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Vista Parcial de Mariana – MG, 2010
Baptista Gariglio Filho (BH, Brasil, 1961)
óleo sobre tela, 70x90cm
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Mário Behring
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No dia 30 de junho de 1743 grande era o movimento na Vila Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo, hoje cidade arquiepiscopal de Mariana.
Após três meses de permanência, seguia o Bispo do Rio de Janeiro, D. Frei João da Cruz que viera em correição às Minas, para Camargos.
Várias providências haviam sido tomadas pelo prelado nesses três meses, a fim de regularizar a situação do clero na Vila, sendo uma delas a demissão do vigário da vara Padre Dr. Francisco Pinheiro da Fonseca que menos curava das almas do que dos seus negócios particulares, antes do temporal, que do espiritual, pecado que era aliás de todo o clero das Minas, interessado em quanta especulação surgisse para atrair o ouro que fartamente fluía das catas riquíssimas.
Esse Padre, por isso que fazia vista grossa aos pecados dos seus paroquianos, era tido e havido na conta de um excelente homem, tendo uma grande roda de amigos aos quais agravou a decisão violenta do Bispo, resolvendo-se tirar dela uma vingança pública.
E com tal segredo a prepararam que nada transpirou por entre o povo.
A 20, pela manhã, pôs-se em marcha a comitiva do Bispo – No momento da partida porém, quando os sinos se preparavam para saudar o seu pastor com os seus costumados cortejos e repiques (1) deram os sineiros pela falta de todos os badalos dos quatro sinos da matriz e do da capela de São Gonçalo.
Célere chegou ao Bispo a notícia do acontecido e voltando então outra vez para Mariana mandou tirar os badalos restantes das demais Igrejas, interditando os templos de toda a Freguesia.
O ouvidor da Vila Rica, Caetano Furtado de Mendonça (2) mandou logo que teve conhecimento do fato, tirar quatro devassas pelas autoridades eclesiásticas. A primeira pelo próprio Bispo, a segunda pelo Vigário da vara, a terceira pelo Cônego Domingos Lopes e a quarta pelo Vigário de Antônio Dias, Padre Félix Simões.
Dessas devassas resultou para o juízo eclesiástico a convicção de culpa de várias pessoas importantes da Vila e assim, para que não escapassem à pronúncia, o Padre Domingos Lopes reuniu um grande corpo de clérigos armados de clavinas, pistolas e catanas pondo cerco à Vila para efetuar as prisões.
À frente de um troço armado o Padre Domingos Lopes, cuja casa servia de quartel general, invadiu as residências dos culpados, prendendo o Bacharel Manuel Ribeiro de Carvalho, advogado nos Auditórios da Vila, Domingos Pinto Coelho, José de Almeida Costa, o Licenciado em farmácia Manoel Peixoto de Sampaio e Manuel Pinto da Rocha, conseguindo outros fugir a coorte clerical e refugiar-se em lugar seguro.
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Paisagem de Mariana, Minas Gerais, 1995
Carlos Bracher ( Brasil, 1940)
óleo sobre tela, 81 x 100 cm
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Realizada a prisão desses acusados, mandou o Bispo carregá-los de ferros, metendo-os no tronco da cadeia, como se costuma fazer aos escravos, (3).
Enquanto isso se dava, na casa Juiz de Fora, José Pereira de Moura, aparecia uma carta anônima dizendo o local em que se achavam os badalos subtraídos.
Dirigindo-se com alguns oficiais de justiça a um córrego que atravessava o pasto da Vila, constatou o Juiz de Fora a presença dos badalos que foram logo restituídos à autoridade eclesiástica.
Resolveu o Bispo que fossem os presos transportados para o Rio de Janeiro e para isso organizou um corpo de 20 clérigos armados que deveriam vencer o ordenado de 200 oitavas de ouro cada um a custa da fazenda dos culpados.
A isso porém se opôs o ouvidor Furtado de Mendonça, dizendo que tendo os presos entreposto recurso de sua pronúncia para o juízo da Coroa, deviam permanecer na cadeia da Vila até final decisão.
Animados com as primeiras violências não se quiseram sujeitar os clérigos à decisão do Ouvidor , e combinaram um assalto à cadeia para arrancando à viva força os presos, seguirem para o Rio , conforme determinara o Prelado.
Ânimo resoluto e decidido não se acorbadou o Ouvidor: antes determinou imediatamente ao Juiz de Fora que fizesse guardar a cadeia por oficiais de justiça bem armados e estabelecesse rondas na Vila, até que se acalmasse aquela paixão eclesiástica.
Não se conteve o Padre Domingos Lopes, generalíssimo dos Padres belicosos.
E tais censuras dirigiu ao Ouvidor que este em carta dirigida à Corte assim se expressava:
“Não sofre demora a satisfação do castigo porque se os juízes da Coroa de Vossa Majestade houverem de ser descompostos nos provimentos dos recursos por esses Padres desavergonhados e enfronhados nas suas ordens, que lhes parece de tudo são isentos nos seus desaforos, não haverá Juiz da Coroa, que com medo de sua venenosa língua e pena se atreva a valer com a proteção Real aos oprimidos vassalos de Vossa Majestade”…
Essa questão entre o Ouvidor de um lado e o Bispo e Vigário da vara de outro, agravou-se dentro em pouco por motivo de um conflito de jurisdição.
Morrera um clérigo que deixando alguns bens em um testamento secular, as justiças eclesiásticas fizeram o seqüestro nesses bens.
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Paisagem de Mariana, 1977
Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)
óleo sobre tela 69 x 90 cm
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Interpuseram os herdeiros recurso para o Ouvidor que lhes dando razão decidiu em seu favor a causa.
Não cumpriu porém a decisão o Vigário da vara e na réplica usando de expressões pelo ouvidor julgadas desrespeitosas, retorquiu, chamando-o atrevido e petulante; não se calou o vigário da vara redargüindo com outras e equivalentes injúrias o que lhe valeu ser autuado pelo Ouvidor e condenado a multa de 200 oitavas de ouro em proveito da Fazenda Real.
A intimação dessa sentença mandou-a fazer o Ouvidor pelo seu escrivão no palácio episcopal.
Seguiu ele a cumprir o mandado e passado algum tempo vieram dizer ao Ouvidor que o Bispo prenderá o escrivão em palácio.
Encolerizado, reuniu Furtado de Mendonça os oficiais de justiça e marchou para a residência do bispo, onde chegado mandou, tendo-lhe previamente posto cerco, uma intimação ao prelado para que desse imediata liberdade ao funcionário da justiça sob pena de ir arrancá-lo à força.
Com o cerco começou a juntar-se povo defronte do palácio, chovendo comentários como soe sempre acontecer nessas ocasiões.
O Bispo, em resposta, mandou dizer ao Ouvidor que em sua casa só entrava quem ele permitisse; que o escrivão não estava constrangido: aguardava somente um outro escrivão eclesiástico para dar contra fé do seu mandado. Com isso e saindo o escrivão, retirou-se o Ouvidor, endereçando o Bispo à Corte longa queixa, contra Furtado de Mendonça.
Informada favoravelmente pelo governador Gomes freire de Andrade, saiu triunfante o Bispo da questão, sendo removido o Ouvidor.
A questão do furto dos badalos foi cometida então ao Juiz de Fora que abriu nova devassa, verificando a inocência de alguns dos que o Bispo prendera anteriormente como culpados.
Provaram as indagações tratar-se de uma simples vingança do Padre Francisco da Costa de Oliveira, já falecido em 1745, quando se concluiu a devassa, que o Bispo não admitira a exames, talvez por ser íntimo do ex-vigário do Dr. Francisco Pinheiro da Fonseca.
Também concorrera para o furto o Padre Antônio Sarmento.
Contra Miguel Pinto da Rocha um dos anteriormente presos havia indícios de cumplicidade visto como antes do fato ele assoalhara que os sinos da cidade calar-se-iam no dia da partida do Bispo.
Quanto ao boticário Manuel Peixoto de Sampaio, sabia-se ser amicíssimo do ex-vigário, “ser homem arrogante, insolente” tendo tido um atrito com o Bispo que o coagira a firmar um termo de deixar o concubinato em que publicamente vivia.
A cerca deste último era opinião do Juiz de Fora que embora sobre ele não recaíssem mais que vagos indícios, devia ser retirado das Minas e mandado para outra capitania…
E eis aí como terminou essa questão, vencendo em toda a linha o clero, fazendo recuar os representantes da Justiça d’ El Rei.
Partiu para o Rio vitorioso o Bispo D. Frei João da Cruz; passados anos demitiu-se do cargo e ao retirar-se para o Reino julgou ser conveniente ao serviço de Deus, carregar com todas as alfaias, ornamentos e prataria comprados com a renda do Bispado e ainda com o espólio do seu antecessor D. Frei Antônio de Guadalupe, ação por sem dúvida merecedora de que aqui a rememoremos, (4) arrancando-a a injusto olvido.
Maio – 907
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(1) Consulta do Conselho Ultramarino de 16 de Abril de 1744.
(2) Cartas de 6 e 25 de Agosto de 1743.
(3) Carta do Ouvidor de Vila Rica, Caetano Furtado de Mendonça para a Corte.
(4) Carta do Cabido da Sé do Rio de Janeiro, 6 de Abril de 1751.
