O vendedor de bananas, poesia infantil de Elias José

7 01 2012

Ilustração Margret Boriss.

O vendedor de bananas

Elias José

Banana-prata,

banana-ouro,

banana-d’água,

banana-baiana

banana-nanica

banana-são-tomé.

O menino bananeiro

e os seus melhores amigos,

dois burrinhos vagarosos,

vão chegando à cidade.

 –

Queria vender bananas

muitas bananas,

gostosas e diferentes,

para todas as casas

da velha cidadezinha.

 –

Queria voltar pra casa

com os cestos vazios

e os bolsos bem cheios

de notas e moedas.

 –

Coisa melhor do mundo

é poder ajudar à mãe…

 –

Só que na cidade tão pequena,

há tantas bananeiras nos quintais!…

 –

Os cestos não vão se esvaziar.

e nos bolsos haverá poucas moedas…

 –

— Melhor assim do que nada! –

diz o menino bananeiro

aos seus burrinhos magricelas.

Em: Mágica terra brasileira, Elias José, São Paulo, Saraiva:2006

Elias José – (MG 1936 – MG 2008 ) escritor de literatura infantil e juvenil, contista, poeta, romancista e professor.





Imagem de leitura — Morgan Weistling

6 01 2012

Sonhos em ouro, s/d

Morgan Weistling (EUA, contemporary)

óleo sobre tela, 60 x 45 cm

www.morganweistling.com

Morgan Weisting, contemporary American painter.





Trova do besouro

6 01 2012

Ilustração Blanche Wright.

 

Não tenho medo de homem

Nem do ronco que ele tem;

O besouro também ronca,

Vai se ver não é ninguém

(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)





O simbolismo dos três presentes — Malba Tahan

6 01 2012

Cartão de Natal, EUA, sem data.

O simbolismo dos três presentes

Eis como o escritor católico, Sr. Ângelo Antônio Dallegrave, descreve a cena memorável:

“Melchior, venerável por sua velhice, ofereceu o ouro, reconhecendo Jesus como seu único Soberano e Senhor; Gaspar que segundo a tradição era o mais jovem, apresentou ao Menino incenso, porque viu na criança o Verbo Eterno que se fez homem e habitou entre nós; Baltasar ofertou-lhe mirra, porque, reconhecendo no Divino Infante, o Eterno, sabia igualmente, que Jesus viera ao Mundo, se fizera homem, nosso irmão pela carne, menos no pecado, para por nós morrer.”

Em torno da figuras tradicionais dos Reis Magos e dos presentes por eles oferecidos ao Menino, tecem os escritores cristãos as mais incríveis fantasias.  Vamos transcrever pequeno trecho do historiador, Sr. Hermes Vieira:

“Representando a cultura máxima do tempo dos Reis Magos, ao presentearem Jesus, deram uma grande lição à Humanidade.  Baltasar, que era preto, e viera da África, ofereceu-lhe a mirra que simbolizava a Mortificação; Gaspar, que tinha os olhos longos e a barba fina como um cavalheiro da Arábia, doou-lhe o incenso, que significava a Oração; e Melchior, que era velho e já possuía uma longa barba cor de neve, deu-lhe o Ouro, traduzindo com este gesto o desprendimento das coisas da Terra.”

Outra referência ao simbolismo das três dádivas encontramos no livro  Os Quatro Evangelhos, do eminente pregador Padre Lincoln Ramos.  Eis o que nos ensina esse sacerdote:

“Entregaram os Magus a Jesus o que mais precioso haviam trazido de sua pátria sem se impressionarem com a pobreza do lugar e das pessoas.  Atribui-se belo simbolismo às três dádivas: pelo ouro homenagearam Jesus como Rei; pelo incenso e pela mirra, reconheceram-no como deus e como homem.  O incenso se oferece a Deus nos altares; com a  mirra — resina aromática — eram embalsamados os cadáveres e purificadas as mortalhas que os envolviam.”

Em: A Estrela dos Reis Magos, Malba Tahan, São Paulo, Saraiva: s/d





Imagem de leitura — Suwannee Sarakana

5 01 2012

Sem título

Suwannee Sarakana( Tailândia, contemporânea)

óleo sobre tela

www.suwanneepainting.com

Suwanee Sarakana é uma pintora tailandesa de 35 anos que passa os meses de verão no estado de Oregon nos Estados Unidos, vem daí grande parte da unfluência ocidental no trabalho dessa artista. Formada pela Universidade de Silpakorn em Bangkok, Suwannee tem uma longa lista de exposições intenacionais no Extremo Oriente, na Europa e nos Estados Unidos.





Véspera de Reis — texto escolar de Theobaldo Miranda Santos

5 01 2012

Bumba-meu-boi, 1969

Enrico Bianco (Itállia/Brasil, 1918)

óleo sobre cartão colado em madeira, 59 x 95 cm

Coleção Particular

Véspera de Reis

Theobaldo Miranda Santos

Chamam-se reisados as festas populares que se realizam na véspera de Reis.  Tiveram início na Bahia, passando-se, depois, para outros estados do Brasil, inclusive São Paulo.  Essas festividades tradicionais tomaram aspectos diferentes nas diversas regiões do nosso país.

