A sensualidade tátil de W. Radwan

11 01 2013

Expansão II - WRadwan 2012, Óleo sobre madeira 100 x100cm

Expansão II, 2012

W. Radwan (Brasil, 1953)

óleo sobre madeira e carvão, 100 x 100 cm

http://wradwan.blogspot.com.br/

Dando continuidade às postagens com artistas brasileiros, hoje quero mostrar  o trabalho de Wadgy Radwan, que exerce sua arte numa esfera única, entre a pintura e a escultura.  Sua última exposição na Galeria Maurício Pontual no Rio de Janeiro, que vi no final do ano passado,  explora contrastes.

Magma III, 110 cm x 110 cm - óleo sobre madeira e carvãoDeflexoes - WRadwan - Magma III - 2011Magma III, 2011

W. Radwan (Brasil, 1953)

óleo sobre madeira e carvão vegetal, 110 x 110 cm

http://wradwan.blogspot.com.br/

Suas obras são imponentes, mas não exageradamente.  Têm presença visual marcante.  Além disso, mexem com os sentidos. Minhas preferidas pertencem à série Magma.  À mim, pediram que fossem tocadas, que suas superfícies fossem apreciadas com a ponta dos meus dedos, para sentir as inúmeras facetas dos carvões.  Claro que não fiz isso.  Mas o apelo ao tato é exarcebado pelo contraste com a outra parte das esculturas-pinturas: a parte lisa.

wradwan(Brasil, 1953), Magma II, 2011, osmec, 110x110

Magma II, 2011

W. Radwan (Brasil, 1953)

óleo sobre madeira e carvão vegetal, 110 x 110cm

http://wradwan.blogspot.com.br/

Radwan trabalha com contrastes.  A série Magma mostra dois planos com pesos semelhantes: o ‘natural’ e o ‘industrial’ — essas denominações são minhas.  Além da superfície encrespada de carvão, existe o plano que funciona como ‘sombra’, em geral deslocada.  Enquanto as superfícies cobertas por carvão vegetal pintado são orgânicas, grossas e ásperas,  suas ‘sombras’ são suaves, polidas, e em cores contrastantes.   A ‘sombra’ — o reverso, o anti-natural, o industrial — contrasta em cor e acabamento com o que se apresenta como o natural, orgânico, intrigante.  Enquanto um plano é rico em tonalidades, o outro tem uma única cor,  lisa.

w. Radwan(brasil, 1953) magna I

Magma I, 2011

W. Radwan (Brasil, 1953)

óleo sobre madeira, 110 x 110 cm

http://wradwan.blogspot.com.br/

As obras pertencentes ao grupo Expansão continuam a explorar contrastes, mas de outra maneira.  Nelas, a maior parte da superfície é dedicada ao plano com textura, nesse caso, o carvão vegetal.  E a obra se abre, deixa espaço para mostar, revelar numa abertura, num entrever, o ponto de contraste. Esse pode ser trazido pela cor, ou pela introdução de outros elementos em relevo, manufaturados, com formas industrializadas dispersos sobre uma área  lisa, como acontece com  Expansão II  aqui abaixo.

Expansão iii, 2012

Expansão III, 2012

W. Radwan (Brasil, 1953)

óleo sobre carvão vegetal, PVC e madeira, 100 x 100 cm

http://wradwan.blogspot.com.br/

O trabalho exposto no fim de 2012 é o desenvolvimento de ideias  que já vinham sendo exploradas: contrastes entre formas naturais e  industriais, o jogo entre esses planos e a abordagem às questões ambientais.  Já anterior a esta exposição  o trabalho Esperança, delineava o caminho a ser traçado.

Obras WRadwan-- Esperança, (60 x 100 cm - Acrílica, carvão e madeira)

