Embarcação mongol do século XIII descoberta no Japão

25 10 2011

Samurais japoneses invadindo barcos Yuan.

Os restos de um navio que teria participado da fracassada tentativa do rei mongol, Kublai Khan (1215-1294), de conquistar o Japão, no século XIII, foram encontrados em relativamente bom estado, na costa do país.  Até então só antigas pedras de âncora e balas de canhão haviam sido encontradas aqui e ali datando da investida de esquadras mongóis dessa época.  Os pesquisadores agora acreditam que têm material para melhor entender a tecnologia de navegação do século XIII.  Encontraram um pedaço de 12 m do casco da embarcação, que era feito de tábuas de madeira de 10 cm de espessura e de 15 a 25 cm de largura.  O casco foi descoberto enterrado a 1 metro de profundidade do fundo do mar, próximo da ilha Takashima em Matsuura, no distrito de Nagasaki.  Foi a primeira vez que o casco de um barco usado na invasão mongol foi recuperado.

Os pesquisadores da universidade de Ryukus, em Okinawa,  sob a supervisão do Prof. Yoshifumi Ikeda usaram equipamento ultrasônico para detectar os restos do navio. Os ataques frustrados contra o Japão foram uma das poucas vezes em que os mongóis foram derrotados durante o século XIII.  O casco que parece ter tido 20 metros de comprimento havia sido todo pintado de cinza e ligado por pregos. Tijolos e armas chineses da dinastia Yuan também foram encontrados a bordo.

Os pesquisadores dizem esperar que a descoberta os ajude a entender os motivos da vitória japonesa.  Registros históricos sugerem o número de 4.400 navios, levando 140,000 soldados mongóis desceram no Japão em 1281 e lutaram Cintra os samurais da região ao norte de Kyushu.  Mas que depois de voltarem para os seus navios a esquadra foi dizimada por um tufão devastador que acabou com os planos de invasão dos soldados mongóis. Os japoneses costumam atribuir a vitória a esses ventos e tempestades que destroçaram as embarcações mongóis durante as tentativas de invasões de 1274 e 1281.

Descobertas sob a areia de partes de embarcação mongol do século XIII.

A estrutura do navio lembra a das embarcações chinesas da mesma época. Os mongóis chegaram a desembarcar e ter algum sucesso contra os japoneses, que tinham menos habilidade no arco e flecha. Mas em ambas as ocasiões, os mongóis e as tropas chinesas e coreanas sob seu comando tiveram que bater em retirada por causa de tufões que se aproximavam, impedindo seus planos.

As águas próximas à ilha Takashima são o local onde,  historicamente,  se assumiu a devastação da esquadra em 1281, pelos “ventos divinos”.  O “vento divino”  kamikaze, em japonês, foi a palavra que serviu de inspiração para os pilotos japoneses que se lançaram em ataques suicidas na Segunda Guerra Mundial.

Como nômades da Ásia Central, os mongóis tinham pouca experiência no mar e usaram chineses e coreanos subjugados para construir seus navios. “Acredito que iremos entender mais sobre a construção de navios da época assim como sobre a troca de mercadorias na Ásia Ocidental”, disse o prof. Ikeda.  Ele ainda lembrou que o casco da embarcação deve ter-se mantido em bom estado porque estava enterrado na areia.  Enquanto a estrutura da embarcação, semelhante às usadas pelos chineses do século XII,  levou os pesquisadores a fazerem a associação à frota Yuan.

Fontes: The Telegraph, Terra





As pinturas das crianças das cavernas!

3 10 2011

Universidade de Cambridge / PA: fotografia

Uma curiosa descoberta nas cavernas no vale do Dordogne preencheu o noticiário na semana passada.  Descobriu-se que as decoração das cavernas que têm sulcos, como na foto, foram feitas por crianças pequenas, com idades entre 3 e 7 anos.  O conjunto dessas decorações parece indicar que as crianças tinham um lugar específico  dentro das cavernas ou como parte de algum sistema de creche, ou como num ambiente servindo para que elas fossem aprendizes de pintores de cavernas.    Os sulcos em questão foram feitos quando crianças passavam as mãos na superfície macia das paredes da caverna,  de maneira feita com os dedos semelhante à que é usada nos dias de hoje nas escolas para crianças pequenas. 

Esses desenhos, parte da apresentação dos pesquisadores da Universidade de Cambridge numa conferência sobre arqueologia, mostram linhas sulcadas, paralelas ou entrecruzadas, correndo sobre o vermelho da argila das paredes da caverna e são parte das decorações da Caverna dos Cem Mamutes em Rouffignac, na França.  Foram feitas aproximadamente  há 13.000 anos.

A grande parte dos desenhos feitos por crianças são estrias cobrindo não só as paredes, mas os tetos de passagens de uma câmara a outra dentro do complexo de cavernas.  Os arqueólogos chegaram a imaginar que uma das câmaras tivesse sido uma espécie que “abrigo” infantil, tal a riqueza das decorações feitas com o roçar dos dedos.  A primeira vez que se soube que crianças estavam envolvidas na decoração das cavernas foi em 2006 pelos pesquisadores Van Gelder e Sharpe da Walden University nos EUA, que passaram dois anos analisando a presença de crianças nessas cavernas.

Caverna em Rouffignac, P.A.

O estudo detalhado dessas decorações revela o trabalho de pelo menos dois adultos – ainda que possa ter havido alguns outros no local – e de crianças, sobretudo de uma menina de aproximadamente cinco anos extremamente prolífica em suas decorações.  Há algumas estrias dessas decorações feitas por mãos de criancinhas muito pequenas.  Há uma criança de 2 anos de idade que “ajudou” na decoração.  No entanto, são traços firmes demais para a idade e sugerem que a mão da criança foi orientada por um adulto.  A criança deveria estar sendo ensinada por um adulto.  A pesquisa mostra que as crianças estavam em todos os cantos das cavernas, dos lugares mais profundos e escuros, até os mais amplos e próximos da entrada.   Porque estavam fortemente presente na arte, agora é preciso descobrir o quanto estavam envolvidos na vida diária.  A decoração da caverna era uma atividade de grupo, em que participavam membros de todas as idades.

