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Ilustração Tibor Gergely.
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Trinam pássaros nos galhos…
a brisa é leve e sombria;
a aurora sobre os orvalhos
abre as cortinas do dia.
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(Manoel Cavalcante))
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Ilustração Tibor Gergely.–
Trinam pássaros nos galhos…
a brisa é leve e sombria;
a aurora sobre os orvalhos
abre as cortinas do dia.
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(Manoel Cavalcante))
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Teodor Axentowicz (Polônia, 1859-1938)
óleo sobre tela
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Teodor Axentowicz foi um pintor armeno-polonês. Nasceu em Brasov, em 1859, na Hungria, naquela época parte da Romênia, numa família armena-polonesa. Entre 1879 e 1882 estudou na Academia de Belas Artes de Munique. De lá mudou-se para Paris onde continuoou sua educação artística até 1895. Começou suas atividades de pintor como um copiador de quadros de Ticiano e Botticelli. E fez seus primeiros retratos que mais tarde seriam uma de suas assinaturas. Depois viajou bastante pela Europa, estabelecendo-se por algum tempo em Londres e Roma. Foi um famoso pintor e professor, reitor da Academia de Belas Artes em Cracau. Faleceu em 1938 nessa cidade.
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Desenho de como seriam as florestas de 300.000.000 de anos, ilust. Ren Yugao.–
Uma descoberta na China, nos dá uma idéia da vida no passado longínquo da Terra. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, o paleobotânico [paleontólogo-botânico] Hermann Pfefferkorn e seus colegas de trabalho anunciaram, no início da semana, a descoberta de uma floresta fossilizada que ficou enterrada sob uma mina de carvão há 300 milhões de anos. A floresta foi preservada pelas cinzas de um vulcão, numa área que faz parte hoje do norte da China. Os pesquisadores apresentaram uma reconstrução da floresta fossilizada, dando idéia sobre a ecologia e clima da época, e a ilustração acima nos ajuda a imaginar como seria a Natureza de então.
O impressionante é que com essa descoberta pode-se agora ter um olhar mais preciso sobre a vida vegetal, o clima e a ecologia de aproximadamente 298 milhões de anos atrás. A floresta, descoberta perto de uma mina de carvão na cidade de Wuda, na China, foi coberta por cinzas vulcânicas durante um período de poucos dias e assim se preservou praticamente intacta, de uma maneira semelhante a que preservou a cidade de Pompéia, na Itália em 79 dC. Esse evento dá um instantâneo de um momento preciso no passado longínquo: plantas foram preservadas como caíram, em muitos casos nos locais exatos onde cresciam.
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Terra no período Permiano.–
Talvez seja interessante lembrar que estamos falando de uma era anterior à dos dinossauros na Terra. O nosso planeta ainda não tinha os continentes de hoje. Nem Pangeia ainda existia. A Terra estava no início de um período geológico chamado Permiano, durante o qual as placas continentais ainda estavam se movendo em direção umas às outras para formar o supercontinente Pangeia, onde se formou numa única massa continental circundada por um único oceano, a que chamamos Pantalassa. Veja a ilustração abaixo de Pangeia, que em grego quer dizer toda a Terra, depois da junção da América do Norte e da Europa. Enquanto que na China existiam dois continentes menores. Tudo sobreposto ao Equador e, portanto, uma área com clima tropical.
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A formação dos continentes como eles existem hoje.–
Ilustração de provável aparência da floresta de 300.000.000 de anos. Ilust. Ren Yugao.–
“ Tudo está maravilhosamente preservado,” disse Pferfferkorn, “podemos encontrar um ramo com folhas presas e então, encontrar o ramo seguinte, e o próximo galho e o próximo. E depois encontramos o toco da mesma árvore. É impressionante.”
O local têm extensa atividade de mineração de carvão próxima. Isso propiciou a descoberta de grandes extensões de rocha, que mostraram sinais da floresta. Por causa disso, os pesquisadores foram capazes de examinar 1.000 m² da camada de cinzas vulcânicas, em três locais diferentes, próximos entre si. Isso permitiu que se caracterizasse o ecossistema de maneira bastante precisa.
