Ilustração anônima: mãe e filhos, 1900 do livro de histórias de Peter Pan.
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Meus filhos! … Minha alegria!
Dentro da minha pobreza,
nunca pensei ter um dia
tão opulenta riqueza!
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(Lilinha Fernandes)
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Meus filhos! … Minha alegria!
Dentro da minha pobreza,
nunca pensei ter um dia
tão opulenta riqueza!
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(Lilinha Fernandes)
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Parece coisa do mundo dos Jetsons, mas poderemos ter nossas ruas iluminadas no futuro por árvores artificiais que iluminariam as ruas da cidade com potentes lâmpadas LED abastecidas com energia limpa produzida pelas células solares cobrindo seus troncos. Achou muito fantasioso? Pois assim é a Árvore de Luz, uma criação do designer Omar Ivan Huerta Cardoso que promete unir meio ambiente, eficiência energética e fontes alternativas em um único produto.
Apesar de soar complicada, a criação não tem muitos segredos. A estrutura em formato de árvore é coberta com células solares que geram energia ao longo do dia e a transmite às lâmpadas LED durante a noite.
Mas não pense que tudo é artificial nesse projeto. Para dar um clima mais natural à árvore, o designer reservou as extremidades do protótipo para plantar árvores reais. Assim, a luz solar que sai das LEDs reflete nas folhas e cria o efeito da foto. Se essas plantinhas são suficientes para deixar o projeto mais “natural”, não dá para garantir. Ao menos seria uma alternativa mais sustentável aos postes de elétricos atuais.
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FONTE: Terra
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Um grupo de paleontólogos americanos descobriu um ancestral dos dinossauros que habitou a Terra 10 milhões de anos antes que o mais antigo dos répteis gigantes. O Asilisaurus kongwe, uma criatura quadrúpede do tamanho de um cachorro, que é tão próxima do dinossauro quanto os chimpanzés são do homem, foi descoberto na Tanzânia, leste da África.
O resultado dos estudos a respeito desses antepassados dos dinossauros que datam de 245 milhões de anos atrás foi publicado na última edição da revista científica Nature. “Essa nova evidência sugere que (os dinossauros) foram realmente apenas um dos diversos grandes e distintos grupos de animais que explodiram em diversidade durante o período Triássico“, disse Sterling Nesbitt, pesquisador da Universidade do Texas e líder do estudo.
Randall Irmis, membro do Museu de História Natural de Utah, nos Estados Unidos, que também participou da pesquisa, disse que essa criatura era “o parente mais próximo dos dinossauros. Eles estão para os dinossauros como os chimpanzés estão para os humanos – como primos”. O pesquisador revelou também que o animal não era o que os paleontólogos esperavam. “Era uma pequena e estranha criatura. Nós sempre pensamos que os mais antigos parentes (dos dinossauros) fossem animais pequenos, bípedes e carnívoros. Esses animais andavam sobre quatro patas e tinham bicos e dentes de herbívoros“.
Os paleontólogos encontraram fósseis de pelo menos 14 ossadas no sul da Tanzânia, o que possibilitou a reconstituição quase completa de um esqueleto do Asilisaurus kongwe. Esses animais tinham entre 45 e 90 centímetros de altura, de 0,9 a 3 metros de comprimento e pesavam de 10 a 30 quilos. Os estudos sobre o espécime indicam que esses primos dos dinossauros entraram em extinção 45 milhões de anos depois do seu surgimento. Os dinossauros, porém, foram mais bem sucedidos, pois habitaram o planeta Terra por 165 milhões de anos.
O paleontologista do Museu de História Natural de Londres Paul Barrett explicou que essa criatura “foi como um experimento mal-sucedido de como criar um dinossauro“. Segundo ele, a descoberta proporciona aos cientistas uma importante informação sobre a evolução dos dinossauros. “Essas criaturas compartilharam muitas características com os dinossauros”, disse. “Eles nos mostram um estágio intermediário entre os répteis mais primitivos e os dinossauros mais específicos“.