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[Texto integral, em domínio público, mas com grafia atualizada para facilitar a leitura. As ilustrações não pertencem ao texto original, são obras posteriores ao texto, paisagens da cidade mineira onde esses fatos aconteceram. Mantive as maiúsculas como no texto ainda que seu uso seja irregular. Estão de acordo com o texto original.]
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Em: Kósmos, revista artística, científica e literária, Ano IV, número 5, Maio de 1907, Rio de Janeiro.
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Viriato Corrêa
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“De pé, junto à mesa, olhos fixos no Floriano, o professor João Câncio prosseguiu:
— Pergunta você que é o Brasil? É tudo que temos feito em prol do progresso, da moral, da cultura, da liberdade e da fraternidade. O Brasil não é o solo, o mar, o céu que tanto cantamos. É a história, de que não fazemos caso nenhum.
O Brasil é obra de seus construtores, ou melhor, daqueles que o tiraram do nada selvagem e o fizeram terra civilizada.
E o trabalho dos jesuítas, de Nóbrega e de Anchieta, em plena floresta, transformando antropófagos em seres humanos.
O Brasil é a coragem dos defensores de seu solo. É Estácio de Sá, é Mem de Sá, é Araribóia, repelindo os franceses do Rio de Janeiro, é Jerônimo de Albuquerque expelindo os franceses do Maranhão. São os patriotas de Pernambuco, arrasando o domínio holandês do Norte. São os cariocas lutando com Duclerc e Duguay-Trouin.
O Brasil é a obra dos bandeirantes: Antônio Raposo, Fernão Dias Pais, Borba Gato, Bartolomeu Bueno, desbravando sertões à procura de ouro e de pedras preciosas.
O Brasil é o esforço da sua gente para tirar da terra os bens que a terra dá a quem trabalha. É a cana-de-açúcar que, já no século do descobrimento, era uma das maiores riquezas do país. É o esplendor das minas de ouro do século XVIII, que deixaram o mundo embasbacado.
É o café que engrandeceu São Paulo, Rio de Janeiro, Minas, Espírito Santo e que atualmente é a nossa maior riqueza. É o algodão, a riqueza do Nordeste; o cacau, a riqueza da Bahia, e a borracha, a riqueza da Amazônia.
O Brasil é a sua indústria pastoril. É a atividade dos paulistas e dos baianos, espalhando boiadas pelo território nacional desde os primeiros dias da nossa história.
O Brasil é o trabalho obscuro dos negros nos campos de criação e lavoura, nas minas, nos trapiches e nas fábricas.
Pátria brasileira, meu meninos, continuou ardentemente, é tudo que se fez para que tivéssemos liberdade. É a Inconfidência Mineira, com Tiradentes morrendo na forca. É o martírio de Domingos José Martins e do Padre Roma, na revolução de 1817. É o trabalho de José Bonifácio e de Joaquim Ledo, na Independência. É o sacrifício de Frei Caneca e do padre Mororó, na Confederação do Equador. É o verbo de Patrocínio e Nabuco, na Abolição. É Silva Jardim, Benjamim Constant e Deodoro, realizando a República.
Pátria brasileira é a obra dos patriotas da Regência. É a energia do padre Feijó, sufocando a desordem; é a espada de Caxias, impedindo que o país se desunisse.
O Brasil é a glória de seus grandes filhos. É o gênio de Bartolomeu de Gusmão produzindo a Passarola.
Em vez de exaltarmos os céus azuis, as montanhas verdes, os rios imensos, exaltemos os homens que realizaram as obras em favor da nossa indústria e do nosso comércio. Exaltemos Mauá e Mariano Procópio, que construíram as nossas primeiras estradas de ferro; Barbacena, que fez navegar, nos nossos rios, o primeiro barco a vapor.
O Brasil são os seus grandes vultos nas ciências, nas letras e nas artes. É Teixeira de Freitas. É Rui Barbosa. É Varnhagem. É a veia poética de Gonçalves Dias e de Castro Alves. O pincel de Pedro Américo e de Vítor Meireles. A inspiração musical de Carlos Gomes.
Num país, a beleza da paisagem, o fulgor do céu, a extensão dos rios, as próprias minas de ouro, são quase nada ao lado da inteligência, da energia, do trabalho, das virtudes morais de seus filhos.
E, com a voz inflamada pelo entusiasmo, concluiu.
— É essa energia, esse trabalho, essa inteligência, essas virtudes morais, que a nossa bandeira representa“.
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Em: Cazuza, de Viriato Corrêa, São Paulo, Cia Editora Nacional: 1966, 14ª edição. Originalmente publicado em 1938.
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Exercício para a sala de aula:
Esse texto do escritor Viriato Corrêa foi publicado em 1938. Por isso ele não lista outros grandes brasileiros que vieram depois dos anos 30 do século XX e que contribuíram para que o Brasil se tornasse o grande país que é. Liste outros grandes brasileiros que não estão nessa lista acima.
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Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho (Pirapemas, MA 1884 — Rio de Janeiro, RJ 1967) – Pseudônimos: Viriato Correia, Pequeno Polegar, Tibúrcio da Anunciação. Diplomado em direito, jornalista, contista, romancista, teatrólogo, autor de literatura infantil e crônicas históricas, professor de teatro, membro da ABL e político brasileiro.
Obras:
Minaretes, contos, 1903
Era uma vez…, infanto-juvenil, 1908
Contos do sertão, contos, 1912
Sertaneja, teatro, 1915
Manjerona, teatro, 1916
Morena, teatro, 1917
Sol do sertão, teatro, 1918
Juriti, teatro, 1919
O Mistério, teatro, 1920
Sapequinha, teatro, 1920
Novelas doidas, contos, 1921
Contos da história do Brasil, infanto-juvenil, 1921
Terra de Santa Cruz, crônica histórica, 1921
Histórias da nossa história,crônica histórica, 1921
Nossa gente, teatro, 1924
Zuzú, teatro, 1924
Uma noite de baile, infanto-juvenil,1926
Balaiada, romance, 1927
Brasil dos meus avós, crônica histórica, 1927
Baú velho, crônica histórica, 1927
Pequetita, teatro, 1927
Histórias ásperas, contos, 1928
Varinha de condão, infanto-juvenil, 1928
A Arca de Noé, infanto-juvenil, 1930
A descoberta do Brasil, infanto-juvenil,1930
A macacada, infanto-juvenil, 1931
Bombonzinho, teatro, 1931
Os meus bichinhos, infanto-juvenil, 1931
No reino da bicharada, infanto-juvenil, 1931
Quando Jesus nasceu, infanto-juvenil, 1931
Gaveta de sapateiro, crônica histórica, 1932
Sansão, teatro, 1932
Maria, teatro, 1933
Alcovas da história, crônica histórica, 1934
História do Brasil para crianças, infanto-juvenil, 1934
Mata galego, crônica histórica, 1934
Meu torrão, infanto-juvenil,1935
Bicho papão, teatro, 1936
Casa de Belchior, crônica histórica, 1936
O homem da cabeça de ouro, teatro, 1936
Bichos e bichinhos, infanto-juvenil, 1938
Carneiro de batalhão, teatro, 1938
Cazuza, infanto-juvenil, 1938
A Marquesa de Santos, teatro, 1938
No país da bicharada, infanto-juvenil, 1938
História de Caramuru, infanto-juvenil, 1939
O país do pau de tinta, crônica histórica, 1939
O caçador de esmeraldas, teatro, 1940
Rei de papelão, teatro, 1941
Pobre diabo, teatro, 1942
O príncipe encantador, teatro, 1943
O gato comeu, teatro, 1943
À sombra dos laranjais, teatro, 1944
A bandeira das esmeraldas, infanto-juvenil, 1945
Estão cantando as cigarras, teatro, 1945
Venha a nós, teatro, 1946
As belas histórias da História do Brasil, infanto-juvenil, 1948
Dinheiro é dinheiro, teatro, 1949
Curiosidades da história do Brasil, crônica histórica, 1955
O grande amor de Gonçalves Dias, teatro, 1959.
História da liberdade do Brasil, crônica histórica, 1962
José Bonifácio de Andrada e Silva
Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867-1939)
Museu do Ipiranga, São Paulo
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Gilberto Freyre
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O Serviço que José Bonifácio prestou ao Brasil, dando à independência da Colônia de Portugal um sentido de todo diferente das independências das colônias da Espanha, foi imenso. Sua grandeza cresce com o tempo.
Haveria, o Brasil, tal como existe hoje, tão plural e tão uno, se no momento justo não tivesse agido, máscula e decisivamente, sutil, e quase femininamente, juntando a arte dos grandes políticos à firmeza de ânimo dos grandes homens, contra os radicais de sua época, contra os desvairados “nacionalistas” do seu tempo, contra os furiosos antieuropeus dos seus dias, esse brasileiro tão da sua Província, tão do seu burgo sem que tais apegos o impedissem de considerar o futuro nacional, considerando, em seu vasto conjunto, a nova pátria, por ele organizada?
Para assegurar-se a unidade desse conjunto, impunha-se a solução monárquica; e o sagaz Andrada, mais desdenhoso do que ninguém, de títulos e de comendas, foi a solução porque se bateu. Soube fugir à tentação das popularidades fáceis, entre os radicais mais ruidosos, que o cercavam: radicais então simplistamente republicanos, sem se aperceberem que o seu simplismo ideológico de imitadores dos vizinhos da já fragmentada América Espanhola, era para o perigo que nos conduzia: o da fragmentação. O da desunião: brasileiros contra brasileiros. O do separatismo: em vez de um Brasil só, vários Brasis Estados. Uma América Portuguesa ainda mais dividida que a Espanhola em repúblicas inimigas umas das outras.
