Imagem de leitura — Gerard ter Borch

6 12 2010

A lição de leitura, s/d

Gerard ter Borch (Países Baixos, 1617-1681)

Óleo sobre madeira,  27 x 25 cm

Museu do Louvre

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Gerard ter Borch (1617-1681) nasceu em Zwolle, nos Países Baixos e aprendeu a pintar com seu pai, o conhecido pintor Gerard ter Borch, o Velho.  Em 1633, o jovem ter Borch se mudou para o Harlem para estudar com o pintor Pieter de Molijn.  Lá o trabalho de ter Borch era de adicionar figuras humanas às paisagens de seu mestre.  Na década de 1650 ter Borch começou a se estabelecer como pintor de gênero.  Seu trabalho tem semelhanças com as  pinturas dos artistas de Delft do mesmo período, incluindo o trabalho de Pieter de Hooch.  Ter Borch visitou Delft em 1653 e isso pode ter sido a razão dessa influência.  O pintor foi particularmente reconhecido pelo seu trabalho como retratista e cenas destacando pessoas elegantes e bem vestidas em aposentos quase indefinidos.





Os violões no Natal, poesia de Sabino de Campos

6 12 2010

Músicos, cartão de Natal, da Rússia, sem data.

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Os violões no Natal

Sabino de Campos

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Os violões, no Natal, são mais sonoros:

Enchem nossa existência de infinito,

De perfumes sinfônicos e coros

Doces, pungentes como um luar no Egito.

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Nas suas cordas, pássaros canoros

Gorjeam terno cântico bonito…

Não há no mundo trevas nem meteoros,

Tudo parece angélico e bendito…

Natal.  A natureza reverdece

Entre lírios e rosas e esplendores,

Tem o mundo a doçura de uma prece…

E os violões do Natal, cordas de luz,

Parecem dedilhados, entre flores,

pelos dedos divinos de Jesus…

                     João Pessoa — Paraíba

Em: Sabino de Campos, Natureza: versos, Rio de Janeiro, Pongetti: 1960

 

Sabino de Campos, Retrato a bico de pena, por Seth, 1947.

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Sabino de Campos (Amargosa, BA, 1893– ? ),  poeta, romancista e contista.

Obras:

 

Jardim do silêncio, 1919, (poesia)

Sinfonia bárbara, 1932,  (poesia)

Catimbó: um romance nordestino, 1945 (romance e novela)

Os amigos de Jesus, 1955 (romance e novela)

Lucas, o demônio negro, 1956 – romance biográfico de Lucas da Feira (romance e novela)

Natureza: versos,  1960 (poesia)

Cantigas que o vento leva, 1964, (poesia)

Contos da terra verde, 1966 (contos)

Fui à fonte beber água, 1968 (poesia)

A voz dos tempos, memórias, 1971

Cantanto pelos caminhos, 1975

Autor, junto de Manoel Tranqüilo Bastos, do hino da cidade de Cachoeira, BA





10 hábitos simples para ajudar o planeta

30 11 2010

 

1. — Tem um carro? Cuide dele – e faça a manutenção do veículo. Um motor mal cuidado pode consumir 50% a mais de combustível, além de produzir 50% mais dióxido de carbono (CO2).

2. — Olho no pneu. Faça a calibragem a cada duas semanas pelo menos.

3. — Prefira veículos movidos a álcool ou os biocombustíveis. O álcool é uma fonte de energia renovável, ao contrário da gasolina, do diesel ou do gás.

4. — Em casa, substitua o ar-condicionado pelo ventilador.

5. — Não deixe muitos eletrodomésticos ligados ao mesmo tempo, principalmente se tiver mais de um para funções semelhantes, como geladeira e freezer.

6. — Troque as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes, que consomem cerca de três vezes menos energia e ainda podem durar até dez vezes mais. Ajuda também na redução da conta de luz.

7. — Não deixe luzes ou equipamentos ligados. Configure o computador, por exemplo, para que desligue seu monitor quando estiver em espera.

8. — Evite imprimir ou utilizar papel. Dê preferência ao e-mail e sempre que possível use papel reciclado. Separe papéis e papelão para reciclagem quando for descartá-los.

9. — Separe os materiais recicláveis, pois isso, alem de  reduzir a exploração de matéria-prima bruta, dispensa os gastos de energia e combustíveis fósseis no processo de fabricação e transporte.

