
Pato Donald ao telefone, ilustração de Walt Disney.
O tagarela, insistente,
jamais consegue agradar…
Mas agrada, sempre, a gente
Quem sabe ouvir e calar…
(A. F. Bastos)

Pato Donald ao telefone, ilustração de Walt Disney.
O tagarela, insistente,
jamais consegue agradar…
Mas agrada, sempre, a gente
Quem sabe ouvir e calar…
(A. F. Bastos)

Domingo de outono, praia de Copacabana: brisa, boa leitura, descanso e bronzeamento. Quem pode querer mais?

Artesanato pernambucano, foto: Silnei Laise, Flickr.
Em 1986 passei férias em Pernambuco. Queria mostrar a meu marido, estrangeiro, o Brasil. Ele já conhecia bem — das viagens anuais que fazíamos ao Rio de Janeiro para visitar a minha família — alguma coisa do estado do Rio de Janeiro e de São Paulo. Era hora de apresentá-lo a outras variações da cultura brasileira, com a qual ele havia caído de amores. Nesta peregrinação acabamos numa quarta-feira, na Feira de Caruaru. Não sou uma pessoa dada a saudosismos, e quando digo que a feira hoje está diferente do que era então, e já na época muita gente me dizia que “já não era lá essas coisas”, é simplesmente uma afirmação como testemunha. Mas para nós, naquele ano, a Feira de Caruaru foi uma experiência sem igual. Como qualquer turista e quase todos os brasileiros radicados fora do Brasil, enchi minhas malas com saudades: uma banda de pífaros, um jogo de xadrez, um presépio, um grupo de retirantes, e peças solteiras de cerâmica colorida artesanal. Para acompanhá-las compramos também dezenas de livretos de cordel — cuja história expliquei cuidadosamente para meu marido — e muitas, muitas mesmo, xilogravuras de J Borges, João Marcelo, Otávio e outros.

A literatura de cordel conquistou instantaneamente meu cara-metade. Professor de literatura, ele simplesmente adorou a história toda, dos versos ao dependurar dos livretos nas cordas para secar. Mas de toda a sua experiência em Caruaru e em Recife, foi sua maneira de sentir o local, o inusitado dos coloridos e dos feirantes, o que mais me surpreendeu, quando o ouvi recontar várias vezes suas aventuras pernambucanas a amigos e colegas de trabalho. Ele dizia assim: Passei estas férias em Pernambuco. Com esta viagem, hoje posso imaginar como eram as feiras medievais. Como eram coloridas! Lá em Caruaru tem de tudo: artistas, livretos, venda de pimentas, de ervas, de produtos de couro, remédios contra veneno de cobra e ungüentos diversos para curar qualquer coisa. Há saltimbancos, pedintes, equilibristas, contadores de histórias que passam o chapéu. Cantores de improviso [repentistas] e música por todo lado. Há muitas representações religiosas e referências constantes ao diabo, ao céu, ao inferno, até ao purgatório! Enfim, é um mundo quase Felliniano [referência a Federico Fellini o cineasta]. Um mundo de sonhos.”
Nunca mais precisei explicar para ele certos hábitos brasileiros, certos problemas: coronéis, capangas, homens de confiança, milícias, posse de terra, analfabetismo, caixeiros viajantes, tropeiros, corrida de jegues e por aí afora. A imagem da época medieval era ressuscitada e tudo entrava nos eixos. Para ele foi uma maneira de entender o Brasil, pelo menos enquanto morávamos fora.

