi pilotado por Pierre Du Plesis de Savoières.

 

No momento em que o navio partiu rumo ao oceano, Moema, sem dizer nada, lançou-se desesperada na água e nadou com fortes braçadas perseguindo a embarcação, gritando o nome de Caramuru, até que as velas sumissem no horizonte. O mesmo aconteceu com a tupinambá, que seguiu seu destino para o fundo do mar, morrendo por amor.

 

 

 

 

 

Victor Meirelles de Lima, nasceu em Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, em 18 de agosto de 1832, um menino pobre, filho de imigrantes portugueses, que ainda na infância ocupava seu tempo desenhando bonecos e paisagens.  Foi estimulado por seus pais.  Aos quatorze anos ele ganhava uma bolsa para frequentar a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e aos vinte anos, com a tela “São João Batista no Cárcere” , 1852, conquistava o Prêmio Especial de Viagem à Europa. De volta ao Brasil foi agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa e nomeado professor de pintura da Academia.

 

A partir de então, seu nome se transformaria numa das maiores expressões das Artes Plásticas no Brasil, no século XIX.  Autor da mais conhecida das telas brasileiras – “A Primeira Missa no Brasil” – reproduzida em cadernos escolares, selos, cédulas monetárias, livros de arte, catálogos e revistas, Victor Meirelles deixou um extraordinário acervo, minuciosos esboços, estudos em papel e óleo sobre tela.  Faleceu no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro de 1903.





Uma lenda de Araribóia

17 04 2009

indio

Índio, ilustração de Maurício de Sousa.

 

 

 

 

 

 

 

Lenda de Araribóia

 

 

Conta-se que, estando presente no Rio de Janeiro o governador Antônio Salema, o índio Araribóia foi visitá-lo.  Ofereceram-lhe, então, uma cadeira, e ele trançou as pernas como era seu costume.  Alguém lhe disse nessa ocasião, que sua atitude não era cortês, estando presente o governador.  O índio respondeu com altivez:

 

— Se tu soubesses como estão cansadas as minhas pernas das guerras em que servi ao Rei, não repararias neste pequeno descanso agora.  Mas já que achas que não tenho cortesia, vou para a minha aldeia, onde não cuidamos dessas coisas.

 

 

 

Em: Vamos estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, [edição especial para o estado do Rio de Janeiro]  RJ, editora Agir: 1957

 

 

 

 

 

Antônio Salema  (Alcacer do Sal, Portugal)  Jurista, formado pela Universidade de Coimbra, nomeado professor em 14 de dezembro de 1565 para a missão no Brasil, Antonio de Salema recebeu a autoridade de Desembargador da Casa de Suplicação por Carta Régia de 2 de março de 1570.

Sua missão no Brasil, inicialmente seria a de jurista/juiz e não capitão ou governador.  Saiu de Lisboa em 6 de junho de 1570, junto com Dom Luís de Vasconcelos; sua frota foi atacada pelos franceses Jacques Sória e Capdeville, causando à morte do Governador nomeado (Dom Luís de Vasconcelos) e de 40 jesuítas que o acompanhavam; a morte do governador antes de chegar no Brasil, levou Antonio de Salema a ser nomeado mais tarde Governador das Terras do Sul. Salema conseguiu chegar a Bahia e desempenhou seu cargo entre 1571 e 1573, sendo então nomeado Governador das Terras do Sul em 1572. Em janeiro de 1574 seguiu para o Rio de Janeiro.  





Pelo Dia do Índio: Araribóia

17 04 2009

arariboia

Araribóia, 1965

Dante Croce (Niterói 1937)

Praça Martim Afonso, Niterói

Estado do Rio de Janeiro

 

 

 

 

 

 

Arariboia ou Ararigbóia (em tupi, “cobra feroz” ou “cobra da tempestade”) foi cacique da tribo dos Temiminós, do grupo indígena Tupi, em meados do século XVI.  Nesta época os franceses, com o apoio dos índios Tamoios, tomaram o controle da Guanabara, na então Capitania do Rio de Janeiro, em 1555.  Índio corajoso e leal, Araribóia muito ajudou os portugueses na luta contra os franceses.  Praticou muitos atos de heroísmo.  Entre eles conta-se que atravessou a nado uma grande extensão de águas na baía de Guanabara para liderar o assalto ao Forte Coligny e incendiar o depósito de pólvora da fortaleza que os franceses ali haviam construído em 1556 logo em seguida à tomada da ilha na baía de Guanabara.  Com o auxílio de Araribóia os portugueses conseguiram vencer decididamente a luta contra os invasores liderados por Nicolau Durand de Villegainon.  Villegainon havia se associado aos índios Tamoios que lhe deram apoio de 70 mil homens.   