10. — As árvores são importantes porque ajudam a absorver o CO2 da atmosfera, além de proporcionar sombra e amenizar a temperatura. Se plantadas perto de residências, por exemplo, elas ajudam a controlar o calor, que reduz o uso de condicionadores de ar ou ventiladores. Portanto, plante árvores!

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FONTE: Terra, meio ambiente





Cidadezinha cheia de graça, soneto — de Mário Quintana – uso escolar

29 11 2010

Casario, 1943

Milton da Costa ( Brasil 1915 – 1988)

óleo sobre madeira, 32 x 41 cm

Coleção Particular

Cidadezinha cheia de graça

                                                 Mário Quintana

Cidadezinha cheia de graça…

Tão pequenina que até causa dó!

Com seus burricos a pastar na praça…

Sua igrejinha de uma torre só.

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Nuvens que venham, nuvens e asas,

Não param nunca, nem um segundo…

E fica a torre sobre as velhas casas,

Fica cismando como é vasto o mundo!…

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Eu que de longe venho perdido,

Sem pouso fixo ( que triste sina!)

Ah, quem me dera ter lá nascido!

Lá toda a vida poder morar!

Cidadezinha… Tão pequenina

Que toda cabe num só olhar…

Em: Mário Quintana, Prosa e verso – série paradidática — Porto Alegre, Editora Globo: 1978

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Mário de Miranda Quintana – (RS 1906 – RS 1994) poeta, tradutor e jornalista.

Obras:

– A Rua dos Cata-ventos (1940)

– Canções (1946)

– Sapato Florido (1948)

– O Batalhão de Letras (1948)

– O Aprendiz de Feiticeiro (1950)

– Espelho Mágico (1951)

– Inéditos e Esparsos (1953)

– Poesias (1962)

– Antologia Poética (1966)

– Pé de Pilão (1968) – literatura infanto-juvenil

– Caderno H (1973)

– Apontamentos de História Sobrenatural (1976)

– Quintanares (1976) – edição especial para a MPM Propaganda.

– A Vaca e o Hipogrifo (1977)

– Prosa e Verso (1978)

– Na Volta da Esquina (1979)

– Esconderijos do Tempo (1980)

– Nova Antologia Poética (1981)

– Mario Quintana (1982)

– Lili Inventa o Mundo (1983)

– Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)

– Nariz de Vidro (1984)

– O Sapato Amarelo (1984) – literatura infanto-juvenil

– Primavera cruza o rio (1985)

– Oitenta anos de poesia (1986)

– Baú de espantos ((1986)

– Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)

– Preparativos de Viagem (1987)

– Porta Giratória (1988)

– A Cor do Invisível (1989)

– Antologia poética de Mario Quintana (1989)

– Velório sem Defunto (1990)

– A Rua dos Cata-ventos (1992) – reedição para os 50 anos da 1a. publicação.

– Sapato Furado (1994)

– Mario Quintana – Poesia completa (2005)





Imagem de leitura — Hiroshi Goto

21 11 2010

Kengo, 2002

Hiroshi Goto ( Japão, 1962)

Tinta para caligrafia sobre papel Washi

www.hiroshigoto.jp

Hiroshi Goto nasceu em Nagoya, no Japão em 1962.  Ilustrador japonês cujo trabalho dá ênfase a pessoas e objetos diários.  Seu estilo tem parentesco próximo com a pintura Nihon-ga.  Trabalhou já para muitas importantes revistas japonesas, inclusive a Shukan Shincho, a  Shunju Bungei, além de ter feito as ilustrações para livros como Koji Suzuki, Todo Shizuko, Igarashi Takahisa.    Desde de 2001 tem-se dedicado também ao design de tecidos.  Mais informações em seu site: www.hiroshigoto.jp





Pano da costa, poesia de Wilson W. Rodrigues

20 11 2010

Baianas, 1979

Armando Romanelli ( Brasil, 1945)

Óleo sobre tela colado em eucatex, 20 x 20 cm

Coleção Particular

Pano da Costa

                                  Wilson W. Rodrigues

Teci meu pano da Costa

com uma agulha de prata

pra fazer enfeite novo

no vestido da mulata.

