Insônia de Ribeiro Couto, poesia para uso escolar

7 03 2009

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Cão ao luar, 1972

Rufino Tamayo (México 1899-1991)

Litografia: The Mexican Master Suites


INSÔNIA

 

                              Ribeiro Couto

 

 

O latido dos cães, na noite sem lua,

dá-me pavores vagos.

Por que latem aqueles cães lá longe?

 

 

As árvores, ali fora, estão imóveis.

Nem um sopro de vento bole nas folhas.

E tudo tão negro, na noite sem lua!

 

 

Por que latem aqueles cães lá fora?

Quem terá passado na estrada?

 

 

Na minha lâmpada mariposas batem.

Deve ser tarde.

Os meus olhos errando pelo pasto.

 

 

Ouço o tilinte vigilante de um cincerro…

É um cavalo errando pelo pasto.

 

 

E lá longe os cães latindo, desesperados, como se batalhassem,

como se defendessem o lugarejo adormecido.

 

 

Noite de insônia inquieta ao pé da lâmpada.

 

 

Em: Poemas para a infância: antologia escolar, ed. Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Ediouro, s/d.

 

 

Vocabulário:

 

cincerro = campainha

de insônia = sem sono

 

 —–

 

 

Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro.

 

Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934 (ocupando a vaga de Constâncio Alves na cadeira 26), até sua morte.

 

 

Obra

 

Poesia

 

O jardim das confidências (1921)

Poemetos de ternura e de melancolia (1924)

Um homem na multidão (1926)

Canções de amor (1930)

Noroeste e alguns poemas do Brasil (1932)

Noroeste e outros poemas do Brasil (1933)

Correspondência de família (1933)

Província (1934)

Cancioneiro de Dom Afonso (1939)

Cancioneiro do ausente (1943)

Dia longo (1944)

Arc en ciel (1949)

Mal du pays (1949)

Rive etrangère (1951)

Entre mar e rio (1952)

Jeux de L’apprenti Animalier. Dessins de L’auteur. (1955)

Le jour est long, choix de poèmes traduits par l’auter (1958)

Poesias reunidas (1960)

Longe (1961)

 

 

Prosa

 

A casa do gato cinzento, contos (1922)

O crime do estudante Batista, contos (1922)

A cidade do vício e da graça, crônicas (1924)

Baianinha e outras mulheres, contos (1927)

Cabocla, romance (1931);

Espírito de São Paulo, crônicas (1932)

Clube das esposas enganadas, contos (1933)

Presença de Santa Teresinha, ensaio (1934)

Chão de França, viagem (1935)

Conversa inocente, crônicas (1935)

Prima Belinha, romance (1940)

Largo da matriz e outras histórias, contos (1940)

Isaura (1944)

Uma noite de chuhva e outros contos (1944)

Barro do município, crônicas (1956)

Dois retratos de Manuel Bandeira (1960)

Sentimento lusitano, ensaio (1961)

 





Evitando acidentes XVII

2 03 2009

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Bonzinho o estranho até parece,

Não o deixe entrar, se você não o conhece.





Salgueiro, poema de Leonor Posada

1 03 2009
Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, Carnaval 2009, Foto: AFP

Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, Carnaval 2009, Foto: AFP

 

 

Homenagem à escola vencedora do Carnaval carioca de 2009.

 

 

 

 

 

SALGUEIRO

 

                                        Leonor Posada

 

 

 

Olho-te, morro, apaixonadamente,

docemente,

como quem olha, em noite luminosa,

a cena de Belém.

Em tuas grimpas o sol crava seus raios,

e os desmaios

da tarde, no poente, arroxeada,

são a coros que te sangra a fronte.

 

Sobem teus flancos

mil caminhos tortuosos, e barrancos

debruçam-se a olhar para a cidade.

Teus casebres misérrimos parecem,

de longe, feios,  entre os arvoredos,

um ponto de saudade.

 

Pela manhã, desce ligeiramente,

a tua gente

em busca do seu pão, do seu trabalho;

ao passo que o malandro, mal dormido,

no chão batido,

inda cheio de sono,

a fome engana batucando um samba…

 

Olho-te, morro, apaixonadamente,

docemente,

como quem olha, em noite luminosa,

a cena de Belém.