Essas decorações também são encontradas em outras cavernas na França, na Espanha, Nova Guiné e Austrália.  O tema tem sido bastante debatido por arqueólogos.  Ainda não se sabe por que os pré-históricos fizeram essas decorações.  Parece coisa mais organizada do que simplesmente uma atividade para “um dia chuvoso” lembra a Jess Cooney, uma estudante de PhD da universidade que faz parte da equipe de arqueólogos.   “Além de linhas simples, sinuosos, há estrias de animais e formas que parecem ser esboços brutos de rostos.”

A cada ano, milhares de pessoas visitam as cavernas, na região do Dordogne (oeste da França), para admirar os desenhos de mamutes, cavalos e rinocerontes, nas paredes dos 8 km de caverna que foram descobertas no século XVI.  Mas só em 1956 é que os especialistas perceberam que alguns dos desenhos eram pré-históricos. Depois, em 2006, notaram que as pinturas haviam sido feitas por crianças, com seus dedos.   

Fonte: O Estadão Online e The Guardian





Pegadas dos mais antigos humanos nas Américas?

28 09 2011
Pato Donald encontra tesouros em expedição do Tio Patinhas, ilustração Walt Disney.

Pegadas humanas feitas entre 4.500 a cerca de 23.000 anos atrás foram as primeiras dessa antiguidade encontradas na região da Serra Tarahumara , no estado de Chihuahua, de acordo com especialistas do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México.   Hoje essa região é habitada pela etnia indígena do mesmo nome.

Para os estudiosos, estes rastros podem pertencer aos primeiros homens que povoaram a região, que são considerados por alguns como representantes dos mais antigos assentamentos humanos no continente americano.  Se a antiguidade delas for comprovada, essas pegadas farão companhia às outras poucas pegadas deixadas pelos primeiros habitantes do continente americano conhecidas até agora.   Segundo um comunicado publicado pelo instituto, este achado faz parte das “poucas impressões dos primeiros colonos do continente americano que foram conservadas no México“. Até hoje, pegadas de muita antiguidade,  foram encontradas só no município de Cuatro Cienegas, no estado de Coahuila, e também em um rancho no estado de Sonora.

 As pegadas no estado de Chihuahua foram feitas pelos pés de três adultos e de uma criança. “Somente um par de marcas correspondem aos pés de uma mesma pessoa, que tinha seis dedos em cada um, o que pode ter ocorrido devido a uma má formação“, acrescentou o instituto. A maior das pegadas tem 26 centímetros de comprimento  e foi feita por um homem adulto, enquanto que a menor delas mede 17 centímetros e foi feita pelo pé direito de uma criança de 3 a 4 anos de idade.  Acredita-se que estas pessoas tenham vivido em cavernas localizadas na região do Vale de Ahuatos, onde atualmente reside, em condições precárias, por causa da pobreza,  a população Tarahumara.

De acordo com o antropólogo José Jiménez, a descoberta foi possível a partir de um e-mail enviado por uma pessoa natural de Chihuahua sobre as marcas humanas. Os especialistas, no entanto, demoraram a encontrar os vestígios.  As pegadas foram encontradas num plano inclinado próximo a um córrego que só tem água durante a estação das chuvas.  Depois de examinarem a área ao redor do local, cobrindo aproximadamente 50 quilômetros, os cientistas encontraram vestígios de acampamentos primitivos, que apontam para a presença humana na região numa era tão remota quanto o Pleistoceno, ou seja 12.000 anos atrás.  Os antropólogos também encontraram cavernas próximas ao local com traços de presença humana. Três delas com algumas camadas de pinturas rupestres do períodos: pré-ceramica, pré-hispanico e colonial.

Fontes:  TerraLatino Foxnews





Pegadas revelam 12 tipos de dinossauros em serra peruana

4 09 2011

Ornithomimus, na figura, é um terópodo.

A província de Huari, perto da Cordilheira Blanca, na serra central do Peru, foi habitada há 125 milhões de anos por pelo menos 12 tipos de dinossauros, cujas pegadas ficaram impregnadas a 4,8 mil m de altitude, explicou o paleontólogo Carlos Vildoso em entrevista publicada neste sábado em Lima.

Todos falam da extinção dos dinossauros, mas também houve fatos ao longo da era Mesozoica que foram determinando a vida no planeta“, declarou Vildoso ao jornal El Comercio. Segundo o encarregado destas descobertas, ali foram “encontradas mostras que há um período no Cretácio no qual o oxigênio desaparece“.

Em Huari se encontraram desde 2005, quando se descobriram as primeiras, pelo menos 12 formas diferentes de pegadas, entre as quais há dinossauros carnívoros (terópodos, carnossauros e celurossauros), além de herbívoros com pescoço longo e os que eram dotados de bico, segundo o jornal.

O estudo se centrou em 40 km da estrada Conococha a Yanacancha e só nessa região já foram encontrados restos valiosos”, acrescentou Vildoso. O especialista explicou que essa região peruana rodeada por neve era, segundo as evidências, uma floresta tropical e queao percorrerem (os dinossauros) este terreno de barro, as pegadas ficaram gravadas e se fossilizaram

Vildoso, que trabalhou em estudos similares em outras partes do país, disse que os restos poderiam estar inclusive no campo nevado de Pastoruri, muito visitado por turistas, e que por motivos de mudança climática está perdendo seu volume de gelo. “Agora que a neve está retrocedendo, podem ser observadas com maior clareza, embora ainda seja cedo para afirmá-las“, declarou.

