Bebê dormindo, ilustração de Maria Pia Franzoni.
Não há música mais bela
do que a canção de ninar:
a mãe canta em voz singela,
e o bebê põe-se a sonhar!
(Alba Helena Corrêa)
Bebê dormindo, ilustração de Maria Pia Franzoni.
Não há música mais bela
do que a canção de ninar:
a mãe canta em voz singela,
e o bebê põe-se a sonhar!
(Alba Helena Corrêa)
Desconheço a autoria dessa ilustração.
Olegário Mariano
Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.
Cada uma tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura.
E mal desabrochada na espessura,
Mandam-me um gesto de agradecimento.
Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que ele passassem para mãos alheias.
Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 2 (1932-1955), p. 597.
Autoria da ilustração, desconhecida.
Nas férias, ao chegar do colégio, onde estivera interno todo o ano, o Eduardo andava à espreita de uma oportunidade para mostrar aos pais quanta cousa aprendera. Ao jantar, chegou-lhe, enfim, o ensejo. Papai e mamãe iam ficar deslumbrados com a sua sapiência.
— “Papai, aí, nesse prato a sua frente, quantos croquetes pensa o Sr. ver? Dois não é assim?
— Nem mais nem menos: isso mesmo, respondeu o pai.
— Pois eu vou provar ao Sr. que são três. Aqui está um; aqui estão dois. 2 + 1 são 3. Logo… há três croquetes no prato.
— Mas onde estava eu com os olhos?! Perfeitamente são três croquetes. Vejo-os agora. Com que clareza você demonstra! Que grande matemático você vai dar! Você merece uma recompensa. Vamos repartir os croquetes. Quinoca ficará com o primeiro, porque é a mamãe; eu ficarei com o segundo, porque sou o papai; e você, Eduardo, ficará com o terceiro inteirinho, porque foi você quem o achou.
[Exemplo de narrativa com conversação]
Em: Flor do Lácio, [antologia] Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário) p. 227.
Theodoro Jeronymo Rodrigues de Moraes (Brasil, 1877-1956)Professor paulista. Formado pela Escola Normal Secundária de São Paulo, em 1906.
Obras:
A leitura analítica, 1909
Como ensinar leitura e linguagem nos diversos anos do curso preliminar, 1911
Meu livro: primeiras leituras de acordo com o método analítico, 1909
Meu livro: segundas leituras de acordo com o método analítico, 1910
Cartilha do operário: para o ensino da leitura…, 1918 e 1924
Sei ler: leituras intermediárias, 1928
Sei ler: primeiro livro, 1928
Sei ler: segundo livro , 1930
Malie Baehr (Holanda, contemporânea)
óleos sobre tela, 35 x 30 cm
Vicente de Carvalho (1866-1924)
Ilustração de Gene Presler (EUA, 1893-?)
Augusto Frederico Schmidt
Vens chegando de longe, tão cansada,
Tão frágil e tão pálida vens vindo,
Que pareces, ó doce Lua amiga,
Vir impelida pelo vento leve.
Pelo vento gentil que está soprando
Tu pareces tangida, como um barco
Com as suas louras velas enfunadas,
E vens a navegar nos altos mares…
Atravessando campos e cidades,
Quantas artes e sortes não fizeste,
Ó triste Lua dos enamorados!
Quantas flores e virgens distraídas
Não seduziste para a estranha viagem
Por esse mar de amor, cheio de abismos!
Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 76
Desconheço a autoria.
Não deixe que maus momentos
Ofusquem seus ideais.
Sobre “velhos” tons cinzentos
“novas” cores brilham mais.
(Wandira Fagundes Queiroz)
Leitura na Floresta de Fontainebleau, 1872
(França, 1850-1924)
óleo sobre tela, 40 x 30 cm
Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:
“Ai, me dá vontade até de morrer. Veja a boquinha dela como está pedindo um beijo — beijo de virgem é mordida de bicho-cabeludo. Você grita vinte e quatro horas e desmaia feliz.”
Dalton Trevisan, O vampiro de Curitiba
Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.
Leon Kroll (EUA, 1884-1974)
óleo sobre papel, 49 x 69 cm
Parrish Art Museum, Nova York
Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:
“Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.”
Leon Tolstoi, Ana Karenina
Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.
Hendrickje Stoffels à janela, 1657
Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606 -1669)
óleo sobre tela, 76 x 60 cm
Staatliche Museen, Berlim
♦ Sustentado por ácidos e ásperos instrumentos de pintura e de gravura, atento aos corpos sucessivos de Saskia ou Hendrickje e às metamorfoses de Tito, investiga o objeto, os sentidos, a vida imediata ou alegórica — lá fora ou no interno da Bíblia; rejeitando a alternativa do bem e do mal, sob a tensão constante dum pensamento ordenador do caos. Navios da Europa e do Oriente trazem-lhe ouro, pedras raras, telas, tapeçarias e outro símbolos fora da palavra. Depois de abraçar a faixa dos séculos, pela ciência do claro-escuro divide-a. Segurando a vida, explode-lhe energia. Assiste à crucificação, logo depois aborda o Cristo na tenda de Emaús.
♦ Até que circundado de credores, expulso dos florins e das categorias do supérfluo, alinha-se entre párias, despedidos, judeus, renegados, contestadores da lógica. Esgotados os dissensos do filho pródigo e o catálogo dos corpos asteroides ou não, assume ao máximo a densidade da condição humana. Prosseguindo a linha da posteridade de Jó sem assistência no diálogo, procurando em vão, através numerosos autorretratos, identificar-se, entrevendo no último instante o moinho do seu pai a moer o tempo, Rembrandt van Rijn morre, abolido pela restrita memória dos homens que nas ruas aguadas e curvas de Amsterdã repetem este outro mal-entendido: a técnica insistente da palavra “viver”.
Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,p.216.