Fiz uma pano colorido

tecido com fios finos

com missangas penduradas

e guizos bem pequeninos.

Bordei no pano da Costa

uma figa da Guiné

e uma sandália dourada

metida dentro de um pé

Botei tanta coisa junta

que a mulata se espantou

e ficou mesmo zangada,

e meu paninho rasgou.

Em: Bahia Flor : poemas, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949

Wilson Woodrow Rodrigues, nasceu em 1916 em Salvador, BA.  Foi poeta, folclorista e jornalista. Estudou no Colégio Ipiranga, em Salvador.

Obras:

A caveirinha do preá,  Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro

O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro

O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Bahia flor, 1948 (poesias)

Folclore Coreográfico do Brasil, 1953

Contos, s/d

Contos do Rei-sol, s/d

Contos dos caminhos, s/d

Pai João, 1952





Imagem de leitura — Dominique Frassati

14 11 2010

Quatro meninos pescadores no porto de Ajaccio lendo, 1936

Dominique Frassati ( Córsega, França, 1896-1947)

Óleo sobre tela,  60 x 73 cm  

Dominique Frassati (França, 1876-1947) nasceu na Córsega.  Deixa a Córsega muito cedo para viajar à Argentina, Argélia e Paris, onde continua seus estudos artísticos.  Volta à Córsega aos 30 anos de idade onde se instala em Ajaccio oito anos depois.  Foi nomeado conservador do Museu Fesch em 1939.  Ele se distingue por ter grande atividade artística.  Pintor de retratos e de pintura de gênero.





Dez milhões de futuros escritores na língua inglesa, será?

13 11 2010

Ilustração, Onde está Wally?  — de Martin Handford.

A revista americana More Intelligent Life publicou um artigo by Alix Christie, intitulado We ten million, que me deixou estarrecida quando li a projeção matemática, feita pela autora, sobre o número que pessoas que gostaria de ter sua obra publicada.  Ainda que o artigo enverede pelos caminhos da frustração de um escrito desconhecido ao receber cartas e mais cartas de rejeição, o que me impressionou DE FATO, foi a simples matemática que ela menciona ao calcular o número de aspirantes à carreira de escritor.  Se você estiver interessado em saber como um escritor se sente com essas rejeições de ano após ano, sugiro que siga o link nessa postagem.  Por outro lado, vou fazer a tal matemática da autora. 

Alix Christie acredita que esteja perto de 10.000.000 [isso mesmo, dez milhões] o número de pessoas que pretendem publicar seus primeiros livros, em inglês.   Como chegou a essa figura?  É fácil.  Começou com o número de novos títulos publicados anualmente no mundo, aproximadamente: 250.000.  Voltou-se então para o número de novos títulos publicados anualmente em inglês: 100.000.   Esses manuscritos, por sua vez, devem representar, mais ou menos, ¼ dos livros representados por agentes.  100.000 x 4 = 400.000  Mas este número é na verdade uma pequeníssima porção dos manuscritos que esses agentes receberam para representar.  Ela acredita que possa ser 1/10, ou seja:  400.000 x 10 = 4.000.000 manuscritos nas mãos de agentes, por ano.  Se levarmos em conta que nem todo pretendente a escritor tem um agente, o número de 10.000.000 mencionado anteriormente parece bastante razoável.  

Não é de arrepiar?





Reflexões sem compromisso sobre o dia de hoje: Todos os Santos

1 11 2010

Cristo glorificado rodeado por santos e anjos, 1423-24

Fra Angélico ( 1387-1455)

Têmpera de ovo sobre madeira [álamo]

Predela central do altar do Convento de Fiesole

National Gallery, Londres

Nada melhor a fazer no Dia de Todos os Santos  do que expiar as nossas culpas e pedir interferência de TODOS OS SANTOS a nosso favor. Redimindo-me: mea culpa, mea culpa, mea culpa —  deveria ter guardado as notas de aula do curso de Arte Bizantina que freqüentei na Universidade de Maryland, uma versão pálida da extensão do conhecimento passado pela Profª. Marie Spiro.  Sim, porque agora, algumas décadas mais tarde, dando aulas sobre adornos no Clube dos Decoradores do Rio de Janeiro, senti muita falta das detalhadas informações sobre os mosaicos bizantinos que me lembro terem sido copiosas e importantes.