Esperança, 2012

W. Radwan (Brasil, 1953)

Acrílica, carvão vegetal e madeira, 60 x 100 cm

[Selecionada para o 9º Salão de Artes Plásticas da Academia Brasileira do Meio Ambiente]

http://wradwan.blogspot.com.br/

Aqui dois planos de dimensões próximas, um deles deslocado, oferecem contraste semelhante aos dos trabalhos vistos na Galeria Maurício Pontual.  Não consigo olhar para Esperança sem ter a sensação de uma metáfora análoga a do monolito negro do filme 2001 Odisséia no Espaço.  Há o elemento natural e o feito pela mão do homem, da mesma forma em que o monolito do filme é contrastado com a vida dos macacos no planeta.  O uso da geometria, da expansão de superfícies precisamente calculada, o espelhar de formas entre as obras, a abstração da cor — todos os trabalhos recentes se limitam a uma palheta de três cores: branco, negro e vermelho — tudo isso apela para a introspecção, a reflexão, chegando até mesmo a uma espiritualização provocada pela forma. Apelos familiares feitos por obras de artistas que têm um relacionamento estético com Radwan, mesmo que de gerações anteriores: Rothko e Louise Nevelson, são alguns dos que vêm à mente.

W. Radwan (Brasil, 1953)Encontros e desencontros,acrílica sPVC emadeira, 80 x 100 cm

Encontros e desencontros, 2011

W. Radwan (Brasil, 1953)

acrílica sobre PVC emadeira, 80 x 100 cm

http://wradwan.blogspot.com.br/

Em 2011, W. Radwan mostrou seus trabalhos na galeria TNT.  Lá também o formato, o abstracionismo trazem para discussão os icônes da industrialização.  É nessa fase imediatamente anterior que vejo maior familiaridade entre Radwan e o artista plástico Sérgio Camargo.  Mas acredito que o jogo de sombras e o uso abundante de produtos orgânicos na obra de Radwan tragam, pelo  menos nessa fase, maior riqueza, maior significação para quem as observa.  E ainda que seja herdeiro de Krajberg no uso das formas naturais, Radwan toma um caminho próprio, desligando-se a cada nova obra dessas influências, para realizar uma viagem própria,  singular e de extrema beleza.  É um grande prazer observar a sua obra.

©Ladyce West, Rio de Janeiro:2013





Quadrinha do bem viver

10 01 2013

cantando, menino,

Sem dar chance ao desatino,
quando a dor te atormentar,
tenta torcer o destino
cantando, em vez de chorar!

(Ulysses de Carvalho Junior)





Imagem de leitura — Manuel Vacas

9 01 2013

Manuel vacas(Argentina) Feira de livros

Feira de livros

Manuel Vacas ( Espanha, contemporâneo )

óleo sobre tela

www.mvacas.com





Quadrinha das estrelas

9 01 2013

céu estrelado Elisabeth Montgomery

Ilustração de Elizabeth Montgomery.

No refulgir de uma estrela

há dois pontos principais:

do sonhador que quer vê-la

e do que não sonha mais.

(José Augusto Fernandes)





Palavras para lembrar — Emile Faguet

8 01 2013

Marie Françoise Caroline Vallée (ativa Paris, sec XIX)Lendo Paulo e Virginia, ost,56 x 69 cmLendo Paulo e Virgínia

Marie Françoise Caroline Vallée (ativa em Paris no século XIX)

óleo sobre tela,  56 x 69 cm

Christie´s Auction House, 2010

“A arte de ler é a arte de pensar com um pouco de ajuda”.

Emile Faguet





A cantiga que cantavas, poesia infantil de Tasso da Silveira

8 01 2013

musica no jardim, 1918Ilustração publicada em 1918.

A cantiga que cantavas

Tasso da Silveira

A cantiga que cantavas

não tinha acompanhamento

nem de nenhum instrumento

nem de outra voz, nem de vento,

nem de água em murmúrio vão.

Subia pura na noite.

Subia serenamente

fresca, simples, inocente,

para os astros, para a lua,

no seio da solidão.

Afora o canto que entoavas,

tudo era recolhimento

no vasto e perdido mundo.

Tudo era êxtase profundo.

Ao teu canto claro e lento,

tudo era deslumbramento.

Não havia voz de vento,

nem água em murmúrio vão.

Teu canto, no vasto mundo,

não tinha acompanhamento.

Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004

Tasso Azevedo da Silveira ( Brasil, 1895 – 1968) advogado e  escritor. Um dos fundadores da Revista Fanal que circulou de 1911 a 1913.  Pertenceu ao movimento de vanguarda literária no Paraná.

