Grande concentração: carta de amor? ponto para prova de historia?, Praça do Lido, Copacabana.
Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público
19 08 2009Comentários : Leave a Comment »
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Os Arcos da Lapa, por um visitante em 1807
18 08 2009Heitor dos Prazeres ( Brasil 1898-1966)
Óleo sobre tela
Às vezes um assunto fica na cabeça da gente, como um refrão de música popular que não conseguimos esquecer. Foi isso o que aconteceu comigo e Os Arcos da Lapa. Para me exorcizar volto ao assunto, 24 horas mais tarde. Passei a tarde a procura de um ou dois textos que me lembrava ter lido, mas não sabia onde. Bem aqui está um deles.
Texto do visitante James Hardy Vaux, no Rio de Janeiro em 1807:
Tendo mencionado as fontes públicas – em grande número nesta cidade – não posso deixar de descrevê-las. Em razão de haver poucas nascentes no Rio de Janeiro, a água é coletada no pico de uma elevada montanha e conduzida à cidade por um majestoso aqueduto, que atravessa um vale de muitas milhas de distância. Ao chegar à urbe a água é distribuída pelas fontes situadas nas ruas principais. Essas fontes, todas muito bonitas, são construídas em pedra e contam com uma grande cisterna para armazenar a água. Essa escoa daí por umas bicas de metal fundido, muito bem trabalhado, que têm a forma de bicos de ganso, de pato e de outras aves.
Em: Outras visões do Rio de Janeiro Colonial 1582-1808; antologia de textos, editado por Jean Marcel Carvalho França, Rio de Janeiro, José Olympio: 2000, p. 305
Chafariz do Largo do Moura, Rio de Janeiro, 1817
Thomas Ender (Áustria 1793-1875)
aquarela
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Os Arcos da Lapa no Rio de Janeiro
17 08 2009Lúcia de Lima ( Brasil, contemporânea)
Acrílica sobre tela
Coleção Particular
As notícias de hoje me levaram aos Arcos da Lapa no Rio de Janeiro. Um acidente com o bondinho de Santa Teresa me fez pensar como seria triste a vida nesta cidade sem o bondinho passeando por cima dos Arcos da Lapa, um dos locais mais interessantes e atraentes do Rio de Janeiro.
Este não é só o símbolo da Lapa, tradicional bairro boêmio da cidade. Mas um símbolo do Rio de Janeiro. É, sem dúvida, uma das primeiras obras grandiosas da cidade. Com o passar dos séculos obras gigantescas quase se tornaram lugar comum na cidade, com governantes derrubando morros, fazendo aterros, perfurando montanhas de granito para abrirem longos túneis urbanos. Tudo de um gigantismo, de uma grandiosidade, raramente igualadas em qualquer outro lugar do mundo.
Lagoa do Boqueirão com o Aqueduto da Carioca ao fundo
Leandro Joaquim ( Brasil, c. 1738 – c. 1798)
óleo sobre madeira, originalmente para um dos Pavilhões do Passeio Público.
Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro
Os Arcos da Lapa estão entre as primeiras grandes interferências arquitetônicas no Rio de Janeiro. É a obra de maiores dimensões e maior impacto do período colonial. Seu nome original — Aqueduto da Carioca — quase explica sua função. Essa construção de pedra e argamassa, em estilo romano, com dupla arcada, 42 arcos e óculos, edificada nos anos entre 1744 e 1750, trazia para o centro da cidade as águas do Rio da Carioca.
Mas por incrível que pareça, estes não foram os primeiros arcos construídos como parte do Aqueduto da Carioca. Os Arcos que conhecemos hoje, vieram para substituir os Arcos Velhos. Os primeiros arcos do Rio de Janeiro foram decididos por ordem régia de 1672. Mas só foram inaugurados em 1723, junto com o Chafariz da Carioca. Sua função como a dos Arcos que vemos hoje na cidade era trazer as águas do Rio da Carioca até o Largo da Carioca. Esta obra, bastante ambiciosa, só começou a tomar forma no governo de Ayres de Saldanha [ e Albuquerque] (1719-26). Mas seu traçado repleto de curvas mostrou-se imprático, sem resistência, chegando às ruínas com grande rapidez.
Foi no governo de Gomes Freire de Andrade, último governador do Rio de Janeiro (1733 a 1763) — antes de ser criado o Vice-reinado –, que o Aqueduto da Carioca, que hoje conhecemos, foi construido e inaugurado.
Os arcos, no finalzinho do século XIX, quando os bondes foram eletrificados, 1896.
No final do século XIX o sistema de adução das águas do Rio da Carioca tornou-se obsoleto e o aqueduto foi desativado. Eis que surge, então, em 1896, a oportunidade de transformar tamanha construção em rota para o bonde elétrico, servindo assim aos moradores do bairro de Santa Teresa.
