
Ilustração: Mabel Rollins Harris
Como é belo ver a planta
que abre flores nos caminhos,
nas horas em que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
(José Lucas de Barros)

Ilustração: Mabel Rollins Harris
Como é belo ver a planta
que abre flores nos caminhos,
nas horas em que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
(José Lucas de Barros)
“Não me interrompam a leitura está boa. Já deixei espaço no banco, não precisa pedir permissão para sentar!” — Praça Serzedelo Correia, Copacabana, RJ.
Ilustração: Walt Disney
Aos meu leitores:
Desculpas! Mas, a partir de ontem, tenho uma nova residência. Estou no processo de abrir caixas e mais caixas. E esperar que a linha de internet rápida seja instalada no novo local. Então estarei apenas dando uma passadinha por aqui, breve, até que aos pouquinhos a vida se normalize. Deve ser logo! Um abraço!
Vemos no verde esperança,
No azul, nosso céu de anil,
No perfil de uma criança
O futuro do Brasil!
(Oscar Crepaldi)
Bem no meio da semana de mudança de um apto para outro, arranjei de ficar gripada. Então, com febre e sem energia para nada, está difícil entrar com algo interessante no blog. Resolvi postar algo que preparei há algum tempo, seguindo o exemplo de Cadê o Revisor, das Carambolas Azuis, das Laranjinhas, de Pelvini e muitos outros, listando meus hábitos de leitura, ou melhor ainda, o meu relacionamento com o mundo dos livros.
Amantes Dispuestos, s/d
Karen Cooper (EUA- contemporânea)
Acrílica sobre tela, 50 x 75 cm
♦ Leio tudo. Se tiver letras eu leio: anúncio nos outdoors, tabuleta de FRETE, etc Quando morei na Argélia a maior dificuldade foi não conseguir ler nem os nomes das ruas, pois não tenho a menor idéia sobre o alfabeto árabe.
♦ Comecei a ler antes de entrar na escola.
♦ Meus pais liam. Ambos. Eu imitava.
♦ Desde de criança que tive uma estante para os meus livros.
♦ Sempre dou livros para as pessoas. Até para aqueles que sei não terem o hábito de ler. Procuro algo que possa seduzir a pessoa, por exemplo, um fã de futebol: crônicas sobre o Flamengo de Nelson Rodrigues.
♦ Nunca ponho dedicatória no livro, mas num cartão acompanhando.
♦ Sou capaz de rir às gargalhadas ou de chorar lendo um livro em qualquer lugar que eu esteja.
♦ Não caio no sono sem ler.
♦ São raros os livros que releio.
Leitora, s/d
Diana Ong ( EUA, 1940)
Gravura
♦ Sempre quero saber o que outros na rua, no metrô ou no ônibus estão lendo.
♦ Leio em qualquer transporte público.
♦ Às vezes, compro livro pelas capas.
♦ Empresto livros com bastante facilidade, principalmente romances. Não sou ciumenta dos meus livros. Tenho prazer em saber que o meu livro pode estar dando prazer a outro. Quanto mais gente ler o meu livro mais feliz eu fico.
♦ Incentivo a leitura naqueles que as vezes não lêem por falta de dinheiro: empresto pro porteiro, pro taxista, pra faxineira.
♦ Quando adolescente gastava boa parte da minha mesada em livros, em sebos.
♦ Não escrevo a lápis nos meus livros. Tomo notas num caderninho especial.
♦ Marco passagens interessantes com tirinhas de papel. Se quando eu terminar o livro elas ainda forem interessantes, passo para um caderno com passagens interessantes. Há dois anos este caderno não existe, é uma pasta no meu computador.
♦ Já tive um ex-libris. Hoje acho isso uma interferência…
♦ Tenho livros em todos os cômodos da casa, exceto a cozinha. Mas tenho uma biblioteca de livros de cozinha no quarto de empregada.
♦ Sou conhecida por colocar livros em ordem nas livrarias, colocar de volta nas prateleiras livros que pessoas deixaram nas mesas.
O companheiro, 2001
Joseph Alleman (EUA)
Aquarela, 75 x 55 cm
♦ Prefiro o silêncio quando leio. Mas uma música instrumental baixinho às vezes pode rolar.
♦ Tenho pilhas de livros no meu quarto. São as próximas leituras.
♦ Tenho um bloquinho com a classificação de 1 a 5 estrelas dos livros lidos.
♦ Não empresto livros de referência. Entre eles estão dicionários, é claro, os clássicos, livros de historia, nem livros de arte.
♦ Já escrevi um livro que nunca foi publicado.
♦ Leio jornal todo dia.
♦ Sempre leio o resumo da contra-capa.
♦ Pertenço a um grupo de leitura há mais de cinco anos, somos 12 mulheres, juntas já lemos mais de 65 livros.