Houvesse educação cívica no Brasil de hoje, e o culto a José Bonifácio seria o maior culto nacional. Pois deveria haver no Brasil um dia de J. Bonifácio tão civicamente significativo como o dia da Independência ou o dia da Bandeira. Ou antes: o dia da Comemoração da Independência deveria ser principalmente no Brasil o dia de José Bonifácio.
Não se compreende que a sua vida não esteja dramatizada num filme que ao valor artístico juntasse o cívico e através do qual crianças, adolescentes, adultos se inteirassem do que houve de mais expressivo nessa vida de autêntico grande homem, tão a serviço do Brasil. Não se compreende que suas idéias, suas iniciativas, seus projetos inspirados num lúcido amor pela pátria que organizou sem repudiar Portugal, nem aguçar-se em detrator dos portugueses não sejam temas mais freqüentes para composições escolares, teses universitárias, ensaios que as universidades, as academias, os institutos consagrassem com seus melhores lauréis. Tão pouco se compreende que o Itamarati deixe de projetar no estrangeiro figura tão completa de estadista, salientando-se, em publicações em várias línguas, ter sido o patriarca da Nação brasileira, como só depois dele o da República Chinesa, o da Tchecoslováquia, o da União Indiana, um homem de ciência, um humanista, um sábio, um “scholar”, embora, em dias difíceis, soldado. Mas como homem público eminentemente civil. Como homem público, a negação do caudilho. Também a negação, do politiqueiro, do demagogo, do adulador, quer de ricos, quer de multidões com sacrifício da “sã política”. Aquela “sã política” que só se sente comprometida com os grandes interesses gerais; nunca com os simplesmente privados ou de facção.
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[Texto publicado originalmente no Jornal do Comércio (Recife) em 17/01/1965].
Em: Pessoas, coisas e animais, Gilberto Freyre, coletânea de Edson Nery da Fonseca, São Paulo, MPM Proganda: 1979.
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A descoberta de uma fortaleza islâmica do século XII no sul de Portugal traz novos dados sobre o domínio muçulmano na Península Ibérica, especialmente sobre o fundador desta construção, o filósofo sufi Ibn Qasi. Os vestígios descobertos, pertencentes a um tipo de complexo militar e de culto conhecido em árabe como “ribat”, são excepcionais na Península Ibérica pelo número de casas e mesquitas, explicou o arqueólogo da Universidade Nova de Lisboa, Mário Varela Gomes.
O achado desta construção medieval é raro na Península, porque até agora mal se conhecia a de Guardamar del Segura, na província de Alicante (sudeste da Espanha), disse o pesquisador. As escavações do “ribat”, situadas em Aljezur, um pequeno município na província meridional do Algarve, serviram para identificar nove pequenas mesquitas, um minarete e um muro de orações em seus dois hectares de extensão.
No entanto, a descoberta mais relevante corresponde às lápides funerárias, cuja leitura revela novos dados sobre um personagem importante, mas pouco conhecido da ocupação muçulmana na Península Ibérica durante o século XII: o místico Ibn Qasi. Para Varela Gomes, o achado é “muito interessante“, porque mostra uma figura que “fundou as bases de um estado teocrático” no sul de Portugal, Andaluzia, Extremadura, Badajoz e Córdoba.
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Fundamentalista do ramo sufi, Ibn Qasi liderou a luta contra os Almorávides (dinastia norte-africana) e iniciou o “ribat” em 1130 como uma pedra angular para travar sua jihad (guerra santa) particular e como um tipo de retiro espiritual. A construção, que formou monges guerreiros que combateram em sucessivas guerras em Al Andalus – a região ibérica dominada pelos muçulmanos – incitava à meditação por seu isolamento e grandeza natural, explicou o pesquisador.
Entre dunas e baixa vegetação, estava encravado à beira de uma fileira de penhascos banhados pelo Oceano Atlântico. No entanto, o projeto de Ibn Qasi ocorreu em 1151 quando foi assassinado. “Era visto como um traidor pelos outros muçulmanos, porque tinha assinado um pacto de não agressão com Afonso Henriques (primeiro rei português e de confissão católica)”, relatou Varela Gomes.
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O “ribat”, batizado como “Arrifana”, acabou sendo abandonado definitivamente pouco depois do desaparecimento de seu fundador. A Ibn Qasi, que era também um notável literato, se atribui a autoria de O Descalçar das Sandálias, obra imprescindível para a compreensão da influência xiita no movimento sufi de Al Andalus do século XII.
A espetacular localização deste complexo, onde também foram encontrados relevantes restos de cerâmica, objetos de vidro e armas metálicas, será aproveitada para levantar um centro de interpretação a partir de 2013, antecipou Varela Gomes.
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Artigo de Antonio Torres del Cerro.
Fonte: Terra
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Thomas Ender (Áustria, 1793-1875)
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Viriato Corrêa
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— Fitas, arranja-me fitas verdes para toda esta gente, disse D. Pedro jovialmente, tocando no braço de dona Leopoldina.
— Vou buscá-las.
E, risonha, a princesa deixou o grande salão burburinhante, em caminho da alcova.
Naquela noite, de 14 de setembro de 1822, o palácio de São Cristóvão estava num pruido febril de festa e novidade.
Ao escurecer D. Pedro havia voltado de São Paulo e, como por milagre, a cidade inteira soube que o príncipe, nas colinas do Ipiranga, tinha dado o grito da Independência.
Aquilo estalara na cidade como uma bomba. Os salões da Boa Vista encheram-se num momento. Os grandes vultos da propaganda correram a ouvir do próprio imperador os pormenores do gesto emancipador.
D. Pedro, com uma alegria de rapaz e aquelas maneiras democratizadas que ele tinha nos seus momentos de júbilo, contava a sua grande revolta ao receber de Paulo Bregaro, o correio que José Bonifácio lhe enviara, as notícias das cortes de Lisboa: o seu movimento imediato e espontâneo em arrancar do chapéu o tope português gritando “Independência ou Morte”; os transportes da comitiva ao ouvir o brado libertados; a marcha galopante para São Paulo; os delírios do povo paulista naquela mesma noite no teatro da Ópera; o hino que ele mesmo escrevera e que a platéia com ele cantara, alucinadamente; os vivas do padre Ildefonso Xavier, aclamando-o rei do Brasil, enfim, a sua viagem para o Rio, vitoriado por toda a parte.
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Dona Maria Leopoldina de Áustria (Viena, 1797- Rio de Janeiro, 1826)
Primeira Imperatriz-consorte do Brasil, esposa de D. Pedro I
Rainha-consorte de Portugal
Arquiduquesa da Áustria
Née: Dona Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena
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A fisionomia dos patriotas fulgurava.
José Bonifácio envolvia-o num olhar de ternura emocionada. Gonçalves Ledo, nervoso, agitado movia eloquentemente o braço, a cada passagem vibrante da narrativa. Frei Sampaio devorava-o com o olhar em fogo. Cunha Barbosa esticava-se nas pontas dos pés, a mão ao pavilhão da orelha para ouvir melhor. Nóbrega veio colocar-se mais perto para não perder uma palavra da narrativa. José Clemente, calmo, com aquele ar de serenidade inalterável, de quando em quando, traía-se por um fulgor mais vivo nos olhos. Não havia quem não sentisse naquele instante um grande fogo na alma.
A princesa voltou com as mãos cheias de fitas verdes.
D. Pedro tomou um dos laços da mão da esposa, oferecendo-o a José Bonifácio.
— Foi a cor que escolhi para a bandeira – o verde. Ponha o laço no braço.
Dona Leopoldina começou a distribuir as fitas. Todos se curvaram respeitosamente.
Entre a figura serena da princesa e a figura vibrante do príncipe havia uma diferença profunda no desenrolar daquele movimento político de emancipação. Dona Leopoldina era a amiga incondicional do Brasil. Desde o primeiro momento da propaganda que ela se tinha colocado espontaneamente ao lado da Independência. Enquanto D. Pedro, aquela sua cabeça de vento, ora bandeava para um lado, ora para o outro, ora cedendo às exigências de Avilez e da divisão portuguesa, ora tendo gestos imprevistos de simpatia pelos brasileiros, ela, com uma ternura religiosa pela paz em que lhe nasceram os filhos, esteve sempre ao lado da grande aspiração política do Brasil.
A vitória dos campos do Ipiranga era principalmente dela, da sua habilidade, da sua candura, do seu coração, em torcer o príncipe tão leviano e tão estouvado, para um feito tão alto.
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Dom Pedro I, o Libertador do Brasil ( Queluz, 1798 – Queluz, 1834)
Primeiro Imperador do Brasil
Pedro IV de Portugal
[Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon]
Pintura de Benedito Calixto ( Brasil, 1853-1927)
óleo sobre tela, 1902
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Todos que ali estavam sabiam do papel que ela tivera.
