Imagem de leitura — Bairam Salamov

20 04 2011

Menina lendo, s/d

Bairam Salomov (Belorússia, 1965)

Óleo, 100 x 100 cm

http://bairam-salamov.narod.ru

Bairam Salomov nasceu na República do Azerbaijão, no subúrbio de Hohmug, Shecki, em 1965.  Estudou na Escola Estadual de Arte do Azerbaijão em Baku.  Emigrou para a Rússia em 1990, onde vive, em Togliatti.    

http://bairam-salamov.narod.ru





Mastodontes, antigos habitantes de Minas Gerais

20 04 2011
 
Mastodonte, ilustração de Jorge Blanco, 2005.

Há muito tempo, digamos há 60.000 anos atrás, uma parte de Minas Gerais era habitada por uma considerável população de mastodontes.  Mastodontes eram antepassados dos elefantes que conhecemos nos dias de hoje.  Eles viviam tanto na América do Norte como na América do Sul, e deixaram de existir há 10.000 anos atrás. 

Os mastodontes tinham aproximadamente 3 metros de altura e pesavam próximo de 7 toneladas, eram herbívoros, comiam folhas e ramos de árvores, gramíneas e frutos. Por causa disso, seus dentes eram adaptados à digestão de folhas macias. 

O nome científico dos mastodontes brasileiros é Stegomastodon waringi .  Seu tamanho era semelhante ao do elefante asiático e um pouco menor do que mastodontes encontrados em outros lugares das Américas.

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Os fósseis de um grande grupo de mastodontes, com  indivíduos de todas as idades, de bebês a idosos  – quase 40 animais , o maior grupo das Américas – foram descoberto na cidade de Araxá em Minas Gerais.  A morte desses paquidermes  pode ter sido causada por uma grande enchente que enterrou todos os membros dessa mesma “tribo” ao mesmo tempo.  

O mastodonte não habitava só a área de Minas Gerais.  Era na verdade um animal bastante comum no território brasileiro;  vestígios de sua existência aparecem em 23 dos nossos estados.  Sendo animais tão interessantes é uma pena que tenham ficado sem estudo por muito tempo.  Mas eis que alguém com boa visão e espírito empreendedor, o paleontólogo Leonardo Avilla da Unirio, decidiu há alguns anos estudar os ossos desses mastodontes que haviam ficado esquecidos nas gavetas do Museu de Ciência da Terra.  Financiada pela Faperj sua pesquisa rende ótimas informações sobre a vida na pré-história brasileira e conhecimento do hábitos e costumes desses antigos animais. 

No próximo mês de maio dos dias 11 a 13 acontecerá a terceira edição da JORNADA de ZOOLOGIA DA UNIRIO, onde trabalhos relacionados aos grandes animais como preguiças de 6m de altura, estarão sendo apresentados.

FONTES: GLOBO, Jornal da Ciência,





Seis quadrinhas escolares sobre Tiradentes por Walter Nieble de Freitas

17 04 2011

6 quadrinhas escolares  para o Dia de Tiradentes

                                               Walter Nieble de Freitas

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Por ter sido descoberto

Por Pedro Álvares Cabral,

O Brasil, caros colegas,

Pertenceu a Portugal.

Ouvi dizer que homens bravos,

Chefiados por Tiradentes,

Receberam nesse tempo,

O nome de inconfidentes.

Os nossos inconfidentes

Nutriam um ideal:

Desejavam separar

O Brasil de Portugal.

Joaquim Silvério dos Reis

Traiu os incoonfidentes,

Destruindo dessa forma,

O sonho de Tiradentes.

No dia Vinte e Um de Abril,

Sob vivas estridentes,

Foi, no Rio de Janeiro,

Enforcado Tiradentes.

O exemplo que Tiradentes

nos deu a Vinte e Um de Abril

É a página mais linda

da História do Brasil.

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Em: 1000 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural: 1965





A coruja e a águia — fábula, texto de Monteiro Lobato

12 04 2011
A águia e a coruja, ilustração de J. J. Grandville.

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A coruja e a águia

                                                      Monteiro Lobato

Coruja e águia , depois de muita briga resolveram fazer as pazes.

— Basta de guerra — disse a coruja.  —  O mundo é  grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.

— Perfeitamente — respondeu a águia. — Também eu não quero outra coisa.

— Nesse caso combinemos isso:  de ora em diante não comerás nunca os meus filhotes.

— Muito bem.  Mas como posso distinguir os teus filhotes? 

— Coisa fácil.  Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial, que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.

— Está feito! — concluiu a águia.

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Ilustração francesa.

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Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três monstrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.

— Horríveis bichos! — disse ela.  — Vê-se logo que não são os filhos da coruja.

E comeu-os.

