Trova do bebê dormindo

25 03 2015

 

bebe dormindo, Maria Pia Franzoni (1902 – , Italian)Bebê dormindo, ilustração de Maria Pia Franzoni.

 

Não há música mais bela

do que a canção de ninar:

a mãe canta em voz singela,

e o bebê põe-se a sonhar!

 

(Alba Helena Corrêa)





O enamorado das rosas, poesia de Olegário Mariano

23 03 2015

 

 

66f8f6f784f6376200145e95a190d4baDesconheço a autoria dessa ilustração.

 

O enamorado das rosas

Olegário Mariano

 

 

Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,

Ouvindo a água da fonte que murmura,

Rego as minhas roseiras com ternura

Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

 

Cada uma tem um suave movimento

Quando a chamar minha atenção procura.

E mal desabrochada na espessura,

Mandam-me um gesto de agradecimento.

 

Se cultivei amores às mancheias,

Culpa não cabe às minhas mãos piedosas

Que ele passassem para mãos alheias.

 

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,

Alimento a ilusão de que essas rosas,

Ao menos essas rosas, sejam minhas.

 

 

Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 2 (1932-1955), p. 597.





“Demonstração Matemática”, texto de Teodoro de Morais

22 03 2015
Jantar em famíliaAutoria da ilustração, desconhecida.

 

Demonstração Matemática

 

Nas férias, ao chegar do colégio, onde estivera interno todo o ano, o Eduardo andava à espreita de uma oportunidade para mostrar aos pais quanta cousa aprendera. Ao jantar, chegou-lhe, enfim, o ensejo. Papai e mamãe iam ficar deslumbrados com a sua sapiência.

— “Papai, aí, nesse prato a sua frente, quantos croquetes pensa o Sr. ver? Dois não é assim?

— Nem mais nem menos: isso mesmo, respondeu o pai.

— Pois eu vou provar ao Sr. que são três. Aqui está um; aqui estão dois. 2 + 1 são 3. Logo… há três croquetes no prato.

— Mas onde estava eu com os olhos?! Perfeitamente são três croquetes. Vejo-os agora. Com que clareza você demonstra! Que grande matemático você vai dar! Você merece uma recompensa. Vamos repartir os croquetes. Quinoca ficará com o primeiro, porque é a mamãe; eu ficarei com o segundo, porque sou o papai; e você, Eduardo, ficará com o terceiro inteirinho, porque foi você quem o achou.

 

[Exemplo de narrativa com conversação]

 

Em: Flor do Lácio, [antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário) p. 227.

 

Theodoro Jeronymo Rodrigues de Moraes (Brasil, 1877-1956)Professor paulista. Formado pela Escola Normal Secundária de São Paulo, em 1906.

Obras:

A leitura analítica, 1909

Como ensinar leitura e linguagem nos diversos anos do curso preliminar, 1911

Meu livro: primeiras leituras de acordo com o método analítico, 1909

Meu livro: segundas leituras de acordo com o método analítico, 1910

Cartilha do operário: para o ensino da leitura…, 1918 e 1924

Sei ler: leituras intermediárias, 1928

Sei ler: primeiro livro, 1928

Sei ler: segundo livro , 1930

 





Minutos de sabedoria — Vicente de Carvalho

21 03 2015

 

Malie Baehr, Verkocht, moça lendo, 1998, 35x30cmMoça lendo no café, 1998

Malie Baehr (Holanda, contemporânea)

óleos sobre tela, 35 x 30 cm

www.maliebaehr.com

 

 

“Errou quem disse que as paixões são cegas.”

 

 

vicente_de_carvalhoVicente de Carvalho (1866-1924)




Soneto à lua, Augusto Frederico Schmidt

20 03 2015

 

 

luar, moonlight-and-you, Gene Pressler (1893 – unknown)Ilustração de Gene Presler (EUA, 1893-?)

 

 

 

Soneto à lua

 

Augusto Frederico Schmidt

 

 

Vens chegando de longe, tão cansada,

Tão frágil e tão pálida vens vindo,

Que pareces, ó doce Lua amiga,

Vir impelida pelo vento leve.