 

 

 

 Mas os Tamoios eram há tempos inimigos dos Temiminós.  Este aspecto em muito facilitou o fervor da luta dos dois lados e a associação dos portugueses com Araribóia, que fortaleceu o lado português com  oito mil homens, indígenas conhecedores do território e inimigos dos Tamoios, foi de grande valia para o desfecho da luta. 

 

Os serviços prestados por Araribóia foram tão preciosos para Portugal que, em recompensa, o rei lhe concedeu o título de comendador da Ordem de Cristo e lhe ofereceu uma extensa porção de terra que incluia a  Praia Grande, na baía de Guanabara.  O chefe índio foi residir com sua gente nas terras que lhe foram doadas, instalando-se na encosta do morro São Lourenço, em 22 de novembro de 1573.    Convertido ao catolicismo pelos Jesuitas, Arariboia escolheu o nome de batismo de  Martim Afonso, em homenagem a Martim Afonso de Sousa.   Como recompensa pelos seus feitos, Arariboia recebeu também da Coroa Portuguesa a sesmaria de Niterói (em língua tupi, “água escondida”).   

 

 

 

 

 

ilha-do-gato-terra-dos-temiminos-mapa-rj-de-joao-teixeira-albernaz-1624 

Ilha do Gato

Terra dos Temiminós

Mapa da baía da Guanabara

João Teixeira Albernaz, 1624

 

 

 

 

 

O arraial de Praia Grande, fundado por Araribóia, desenvolveu-se rapidamente.  Em 10 de maio de 1819 foi elevado a vila.  Em 1834 foi a vila real da Praia Grande escolhida para servir de sede à assembléia legislativa provincial, tornando-se então capital da provincia do Rio de Janeiro, em 1835.  No ano seguinte foi-lhe conferido o título de cidade com o nome de Niterói. 

 

 

 

Curiosamente, Arariboia morreu afogado nas proximidades da ilha de Mocanguê-mirim, ainda em 1574.

 

 

 

É considerado o fundador da cidade de Niterói, e uma estátua sua pode ser vista no centro da cidade, fronteira à estação das barcas, com os olhos voltados para a baía de Guanabara e a cidade do Niterói sob sua proteção.

 





Paraguaçu, poema de Raquel Naveira

16 04 2009

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Mulher Tupinambá com criança, 1641-44

Albert Eckhout, Flandres (1610-1666)

Óleo sobre madeira, 265 x 157 cm

Museu Nacional da Dinamarca

 

 

 

Paraguaçu

 

                                   Raquel Naveira

 

Paraguaçu,

Índia tupinambá.

Apaixonou-se  por Caramuru.

 

Caramuru era um peixe,

Alongado como uma serpente

De mucilagem azul,

Era a alcunha de Diogo Álvares Correia,

O náufrago português,

O homem de fogo

Capaz de matar aves do céu;

Saíra por encanto

Das águas do mar

Gotejando pelos poros

Pequenos brilhantes.

 

Por esse deus misterioso,

Cheirando a pólvora,

Enamorou-se Paraguaçu,

Índia de olhos grandes,

Negros como um turvo rio.

 

Caramuru e Paraguaçu

Partiram numa caravela

Rumo à França,

Lá ela se tornou Catarina,

Nome de rainha e santa.

 

Cobriram de tulherias e sedas

Seu corpo nu

De selvagem menina,

Entre livros e castelos

Sua alma se estilhaçava

Entre dois mundos.

 

Regressaram à Bahia,

Diante de injustiças

E desmandos,

Caramuru prisioneiro,

Paraguaçu virou guerreira,

Flechas zumbiram nos ares,

Depôs e matou o donatário Pereira.

 

Paraguaçu,

Índia tupinambá,

Mulher, terra, nação,

Submeteu-se por muito amar.

