Trova sobre Tiradentes

19 04 2015

 

 

OLDACK DE FREITAS- Tiradentes. Óleo sobre tela, 53 x 65 cm. Assinado no canto inferior direito 1960.Tiradentes, 1960

Oldack de Freitas (Brasil, ?-?)

óleo sobre tela, 53 x 65 cm

 

 

No rol dos inconfidentes,
fiel à sua verdade,
deu a vida Tiradentes
por amor à Liberdade!

 

(Carolina Ramos)





Mais uma sugestão de leitura: Sofi Oksanen

19 04 2015

 

Fran Peppers, jovem lendo, ost,20x24nchsJovem lendo

Fran Peppers (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

www.franpeppers-art.com

 

 

Cá pelo Rio de Janeiro, temos 9 dias de folga em pleno mês de abril. Amigos me pedem dicas de leitura.  Todos sabem que vou sempre preferir algo um pouquinho menos conhecido. Como a volta ao trabalho só está programada para segunda-feira, dia 27, há tempo de sobra para se ler bons livros.

Hoje, li a entrevista de Sofi Oksanen no jornal inglês The Guardian, e me lembrei que a autora está representada no Brasil, por pelo menos dois títulos.  Com ela conhecemos melhor as histórias de colonialismo soviético, que como o The Guardian lembra, é assunto pouco abordado. E sabê-lo pelo olhos de uma escritora finlandesa, uma raridade no nosso horizonte, parece interessante pois sugere um distanciamento político raramente preservado nos meios intelectuais brasileiros em relação à antiga União Soviética.  Estes livros são de leitura empolgante, thrillers, daqueles que não se quer deixar de lado para nada.  Perfeitos para férias.

 

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SINOPSE — Em 1992, uma velha senhora que vive solitária em uma floresta da Estônia, Aliide, acolhe em sua casa uma jovem russa, Zara. Apesar das desconfianças e precauções iniciais, as duas começam a se conhecer melhor e desenvolvem uma relação de amizade. Zara era uma escrava sexual na Rússia, e depois que fugiu passou a ser caçada por dois mafiosos russos que estão envolvidos no mercado sexual. Já Aliide vê na nova amiga uma oportunidade de contar sua trajetória e suas experiências pela União Soviética, tentando se livrar dos próprios fantasmas.

Expurgo, de Sofi Oksanen, Editora Record: 2012, 350 páginas

 

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SINOPSE — Este é um poderoso romance, épico, único, que ao contar a história de Sofia, Katariina e Anna — avó, mãe e filha — perpassa todo o século 20 até chegar na atualidade. Desde a fome durante a guerra aos distúrbios alimentares para alcançar uma magreza ideal típica dos nossos tempos: está tudo aqui escrito com a visceralidade de uma das autoras contemporâneas mais aclamadas.

Na década de 1970, Katariina deixou a Estônia soviética em busca da promessa de felicidade ocidental que a Finlândia, país vizinho porém com realidade distante, representava. Sua mãe Sofia vivera desde o início os terrores da repressão soviética e assim que pôde incentivou a filha a ir embora mas agora é Anna, justamente a neta nascida na Finlândia e de hábitos ocidentais, que precisa de salvação: desde a doentia relação com seu corpo à estranha relação que tem com o sexo e com as pessoas.

 

As vacas de Stalin, Sofi Oksanen, Record: 2013, 420 páginas

 





Duas sugestões de leitura por Nick Hornby

16 04 2015

Agnes Goodsir (Australia1864-1939) ~ A saia chinesa, 1933A saia chinesa, 1933

Agnes Goodsir (Austrália, 1864-1939)

óleo sobre tela, 90 x 71 cm

Art Gallery New South Wales, Austrália

—–

Estou sempre à procura de recomendações de leitura.  Hoje encontrei  um artigo do ano passado em que o escritor Nick Hornby recomendava a leitura entre outros de  5 livros de ficção.  Comparando a lista dele com livros já publicados no Brasil,  encontrei dois títulos traduzidos. Passo adiante, então, as recomendações de Nick Hornby.