O bairro possui a única linha urbana remanescente de bondes do Brasil. A Companhia Ferro-Carril Carioca, que introduziu o serviço de bondes no bairro na década de 1870, eletrificou as linhas em 1896. E aproveitou a construção colonial como via de acesso ao bairro. Por ter sido feito onde corria o aqueduto, os bondes de Santa Teresa trafegam usando uma bitola especial, bastante estreita, de 1,10m.
Os Arcos da Lapa, Cartão Postal, 1925.
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Quadrinha infantil sobre a amizade
14 08 2009
Talvez nunca mais se ouvisse
falar em guerra ou maldade
se todo mundo aderisse
ao cultivo da amizade.
(Eno Teodoro Wanke)
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Em caminho, poesia de Zalina Rolim para o dia dos pais
8 08 2009Capa de revista, 1939
EM CAMINHO
Zalina Rolim
SOU filha de lavradores;
Moro longe da cidade;
Amo os pássaros e as flores
E tenho oito anos de idade.
Quereis seguir-me à campina?
A tarde convida e chama,
O calor do sol declina,
E o horizonte é um panorama.
Neste samburá de vime
Levo coisa apetitosa;
mas, ai! que ninguém se anime
A meter-lhe a mão curiosa.
É o jantar do papaizinho;
Manjares de fino gosto;
Carne, legumes, toucinho,
Tudo fresco e bem disposto.
Papai trabalha na roça;
O dia inteiro labuta;
Tem a pele rija e grossa
E a alma afeita à luta.
Mas leal, franco, modesto
Como ele, não há no mundo:
Vive de trabalho honesto,
Cavando o solo fecundo.
Acorda ao nascer da aurora,
Abre a janela de manso,
E o campo e os ares explora
Da vista aguda num lanço.
Depois, nos ombros a enxada,
Abraça a Mamãe, sorrindo,
Beija-me a face rosada
E vai-se ao labor infindo.
Em casa também se lida
Daqui, dali, todo o instante,
Que o trabalho é lei da vida
E nada tem de humilhante.
Depois do trabalho, estudo;
Abro os meus livros e leio;
Eles me falam de tudo
O que eu desejo e receio.
Contam-me histórias bonitas,
Falam da terra e dos ares,
De vastidões infinitas,
De rios, campos e mares.
Mamãe diz que são modelos
De amigos leais e finos;
Que a gente deve atendê-los
Como aos maternais ensinos.
E agora, adeus, até breve.
Eis-me de novo a caminho:
Não esfrie o vento leve
O jantar do papaizinho.
Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.
Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.
Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.
Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.
Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.
Obras:
1893 – O coração
1897 – Livro das Crianças
1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)
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CORAÇÃOZINHO, poesia de Henriqueta Lisboa para o Dia dos Pais
7 08 2009
Ilustração Maurício de Sousa.
–
Coraçãozinho
–
Henriqueta Lisboa
–
–
Coraçãozinho que bate
tic-tic
Reloginho de Papai
tic-tac
Vamos fazer uma troca
tic-tic-tic-tac
Relógio fica comigo
tic-tic
dou coração a Papai
tic-tic-tac.
Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta, tradutora professora de literatura, Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Obras:
Fogo-fátuo (1925)
Enternecimento (1929)
Velário (1936)
Prisioneira da noite (1941)
O menino poeta (1943)
A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano
Flor da morte (1949)
Madrinha Lua (1952)
Azul profundo (1955);
Lírica (1958)
Montanha viva (1959)
Além da imagem (1963)
Nova Lírica ((1971)
Belo Horizonte bem querer (1972)
O alvo humano (1973)
Reverberações (1976)
Miradouro e outros poemas (1976)
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)
Pousada do ser (1982)
Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento
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DIA DOS PAIS — poesia de Giuseppe Artidoro Ghiaroni
6 08 2009–
DIA DOS PAIS
–
Giuseppe Artidoro Ghiaroni
–
Meu pai está tão velhinho,
tem a mão branca e comprida,
parecendo a sua vida,
longa vida que se esvai.
–
E eu o lembro quando moço
de uma atlética altivez.
Ah! Tinha força por três!
Você se lembra, papai?
–
Menino, ouvia dizer
que você era um gigante.
Eu ficava radiante
e também me agigantava.
–
Porque toda madrugada,
eu quentinho do agasalho,
ao sair para o trabalho
o gigante me beijava.
–
Sua grande mão de ferro
parecia leve, leve
naquela carícia breve
que da memória não sai.
–
Depois… um beijo em mamãe
e o meu gigante partia.
E a casa toda tremia
com os passos de papai.
–
Mas agora o seu retrato
muito moço, muito antigo,
se parece mais comigo
do que mesmo com você.
–
Você já lembra vovô
e, à medida que envelhece,
papai, você se parece
com mamãe, não sei por quê.
–
Você se lembra, papai?