 

Em: Stella Maia e outros poemas, Campo Grande, MS; Editora UCDB:2001

 

 

Raquel Naveira (Campo Grande, MS 1957) Poetisa, ensaísta, graduada em Letras e Direito, professora no Curso de Letras da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), mestranda em Comunicação e Letras, na Universidade Presbiteriana Mackienzie (SP), e empresária de turismo (Pousada Dom Aquino, em Campo Grande – MS), Raquel Naveira destaca-se por seu talento e engajamento nas atividades culturais do centro-oeste brasileiro.  A escritora tem recebido reconhecimento nacional através de inúmeras premiações e várias indicações para prêmios. Em sua obra, são constantes a religiosidade, o misticismo e os temas épicos.

 

Obra:

 

Via Sacra, poesia, 1989

Fonte luminosa, poesia, 1990

Nunca Te-vi, poesia, 1991

Fiandeira, ensaios, 1992

Guerra entre irmãos, poesia, 1993

Canção dos mistérios, poesia, 1994

Sob os cedros do Senhor, poesia, 1994

Abadia, poesia, 1995

Mulher Samaritana, 1996

Maria Madalena, prosa poética, 1996

Caraguatá, poesia, 1996

Pele de jambo, infanto-juvenil, 1996

O arado e a estrela, poesia, 1997

Intimidades transvistas, 1997

Rute e a sogra Noemi, prosa poética, 1998

A casa da Tecla, poesia, 1998

Senhora, poesia, 1999

Stella Maia e outros poemas, 2001

Casa e castelo, poesia, 2002

Maria Egipcíaca, poesia, 2002

Tecelã de tramas: ensaios sobre interdisciplinaridade, ensaios, 2004

Portão de ferro, poesia, 2006

Literatura e Drogas e outros ensaios, crítica literária, 2007

 

 

——

 

 

 

 

Albert Eckhout (Groningen, 1610 — 1666) foi um pintor, artista plástico e botânico flamengo. É autor de pinturas do Brasil holandês envolvendo a população, os indígenas e paisagens da região Nordeste do Brasil. Viajou também por outras regiões da América, antes de retornar à Europa.

 

 

 

 

 

Para outro quadro de Albert Eckhout neste blog:

 

Dos Prazeres da Mesa Nordestina

 





19 de abril, o Dia do Índio

16 04 2009

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Caramuru-Guaçu, 1958

Ernesto Frederico Scheffel (Brasil, RS 1927 –)

Óleo sobre tela, 368 x 197,5 cm

Rio de Janeiro

www.scheffel.com.br

 

 

 

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No próximo dia 19, comemoramos o Dia do Índio.  Nos meus anos de escola, no curso básico, sempre lembrávamos este dia e minhas professoras a cada ano faziam com que aprendêssemos algum detalhe a mais sobre os índios brasileiros.  

 

Dentre as muitas lembranças que tenho desta data, ficou marcada em minha memória, uma história que infelizmente me parece um pouco esquecida nos dias de hoje, que é a história de Paraguaçu, a mãe-símbolo de todos os brasileiros.  

 

Não estou interessada em descobrir se tudo o que se diz de Paraguaçu, de Caramuru, ou de Moema realmente aconteceu.  Não acredito que este seja o verdadeiro valor dessa história para o inconsciente coletivo brasileiro.   Muito pelo contrário, acredito ser de extrema importância que mantenhamos as nossas fábulas, as nossas histórias, os nossos contos fantásticos.  Eles fazem parte da nossa gente.  E comemoram todos os que aqui vieram morar.

 

Então vamos nos lembrar de Paraguaçu e de Caramuru:

 

 

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Diogo Álvares Correia e sua esposa, Catarina do Brasil, Paraguaçu.

 

 

 

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A HISTÓRIA DE CARAMURU

 

 

José e Marly tinham pedido ao avô que lhes contasse uma história.  Vovô Miranda acendeu o cachimbo e começou:

 

—  Corria o ano de 1510.  Naquele tempo os portugueses assombravam o mundo com as suas grandes descobertas marítimas.  Vasco da Gama tinha achado o caminho das Índias.  Pedro Álvares Cabral descobrira o Brasil. 

 

Diogo Álvares, então com 22 anos, ficou entusiasmado com os feitos gloriosos dos seus compatriotas.  E resolveu viajar pelo mundo à procura de aventuras.  Deixou a pequena aldeia em que vivia, seguiu para Lisboa e lá embarcou num navio que partia para as Índias.