 

Pelo vento gentil que está soprando

Tu pareces tangida, como um barco

Com as suas louras velas enfunadas,

E vens a navegar nos altos mares…

 

Atravessando campos e cidades,

Quantas artes e sortes não fizeste,

Ó triste Lua dos enamorados!

 

Quantas flores e virgens distraídas

Não seduziste para a estranha viagem

Por esse mar de amor, cheio de abismos!

 

 

Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 76





Imagem de leitura — Zinaida Serebriakova

17 03 2015

 

 

Boris Serebriakov by Zinaida Serebriakova (1908)Boris Serebriakov, 1908

Zinaida Evgenievna Serebriakova (Rússia, 1884– 1967)

óleo sobre tela

 





Trova dos tons cinzentos

17 03 2015

 

pintar a casa, ajudando na pinturaDesconheço a autoria.

 

 

Não deixe que maus momentos

Ofusquem seus ideais.

Sobre “velhos” tons cinzentos

“novas” cores brilham mais.

 

(Wandira Fagundes Queiroz)





Grandes começos, XI de XII, escolha de Ana Maria Machado

16 03 2015

 

 

Jean Francois Raffaelli (1850-1924) Lecture au Foret de Fontainebleau Oil on canvas,dated 1872 lower 40.5 x 30.5 cmLeitura na Floresta de Fontainebleau, 1872


(França, 1850-1924)

óleo sobre tela, 40 x 30 cm

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“Ai, me dá vontade até de morrer. Veja a boquinha dela como está pedindo um beijo — beijo de virgem é mordida de bicho-cabeludo.  Você grita vinte e quatro horas e desmaia feliz.”

 

Dalton Trevisan, O vampiro de Curitiba

 

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.

 

 





Grandes começos, VIII de XII, escolha de Ana Maria Machado

13 03 2015

 

 

Leon Kroll (American, 1884–1974) Child Reading, 1943. Oil on paper, 19 1.8 x 27 1.8 inches. Parrish Art Museum,Menina lendo, 1943

Leon Kroll (EUA, 1884-1974)

óleo sobre papel, 49 x 69 cm

Parrish Art Museum, Nova York

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.”

 

Leon Tolstoi, Ana Karenina

 

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.





Rembrandt, anotações de Murilo Mendes

12 03 2015

 

 

100portrHendrickje Stoffels à janela, 1657

Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606 -1669)

óleo sobre tela, 76 x 60 cm

Staatliche Museen, Berlim

 

 

Rembrandt

 

♦  Sustentado por ácidos e ásperos instrumentos de pintura e de gravura, atento aos corpos sucessivos de Saskia ou Hendrickje e às metamorfoses de Tito, investiga o objeto, os sentidos, a vida imediata ou alegórica — lá fora ou no interno da Bíblia; rejeitando a alternativa do bem e do mal, sob a tensão constante dum pensamento ordenador do caos. Navios da Europa e do Oriente trazem-lhe ouro, pedras raras, telas, tapeçarias e outro símbolos fora da palavra. Depois de abraçar a faixa dos séculos, pela ciência do claro-escuro divide-a. Segurando a vida, explode-lhe energia. Assiste à crucificação, logo depois aborda o Cristo na  tenda de Emaús.

 

♦ Até que circundado de credores, expulso dos florins e das categorias do supérfluo, alinha-se entre párias, despedidos, judeus, renegados,  contestadores da lógica. Esgotados os dissensos do filho pródigo e o catálogo dos corpos asteroides ou não, assume ao máximo a densidade da condição humana. Prosseguindo a linha da posteridade de Jó sem assistência no diálogo, procurando em vão, através numerosos autorretratos, identificar-se, entrevendo no último instante o moinho do seu pai a moer o tempo, Rembrandt van Rijn morre, abolido pela restrita memória dos homens que nas ruas aguadas e curvas de Amsterdã repetem este outro mal-entendido: a técnica insistente da palavra “viver”.

 

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,p.216.