Imagem de leitura — Anton Ebert

14 11 2008

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Histórias na hora de dormir, 1883

Anton Ebert (Alemanha 1845-1896)

Óleo sobre tela.  

 

Anton Ebert ( 1845-1896)  Nasceu na Alemanha mas ficou mais conhecido como um pintor vienense.  Ficou famoso por suas cenas de interior, popr sua pintura de gênero, assim como retratista e paisagista.  Estudo em Praga na Academia de Arte de Praga o que o faz às vezes ser confundido com artistas daquela nacionalidade.  Mais tarde estudou com Ferdinand Georg Waldmueller em Viena onde acabou se estabelecendo.  Foi muito elogiado por suas cenas idílicas de jovens senhoras com crianças, assim como alguns quadros orientalistas.





Nova vida para a ficção científica de Monteiro Lobato

26 10 2008

 

Para uma grande parte dos brasileiros Monteiro Lobato (1882-1948), o escritor paulista da primeira metade do século XX,  existe no nosso imaginário só pelas criações das histórias infantis que se desenvolvem à volta do Sítio do Picapau Amarelo.  Mas a obra de Lobato é muito maior do que este grupo de livros.  Entre os muitos outros títulos do autor está O presidente negro, lançado em 1926. 

Agora, graças às eleições americanas deste ano, esta obra não muito conhecida nem do público brasileiro volta a ser editada, aqui no Brasil pela Editora Globo.  No entanto, ganha também um edição na Itália: Il presidente nero.  E negociações estão sendo feitas para seu lançamento nos Estados Unidos, desta maneira preenchendo uma grande aspiração, um sonho pessoal do autor.  A obra considerada no campo da ficção científica, se passa no ano de 2228, ou seja, 220 anos no nosso futuro, quando os Estados Unidos elegem um presidente negro para a Casa Branca.   A história contada nesta obra de ficção científica, é a de Ayrton, um homem comum que tem a felicidade de cruzar o caminho do professor Benson e sua filha Jane. Os dois passaram anos reclusos, desenvolvendo uma máquina capaz de observar o futuro – o porviroscópio.  A partir dessas visões do que está por vir, Jane relata a Ayrton o episódio das eleições de 2228 – uma história cheia de reviravoltas e tensão. E vale a pena ler. 

 

Capa da edição italiana





Alguns vencedores do Prêmio Jabuti

25 09 2008
Prêmio Jabuti de 2008

Prêmio Jabuti de 2008

 

Melhor Romance:

 

1 –  O FILHO ETERNO

CRISTOVÃO TEZZA

 

2 –  O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO

BERNARDO TEIXEIRA DE CARVALHO  

 

3 –  ANTONIO

BEATRIZ BRACHER

 

Melhor livro de contos e crônicas:

 

1 – HISTORIAS DO RIO NEGRO

VERA DO VALE


2 –A PRENDA DE SEU DAMASO E OUTROS CONTOS

JORGE EDUARDO PINTO

 

3 – FICHAS DE VITROLA

JAIME PRADO GOUVÊA

Melhor livro de poesia:

 

1 – O OUTRO LADO

IVAN JUNQUEIRA


2 – O XADREZ E AS PALAVRAS

MARCUS VINICIUS TEIXEIRA QUIROGA


3 – TARDE

PAULO FERNANDO HENRIQUES BRITTO

 

 

Melhor livro juvenil:


     1 – O BARBEIRO E O JUDEU DA PRESTAÇÃO    CONTRA O SARGENTO DA MOTOCICLETA

        JOEL RUFINO DOS SANTOS

2 – TÃO LONGE…TÃO PERTO

SILVANA DE MENEZES


3 – MESTRES DA PAIXÃO: APRENDENDO COM QUEM AMA O QUE FAZ

DOMINGOS PELLEGRINI

 

Melhor livro infantil:

 


1 – SEI POR OUVIR DIZER

BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS

 

2 – O MENINO QUE VENDIA PALAVRAS

 IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO


3 –
ZUBAIR E OS LABIRINTOS

JOSÉ ROGER DE MELLO

 

 





Canção da Primavera — poema de Mário Quintana

23 09 2008
Catavento, de Luciana Teruz (Brasil 1961)

Catavento, de Luciana Teruz (Brasil 1961)

 

Canção da Primavera

 

 

(Para Érico Veríssimo)

 

 

 

Primavera cruza o rio

Cruza o sonho que tu sonhas.

Na cidade adormecida

Primavera vem chegando.

 

Catavento enloqueceu,

Ficou girando, girando.

Em torno do catavento

Dancemos todos em bando.

 

Dancemos todos, dancemos,

Amadas, Mortos, Amigos,

Dancemos todos até

 

Não mais saber-se o motivo…

Até que as paineiras tenham

Por sobre os muros florido!

 

Mário Quintana 

 

Mario Quintana; Canções, 1946

 

 

Mário de Miranda Quintana – (RS 1906 – RS 1994) poeta, tradutor e jornalista.