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  1. Terópodes — eram grandes dinossauros bípedes e em sua maioria carnívoros, como o Tiranossauro rex.
  1. Carnossauro — definição criada para dinossauros carnívoros como o Alossauro e o Giganotossauro, dois dos maiores dinossauros conhecidos.
  1. Celurossauro — eram terápodes menores que podiam ter penas e tinham ossos ocos. As aves modernas descendem dos celurossauros, embora fosse mais corretodizer que as aves são os últimos celurossauros vivos

 

Fonte: Revista Veja Online





Descoberta uma fortaleza muçulmana ao sul de Portugal, do século XII

1 09 2011

Exército muçulmano, iluminura encontrada no manuscrito “Estações de Hariri”, de 1237, na Biblioteca Nacional de Paris.

A descoberta de uma fortaleza islâmica do século XII no sul de Portugal traz novos dados sobre o domínio muçulmano na Península Ibérica, especialmente sobre o fundador desta construção, o filósofo sufi Ibn Qasi. Os vestígios descobertos, pertencentes a um tipo de complexo militar e de culto conhecido em árabe como “ribat”, são excepcionais na Península Ibérica pelo número de casas e mesquitas, explicou o arqueólogo da Universidade Nova de Lisboa, Mário Varela Gomes.

O achado desta construção medieval é raro na Península, porque até agora mal se conhecia a de Guardamar del Segura, na província de Alicante (sudeste da Espanha), disse o pesquisador. As escavações do “ribat”, situadas em Aljezur, um pequeno município na província meridional do Algarve, serviram para identificar nove pequenas mesquitas, um minarete e um muro de orações em seus dois hectares de extensão.

No entanto, a descoberta mais relevante corresponde às lápides funerárias, cuja leitura revela novos dados sobre um personagem importante, mas pouco conhecido da ocupação muçulmana na Península Ibérica durante o século XII: o místico Ibn Qasi. Para Varela Gomes, o achado é “muito interessante“, porque mostra uma figura que “fundou as bases de um estado teocrático” no sul de Portugal, Andaluzia, Extremadura, Badajoz e Córdoba.

Fundamentalista do ramo sufi, Ibn Qasi liderou a luta contra os Almorávides (dinastia norte-africana) e iniciou o “ribat” em 1130 como uma pedra angular para travar sua jihad (guerra santa) particular e como um tipo de retiro espiritual. A construção, que formou monges guerreiros que combateram em sucessivas guerras em Al Andalus – a região ibérica dominada pelos muçulmanos – incitava à meditação por seu isolamento e grandeza natural, explicou o pesquisador.

Entre dunas e baixa vegetação, estava encravado à beira de uma fileira de penhascos banhados pelo Oceano Atlântico. No entanto, o projeto de Ibn Qasi ocorreu em 1151 quando foi assassinado. “Era visto como um traidor pelos outros muçulmanos, porque tinha assinado um pacto de não agressão com Afonso Henriques (primeiro rei português e de confissão católica)”, relatou Varela Gomes.

Cerco de Lisboa de 1384, iluminura no manuscrito Crônicas de Jean Froissart, século XIV.

O “ribat”, batizado como “Arrifana”, acabou sendo abandonado definitivamente pouco depois do desaparecimento de seu fundador. A Ibn Qasi, que era também um notável literato, se atribui a autoria de O Descalçar das Sandálias, obra imprescindível para a compreensão da influência xiita no movimento sufi de Al Andalus do século XII.

A espetacular localização deste complexo, onde também foram encontrados relevantes restos de cerâmica, objetos de vidro e armas metálicas, será aproveitada para levantar um centro de interpretação a partir de 2013, antecipou Varela Gomes.

Mapa da península ibérica no século XII.

Artigo de Antonio Torres del Cerro.

Fonte: Terra





Tesouro no fundo do mar, na costa da Indonésia

21 06 2011

Um navio que afundou no século XVI na costa de Indonésia acaba de ser encontrado pela companhia privada portuguesa Arqueonautas Worldwide, especializada em explorar sítios submarinos onde há a possibilidade de serem achadas embarcações comerciais que foram a pique em séculos passados.  O navio,  que submergiu em 1580, era chinês carregado com aproximadamente 700.000 peças de porcelana para exportação, avaliadas em US$70.000.000 – setenta milhões de dólares.  A carga foi encontrada a 150 km da costa.

Foto de uma parte da carga encontrada submersa.

O navio, que afundou em águas de 50 m de profundidade, foi originalmente encontrado por pescadores em 2009.  E o governo da Indonésia procurou as companhias Arqueonautas Worldwide  e RM Discovery Inc. para fazerem a recuperação dessa valiosa carga.  Com autorização do governo, ambas as companhias protegem, agora, o local de saqueadores.  O sucesso dessa operação foi divulgado no início dessa semana, onde foi também anunciado que esta é a maior carga de porcelana da dinastia Ming, do período do imperador Wanli (1572 -1620), já encontrada.

A companhia agora procura investidores para poder começar o resgate das peças no final no verão no hemisfério norte.





Göbekli Tepe: a descoberta do Jardim do Éden?

18 06 2011

 

Göbekli Tepe, Turquia

A minha geração estudou história sob a influência do arqueólogo  V. Gordon Childe, responsável pela teoria da Revolução Neolítica, que explicava que a civilização, como a conhecemos, havia sido consequência da agricultura.  De bandos de nômades havíamos passado a uma vida mais sedentária, reunida à volta de vilarejos e cidades, cultivando trigo, cevada e domesticando animais.  A razão para o aparecimento de aglomerados urbanos era simples: precisávamos tocar quintas, plantações, e garantir comida o ano inteiro.   Os ajuntamentos facilitavam a defesa dos interesses grupais:  garantir que  colheitas não fossem parar em mãos inimigas ou roubadas por bandos famintos, ainda nômades, que cruzavam a terra.