 

Durante muitos dias a viagem correu tranqüila.  Mas uma tarde, o céu escureceu, os ventos sopraram com violência e o mar tornou-se furioso.  A tripulação do  navio tudo fez para evitar o naufrágio.  Infelizmente, depois de dois dias de luta incessante, o navio foi tragado pelas ondas.  

 

Diogo Álvares, o comandante e alguns marinheiros conseguiram, a muito custo, alcançar a praia.  Diogo Álvares foi o último a chegar.  E ainda estava nadando, quando viu de longe, o comandante e os marinheiros serem mortos pelos índios.  

 

Diogo Álvares logo que caiu, exausto na praia, foi aprisionado.  Não foi porém massacrado, como esperava.  Sua pele alva despertou o apetite dos indígenas e a admiração de uma jovem índia, Paraguaçu, filha do cacique Taparica.  Conduzido à taba, foi entregue às mulheres para ser engordado.  Mais tarde seria morto e comido. 

 

Diogo Álvares teve, porém, a sorte de carregar consigo uma espingarda e um pouco de pólvora.  Um dia, estava à porta de sua maloca, sob a vigilância das mulheres, quando avistou um pássaro que voava em sua direção.  Levou a arma ao rosto e fez a pontaria.  Pum! Um tiro ecoou no espaço e o pássaro caiu morto.

 

Ouviu-se então um alarido infernal.  Os índios estavam aterrorizados.  Nunca tinham visto uma espingarda atirar.  Para eles, Diogo Álvares era um demônio que manejava o raio.  E exclamaram,  pálidos de espanto: Caramuru!  Caramuru!

 

— Que quer dizer Caramuru?  interrompeu José.

 

— Homem do fogo ou filho do trovão, ensinou vovô Miranda.

 

— Daí por diante, Diogo passou a ser o verdadeiro chefe daquela tribo.  Casou-se com a linda Paraguaçu, filha de Taparica, cacique dos Tupinambás.  E ajudou estes, graças ao terror que infundia sua espingarda, a derrotar todas as tribos inimigas.  

 

Tempos depois, Diogo Álvares, saudoso da Europa, embarcou com sua esposa, num navio francês que apareceu na Bahia, região onde se encontrava.  Chegando à França, foi conduzido, em Paris, à presença do rei Francisco I.  Ficou este tão interessado por Diogo e Paraguaçu que resolveu casá-los na igreja.  A cerimônia foi realizada por um bispo.  O enxoval foi oferecido pela rainha e fidalgas francesas.

 

— Com certeza, ficaram na França, gozando as delícias de Paris, comentou Marly.

 

— Não, minha filha.  Diogo e Paraguaçu voltaram para a Bahia.  Preferiram viver no meio dos índios.  Tiveram muitos filhos e ajudaram bastante os portugueses a colonizar o Brasil.

 

 

Em:  Brasil, minha pátria!, Theobaldo Miranda Santos, livro para a 3ª série escolar, Rio de Janeiro, Agir: 1954, p- 12-13.

 

 

Vocabulário:

 

Assombravam – causavam admiração, espanto, terror.

Feitos – atos, empresas, façanhas.

Gloriosos – cheios de glória, honrosos.

Compatriotas – da mesma pátria.

Tragado – devorado, engolido.

Exausto – esgotado, muito cansado.





… não sou terráqueo, sou brasileiro!

12 03 2009

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Capa do livro:  Viagens de João Peralta e Pé-de-moleque de Luis Díaz Correa.

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O interrogatório

 

O rei perguntou aos meninos:

 

— Quem são vocês?

 

— Nós somos…

 

— Eu sou…

 

— Fale de uma vez.  Comece você; e indicou Joãozinho.

 

— Eu sou um  menino brasileiro, filho do Sr. Nazário, um homem  muito bom, e me chamo João Peralta.

 

— O Brasil tem muitos meninos peraltas, disse o rei.

 

Pé-de-Moleque deu uma risadinha.  O rei olhou-o carrancudo e berrou:

 

— E você tem cara de ser o mais peralta de todos!…  Diga, e você quem é?

 

— Eu sou Pé-de-Moleque, filho da Benedita cozinheira.  Ela é muito boa mãe e há de me pregar uma sova bem merecida por ter cometido a tolice de vir parar numa terra onde me chamam de terráqueo!  Eu não sou terráqueo, sou brasileiro!

