Jean-Honoré Fragonard (França, 1732– 1806)
óleo sobre tela, 47 x 56 cm
The Fine Arts Museum, San Francisco
Jean-Honoré Fragonard (França, 1732– 1806)
óleo sobre tela, 47 x 56 cm
The Fine Arts Museum, San Francisco
[Também conhecida como:
Por que nascer escrava?, baseado na inscrição na base]
Jean-Baptiste Carpeaux (França, 1827-1875)
Gesso com patina, 35 x 23 x 18 cm
Base em pedra vermelha.
Inscrição incisa na base em francês: “Pourquoi nâitre esclave”
Brooklyn Museum, Nova York
Esta escultura é parte de uma série de quatro bustos, este representando a África, dentro dos quatro continentes encomendados para o Chafariz do Observatório nos Jardins de Luxemburgo em Paris. Uma versão em mármore foi apresentada no Salão de 1869 e comprada por Napoleão III.
Carolus Duran (França, 1837-1917)
óleo sobre tela
Museu de Belas Artes, Lille
Martins Fontes
Nunca roubei um beijo. O beijo dá-se,
ou permuta-se, mas naturalmente.
Em seu sabor seria diferente
se, em vez de ser trocado, se furtasse.
Todo beijo de amor, longo ou fugace,
deve ser um prazer que a ambos contente.
Quando, encantado, o coração consente,
beija-se a boca, não se beija a face.
Não toquemos na flor maravilhosa,
seja qual for a sedução do ensejo,
vendo-a ofertar-se, fácil e formosa.
Como os árabes, loucos de desejo,
amemos a roseira, olhando a rosa,
roubemos a mulher e não o beijo.
(A Flauta Encantada)
Em: Nossos Clássicos: Martins Fontes,poesia, Rio de Janeiro, Agir: 1959, p. 53
Impressão, nascer do sol, 1872
Claude Monet (França, 1840-1926)
óleo sobre tela, 48 x 63 cm
Museu Marmottan Monet, Paris
A grande surpresa da semana foi saber a hora precisa em que Claude Monet pintou o quadro que deu o nome ao movimento artístico mais popular do final do século XIX: o impressionismo. É fato conhecido que, o responsável pelo batismo do movimento que surgia, foi o crítico de arte Louis Leroy. Sua reação negativa à obra, no jornal satírico Le Charivari, quando comentava a arte mostrada no Salão dos Independentes de 1874, se utilizava do título do quadro de Claude Monet, reproduzido acima, com a intenção de debochar do que estava sendo exposto. De nada adiantou a crítica de Leroy, pois o movimento que se iniciava, ainda sem proposta clara e sem destino previsível, tornou-se o mais popular entre os amantes da arte nas gerações seguintes.
O impressionismo continua até hoje a maneira de pintar que mais consegue novos adeptos, quer apreciadores da arte, quer pintores amadores ou profissionais. Prova do interesse sobre os impressionistas pode ser obtida na preocupação do físico Donald Olson, da Universidade do Estado do Texas, em São Marcos, que não só descobriu o lugar preciso de onde Monet havia pintado a cena acima [da janela de seu hotel no Le Havre], como observando e estudando centenas de fotografias e mapas, comparando-as com a imagem representada por Monet, e ajustando matematicamente suas contas, levando em consideração, inclusive, as horas de distanciamento de Le Havre do meridiano de Greenwich, conseguiu precisar a localização de Monet e a hora em que o sol estava como na tela: 15 de novembro de 1872, à 7: 35 da manhã.
Para saber o processo pelo qual o Prof. Olson chegou a essa conclusão é uma boa ideia ler o texto do artigo: Physicist puts time on timeless Monet painting, no Los Angeles Times, de 3 de Setembro de 2014.
Gustave Caillebotte (França, 1848-1894 )
óleo sobre tela
Coleção Particular
Nas mãos de Guy de Maupassant esse romance teria sido exemplar. Levaria todas as cinco estrelas que tenho direito a dar. Digo isso porque há algo de Maupassant na leveza com que a narrativa se desenrola e na intenção sócio-realista. Infelizmente falta a David Leavitt o cuidado com a estrutura da trama e com os diálogos, características em que o escritor francês se esmerava. Assim como está, esse romance dá a impressão de uma obra feita às pressas, na coxa, sem finesse. Por vezes a narrativa muda de ponto de vista abruptamente e ênfase é dada a personagens secundários em detrimento de um aprofundamento nas emoções e nas razões do comportamento dos que identificamos como principais. Por que certos detalhes são acentuados roubando o vigor à história? Toda a narrativa, da estrutura ao diálogo, do ritmo ao desfecho – e este é inconcluso — poderia ter sido trabalhada e como resultado O virador de páginas seria uma obra de impacto. Falta conteúdo psicológico e emocional.
David Leavitt é um desses nomes que aparecem em conversas literárias aqui e ali, um nome com peso social, amplamente divulgado nos círculos gays e literários. É possível que eu tenha escolhido para minha apresentação ao autor um de seus livros mais fracos. Pena, porque vou custar a abrir outra publicação dele.
Os temas, os assuntos, são de primeira linha. Todos são temas universais, tratando das dificuldades por que passam os seres humanos. Em primeiro plano: a difícil, frustrante, aniquiladora descoberta das nossas limitações. Saber que sonhos afagados por anos, por uma vida inteira, não poderão jamais se concretizar, porque sonhamos além das nossas habilidades. Em segundo: a apresentação, quando ainda se é muito jovem, aos desencontros amorosos, para os quais a vida parece ser terreno fértil — o dar-se a quem não merece, a quem não dá valor; e o ser desejado por quem não temos atração; assunto explorado por muitos e tão sucintamente colocado no esplêndido poema Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade. Esses dois temas recheiam o que há de melhor na produção literária há séculos e permanecem em pauta porque falam de condições inerentes ao ser humano. Falam da paixão.
David LeavittAs ideias centrais em O virador de páginas são boas, mas pobremente executadas. Como está, o livro é medíocre. Sérgio Viotti que fez a tradução, escreve na orelha: “Ouvido de uma precisão teatral, que suas cenas dialogadas podem facilmente ser diálogos para ver e escutar…” Infelizmente Viotti numa tentativa de exaltar o romance, se concentrou justamente no que achei de mais leviano na obra. Os diálogos são sim, como falamos. E nossa fala é repetitiva, muitas vezes vazia, sem qualquer intenção de criatividade. Obrigar o leitor a ler diálogos que não levam a nada é desmerecer a atenção que o leitor lhe dá. Não é estofo para uma obra literária. Vamos a um exemplo de muitos:
“– Alô?
— Alden?
— Não, Paul.
— Paul, aqui é Joseph Mansourian. Como vai?
— Estou bem. – Sentando-se, Paul tirou o som da televisão, ajeitou o cabelo para trás, com a mão.” [p.156]
Sinto não poder recomendar O virador de paginas. Sei que em breve o terei esquecido, porque ainda há obras literárias que merecem o cuidado da minha atenção.
Retrato de Mme Socolovert, s.d.
Michel Kikoine (Rússia, 1892-França, 1968)
óleo sobre tela, 73 x 54 cm

Enriquecimento pelo saber, s/d
Marie Aimée Eliane Lucas-Robiquet (França, 1864-1959)
óleo sobre tela, 94 x 122 cm
Coleção Particular, EUA