Moema, poesia de Raquel Naveira

3 03 2012

Índia Mãe, 2007

Filipe Arruda, (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre eucatex, 50 x 60 cm

Filipe Arruda Artes

Moema

Raquel Naveira

Anhangá,

Espírito do mal,

Avisou Moema:

Caramuru partiria com Paraguaçu

Para um reino distante

Do lado de lá.

Moema corre para a praia,

Vê a nau coroada de flores,

As quilhas untadas,

As velas chamando o vento,

Na proa, o amado e a traidora.

O dia começa a ficar triste,

Desde a sombra da tarde,

A inhuma,

Ave noturna,

Voa sobre a cabeça de Moema,

Mulher que não é amada

E que ama.

Ferida,

Tomada de delírio,

Pressentindo a morte próxima,

Atira-se na água

A bela Moema.

Coberta de âmbar e espuma,

Grita a amante:

“– Eu te salvei do naufrágio,

Te dei meu corpo virgem,

Te fui doce

E, agora, me dás em troca

O abandono, a traição?

Hão de ser castigados, miseráveis,

Antes que Jaci brilhe no céu,

Encontrarão desgraça no meio dos escolhos”.

Flutua nas ondas da ira,

Amarga como a folha da jurema,

Afunda trêmula

A pobre Moema.

Caramuru abraça a favorita,

Solta as amarras,

A coragem o incita,

A compaixão lhe sugere uma prece,

Um poema.

Em: Stella Maia e outros poemas, Campo Grande, MS; Editora UCDB:2001

Raquel Naveira (Campo Grande, MS 1957) Poetisa, ensaísta, graduada em Letras e Direito, professora no Curso de Letras da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), mestranda em Comunicação e Letras, na Universidade Presbiteriana Mackienzie (SP), e empresária de turismo (Pousada Dom Aquino, em Campo Grande – MS), Raquel Naveira destaca-se por seu talento e engajamento nas atividades culturais do centro-oeste brasileiro.  A escritora tem recebido reconhecimento nacional através de inúmeras premiações e várias indicações para prêmios. Em sua obra, são constantes a religiosidade, o misticismo e os temas épicos.

Obra:

Via Sacra, poesia, 1989

Fonte luminosa, poesia, 1990

Nunca Te-vi, poesia, 1991

Fiandeira, ensaios, 1992

Guerra entre irmãos, poesia, 1993

Canção dos mistérios, poesia, 1994

Sob os cedros do Senhor, poesia, 1994

Abadia, poesia, 1995

Mulher Samaritana, 1996

Maria Madalena, prosa poética, 1996

Caraguatá, poesia, 1996

Pele de jambo, infanto-juvenil, 1996

O arado e a estrela, poesia, 1997

Intimidades transvistas, 1997

Rute e a sogra Noemi, prosa poética, 1998

A casa da Tecla, poesia, 1998

Senhora, poesia, 1999

Stella Maia e outros poemas, 2001

Casa e castelo, poesia, 2002

Maria Egipcíaca, poesia, 2002

Tecelã de tramas: ensaios sobre interdisciplinaridade, ensaios, 2004

Portão de ferro, poesia, 2006

Literatura e Drogas e outros ensaios, crítica literária, 2007





Imagem de leitura — Kevin Bielfuss

2 03 2012

Hora dos contos 

Kevin Bielfuss ( EUA, )

óleo sobre tela, 45 x 60cm

www.kevinbielfuss.com

Kevin Bielfuss nasceu nos Estados Unidos.  Estudou na Illinois State University.  Imediatamente após sua graduação trabalhou com artista gráfico para casas editoriais.  Depois de treze anos nesse ofício, libertou-se do vínculo comercial e lançou sua carreira artística como pintor, especializando-se em retratos.  Vive em Chicago.





Quadrinha da boa ação

2 03 2012

Ilustração de Arthur Sanoff.

Viu o ovo despencado
e o repôs na palha fria
ouvindo o belo trinado
da ave que agradecia.


(Eliana Palma)





Imagem de leitura — Aaron Shikler

1 03 2012

John Kennedy Jr. lendo, s/d

Aaron Shikler (EUA, 1924)

óleo sobre tela

Aaron Shikler nasceu em Nova York, nos Estados Unidos em 1922. Estudou na Tyler School of Art na Filadélfia e prosseguiu com seus estudos na Hans Hofmann School.  Tornou-se um dos maiores retratistas de personalidades políticas e de influência nos EUA, tornando-se famoso pelo retrato do Presidente John F. Kennedy que se tornou o retrato oficial da Casa Branca.