A cena de quatorze dias atrás era conhecida nas suas minúcias. O ministério de José Bonifácio tinha-se reunido para conhecer as exigências das Cortes de Lisboa. Essas exigências eram tão prementes, que só um golpe de independência poderia resolvê-las. O velho Andrada conclui pela separação definitiva do Brasil de Portugal e todos, inclusive a princesa, aplaudem a decisão. É preciso mandar um emissário a D. Pedro, em São Paulo. Paulo Bregaro é chamado. José Bonifácio entrega-lhe os papéis, recomendando:
— Se não arrebentar uma dúzia de cavalos no caminho nunca mais será Correio; veja o que faz.
E, quando o oficial vai montado para partir, dona Leopoldina assoma as escadas de pedra do palácio, detendo-o com um gesto:
— Falta ainda isto.
E, a sua carta, carta escrita pela sua própria mão, dirigida ao marido, aconselhando-o, pedindo-lhe que fizesse imediatamente a Independência do Brasil.
Os salões continuavam a encher. A todo o momento carros paravam à escadaria do palácio.
A noite estava fria. Chuviscava. Pelas janelas via-se o clarão longínquo da cidade que começava a iluminar-se festivamente.
D. Pedro passeava pelo salão radiosamente. Estava de uma alegria como nunca se tinha visto. Ora passava o braço aos ombros de José Bonifácio, ora aos de Gonçalves Ledo, ora ia conversar com frei Sampaio, ora atender à reverência de um patriota que entrava. Tinha-se a impressão de que ali não estava o príncipe que havia acabado de fundar um império, mas um homem como outro qualquer, um excelente camarada que se democratizava em abraços e rompantes festivos.
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Paço de São Cristóvão, c. 1835-1840
Barão Karl Robert Planitz ( Alemanha, 1804- Brasil, 1847)
Gravura aquarelada
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Nas salas agora, quase que ninguém se podia mover. D. Pedro lançou os olhos pelo salão em que se reuniam os vultos da propaganda e exclamou:
— Mas nem todos têm o distintivo da Independência!
E, com a jovialidade dos seus vinte e quatro anos, voltou-se para a esposa num momento de intimidade encantadora:
— Os laços foram poucos. Não haverá mais fitas verdes no palácio?!
Dona Leopoldina sorriu. Chegou-se-lhe até perto e disse-lhe baixinho aos ouvidos:
— Não há.
Mas seguiu em rumo da alcova. Abriu as gavetas do primeiro móvel, remexeu-as. Não havia fitas. Foi a outras gavetas, a mais outras, a mais outras. As fitas que encontra não são da cor do distintivo.
E vai sair e fechar a porta quando os seus olhos se voltam para a sua larga cama estendida no quarto. Os grandes travesseiros de cambraia estão enfeitados de fitas verdes. Aproxima-se e nervosamente arranca as fitas uma por uma, pedaço a pedaço, sem deixar um só.
E entra no salão com uma alegria de criança, segurando a mão do marido:
— Arranjei as fitas.
Há uma exclamação de contentamento em toda a sala. Com um leve tom de rosa no rosto a princesa conclui:
— Tirei-as dos travesseiros de minha cama.
No movimento instintivo toda a gente baixa respeitosamente a cabeça, numa reverência de profunda emoção. Que alma maravilhosa tinha aquela mulher que amava tanto o Brasil a ponto de oligar candidamente à intimidade recatada dos travesseiros de sua cama!
Ninguém se sente com ânimo de merecer tão alta honra. Há um ligeiro silêncio, uma ligeira indecisão.
Antonio Menezes de Vasconcelos Drummond avança um passo. Dona Leopoldina oferece-lhe o laço de fita. Ele beijou-o num respeito comovedor:
— Obrigado, majestade! Era verdade. Ninguém se havia lembrado que já não mais estava ali a arquiduquesa d’ Áustria e sim a soberana do Brasil.
E todos avançam. Dona Leopoldina distribui as fitas. A cada laço que entrega um beijo estala, o beijo da ternura, o beijo da gratidão, a única e mais bela homenagem que aqueles patriotas podiam, naquele momento, prestar aquele imenso coração de mulher.
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Em: Terras de Santa Cruz: contos e crônicas da história brasileira, Viriato Corrêa, São Paulo, Civilização Brasileira: 1956.
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Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho (Pirapemas, MA 1884 — Rio de Janeiro, RJ 1967) – Pseudônimos: Viriato Correia, Pequeno Polegar, Tibúrcio da Anunciação. Diplomado em direito, jornalista, contista, romancista, teatrólogo, autor de literatura infantil e crônicas históricas, professor de teatro, membro da ABL e político brasileiro.
Obras:
Minaretes, contos, 1903
Era uma vez…, infanto-juvenil, 1908
Contos do sertão, contos, 1912
Sertaneja, teatro, 1915
Manjerona, teatro, 1916
Morena, teatro, 1917
Sol do sertão, teatro, 1918
Juriti, teatro, 1919
O Mistério, teatro, 1920
Sapequinha, teatro, 1920
Novelas doidas, contos, 1921
Contos da história do Brasil, infanto-juvenil, 1921
Terra de Santa Cruz, crônica histórica, 1921
Histórias da nossa história,crônica histórica, 1921
Nossa gente, teatro, 1924
Zuzú, teatro, 1924
Uma noite de baile, infanto-juvenil,1926
Balaiada, romance, 1927
Brasil dos meus avós, crônica histórica, 1927
Baú velho, crônica histórica, 1927
Pequetita, teatro, 1927
Histórias ásperas, contos, 1928
Varinha de condão, infanto-juvenil, 1928
A Arca de Noé, infanto-juvenil, 1930
A descoberta do Brasil, infanto-juvenil,1930
A macacada, infanto-juvenil, 1931
Bombonzinho, teatro, 1931
Os meus bichinhos, infanto-juvenil, 1931
No reino da bicharada, infanto-juvenil, 1931
Quando Jesus nasceu, infanto-juvenil, 1931
Gaveta de sapateiro, crônica histórica, 1932
Sansão, teatro, 1932
Maria, teatro, 1933
Alcovas da história, crônica histórica, 1934
História do Brasil para crianças, infanto-juvenil, 1934
Mata galego, crônica histórica, 1934
Meu torrão, infanto-juvenil,1935
Bicho papão, teatro, 1936
Casa de Belchior, crônica histórica, 1936
O homem da cabeça de ouro, teatro, 1936
Bichos e bichinhos, infanto-juvenil, 1938
Carneiro de batalhão, teatro, 1938
Cazuza, infanto-juvenil, 1938
A Marquesa de Santos, teatro, 1938
No país da bicharada, infanto-juvenil, 1938
História de Caramuru, infanto-juvenil, 1939
O país do pau de tinta, crônica histórica, 1939
O caçador de esmeraldas, teatro, 1940
Rei de papelão, teatro, 1941
Pobre diabo, teatro, 1942
O príncipe encantador, teatro, 1943
O gato comeu, teatro, 1943
À sombra dos laranjais, teatro, 1944
A bandeira das esmeraldas, infanto-juvenil, 1945
Estão cantando as cigarras, teatro, 1945
Venha a nós, teatro, 1946
As belas histórias da História do Brasil, infanto-juvenil, 1948
Dinheiro é dinheiro, teatro, 1949
Curiosidades da história do Brasil, crônica histórica, 1955
O grande amor de Gonçalves Dias, teatro, 1959.
História da liberdade do Brasil, crônica histórica, 1962
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Foto antiga de Itajubá, MG.–
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A revolução paulista desencadeia na cidade um febre política que contamina toda a população. Pela situação estratégica, Itajubá passa a ser o ponto central para onde afluem as tropas que vão combater os revoltosos e também por estar próxima ao túnel, onde se instalam as tropas paulistas para impredir o avanço dos legalistas. Há muitos contingentes aquartelados em toda a cidade. Até o Grupo Escolar, acabado de construir, da noite para o dia, se transformou em praça de guerra. As paredes estão cobertas de mapas contendo a zona em que se encontram os revolucionários. Entramos na sala em que está aquartelado o P.C. da 1ª DI. O general Trompowsky faz as honras de dono da casa ao receber as senhoras dos oficiais que estão no front. Manda servir café e depois chama um soldado que é hábil saxofonista e taca o Tico-tico no fubá. Ouvimos o barulho do motor de um avião e corremos lá fora para ver. Ele distribui manifestos pela cidade, enquanto o povo mineiro entusiasma-se dando vivas aos paulistas. Mamãe nos leva para casa, o tiroteio começa, alguma bala desgarrada pode nos atingir. O avião, cada vez mais alto, sai do campo de ação. Depois desaparece.
Os boatos fervem o dia todo. O ex-presidente Wenceslau Braz quer a adesão de Minas à causa paulista. Os paulistas estão de tal forma empolgados, que venderam todo o ouro que tinham para comprar armas. Em troca receberam um anel de aço onde está escrito: “Dei ouro para o bem de São Paulo”. Nossa casa atrai visitantes, políticos, militares, civis. Muitos, principalmente os políticos, estão empenhados em obter do papai, comandante do 4º B/E, a adesão a São Paulo. Se isso acontecer, naturalmente os outros estados também hão de aderir. A meu pai repugna trair o chefe da nação. A oficialidade se reúne no QG das forças legalistas. Góis Monteiro, Eurico Dutra, Trompowsky, Horta Barbosa. Decidem com meu pai permanecer fiéis ao governo de Getúlio Vargas. O desfecho desagrada ao povo mineiro. Wenceslau Braz se empenha e consegue a transferência do oficial da arma de Engenharia, Miguel Salazar Mendes de Moraes, de Itajubá para o Rio de Janeiro.