FONTE: Terra
Olhando pela porta, 2007
[da série Café Society]
Elizabeth Gordon Werner ( Nova Zelândia, contemporânea)
Aquarela sobre papel 35 x 27 cm
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Elizabeth Gordon Werner reside na cidade de Dunedin, na Nova Zelândia e pinta em quase todos os gêneros, paisagem, retratos, naturezas mortas. É primeiramente uma pintora de aquarelas sobre papel ou sobre tela. Recentemente começou a expandir sua técnica para outros métodos de pintura. Prefere pintar in loco, raramente utilizando um estúdio. Morou por muitos anos na Europa e também na Austrália. A série de aquarelas de cafés e bares, a que deu o nome de Café Society, foi pintada em Newtown, Sidney, onde a pintora residu em 2007.
Do sucesso na subida
nunca te orgulhes demais
muito difícil na vida
é conservar o cartaz.
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(Gilka Machado)
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Você enfrenta dificuldades para distinguir bem o que as pessoas dizem em festas? Tente estudar piano antes de sair de casa. Músicos – de cantores de karaokê a violoncelistas profissionais- são mais capazes de ouvir sons direcionados em um ambiente ruidoso, de acordo com novas pesquisas que reforçam as indicações de que a música faz com que o cérebro funcione melhor.
“Nos últimos 10 anos, houve uma explosão de pesquisas sobre a maneira pela qual a música funciona no cérebro“, disse Aniruddh Patel, titular da cátedra Esther Burnham de pesquisa no Instituto de Neurociências de San Diego. Mais recentemente, estudos de ressonância magnética em cérebros demonstraram que a música ativa muitas partes diferentes do cérebro, e isso inclui uma sobreposição nas áreas em que o cérebro processa música e linguagem.
A linguagem é um aspecto natural a considerar no estudo de como a música afeta o cérebro, de acordo com Patel. Como a música, a linguagem “é universal, existe nela um forte componente de aprendizado, e ela tem a capacidade de transmitir significados complexos“.
Por exemplo, os cérebros de pessoas expostas a treinamento musical, mesmo que casual, têm uma capacidade ampliada de gerar os padrões de ondas cerebrais em gerais associados a sons específicos, sejam eles musicais ou falados, disse Nina Kraus, diretora científica do estudo e do Laboratório de Neurociência Auditiva da Universidade Northwestern, no Illinois.
As pesquisas anteriores de Kraus haviam demonstrado que, quando uma pessoa ouve um som, a onda cerebral gravada na mente em resposta é fisicamente idêntica à onda sonora original. De fato, “tocar” a onda cerebral produz um som quase idêntico.
Mas para as pessoas desprovidas de um ouvido musical treinado, a capacidade de produzir esses padrões decresce à medida que se intensifica o ruído de fundo, de acordo com diversas experiências. Os músicos, em contraste, treinaram suas mentes, inconscientemente, a reconhecer melhor os padrões sonoros seletivos, mesmo que o som de fundo seja mais intenso.
O efeito geral é semelhante ao de uma pessoa que esteja aprendendo a dirigir um carro dotado de câmbio manual, disse Kraus. “Quando você começa a aprender a dirigir, precisa pensar sobre a alavanca de câmbio, a ação da embreagem, todas as diferentes partes envolvidas“, ela disse à National Geographic News. “Mas depois que você aprende, seu corpo sabe dirigir quase automaticamente“.
Ao mesmo tempo, as pessoas que sofrem de certos distúrbios de desenvolvimento, a exemplo da dislexia, enfrentam maior dificuldade para distinguir sons em meio ao ruído – o que constitui sério problema, por exemplo, para estudantes que se esforçam por ouvir o professor em uma sala de aula lotada.
A experiência musical poderia, com isso, se tornar uma terapia crucial para crianças portadoras de dislexia e de distúrbios associados à linguagem semelhantes, disse Kraus na reunião 2010 da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência, hoje.
Seguindo percurso semelhante, Gottfried Schlaug, neurocientista na escola de medicina da Universidade Harvard, constatou que pacientes de derrames que perderam a capacidade de falar podem ser treinados para pronunciar centenas de frases se aprenderem primeiro a cantá-las.
Em trabalho de pesquisa apresentado na mesma reunião, Schlaug demonstrou os resultados de terapia musical intensiva em pacientes com lesões no lobo esquerdo do cérebro, a área associada à linguagem.
Antes que iniciarem a terapia, esses pacientes de derrame respondiam a perguntas com frases e sons em larga medida incoerentes. Mas depois de apenas alguns minutos de trabalho com os terapeutas, eles conseguiam cantar “Parabéns a Você”, recitar seus endereços e comunicar que estavam sentindo sede.