 

 

Em: Viagens de João Peralta e Pé-de-Moleque, Menotti Del Pichhia.

 

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O escritor Paulo Menotti del Picchia

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Paulo Menotti Del Picchia (São Paulo, 1892 — 1988) foi um poeta, escritor e pintor modernista brasileiro. Foi deputado estadual em São Paulo.   Foi também advogado, tabelião, industrial, político entre outras funções assumidas durante sua vida.

 

Com Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros jovens artistas e escritores paulistas, participou da Semana de Arte Moderna de Fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. Em 1943, foi eleito para a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras, tendo sido suas principais obras Juca Mulato (1917) e Salomé (1940). Um livro seu de elevada popularidade é Máscaras (1920), pela sua nota lírica.

 

 

Obras:

 

A “Semana” Revolucionária Crítica, teoria e história literárias, 1992  

A Angústia de D. João, Poesia 1922  

A Crise Brasileira: Soluções Nacionais Crítica, teoria e história literárias 1935  

A Crise da Democracia Crítica, teoria e história literárias 1931  

A Filha do Inca, Romance e Novela 1949  

A Longa Viagem Crítica, teoria e história literárias 1970  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1922  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1923  

A Outra Perna do Saci Romance e Novela 1926  

A República 3000, 1930  

A Revolução Paulista Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Revolução Paulista Através de um Testemunho do Gabinete do Governador Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Tormenta, Romance e Novela 1932  

A Tragédia de Zilda, Romance e Novela 1927  

Angústia de João, Poesia 1925  

As Máscaras, Poesia 1920  

Chuva de Pedra, Poesia 1925  

Curupira e o Carão, Conto 1927  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1922  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1925  

Flama e Argila, Romance e Novela 1919  

Homenagem aos 90 anos, Outros 1982  

Jesus: Tragédia Sacra Teatro 1933  

Juca Mulato Poesia 1917  

Juca Mulato Poesia 1924  

Kalum, o Mistério do Sertão Romance e Novela 1936  

Kummunká Romance e Novela 1938  

Laís Romance e Novela 1921  

Máscaras Poesia 1924  

Moisés Poesia 1924  

Moisés: Poema Bíblico Poesia 1917  

Nacionalismo e “Semana de Arte Moderna” Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1962  

Nariz de Cleópatra Crônicas e textos humorísticos 1923  

No país das formigas Literatura Infanto-juvenil   

Novas Aventuras de Pé-de-Moleque e João Peralta Romance e Novela   

O Amor de Dulcinéia Romance e Novela 1931  

O Árbrito Romance e Novela 1959  

O Crime daquela Noite Romance e Novela 1924  

O Curupira e o Carão Crítica, teoria e história literárias   

O Dente de Ouro Romance e Novela 1924  

O Despertar de São Paulo Crítica, teoria e história literárias 1933  

O Deus Sem Rosto Poesia 1968  

O Gedeão do Modernismo Crítica, teoria e história literárias 1983  

O Governo de Júlio Prestes e o Ensino Primário Crítica, teoria e história literárias   

O Homem e a Morte Romance e Novela 1922  

O Homem e a Morte Romance e Novela 1924  

O Momento Literário Brasileiro Crítica, teoria e história literárias   

O Nariz de Cleópatra Romance e Novela 1922  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Pão de Moloch Miscelânea 1921  

Pelo Amor do Brasil, Discursos Parlamentares Crítica, teoria e história literárias   

Pelo Divórcio, s/d   

Poemas Poesia 1946  

Poemas do Vício e da Virtude Poesia 1913  

Poemas Sacros: Moisés e Jesus Poesia 1958  

Poesias Poesia 1933  

Poesias (1907-1946) Poesia 1958  

Por Amor do Brasil Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1927  

Recepção do Dr. Menotti Del Picchia na Academia Brasileira de Letras Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1944  

República dos Estados Unidos do Brasil Poesia 1928  

Revolução Paulista, 1932  

Salomé Romance e Novela 1940  

Seleta em Prosa e Verso Poesia 1974  

Sob o Signo de Polumnia Crítica, teoria e história literárias 1959  

Soluções Nacionais,  1935  

Suprema Conquista Teatro 1921  

Tesouro de Cavendish: Romance Histórico Brasileiro Crítica, teoria e história literárias 1928  

Toda Nua Romance e Novela   

Viagens de João Peralta e Pé-de- Moleque Literatura Infanto-juvenil





A chave do relógio, poema de Joaquim José Teixeira

15 02 2009

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A CHAVE DO RELÓGIO

                                                

                                                 Joaquim José Teixeira

 

 

                                            Fábula

 

 

 

A um relógio dava corda

Chavinha de áureo metal.