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Autora: Ivna Thaumaturgo [ Ivna Thaumaturgo Mendes de Moraes Duvivier]. Nascida em 1915, neta do marechal Gregório Thaumaturgo de Azevedo, primeiro chefe de uma comissão mista Brasil-Bolívia encarregada de demarcar a fronteira entre esses países e neta, por parte de pai, do general Feliciano Mendes de Moraes. A família era toda de militares sendo Ivna filha do futuro marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes.
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Em: A família de guizos: história e memória, de Ivna Thaumaturgo, Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 1997
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Mapa do Rio de Janeiro século XVII.
Livro de Toda a Costa da Província de Santa Cruz, 1666.
João Teixeira Albernaz
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Ganhei de aniversário a obra A aparência do Rio de Janeiro,do escritor carioca Gastão Cruls (1888-1959) em dois volumes, publicada em 1949. É um deleite para quem, como eu, gosta de ler sobre o Brasil e o Rio de Janeiro antigos. Ontem, depois da postagem anterior sobre o Turismo no Rio de Janeiro, me ocorreu ver o que Gastão Cruls tinha apontado como primeiros visitantes dessa nossa cidade, que coloco abaixo:
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De estrangeiros que nos visitaram no século XVII, temos apenas os depoimentos de Flecknoe e Froger.
Flecknoe, irlandês, que se diz, sem grande certeza, ter pertencido à Companhia de Jesus, aqui esteve em 1648. Viajou, ao que parece, a convite de Salvador Correa de Sá e Benevides quando este, comandando uma frota de seis navios, tornava ao Rio investido das funções de governador, com alçada sobre as Capitanias do Sul. Embora se trate de um letrado, que se demorou bastante entre nós, são das mais erradas e incríveis as observações do irlandês. Começa por dizer que as águas da Guanabara estavam permanentemente envenenadas por um peixe muito tóxico, e que ele mesmo teve a prova disso, pois que se sentiu muito mal, com tonturas e outras perturbações, depois que nelas tomou banho. Talvez os banhos é que não lhe fossem muito familiares. Por outro lado, ao invés de nos dizer alguma coisa sobre a cidade e os habitantes, prefere alongar-se em considerações sobre a flora, fauna, etnografia e até astronomia e, versando esses assuntos, seus comentários são ainda mais absurdos. Contudo, não lhe escapou que as casas da “cidade antiga”, no Morro do Castelo, já estavam quase em ruínas, dado que a população se fora aos poucos transferindo para a planície.
O outro viajante, Froger, era de nacionalidade francesa, e aqui parou, por algum tempo, em 1695, na esquadra do almirante Gennes, destinada ao Estreito de Magalhães, onde iria montar uma feitoria. Recordando esse périplo, Froger escreveu a Rélation d’un Voyage de la Mer du Sud, Detroit de Magellan, Brésil, Cayenne et les Isles Antilles, obra hoje bastante rara, e da qual resumiremos alguns tópicos.
Agrada-lhe a cidade, em boa situação, cercada de altas montanhas, grande, bem construída e com ruas retas. Elogia igualmente as magníficas edificações dos jesuítas e dos beneditinos, implantadas em pequenas elevações que fecham a cidade dos dois lados. Quanto aos habitantes, são limpos e de uma gravidade peculiar à nação. Ricos, gostam de traficar e têm um grande número de escravos, além de várias famílias de índios, mantidas nos seus engenhos. Assim, com tanta gente a trabalhar para eles, mostram-se moles e efeminados. “O luxo lhes é tão é tão comum que não somente os burgueses, mas até os religiosos podem sustentar mulheres públicas sem temer a censura e a maledicência do povo, que lhes dispensa um respeito todos particular.” Froger não para aí na crítica à corrupção do clero e, se abre ligeira exceção para uns oito ou dez capuchinhos franceses e alguns jesuítas, “que se entregam com zelo extraordinário aos seus santos misteres”, acha que o resto, pela depravação, poderia fazer “recear o incêndio de uma outra Sodoma”.
Aquele luxo, que tanto impressionou Froger, seria, é quase certo, apenas de hábito externo, de roupas e adereços brilhantes e espalhafatosos. Não resta dúvidas que os trajes da época, com seus casacos de veludo e os seus calções de cetim afivelados ao joelho, concorriam para toda a pacholice.
Aliás, por uma carta divulgada entre nós graças à Vieira Fazenda, carta escrita daqui, mais ou menos na mesma época, por certo comerciante português a um irmão em Lisboa, vê-se como era grande o consumo de veludos, sedas e tafetás, tão procurados no mercado do Rio como o azeite, as azeitonas, o vinagre, freios, fechaduras e outras ferragens que nos mandavam do Reino. É verdade que aqui também vinham se abastecer os peruleiros, negociantes que através do Rio da Prata faziam o comércio com o Peru e o Reino de Granada, ambos já nadando em riqueza, e que na Guanabara não regateavam ducados de ouro e prata em troca de boa e bem sortida mercadoria.
Mas o gosto pelas roupagens de preço não ficava apenas entre a gente mais abastada. Em 1703, por solicitação do bispo do Rio, o procurador da Coroa dirigia-se ao Rei, reclamando contra o fausto com que as escravas se exibiam nas ruas e pedindo-lhe “mandar que de nenhuma maneira usem, nem sedas, nem telas de ouro, porque será tornar-lhes a ocasião de poder incitar para os pecados com os adornos custosos que vestem.”
Neste caso, o mais provável é que o bispo fosse apenas o porta-voz de uma ou outra fidalga da cidade, posta em xeque pelo chiste e a elegância de suas servas. E havia negras de encher o olho. Ainda em 1870, o Conde d’Ursel, viajante francês, falava na beleza de certas pretas Minas, “soberbas mulheres, eu diria preferentemente cariátides.”
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Em: A aparência do Rio de Janeiro, vol I, Gastão Cruls, Rio de Janeiro, Livraria José Olympo: 1949
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NOTA:
Richard Flecknoe (c. 1600-1678?), possivelmente de origem irlandesa, esse jesuita, poeta e teatrólogo, esteve no Brasil em 1648.
François Froger, (1673-1715) engenheiro hidrográfico francês que trabalhou para a marinha e navegou por sete mares. Esteve no Brasil em 1695.
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A exposição Turismo no Rio de Janeiro, que está no Espaço Cultural Fundação Getúlio Vargas, no centro da cidade, oferece uma vista d’olhos interessante sobre pontos turistícos da cidade vistos através de fotos antigas de cartões postais; além de mostrar também o que os brasileiros, os cariocas em particular, ofereceram através do século XX como lembranças de viagem aos turistas que aqui chegaram.
As fotos de hoteis que já não existem, de pontos turísticos como a antiga praia de Santa Luzia, são parte da interessante documentação reunida ali. Mapas, fotos mostram como o Rio de Janeiro mudou a visão de si mesmo com a chegada da primeira excursão turística à cidade, em 1907. Os empresários cariocas com um olho nos eventos esportivos da cidade que estão dando um novo ímpeto ao Rio de Janeiro não deveriam deixar de ver a mostra dos objetos considerados lembranças da cidade. Não só para terem uma noção do que já foi feito, como para verem o que não fazer, e também para melhorar as nossas lembranças, que comparadas com outras de outros locais do mundo da mesma época, deixam a desejar.
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Mementos do Rio de Janeiro antigo: Bandeja com paisagem de asas de borboletas, prato com araras, piranha.–
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Lembranças turísticas: caneca e prato com imagem do Pão de Açucar, luva de cozinha, miniatura do Corcovado e do Maracanã.–
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Há algumas perguntas que não calam quando vemos a exposição, aqui ficam:
1 – É assim que gostaríamos de sermos lembrados lá fora? Como queremos ser lembrados?
2 – Estamos perpetuando para o exterior a imagem que o exterior tem de nós? Exoticismo tropical?
3 – Não haveria algum outro “Recuerdo de Rio de Janeiro” mais sofisticado mais condinzente com a nossa criatividade?
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É hora de nos concientizarmos que turismo é uma indústria que traz grande benefício socio econômico, e que os turistas que aqui chegam devem estar interessados em mais do que lembranças artesanais, de pessoas bem intencionadas mas que não conseguem imaginar que pode-se sim, ter lembranças turísticas de alto valor monetário e muito mais sofisticadas. Até mesmo as reproduções de alguns de nossos monumentos poderiam ser feitas em materiais de melhor qualidade. Há também que nos lembrar que temos esculturas, pinturas nos nossos museus que não deixam nada a desejar quando comparados com trabalhos feitos fora do Brasil. Por que eu posso ir à França e trazer uma bela cópia da Vênus de Samotracia, que está no Louvre e não consigo levar para um amigo no exterior uma bela cópia de um trabalho de arte brasileiro do século XIX, por exemplo? Por que posso mandar um postal da Monalisa para o Brasil quando visito Paris e não posso mandar um postal da Fuga para o Egito de José Ferraz de Almeida Júnior que está no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro? É assim que se faria a divulgação da cultura brasileira, no “boca a boca”…, no cartão postal de alguém que se apaixona por uma obra que viu no Brasil, de artista brasileiro. Uma propaganda sobre o Rio de Janeiro e sobre o Brasil, quase gratuita.
Será que só queremos mesmo ser lembrados pelo Carnaval?