“Os sistemas subdesenvolvidos que respondem à música do lado direito do cérebro ganharam força e mudaram de estrutura“, disse Schlaug. O índice de sucesso variava de acordo com a data do derrame e a severidade dos danos causados, ele informou. Mas diversos dos pacientes conseguiram por fim ensinar a si mesmos novas palavras e frases, ao transformá-las em canções, e alguns poucos deles conseguiram ir além das frases simples e fazer pronunciamentos curtos.
Em termos gerais, Schlaug disse que as experiências demonstram que “a música pode ser uma mídia alternativa para ativar partes do cérebro que de outra forma ficam inativas“. Kraus, da Northwestern, concorda. Ela acrescentou que o estudo de música, não importa que idade tenha a pessoa, deveria ser universalmente encorajado, porque pode desempenhar papel chave na educação, em terapias clínicas e até mesmo em medidas protetoras para manter a mente aguçada quando uma pessoa envelhece. “Além disso“, ela afirmou, “estudar música é em si inerentemente maravilhoso“.
Fonte: TERRA
Tradução: Paulo Migliacci ME
Ilustração, Walt Disney.—
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Se o seu cérebro fosse uma conta de e-mail, o sono – e, mais especificamente, os cochilos – seriam o equivalente a limpar a caixa de entrada. É essa a conclusão de um novo estudo que pode explicar por que as pessoas dedicam tanto do tempo que passam dormindo a um estado pré-sonho conhecido como estágio 2, de sono sem movimento rápido dos olhos (REM).
Há anos os estudos sobre o sono ofereciam indicações de que uma soneca poderia melhorar a capacidade humana de armazenar e consolidar memórias, o que reforça a ideia de que uma boa noite de sono – e cochilos ocasionais – ajuda bem mais a aprender do que virar a madrugada estudando.
Agora, os cientistas podem ter descoberto, ainda que apenas parcialmente, como isso acontece. Durante o sono, informações que ficam abrigadas no setor de armazenagem curta do hipocampo – a parte do cérebro responsável pela memória – migram para o banco de dados de prazo mais longo localizado no córtex.
Essa ação não só ajuda o cérebro a processar novas informações como libera espaço para que o cérebro absorva novas experiências. Isso significa que “não é só importante dormir depois de aprender; é crucial dormir antes de aprender“, diz Matthew Walker, da Universidade da Califórnia em Berkeley, o diretor científico do estudo, em entrevista coletiva.
“O sono prepara o cérebro, posicionando-o como uma esponja seca e pronta a absorver novas informações“, disse.
Em seu mais recente trabalho, apresentado em uma reunião da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência, em San Diego, Walker e seus colegas pediram a 39 jovens adultos que executassem diversas tarefas relacionadas ao aprendizado factual. Um grupo foi convidado em seguida a tirar uma soneca de 90 minutos, enquanto o outro permanecia desperto. Depois, os dois grupos realizaram nova rodada de tarefas. Os participantes que não haviam cochilado se saíram muito pior do que o grupo do cochilo, constataram os pesquisadores.
Uma medição da atividade elétrica cerebral dos participantes que haviam cochilado revelou que sua memória “cache” se havia esvaziado durante o sono de estágio dois. Ainda que o estágio do sonho, ou sono REM, talvez seja mais conhecido, os seres humanos passam cerca de metade de cada noite em sono de estágio 2, no qual não ocorre REM. O sono com REM é crucial para o raciocínio mais complexo, por exemplo buscar conexões não óbvias entre fatos previamente aprendidos – um processo que Walker descreve como “uma busca no Google feita da maneira certa – ou errada“.
“Quando você tem um problema, ninguém diz ‘fique acordado que amanhã isso passa’“, brincou o pesquisador. Em lugar disso, o sono, ou mais especificamente o sono com REM, é uma maneira de o cérebro receber informações que inicialmente podem não parecer relacionadas à sua ¿busca¿ mental, e assim permitir o desenvolvimento de soluções criativas. De fato, ele afirmou, os nossos sonhos podem ser uma espécie de campo de provas para a solução inconsciente de problemas.