A vida financeira dos poetas, Jess Walter, Ed. Benvirá: 2013, 352 páginas

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SINOPSE— Matt Prior, jornalista, 46 anos, larga um emprego seguro para investir num negócio próprio na internet, e falha miseravelmente. A ideia de criar um portal de notícias econômicas escritas em forma de poesia mal consegue sair do papel. Agora, ele está desempregado e sem dinheiro, corre o risco de perder sua casa e teme, mais que tudo, perder a mulher, cada vez mais intolerante às dificuldades financeiras do casal (e interessada em flertar com um ex-namorado da adolescência). A vida dele se torna uma sucessão de crises: financeira, da meia-idade, do amor desfeito, a crise de confundir bens materiais com segurança e segurança com felicidade. Com dois filhos pequenos e responsável também por cuidar do pai, cuja memória se deteriora sem parar, Matt é um sujeito de humor inabalável que precisa arranjar uma forma de ganhar a vida. E ele arranja, mas de maneira nada convencional…

Uma bondade complicada, Miriam Toews, Relume Dumará: 2005, 220 páginas.

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SINOPSE — Uma bondade complicada – Esse romance é o que há de mais interessante na ficção contemporânea em língua inglesa. Nomi, uma menina de 16 anos, de uma comunidade menonita, é abandonada pela irmã e pela mãe da noite para o dia. Quando sua vida na cidade se torna insuportável, é surpreendida pela partida do pai. Decidida a se liberar, ela descobre que a mãe foi vítima da chantagem de um professor. Uma leitura ao mesmo tempo comovente e engraçada sobre a busca de uma adolescente dos anos 70.

Ficam aqui as sugestões de um escritor que já escreveu muitas críticas literárias. Boa pedida para a sequência enorme de feriados neste final de abril.

O artigo completo, com outras sugestões de livros que ainda não foram traduzidos para o português, encontra-se no LINK





Imagem de leitura — Camille Pissarro

14 04 2015

Camille_Pissarro,_Jeanne_Pissarro,_Called_Cocotte,_Reading,_1899._Oil_on_canvasJeanne [Cocotte] Pissarro lendo, 1899

Camille Pissarro (França, 1830-1903)

óleo sobre tela

Coleção Ann e Gordon Getty





Karin Altenberg e a paisagem em seus romances

14 04 2015

 

 

Cecilia Rosslee (AfricadoSul) eminutosdepaz,ost,ColPartUns minutos de paz

Cecília Rosslee (África do Sul, contemporânea)

óleo sobre tela

www.ceciliarosslee.com

 

 

Achei interessante a descrição do valor da paisagem para Karilan Altenberg, escritora britânica, nascida na Suécia, que explicou no  artigo, Karin Altenberg: ‘landscape in my novels is not just backdrop – it is both stage and actor’ no jornal The Irish Times, a importância da localização em suas histórias. Para ela, a paisagem é muito mais que o simples ambiente em que a trama se desenvolve, ela é parte intrínseca da história.

“A localização do romance para mim é tão importante quanto a trama.  O lugar é um conceito existencial, intimamente ligado ao nosso estar no mundo.  Experimentamos nossa identidade, de maneira significativa, através do lugar e da comunidade a qual sentimos que pertencemos: uma espécie de lar arquétipo do qual  podemos sempre escapar e para o qual podemos regressar. E todos nós somos, até certo ponto, socializados através de paisagens, nomeando os lugares que nos são conhecidos familiares – é assim que existimos, através de uma cartografia da linguagem e de lugar. E isto é, em grande parte,  o que a arte tenta fazer: a classificação e o mapeamento de um lugar de existência.”