Boa documentação sobre um assunto que está em pauta. Interessantíssimo!
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SERVIÇO
Centro Cultural da Fundação Getúlio Vargas
Rua da Candelária 6, Centro
Rio de Janeiro
Até 23 de julho de 2011
Entrada Gratuita
Horário: de 2ª a 6ª feira 8 – 22 horas
Sábados: 9 – 18 horas
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Para mim é interessante ver como no hemisfério norte, tanto nos Estados Unidos como na Europa, a chegada do verão é sempre acompanhada de listas de livros para se ler na praia, nas férias, nos dias de lagartearmos ao sol. O ritual de nomear os melhores livros desse gênero ou daquele gênero se faz presente, chega até a criar expressões idiomáticas tais como “beach read” [ leitura de praia]. A preocupação com o que ler está sempre presente nas agendas dos que entram em férias ou dos que saem de férias. Listas de livros abundam nas páginas dos jornais, das revistas de grande tiragem. Ler, nesses países onde um razoável nível de educação é mais democrático do que nas nossas bandas, é uma das coisas que se faz com prazer, nas férias, nos feriados longos, para divertimento, ou para preencher aquela lacuna intelectual.
Este mês o jornal The Guardian, da Grã Bretanha, publicou uma lista: 100 melhores livros de não-ficção, de todos os tempos [ The 100 greatest non-fiction books]. A seleção feita pelo jornal inclui muitos clássicos bastante óbvios e algumas surpresas. Mas as opções que conheço mostram-se de fato muito apropriadas. Talvez seja uma surpresa para quem lê esse blog com regularidade descobrir que sou grande apreciadora de livros de não-ficção, e que há épocas em que os leio em maior número do que os livros de ficção. As áreas de minha preferência são história, biografia, memórias, ciências, economia, e livros de viagens. São todos assuntos que complementam as áreas dos meus interesses profissionais, que adicionam perspectiva no que faço no dia a dia. Como gostei bastante da lista, e com pouquíssimas exceções concordo com o que foi escolhido, vou colocá-la aqui para aconselhar leitores que estejam interessados em ler o que há de melhor.
NOTAS:
1 – É importante lembrar que esta lista foi compilada com enfoque nos leitores do jornal inglês. Por isso incluiu alguns livros que focam na Inglaterra, mas no conjunto, retirando esses títulos específicos, é uma excelente lista dos livros de não-ficção que todos nós deveríamos nos esforçar para ler ou pelo menos saber que existem.
2 – Quando encontrei os títulos em português listei-os, com a respectiva editora e ISBN para fácil acesso. Ficam assim registradas também as lacunas editoriais no Brasil. Alguns livros só encontrei em edições lusitanas. Alguns, famosíssimos, como O meio é a mensagem, de Marshall McLuhan, estão sem edição em português. E este é só um exemplo. A verdade é que todos esses livros deveriam estar num catálogo de acesso perpétuo, para nosso enriquecimento cultural. Espero que, agora, que a Editora Penguin está por aqui, que é conhecida por manter livros clássicos impressos, se apodere desse mercado e preencha as lacunas que temos com suas esmeradas traduções e publicações que cabem no bolso de qualquer um.
3 – No caso — raro — de haver mais de uma publicação em português por diferentes editoras, coloquei aqui a editora que parecia oferecer o livro por completo — sem edição abreviada, ou a edição de mais rápida entrega. Às vezes os títulos em português não tem nada a ver com seus rescpectivos títulos originais. Assim sendo, é possível que eu não tenha notado a existência de alguma tradução. [Exemplo: o livro Double Helix de James Watson, em português ficou com uma tradução com maior apelo poular: DNA- o sergredo da vida].
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A pintura sopra vida na escultura, 1893
Jean-Léon Gérôme (França, 1824-1904)
óleo sobre tela
Galeria de Arte de Ontário, Canadá.
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1 – The Shock of the New, Robert Hughes (1980) — não traduzido para o português — história da arte moderna do Cubismo à Avant-Garde.
2 – A história da arte, Ernst Gombrich (1950) – [Editora LTC, ISBN: 9788521611851] — o mais popular livro de arte. Gombrich examina os problemas técnicos e estéticos confrontados pelos artistas desde o início do mundo.
3 – Modos de ver, John Berger (1972) – [Editora Rocco, ISBN: 9788532508676] — um estudo sobre a maneira como vemos a arte que mudou os termos de uma geração comprometida com a cultura visual.
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As três idades do homem, c. 1510
Giorgione ( Itália, 1477-1510)
óleo sobre tela
Palazzo Piti, Galleria Palatina, Florença.
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4 – Lives of the Most Excellent Painters, Sculptors, and Architects , Giorgio Vasari (1550) Biografia misturada com anedotas retratando a vida de pintores e escultores de Florença.
5 – The life of Samuel Johnson, James Boswell (1791) – Boswell faz um retrato do lexicografo baseado nas notas de seu próprio diário.
6 – The diaries of Samuel Pepys, Samuel Pepys ( 1825) — ” O Senhor seja louvado, no final do ano passado eu estava com boa saúde”. Assim começa o diário muito vívido do período da Restauração.
7 – Eminent Victorians, Lytton Strachey (1918) — Strachey fez o modelo para a biografia moderna, com sua narrativa irreverente e espirituosa de quatro heróis da era vitoriana.
8 – Goodbye to All That, Robert Graves (1929) — autobiografia de Graves conta a história de sua infância, dos primeiros anos de casado, e a grande parte do livro conta das brutalidades e banalidades da Primeira Guerra Mundial.
9 – A autobiografia de Alice B. Toklas, Gertrude Stein (1933) [Editora Cosac Naify, ISBN: 9788575038024] – Inovadora autobiografia de Stein, escrita sob o disfarce de uma autobiografia de sua amante.
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Pintura romana, 1674
[cópia da então recente escavação da Tumba dos Nasonii, Via Flaminia, Roma]
Pietro Santi Bartoli (Itália, 1635-1700)
Do livro de sketches e manuscrito
Glasgow Univeristy Library
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10 – Notes on Camp, Susan Sontag, (1964) — Sontag propões que a sensibilidade moderna foi modelada pela ética judia e pela estética homossexual
11 – Mithologies, Roland Barthes (original em francês, publicado em 1957) — Barthes procura os significados dos mitos daquilo que nos rodeia, nesses estudos sagazes mitos contemporâneos.
12 – Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente, Edward Said (1978) [Editora de Bolso, ISBN: 9788535910452] — Said argumenta que as representações românticas da cultura árabe são condescedentes e políticas.
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As quatro estações, c. 1895
Alphonse Mucha ( República Checa, 1860-1939)
Litografia colorida
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13 – Primavera Silenciosa, Rachel Carson (1962) [ Editora Gaia, ISBN: 9788575552353] – análise dos efeitos dos pesticidas no meio ambiente que serviram de base para o movimento de proteção ao meio-ambiente.
14 – A vingança de Gaia, James Lovelock (1979) — [Editora Intrínseca, ISBN: 9788598078168 ] – o argumento de Lovelock — uma vez que a vida tenha se estabelecido no planeta, ela constrói condições para sua própria sobrevivência — revolucionou a nossa percepção do nosso lugar no esquema das coisas.
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Um “Trabant” [marca do carro da Alemanha do Leste] atravessa a parede.
Grafite no Muro de Berlim.
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15 — Histórias, Heródoto (c. 400 aC), [em português só em edição portuguesa em diversos volumes, Edições 70, ISBN:9789724414492] — A História começa com a narrativa da guerra Greco-Persa.
16 — O declínio e a queda do império romano, Edward Gibbon (1776) [Em português, edição abreviada, Editora Companhia do Bolso, ISBN: 9788535907445] — o primeiro historiador moderno do período romano, se voltou para fontes arcaicas, para concluir que a decadência moral levou o império ao declínio total.
17 — The History of England, Thomas Babington Macaulay (1848) — um marco no estudo da história do ponto de vista de um historiador liberal.
18 — Eichmann em Jerusalém — Hannah Arendt (1963) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788571649620] — sobre julgamento de Adolf Eichmann, e os mecanismos sociológicos e psicológicos do Holocausto.
19 — The Making of the English Working Class, EP Thompson (1963) — Thompson virou a história de cabeça para baixo quando fixou seu olhar no povo, quando a maioria dos estudiosos tratava o povo como uma massa anônima.
20 — Enterrem meu coração na curva do rio: a dramática história dos índios americanos, Dee Brown (1970) [Editora LP&M, ISBN: 9788525412935] — A história do tratamento dos índios americanos pelo governo dos EUA.
21 — Hard Times: an Oral History of the Great Depression, Studs Terkel (1970) — Uma tapeçaria de impacto feita de histórias contadas sobre a Grande Depressão.
22 — Shah of the Shahs, Ryszard Kapuściński (1982) – o grande jornalista polonês conta a história do último Xá do Irã.
23 — Era dos extremos, Eric Hobsbawm (1994) –[ Editora Cia das Letras, ISBN: 9788571644687] ] demonstra a falência tanto do capitalismo, como do comunismo, nessa história do século XX.
24 — Gostaria de informá-lo que amanhã seremos mortos com nossas famílias: histórias de Ruanda, (1994) [Editora Cia de Bolso, ISBN: 9788535908923] O terror dos massacres em Ruanda e a falencia da comunidade internacional.