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Infelizmente, as novas constatações não significam que todo mundo se beneficiaria de um cochilo vespertino, apontou Sara Mednick, professora de psiquiatria na Universidade da Califórnia em San Diego. Ela lembra que algumas das pessoas que tiram cochilos despertam zonzas e desorientadas devido à chamada inércia do sono. “Isso é o que acontece ao despertarmos de um sono profundo, de ondas lentas“. Porque a temperatura do cérebro e seu fluxo sanguíneo se reduzem no estágio dois do sono, é incômodo despertar subitamente e passar a um nível muito mais acelerado de atividade cerebral.
Estudos anteriores haviam demonstrado que as pessoas que costumam cochilar tendem a dormir de modo mais leve. Isso significa que passam muito menos tempo, pelo menos nas horas iniciais do sono, em um sono profundo desprovido de REM. Se um cochilo o deixa zonzo, também é possível obter um estímulo semelhante de desempenho em certas atividades mentais ao simplesmente descansar a cabeça, ela diz.
“Em alguns casos“, afirma Mednick, “um período de repouso silencioso e um cochilo oferecem o mesmo benefício de memória“.
Fonte: TERRA
Tradução: Paulo Migliacci ME
Sócios no aprendizado, s/d
Elia Benzaquen ( Escócia, 1965)
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Quando eu ainda morava nos Estados Unidos, fiz amizade com um casal judeu iraniano. Quando os conheci, a minha ignorância sobre o Irã e sua população era tão grande que não pude esconder a minha surpresa ao aprender que no Irã da época do Xá, havia uma grande comunidade judaica, a maior no Oriente Médio fora de Israel. Naqueles anos, o Aiatolá Khomeini já havia se cansado de requisitar a cabeça do escritor Salman Rushdie pelo livro Versos Satânicos! Levando isso em conta, simplesmente assumi que a maioria dos judeus persas houvesse emigrado. No entanto, para escrever a resenha do livro que acabo de ler, busquei informações na rede e me surpreendi, uma vez mais, ao saber que ainda há uma pequena e devota comunidade judia na capital, Teerã. A mim, parecia improvável que houvesse tolerância no mundo xiita aos judeus, principalmente no Irã, que nas últimas décadas não tem sido visto como um país particularmente aberto a opiniões que diferem do conservadorismo xiita. Abordo esse assunto porque as famílias dos personagens centrais do livro Chuva dourada, de Gina B. Nahai [Ediouro: 2007], pertencem a famílias judias, residentes no Teerã, e suas histórias se passam nos anos imediatamente anteriores à revolução que depôs o Xá da Pérsia.
Este foi um romance me deixou silenciosa e pensativa. Acabei de ler suas 332 páginas em dois dias e passei a tarde e a noite do último dia, após fechar o último parágrafo, tendo que considerar a potência dos preconceitos contra mulheres, que também afetam os homens. Preconceitos arraigados por religiões e culturas milenares limitam, cerceiam, podam e contorcem os espíritos ricos, as mentes empreendedoras, os gritos rebeldes das almas que precisam se expressar. De particular amargor é ver mais uma vez o retrato da discriminação contra a mulher. Este é um assunto que me cala. Mas ainda é difícil imaginar o rancor que mulheres como Bahar [nome que em farsi significa Primavera ], personagem principal da trama, trazem dentro de si, encobrindo como um manto todos os desejos de crescimento emocional e educacional a que aspiram e que preconceitos variados lhes tolhem, a todo momento, o simples ato de viver bem ou dignamente. Inadvertidamente, essas mulheres, passam para suas filhas, para a próxima geração, os mesmos traumas com que cresceram, repetindo numa cadeia infinita, as pragas de se ter uma filha mulher, a tristeza de não se ter um filho homem. Perpetuam assim a injustiça que sofreram e da qual não conseguiram se libertar.
