Fábula da Raposa e as Uvas — Bocage

1 02 2011

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A raposa e as uvas, ilustração de Calvet Rogniat.

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 A raposa e as uvas 

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                                         Bocage

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Contam que certa raposa,

Andando muito esfaimada,

Viu roxos, maduros cachos

Pendentes de alta latada.

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De bom grado os trincaria,

Mas sem lhes poder chegar,

Disse: “Estão verdes, não prestam,

Só os cães os podem tragar!”

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Eis cai uma parra, quando

Prosseguia seu caminho,

E, crendo que era algum bago,

Volta depressa o focinho.

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Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de Setembro de 1765 — Lisboa, 21 de Dezembro de 1805), Poeta português, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano.  Árcade e pré-romântico, sonetista notável, um dos precursores da modernidade em seu país.





Imagem de leitura — Carlos Leão

11 01 2011

Modelo, 1960

Carlos Leão ( Brasil, 1906-1983)

óleo sobre madeira, 54x 70 cm

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Carlos Leão (Rio de Janeiro, 1906 – 1983) arquiteto, pintor, aquarelista e desenhista brasileiro. Formou-se pela Escola Nacional de Belas-Artes em 1931. Foi amigo e sócio no escritório de arquitetura de Lúcio Costa.   Trabalhou com Gregori Warchavchik, famoso arquiteto ucraniano que construiu em São Paulo a casa modernista, uma das primeiras manifestações aparecidas no Brasil do estilo moderno na arte de construir.   Integrou a equipe de jovens arquitetos que projetou, entre 1937 e 1943, o Edifício Gustavo Capanema, sede do Ministério da Educação e da Saúde Pública, no Rio de Janeiro.   Nas artes plásticas ele fez diversas exposições principalmente no Rio e São Paulo  mas o que mais o destaca além dos seus nus femininos, são seus trabalhos de ilustrador que se inicia em 1946 com o livro de Vinicius de Moraes Poemas, Sonetos e Baladas.





Imagem de leitura — Helen Allingham

9 01 2011

Menina lendo, s/d

Helen Allingham (Inglaterra, 1848 – 1926)

Helen Allingham (née Helen Mary Elizabeth Paterson) (1848 –1926) nasceu em Derbshire, na Inglaterra.  Foi uma aquarelista e ilustradora da época Vitoriana.   Mostrou talento desde cedo, tendo nascido numa família de artistas plásticos: tanto sua avó Sarah Smith Herford, quanto sua tia Laura Herford haviam tido sucesso na pintura.  Helen Allingham entrou para o Royal College of Art – na seção feminina da escola – em 1867.  Ainda estudando começou a trabalhar como ilustradora e eventualmente deixou os estudos para se dedicar ás ilustrações em tempo integral.  Teve extraordinário sucesso nas ilustrações para livros de crianças e adultos.  Dedicou-se também à pintura de paisagens, de cenas rurais.





Imagem de leitura — Carlos Ygoa

6 01 2011

Caixa de Entrada, s/d

Carlos Ygoa ( Espanha, 1963)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm

Carlos Ygoa (Espanha, 1963) pintor realista especializado em arte sacra tanto para altares como para capelas.  Seu trabalho figurativo inclui naturezas mortas, retratos, paisagens e gênero.  Reside e trabalha em Madri.

http://www.carlosygoa.com/





Uma versão musical belíssima de uma antiga cantiga folclórica brasileira

6 01 2011

Anjo com coração, de Claudia Quioda.

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Se essa rua, se essa rua fosse minha

Canção folclórica brasileira

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Se essa rua, se essa rua fosse minha,

eu mandava, eu mandava ladrilhar,

com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes,

para o meu, para o meu amor passar.

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Nessa rua, nessa rua tem um bosque,

que se chama, que se chama solidão,

dentro dele, dentro dele mora um anjo,

que roubou, que roubou meu coração.

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Se eu roubei, se eu roubei teu coração,

tu roubaste, tu roubaste o meu também.

Se eu roubei, se eu roubei teu coração,

foi porque, só porque te quero bem.

AGORA OUÇA:

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Imagem de leitura — Herman Wessel

5 01 2011

 

Tarde de verão, 1924

Herman Wessel (EUA, 1878-1969)

óleo sobre tela

Cincinnati Art Museum, Cincinnati, Ohio

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Herman Henry Wessel (EUA, 1878-1969) nasceu em Vincennes, no estado da Indiana, filho de imigrantes prussianos.  Estudo na Escola Luterana Alemã de Vincennes ficando fluente nessa língua.  Aos 13 anos herdou algum dinheiro de seu pai que faleceu e Herman aproveitou para sair da sua cidade natal e se estabelecer em Cincinnati para estudar arte.  Lá estudou com Henry Fanny, L.H. Meakin, Edward Potthast, Joseph Sharp e Frank Duvenec, todos conhecidos profissionais nas artes plásticas.





