PEIXE, poesia para crianças de Maria da Graça Almeida

8 09 2008

 

 

 

 

 Peixe

O peixinho prateado
no aquário sempre vejo!
Bem me fita, o assanhado,
só querendo me dar beijos.

Sua boca um “oi” miúdo
vai dizendo e isso é bom,
só o peixe, neste mundo,
fala “oi”, sem soltar som.

 

Maria da Graça Almeida

Maria da Graça Almeida – Pindorama, SP.  Escritora, poetisa, professora, pedagoga e formada em Educação Artística.

 

Obras: –

Espelho

Poesias Sem Mistério

A Graça que o bicho Tem

Que traça sem graça

Mitos do folclore

A Menina da janela

O Cuco Maluco

O besouro

 





A Pátria. Não há 7 de setembro, sem este poema!

7 09 2008

Bandeira do Brasil, criação fotográfica de Culiculicz.

Retirado de:

http://flickr.com/photos/62759970@N00/167812480/

 

 

A PÁTRIA

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!

A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!

Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

Vê que grande extensão de matas, onde impera

Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha

O pão que mata a fome, o teto que agasalha…

Quem com seu suor a fecunda e umedece,

Vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este:

Imita na grandeza a terra em que nasceste!

Olavo Bilac

Do livro:  Poesias Infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves: 1949, 17a edição.

 

 





Canto Nativo, de Jaime d’ Altavila, poesia para a 3a série, na semana da pátria.

6 09 2008

 

Paisagem, por Aldemir Martins (-2006), AST.

Paisagem, por Aldemir Martins (CE 1922- SP 2006), AST.

 

CANTO NATIVO

 

Jaime d’ Altavila

 

 

Quando eu morrer,

você rasgue um pedaço deste céu

            E faça dele a minha mortalha.

Quando eu morrer,

            você cave um torrão de terra virgem

            E faça dele o meu travesseiro.

Quando eu morrer,

            você arranque o Cruzeiro do Sul

            E faça das estrelas meus círios.

 

……………………………………………………………………..

 

Quando eu morrer,

            você  corte um ramo de pitangueiras

            E cruze, sobre ele, as minhas mãos.

Quando eu morrer,

            você plante sobre a minha sepultura

            uma palmeira de ouricuri.

………………………………………………………………………

 

Quando eu morrer,

            você diga aos que perguntarem por mim

            Que eu morri como nasci:

                        Brasileiro,

                        Brasileiro,

                        Brasileiro.

 

Jaime d’Altavila,  pseudônimo de Anfilófio Melo (AL 1895-1970), formado em Direito,  novelista, cronista, poeta, ensaísta, historiador.  Fundador da Academia Alagoana de Letras.

 

Obras:

 

A Terra Será de Todos  1983  

Canto Nativo  1949  

Estudos de literatura brasileira  1937  

Gênese da literatura alagoana  1922  

Lógica de um Burro  1924  

Luango  1945  

Mil e Duas Noites  1931  

O Tesouro Holandês de Porto Calvo  1961  

Poesias de J. A.  1995

Encontrado em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3a série primária, Rio de Janeiro, Agir: 1961.





MINHA TERRA, poesia para 3a série, Semana da Pátria

5 09 2008

 

Índio brasileiro.

Índio brasileiro.

 

MINHA TERRA

 

 

D. Aquino Correia

 

 

Minha terra é Pindorama

de palmares sempre em flor:

quem os viu e não os ama,

não tem alma nem amor.

 

Santa Cruz é minha terra,

terra santa cá do sul:

seu pendão a cruz encerra,

tem a cruz no céu azul.

 

Deus num último batismo

meu país Brasil chamou;

se me abrasa o patriotismo,

brasileiro então eu sou.

 

Eis os nomes que assinalam

minha terra sempre em flor:

são três nomes que me falam

de beleza, fé e amor.

 

Pindorama!  és meu encanto!

Santa Cruz!  és minha fé!

O’ Brasil!  Eu te amo tanto,

que por ti morrera até.

 

 

VOCABULÁRIO:

 

Pindorama – terra das palmeiras, nome dado ao Brasil pelos índios.

 

♦♦♦♦♦♦

 

 

D. Francisco Aquino Correia ( Cuiabá, MT 1885 – São Paulo – 1956)  arcebispo de Cuiabá.

 

 

Do livro:

 

Vamos estudar?: 3a série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro,  Agir: 1961. 12a edição. [Edição especial para os Estados de Goiás e Mato Grosso].

 

 





Dorme ruazinha… Poema de Mário Quintana para crianças

28 08 2008
Ruazinha à noite, ilustração de Elisabeth Teixeira

Ruazinha à noite, ilustração de Elisabeth Teixeira

 

DORME RUAZINHA… É TUDO ESCURO!…

 

Mário Quintana

 

 

Dorme ruazinha…  É tudo escuro…

E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?