A cidade é berço do Messias,

e para tua gente tem um nome

sem significação:

— Civilização

 

 

 

Em: Poetas cariocas em quatrocentos anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965

 

 

 

Leonor Posada, (Cantagalo, RJ 1893 – Rio de Janeiro, 1960) Poeta, teatróloga, professora.

 

Obras:

 

Plumas e espinhos,  poesia, 1926

Leituras cívicas, didático, 1943

Guia de redação, didático, 1953

Serenidade, poesia, 1954

Os primeiros passos na redação, 1956





Histórias do Saci — poema infantil de Marieta Leite

27 02 2009

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Ilustração de Maurício de Sousa

HISTÓRIAS  DO SACI

 

                                              Marieta Leite

 

 

A criançada foi dormir

pensando nas histórias

do saci-pererê.

 

 

Lá fora,

fria, farfalha a floresta densa

e o vento zune

nos túneis estreitos das montanhas

imensas

  paradas 

vestidas da luz assombrada

que esguicha a lua fantasma.

 

 

E o saci-pererê

  pererê …  pererê! …

balança o corpinho negro

enrodilhado no cipós.

E espia p’ra o alto

e manda p’ra lua

um assovio fino

que zune mais que o vento

e farfalha mais que o mato

  Pererê …  pererê! …

 

 

Mas quando a madrugada foi chegando,

empurrando

com seus dedos de luz

o capuz de cetim

da noite enluarada,

e a manhã,

trepada na montanha mais alta,

sorriu

seu sorriso de sol

a criançada foi espiar a janela

que tinha amanhecido toda aberta

 escancarada  

Sem que ninguém soubesse como nem por quê.

 

 

Mas …  ah!

O galho fresco de árvore,

lascado de novo,

que em cima dele se achava,

com certeza

tinha servido de chicote

ao saci-pererê.

 

 

Mas só a tia Josefa é que sabia,

que fora o vento,

que cobrira de pétalas o chão.

E que o galho fresco de árvore

lascado de novo,

tinha sido um pedaço de chicote

do filho de Siá Maria

que ela vira,

ao abrir a janela,

madrugadinha ainda,

fustigar, em demanda do pasto,

seu cavalo alazão.

 

 

Em:  Terra Bandeirante de Theobaldo Miranda Santos, para o 3° ano primário,  Rio de Janeiro, Agir: 1954.

 

——

VOCABULÁRIO

 

Farfalha – faz ruído sob a ação do vento

 

Densa  cerrada

 

Lua fantasma – lua que mete medo

 

Túneis – passagens ou caminhos debaixo da terra

 

Escancarada – aberta completamente

 

Fustigar – bater com vara ou com chicote

 

Em demanda – em busca, à procura

 

Alazão  cor de canela

 

———–

 

Questionário:

 

1 – Que foi fazer a criançada?

 

2 – Que fazem, lá fora, a floresta e o vento?

 

3 – E o saci-pererê?

 

4 – Que fez a criançada quando chegou a madrugada?

 

5 – Para que serviu o galho de árvore lascado?

 

6 – Que sabia a tia Josefa?





Cinzas — poema de Joaquim Norberto de Souza e Silva

25 02 2009

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Quarta-feira de Cinzas, 1855-1860

Carl Spitzweg (Alemanha 1808-1885)

Óleo sobre tela,  21 x 14 cm

Galeria Nacional de Stuttgart

Alemanha

 

 

 

CINZAS

 

                         Joaquim Norberto de Souza e Silva

 

 

Sobre as asas da alegria,

Entre enganos ruidosos,

Entre vivas jubilosos,

Expirava o carnaval.

 

Oh, quanta moça faceira,

Que muito se divertira

Morrer com pena não vira

Esse tríduo sem igual.

 

A rótula então perdera

Todo o sigilo, se abrindo,

E um rosto moreno e lindo

Livre e ousado se mostrou;

E mais de um braço certeiro

Achou um alvo condigno,

Em que amável, benigno,

Os seus tiros empregou.