Vista de Guimarães, 1827
Adrien Taunay
Aquarela monocromática, grisaille.
33 x 29 cm
Academia de Ciências de São Petersburgo
Rússia
Lembrei-me deste assunto hoje, porque li à tarde o relato de Hercules Florence, desenhista da expedição chefiada pelo Barão de Langsdorff , sobre a viagem que fez do rio Tietê ao rio Amazonas em 1827. Trechos de seu texto, com tradução do Visconde de Taunay, foram publicados em As Selvas e o Pantanal: Goiás e Mato Grosso, organizado por Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, na série: Histórias e paisagens do Brasil. Uma passagem específica me fez parar a leitura e pensar. Ela relata a visita que a expedição fez a um engenho de açúcar na região da chapada de Guimarães, na, então, província de Mato Grosso. Quedaram-se no engenho de Domingos José de Azevedo.
“Viúvo, tem filhos e filhas, mas com nenhum deles mora. Vive só com seus escravo em número de trinta, empregados na cultura da cana.
Durante a ceia tornou-se mais comunicativo; contou-nos as canseiras que tivera para fundar o sítio e ganhar algum dinheiro; queixou-se do filho e explicou o modo por que governava sua casa.
Depois da comida fomos assistir à ladainha que se reza no alpendre ou sala de entrada, onde para isso se reúnem todos os escravos. A primeira oração é cantada e começa com estas palavras: Triste coisa é nascer. Julgo que essa maneira singular de louvar a Deus é composição de nosso anfitrião.
Acabada a reza, mandou por camas sob esse alpendre e deu-nos boas-noites.
No dia seguinte disse-nos ao almoço que costumava contar os grãos de café para não ser roubado pelos escravos.
Falou-nos na mulher, e ao nos levantarmos da mesa, levou-nos aos seus aposentos, que eram dois quartinhos. No fundo suspendeu do soalho um alçapão e mostrou-nos uma salinha colocada no primeiro pavimento, escura, úmida e com uma única janela de grades que dava para o engenho de cana. “ Aqui em baixo, disse-nos ele, é que eu guardava a mulher, quando tinha que sair de casa. Ela descia por uma escadinha que eu recolhia, e recebia alimentos pela janela do engenho.”
Antes de me lembrar de Caruaru, lembrei-me de A Catedral do Mar, um livro que li há uns dois anos, do escritor espanhol Ildefonso Falcones, lançado no Brasil pela Editora Rocco. Este é um livro sensacional (depois colocarei aqui algumas notas que fiz sobre sua leitura, em 2007). Neste livro seguimos a vida de Arnau Estanyol um homem que nasceu servo e acabou barão na Barcelona do século XIV. Simultaneamente acompanhamos a construção da catedral Santa Maria del Mar, na mesma cidade. Isso mesmo, na idade média. Nesta narrativa há uma mulher que é presa na propriedade do senhor feudal, e passa a vida num cubículo semelhante ao descrito por Hercules Florence no engenho mato-grossence. Uma das cenas mais pungentes, que muito me marcou, foi ler como seu filho precisava ficar do lado de fora da casa em que sua mãe se encontrava presa, chegar próximo à janela com grades, para que ela — que mal conseguia alcançá-lo – lhe fizesse um carinho no topo da cabeça, mexendo no seu cabelo de menino. Em suma, um cafuné era o maior contato a que esta mãe e seu filho tinham o direito.
Esta cena voltou vívida à minha memória. Mas, pensei, isso era na idade média! E o que Hercules Florence relatou o que viu no Brasil de 150 anos atrás! E assim, voltei a me lembrar da sensação de ter conhecido a idade média, em pessoa, de conhecê-la por dentro, intimamente, por razões semelhantes as que meu marido sentira a respeito de sua visita a Caruaru em 1986.