Para ela é necessário se infiltrar no ambiente em que sabe que colocará sua história, e só depois de ter assimilado e armazenado as informações do local, ela consegue ver seus personagens interagindo e tomando vida nas histórias que cria.

“Acho que o local que um escritor escolhe para sua narrativa está relacionado à sua sensibilidade. Sou sintonizada – e já observava de perto – o espaço ao ar livre, desde que era criança. Outros escritores podem ser mais conscientes da arquitetura, de interiores ou de paisagens urbanas. Também gosto de olhar para trás e sentir que a paisagem do passado é ao mesmo tempo terrivelmente real e totalmente de outro mundo – uma ficção maravilhosa.”

 

(tradução minha)





Trova do passarinho

12 04 2015
passarinho na janela.Ilustração de Jimmy Liao.

Passarinho, o teu encanto
é teu canto de alegria;
ai de mim que quando canto,
canto só por nostalgia…

(Izo Goldman)





A popularidade inabalável de Jane Austen

5 04 2015

Paul Gustave Fischer, esposa do pintor lendo em Sofievej, 1916Musse, a esposa do pintor, na casa em Sofievij, 1916

Paul Gustave Fisher (Dinamarca, 1860-1934)

óleo sobre tela

Fomos presenteados pelo Wall Street Journal, com um delicioso ensaio sobre o sucesso póstumo de Jane Austen. Sucesso não só póstumo, mas sobretudo póstumo-tardio, se me permitem, já que 200 anos se passaram desde a publicação em 1813 de Orgulho e Preconceito, a obra mais popular da autora inglesa, e hoje um dos livros mais lidos no mundo inteiro. O artigo é assinado por Alexander McCall Smith, que por sua vez é seguido por milhares de leitores, desde que se tornou popular com Agência número 1 de mulheres detetives, [no Brasil publicado pela Cia das Letras em 2003]. Seus livros relatando as aventuras de deliciosos personagens de Mma Ramotswe, Mma Makutsi a Mma Potokwane, em Botswana, também foram, para espanto de muitos, sucessos de venda no mundo inteiro. No Brasil, As lágrimas da Girafa, O clube filosófico dominical, Amigos amantes e chocolate, entre outros conquistaram fieis seguidores.

McCall Smith, que portanto não é estranho à popularidade, considera com a doce ironia que o fez famoso, tudo que está envolvido nessa Austen-mania, que fez a autora inglesa ser mais lida que Tolstoy, Dickens e Proust.  Uma popularidade que surpreende, ele nos lembra, porque apesar desses autores continuarem a ser lidos em grande número, nenhum deles tem milhares de fãs que leem e releem suas obras, que participam de numerosas convenções vestidos a caráter ou que esperam com ansiedade a mais recente adaptação para o cinema, teatro ou televisão dos romances deixados por esses escritores.

310px-Jane_Austen_coloured_versionRetrato de Jane Austen, 1875, autor desconhecido, baseado em aquarela feita pela irmã da escritora, em 1810.

Além disso, a escritora inglesa tem seguidores entre escritores que se interessam em completar suas obras escrevendo ou uma sequência, ou uma visão por um ângulo diferente da mesma história e ainda romances que contam o “pré-romance”. Orgulho e Preconceito, de longe a obra mais popular de Austen bate recordes nesse nicho literário. As sombras de Longbourn, escrito por Jo Baker [Cia das Letras: 2014], conta a história vista pelos empregados da casa de Elizabeth Bennet. P.D. James, celebrada autora de histórias de mistério, se sentiu impulsionada a levar suas maquinações detetivescas para o mundo de Hertfordshire, no livro Morte em Pemberley, [Cia das Letras: 2013]. Há também algumas publicações que fogem ao esperado, como o romance de Seth Grahame-Smith Orgulho e preconceito e zumbis [Intrínseca: 2009]e livros no nicho do romance erótico