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Pfefferkorn disse que “esta será agora a linha de base. Quaisquer outros achados, que são normalmente muito menos completos, terão que ser avaliados com base no que foi determinado aqui …. Esta é a reconstrução da primeira floresta, na Ásia, em qualquer espaço de tempo, é a primeira com Noeggerathiales como um grupo dominante. ” A descoberta será apresentada na próxima semana na publicação a Academia Nacional das Ciências.
[NOTA: Noeggerathiales é uma ordem de plantas vasculares, extinta. A faixa geológica dessa ordem se estende desde o Carbonífero Superior ao Triássico. Até hoje, um grupo mal conhecido com seu lugar na taxonomia e posição no reino vegetal incertos].
Naquela época, o clima da Terra era comparável ao que é hoje. Isso é de especial interesse para interesse para pesquisadores como Pfefferkorn que olham para os padrões climáticos antigos na tentativa de ajudar a entender variações climáticas que temos hoje.
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Ao todo, foram identificados seis grupos de árvores. Samambaias formavam a cobertura vegetal de menor altura, enquanto as árvores altas – Sigillaria e Cordaites – muito altas, subiam até 80 metros acima do solo. Além do Professor Pfefferkorn, do Departamento de Terra e Ciências Ambientais, da Universidade da Pensilvânia, colaboraram nas pesquisas três colegas chineses: Jun Wang, da Academia Chinesa de Ciências, Yi Zhang, da Universidade Normal de Shenyang e Zhuo Feng Universidade de Yunnan.
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Localização da floresta no mapa da China, na Mogólia, próximo a Wuda.–
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Fonte e mais fotos: The Daily Mail.
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Cleonice Rainho
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Lá vai o navio,
cortando o mar.
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Lá vai o avião,
furando o ar.
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É azul o céu
e verde o mar.
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E eu fico pensando
na cor da saudade
que os viajantes levam
da terra e do lar.
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Cleonice Rainho Thomaz Ribeiro, (Angustura, MG, 15/3/1919), mudando-se para Juiz de Fora. Premiada poetisa e trovadora conhecida, professora de Letras Portuguesas, formada pela PUC Rio de Janeiro. Fundadora da Associação de cultura Luso-brasileira de Juiz de Fora.
Obras:
Poesias, 1956
Sombras e sonhos, 1956
O chalé verde, 1964
Ternura páginas maternais, 1965
Terra Corpo sem Nome, 1970
Varinha de condão: poesia infantil, 1973
O Galinho azul; A minhoca mágica, 1976
Vôo Branco, 1979
Parabéns a você, 1982
João Mineral, 1983
O castelo da rainha Ba, 1983
Torta de maçã, 1983
Uma sombra nas ruas, 1984
Intuições da Tarde, 1990
Verde Vida; poesia, 1993
O Palácio dos Peixes, 1996
O Linho do Tempo, 1997
Poemas Chineses, 1997
Liberdade para as Estrelas, 1998
3 km a picos, s/d
La cucaracha, s/d
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Shen Ling ( Província Liaoning, China, 1965)
óleo sobre tela
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Provérbio chinês
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Tua modista, senhora,
mostrou ter grande talento,
prendendo um chapéu de plumas
numa cabeça de vento.
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(Djalma Andrade)
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Antonio Abellan ( Espanha, 1964)
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Antônio Abellan nasceu em Cartagena, na Espanha em 1964. Graduou-se pela Escola de Belas Artes, da Faculdade de San Carlos, em Valencia. É um pintor figurativo cujos temas frequentemente incluem a vida na cidade, a vida das pessoas que nela moram, seus hábitos, costumes, prazeres e desejos.
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Auguste Toulmouche (França, 1829-1890)
óleo sobre tela, 63 x 47 cm
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Vinícius de Moraes
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Por seres quem me foste, grave e pura
Em tão doce surpresa conquistada
Por seres uma branca criatura
De uma brancura de manhã raiada
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Por seres de uma rara formosura
Malgrado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aventura
E menos que a constante namorada
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Porque te vi nascer de mim sozinha
Como a noturna flor desabrochada
A fala de amor, talvez perjura
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Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo, e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura.
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Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)
óleo sobre tela, 61 x 49 cm
Instituto de Arte, UFRGS
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A obra de Ado Malogoli sempre me encantou. Mas, nessa época carnavalesca, em que o pensamento circula a volta de fantasias e canções e que, sem me dar conta, colombinas, pierrôs e arlequins surgem no meu inconsciente, evocados por um refrão de marchinha ou no verso solto de um folião, lembrei-me dos diversos arlequins que Malagoli pintou.