Em: Poetas Cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965

 

 

Joaquim Norberto de Sousa e Silva  (RJ 1820 – RJ 1891)

Pseudônimo: Joaquim Norberto, Fluviano, João do Norte.  Poeta, romancista, teatrólogo, polígrafo, pesquisador, biógrafo. Sua atividade literária foi intensa e seus estudos têm validade para o conhecimento do passado literário do Brasil, dispersos na Revista do IHGB, na “Revista Popular”, na “Minerva Brasiliense”. É na crítica e história literária que reside a sua melhor contribuição através de estudos, memórias, edições anotadas de autores brasileiros.

 

 

Obras:

 

A Cantora Brasileira Crítica, teoria e história literárias 1871  

A noite de agonia: Poesia 1889  

Amador Bueno, ou, A Fidelidade Paulistana, Drama em 5 actos Teatro 1855  

As Americanas Poesia 1856  

As duas orfãs: Romance e Novela 1841  

Balatas Poesia 1841  

Beatriz Teatro XIX   

Bosquejo da historia da poesia brazileira. Crítica, teoria e história literárias XIX   

Brasileiras Célebres Biografia 1862  

Cantos Épicos Poesia 1861  

Cantos epicos Poesia 1861  

Cantos poeticos. Poesia XIX   

Chegado de Londres: Romance e Novela 1884  

Chile e Brazil: Poesia 1889  

Climnestra, Rainha das Micenas, Tragédia em Cinco Atos Teatro 1846  

Colombo ou o descobrimento da America: Teatro 1854  

Dirceu de Marilia. Liras atribuídas à sra. D. M. J. D. de S. (Natural de Villa Rica) … Poesia 1845  

Flores entre Espinhos; Contos Poéticos Conto 1864  

História da Conjuração Mineira Outros 1860  

História das Aldeias… Outros XIX   

Investigações sobre o Recenseamento da População Geral do Império Outros 1870  

Jacub ou Carlos VII entre seus grandes vassallos: Teatro 1841  

Joaquim Garcia Romance e Novela 1832  

Kettli Tradução XIX   

Maria ou Vinte Anos Depois Romance e Novela 1844  

Melodias romanticas: Poesia XIX   

Modulações Poéticas, Precedidas de um Bosquejo da História da Poesia Brasileira Crítica, teoria e história literárias 1841  

Novas modulações: Poesia XIX   

O berço livre: Poesia 1883  

O Brazil: Poesia 1857  

O cancioneiro das bandeiras: Poesia XIX   

O Chapim do Rei Teatro 1851  

O Livro de Meus Amores Poesia 1849  

O Martírio do Tiradentes Romance e Novela 1882  

O ultimo abraço, 1841  

Poesia á inauguração da estatua equestre do fundador do imperio. Poesia 1862  

Romances e novelas Romance e Novela 1852  

Tartufo: Tradução XIX   

Vindo de Paris: Romance e Novela 1884  

Visão. Poesia XIX 





A mesma rosa amarela — poema de Carlos Pena Filho

23 02 2009

 

 

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A rosa amarela, 2008

Fernanda Guedes

Caneta Fredix sobre tela, 20 x 25 cm

 

 

A mesma rosa amarela

 

                                 Carlos Pena Filho

 

 

Você tem quase tudo dela,

o mesmo perfume, a mesma cor,

a mesma rosa amarela,

só não tem o meu amor.

 

Mas nestes dias de carnaval

para mim, você vai ser ela.

O mesmo perfume, a mesma cor,

a mesma rosa amarela.

Mas não sei o que será

quando chega a lembrança dela

e de você apenas restar

a mesma rosa amarela,

a mesma rosa amarela.

 

 

Em:  Melhores poemas, Carlos Pena Filho, ed. Edilberto Coutinho, Editora Global: 2000, São Paulo.

 

 

Carlos Pena Filho ( PE 1929-PE 1960) poeta brasileiro. 