Obras:

A igreja silenciosa, 1911

Fio d’água, poesia, 1918

A alma heróica dos homens, poesia, 1924

Alegria criadora: 1922-1925, ensaios, 1928

As imagens acesas, poesia, 1928

Alegorias do homem novo

Canto do Cristo do Corcovado, poesia, 1931

Canto absoluto, 1940

Discurso ao povo infiel

Cantos do campo de batalha, poesia, 1945

Contemplação do eterno, poesia, 1952

Canções a Curitiba, poesia, 1955

Puro canto, poesia, 1956

Regresso à origem, poesia, 1960

Poemas de antes, poesia, s/d

As mãos e o espírito, teatro, 1957





A flauta e o sabiá, fábula de Coelho Neto

8 01 2013

gaiola e mulher, george barbierO vôo do pássaro, George Barbier (França,1882-1932)

A flauta e o sabiá

Coelho Neto

Em rico estojo de veludo, pousado sobre uma mesa de charão, jazia uma flauta de prata. Justamente por cima da mesa, em riquíssima gaiola suspensa ao teto, morava um sabiá. Estando a sala em silêncio, e descendo um raio de sol sobre a gaiola, eis que o sabiá, contente, modula uma ária.

Logo a flauta escarninha põe-se a casquinar no estojo como a zombar do módulo cantor silvestre.

— De que te ris? indaga o pássaro.

E a flauta em resposta:

— Ora esta! pois tens coragem de lançar guinchos diante de mim?

— E tu quem és? ainda que mal pergunte.

— Quem sou? Bem se vê que és um selvagem. Sou a flauta. Meu inventor, Mársias, lutou com Apolo e venceu-o. Por isso o deus despeitado o imolou. Lê os clássicos.

— Muito prazer em conhecer… Eu sou um mísero sabiá da mata, pobre de mim! fui criado por Deus muito antes das invenções. Mas deixemos o que lá se foi. Dize-me: que fazes tu?

— Eu canto.

— O ofício rende pouco. Eu que o diga que não faço outra coisa. Deixarei, todavia, de cantar e antes nunca houvesse aberto o bico porque, talvez, sendo mudo, não houvessem escravizado se, ouvindo a tua voz, convencer-me de que és superior a mim. Canta! Que eu aprecie o teu gorjeio e farei como for de justiça.

— Que eu cante?!…

— Pois não te parece justo o meu pedido?

— Eu canto para regalo dos reis nos paços; a minha voz acompanha hinos sagrados nas igrejas. O meu canto é harmoniosa inspiração dos gênios ou a rapsódia sentimental do povo.

— Pois venha de lá esse primor. Aqui estou para ouvir-te e para proclamar-te, sem inveja, a rainha do canto.

— Isso agora não é possível.

— Não é possível! por quê?

— Não está cá o artista.

— Que artista?

— O meu senhor, de cujos lábios sai o sopro que transformo em melodia. Sem ele nada posso fazer.

— Ah! é assim?

— Pois como há de ser?

— Então, minha amiga modéstia à parte vivam os sabiás! Vivam os sabiás e todos os pássaros dos bosques, que cantam quando lhes apraz, tirando do próprio peito o alento com que fazem a melodia. Assim da tua vanglória há muitos que se ufanam. Nada valem se os não socorrem o favor de alguém; não se movem se os não amparam; não cantam se lhes não dão gorjeia porque tem voz. E sucede sempre serem os que vivem do prestígio alheio, os que mais alegam triunfos. Flautas, flautas… cantam nos paços e nas catedrais… pois venha daí um dueto comigo.

E, ironicamente, a toda voz, pôs-se a cantar o sabiá, e a flauta de prata, no estojo de veludo… moita.

Faltava-lhe o sopro.

***





A máquina de fazer espanhóis: música aos meus ouvidos

7 01 2013

Brown_Ellen, lendo a Ilha do Tesouro

Lendo a Ilha do Tesouro, 2010

Ellen Brown (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela,  56 x 71 cm

www.ellencbrown.com

Dois preconceitos acabaram por retardar a minha leitura de A máquina de fazer espanhóis de Valter Hugo Mãe. O primeiro preconceito tem a ver com a falta de letras maiúsculas, uma complicação textual que continuo a achar desnecessária e um tanto marqueteira.  Depois de ver uma entrevista com o autor, na época em que ele veio à FLIP, fiquei convencida de que era isso mesmo que se passava, e deixei o livro de lado. [Folgo em saber que Valter Hugo Mãe já deixou de lado este pequeno e esdrúxulo requisito para suas obras].   O outro preconceito é mais sutil e não menos importante: não me afino muito com leituras cujas narrativas pendem para fluxo de consciência.  Sim, sim, sei que grandes obras da literatura moderna usam desse artífice para narrar, mas é uma questão de escolha pessoal minha, de afinidade.