Parte do estabelecimento dos seres humanos em cidades e aldeias justificaria assim o aparecimento da hierarquia de comando, de principados, reinos, de classes sociais dominantes e da religião organizada.  Essa visão antropológica do nosso desenvolvimento era abrangente o suficiente para que não a questionássemos.  Além disso ela explicava muito do que não conseguíamos explicar de outra forma.  Foi só na década de 1990, com as primeiras descobertas arqueológicas em Göbekli Tepe, na Turquia, que evidências de outra possibilidade começaram a surgir.   E vieram tão numerosas e de tantas formas diferentes, que a necessidade de revermos de maneira drástica o que imaginávamos ser o desenvolvimento dos seres humanos no Neolítico se fez necessário.  A revista The National Geographic Magazine deste mês foca nas consequências das descobertas de  Göbekli Tepe:  a organização religiosa dos seres humanos talvez não tenha vindo como consequência da Revolução Neolítica, mas ao contrário:  a  necessidade de uma religião organizada pode ter dado origem à agricultura.



Stonehenge, Inglaterra

É uma reviravolta inesperada e fascinante.

Até evidência em contrário, o aparecimento da religião organizada entre os homens aconteceu na Turquia, em Göbekli Tepe, mais ou menos há 11.000 anos atrás.  As fundações desse templo religioso no topo de uma montanha, a 15 km de Şanlıurfa, no Sudeste da Turquia, são incontestáveis.  Haveria outros templos mais antigos?  Não sabemos.  Por ora, a civilização começou aí.  Göbekli Tepe é um templo extraordinário.  Ou melhor, uma série de templos dos quais muito pouco está escavado.   Inicialmente havia sido comparado a Stonehenge, na Inglaterra, por causa de seu desenho quase circular de pedras variadas.  Mas a semelhança com o sítio na Inglaterra para na forma circular.  Göbekli Tepe  foi construído muitos milênios antes de Stonehenge [que foi construído por volta de 2.500 anos aC, ou seja há 4.500 atrás].  Além disso, o complexo arqueológico turco é mais sofisticado.  Suas pedras gigantescas são cortadas com precisão e apresentam baixo-relevos de animais variados:  cobras, raposas, escorpiões, javalis e bandos de gazelas.  Construído uns há 11.600 anos, e 7.000 anos antes das pirâmides do Egito,  Göbekli Tepe  prima por maior sofisticação na construção do que se imaginava para a época, quando comparamos este a outros sítios posteriores.  Hoje, é considerado o primeiro grande monumento arquitetônico da humanidade.

Ilustração de bandos de nômades, como seriam os homens do neolítico.

Como então Göbekli Tepe se encaixa na chamada Revolução do Neolítico, proposta por Childe?  Não se encaixa.   Aquela época importante quando a agricultura tomou conta da nossa vida no planeta, aqueles milênios em que as culturas nômades dedicadas à caça e pesca passaram a plantar e cultivar os animais, não parece se refletir no primeiro grande templo da humanidade.  E isso é só uma das partes desse quebra-cabeças.

Mas o que foi achado em Göbekli Tepe para nos fazer questionar o que parecia certo e lógico?  Localizado na maior colina em toda área, por quilômetros e quilômetros, esse templo consiste de 20 câmaras no subsolo que têm um grande número de pedras de calcário em forma de T.  Muitas dessas pedras e pilares foram decorados com o desenho de animais do campo, em relevo, cinzelados.  As pilastras estão organizadas em círculos de pedras, — quatro foram escavados até agora.  Cada círculo tem não mais do que 30 m de diâmetro.  As pedras que os formam são de aproximadamente 6 metros de altura, pesando entre 12 a 18 toneladas.

Göbekli Tepe, Pedra do sol  [nome dado pelos arqueólogos para distinguí-la de outras pedras].

No entanto, não há vestígios de habitação permanente de seres humanos no local.  Nem mesmo rastros deixados por acampamentos de longa duração, já que nessa época não existiam ainda vilarejos, nem cidades, nem aglomerados humanos de maior complexidade.  Os seres humanos eram nômades, sobrevivendo da caça e pesca e de colheita de frutos da natureza.  Então como construir um monumento desse porte, se era preciso um grande número de pessoas, organizadas, que  exercessem diferentes tarefas?    As pedras da construção de Göbekli Tepe  são encaixadas precisamente, têm formas específicas e eram transportadas de longe, para este local pesando em média 15-16 toneladas cada.  Só isso exigiria uma organização muito mais complexa do que creditamos nossos antepassados de poderem ter exercido, porque tudo isso foi feito numa época em que os seres humanos não conheciam a escrita, o metal, a cerâmica ou a roda.

O que causaria esse grande esforço para se construir um templo, num lugar de tão difícil acesso?  O que havia levado esses povos a construir algo tão ambicioso?  E mais estranho ainda:  a enterrá-lo propositadamente depois de algum tempo e abrir um outro  templo circular um pouco mais adiante, e ao fim de um determinado tempo, enterrá-lo e assim por diante?  Acredita-se haver uns 20 a 40 templos circulares em volta de Göbekli Tepe.   Como o arqueólogo responsável Klaus Schmidt do Instituto de Arqueologia da Alemanha imagina: “bandos de caçadores teriam se juntado no local esporadicamente, através das décadas de construção, vivendo em tendas feitas de peles de animais e caçando os animais locais para alimento”.

Göbekli Tepe, vista de cima.

Os pilares, as colunas de pedra, foram colocados em círculos, num desenho comum a todos.  São pedras de calcário, como grandes colunas, ou grandes Ts.  No meio de cada círculo dois pilares.  As pedras podem ou não ser decoradas com animais estilizados, grande parte deles animais perigosos:  escorpiões armados para o ataque,  javalis agressivos,  leões ferozes.   Não se sabe ainda a razão, mas após uma ou duas décadas, essas construções eram regularmente enterradas, com todos os pilares sob terra, e novos círculos eram construídos dentro do círculo que foi enterrado, com novas pedras.  Às vezes até um terceiro círculo era organizado.   Aí então o grupo todo era enterrado, e um novo círculo, mais adiante era construído.  O local foi construído e reconstruído com círculos de pedras por séculos e séculos.  E ainda mais intrigante: a medida que os séculos passavam as construções  ficaram cada vez piores.  As pedras menos decoradas, com corte mais rústico, e tudo organizado de uma maneira menos cuidadosa.  Ao longo dos séculos o povo que construiu esses templos se tornou cada vez menos apto a fazê-lo.  Os esforços de construção pararam finalmente por volta do ano 8.200 aC.