25 — Pós-guerra, uma história da Europa desde 1945, Tony Judt (2005) [Editora Objetica, ISBN: 9788573028799] um grande relato da história da Europa desde 1945.
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Fantômas ( cachimbo e jornal), 1915
Juan Gris ( Espanha, 1887-1927)
óleo sobre tela, 60 x 73 cm
National Gallery of Art, Washington D.C.
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26 — O jornalista e o assassino, Janet Malcolm (1990) [Editora Cia de Bolso, ISBN: 9788535918342] uma análise do dilema moral do jornalismo.
27 — O teste do ácido do refresco elétrico, Tom Wolfe (1968) [Editora Rocco, ISBN: 9788532504036] o homem de terno branco segue Ken Kesey e sua banda Merry Pranksters quando eles atravessam os EUA numa viagem cheia de LSD.
28 — Despachos do Front, Michael Herr (1977)[Editora Objetiva, ISBN: 9788573027372] relato das experiências de Herr na guerra do Vietnã.
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Arte e Literatura, 1867
Adolphe William Bouguereau ( França, 1825-1905)
óleo sobre tela, 200 x 108 cm
Museu de Arte Arnot, Elmira, NY
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29 — The life of the Poets, Samuel Johnson (1781) – estudos críticos e biográficos dos poetas ingleses do século XVIII.
30 — An Image of Africa, Chinua Achebe (1975) — o autor desafia o imperialismo cultural ocidental argumentando que o livro O coração das trevas, de Joseph Conrad é um romance racista, que não dá humanidade a seus personagens africanos.
31 — A psicanálise dos contos de fadas, Bruno Bettelheim (1976) [Editora Paz e Terra, ISBN: 9788577530380] — argumenta que a parte soturna dos contos de fadas, dão meios às crianças de lidarem com seus medos.
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Resolvendo o problema, s/d
Henri-Jules-Jean Geoffroy (conhecido como Geo) (França, 1853-1924)
óleo sobre tela
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32 — Gödel, Escher, Bach: an eternal golden braid, Douglas Hofstadter (1979) um meditação sobre música, mente e matemática, que explora uma complexidade formal e auto-referencial.
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Homem escrevendo carta, 1664-66
Gabriel Metsu (Holanda 1629-1667)
Óleo sobre painel de madeira, 52 x 41 cm
National Gallery, Dublin, Irlanda
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33 — Confissões, Jean-Jacques Rousseau (1782) — [Editora Edipro, ISBN: 9788572835817] Rousseau estabelece com essa obra o modela para a moderna autobiografia com a história íntima de sua vida.
34 — Narrative of the Life of Frederick Douglass, an American Slave, Frederick Douglass (1845) uma história vívida, narrada na 1ª pessoa, foi a primeira vez que a voz de um escravo foi ouvida na sociedade em geral.
35 — De profundis, Oscar Wilde (1905) [Editora LP&M Pocket, ISBN: 9788525408259] Na prisão, Wilde conta a história de seu caso amoroso com Alfred Douglas e também conta sobre seu desenvolvimento espiritual.
36 — Os sete pilares da sabedoria, T. E. Lawrence (1922) [Editora Record, ISBN: 9788501021472] um relato fascinante de suas experiências contra o império otomano.
37 — Ghandi: Autobiografia, minha vida e minhas experiências com a verdade, Mahatma Gandhi (1927) [Editora Palas Athena, ISBN: 9788572420280] um clássico no gênero das confissões, Ghandi conta suas primeiras dificuldades e sua batalha para chegar ao auto-conhecimento.
38 — Lutando na Espanha, George Orwell (1938), [Editora Globo, ISBN: 9788525041913] um relato claro de sua experiência com traição e confusão durante a Guerra Civil da Espanha.
39 — O diário de Anne Frank, Anne Frank (1947) [Editora Bestbolso, ISBN: 9788577990009] publicado por seu pai, depois da Segunda Guerra Mundial, esse relato da vida familiar escondida, ajudou a formar os relatos posteriores do Holocausto.
40 — Speak Memory, Vladimir Nabokov (1951) – Nabokov reflete sobre sua vida antes de sua migração para os EUA em 1940.
41 — The Man Died, Wole Soyinka (1971) um poderoso relato de sua experiência na cadeia, quando prisioneiro durante a guerra civil na Nigéria.
42 — A tabela periódica, Primo Levi ( 1975) [Editora Relume Dumará, ISBN: 9788573160079] uma visão de sua vida, incluindo o período como prisioneiro num campo de concentração, pelas lentes da química.
43 — Bad Blood, Lorna Sage (2000) demole a fantasia da família, explicando como seus antepassados passaram raiva, dor e desejos frustrados através de gerações.
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A condição humana, 1933
René Magritte (Bélgica, 1898-1967)
óleo sobre tela, 100 x 81 cm
Coleção Simon Spierer, Genebra, Suíça
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44 — A interpretação dos sonhos, Sigmund Freud (1899) [ No Brasil em 2 volumes, Editora Imago, ISBN 1º volume 9788531209789] argumento de que as nossas experiências enquanto sonhamos possuem as chaves para a nossa vida psicológica, e com esse livro abriu a porta para a psicoanálise.
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A tocadora de bandolim, s/d
David Jermann ( EUA, contemporâneo)
óleo sobre madeira, 58 x 78cm
www. davidjermann.com
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45 — The Romantic Generation, Charles Rosen (1998) – examina como os compositores do século XIX expandiram os limites da música e os seus comprometimentos com a literatura, a paisagem e o divino.
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Aristóteles contemplando o busto de Homero, 1653
Rembrandt van Rijn ( Holanda, 1606-1669)
óleo sobre tela, 144 x 137 cm
Metropolitan Museum of Art, Nova York
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46 – O banquete, Platão (c. 380 aC) [Editora Edipro, ISBN: 9788572836692] — uma viva discussão numa reunião em um jantar, sobre a natureza do amor.
47 — Meditações, Marco Aurélio (c. 180) [Editora Madras, ISBN: 9788573748710 ] — uma série de reflexões pessoais, aconselhando a calma face aos conflitos e o cultivo de uma perspectiva cósmica.
48 — Os ensaios, Michel de Montaigne (1580) [Editora Penguin, ISBN: 9788563560063] — um sábio e bem-humorado exame de si-mesmo, da natureza humana, que lançou o ensaio como uma forma literária.
49 — The Anatomy of Melancholy, Robert Burton (1621), um exame da cultura humana pelos olhos da melancolia.
50 — Meditações sobre a Filosofia Primeira, René Descartes (1641)[Editora Unicamp, ISBN: 9788526806740] Duvidando de tudo exceto de sua própria existência, Descartes tenta construir Deus e o universo.
51 — Diálogos sobre a religião natural, David Hume ( 1779) [Portugal, Edições70, ISBN: 9789724412429] Hume testa sua fé numa conversa examinando os argumentos para a existência de Deus.
52 — Crítica da razão pura, Immanuel Kant ( 1781) [Editora WMF, ISBN: 9788578273576] Se a filosofia ocidental é só uma nota de rodapé de Platão, então a tentativa de Kant de unir razão com experiência fornece muitos dos títulos dos assuntos.
53 — Fenomenologia do Espírito, GWF Hegel, (1807) [Editora Vozes, ISBN: 9788532627698] Hegel leva o leitor através da evolução da consciência.
54 — Walden, Henry David Thoreau ( 1854) [Editora LP&M, ISBN: 9788525420602] um relato de dois anos morando numa cabana de madeira em que examina as ideías de independência e de sociedade.
55 — Sobre a liberdade, John Stewart Mill (1859) [ Editora Hedra, ISBN: 9788577152001] John S Mill argumenta que a única razão para a qual o poder pode ser exercido sobre qualquer membro da comunidade civilizada, contra a sua vontade, seria para prevenir o dano aos outros.
56 — Assim falou Zaratrusta, Friedrich Nietzsche (1883) [Editora Civilização Brasileira, ISBN: 9788520004746] Inválido, Nietzsche declara a morte de Deus e o triunfo do Super-Homem.
57 — A estrutura das revoluções científicas, Thomas Kuhn (1962) [Editora Perspectiva, ISBN: 9788527301114] uma teoria revolucionária sobre a natureza do progresso científico.
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Entretenimento nas eleições, 1755
William Hogarh (Inglaterra, 1697-1764)
óleo sobre tela
Sir John Sloane’s Museum, Londres
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58 — A arte da guerra, Sun Tzu (c. 500 aC) [Editora LP&M, ISBN: 9788525410597] um estudo da guerra que enfatiza a importância do posicionamento e habilidade de reagir de acordo com as mudanças das circunstâncias.
59 — O príncipe, Nicolau Maquiavel (1532) [Editora Penguin, ISBN: 9788563560032] Maquiavel injeta realismo num estudo do poder, argumentando que os governantes devem estar preparados para abandonar a virtude a favor da estabilidade.
60 — Leviatã, Thomas Hobbes (1651) [Editora Martins Fontes, ISBN: 9788533624085] Hobbes defende a posição do poder absoluto, para evitar que a vida seja brutal.
61 — Direitos do homem, Thomas Paine (1791) [Editora Edipro, ISBN:9788572834827 ] uma defesa da Revolução Francesa de grande influência, que aponta para a ilegitimidade dos governos que não defendem os direitos do cidadão.