Muitos são os artistas que se dedicaram seguidamente às imagens do trio de zanni — empregados domésticos — personagens originários da Commedia dell’ Arte. Picasso é só um dentre os muitos europeus que exploraram o tema. E como não havia um roteiro específico regendo a interação desses personagens, já que eles faziam parte de companhias de teatro de improviso, cada espetáculo era diferente, com peripécias e desfechos diversos. Mas cada personagem agia sempre dentro dos limites pré-estabelecidos, que toda a platéia conhecia. Com a variação de histórias, a comédia era única à cada cidade visitada, mas Arlequim continuava sabido, Colombina namoradeira, Pierrô ingênuo. Aos poucos, do século XVI ao século XVIII, essas características se modificaram. Antoine Watteau, pintor francês, esteve entre os primeiros a representar esses personagens com uma maior carga emocional do que lhes havia sido atribuída até então.
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Os comediantes italianos, 1719-20
Antoine Watteau ( França, 1684-1721)
óleo sobre tela, 81 x 67 cm
National Gallery, Washington DC
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Já tratei aqui no blog das diversas ondas de popularidade, através dos séculos desses três personagens, que parecem desaparecer por algum tempo para depois voltarem com força. [O sumiço dos Arlequins, Pierrôs e Colombinas…]. O interesse renovado nesses personagens no século XIX, nas artes visuais, fica focado sobretudo na figura de Pierrô, que se torna trágica, sofredora, injustiçada, triste, vitimizada.
Sem trupe itinerante, sem improviso, personagens convencionais, estereotipados, perderam suas funções e já não eram utilizados. No entanto, eles representavam aquilo que é humano: a esperteza, a inconstância, a ingenuidade. Ficou difícil deixá-los morrer. Temos sempre à nossa volta esses tipos. São nossos irmãos, pais, tios, amigos, primos. São nós mesmos. São como nos vemos e como vemos os outros. A libertação dos zanni, de seus limites, trouxe drama para Pierrô, que durante o romantismo do século XIX, tornou-se o romântico injustiçado por natureza.
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Jean-Léon Gerôme (França, 1824-1904)
óleo sobre tela, 37 x 54 cm
The Walters Art Gallery, Baltimore, Md.
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Um exemplo da carga emocional do Pierrô no século dezenove está representado no quadro de Gerôme, onde a figura de Pierrô é mostrada ferida, como consequência de um duelo pós-baile. Nada mais romântico, nada mais dilacerante para corações mal-entendidos e ingênuos. No entanto, passado os meados do século XIX, nenhum dos três personagens da Commedia dell’ Arte parece conquistar terreno na pintura. Ocasionalmente vemos um deles, mas com os movimentos artísticos do realismo ao impressionismo, deu-se menos importância ao pesado conteúdo dramático que Pierrô parecia representar. O interesse dos artistas estava em outras áreas, em grande parte fundamentadas nas questões de percepção da luz e forma, como vemos no impressionismo. Arlequim e Pierrô retornam nas últimas décadas do século. Diferentes. Suas vestimentas de cores contrastantes atraem pelo potencial à estilização. Pierrô, em geral de traje branco com pompons contrastantes, oferece a possibilidade de um ensaio sobre os tons de branco, enquanto Arlequim trajado de malha em losangos coloridos oferece um “quebra-cabeças” natural para o pintor. Não é à toa que a dupla Arlequim e Pierrô frequenta muitas telas de Cézanne em diante.
Mas é o século XX que traz Arlequim à cena, onde passa a protagonizar grandes telas, importantes, trazidas ao centro do mundo artístico pelas mãos de Picasso. Ele adquire, um aspecto mais sério. Do conquistador, esperto, sem palavra, traquinas de séculos atrás conservou só a característica de conquistador e ganhou densidade ao refletir alguns dissabores, talvez até mesmo uma angústia hamletiana. Não foi à toa que Picasso se identificou com ele e não só uma vez, mais em um número incontável de representações, foi Arlequim quem tomou o lugar do pintor, um alterego.