Trajes Paulistas, 1825
Adrien Taunay
Aquarela e nanquim
22 x 18 cm
Academia de Ciências de São Petersburgo
Rússia
Ao que eu saiba, não temos, ainda, aqui no Brasil, uma visão detalhada e específica do tratamento absurdo que mulheres receberam de seus maridos nos quatro séculos que história que precedem a nossa era. Mas sabemos que passaram enclausuradas, muitas vezes cobertas da cabeça aos pés, não raro com véus à maneira muçulmana, quase sempre limitadas pelo analfabetismo. Na nossa literatura contemporânea há alguns autores que parecem ter o cuidado de relatar esta condição: Ana Miranda e Luiz Antonio de Assis Brasil vêm à mente no momento, mas há outros. No entanto, é importante que nos lembremos, homens e mulheres, do que já aconteceu, das injustiças cometidas contra mulheres. Precisamos acabar com qualquer vestígio desses hábitos deploráveis, para chegarmos com boa consciência ao estado desenvolvido a que aspiramos. Ainda há muito que fazer para deixarmos de lado de uma vez por todas resquícios da percepção da mulher como propriedade.
——
NOTA sobre Domingos José de Azevedo:
A casa do engenho de Domingos José de Azevedo, que parecia tão modesta com apenas 2 quartinhos, era só lá “no mato”. Este senhor de engenho mantinha, como a maioria deles, uma outra casa, na capital da província, esta sim, mostrando para o mundo todos os seus bens, todo o seu valor! Langsdorff em seu próprio relato comenta sobre a visita, descrita acima por Hercules Florence, em que foi recebido pelo senhor de engenho Domingos José de Azevedo, um dos homens mais ricos da região. [Poder e cotidiano na capitania de Mato Grosso: uma visita aos senhores de engenho no lugar de Guimarães 1751-1818, Maria Amélia Assis Alves Crivelente, Revista demográfica Histórica XXI, II, 2003, segunda época, PP. 129-152].
Escola: pintura à óleo de Diva do Val Golfieri (Brasil, contemporânea)
Eu sei ler
Martins D’ Alvarez
Eu sei ler corretamente,
faço contas de somar,
sou batuta em dividir,
gosto de multiplicar.
Quando a professora escreve
no quadro-negro da escola,
leio até de olhos fechados:
“Paulo corre atrás da bola.”
Pra somar uma banana
com mais duas e mais três,
vou comendo e vou somando
1 mais 2 mais 3 são 6.
Pra dividir três pães
comigo e com meu irmão?
Eu sou o maior, ganho dois.
Para ele basta um pão.
Se mamãe me dá um doce
na hora de merendar,
acabo comendo três.
Como eu sei multiplicar!
Em: Vamos estudar? – cartilha — de Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1961 [Para a aprendizagem simultânea da leitura e da escrita].
José Martins D’Alvarez (CE 1904) Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras. Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904. Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceará. Depois de formado em Odontologia. Transferiu em 1938 sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior.
Obras:
“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930 (versos).
“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).
“Vitral”, 1934 (poemas).
“Morro do moinho” 1937 (romance)
“O Norte Canta”, 1941 (poesia popular).
“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).
“Chama infinita, 1949 (poesias)
“O nordeste que o sul não conhece 1953 (ensaio)
“Ritmos e legendas” 1959 (poesias escolhidas)
“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967 (poesias escolhidas)
“Poesia do cotidiano”, 1977 (poesias)
Outros poemas de Martins d’Alvarez neste blog:
ANJO BOM ; AMIGOS ; JOÃO E MARIA ; SÚPLICA

Passarinho cantando, ilustração de Maurício de Sousa.
Mimoso passarinho
Num galho lá pousou
E bem, bem de mansinho
Ao matagal saudou.
Quadrinha de A. de Carvalho
Esta quadrinha faz parte do seguinte exercício: Passe para prosa, com suas palavras, esta quadrinha.
Em: Exercícios de Linguagem e Matemática: 2ª série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1958, p. 59

Bons Amigos, 1881
[Retrato de Bertha Edelfelt, irmã do pintor]
Albert Gustaf Aristides Edelfelt ( Finlândia, 1854-1905)
Óleo sobre madeira, 41 x 31,5 cm
Museu Hermintage, São Petersburgo
Rússia
———–
Albert Gustaf Aristides Edelfelt, nasceu em Kiiala, Finlândia em 1854. Faleceu em 1905. Foi um importante pintor finlandês de origem sueca. Deixou cerca de 1400 pinturas, entre elas retratos de senhoras, paisagens, pintura de gênero, mostrando a vida da alta sociedade de sua época que hoje são considerados verdadeiros clássicos. Mas viveu boa parte de sua vida em Paris, voltando para a Finlândia em 1875, onde colocou sua técnica e visão do mundo à disposição do mundo da arte local.