Göbekli Tepe

Porque nenhuma habitação foi encontrada, o templo parece ter sido construído com um único objetivo: um centro cerimonial.  Os ossos achados nos canteiros arqueológicos, que mostram o que era consumido durante a construção desses círculos, são ossos de gazelas e outros animais caçados muito longe dali e mandados para o local para servirem de alimento.  Não havia nenhuma fonte de água natural no lugar.  Evidentemente havia necessidade de uma boa organização para que essa construção fosse feita e, no entanto, não foram achados ainda quaisquer vestígios de alguma estrutura social com mandantes e mandados.  Quem organizava essas centenas de pessoas necessárias para cinzelar, erguer e arranjar as pedras necessárias?  Klaus Schmidt lembra de maneira bastante enfática o que é tão intrigante:  “Descobrir que povos de caçadores, pescadores e apanhadores de frutos foram capazes de construir Göbekli Tepe  é como descobrir que alguém havia construído um avião 747 com um estilete”.  E no entanto, lá está, o templo fora do contexto temporal a que lhe atribuímos.

Câmara em Göbekli Tepe.

Mesmo que V. Gordon Childe tivesse sido abrangente demais nas suas teorias sobre a Revolução Neolítica, é preciso não descartarmos  o fato de que foi a agricultura que nos permitiu viver agrupados em  aglomerados, aldeias, cidades, reinos.  Com a agricultura também conseguimos prolongar as nossas vidas e chegar a um grande crescimento populacional.  E  poder plantar para colher não é um passo pequeno de desenvolvimento.  Mesmo que os homens neolíticos conseguissem proteger um pedacinho de terra em que o trigo ou cevada selvagens estivessem crescendo, suas sementes quando maduras se comportavam de maneira diferente das sementes dos grãos domesticados.  Isso só foi conseguido milhares de anos  mais tarde.  Os grãos das espécies selvagens se soltam da planta e caem no chão tornando uma tarefa quase impossível coletá-los no ponto preciso de amadurecimento.   Em termos de genética, a verdadeira agricultura de grãos só se deu quando uma área bastante grande de terreno pode ser dedicada ao cultivo de plantas que já haviam sofrido alguma mutação, deixando que os grãos maduros permanecessem nas plantas para a colheita.

Agricultura demanda organização, perseverança, disciplina e estratégias de longo prazo com relação ao retorno sobre o investimento do trabalho.  Como é um passo complexo aconteceu através de milhares de anos, quando povos nômades co-existiram com os sedentários.  Para que se tenha sucesso na agricultura  é necessário defender o investimento  contra a invasão territorial de animais e de outros seres humanos.  O trabalho se torna cooperativo e relativamente complexo, envolvendo um grupo social que exige uma estratificação, uma hierarquia social. Era muito maior o trabalho envolvido no cultivo de qualquer grão e na domesticação de animais  do que simplesmente colher, caçar e pescar.  No entanto, o sedentarismo prevaleceu.  Mas por que?  As vantagens são: pode-se plantar mais do que se consome; pode-se estocar comida para o período de inverno; pode-se trocar o excedente de um alimento de um grupo pelo excedente de alimentos de um outro grupo.   Mais pessoas comem.  O grupo, permanecendo num único lugar pode viver de maneira mais confortável, sem ter que carregar tudo o que lhe pertence.  Pode ter abrigo permanente contra as intempéries climáticas.

Mas nem tudo são flores.  Quando se fez a troca de uma vida de caça, pesca e colheita para uma agrícola, sedentária, o esqueleto humano mudou.   Temporariamente os homens ficaram menores, porque a dieta a que eles estavam acostumados, rica em proteína, também mudou.  Além do que, os animais domesticados também tiveram mudanças radicais sendo menos musculosos, oferecendo menos carne a ser degustada.  Mas, mesmo assim, insistiu-se na agricultura.  Por que?  É uma daquelas perguntas que ainda não pode ser bem respondida.  Há muitas teorias, entre elas a da extinção de animais selvagens pela caça generalizada, pressões populacionais…

Sabemos que a agricultura começou no que chamamos de Crescente Fértil: uma região  de clima temperado, do Oriente Médio irrigada pelos rios Jordão, Eufrates, Tigre e Nilo.  Uma área muito fértil, que é o lugar de nascença da história, da nossa história, da história da humanidade.   Foi aí que mais ou menos a 14.000 anos aC  os homens começavam a ter algum controle sobre a natureza, antes mesmo de conseguirem plantar para comer, antes mesmo de terem domínio sobre plantas e a domesticação de animais.   Foi aí que o mundo despertou.  Dá-se o nome de Crescente Fértil porque essa área, em que diversos povos chegam à agricultura, se desenhada sobre um mapa do mundo, formaria um arco, um crescente, sobre os atuais países: Egito, Israel, Cisjordânia, Líbano, partes da Jordânia, da Síria, do Iraque, da Turquia e do Irã.  É daí, nessa região, nas colinas suaves de Anatolia, que nasce a agricultura e consequentemente a civilização.  A uns poucos passos  de Göbekli Tepe. 

Localização de Göbekli Tepe, na região mais ao norte do Crescente Fértil.

É a proximidade entre o templo de Göbekli Tepe com primeiro cultivo proposital da agricultura que deixa alada a imaginação dos historiadores.  O que fez a população de Göbekli Tepe se organizar para construir um templo antes de mesmo de se organizar para a agricultura?  Obviamente havia uma necessidade emocional, interna, uma necessidade comum aos homens, de reverenciar um deus ou muitos, de idolatrar as forças que os governavam, para cultuar os favores: da caça e pesca abundantes, do renascimento constante de frutos e folhas.  Com a consciência de sua insignificância, de sua pequenez frente à natureza que os dominava, instalou-se  a precisão de um culto, dedicado a um ou mais seres, algo que aliviasse a angústia da incerteza da vida.