Dorme teu sono sossegado e puro,

Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos…

 

Dorme…  Não há ladrões, eu te asseguro…

Nem guardas para acaso perseguí-los…

Na noite alta, como sobre um muro,

As estrelinhas cantam como grilos…

 

O vento está dormindo na calçada,

O vento enovelou-se como um cão…

Dorme, ruazinha…  Não há nada…

 

Só os meus passos…  Mas tão leves são,

Que até parecem, pela madrugada,

Os da minha futura assombração…

 

 

 

Do livro:  Antologia poética para a infância e a juventude, Ed. Henriqueta Lisboa,  Rio de Janeiro, INL:1961.

 

 

 

Mário de Miranda Quintana – (RS 1906 – RS 1994) poeta, tradutor e jornalista.

 

Obras:

 

– A Rua dos Cata-ventos (1940)

– Canções (1946)

– Sapato Florido (1948)

– O Batalhão de Letras (1948)

– O Aprendiz de Feiticeiro (1950)

– Espelho Mágico (1951)

– Inéditos e Esparsos (1953)

– Poesias (1962)

– Antologia Poética (1966)

– Pé de Pilão (1968) – literatura infanto-juvenil

– Caderno H (1973)

– Apontamentos de História Sobrenatural (1976)

– Quintanares (1976) – edição especial para a MPM Propaganda.

– A Vaca e o Hipogrifo (1977)

– Prosa e Verso (1978)

– Na Volta da Esquina (1979)

– Esconderijos do Tempo (1980)

– Nova Antologia Poética (1981)

– Mario Quintana (1982)

– Lili Inventa o Mundo (1983)

– Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)

– Nariz de Vidro (1984)

– O Sapato Amarelo (1984) – literatura infanto-juvenil

– Primavera cruza o rio (1985)

– Oitenta anos de poesia (1986)

– Baú de espantos ((1986)

– Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)

– Preparativos de Viagem (1987)

– Porta Giratória (1988)

– A Cor do Invisível (1989)

– Antologia poética de Mario Quintana (1989)

– Velório sem Defunto (1990)

– A Rua dos Cata-ventos (1992) – reedição para os 50 anos da 1a. publicação.

– Sapato Furado (1994)

– Mario Quintana – Poesia completa (2005)

 

 

Ilustração acima de Elizabeth Teixeira como indicado na fotografia, do livro Atrás da Porta, de Ruth Rocha, ed.Salamandra.

 





O cavalinho branco, poema infantil de Eloí E. Bocheco

27 08 2008

 

CAVALINHO BRANCO

 

 

Eloí E. Bocheco

 

O cavalinho branco

come estrelas e

raios de luar.

De noite,

o relincho do cavalinho

brilha tanto

que dá pra enxergar:

os piolhos da cobra,

a cicatriz no pé

da centopéia,

a unha encravada

do tamanduá,

o pesadelo da coruja

e até os ninhos

dos sabiás nas árvores.

Ontem o cavalinho

deu um relincho

tão iluminado

que clareou

a outra ponta do mundo.                                      

 

Do livro: Ô de casa, Griphus, 2000

 

Eloí Elisabete Bocheco, Campos Novos, SC — professora, formada em Letras pela Universidade de Passo Fundo – RS.  

Obras:

 

Uni… duni…téia… (1998 )

Ô de casa (2000)

O abraço mágico (2002)





Cavaleiro do cavalo de pau, poema de Afonso Lopes Vieira

24 08 2008
O cavalinho de pau, ilustração Kate Greenaway

O cavalinho de pau, ilustração Kate Greenaway

CAVALEIRO DO CAVALO DE PAU

 

Afonso Lopes Vieira

 

 

Vai a galope o cavaleiro e sem cessar

Galopando no ar sem mudar de lugar.

 

E galopa e galopa e galopa, parado,

E galopa sem fim nas tábuas do sobrado.

 

Oh!, que brabo corcel, que doídas galopadas,

—  Crinas de estopa ao vento e as narinas pintadas!

 

Em curvas pelo ar, em velozes carreiras,

O cavalo de pau é o terror das cadeiras!

 

E o cavaleiro nunca muda de lugar,

A galopar, a galopar a galopar!…

 

 

Afonso Lopes Vieira — ( Portugal 1878-1946) advogado formado  pela Universidade de Coimbra, além de poeta e escritor foi redator da Câmara dos Deputados.