 

Obras:

 

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1956

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral, 1959

 





A chave do relógio, poema de Joaquim José Teixeira

15 02 2009

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A CHAVE DO RELÓGIO

                                                

                                                 Joaquim José Teixeira

 

 

                                            Fábula

 

 

 

A um relógio dava corda

Chavinha de áureo metal.

E mui vaidosa do impulso

Parar não quis afinal.

 

Forçou, pois, e desta força

Dentro a mola arrebentou,

E do tempo o mecanismo

Sem movimento ficou.

 

Resolvam, mandem governos

Nas raias do seu poder,

Vejam bem nesta chavinha

Que não basta o só querer.

 

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, editado por Frederico Trotta, Editora Vecchi:1965, Rio de Janeiro.

 

 

Joaquim José Teixeira (RJ 1811- RJ 1885) poeta, romancista, teatrólogo tradutor, conferencista, diplomado em letras e direito, magistrado.  Foi presidente da Província de Sergipe; do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e um dos fundadores do Instituto dos Advogados – Colaborou em vários jornais e revistas.  Traduziu Goethe, Molière, La Fontaine.  Usou o cognome: Papagaio.

 

 

Obras:

 

A Aposta, teatro   

A Heroína do Pará, romance e novela 

Elogio Dramático, poesia 1840  

Mata escura, romance, 1849

A sobrinha do cônego, romance, 1850

Fábulas, poesia 1864  

Versos, poesia, 1865

A Memória de Rita Manuela Duque-Estrada Teixeira, poesia 1873  

A Rica de Honra, teatro   

As Eleições, teatro   

As noites do cemitério,   tradução   

Camões, teatro   

Conferências literárias. Crítica, teoria e história literárias, 1874  

La fontaine e suas fabulas, ensaio, 1874  

O Barricida, teatro   

O Juiz de Paz, teatro   

O Ministro e seu Secretário, teatro   

O Ministro Traidor, teatro   

O Novo Gil Brás, romance e novela   

Os Compadres, teatro   

Os Dois Descontentes, teatro   

Pastoral, implorando um óbolo dos fieis para a reconstrução do seminário, 1894  

Pensamentos, poesia, 1878

Prometeu, tradução 1879  

Quelques Essais, crítica, teoria e história literárias,  1877  

Razão de recurso, apresentada no Tribunal da Relação da Corte pelo advogado de Domingos Moutinho. 1866  

Romances, romance e novela 1876  

Tartufo,  tradução 1880  

Três Dias de Ministro, teatro

 





A bananeira — poema de Sabino de Campos

13 02 2009

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Bananeiras, sd

J. Inácio (Brasil)

Acrílica sobre tela, 70 x 60 cm

 

A Bananeira

 

Humilde, em meio à flora, a bananeira,

Sozinha, transplantada em terra boa,

Vive ocultando à Natureza inteira

O seu destino de morrer à toa.

 

E parece feliz, bebendo as águas

Do céu, para o consolo das raízes,

Como se viessem transformar-lhe as mágoas

Nos encantos das árvores felizes.

 

O sol enche-lhe as palmas de pepitas

De ouro, na exaltação do amor violento,

E ela paneja suas largas fitas,

As folhas verdes balançando ao vento…

 

Outras vezes, a chuva, como um véu

Desatado de nuvem passageira,

Cai das vitrinas rútilas do céu

Para vestir de noiva a bananeira.

 

Noiva, mas noiva-mãe, toda pureza,

Pois sem amor, sem mácula e empecilhos,

Faz rebentar à luz da Natureza,

Na terra, em torno, a vida de seus filhos.

 

Pende-lhe, em breve, o cacho, de ouro ou prata,

Dos frutos bons…  Depois, a golpes brutos,

A bananeira cai em terra ingrata,

Pela desdita de ter dado frutos.

 

 

João Pessoa, Paraíba, 10-7- 1940

 

 

Em: Natureza: versos, Pongetti: 1960, Rio de Janeiro

 

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Sabino de Campos, Retrato a bico de pena, por Seth, 1947.

 

Sabino de Campos (Amargosa, BA, 1893– ? ),  poeta, romancista e contista.