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Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
MET [The Metropolitan Museum of Art], Nova York
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No quadro acima Picasso se autoretrata como Arlequim no bar Lapin Agile [A lebre ágil]. Nesse meio tempo Pierrô quase sai de cena. Volta no final da década de 20 e nos anos 30. Transforma-se em modelo preferencial no movimento Art Deco não só nas artes gráficas como também na cerâmica e escultura. Ficam de fora o drama, a tristeza e a fragilidade. Pierrô passa a ser código do estilo da época, é adotado como adorno.
Esta divisão, esses dois caminhos seguidos pelos personagens da Commedia dell’ Arte nas artes visuais, no século XX, encontra diferentes seguidores no Brasil. Se observarmos dois dos mais importantes artistas cubistas das primeiras décadas do século XX, Picasso e Juan Gris, podemos ver claramente a evolução das duas tendências que vieram a afetar a arte moderna brasileira.
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Juan Gris (Espanha, 1887-1927)
óleo sobre tela
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Artistas como Antonio Gomide, Yara Tupinambá e Adelson do Prado — todos entre os que se dedicaram seguidamente ao tema dos personagens da Commedia dell’ arte — continuaram na evolução natural do cubismo sintético — o movimento decorativo — cujo maior expoente é Juan Gris. Eles mostram em suas telas os passos seguintes ao que havia sido proposto anteriormente.
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Antônio Gomide (Brasil, 1895-1967)
óleo sobre cartão, 41 x 31 cm
Acervo de John Graz
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Yara Tupinambá (Brasil, 1932)
acrílica sobre tela, 30 x 30 cm
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Adelson do Prado (Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 61 x 50 cm
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Ado Malagoli está entre os pintores brasileiros que deram à imagem de Arlequim um conteúdo emocional semelhante ao que Picasso procurava. Não está sozinho. Gino Bruno, Inimá de Paula, João Quaglia seguem a trilha aberta por Picasso.
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Gino Bruno (Itália, 1899 — Brasil, 1977)
óleo sobre tela, 65 x 50 cm
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Inimá de Paula (Brasil, 1918 – 1999)
óleo sobre tela, 100 x 80 cm
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Além do arlequim ter sido um tema para o qual Ado Malagoli se voltou com alguma frequência a intensidade emocional de suas telas provoca uma reação semelhante a que temos quando Picasso se retratava como Arlequim.
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Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)
óleo sobre madeira, 35 x 27 cm
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Ado Malagoli (Brasil, 1906-1944)
óleo sobre tela
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Ado Malagoli (Brasil, 1906 – 1994)
óleo sobre tela, 81 x 60 cm
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Arlequim com gato preto, década de 1980
Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)
óleo sobre tela
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É forte o impacto desses arlequins quando os vemos em grupo. Parecem envelhecer frente aos nossos olhos. Colocá-los em ordem por ano de produção poderia ser ainda mais interessante. E quantos mais haverá? Não sei. Eu mesma me surpreendo com o número que consegui captar. Infelizmente, acredito que não haja um catalogue raisonné da obra de Ado Malagoli. Fica aqui a idéia, o projeto para algum futuro historiador da arte, quem sabe até mesmo para o museu no Rio Grande do Sul que leva o seu nome. Porque a carga emotiva dessas imagens merece a nossa atenção; elas projetam mais do que a roupa colorida de um zanni. Elas dialogam com os arlequins de Picasso. A seriedade da expressão facial, as cores sizudas, os corpos rígidos nos convidam a refletir. Eles nos levam à introspecção por se mostrarem introspectivos.
Ado Malagoli parecia estar dialogando com seus pares. Um diálogo imagístico, sem duvida. Sua obra tem grande afinidade com a de Picasso. Mas o convite à introspecção é dos grandes artistas. O tema, Vanitas, é universal. Um mero arlequim, um zanni, um personagem na comédia da vida parece o meio perfeito para lembrar que nem tudo é comédia, nem tudo é carnaval ou folia. Em espírito, esses retratos são um momento mori . Eles lembram a passagem do tempo, a finitude da vida. Com a mesma intenção da idéia por trás da obra de um pintor francês, e grande ilustrador de livros, Dutriac, que em 1895 pintou o quadro, Revelação preocupante.
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Georges Pierre Dutriac ( França)
óleo sobre tela.
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©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2012