Dito isso, venho reconhecer que A máquina de fazer espanhóis, que ganhou o prêmio José Saramago, em 2007, é um dos textos mais criativos com que me deparei nos últimos anos.  Ostensivamente o assunto que provoca as ponderações — sobre a vida, o país, a história, o Benfica, futebol, maneira de viver e de morrer e todos os demais questionamentos do dia a dia da vida de qualquer cabeça pensante —  é trazido para a arena de debate interno, do pensamento analítico, por um senhor de oitenta e tantos anos que acaba de ser internado  num asilo para idosos. São poucos os livros que conheço que abordam o assunto da velhice, da memória, da decrepitude, com tanta energia, simpatia e realismo.  Bernice Rubens, autora de um excelente romance sobre o tema — The Waiting Game–  com o qual ganhou o Booker Prize em 1993, tem em comum com Valter Hugo Mãe o fino senso de humor.  Já Leite Derramado, de Chico Buarque , que ganhou o prêmio Jabuti de 2010, que se desenvolve a partir de um tema semelhante, não consegue, a meu ver, narrativa tão sensível e emotiva quanto Valter Hugo Mãe atinge nos seus momentos mais poéticos.

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A máquina de fazer espanhóis se impõe então no universo literário lusófono como uma bela homenagem aos nossos anciãos, onde a tão conhecida melancolia portuguesa é combinada de forma sutil e inesperada com uma boa dose de humor e de realismo. Valter Hugo Mãe  alerta que nem todos os velhos são iguais. E mostra como todos são tratados como se fossem iguais, como crianças.  Nosso mundo vê os velhos como tendo um pouco de poetas, de loucos, de fantasiosos, de irresponsáveis.  A sociedade, a família, os profissionais de assistência social, enfermeiros, todos os tratam como se a caduquice fosse generalizada e talvez até contagiante.  Com essa narrativa somos requisitados a pensar nos velhos que conhecemos: pais, mães, avós, tios.  E temos que admitir que também nos comportamos de maneira análoga. Quantas vezes não nos pegamos em conversa jogada fora, na hora do cafezinho, dizendo que fulano que passou dos 80 ainda está bem, ainda pega ônibus, ainda toma conta de suas contas bancárias, ainda vota.  Como se o normal fosse o contrário; como se a decrepitude se estabelecesse inevitavelmente em todos, a partir de uma certa data.

Surpreendente é a forma poética de apresentar as diferenças entre uns e outros no asilo.  Às vezes é a ternura  que embala certas situações:  “a dona glória do linho parecia um ser delicado, toda candura e menina. tinha uma pouca experiência do amor e não aguentava a timidez de estar a ser cortejada por um garboso doutor em arte antiga. a dona glória do linho tinha estado no quarto do anísio dos olhos de luz e apequenara-se entre as estátuas importantes e bem pintadas que ele guardava. achava ela que estava dentro de um pedaço de museu, assim preciosa e maior do que o tempo de uma vida, porque era um pedaço de coisas que tinham de ficar para sempre como património de toda gente, mais preciosas do que toda gente.”

Surpreendente também é a crítica quando presenciamos a irreverência de quem não tem mais nada a perder: “ser religioso é desenvolver uma mariquice no espírito. um medo pelo que não se vê, como ter medo do escuro porque o bicho-papão pode estar à espreita para nos puxar os cabelos. esperar por deus é como esperar pelo peter pan e querer que traga a fada sininho com a sua minisaia erótica tão desadequada à ingenuidade das crianças.

valter hugo mãeValter Hugo Mãe

O jogo entre a lucidez e a fantasia permite que Valter Hugo Mãe se embrenhe por referências políticas, pelos problemas do Portugal moderno, membro da Comunidade Europeia, sem que seu livro se torne um cansativo tratado sócio político.  Pelo contrário, ele ilustra e relata fatos sem radicalismos nem pieguices  doutrinárias.  Seus velhinhos de asilo são ricos de características ímpares que num pulo da imaginação podem se tornar elementos para uma leitura mais alegórica do momento sócio-econômico pelo qual o país passa.  Mas em toda a narrativa o que mais me emocionou foi a língua.  Foi o português, o brincar com as palavras, foram os sons das palavras, a maneira de escrever como se fala, como ouvimos, como a gente da rua se expressa, cheia de poesia embutida nas sílabas cantadas.  Este sim foi, acima de tudo, o meu maior prazer nessa leitura.  Prazer que me fez parar e repetir parágrafos, marcar trechos, ler em voz alta. Mesmo com meu sotaque brasileiro o português cantou com Valter Hugo Mãe. Sim, com ele, a língua canta.