Mas eram os filhos da coruja.  Ao regressar à toca a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas com a rainha das aves.

— Quê?  — disse esta admirda.  — Eram teus filhos aqueles monstrenguinhos?  Pois, olha não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste…

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Para retrato de filho ninguém acredite em pintor pai.  Lá diz o ditado: quem o feio ama, bonito lhe parece.

Em:  Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Brasiliense, s/d, 20ª edição.

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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das dezenas de varições feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC.  Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC.  Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada.  Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.

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José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948).  Escritor, contista, dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944  

A Caçada da Onça, 1924  

A ceia dos acusados, 1936  

A Chave do Tamanho, 1942  

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955  

A Epopéia Americana, 1940  

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924  

Alice no País do Espelho, 1933  

América, 1932  

Aritmética da Emília, 1935  

As caçadas de Pedrinho, 1933  

Aventuras de Hans Staden, 1927  

Caçada da Onça, 1925  

Cidades Mortas, 1919  

Contos Leves, 1935  

Contos Pesados, 1940  

Conversa entre Amigos, 1986  

D. Quixote das crianças, 1936  

Emília no País da Gramática, 1934  

Escândalo do Petróleo, 1936  

Fábulas, 1922  

Fábulas de Narizinho, 1923  

Ferro, 1931  

Filosofia da vida, 1937  

Formação da mentalidade, 1940  

Geografia de Dona Benta, 1935  

História da civilização, 1946  

História da filosofia, 1935  

História da literatura mundial, 1941  

História das Invenções, 1935  

História do Mundo para crianças, 1933  

Histórias de Tia Nastácia, 1937  

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926  

Idéias de Jeca Tatu, 1919  

Jeca-Tatuzinho, 1925  

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921  

Memórias de Emília, 1936  

Mister Slang e o Brasil, 1927  

Mundo da Lua, 1923  

Na Antevéspera, 1933  

Narizinho Arrebitado, 1923  

Negrinha, 1920  

Novas Reinações de Narizinho, 1933  

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926  

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930  

O livro da jangal, 1941  

O Macaco que Se Fez Homem, 1923  

O Marquês de Rabicó, 1922  

O Minotauro, 1939  

O pequeno César, 1935  

O Picapau Amarelo, 1939  

O pó de pirlimpimpim, 1931  

O Poço do Visconde, 1937  

O presidente negro, 1926  

O Saci, 1918  

Onda Verde, 1923  

Os Doze Trabalhos de Hércules,  1944  

Os grandes pensadores, 1939  

Os Negros, 1924  

Prefácios e Entrevistas, 1946  

Problema Vital, 1918  

Reforma da Natureza, 1941  

Reinações de Narizinho, 1931  

Serões de Dona Benta,  1937  

Urupês, 1918  

Viagem ao Céu, 1932

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 Jean Ignace Isidore Gérard (França, 1803 — 1847), conhecido pelo pseudonimo J. J. Grandville, foi um grande ilustrador e caricaturista francês.





Imagem de leitura — Anita Tesoriero

12 04 2011

Estudo Figurativo, s/d

Anita Tesoriero ( Austrália, contemporânea)

Óleo sobre tela,  40 x 50 cm

www.ngart.com.au





A banana, poema de Sônia Carneiro Leão

11 04 2011

Campo de Batalha 5 , 1973

Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)

óleo sobre tela, 182 x 234cm

A banana

Sônia Carneiro Leão

A fruta mais descarada

da espécie vegetal,

exibicionista, safada,

a mais amada,

preferência nacional.

Nasce, assim, sem respeito,

em qualquer parte,

de qualquer jeito,

em qualquer quintal

onde houver

um sol tropical.

Em terras baianas,

pernambucanas,

nossa República das Bananas.

Verdadeiro tesouro:

banana-prata, banana-ouro.

Chiquita bacana.

Banana querida,

banana amiga,

da nossa barriga.

Banana brasileira,

te como toda,

te como inteira.

Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.

Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife.  Psicanalista, escritora, poetisa, contista  e tradutora.





A lenda do chupim — 2º Livro de leituras infantis

11 04 2011

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A lenda do chupim

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O  chupim é um passarinho escuro também chamado de anu ou azulão.  Possui um canto suave e melodioso.  Mas tem o mau costume de por seus ovos nos ninhos dos outros pássaros.  Além disso come as sementes e destrói as plantações. 

O chupim era, porém um pássaro bonito e trabalhador.  Fazia o seu ninho com capricho e cuidava bem dos filhotes.  Mas houve uma guerra entre as aves, de que resultou queimarem o ninho do chupim.  Por milagre, o pássaro salvou-se, mas ficou todo preto, sapecado.  Lá se foram seus ovos e suas lindas penas!