Na extensão do meu curso como historiadora da arte, minha especialidade, meu maior interesse tinha a ver com a pintura européia moderna, do final do século XIX até a Segunda Guerra Mundial.  Isso não desabona a minha segunda área de especialização – que na época era obrigatória – desenhos e gravuras do barroco holandês – quando fui aluna do Prof.  Arthur Wheelock, curador da National Gallery de Washington DC de Pintura Holandesa, nem o meu interesse perene na arte africana, de onde saiu minha monografia para minha primeira graduação em história da arte.   Mas, minha ênfase, por gosto e afinidade, durante os 10 anos que me dediquei ao estudo da História da Arte, tinha tudo a ver com o Dadaísmo e o início do Surrealismo: movimentos de arte e literatura, dois pólos sempre presentes no meu horizonte e completamente dependentes um do outro, de acordo com o meu entendimento do mundo naquela época.  Com isso em vista, a arte bizantina, magnífica sem dúvida, me parecia rígida demais, na sua representação do mundo. 

Painel dos santos e precursores de Cristo, 1423-24

Fra Angélico ( 1387-1455)

Têmpera de ovo sobre madeira [álamo]

Painel do altar de San Domenico do Convento em Fiesole

National Gallery, Londres

Foi necessário que eu deixasse o magistério e enveredasse para “o mundo real” gerenciando uma galeria de arte contemporânea, e mais tarde, abrisse a minha própria versão de uma galeria de arte/antiquário para que eu voltasse à história e à arte pelo mero prazer, sem as necessidades impostas por testes, provas escritas e orais, defesas, para vir a compreender a imensa importância da “rígida” arte bizantina, não só para as artes, mas sobretudo como meio de estender o conhecimento do mundo medieval, parte da história da civilização ocidental que através das duas últimas décadas tornou-se um verdadeiro ponto de interesse para mim,  um hobby, um cacoete de leitura digamos assim, do qual não consigo escapar.

Dizem que não há coincidências.  E apesar de não saber o que algumas coincidências possam significar, reconheço que nas duas últimas semanas, vira e mexe, a arte bizantina, em diversas de suas versões, preencheu os meus pensamentos e as minhas recordações.  Comecei com os preparativos para três horas de aulas sobre mosaicos no Clube dos Decoradores  — e não se fala em mosaicos sem se pelo menos passar os olhos nos mosaicos bizantinos; foram dois ícones na exposição de um leilão residencial que visitei nas Laranjeiras; foi a exposição do Islã que visitei no CCBB no centro do Rio de Janeiro – onde a LINHA DO TEMPO estampada na parede – lembra aos visitantes da longevidade do Império Otomano.  Na sexta-feira à noite, na casa de amigos, cheguei a falar da minha frustração quando passei dez dias na Grécia, e fui barrada de dois diferentes monastérios cujos mosaicos eu conhecia por fotografia, pelo simples fato de ser mulher e não poder visitar esses locais.  E hoje, dia 1º de novembro, quando pensei: não conheço nenhuma iconografia específica sobre a representação de TODOS OS SANTOS.

O último julgamento, 1431

Fra Angélico ( 1387-1455)

Têmpera de ovo sobre madeira [álamo]

Museu de San Marco, Florença

Uma rápida busca na internet mostra o que eu intuitivamente já sabia: a representação visual de todos os santos é em geral associada aos santos representados nas imagens da Glória de Cristo, onde Cristo é em geral representado no centro da pintura com um grande número de santos abaixo.  É o caso de Glória de Cristo rodeado de santos e anjos, 1423-1424,  de Fra Angelico (1385-1455 ), predela central do altar do Convento de Fiesole, hoje na National Gallery em Londres, primeira ilustração desta postagem.  Ou como me pareceu mais corriqueiro o uso da imagem de um outro painel do mesmo altar de Fra Angélico, de San Domenico, desta vez representando Os santos e precursores de Cristo  [ segunda ilustração da postagem].   Às vezes os santos de Todos os Santos são representados por um detalhe – do lado dos bons –  [note-se: sempre o lado direito de Cristo, nunca no lado esquerdo ou sinistro] em qualquer cena do Último Julgamento, como acontece  com a representação também popular de Fra Angélico.