Assim, em certos lugares, os reisados assumem a forma de ternos, isto é, de grupos de pessoas, fantasiadas de pastores, acompanhadas de tocadores de flautas, violões e pandeiros.  Depois de visitarem o presépio da igreja local, dirigem-se às casas previamente avisadas, que se conservam inteiramente fechadas. Chegando a essas casas, cantam:

Vinde abrir a vossa porta,

Se quereis ouvir cantar;

Acordai, se estais dormindo,

Que nó viemos festejar!

Os três reis de longes terras

Vieram ver o Messias,

Desejado há tanto tempo

De todas as profecias.

Abrem-se as portas e janelas.  O cortejo entre na casa e começa a adoração do Deus Menino no presépio armado na sala.  Cada pessoa prosta-se, reverente, diante do presépio e entoa uma quadrinha.

Em todos os lugares, o reisado tem a forma de rancho da burrinha ou de rancho do boi, também chamado bumba-meu-boi.  No rancho da burrinha, um dos membros do cortejo ata à cintura uma armação com cara de burro, simulando estar montado.

No bumba-meu-boi, mais usado entre os sertanejos paulistas, a figura central do cortejo é um boi, grosseiramente imitado, na pele do qual se oculta um rapaz, que executa uma dança característica. Em certas localidades de São Paulo, os reisados se compõem apenas de grupos de músicos e cantores que visitam as casas onde há presépios armados e onde são recebidos com doces e bebidas.

Em: Terra Bandeirante, 4º ano — pequena antologia sobre a terra, o homem e a cultura do estado de São Paulo, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1954





Imagem de leitura — Albert von Keller

4 01 2012

Mme von Keller lendo, s/d

Albert von Keller (Suiça, 1844-1920)

óleo sobre tela

Allbert von Keller nasceu em Gais, na Suiça em 1844.  Estudou na Academia de Belas Artes de Munique, na Alemanha, com Lenbach e Ramberg.  Depois viajou por diversos países europeus para estudar outros mestres, entre eles esteve na Itália, na Holanda, na Inglaterra e na França onde permaneceu por um longo período.   Seu estilo sofreu grande influência francesa tanto na maneira de pintar da Belle Époque assim como nos temas de pintura.  Albert von Keller especializou-se na pintura de gênero e no retrato.  Faleceu em 1920.





Palavras para lembrar — Paul Valéry

4 01 2012

Leitura noturna, 1884

Georg Pauli (Suécia, 1855-1935)

óleo

“Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a umidade, os bichos, o tempo; e o seu próprio conteúdo.”

Paul Valéry





Canção, poema de Onestaldo de Pennafort

4 01 2012

Mulher e flores, s/d

Antonio Rocco ( Itália, 1880- Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 76 x 50 cm

Canção

Onestaldo de Pennafort

Quando murmuro teu nome,
a minha voz se consome
em ternura e adoração.


Quando teus olhos me olham,
parece eu se desfolham
as rosas de algum jardim

Ó meu amor, se é preciso
eu direi que o teu sorriso
é doce como um olhar.

Mas é preciso que eu diga,
ó minha suave amiga,
isso que sinto e tu vês,

mas é preciso que eu diga?

Onestaldo de Pennafort Caldas (RJ-1902- 1987) jornalista, ensaísta, tradutor e funcionário público. Escreveu para diversos periódicos brasileiros, tais como Fon-Fon, Careta, Autores e Livros, Para Todos e O Malho.  Faleceu no Rio de Janeiro, sua cidade natal, em 1987.

Obras

Escombros Floridos, 1921, poesia

Perfume e outros poemas, 1924, poesia

Interior e outros poemas, 1927, poesia

Espelho d’ Água: Jogos da Noite, 1931, poesia

Nuvens da tarde, 1954, poesia

Um rei da valsa, 1958, música

O festim, a dança e a degolação, 1960, crítica literária

Romanceiro, 1981, poesia

Além de traduções do inglês e do francês.





Imagem de leitura — Sophie Anderson

3 01 2012

O livro de histórias das crianças, s/d

Sophie Anderson (Inglaterra, 1823-1903)

óleo sobre tela

Birmingham Museums & Art Gallery

Inglaterra

Sophie Gengembre Anderson foi uma pintora inglesa, nascida na França em 1823, que se especializou em pintura de gênero e em particular pintura de crianças e mulheres de vida rural.  Filha de pai francês e mãe inglesa, Sophie Anderson morou nos Estados Unidos quando a família saiu da França fugindo da revolução de 1848.   Nos EUA morou em Ohio e na Pansilvênia onde encontrou pela primeira vez seu futuro marido o pintor inglês Walter Anderson.  Voltou permanentemente para a Inglaterra em 1894.  Faleceu  em Cornwall em 1903.