E mui vaidosa do impulso

Parar não quis afinal.

 

Forçou, pois, e desta força

Dentro a mola arrebentou,

E do tempo o mecanismo

Sem movimento ficou.

 

Resolvam, mandem governos

Nas raias do seu poder,

Vejam bem nesta chavinha

Que não basta o só querer.

 

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, editado por Frederico Trotta, Editora Vecchi:1965, Rio de Janeiro.

 

 

Joaquim José Teixeira (RJ 1811- RJ 1885) poeta, romancista, teatrólogo tradutor, conferencista, diplomado em letras e direito, magistrado.  Foi presidente da Província de Sergipe; do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e um dos fundadores do Instituto dos Advogados – Colaborou em vários jornais e revistas.  Traduziu Goethe, Molière, La Fontaine.  Usou o cognome: Papagaio.

 

 

Obras:

 

A Aposta, teatro   

A Heroína do Pará, romance e novela 

Elogio Dramático, poesia 1840  

Mata escura, romance, 1849

A sobrinha do cônego, romance, 1850

Fábulas, poesia 1864  

Versos, poesia, 1865

A Memória de Rita Manuela Duque-Estrada Teixeira, poesia 1873  

A Rica de Honra, teatro   

As Eleições, teatro   

As noites do cemitério,   tradução   

Camões, teatro   

Conferências literárias. Crítica, teoria e história literárias, 1874  

La fontaine e suas fabulas, ensaio, 1874  

O Barricida, teatro   

O Juiz de Paz, teatro   

O Ministro e seu Secretário, teatro   

O Ministro Traidor, teatro   

O Novo Gil Brás, romance e novela   

Os Compadres, teatro   

Os Dois Descontentes, teatro   

Pastoral, implorando um óbolo dos fieis para a reconstrução do seminário, 1894  

Pensamentos, poesia, 1878

Prometeu, tradução 1879  

Quelques Essais, crítica, teoria e história literárias,  1877  

Razão de recurso, apresentada no Tribunal da Relação da Corte pelo advogado de Domingos Moutinho. 1866  

Romances, romance e novela 1876  

Tartufo,  tradução 1880  

Três Dias de Ministro, teatro

 





Símbolo, um poema de Brant Horta, na semana da pátria

1 09 2008

Forte de Copacabana, Rio de Janeiro

Símbolo

 

Brant Horta

 

 

Bandeira de minha terra,

 

Pano sagrado e gentil,

 

Em cujas dobras se encerra

 

O coração do Brasil;

 

 

 

Emblema que nos recorda

 

As mais gratas tradições,

 

Vibrando na mesma corda

 

Milhares de corações;

 

 

 

Pano verde – alma esperança

 

Na senda do progredir;

 

Ouro e azul – mar de bonança,

 

De opulência no porvir;

 

 

 

Ouro e verde – escrínio d’alma

 

Altiva desta nação,

 

Quer oscilante na calma

 

Tranqüila da viração;

 

 

 

Quer no choque árduo e tremendo

 

Das batalhas imortais,

 

Quer nas águas, destemendo

 

A fúria dos temporais,

 

 

 

Que sem desfalecimentos

 

Tu, Bandeira verde e azul,

 

Desfraldada aos quatro ventos

 

Domines de norte a sul.

 

 

Na semana da pátria, um poema para crianças, jovens e adultos.

 

Francisco Eugênio Brant Horta ( Juiz de Fora, MG 1876 – Rio de Janeiro, RJ 1959) —  Poeta, tradutor, trovador, teatrólogo, jornalista, professor, músico, membro fundador da Academia Mineira de Letras.

Pseudônimos:

1) Brant Horta 

2) Bisneto Fonce

 

Obras:

 

As duas Teles, Teatro 1934  

Harpa Eólia, Poesia 1912  

Lirae Carmen, Poesia 1905  

Via Lucis, Poesia 1937