 

Obras:

 

– A Rua dos Cata-ventos (1940)

– Canções (1946)

– Sapato Florido (1948)

– O Batalhão de Letras (1948)

– O Aprendiz de Feiticeiro (1950)

– Espelho Mágico (1951)

– Inéditos e Esparsos (1953)

– Poesias (1962)

– Antologia Poética (1966)

– Pé de Pilão (1968) – literatura infanto-juvenil

– Caderno H (1973)

– Apontamentos de História Sobrenatural (1976)

– Quintanares (1976) – edição especial para a MPM Propaganda.

– A Vaca e o Hipogrifo (1977)

– Prosa e Verso (1978)

– Na Volta da Esquina (1979)

– Esconderijos do Tempo (1980)

– Nova Antologia Poética (1981)

– Mario Quintana (1982)

– Lili Inventa o Mundo (1983)

– Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)

– Nariz de Vidro (1984)

– O Sapato Amarelo (1984) – literatura infanto-juvenil

– Primavera cruza o rio (1985)

– Oitenta anos de poesia (1986)

– Baú de espantos ((1986)

– Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)

– Preparativos de Viagem (1987)

– Porta Giratória (1988)

– A Cor do Invisível (1989)

– Antologia poética de Mario Quintana (1989)

– Velório sem Defunto (1990)

– A Rua dos Cata-ventos (1992) – reedição para os 50 anos da 1a. publicação.

– Sapato Furado (1994)

– Mario Quintana – Poesia completa (2005)

 

 





Mangueiras de Belém, poema para o dia da árvore de Sílvia Helena Tocantins

19 09 2008

 

Aléa das velhas mangueiras, Jardim Botânico, RJ.

Aléa das velhas mangueiras, Jardim Botânico, RJ.

 

 MANGUEIRAS DE BELÉM

 

 

Sílvia Helena Tocantins

 

 

Gentil mangueira que me dá abrigo

no aconchego morno do teu braço,

na tua ramagem encontro o ninho amigo

que há de embalar sempre o meu cansaço.

 

És tu mangueira de real grandeza,

só espalhando o Bem em tua missão,

além de embelezares a natureza,

és teto, és fruto, és sombra, és proteção.

 

E nunca negas à mão que te apedreja.

terno repouso contra a chuva e o mormaço,

em troca dá-lhes fruto, seja a quem seja

e ainda embalas, maternal num abraço.

 

Bendita seja a mão que te plantou

o sol que fecundou a terra, o orvalho,

onde tua semente fértil germinou,

para me dares sombra doce e agasalho.

 

E no teu colo verde de folhagem,

quero sonhar meus ideais acalentados,

esconder meus segredos em tua ramagem

como se eu fosse altivo pássaro encantado.

 

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Ed. Clóvis Meira, Belém, PA, 1993.

 

 

Sílvia Helena Tocantins Mello Elder, (PA 1933) escritora e poeta.

 

Obras:~

 

As Ruínas de Suruanã (folclore)

Respingos da Maresia, 1982 (poesias)

 





Romance Dos Dois Pedros, poema de Murillo Araújo para a Semana da Pátria

5 09 2008

D. Pedro I, o Defensor Perpétuo do Brasil, 1830, por Simplicio Rodrigues de Sá, Museu Imperial de Petrópolis

D. Pedro I, o Defensor Perpétuo do Brasil, 1830, por Simplício Rodrigues de Sá, Museu Imperial de Petrópolis

 

ROMANCE DOS DOIS PEDROS

 

Murillo Araújo

 

 

 

Dois Pedros singulares

teve a Pátria na sua construção.

Dois Pedros – duas pedras angulares

serviram de pilares

à Nação.

 

 

Intensamente

dois príncipes de sangue

amaram nossa Pátria adolescente.

 

 

Um deles – oh o rei moço e enamorado! –

um deles no delírio arrebatado

de uma paixão primeira!

O segundo – nesse êxtase sagrado

que  costuma durar a vida inteira.

 

 

E um com brilho da espada, outro com a pena

— ah! cada qual honrou

a terra linda, esplêndida e morena

que desposou.

 

 

Um Pedro, desafiando a força e a guerra

quis ser o seu Perpétuo Defensor.

Outro Pedro votou à nossa terra

um mundo de solícito fervor.

 

 

Pedro I lhe alcançou, lutando,

a túnica marcial da liberdade.

E a Nação, mal desperta, lhe sorriu.

 

Pedro II

deu-lhe um manto de glória venerando –

a nobre integridade

que, ante os olhos do mundo,

a revestiu.

 

 

Um foi, nas armas, bravo e extraordinário;

outro foi magnânimo e foi justo.

 

 

Um foi dominador e temerário;

outro foi sábio, generoso, augusto.