Área onde foram encontradas aldeias natufianas, desaparecidas por volta de 10.000 aC.

Antropólogos há muito assumem que a religião organizada surgiu como maneira de resolver problemas entre grupos à proporção que os nômades tiveram que conviver com outros grupos, quando todos se tornavam vizinhos sedentários, usufruindo das mesmas fontes de água limpa, de campos adjacentes, transformados em pequenos fazendeiros, responsáveis pela alimentação de seu grupo tribal.   Vilarejos surgiram, imaginava-se, da necessidade de estruturar as ações comuns que melhoravam a vida do individuo: enterro dos mortos;  abrigo à prova de animais para os membros do grupo,  o uso de plantas medicinais, e assim por diante.  E assumiu-se que só quando um uma visão de ordem celestial comum a um grande grupo apareceu, aí sim, vieram os templos, nas aldeias e nos vilarejos, um sistema religioso capaz de unir esses novos grupos.  Mesmo assim, já havia alguns indícios, raros é verdade, de que talvez essa ordem não estivesse correta: há resquícios de aldeias  datando de 13.000 anos aC , chamadas de Aldeias Natufianas [do período neolítico] que surgiram no Oriente médio, particularmente nas áreas que hoje cobrem os estados de Israel e Palestina,  Líbano, Jordão e oeste da Síria.  Os habitantes dessas aldeias, que viviam em lugar permanente, não eram agricultores, eram colhedores de sementes, de trigo, cevada e centeio, assim como caçadores de gazelas.  Como o professor Ofer Bar-Yosef,  da Universidade de Harvard apontou, a descoberta dessas aldeias foi “um grande sinal  de aviso que deveríamos mudar nossas idéias”. Mas essas aldeias neolíticas começaram a desaparecer por volta de 10.200 aC, quando houve uma pequena idade do gelo, com a queda da temperatura local por mais ou menos 11º centígrados.  As aldeias Natufianas certamente sugerem que a organização em aldeias veio anterior à agricultura.

Beidha, aldeia netufiana, no sul do Jordão, perto de Petra.

À medida que Karl Schmidt organiza e reflete sobre suas escavações em Göbekli Tepe também imagina as causas do aparecimento da agricultura antes mesmo da residência sedentária dos povos nômades. Talvez o templo tivesse sido construído por tribos das áreas ao entorno, num raio de 150 km, que tiveram como objetivo se agruparem, trazerem presentes e dádivas aos deuses, ou a um sacerdote. Certamente haveria alguma ordem social, que nos escapa hoje, que seria responsável pela construção do local e também pela organização dos fiéis. Haveria rituais, cantos, tambores, festas. E com o passar do tempo, da própria necessidade de alimentar os visitantes, agrupados ali para as cerimônias, houvesse aparecido a necessidade de garantir uma certa quantidade de comida. Teria nascido dessa maneira a agricultura nesse canto da Anatolia, sul da Turquia, com o cultivo mais intenso dos melhores grãos? Além das primeiras evidências de domesticação de plantas virem de Nevalı Çori, a 30 km de Göbekli Tepe, há muitos outros indícios deste início de tentaivas agrícolas, na mesma região. Os porcos domesticados pelo homem primeiro aparecem em Cayounu, a 100 km de Göbekli Tepe; gado bovino, caprino e ovino foram domesticados pela primeira vez no leste da Turquia. Todas as sementes de trigo existentes hoje no mundo inteiro são descendentes do einkorn kernel [Triticum boeoticum] cuja evidencia de DNA sugere ter sido domesticado próximo a Karaca Dağ , no sudeste da Turquia.

A visão que temos hoje da região é muito diferente daquela de então. O deserto do Curdistão era, naquela época, um lugar fértil, coberto de vegetação. Os relevos de todo tipo de animal nas pedras no templo atestam sobre esta abundância. Tudo indica que foi o homem, justamente através da agricultura do período neolítico que levou à desertificação: árvores derrubadas, o solo escorrendo com as chuvas, a terra exposta, sem plantio. Tudo o que mantinha verde esse grande oásis à beira de uma região de equilíbrio delicado, foi modificado e acabou sendo devastado. Teria sido esta a primeira grande perda ecológica que tivemos?

O Jardim do Éden, 1612

Jan Brueghel ( Holanda, 1568-1625)

óleo sobre placa de cobre,  50 x 80 cm

Galeria Doria-Pamphili,  Roma

São os contrastes entre esta visão paradisíaca da região — quando Göbekli Tepe foi construído, época em que grupos nômades se saciavam com o que apanhavam na natureza —  e a introdução da agricultura na área, com a devastação do meio ambiente em seguida, que têm levado alguns historiadores a se perguntarem se não seria justamente sobre esses eventos, a descrição da Expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden no Paraíso e sua subseqüente punição: serem obrigados a colher o fruto de seu trabalho, como descrito no primeiro livro do Gênese da Bíblia.  Adão, o caçador, foi levada a arar o solo de onde havia vindo.

Adão e Eva depois da Queda, 1818

Johann Anton Ramboux (Alemanha, 1790-1866)

óleo sobre tela,  115 x 139 cm

Museu Wallraf-Richatz,  Colônia

Que muitos dos relatos bíblicos vez por outra parecem ser comprovados, é fato.    Uma das publicações mais populares  de meados do século passado, que comparava  textos bíblicos às descobertas arqueológicas é o clássico E a Bíblia tinha razão, de 1955, do escritor alemão Werner Keller, um grande best-seller universal.  Muitos outros estudos desde então já apontaram diversas vezes para a área do Curdistão na Turquia como a provável localização do Éden: a oeste da Assíria, exatamente onde se encontra Göbekli Tepe.  Além disso, o Jardim do Éden bíblico está situado entre quatro rios incluindo o Tigre e o Eufrates.  Tom Knox, autor do romance de suspense The Genesis Secret, [Harper Collins: 2009] aponta para seus leitores  outros detalhes interessantes, entre eles, textos sírios, escritos na antiguidade, onde há a menção da Casa do Éden [Beth Eden], como um reino pequenino,  localizado a 75 km de  Göbekli Tepe. Outras referências  sobre a localização de um possível lugar chamado Éden [que na língua da Suméria significa “planalto” ] auxilia na localização do paraíso justamente no planalto de  Haran.