Impressões sobre a festa, na Bahia, no aniversário do Imperador D. Pedro II, 1855

4 01 2011

Mural no Teatro João Caetano, 1931

[restaurado e modificado pelo próprio autor em 1964]

Emiliano Di Cavalcanti ( Brasil, 1897-1976)

óleo, 4,5m x 5,5m

Praça Tiradentes,  Rio de Janeiro

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Hoje, perambulando pelos meus livros voltei a ler algumas passagens de viajantes pelo Brasil ( uma das minhas leituras prediletas, assim como biografias) e me deparei com essa interessante descrição da festa de aniversário do Imperador D. Pedro II, celebrada na Bahia.  O texto é do Dr. Daniel P.  Kidder, que estava na Bahia na ocasião.  Ele e seu amigo James C. Fletcher escreveram O Brasil e os Brasileiros: esboço histórico e descritivo, que foi pubicado no Brasil em São Paulo, em 1941, pela Cia Editora Nacional com tradução de Elias Dolianiti.  A minha fonte, no entanto, é o livro  Coqueiros e Chapadões: Sergipe e Bahia, uma coletânea de textos  feita por Ernani Silva Bruno, com organização de Diaulas Riedel, publicado em 1959 peloa Editora Cultrix de São Paulo, capítulo de narrativa do Reverendo  norte-americano James C. Fletcher, que esteve percorrendo o Brasil como missionário,  entre os anos de 1851 e 1865.  O título dado a este texto é Ladeiras e Igrejas ( Na Bahia de Todos os Santos, 1855).  Espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei.  A meu ver já se esboçavam muito bem algumas características bem brasileiras.  Numa época em que as mulheres ainda se vestiam com pesadas mantilhas, a festa de aniversário do imperador parece uma ocasião sem igual para abrir uma brecha nas pesadas regras sociais da época.  Note-se a mistura de raças e de classes sociais assim como a música como traço de união entre os brasileiros. 

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“A calma das noites de verão produz sempre um encantamento sobre os nossos sentidos, mas havia uma expressão especial naquele espetáculo.  Não somente o observar se podia deleitar com as variadas e engenhosas exibições de luz artificial em torno dele, como também, erguendo seus olhos para o empírio, podia aí contemplar a obra do Todo Poderoso, tão gloriosamente desdobrado nas brilhantes constelações do céu austral.

A riqueza, o luxo e a beleza das baianas nunca se ostentaram com tanta felicidade como no seio da multidão que formada de milhares de pessoas assistia e tomava parte no espetáculo.  Que melhor ocasião se ofereceria do que aquela para um espírito disposto a filosofar sobre as coisas humanas!  Da velhice até a alegre juventude, nenhuma idade ou situação da vida deixava de estar ali representada.

O militar e o civil, o titular, o milionário e o escravo, todos se misturavam em um prazer comum.  Nunca tão numerosa freqüência de elementos femininos havia sido observada, emprestando sua graça a uma festividade pública.  Mães, filhas, esposas, irmãs, que raramente tinham permissão para deixar o ambiente doméstico, exceto para comparecer à missa da manhã, penduravam-se aos braços de seus cavalheiros e olhavam com indisfarçável espanto para os encantos que mais pareciam mágica, de tudo o que viam diante de seus olhos e em volta de si.  As cabeleiras negras e ondeantes, os olhos mais negros ainda e faiscantes, de uma beldade brasileira, juntamente com sua face às vezes também levemente sombreada, mostravam-se com grande encanto, tanto maior porque não as escondiam as abas do chapéu da moda.  As dobras graciosas de suas mantilhas, ou do rico e finíssimo véu que algumas vezes as substitui, usado de maneira indescritível, por cima do largo, alto e artístico chapéu que lhe adorna a cabeça, dificilmente pode ser imitado por uma moda estrangeira.  Todavia, o forte de uma dama brasileira está no seu violão, e nas doces modinhas que ela canta acompanhando-lhe as notas.”

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Numas palhinhas deitado, poesia de João Saraiva

24 12 2010

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Natal, década  1960-70

Di Cavalcanti (Brasil 1897 – 1976)

óleo sobre tela

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Numas palhinhas deitado

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                              João Saraiva

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Numas palhinhas deitado,

abrindo os olhos à luz,

loiro, gordinho, rosado,

nasce o Menino Jesus.

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Uma vaquinha bafeja

seu lindo corpo divino,

de mansinho, que a não veja

e não se assuste o Menino.

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Meia-noite. Canta o galo.

Por essa Judéia além

dormem os que hão de matá-lo

quando for homem também.

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E, pensativa, a Mãe Pura

ouve, fitando Jesus,

os rouxinóis na espessura

de um cedro que há de ser cruz!…

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Extraído de “O Natal na Poesia”, artigo de Dom Marcos Barbosa publicado no Jornal do Brasil de 24/12/81

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João Baptista Pinto Saraiva (1866-1948), pseudôniomo: Belonaria, poeta português, nascido na cidade do Porto.