 

 

E de tal sorte.

amando a terra moça e bela,

um viveu prestes a morrer por ela,

outro – viveu por ela até a morte.

 

 

Encontrado em:

 

O candelabro eterno: aos moços – este álbum dos avós que criaram o Brasil, publicado pela primeira vez em 1955, parte da  Poemas Completos de Murillo Araújo, 3 volumes, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960

 

 

D. Pedro II, o Magnânimo, 1864, por Vitor Meireles (Brasil, 1832-1903), OST, Museu de Arte de São Paulo

D. Pedro II, o Magnânimo, 1864, por Vítor Meireles (Brasil, 1832-1903), OST, Museu de Arte de São Paulo





DIA DE FESTA… Mais um poema de Murillo Araújo na semana da pátria

4 09 2008
Dragões da Independência, Foto de Cláudio Reis

Dragões da Independência, Foto de Cláudio Reis

 

DIA DE FESTA…

 

Murillo Araújo

 

Olho o céu mais contente.

 

 

Por que tantas bandeiras

batem alegremente,

como grandes pavões, as asas verde e ouro,

inquietas e ligeiras?

 

 

Por que passam soldados

e nas armas têm flores?

 

Por que estrondam dobrados

com clarins e tambores?

 

 

 

Por que todos na escola, reunidos, cantamos,

todos nós, mais de mil?!

 

 

 

É o Brasil que faz anos…

 

 

É o Brasil que faz anos:

Viva o Brasil!

 

 

 

Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo

 





Maroca: a vovó cocota — poesia infantil de Elias José

6 08 2008

 

Maroca: a vovó cocota

 

 

Vovó Maroca

toda cocota

toda vaidade

setenta anos

é mais pra frente

que muita gente

de pouca idade.

 

Vovó Maroca

se é calor

apanha a tanga

pega a motoca

vai pegar cor.

 

Vovó Maroca

se vai a festa

não se definha

não perde a linha

e ainda testa

o que é novidade

pra mocidade.

 

Vovó Maroca

se apruma

e se arruma

é um modelo

frente ao espelho.

Só “jeans” azuis

bata estampada

pouca pintura

e nada de tintura

no seu cabelo.

 

Vovó Maroca

não tem segredo.

E se há problema

só há um lema:

não ter medo

e enfrentar a vida

de cabeça erguida.

Elias José

 

Elias José – (MG 1936 – MG 2008 ) escritor de literatura infantil e juvenil, contista, poeta, romancista e professor.





Paisagem do sertão, de Luis Delfino, poesia infantil

29 07 2008
Cena de interior, 1891; Armando Vianna (Brasil 1897-1992) aquarela

Cena de interior, 1981; Armando Vianna (Brasil 1897-1992) aquarela

 

 

PAISAGEM DO SERTÃO

 

Pelo sapê furado da palhoça

Milhões de astros agarram-se luzindo;

O pai há muito madrugou na roça.

A mãe prepara o almoço.  O dia é lindo.

 

Canta a cigarra; o porco cheira; engrossa

O fumo dos tições; anda zunindo

À porta um marimbondo e fazem troça

As crianças com um ramo o perseguindo.

 

Correm, chilram, vozeiam, tropeçando

Num velho pote; a mãe zangada ralha,

A avó lhes lança um olhar inquieta e brando.

 

No chão, um galo ajunta o milho e espalha,

Enquanto a um canto, as plumas arrufando,

Põe a galinha no jacá de palha.

 

Luís Delfino

 

 

Do livro: Vamos estudar, de Theobaldo Miranda Santos, 3ª série; Agir: 1952, Rio de Janeiro.

 

 

Luís Delfino dos Santos (SC 1834 – RJ 1910)—Formado em medicina, tornou-se político e poeta brasileiro, foi Senador por Santa Catarina.  Prolífico poeta, escreveu mais de 5000 poemas.  Publicou-os em jornais e revistas da época.  Sua obra, em livros, foi toda publicada postumamente.

 

 





Uma avó — poema de Stella Leonardos

24 07 2008

 

Vovó contando histórias.  Ilustração de Gustave Doré (França 1832 - 1883)

Vovó contando histórias. Ilustração de Gustave Doré (França 1832 - 1883)

UMA AVÓ

 

És a saga de ternura

Das cantigas de ninar.

Sugestão de iluminura

Nas histórias de encantar.

Clarão de candeia pura

Sobre o livro de rezar.

 

Fada boa envelhecida.

Tecedeira de ilusão.

Esperança comovida.

Doce crença de cristão.

Duas vezes mãe na vida.

Duas vezes devoção.

 

 

 

Stella Leonardos

 

 

 

Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa (Rio de Janeiro RJ, 1923). Poeta, tradutora, romancista, com mais de 70 obras publicadas, em poesia, prosa, ensaios, teatro, romances e literatura infantil.  Considerada membro expoente da 3ª geração de poetas modernistas.  Um dos maiores nomes da poesia contemporânea no Brasil.