62 — A Vindication of the Rights of Women, Mary Wollstonecraft (1792) argumenta que as mulheres devem ter o direito à educação para que possam contribuir para a sociedade.
63 — O manifesto comunista, Karl Marx e Friedrich Engels ( 1848) [Editora Paz e Terra, ISBN: 9788577530434] Uma análise social e política em termos de luta de classes, que lançou um movimento com a vibrante declaração “o proletariado não tem nada a perder a não ser suas próprias correntes”.
64 — The Souls of Black Folk, W.E.B. Dubois (1903) – uma série de ensaios que defendem a igualdade de direitos no Sul dos Estados Unidos
65 — O segundo sexo, Simone de Beauvoir ( 1949) — no Brasil em 2 volumes [Editora Nova Fronteira, ISBN 1º volume, 000.85.209.0316-9 ou 9788520903162 [código de barras] — Beauvoir examina o que é ser mulher, e como a identidade feminina tem sido definida em relação aos homens através da história.
66 — The Wretched of the Earth, Frantz Fanon (1961) um estudo sobre o impacto psicologico do colonialismo
67 — The Medium is the Message, Marshall McLuhan ( 1967) O grande sucesso da gráfica popularizaçao das idéias de Marshall McLuhan sobre tecnologia e cultura foram co-criadas com Quentin Fiore.
68 — The Female Eunuch, Germaine Greer (1970) Greer argumenta que a sociedade dominada por homens reprime a sexualidade feminina.
69 — Manufacturing Consent , Noam Chomsky e Edward Herman (1988) Chomsky argumenta que a comunicação corporativa apresenta uma imagem distorcida do mundo para engendrar maiores lucros.
70 — Here comes everybody, Clay Shirky (2008) uma vibrante primeira história da revolução das mídias sociais do momento.
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Velha senhora rezando, final da década de 1630, início da década de 1640
Matthias Stom (Holanda 1599-1600?, Itália, depois de 1652)
óleo sobre tela, 78 x 64 cm
Metropolitan Museum of Art, Nova York
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71 — The Golden Bough, James George Frazer (1890) uma tentativa de identificar os elementos em comum das diversas religiões do mundo, que sugere elas terem se originado dos rituais de fertilidade.
72 — The Varieties of Religious Experience, William James (1902) argumenta que o valor das religiões não deve ser medido em termos de sua origem nem exatidão empírica.
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Christian Schad (Alemanha, 1894-1982)
óleo sobre tela, 125 x95 cm
Städtische Galerie em Lenbachhaus, Munique
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73 — A origem das espécies, Charles Darwin (1859)[Editora Escala, ISBN: 9788575569870] Darwin relato da evolução das espécies através da seleção natural transformou a biologia e o nosso lugar no universo.
74 — The Character of Physical Law, Richard Feynmann (1965) uma elegante análise das leis da física por um dos maiores teóricos do século XX.
75 — DNA: o segredo da vida, James Watson (1968) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535907162] relato pessoal do autor explicando como ele e Francis Crick conseguiram abrir a estrutura do DNA.
76 — O gene egoísta, Ricard Dawkins (1976) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535911299] Dawkins lança uma revolução na biologia com a sugestão de que a evolução é melhor vista pela perspectiva do gene ao invés do organismo.
77 — Uma breve história do tempo, Stephen Hawking (1988) [Editora Rocco, ISBN: 9788532502520] um livro nas mãos de 10 milhões de pessoas, pode-se dizer uma febre, em que Hawkins conta a origem do universo.
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Sociedade Parisiense, 1931
Max Beckmann (Alemanha, 1884-1950)
óleo sobre tela, 109 x 176 cm
Solomon Guggenheim Museum, Nova York
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78 — The Book of the City of Ladies, Cristina de Pisano (1405) Uma defesa das mulheres na forma de uma cidade ideal, com a população de mulheres famosas através dos tempos.
79 — Elogio da loucura, Erasmo (1511) [Editora LP&M, ISBN: 9788525412683] essa sátira elogiosa à loucura humana ajudou a lançar a Reforma considerando os escândalos e abusos da Igreja Católica.
80 — Cartas filosóficas, Voltaire (1734) [Editora: Martins Fontes, ISBN: 9788533623491] Voltaire olha criticamente para a Inglaterra, comparando -a com a vida do outro lado do canal.
81 — O suicidio: estudo de sociologia, Émile Durkheim (1897) [Editora WMF, ISBN: 9788578273859] uma investigação sobre as culturas católica e protestante, que defende que quanto menor o controle nas sociedades católicas, menor o índice de suicidios.
82 — Economia e Sociedade, Max Weber ( 1922) [no Brasil em 2 volumes, Editora UNB, ISBN: 9788523003142 do 1º volume] uma análise profunda dos mecanismos da religião, política e economia que estabeleceu o padrão para os estudos de sociologia.
83 — A Room of One´s Own, Virginia Woolf (1929) um longo ensaio defendendo um espaço verdadeiro e metafórico para escritoras mulheres numa tradição literária dominada pelos homens.
84 — Elogiemos os homens ilustres, James Agee e Walker Evans (1941) as imagens de Evans e as palavras de Agee pintam um retrato preciso da vida entre os camponeses no sul dos EUA.
85 — The feminine mystique, Betty Friedan (1963) — um estudo da infelicidade de muitas donas de casa da década de 1950 e 1960 apesar da vida material confortável e das famílias estáveis que tinham.
86 — A sangue frio, Truman Capote (1966) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535904116] um relato romanceado de um assassinato brutal na cidade de Kansas, que lançou Capote para fortuna e fama.
87 — Slouching towards Bethlehem, Joan Didion (1968) ensaios que evocam a vida na Califórnia na década de 1960
88 — The Gulag Archipelago, Aleksandr Solzhenitsyn (1973) análise do sistema de carceragem na União Soviética, incluindo a experiência do próprio autor como prisioneiro russo, questionando a base moral da União Soviética.
89 — Vigiar e punir, Michel Foulcault ( 1975) [Editora Vozes, ISBN: 9788532605085] Foucault examina o sistema de encarceramento na sociedade moderna.
90 — Notícia de um sequestro, Gabriel Garcia Marquez (1996) [Editora Record, ISBN: 9788501046949] a história de um rapto levado a cabo pelo grupo do cartel de Pablo Escobar Medellin.
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Mercado em Jafa, 1887
Gustav Bauerfeind (Alemanha, 1848-1904)
óleo sobre tela
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91 — The travels of Ibn Battuta, de Ibn Battuta (1355) – o maior viajante do mundo árabe registra suas memórias de viagem através do mundo conhecido e além.
92 — A viagem dos inocentes, de Mark Twain (1869) [edição portuguesa, Editora Tinta da China, ISBN: 9789896710507] o relato de viagem do autor à Europa, contado de maneira franca, foi um sucesso imediato.
93 — Black Lamb and Grey Falcon, Rebecca West (1941) uma viagem de seis semanas à Iugoslávia torna-se o eixo de um estudo monumental sobre os Balkans.
94 — Veneza, Jan Morris (1960) [edição portuguesa, Editora Tinta da China, ISBN: 9789896710002 ] um guia excêntrico mas conhecedor da arte, história, cultura e do povo de Veneza.
95 — A Time of Gifts, Patrick Leigh Fermor (1977) — o 1º volume da viagem do autor a pé por toda a Europa. Uma brilhante evocação da memória da juventude.
96 — Danúbio, Cláudio Magris, (1986) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535913378] Magris mistura viagem, história , causos e literatura à medida que viaja pelo Danúbio até sua foz.
97 — China Along The Yellow River, de Jinqing Cao (1995) um trabalho pioneiro de sociologia chinesa, explorando a China moderna com uma cara moderna.
98 — Os anéis de Saturno: uma peregrinação inglesa, W. G. Sebald, (1995)[Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535917239] uma viagem a pé pelo sudeste da Inglaterra se torna numa meditação melancólica sobre a decadência e a transitoriedade.
99 — Passage to Juneau, Jonathan Raban (2000) uma viagem ao Alaska de veleiro, partindo de Seattle, leva a considerações sobre a arte nativa americana, a imaginação romântica, e seu próprio relacionamento pessoal a ponto de se desintegrar.
100 — Cartas a um jovem escritor, Mario Vargas Llosa (2002) [Editora Campus/Elsevier, ISBN: 9788535228076] Vargas Llosa destila uma vida inteira de leituras e escrita num manual sobre a arte de escrever.
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Cada um de nós poderia adicionar ou retirar livros dessa lista. Mas no todo é um ótimo guia para quem quiser saber das principais obras que otimizam o nosso momento. Há muitos modismos nas leituras, principalmente quando uma nova teoria ou um novo crítico de peso leva a uma releitura de algum antigo escritor. Cada uma dessas listas é sempre transitória e sempre retrata o momento em que foram feitas. No entanto, pelos livros citados nas áreas em que tenho interesse, haveria muito pouco a adicionar. Gostei imensamente da seção de Literatura de Viagens ser extensa — um enfoque bem britânico, um país que já produziu grandes escritores no gênero.
Bem, vou parar por aqui. Há alguns volumes dessa lista que me esperam… Pena que muitas das nossas traduções estejam esgotadas ou que não tenham sido feitas… Fica o alerta para as pequenas editoras.
Divirtam-se. Quem sabe nesse inverno, no friozinho de julho, um ou dois desses clássicos não mereçam a sua atenção?