Ilustração de Susan B. Pearse, 1923 -- cartão postal
No site Brasil Escola, Sabrina Vilarinho, professora formada em letras fez uma lista fantástica sobre os erros mais comumente encontrados nas redações dos alunos.
Coloco sua lista aqui, porque reconheço que esses erros existem por todo lado, e muito, muito mesmo nas postagens em blogs pessoais. Então, gente, vamos prestar atenção porque é fácil corrigir os seus textos. E lembrem-se, no mercado de trabalho de hoje, empregadores dão muito valor a quem possa escrever corretamente. Então, é bom lembrar que:
Há alguns equívocos muito comuns em redações e, por este motivo, estão no patamar dos mais cometidos. Mas isso ocorre apenas por falta de conhecimento, portanto, uma vez informados, os estudantes não voltam a cometê-los.raciocínio do verbo “fazer”, citado acima. No sentido de existir ou na ideia de tempo decorrido, o verbo haver é impessoal: Houve muitas passeatas… Há tempos não o vejo… Havia algumas cadeiras disponíveis.aula, esta semana está sendo ótima, este dia vai ser abençoado, este ano está sendo o melhor de todos, esta noite veremos estrelas.
Vejamos, então, os 10 erros mais cometidos em redação: (não estão por ordem de importância)
1. “Fazem dez anos que não vemos tantas mudanças”. O verbo “fazer” no sentido temporal, de tempo decorrido ou de fenômenos atmosféricos é impessoal, ou seja, fica no singular: Faz dez anos… Faz muito frio…
2. “Houveram muitas passeatas nesta semana em prol da igualdade racial.” O verbo haver acompanha o mesmo raciocínio do verbo “fazer”, citado acima. No sentido de existir ou na ideia de tempo decorrido, o verbo haver é impessoal: Houve muitas passeatas… Há tempos não o vejo… Havia algumas cadeiras disponíveis.aula, esta semana está sendo ótima, este dia vai ser abençoado, este ano está sendo o melhor de todos, esta noite veremos estrelas.
3. “Para mim escolher, preciso de um tempo.” Na dúvida verifique quem é o sujeito do verbo. No caso, o verbo “escolher” não tem sujeito, pois “mim” não pode ser! O certo seria o pronome “eu”: para eu escolher. A expressão “para mim” só funciona quando é objeto direto: Traga essa folha para mim. Dessa forma, sempre diga e escreva: Para eu fazer, para eu levar, para eu falar, pois o verbo precisa de um sujeito!
4. “Esse assunto fica ente eu e você!” Quando a preposição existe, neste caso “entre”, usa-se o pronome oblíquo. O correto é: entre mim e você ou entre mim e ti. Portanto, use pronome oblíquo tônico (mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, si, eles, elas) após preposição: falava sobre mim, faça por nós, entre mim e você não há problemas, falavam entre si.
5. “Há muito tempo atrás, comprei uma bicicleta.” O verbo “há” tem sentido de tempo passado, logo não há necessidade de adicionar “atrás”. Ou você escolhe um ou outro: Há muito tempo… Tempos atrás… Há dez anos… Dez anos atrás.
6. “Então, pegou ele pela gola.” Quando for necessário que um pronome seja objeto direto (pegou algo: ele), nunca coloque pronome pessoal, opte pelo caso oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes): Pegou-o, avisou-o, apresentei-a, levou-nos, ama-me, leva-nos.
7. Aonde você estava? “Aonde” indica ideia de movimento, enquanto “onde” refere-se somente a lugar. Portanto: Onde você estava? E Aonde nós VAMOS agora?
8. “A situação vinha de encontro ao que ele desejava.” Se é uma situação que a pessoa desejava, será: ao encontro de, expressão que designa favorecimento, estar de acordo. Já a locução “de encontro a” tem sentido de oposição, de choque: Ele foi de encontro ao poste.
9. “Esse ano vamos fazer diferente.” Se é o ano vigente, então use o pronome “este”, uma vez que indica proximidade: Esta sala de
10. O verbo “adequar” é defectivo, isso quer dizer que não é conjugado de todas as formas. Assim: Isso não se adéqua… Ele não se adéqua… Eu não me adéquo… são orações equivocadas. Outros verbos também passam por este tipo de problema, como: abolir, banir, colorir, demolir, feder, latir. O verbo adequar é correto e usado com mais frequência nos modos infinitivo (adequar) e particípio (adequado).
Por Sabrina Vilarinho
Copacabana, 2 horas da tarde.
![dino-foto fabio Motta, AE Angaturama limai. [Réplica], Foto: Fábio Motta/AE](https://peregrinacultural.com/wp-content/uploads/2009/05/dino-foto-fabio-motta-ae.jpg?w=510&h=340)
Réplica, Angaturama limai. Fot0, Fábio Motta/AE
O Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, inaugura na sexta-feira, 15, a exposição permanente Dinossauros no Sertão, com réplicas e fósseis originais encontrados na região do Araripe, no Ceará. O destaque é a maior reconstrução de um dinossauro carnívoro já montado no País: o Angaturama limai. A réplica tem cerca de seis metros de comprimento e foi montada a partir da pélvis e fragmentos ósseos das mãos, fêmur e vértebras. O dinossauro viveu há cerca de 110 milhões de anos, no período Cretáceo Superior, pesava cerca de meia tonelada e se alimentava principalmente de peixes e animais marinhos.
Descrevi o Angaturama pela primeira vez na década de 80, a partir de um crânio, mas não havia fragmentos suficientes para montarmos uma réplica”, explicou o paleontólogo Alexander Kellner, curador da exposição. Ele orienta a dissertação da mestranda da UFRJ Elaine Machado, que descreverá os fósseis que estão expostos.
Segundo Kellner, a ideia da exposição é mostrar dois ecossistemas que existiram em períodos diferentes, numa mesma região. A Chapada do Araripe é um planalto de 160 quilômetros de extensão entre Ceará, Pernambuco e Piauí.