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A história de Bahar, tenho certeza, não é única. Nem é simplesmente um excesso da imaginação de uma iraniana que se libertou e emigrou para os EUA, como aconteceu com a autora. Aos 17 anos Bahar encontra Omid [ cujo nome em farsi significa Esperança]. Ela é de uma família judia pobre. Ele de uma família judia rica. Eles se casam contra a vontade da família dele. E o que deveria ter-se tornado um conto de amor, passa a ser uma história de abuso, de preconceito, de tortura, não dos agentes que poderíamos esperar, mas da sociedade, da cultura, do círculo familiar. Omid logo encontra o amor de sua vida, uma mulher muçulmana, livre, amante de um outro homem. E por sua própria inabilidade de administrar a vida, os sentimentos e o mundo em que vive, só piora a situação em casa, em seu próprio casamento. Mais uma calamidade aflige o casal, e principalmente Bahar, eles têm uma filha com surdez progressiva. A já depauperada, oprimida Bahar, agora sofre duplamente, não só é mulher e teve uma única filha, também mulher, mas esta filha não preenche todos os requerimentos necessários, pois não é “perfeita”.
Chuva Dourada não é um romance leve, cheio de momentos bucólicos. Muito pelo contrário. É uma história triste e fascinante, de um mundo que – aqui no ocidente, numa cultura de inclusão como a nossa – parece pertencer a um tempo cravado nos primeiros séculos da Idade Média, cuja realidade custamos a acreditar co-habite com a nossa, dia a dia, ano a ano. Muito bem narrada, a autora não poupa ao leitor o sofrimento de Bahar e de todas as mulheres nela representadas. Este é um romance sobre expectativas nunca alcançadas.
Gina B. Nahai
Recomendo esse livro. Com todas as cinco estreles que me dão. Estou emprestando meu volume a todos os amigos que gostam de boa literatura. E também porque não posso deixar de tentar abrir os olhos, sempre que possível, para o problema da discriminação contra a mulher. Vá ler Chuva Dourada. Não é leve. Mas vale todas as palavras nele escritas.
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NOTA:
Há horas em que tenho a impressão de que não há ninguém no comando das nossas editoras. É impressionante a falta de cuidado com os livros aqui impressos. No caso deste livro, de Gina B. Nahai a pergunta que não cala é: Quem foi que deu a este romance o título de Chuva Dourada? Procure pelo título na internet e verá o que qualquer pessoa com um pouco mais de conhecimento percebe: esta é a expressão usada para a urofilia, ou seja para a prática sexual em que a urina está envolvida. Alguém dormiu no volante… É simplesmente inacreditável! O título no original em inglês é Caspian Rain. Caspian se refere ao Mar Cáspio. No romance a palavra Caspian está associada à cor do Mar Cáspio… Por que então não evitar a infeliz conotação implicada no título em português? Ei, onde estava o editor? Onde estavam as cabeças pensantes da Ediouro? O livro não chegou às livrarias com esse título sem a aprovação de alguém…
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– Bastos Tigre
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De todos os animais
merecem nossa afeição
estes três, mais que os demais:
– o boi, o cavalo, o cão.
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–
O boi, os seus músculos de aço
ao nosso serviço entrega
e, com a canga no cachaço,
pesadas cargas carrega.
–
–
E depois dá-nos a vida
que à nossa vida é sustento:
a carne assada ou cozida,
o ensopado suculento.
–
–
Vale o seu corpo um tesouro,
dele nada se rejeita:
chifres, cauda, ossos e couro,
tudo, tudo se aproveita.
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O cavalo é o companheiro
que nos carrega no lombo
(a quem não for bom cavaleiro,
cuidado, que leva tombo!)
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–
Conhece caminho e atalho
e, seja a passo ou a correr,
nosso amigo é no trabalho
quanto amigo é no prazer.
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–
A morte, somente, encerra
seu labor nobre e eficaz;
com os homens morre na guerra,
morre, a servi-los, na paz.
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–
É o terceiro amigo, o amigo
que nos tem mais afeição;
no momento do perigo
nos vem socorrer: — é o cão.
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Quer de noite, quer de dia,
podemos nele confiaar;
da nossa casa é vigia,
é o guarda do nosso lar.
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“Caniche”, dos pequeninos,
que graça o cãozinho tem!
Quando brinca com os meninos
ele é um menino também.
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Seja humilde, ou cão de raça,
cão de cego, ou de pastor,
são -bernardo ou cão de caça,
ou de ratos caçador.
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Os seus dias se consomem
num labor sincero e leal!
Salve, excelso amigo do homem,
que és quase um ser racional!
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Que se ame, pois, e bendiga
do fundo do coração,
a nobre trindade amiga:
o boi, o cavalo e o cão.
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Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1972.