Angelus, 1857-59

Jean- François Millet (França, 1814-1875)

Óleo sobre tela, 55x 66 cm

Musee d’Orsay, Paris

Quando juntamos essas referências,  vem a vontade de dizer que as construções encontradas no sítio arqueológico de Göbekli Tepe, poderiam apontar para um templo localizado dentro do Jardim do Éden.    Mas ainda é muita especulação.  No entanto o que sabemos é que o local foi considerado santo há muitos e muitos milênios.  Inspirou o ser humano à introspecção, ao sagrado, à aceitação do divino em suas vidas.  Templo foi, sem dúvida.  Por si só expressa a necessidade humana de ir ao encontro de um poder maior,  de reconhecer suas próprias limitações e de apelar aos poderes que têm controle sobre nós.  Göbekli Tepe mostra que a necessidade de se agradecer dádivas, de se admitir o que é santo, de se confirmar em grupo a união com o Criador é inerente ao homem e como tal mais antiga do que imaginávamos.  Parece apontar, de fato, para o local do nascimento da religião.

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Esta postagem foi um sumário das idéias demonstradas nos seguintes artigos:

The Birth of Religion, de Charles C. Mann,  The National Geographic Magazine

Göbekli Tepe, em  Ancient Wisdom

Do these mysterious stones mark the site of the Garden of Eden? de Tom Knox,  The Daily Mail

E auxílio dos seguintes blogs: Hubpages; Essay Web; Hubpages (2);  Paleo Playbook, Mr.Guerriero






Seis tumbas abertas ao turismo em Gizé, no Egito

24 05 2011

 

Foto: Associated Press.

No Egito, esta semana, Zagi Hawass, ministro para assuntos arqueológicos, abriu para visitações o Cemitério do Estado Moderno, em Gizé. Um dos destaques é a tumba de Pay, guardião do harém do faraó Tutancâmon.  Estas tumbas, que até agora não estavam abertas ao público, poderão de agora em diante dar uma melhor idéia ainda de como era a vida, milhares de anos atrás. 

Ao todo são seis tumbas à disposição do visitante.  Entre elas estão a de Maya, ministro das finanças do faraó e sua esposa Merit e a de Horemheb, comandante do exército egípcio durante o reinado de Tutancâmon, que mais tarde subiu ao trono.   “Maya e Horemb foram homens de grande importância política numa das épocas mais conturbadas do período Amarna”, descreve assim o informe distribuído à imprense pelo Supremo Conselho de Antiguidades do Egito,  “nessa época, o faraó Akenaton fechou os mais importantes templos de Luxor e mudou a capital para um local no meio do deserto, chamado Tell el-Amarna.”  A capital do reino só voltou para Luxor, depois da morte de Akenaton, quando seu filho, Rei Tutancâmon,  decidiu por ordem no reino, abandonar Tell el-Amarna e levar de volta a capital para sua antiga morada, Luxor.  Para conseguir fazer essas mudanças, Tutancâmon precisou de apoio e dos conselhos de duas pessoas cujas tumbas foram postas à visitação: de seu general Horemheb e do tesoureiro do reino, Maya.

Foto: Associated Press

A importância de Maya e por extensão sua esposa Merit pode ser avaliada quando vemos suas efígies no pátio desse cemitério.  Maya, como tesoureiro de Tutancâmon, foi uma figura importantíssima para a reconstrução do Egito depois do período de Amarna.  Ele ajudou o rei a reabrir os templos em Luxor e a construir novos templos e altares to Amon, tudo para mostrar como Tutancâmon estava dedicado a restaurar a ordem no país.  Maya se dedicou a estabelecer ordem dentro do país, enquanto que Horemheb trabalhou em estabelecer a ordem fora das fronteiras egípcias.  Ainda que a tumba de Maya nunca tenho sido acabada, o visitante pode ver a coluna de terracota com relevos, com Maya e Merit recebendo oferendas. 

Foto: Associated Press.

Outras tumbas que foram abertas para o publico nesse mesmo complexo incluem:

Merneith –  organizador e escrivão do templo de Aten, durante o reino de Akenaton.  Mais tarde foi alto sacerdote de Aten e do Templo de Neith;  Sua eumba foi construída com tijolos de terracota recobertos por blocos de calcário.  Nos fundos da tumba há três capelas para oferendas.  A capela central tem uma cena de ferreiros trabalhando e tem também as bases de duas pequenas colunas, onde provavelmente se apoiava uma pequena pirâmide de terracota.  

Ptahemwia – conhecido como o “Mordomo Real, o que tem mãos limpas”, que serviu tanto a Kenaton como a Tutancâmon.  Ele foi o responsável por trazer a comida e as bebidas ao rei.  Sua tumba, que tem a inscrição “Amado pelo Rei”, também é de tijolos de tarracota recobertos como blocos de calcário e tem três capelas. . 

Tia – teve um alto posto no reinados de Ramsés II, além de ser o supervisor do tesouro.  Casou-se som uma das irmãs de Ramsés, também chamada de Tia.  Sua tumba também foi usada com um templo mortuário para Osíris e tem representações de Tia e sua esposa fazendo peregrinação  a Abidos, o centro do culto a Osiris.