Angarutama limai ( Theropoda), Chapada do Araripe, CE.
Um dos ecossistemas reconstituídos é o de um grande lago de água doce, que teria existido há 115 milhões de anos. Dessa época, estão expostos fósseis de insetos, escorpiões, plantas, pererecas e a réplica do pterossauro Tupandactylus imperator.
O outro cenário, onde está montado o Angaturama, retrata o período de 110 milhões de anos, quando havia uma laguna de água salgada na região. “Quisemos retratar um pouco das mudanças que ocorrem na Terra. Nessa época a América do Sul estava se afastando da África e o mar invadiu o continente”, explica Kellner. Nos dias de hoje o Araripe, que é um dos maiores sítios fossilíferos do País, é uma região de sertão. A mostra tem patrocínio da Faperj e do CNPQ.
A reconstrução do Angaturama limai representa um grande avanço no estudo desse grupo de dinossauros, os chamados Espinossaurídeos, que viveram há 110 milhões de anos, durante o Cretáceo, e que se caracterizam pelo focinho comprido, uma vela nas costas e uma dentição particular semelhante a dos crocodilos atuais. A réplica, em tamanho real, foi feita a partir de restos fósseis do crânio, perna, coluna cervical, mãos e, principalmente, da pélvis, que impressiona pelo ótimo estado de conservação. Todo esse material também faz parte da mostra.

Angarutama
O Museu Nacional/UFRJ é pioneiro no país na reconstituição de dinossauros. Foi lá que, em 1999, paleontólogos apresentaram a primeira réplica de um esqueleto de dinossauro, o Staurikosaurus pricei, que viveu há 225 milhões de anos. De lá pra cá, o público que visita o Paço de São Cristóvão, na zona norte do Rio, já pôde observar a ossada de um Santanaraptor (2000) e, em 2006, se impressionou com o gigante brasileiro Maxakalisaurus topai, de 13 metros de comprimento.
Serviço: Exposição: “Dinossauros no Sertão”
Aberta ao público a partir do dia 15 de maio
Horário: de terça a domingo, das 10 às 16h.
Entrada: R$ 3,00. Grátis para crianças até 5 anos e pessoas acima de 60. Crianças entre 06 e 10 anos pagam 01 real.
Local: Museu Nacional – Quinta da Boa Vista, s/n, São Cristóvão.
Tel. (21) 2562-6042
TEXTO: Fabiana Cimieri
FONTE: O Estado de São Paulo