♦ Leio no mínimo de 4 a 6 livros por mês.
♦ Leio alguns jornais estrangeiros todos os dias na internet, dou preferência aos ingleses.
♦ Leio algumas revistas digitais, umas duas vezes por semana.
♦ Todos os dias leio a BBC e a Reuters digitais.
♦ Acho que irei me adaptar aos livros digitais, apesar de não ter no momento nenhum kindle ou semelhante. Mas leio com facilidade no computador.
♦ Acho que não me adaptarei a ler um livro no celular.
♦ Não gostei do livro, deixo de lado. Há muitos outros e certamente não viverei anos suficientes na minha vida para ler todos.
♦ Não escrevo resenhas de livros de que não gosto.
♦ Numa livraria, antes de comprar, se tenho dúvidas se devo ou não investir num livro ou autor desconhecido, leio a primeira página. Se dá vontade de continuar, compro.
♦ Leio fluentemente em 3 línguas. E leio sempre um livro em cada uma dessas línguas regularmente, para não perder o hábito com a língua.
♦ Quando viajo tento levar livros sobre aquele lugar que algum autor já publicou e comparo as minhas impressões com as dele. Isso foi de grande efeito quando passeei algum tempo na Espanha, lendo Ibéria de James Michener.
♦ Não coleciono autógrafos. Nem de autores de que gosto. Não sou dada ao culto de celebridades, quaisquer que elas sejam.
♦ Já li autoajuda.
♦ Já li livros para melhorar a administração de carreira.
♦ Compro mais livros do que leio, porque gosto de saber que estão em meu poder e posso vir a lê-los a qualquer momento.
♦ Leio livros emprestados também.
♦ Leio livros de sebo assim como novos.
♦ Desde que saí da casa de meus pais, para ter o meu próprio canto, tenho uma área da casa dedicada a livros.
♦ Conheci meu marido numa biblioteca.
♦ Gosto de visitar bibliotecas, mesmo quando sou turista.
♦ Eu e as bibliotecas somos amigas do peito: sou produto de uma biblioteca municipal, no Rio de Janeiro, da biblioteca da escola pública que freqüentei, da biblioteca do Colégio Pedro II e por aí afora.
♦ Leio livros de história, acadêmicos, como se fossem romances.
♦ Na internet sou bastante aventureira e passeio por portais de livrarias em alemão, em holandês, sueco, etc. Acabo aprendendo um pouco. É divertidíssimo.
♦ Minha biblioteca é um tanto bagunçada e segue uma organização genérica por assunto.
♦ Dou e dôo livros com freqüência.
♦ Não me interesso muito pela vida do autor. O livro, sua obra, é o que me atrai.
♦ Não sou a pessoa que mais lê na minha casa. Meu marido lê muito, muito mais do que eu.
Lendo conto de fadas, cartão postal
Elizabeth Shippen Green (EUA 1871-1954)
Ilustradora de livros.
Veja algumas dicas:
A psicopedagoga Andrea Garcez ensina os pais a ajudar os filhos no dever de casa e estimulá-los a ler.
– Reserve uma mesa, nunca cama ou sofá, para estudos, com livros, revistas, tesoura, cola e lápis de cor.
– Tempo: para os menores do 1º ano, estabeleça entre 15 e 20 minutos. Do 7º ano em diante: entre 1 e 2 horas.
– Fazer o dever pela criança a torna insegura e faz com que os professores acreditem que o aluno está bem.
– Pais devem acompanhar as tarefas dos filhos, mas cabe à escola ensinar. Professores podem escolher temas atuais, explorar recursos da mídia, da Internet, criar desafios, competições saudáveis e expor os trabalhos.
O hábito da leitura é fundamental para o sucesso escolar e profissional. É difícil criá-lo se a família não lê. Os pais ensinam mais através de atos do que de palavras.
A cigarra e a formiga
Bocage
Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o Verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brilho,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso Estio.
«Amiga, diz a cigarra,
Prometo, à fé d’animal,
Pagar-vos antes d’Agosto
Os juros e o principal.»
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
«No Verão em que lidavas?»
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: «Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.»
«Oh! bravo!», torna a formiga.
– Cantavas? Pois dança agora!»
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Bocage
Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de Setembro de 1765 — Lisboa, 21 de Dezembro de 1805), Poeta português, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Árcade e pré-romântico, sonetista notável, um dos precursores da modernidade em seu país.
Pintura pré-histórica da Caverna das Mãos na Patagônia, Argentina.
Se o plural de pão é pães
por que das mãos que se tem
não se diz “são duas mães”
direita e esquerda também?
(Paulo Amorim Cardoso)
Parecia ter sotaque
aquele relógio chique:
— Soltava o tique no taque,
e vice-versa no tique!
(Eno Teodoro Wanke)