Quando mamãe, de repente,
caiu de cama, doente,
era o pai quem cozinhava.
–
Tão grande e desajeitado
a varrer… Quando eu o via
de avental, papai, eu ria;
eu ria e mamãe chorava.
–
Eu quis deixar o ginásio
para ganhar ordenado,
ajudar meu pai cansado,
mas tal não aconteceu.
–
Papai disse estas palavras:
Sou um operário obscuro,
mas você terá futuro,
será melhor do que eu.
–
Eu? Melhor que este velhinho
a quem devo o pão e o estudo?
Que é pobre porque deu tudo
à Família, à Pátria, à Fé?
–
Meu pai, com todo o diploma,
com toda a universidade,
quisera eu ser a metade
daquilo que você é.
–
E quero que você saiba
que, entre amigos, conversando,
meu assunto vai girando
e no seu nome recai.
–
Da sua força, coragem,
bondade eu conto uma história.
Todos vêem que a minha glória
é ser filho de meu pai.
–
“Um dia eu fui tomar banho
no rio que estava cheio.
Quando a correnteza veio,
vi a morte aparecer.
–
Papai saltou dentro d’água
nadando mais do que um peixe,
salvou-me e disse:_ Não deixe!
Não deixe mamãe saber!”.
–
Assim foi meu pai, o forte
que respeitava a fraqueza.
Nunca humilhou a pobreza,
nunca a riqueza o humilhou.
–
Estava bem com os homens
e com Deus estava bem.
Nunca fez mal a ninguém
e o que sofreu perdoou.
–
Perdoa então se lhe falo
Daquilo que não se esquece.
E a minha voz estremece
e há uma lágrima que cai.
–
Hoje sou eu o gigante
e você é pequenino.
Hoje sou eu que me inclino.
Papai… a bênção, papai.
–
–
Giuseppe Artidoro Ghiaroni – Nasceu em Paraíba Do Sul, (RJ), no dia 22 de fevereiro de 1919. Jornalista, poeta, redator e tradutor; Depois de ter sido ferreiro, “office-boy” e caixeiro, passou a redator do “Suplemento juvenil ” iniciando-se assim no jornalismo de onde passou para o Rádio distinguindo-se como cronista e novelista. Faleceu em 2008 aos 89 anos.
Obras:
O Dia da Existência, 1941
A Graça de Deus, 1945
Canção do Vagabundo, 1948
A Máquina de Escrever, 1997
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Quadrinha para o dia do Papai
5 08 2009
Pai — nome bem pequenino
Que encerra tanto valor:
Traduz confiança, carinho,
Força, Bondade e Amor.
(Walter Nieble de Freitas)
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Poesia do pai, no dia dos Pais — Gentil Camargo
4 08 2009Ilustração de Paul Hesse. Anúncio para pneus FISK.
Vocês
Gentil Camargo
É ele sim: conheço o seu passinho;
E o suave cheiro que ele tem, conheço;
Mas fecho os olhos, finjo que adormeço:
Quero sentir melhor o seu carinho.
O livro em que da vida inglória esqueço,
Retira-me das mãos, tão de mansinho,
— “Papai…” me chama; e dá-me o seu beijinho,
Compensação de tudo o que padeço.
Depois se afasta. Deixa-me pensando
Em quando ele for grande; e mesmo quando
Todos forem crescidos de uma vez,
Continuarei a vê-los bem pequenos,
Buscando até, em coisas de somenos,
A maior alegria de vocês.
———
Gentil Eugênio de Camargo Leite (Taubaté, SP 1900- SP1983) , professor e jornalista, folclorista colaborou para jornais e revistas de São Paulo, do Rio de Janeiro e do interior do estado de São Paulo: “O Norte”, “Correio de Taubaté”, “O Momento”. Recebeu por sua valiosa participação jornalística, o Diploma de Honra da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa) concedido em 01.05.1958. Um dos fundadores da “Sociedade de História e Folclore de Taubaté. Compôs várias músicas, entre elas “Taubaté tem visgo” e “Hino a Santa Terezinha”.
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Imagem de leitura — Inha Bastos
30 07 2009Menina lendo, 2008
Inha Bastos ( Brasil, 1949)
óleo sobre tela, 50x 50 cm
—
Inha Bastos é o nome artístico da pintora brasileira Maria das Graças Fontes Bastos, nascida em Itabuna, na Bahia, em 1949. Formada pela Escola de Belas Artes em Salvador, /UFBA 1970 / 1974. Adolescente, descobriu sua vocação artística, quando recebeu um estojo de tintas de presente. Inha Bastos tem participado de exposições coletivas e individuais em diversos estados brasileiros e no estrangeiro. Suas obras fazem parte do acervo de diversas instituições públicas e particulares.. Inha Bastos foi uma das artistas selecionadas para representar o Brasil no “ ano do Brasil na França” e seu trabalho ganhou destaque na imprensa francesa.
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