Dança Cósmica dos santos e anjos, DETALHE

O último julgamento, 1431

Fra Angélico ( 1387-1455)

Têmpera de ovo sobre madeira [álamo]

Museu de San Marco, Florença

No entanto, o dia de Todos os Santos, não se restringe aqueles santos que aparecem no Último Julgamento, ou aos outros que precederam Cristo, ou a qualquer conglomerado de almas santas da Igreja.  Ele foi provavelmente instituído por volta do século IV, para que todos, TODOS os mártires da igreja, fossem lembrados.  Porque na Igreja, mesmo nos seus primeiros séculos de existência, havia santos mais populares que outros, santos mais queridos, mais milagreiros.  E a Igreja queria uma data em que se comemorasse a todos, populares ou não, mesmo que ainda assim se mantivessem as datas específicas dos santos mais populares.

E foi assim que voltei à arte bizantina.  Porque numa igreja bizantina, a decoração interior do espaço mostra bem a popularidade e a importância de um santo:  quanto maior sua proximidade ao chão, ao nível dos fiéis, menor a importância do representado, na cosmografia do templo.   A altura da representação da imagem dos santos está diretamente relacionada à sua importância naquela igreja.  No topo, quase sempre o Pantocrator [Pantokrator] Deus onipresente, e todo poderoso, rodeado de santos e anjos [os mais chegados].

Pantokrátor [Pantocrator]: Cristo todo poderoso, século XIII

Afresco

Igreja de São Themonianos

Chipre, Turquia

Voltei ao ponto de partida.  Não deveria ter-me desfeito das notas de aula de arte bizantina.  Bem, acho que, talvez, isso sirva de motivo para uma volta aos livros sobre o assunto, e certamente, planos para uma viagem que inclua alguns pontos altos das igrejas bizantinas.  Entre elas, gostaria de ver os mosaicos de San Vitale, em Ravena, [Itália] que nunca cheguei a visitar.  Talvez eu peça uma ajudinha a Todos os Santos, para realizar esse pequeno milagre…





Os dois leões, fábula de Florian

18 10 2010
Ilustração do livro de Nicholas Barnaud Delphinas, O livro de Lambspring, de 1625.

OS DOIS LEÕES

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Um dia dois leões, sob um sol muito forte, chegaram a um grande lago morrendo de sede.  Este era um lago enorme, com muita água, o bastante para saciar a sede de muitos animais. Mas, apesar de sentirem muita sede, motivo que os levara a procurar por uma fonte de água, quando chegaram à beira do lago, nenhum dos dois quis a companhia do outro.  O orgulho e a vaidade falaram mais alto.  Cada um queria ser o primeiro a beber da água, sem dar chance ao outro.  Eles se olharam com muita maldade.  Encresparam as jubas para a luta, e seus corpos se encurvaram de maneira ameaçadora, prontos.  Cada qual se preparou para um bote mortal.  Altercaram-se com rugidos aterradores, alertando toda a vizinhança.  Engalfinharam-se numa luta sem igual.  Os dois, igualmente fortes e ferozes, atracaram-se rolando pelo chão.  Machucaram-se um ao outro, cada um ferindo o inimigo sem piedade.  Ao final, caíram exaustos lado a lado.  Cada qual com o corpo coberto de feridas e sangrando, com muitas  marcas deixadas pelo rival.  Cada um se arrastou devagarinho  até as margens do lago.  Os dois beberam da água cristalina ao mesmo tempo, e também caíram mortos no mesmo lugar.  Acabaram, lado a lado, juntos na morte tal como não o haviam sido na vida.   

Jean-Pierre Claris de Florian (França,1755 — 1794) foi um poeta, teatrólogo e escritor francês. Entrou para a Académie Française em 1788.  Foi preso durante a Revolução Francesa, mas sua vida foi poupada graças a intervenção de Robespierre.  Hoje é mais conhecido por suas fábulas do que por seus romances e peças teatrais que, no entanto, foram o que lhe fizeram conhecido e apreciado em seu tempo.   Além de suas popularíssimas fábulas, recontadas até hoje, na maioria dos países de cultura ocidental, Florian foi também responsável por alguns bons adágios que passaram a ser moeda corrente de linguagem na França e até no exterior.  Entre eles está o que conhecemos no Brasil:  Ri melhor quem ri por último.