 

Obras:

 

Jardim do silêncio, 1919, (poesia)

Sinfonia bárbara, 1932,  (poesia)

Catimbó: um romance nordestino, 1945 (romance e novela)

Os amigos de Jesus, 1955 (romance e novela)

Lucas, o demônio negro, 1956 – romance biográfico de Lucas da Feira (romance e novela)

Natureza, 1960 (poesia)

Cantigas que o vento leva, 1964, (poesia)

Contos da terra verde, 1966 (contos)

Fui à fonte beber água, 1968 (poesia)

A voz dos tempos, memórias, 1971

Cantanto pelos caminhos, 1975

Autor,  junto de Manoel Tranqüilo Bastos, do hino da cidade de Cachoeira, BA





A lagartixa — poema, Da Costa e Silva

22 01 2009

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A Lagartixa

 

                                    Da Costa e Silva

 

 

A um só tempo indolente e inquieta, a lagartixa,

Uma réstia de sol buscando a que se aqueça,

À carícia da luz toda estremece e espicha

O pescoço, empinando a indecisa cabeça.

 

Ei-la aquecendo ao sol; mas de repente a bicha

Desatina a correr, sem que a rumo obedeça,

Rápida num rumor de folha que cochicha

Ao vento, pelo chão, numa floresta espessa.

 

Traça uma reta, e pára; e a cabeça abalando,

Olha aqui, olha ali; corre de novo em frente

E outra vez, pára, a erguer a cabeça, espreitando…

 

Mal um inseto vê, detém-se de repente,

Traiçoeira e sutil, os insetos caçando,

A bater, satisfeita, a papada pendente…

 

Em: Poesias completas, Da Costa e Silva, Nova Fronteira: 1985, Rio de Janeiro

 

 

 

Antonio Francisco da Costa e Silva – (Amarante, Piauí, 1885 – Rio de Janeiro, 1950) Poeta.  Começou a compor versos por volta de 1896, tendo seus primeiros poemas publicados em 1901. Todavia, seu primeiro livro de poesia, Sangue, foi lançado só em 1908, primeira obra da última geração simbolista. .  Formou-se pela Faculdade do Direito do Recife. Foi funcionário do Ministério da Fazenda, tendo ocupado os cargos de Delegado do Tesouro no Maranhão, no Amazonas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Viveu não só na capitais desses estados, mas também, por mais de uma vez, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Jornalista. Exerceu função pública na Presidência da República do Brasil, entre 1931 e 1945, a pedido do então presidente Getúlio Vargas. É o autor da letra do hino do Piauí.  Recolheu-se ao silêncio, demente, pelos últimos 17 anos de vida. Faleceu em 29 de junho de 1950.

 

 

Publicou os seguintes livros de poemas:

 

 

Sangue (1908),

Zodíaco (1917),

Verhaeren (1917),

Pandora (1919)

Verônica (1927)





Ora direis ouvir pipocas — poesia de Francisco Azevedo

14 01 2009

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Ilustração: Maurício de Sousa.

 

ORA  DIREIS  OUVIR  PIPOCAS

 

                                                 Francisco Azevedo

 

 

 

Ouço os grãos que rebentam

feito gente

sementes germinadas

no alumínio

fundo escuro

da panela.

 

Flores brancas

súbitas

de perfume quente

pelo fio sinuoso

da fumaça.

 

Flores doces

salgadas

servidas na hora

(não em buquês

mas em punhados).

 

Flores atômicas

nascidas do fogo

numa explosão

sem haste.

 

                                       (New York, 1982)

 

 

Em: A casa dos arcos, Francisco Azevedo, Paz e Terra: 1984, Rio de Janeiro

 

 

 

Francisco Azevedo, (Rio de Janeiro, RJ , 23/2/1951) —  formado em direito, diplomata, escritor, roteirista, cinematógrafo e poeta.  

 

Obras:

 

Contra os moinhos de vento, (poesia e prosa) 1979

A casa dos arcos, (poesia) 1984

O arroz de palma, (romance) 2008

Unha e carne (teatro)

A casa de Anaïs Nin (teatro)