Obras:

Serenatas: primeiros versos, poesia, 1886

Sátiras, poesia, 1905

Líricas e sátiras, poesia, 1916

Máscaras: tríptico em versos, poesia, 1925

O grêmio literário: figuras e episódios de outros tempos, prosa, 1934

Sinfaníadas, poesia, 1938





Filhotes fofos: leõezinhos brancos

16 12 2010
Leãozinho branco, foto de Jochen Luebke, AFP

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Esta imagem mostra dois filhotes de leão branco, chamados Niza (à esquerda) e Nero sendo alimentados por funcionários do parque Serengeti, em Hodenhagen, na Alemanha.     Os gêmeos nasceram no dia 2 de dezembro após cesariana, e serão alimentados com mamadeiras até poderem ser aclimatizados na família de leões que vive no parque.

Fonte: Terra





Brinquedos, poesia infantil de Afonso Schmidt

7 12 2010

 

Joyeux Noel, cartão de Natal francês da virada do século XX.

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Brinquedos

                                 Afonso Schmidt

São Nicolau de barbas brancas,

de alto capuz beneditino,

nas costas levava um grande saco

e vai seguindo o seu destino.

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É muito tarde.  Nas janelas,

há sapatinhos ao sereno:

a cada espera corresponde

o sonho leve de um pequeno.

Súbito, estaca na calçada;

uma janela está vazia

e, pelas frinchas de uma porta,

chegam rumores de alegria.

O Santo pára; está amuado,

acha que o mundo é muito mau

e estas crianças já não querem

esperar por São Nicolau.

Mas, logo fica curioso,

quer descobrir porque naquela

casa não há um sapatinho

no canto escuro da janela.

Vai espiar pelo buraco

da fechadura…  – Pobrezinhos,

são os meninos do trapeiro,

nunca tiveram sapatinhos…

E vê, que à falta de bonecas,

eles divertem o casal,

enquanto o avô fuma num canto,

São Nicolau, mas de avental…

Todos estão muito contentes

o Santo ri de olhos molhados

e vai seguindo à luz branquinha

do plenilúnio nos telhados.

 Pisa de leve sobre as folhas,

diz a sorrir palavras mansas:

“Essas crianças são os brinquedos

 e esses papais são as crianças…”

Em: Poesia brasileira para a infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.

VOCABULÁRIO

Beneditino – é o nome que se dá aos frades da Ordem de São Bento.  Na poesia a palavra é usada como adjetivo de capuz.

Plenilúnio — a lua cheia.

 

Afonso Schmidt (Cubatão, SP 1890 – SP, SP 1964) poeta, romancista, contista, biógrafo, jornalista.  Como jornalista trabalhou para  A Voz do Povo, em 1920, no Rio de Janeiro.  Para Folha da Noite,  Diário de Santos e A Tribuna, em Santos. Em São Paulo trabalhou na Folha da Noite e O Estado de S.Paulo.  Neste último trabalhou de 1924 até 1963.  Recebeu o prêmio da  revista O Cruzeiro em 1950 pelo romance Menino Felipe.   A União Brasileira de Escritores lhe premiou com o Juca Pato – Intelectual do Ano em 1963.  Foi sócio fundador do Sindicato dos Jornalistas do Estado de S. Paulo, membro da Academia Paulista de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Obras: 

Lírios roxos, 1904

Miniaturas, 1905

Janelas Abertas (poesia), 1911

Lusitânia (ato em verso), 1916

Evangelho dos Livres (panfleto), 1920

Mocidade, 1921

Brutalidade (contos), 1922

Ao relento, 1922

Janelas Abertas (versos) – Edição Aumentada (Menção Honrosa da Academia Brasileira de Letras, 1923

Os Impunes (novelas), 1923

As Levianas (peça em três atos), 1925

O Dragão e as Virgens (romance, 1927

Cânticos Revolucionários (panfletos), 1930

A nova conflagração, 1931

Garoa, 1931

Os Negros (crônicas), 1932

Garoa (poesia), 1932

Poesias, 1934

Carne para Canhão (peça em três atos), 1934

Pirapora (contos), 1934

Curiango (contos), 1935

Zanzalás (uma novela de tempos futuros), 1936

A Vida de Paulo Eiró (biografia), 1940

A Marcha (Romance da Abolição), 1941

O Tesouro de Cananéia (contos), 1941

No Reino do Céu (novela), 1942

A Sombra de Júlio Frank (biografia),1942

A árvore das lágrimas, 1942

Colônia Cecília (Uma aventura anarquista na América), 1942

O Assalto (Romance do ouro e do sal), 1945

Poesias (edição definitiva), 1945.

O Retrato de Valentina (novela), 1947

A Primeira Viagem (viagem), 1947

Menino Felipe (romance), 1950

Saltimbancos (romance), 1950

Aventuras de Indalécio (romance), 1951

Os Boêmios (contos), 1952

Dedo nos Lábios (novelas), 1953

O Gigante Invisível (divulgação), 1953

Carantonhas (novela juvenil), s/d

São Paulo dos Meus Amores (crônicas), 1954

A Marcha (romance da Abolição,  história em quadrinhos), 1955

Mistérios de São Paulo (reminiscência), 1955

Bom Tempo (memórias), 1956

A Datilógrafa (romance), 1958

A Locomotiva (romance), 1960

Mirita e o Ladrão (romance), 1960

O Retrato de Valentina (novela), 1961

O Canudo, 1963

O enigma de João Ramalho, 1963

O passarinho verde, s/d

Zamir, s/d