Imagem de leitura — Kikugawa Eizan

7 01 2013

Kikugawa Eizan (1787-1867), Reclining couple reading a love letter, ca. 1804-1818. Color woodblock print, Princeton EDU

Casal recostado lendo uma carta de amor, c. 1804-1818

Kikugawa Eizan ( Japão, 1787-1867)

Xilogravura policromada,

Universidade de Princeton, NJ

Kikugawa Eizan [Kikugawa é o nome de família deste artista japonês] nasceu em 1787. Estudou inicialmente com seu pai, Kikugawa Eiji, pintor no estilo Kano e mestre de leques.  Mais tarde desenvolveu suas técnicas sob a orientação de Suzuki Nanrei, artista no estilo Shijo, e com Totoya Hokkei que estudava Hokusai.  Aos poucos desenvolveu seu próprio estilo figurativo, concentrando-se primeiramente nas belas mulheres, bijin-ga, incorporando aspectos líricos e delicados ao seu trabalho que tipifica o estilo Utamaro. Mas, recusou explorar aspectos realistas, dando ênfase em seu lugar a sensualidade. Mostra sua afinidade com o furyo, na elegância de suas figuras, dando a muitas de suas obras esse título. Além das Bin-ga [mulheres belas] Eizan também se dedicou ao retrato de atores, a paisagens, animais e crianças.  Faleceu em 1867.





Quatro novos livros no vestibular da FUVEST e UNICAMP

7 01 2013

lendo 77Ilustração, Maurício de Sousa.

As novidades para o vestibular do final do ano de 2013 são quatro novos livros. Essa lista é das leituras obrigatórias para o vestibular.  Vejamos:

Novo:

Viagens na minha terra, de Almeida Garrett.  Este livro entra no lugar de  Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, que era pedido no ano passado.

Til, de José de Alencar, entra na lista substituindo Iracema do mesmo autor, na lista anterior.

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis toma o lugar de Dom Casmurro, do mesmo autor, que fazia parte da lista passada.

Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade será agora o livro de poesias.  Anteriormente a leitura requerida era Antologia Poética de Vinicius de Moraes.

Continuam na lista:

Memórias de um sargento de milícias de Manuel Antônio de Almeida

O cortiço de Aluísio Azevedo

A cidade e as serras de Eça de Queirós

Vidas secas de Graciliano Ramos

Capitães de areia de Jorge Amado

Gostei das mudanças. Elas trazem maior textura e as obras escolhidas me parecem ter mais diálogo entre si. Perigando ser criticada, gosto mais de Brás Cubas do que de Dom Casmurro.  É uma questão de gosto pessoal.  Ver José de Alencar além do indianismo também acho muito interessante, porque expande o horizonte desse mestre da literatura brasileira. Frequentemente suas obras regionalistas e urbanas são deixadas de lado, mesmo que produzam retratos importantes da sociedade da época. Drummond é um poeta intelectualmente mais complexo, junto com Bandeira — difícil dizer qual é melhor — um dos grandes expoentes da nossa poesia.  Essa troca enriquece as variáveis nas provas do vestibular.  As mudanças parecem apontar para a leitura em contexto histórico-social. Importante será ver o trabalho de Garrett em relação ao Portugal da época.  Cada vez mais olha-se para a literatura fora do cosmos exclusivamente literário, para dar ênfase ao momento histórico da publicação. Drummond certamente está inserido com o livro de poemas de maior relevância política do poeta.  E também será interessante ver as comparações entre os livros da lista. Sabemos por exemplo que Garrett exerceu influência em Machado.  Será apropriado ao ler esses livros manter em mente uma comparação entre os autores.  É começar a ler agora mesmo!  Não há tempo a perder!  Boa sorte a todos.