Daí por diante o chupim ficou preguiçoso.  Não quis mais trabalhar.  Deixou de fazer o ninho.  E passou a por os ovos nos ninhos dos outros pássaros.  Por isso, não cria mais filhotes.  Quando o censuram por sua preguiça, diz que não faz ninhos porque tem medo de novo incêndio.  E assim vai levando a vida.  O passarinho mais explorado do chupim é o tico-tico.  Coitado!  até o chamam, por isso, de engana-tico…

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Em:  Leituras infantis, Theobaldo Miranda Santos, 2º livro, Rio de Janeiro, Agyr:1962





Imagem de leitura — Gustave Max Stevens

10 04 2011

Prazeres silenciosos, s/d

Gustave Max Stevens ( Bélgica, 1871 — 1946)

óleo sobre tela

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Gustave Max Stevens ( Bélgica, 1871-1946) – nasceu em Saint-Josse-tem-Noode, e foi aluno de Jean Portaëls na Escola de Belas Artes de Bruxelas.  Mais tarde estudou com Fernand Cormon na Escola de Belas Artes de Paris.  Participou como expositor do Salão de Arte Idealista de 1896 e do Salão dos Artistas Franceses.  TGanhou medalha de bronze na Exposição Universal de 1900.  Fortemente influenciado pelos pintores ingleses do movimento Pr-Rafaelita, Gustave Max Stevens contribuiu inúmeras vezes para a publicação L’Estampe Moderne.





Quadrinha sobre o namoro

9 04 2011

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Se estiverdes namorando,

aos beijinhos, no portão,

já sabes, o amor é cego,

porém, os vizinhos,  não…

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(Dieno Castanho)





Bullying: um crime social, onde todos têm sua dose de culpa, como mostrou Alonso Cueto

9 04 2011

Ilustração, Complete Well Being.

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Na época em que comecei a faculdade era comum acreditarmos no conceito de que grande parte dos artistas – quer nas artes visuais, como nas literárias e outras – estava sempre alguns anos à frente da grande maioria das pessoas,  da sociedade em geral.  É possível que nas últimas décadas esse assunto tenha desaparecido ou tenha se tornado arcaico: a comunicação instantânea parece desestabilizar o preceito.  Quase não temos tempo de digerir o que nos aparece e, ainda, o que é novo hoje já se torna velho em questão de horas.  

Os eventos da semana no Rio de Janeiro – a execução de crianças por um homem desequilibrado que havia claramente sofrido de bullying na escola, como mostrou o jornal O GLOBO de hoje.  [ “De berço de rua a cova de indigente”, Caderno Especial, página 8] — não nos deixam parar de pensar nesse tipo de abuso.  Lendo esse artigo me lembrei dessa questão do artista estar preocupado com algum aspecto social que muitos ainda não sentiram.   Lembrei-me de como o autor de um romance, que por estar atento aos passos da sociedade, aos detalhes do dia a dia, projeta no seu trabalho, o entendimento, a discussão ou atualização de assuntos que nem sempre estão na “boca do povo”.   Foi pensando nesses passos um pouquinho à frente da sociedade que voltei a minha atenção ao  romance de Alonso Cueto, O sussurro da mulher baleia, [Planeta: 2007]  já resenhado aqui nesse blog,  em 3 de janeiro de 2010:  Alonso Cueto brilha com O sussurro da mulher baleia .  O romance que foi finalista  em 2007 do Prêmio Planeta-Casa América de Narrativa Ibero-Americana, aborda justamente o tópico do bullying na escola e as conseqüências que este bullying pode trazer.  Mostra claramente como esse é um crime social, em que  praticantes e vítimas sofrem.  Também são aqueles que se calam são vítimas.  Todos, todos que permitem que o bullying aconteça sofrem.  É uma doença social, virulenta e às vezes mortal.

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O sussurro da mulher baleia é uma leitura necessária a quem deseja entender melhor os efeitos prolongados desse sofrimento.  Sua narrativa é dinâmica, moderna e não parece, talvez por ser de tão fácil leitura, tratar de um assunto tão importante e de tanto peso emocional.  Mas Alonso Cueto consegue mostrar como o bullying é um crime social. Cueto mostra como esses dois lados de uma mesma moeda afetaram duas meninas na escola, que eram amigas.   Ele revela também, numa cena final de grande sensibilidade,  como essa situação escolar é carregada através da vida de ambas as protagonistas e como o sofrimento de cada uma encontra repercussão na outra, fazendo-as interdependentes emocionalmente.  Recomendo mais uma vez a leitura desse romance não só pela atualidade do tema, mas pelo que sabemos ser verdade em casos de sofrimento contínuo de jovens adolescentes.  Se você ainda não parou para pensar nesse assunto e se ainda não leu este romance, faça-o.  Esta é a hora.