Rio de Janeiro, parabéns! 447 anos!

1 03 2012

Hoje recebi um email de uma amiga que continha essa jóia.  Um filme do Carnaval do Rio de Janeiro em 1954. E só foi lançado em 1955. É americano.  As imagens são de excelente qualidade.  E o comentarista se mostra incrédulo com a alegria das festividades dos três dias de folia.  Posto aqui o vídeo para que fique registrado um pouquinho do espírito carioca,






Palavras para lembrar — Edmund Burke

29 02 2012

A leitura, 1988-1990

José Manuel Merello (Espanha, 1960)

resina de poliéster sobre tela,  81 x 100 cm

www.merello.com

“Ler sem refletir é como comer sem digerir”.

Edmund Burke





Pássaro no espaço — poesia infantil de Maria Dinorah

27 02 2012

Bailarinas, ilustração Dorothy Grider.

Pássaro no espaço

Maria Dinorah

Piso num ponto

e me ponho

de pés em ponta

Estou pronta.

 –

Penso uma pauta

e me pinto,

pego um pente

e me penteio.

 –

Paro no pulo

e no prumo,

nego o nervoso

e me aprumo.

 –

Pronto.

Pisco,

apresto o passo.

 –

E na pausa

dessa pose,

sou um pássaro no espaço.

Maria Dinorah Luz do Prado (Porto Alegre, 1925 — Porto Alegre, 2007) professora e escritora de livros infanto-juvenis.  Escreveu aproximadamente cem títulos.

Algumas obras:

Alvorecer

Boi Boá

Bom-dia, Maria

A caranguejola do Zeca e outras estórias

O Cata-vento

Chapéu de vento

O coelho Dim-dim

Coração de papel

A coragem de crescer

Coragem de sonhar

O desafio da liberdade

Dobrando o silêncio

Dom Gato

Ensinando com poesia

A Fábrica das gaiolas

Felpudo e olhogrande

Festa no Parcão

A flauta do silêncio

A flautinha do Pirulin

O galo superdotado

A gaitinha do sseu Zé

Os gêmeos

Geometria de sombra

Giroflê giroflá

Guardados de afeto: repensando a alfabetização

Histórias de fadas e prendas

Hora nua

Iara Aruana

A lagoa encantada

O livro infantil e a formação do leitor

O livro na sala de aula

O macaco preguiçoso e outras estórias

Mata-tira-tirarei

A medida do sorriso

Menino na avenida

Meu verde mar azul

O ontem do amanhã

Um pai para Vinícius

Panela no fogo, barriga vazia

Piá também conta causo

Pinto verde e outras estórias

Pitangas e vaga-lumes

O poema da flor

Poesia Sapeca

Pra falar de amor

Quando explodem as estrelas

Que falta que ela nos faz

A Semente Mágica

Seu Zé

Simplesmente Maria

Solidão e mel

Tem que dar certo

O Território da infância

Três voltas de ciranda

Uma e una

O ursinho azul

Ver de ver

Verso e reverso: poemas de Natal

Vinte pontos de uma vez

O vôo do pássaro e  outras histórias





Palavras para lembrar — Umberto Eco

26 02 2012

A biblioteca de babale, ilustração de Erik Desmazieres, 1997.

“As bibliotecas são fascinantes: às vezes parece-nos estar sob a marquise de uma estação ferroviária e,  consultando livros sobre terras exóticas, tem-se a impressão de viajar a paragens longínquas”.

Umberto Eco





Quadrinha de mãe e filho

26 02 2012

Aos olhos cheios de afeto
da mãe que o viu pequenino
seja qual for sua idade
o filho é sempre um menino

(Soares da Cunha)





Imagem de leitura — Henk Maas

25 02 2012

Interior com senhora lendo, s/d

Maximilian Louis (Henk) Maas (1924-2005)

óleo sobre tela, 115 x 99 cm

Louis Maximilian (Henk) Maas foi criado em Roterdã, vivendo com sua mãe e o padrasto galerista. A  mãe era de origem judaica-portuguesa. Por isso Henk foi mandado para um campo de trabalhos forçados durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha.  Aprendera com o padrasto a profissão de restaurador e moldureiro.  Depois da guerra Maas foi estudar na  Academia de Arte de  Roterdã.  Dedicou-se a vida inteira à pintura e à restauração.  Mas nunca se preocupou na comercialização de seus quadros.  Foi só na segunda metade do século XX que Maas deixou a pintura acadêmica para entrar na fase abstrata, desenvolvendo logo em seguida um estilo próprio de colorido expressionista. Tornou-se um grande colecionador.   Morreu em 2005.