Pay e seu filho Raia – Pay era o guardião do harém de Tutancâmon.  Sua tumba tinha uma capela inicial dando para um pátio com colunas que por sua vez tinham três capelas para oferendas.  O filho de Pay, Raia, começou sua carreira como soldado, mas assumiu o posto de seu pai depois que este morreu.  Raia adicionou pátio e duas estelas; renovou a tumba antes de morrer e lá ser enterrado.  As estelas foram levadas para Berlim quando o egiptólogo Karl Richard Lepsius as descobriu em 1928.

Foto: Associated Press

Ao longo do processo de excavação 56  ataúdes da era do Novo Reinado doram encontrados, a maioria dos quais de crianças. 

Na abertura dessas tumbas ao public Zagi Hawass lembrou que o projeto de restauração incluía renovação detalhada e trabalho de arquitetura além da volta para o local de artefatos que no momento não se encontram lá.  Os tetos e as paredes de todas as tumbas foram recobertos com plexiglass para proteger do grande número de turistas esperado nas visitas, as cores e os desenhos em relevo, principalmente aqueles que adornam as tumbas de Maya e Tia.  Além disso, portas de madeira e de metal foram instaladas para proteger as tumbas, e caminhos pavimentados com pedras foram feitos para facilitar o acesso.

O complexo funerário fica a 30 km ao sul de Cairo e abriga também as tumbas dos nobres Merineiz e Ptahemuia, que viveram durante o reinado de Aketanon (de 1.361 a.C a 1.352 a.C).  Algumas dessas tumbas foram descobertas em 1843 pelo explorador alemão Richard Lepsiu, mas não foram completamente excavadas até 1975, quando uma missão anglo-holandesa recomeçou as excavações.  Hoje um grupo de arqueólogos holandeses da universidade de Leiden excava o sítio arqueológico e também tem restaurado as tumbas.

Fontes: Almasriyalyoum e Scrollpost





Banhos Romanos descobertos em Israel datam do século II

10 02 2011
  Banhos romanos em Jerusalem.

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No final de 2010  uma descoberta importante tanto para os estudos judaicos quanto para os estudos da Roma antiga, quase passa desapercebido por mim.  E me apresso em postar a notícia:   arqueólogos israelenses escavando na velha Jerusalém para deixar espaço para a construção de um moderno Mikbe (banho ritual judaico), descobriram uma casa de banhos romana construída há mais de  1.800 anos e que foi  provavelmente utilizada por soldados da Décima Legião, a mesma legião  que conquistou  Jerusalém no século II a.C.

Centenas de telhas de barro foram encontradas no chão da piscina, indicando que esta  era uma estrutura coberta.  As telhas, tijolos e azulejos da casa de banho tinham impressos o símbolo da Décima Legião Fretensis  ” XFR-LEG “, o que revela serem da cidade  Colonia Aelia Capitolina,  mais conhecida como Aelia Capitolina —  cidade construída pelo Imperador Adriano, sobre as ruínas de Jerusalém, entre  131-135 dC, como resultado da conquista sobre a  revolta judia de Bar Kokhbano que fracassou culminando na destruição do Segundo Templo em 70 dC.

A marca dos soldados da Décima Legião, na forma das impressões estampadas sobre as telhas e tijolos de barro nesse  local, demonstra que eles foram os construtores dessa  estrutura“, disse Ofer Sion, diretor da excavação.  “Durante a escavação encontramos várias banheiras dentro de uma piscina, com um encanamento lateral para encher com água, no fundo da piscina há um chão de mosaico branco e azulejos que também apresentam símbolos impressos da Décima Legião romana“.    Um destacamento da Décima Legião era responsável por guardar a cidade romana dos judeus que haviam sido proibidos de morar lá.   Esses legionários asseguravam que a Aelia Capitolina não tivesse nenhum judeu residente. 

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Localização no mapa da  velha Jerusalem.
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A descoberta  é muito importante, ressalta no comunicado o professor Yuval Baruch, da AAI, porque “ainda não se tinha encontrado no bairro judaico (da Cidade Antiga) nada que pertencesse à legião romana, o que tinha levado à conclusão que a cidade fundada na época romana após a destruição de Jerusalém, era pequena e com uma área limitada“.   Essas  ruínas indicam que a cidade romana “era consideravelmente maior do que se tinha imaginado previamente“.    Sabe-se que o plano urbano da cidade era  típico romano, com uma avenida central [ Cardo maximus] e outras  grandes avenidas transversais.

As ruínas dos antigos banhos romanos serão integradas à nova construção do  Mikbe, banho ritual judaico,  que será construído no bairro judeu.  

Fontes:  Terra, IMEMCApostolic News.





Descoberta uma nova e diferente tumba egípcia de 4500 a.C.

19 10 2010
Foto: EPA/SUPREME COUNCIL OF ANTIQUITIES

Arqueólogos anunciaram, no dia 18 de outubro, a descoberta de uma tumba com mais de 4.500 anos de um líder religioso da corte do faraó Quefren. O local fica ao sul da necrópole dos construtores das pirâmides, no Cairo, Egito.  Segundo o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Zahi Hawass, esta é a primeira tumba encontrada na região do platô de Gizé onde as três famosas pirâmides do Egito se encontram.  A tumba data da V dinastia, 2465-2323 a.C., e pertencia a Rudj-ka, o sacerdote que liderava o culto mortuário do faraó Quefren – o faraó responsável pela construção da segunda maior pirâmide de Gizé.  

Foto: Agência EFE

Quefren morreu por volta de 2494 a.C.,  mas o culto religioso dos faraós às vezes se prolongava após suas mortes, de acordo com o arqueólogo e egiptólogo Hawass.  Essa descoberta se difere das feitas até hoje por seu desenho arquitetônico. As paredes dessa tumba eram decoradas com relevos pintados mostrando Rudj-ka e sua esposa em frente a oferendas e em cenas da vida diária.  Autoridades egípcias acreditam que a tumba possa fazer parte de uma grande e desconhecida necrópole em Gizé.

Fontes: Terra e Artdaily