 

Obras:

 

Para quê? (1897)

Náufragos, Versos Lusitanos (1898 )

O Meu Adeus (1900)

O Encoberto (1905)

Canções do vento e do Sol (1911)

Bartolomeu Marinheiro (1912)

Arte Portuguesa (1916)

Ilhas de Bruma (1917)

País Lilás, Desterro Azul (1922)

Onde a Terra Acaba e o Mar Começa (1940)

 

 

 

Do livro: Antologia poética para a infância e juventude, Ed. Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, INL:1961





Minha Terra — Poema infantil — LUIZ PEIXOTO — 3a série

23 08 2008
Nicolas Antoine Taunay (França 1755-1830) Vista do Rio de Janeiro

Nicolas Antoine Taunay (França 1755-1830) Vista do Rio de Janeiro, Instituto Ricardo Brennand, Recife

 

MINHA TERRA

 

 

Luiz Peixoto

 

 

Minha terra

tem uma índia morena

toda enfeitada de penas,

que anda caçando ao luar.

 

Minha terra

tem também uma palmeira,

parece a rede maneira,

ao vento se balançar.

 

Minha terra,

que tem do céu a beleza,

que tem do mar a tristeza,

tem outra coisa também:

 

Minha terra,

na sua simplicidade,

tem a palavra saudade,

que as outras terras não têm.

 

 

 

 

Luiz Carlos Peixoto de Castro, (RJ 1889 – RJ 1973). Foi poeta, letrista, cenógrafo, teatrólogo, diretor de teatro, pintor, caricaturista e escultor.





Terra Natal — poema para 3a série — D. Aquino Correia

18 08 2008

Menino Índio de Mato Grosso.  Foto de MARC FERREZ, 1896.

 

Menino Índio de Mato Grosso. Foto de MARC FERREZ, 1896.

Terra Natal

 

                                    D. Francisco Aquino Correia

 

 

Nasci à beira

Da água ligeira,

Sou paiaguá!

De Sul a Norte,

Tribo mais forte

Que nós não há.

 

Nas mansas águas,

Vive sem mágoas

O paiaguá;

O seu recreio,

O seu enleio

No rio está.

 

Nele me afundo,

Nado no fundo,

Surjo acolá;

E nem há peixe,

Que atrás me deixe,

Sou paiaguá!

 

Se faz soalheira,

Durmo-lhe à beira,

Ao pé do ingá;

Mas se refresca,

Lá vai à pesca

O paiaguá!

 

E quando guio,

À flor do rio,

A minha ubá,

Nem flecha voa,

Como  a canoa

Do paiaguá!

 

Um  dia os brancos,

Dentre os barrancos,

Surgem de lá;

Mas, em  momentos,

Viram quinhentos

Arcos de cá.

 

Na luta ingente,

Que eternamente

Retumbará,

Fez quatrocentas

Mortes cruentas

O paiaguá.

 

Não!  O emboaba,

Em nossa taba,

Não reinará!

Nós coalharemos

A água de remos,

Sou paiaguá!

 

Nas finas proas

Destas canoas,

Triunfará,

Por todo o rio,

O poderio

Do paiaguá!

 

Nasci à beira

Da água ligeira,

Sou paiaguá!

De Sul a Norte,

Tribo mais forte

Que nós não há!

 

 

D. Francisco Aquino Correia ( Cuiabá, MT 1885 – São Paulo – 1956)  arcebispo de Cuiabá.

 

 

Do livro:

 

Vamos estudar?: 3a série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro,  Agir: 1961. 12a edição.





Bailado Russo — poema infantil de Guilherme de Almeida

14 08 2008

Bailado Russo

 

REYNALDO FONSECA (1925) O Pião – Óleo s/ tela – 70 x 50 cm – ass. sup. esquerdo e verso 2002.

REYNALDO FONSECA (1925) O Pião – Óleo s/ tela – 70 x 50 cm – ass. sup. esquerdo e verso 2002.

 

 

 

 

 

A mão firme e ligeira

puxou com força a fieira:

e o pião

fez uma eclipse tonta

no ar e fincou a ponta

no chão.

 

É o pião com sete listas

de cores imprevistas.

Porém,

nas suas voltas doudas,

não mostra as cores todas

que tem:

 

— fica todo cinzento,

no ardente movimento…

E até

parece estar parado,

teso, paralisado,

de pé.

 

Mas gira.  Até que aos poucos,

Em torvelins tão loucos

assim,

já tonto, baboleia,

e bambo, cambaleia…

Enfim,

Tomba.  E, como uma cobra,

Corre mole e desdobra

então,

em hipérboles lentas,

sete cores violentas,

no chão.

 

Guilherme de Almeida

 

 

Guilherme de Andrade e Almeida (SP 1890- SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro.

 

 

Obras:

 

Nós (1917);

A dança das horas (1919);

Messidor (1919);

Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);

Era uma vez… (1922);

A flauta que eu perdi (1924);

Meu (1925);

Raça (1925);

Encantamento (1925);

Simplicidade (1929);

Você (1931);

Poemas escolhidos (1931);

Acaso (1938);

Poesia vária (1947);

Toda a poesia (1953).

 

Do livro:  Antologia Poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, INL-MEC, 1961.