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Manuel Bastos Tigre (PE 1882 – RJ 1957) — foi um bibliotecário, jornalista, poeta, compositor, humorista e destacado publicitário brasileiro.
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Obras:
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Saguão da Posteridade, 1902.
Versos Perversos, 1905.
O Maxixe, 1906.
Moinhos de Vento, 1913.
O Rapadura, 1915.
Grão de Bico, 1915.
Bolhas de Sabão, 1919.
Arlequim, 1922.
Fonte da Carioca, 1922.
Ver e Amar, 1922.
Penso, logo… eis isto, 1923.
A Ceia dos Coronéis, 1924.
Meu bebê, 1924.
Poemas da Primeira Infância, 1925.
Brinquedos de Natal, 1925.
Chantez Clair, 1926.
Zig-Zag, 1926.
Carnaval: poemas em louvor ao Momo, 1932.
Poesias Humorísticas, 1933.
Entardecer, 1935.
As Parábolas de Cristo, 1937.
Getúlio Vargas, 1937.
Uma Coisa e Outra, 1937.
Li-Vi-Ouvi, 1938.
Senhorita Vitamina, 1942.
Recitália, 1943.
Martins Fontes, 1943.
Aconteceu ou Podia ter Acontecido, 1944.
Cancionário, 1946.
Conceitos e Preceitos, 1946.
Musa Gaiata, 1949.
Sol de Inverno, 1955
Andō Hiroshige (Japão, 1797-1858)
Xilogravura policromada
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O contato que durante 96 anos uniu portugueses e japoneses a partir de meados do século XVI ainda hoje se faz sentir, no campo das palavras. Segundo o filólogo japonês Tsujiro Koga, a língua portuguesa penetrou largamente em Nagasaki onde os vocábulos lusos chegavam a contar quatro mil. Armando Martins Janeira fez o apanhado das palavras portuguesas introduzidas no vocabulário nipônico. São aproximadamente 400.
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No campo dos doces e das comidas estão as palavras:
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Pão — “pan”
Amêndoa — “amendô”
Marmelo — “marumero”
Vaca — “waka”
Pão de ló — “pandoro”
Biscoito — “bisukouto”
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Na indumentária:
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Botão — “botan”
Capa — “kappa”
Saia — “saya”
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Termos religiosos — introduzidos pelos missionários jesuítas:
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Cristo — “Kirishito”
Diabo — ” jiabo”
Evangelho — “ewanzeryo”
Jesus — “Zesus”
Missa — “misa”
Padre — “bateren”
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Outras:
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Álcool — “arukoru”
Sabão — “shabon”
Varanda — “beranda”
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Mas a língua portuguesa também sofreu influência nipônica:
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“biobo” — biombo
“bozu” — bonzo
“kaki” — caqui
“katana” — catana
“chawan” — chávena
“chá” — chá
“haikai” — haikai
“kamikaze” — camicase
“karate” — caratê
“kara-okê” — caraoquê
“ninja” — ninja
“tatami” — tatame
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Há entre elas também as palavras de origem japonesa, nomeando hábitos, costumes, esportes, aspectos da vida japonesa, que entraram para o português, mas que ainda se reportam quase que exclusivamente a hábitos e costumes japoneses:
Gueixa, Judo, Quimono, Origami, Bonsai, Samurai, Saquê, Iquebana, Mangá, Sushi, Sashimi, Yakisoba
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Você conhece mais alguma palavra? que tenha origem no Japão e seja usada em português?
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Sobre o artista da xilogravura:
Hiroshige (1797-1858), também conhecido como: Andō Hiroshige (安藤広重) (uma forma irregular de combinar o nome da família com o nome artístico ou como Ichiyūsai Hiroshige (一幽斎廣重) seu nome artístico. Pintor e gravador japonês, conhecido sobretudo por suas xilogravuras de paisagens. Foi o último grande professor de Ukiyo-e, ou escola de gravura popular, e converteu as paisagens cotidianas em cenas líricas de grande intimismo que lhe proporcionaram um êxito comercial ainda maior que o de seu contemporâneo Hokusai. Sua obra-prima é a série de gravuras Tokaido gojusan-tsugi (As Cinqüenta e Três Estações do Tokaido).
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Artigo sobre a língua portuguesa, parciamelmente baseado no artigo do jornal português, Correio da Manhã de 26/01/ 1988.