Por que? Por que Jane Austen é tão popular? Deve haver algo mais do que a eterna sedução, e retrato de uma paixão que o leitor vê desabrochar diante de seus olhos antes mesmo dos protagonistas se darem conta do que acontece. Afinal, este enredo é o básico para quase todos os romances “para senhoras” do século XIX. Lembramos de dezenas de títulos nessa linha romântica mesmo aqui no Brasil, A moreninha de Joaquim Manuel de Macedo [1844]; O tronco do ipê, José de Alencar [1871]; A mão e a luva de Machado de Assis [1874]. O que diferencia, certamente, Jane Austen de outros escritores do gênero é um fino senso de humor e um retrato detalhado das restrições impostas aos personagens da época. Além disso, é uma voz feminina, que percebe o mundo pelo ângulo da mulher inteligente que questiona. Austen ao mesmo tempo que descreve analisa com humor e engaja o leitor a ver o mundo como ela o faz. Mesmo o leitor moderno consegue entender a ironia das situações descritas e a diversão está completa.

Para ilustrar essa popularidade, Alexander McCall Smith lembra ao leitor que versões contemporâneas das obras de Austen estão sendo publicadas pelo Austen Project Series: Razão e sentimento, escrito por Joanna Trollope; A abadia de Northanger, por Val McDermid; e em abril sairá sua própria versão de Emma, para o mesmo projeto. Julgando a prosa que conheço do autor, fico ansiosa para ver o resultado. McCall Smith  afirma que ao ser convidado para o projeto levou 45 segundos para aceitar e que se divertiu imensamente com o processo. Deve nos divertir também.

E você, é fã de Jane Austen? De todas as suas obras? Ou só das versões cinematográficas? Já leu algum dos livros relacionados à  obra da autora?

Artigo: The Secret of Jane Austen Industry





Copacabana no início, por Pedro Nava

4 04 2015

ana vasco, copacabnaCopacabana, 1901

Anna Vasco (Brasil, 1881-1938)

óleo sobre tela

“Às vezes saímos para fazer visitas. Eu gostava das da zona sul e nascente Copacabana. O mar era entrevisto de longe, logo que se desembocava nos altos do Túnel Velho. Lá íamos visitar a grande amiga de tia Alice, solteirona e rica, que a todos impressionava pela dignidade de sua presença, pela miopia e pela peruca que usava aberta no meio da testa e esculpindo dois bandós simétricos de cabeleira de santo de pau. Sua vida era austera e piedosa: sempre condenava as fraquezas e escorregões da carne.  Assim atravessou mocidade, a segunda mocidade, ficou madura, mas ao galope dos quatro cavaleiros do apocalipse da menopausa — arranjou seu Landru. Não a matou — mas foi roendo aos poucos seus prédios, suas apólices, suas joias, suas ações, suas pratas, seus cristais, suas porcelanas e quando já não havia o que cardar, plantou a noiva de tantos anos. Morreu abandonada pelo moço (que ela achava a cara de George Walsh), curtida de paixão e marginalizada pela família. Sua pobreza tornava-a mais culpada aos olhos dos sobrinhos. Eu gostava de sua casa, de seu beijo estalado, do seu sempiterno bolo de aipim e do seu convite sugestão amplidão azul. Vamos menino! tire os sapatos e vá brincar na areia! Ia e pasmava. As  ondas vinham altas, empinadas, lisas, oscilantes, como que hesitantes, como se se fossem cristalizar naquele bisel ou coagular-se naquele dorso redondo da serpente marinha coleando do Leme à Igrejinha; paravam um instante de instante, suspensas um instante, decidiam de repente e deflagravam quebrando num estrondo barulhos luzes marulhos espumas — se procurando nos leques se sobreabrindo  sobre as areias. Era mais ou menos no Posto 5 e ainda havia conchas para apanhar, tatuís para desentocar no praiol deserto e impoluído. Ou simplesmente andar, sentindo nas solas nuas a frescura da praia molhada e seu derrobamento  sob os pés inseguros, ao retorno das águas. …”

Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio: 1976, 2ª edição, p. 76





Camille Paglia e o ensino dos clássicos

3 04 2015

 

 

 

Raffaello,_concilio_degli_dei_02O conselho dos deuses, 1518

Rafael Sanzio (Urbino, 1483-1583)

Afresco

Villa Farnesina, Roma

 

 

 

Sean Salai, S. J. — Na sua opinião como classicista, o que os antigos gregos e romanos nos ensinam como seres humanos?

Camille Paglia — Sigo os passos de meu herói cultural, Oscar Wilde, não concordo com a implícita suposição moralista que a literatura ou a arte “ensinam” algo para nós. Elas simplesmente abrem a nossa visão para um mundo maior, ou nos permitem ver o mundo através de uma lente diferente. A cultura greco-romana que está se afastando rapidamente da educação universitária americana, é uma das duas tradições fundamentais da civilização ocidental; a outra é a judaico-cristã. Essas tradições se entrelaçaram e se influenciaram mutuamente ao longo dos séculos, produzindo uma complexidade titânica do ocidente, tanto para o bem quanto para o mal. Ignorar ou minimizar o passado greco-romano é colocar antolhos intelectuais, mas é isso que vem exatamente acontecendo à medida que as faculdades abandonam gradualmente, a grande, cronológica, visão panorâmica da antiguidade clássica, em cursos de dois semestres, que fora enfatizada no passado. A trajetória, agora, está no “presentismo”, uma concentração míope na sociedade desde a Renascença – por falar nisso, um termo humanístico nobre, que está sendo descartado implacavelmente e substituído pela amorfa entidade marxista, “Proto-Modernidade”.

 

 

Em: “The Catholic Pagan:10 questions for Camille Paglia“, America: the national catholic review, 25 de fevereiro de 2015.

[Tradução é minha]

LINK





Na biblioteca, texto de John Williams

2 04 2015

 

 

HOMEM LENDO. ROCKWELLDormindo com livro

Norman Rockwell (EUA, 1894-1978)

 

 

“Na biblioteca da universidade passeava entre a estantes, em meio a milhares de livros, inalando o odor mofado do couro, do tecido e das páginas ressecadas como se fosse um incenso exótico. Às vezes se detinha, tirava um volume das prateleiras e o segurava em suas mãos grandes, que vibravam com o contato, ainda insólito, com a lombada, a capa e as páginas dóceis. Depois, folheava o livro, lendo um parágrafo aqui e ali, seus dedos rígidos virando as páginas, quase temerosos de destruir com seu desajeitamento o precioso conteúdo.

Não tinha amigos, pela primeira vez em sua vida teve consciência de sua solidão. Às vezes, de noite em seu sótão, erguia os olhos de um livro que estava lendo e espiava os cantos escuros de seu quarto, onde a luz do lampião tremulava contra as sombras. Se olhasse fixo e atentamente, a escuridão se reuniria numa luz, que assumia a forma insubstancial do que estivera lendo. E ele sentia que estava fora do tempo, como sentira naquele dia na aula em que Archer Sloane falara com ele. O passado avolumava-se da escuridão onde jazia, e os mortos se erguiam para viver à sua frente, e juntos, fluíam para o presente entre os vivos, e assim, por um intenso instante, ele tinha a sensação de unir-se a eles numa única e densa realidade da qual não podia escapar. Tristão, Isolda a bela, caminhavam à sua frente; Helena, e o brilhantes Paris, seus rostos graves de amargura, erguiam-se da treva. E Stoner se sentia mais próximo deles do que de seus colegas que iam de aula em aula, hospedados numa grande universidade em Columbia, no Missouri, e que caminhavam distraídos em meio ao ar do Midwest.”

 

Em: Stoner, John Williams, Rio de Janeiro, Rádio Londres:2014, tradução de Marcos Maffei, páginas 21-22.