A cidade amanheceu radiante. Revolução de 1932

6 10 2008

 

 

 

 

 

30 de setembro de 1932

 

A cidade amanheceu radiante: os boatos de pacificação se alastraram desde as 7 horas da manhã.  Em verdade, porém, o que há é um armistício para entendimentos entre São Paulo e a Ditadura, o qual será levado a efeito ainda hoje ou amanhã.  Jornais publicam hoje haver sido assinado o armistício e terem entrado em confabulações para a par os representantes de São Paulo e da Ditadura.  

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 149 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 





Pé de vento, poesia de Olegário Mariano, poema infantil

5 10 2008

 

Pé de vento…

 

Olegário Mariano

 

Ágil, violento,

De copa em copa,

Salta, galopa,

Relincha o vento.

 

Corcel alado,

Solta as crinas,

Desce às campinas

Desenfreado…

 

Transpõe barrancas,

Vales, penhascos,

Nas nuvens brancas

Imprime os cascos.

 

Da terra fura

Fundo as entranhas,

Na noite escura

Galga as montanhas,

 

Tolda os remansos,

Muda em cachoeiras

As cabeceiras

Dos rios mansos…

 

Arranca os galhos,

Pelos caminhos,

Deixa em frangalhos

Frondes e ninhos.

 

De salto em salto.

Revoluteia…

Lambe o planalto,

Dança na areia…

 

Na amaldiçoada

Força que o agita,

De cambulhada

Se precipita…

 

Pende o arvoredo

Num murmúrio:

“Meu Deus!  Que medo!

Que horror!  Que frio!”

 

Diz um arbusto:

“Por que me levas?

Tremo de susto

Dentro das trevas.”

 

Uma andorinha,

De asa quebrada:

“Morro sozinha,

Solta na estrada!”

 

Pobre tropeiro

Se desengana:

“Rolou do outeiro

Minha choupana!”

 

Vozes de magoas

Despedaçadas

Choram nas águas

E nas ramadas…

 

Uivam nas furnas

Feras aflitas,

Sob infinitas

Sombras noturnas…

 

E o vento nessa

Marcha selvagem,

Corta, atravessa,

Rasga a paisagem.

 

E segue o rumo

Do movimento,

Subindo a prumo

No firmamento,

 

Até que rola,

No último açoite,

Como uma bola

Dentro da noite…

 

 

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, (PE1889 —  RJ 1958). Poeta, político e diplomata brasileiro.

 

Obras:

 

Angelus (1911)

Sonetos (1921)

Evangelho da sombra e do silêncio (1913)

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac (1917)

Últimas cigarras (1920)

Castelos na areia (1922)

Cidade maravilhosa (1923)

Bataclan, crônicas em verso (1927)

Canto da minha terra (1931)

Destino (1931)

Poemas de amor e de saudade (1932)

Teatro (1932)

Antologia de tradutores (1932)

Poesias escolhidas (1932)

O amor na poesia brasileira (1933)

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso (1933)

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas (1937)

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência (1939)

Em louvor da língua portuguesa (1940)

A vida que já vivi, memórias (1945)

Quando vem baixando o crepúsculo (1945)

Cantigas de encurtar caminho (1949)

Tangará conta histórias, poesia infantil (1953)

Toda uma vida de poesia, 2 vols. (1957)

 

 

 





Amigos, poema de Martins d’Alvarez — poesia infantil

3 10 2008
Ilustração de Eva Furnari

Ilustração de Eva Furnari

 

Amigos

 

Martins d’Alvarez

 

 

“Se entre os amigos encontrei cachorros,

Entre os cachorros encontrei-te, amigo!”

 

 

Costumamos chamar o cão de amigo,

no sentido mais nobre da amizade.

Realmente, na bonança ou no perigo,

o cão é o nosso amigo de verdade.

 

Meu cão nunca falseia o que lhe digo

nem finge amor nem trai a honestidade

nem mesmo se revolta, se o castigo

nos momentos de estúpida crueldade.

 

Tenho pela amizade amor profundo!

Pelos amigos vivo, luto e morro…

Mas, tenho recebido, neste mundo,

 

de tanto amigo tanta ingratidão,

que chamar qualquer deles de cachorro,

seria ser injusto com meu cão!

 

 

 

José Martins D’Alvarez   (CE 1904)  Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras.

 

 

Obras:

 

“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930 (versos).

“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).

 “Vitral”, 1934 (poemas).

“Morro do moinho” 1937 (romance)

“0 Norte Canta”, 1941 (poesia popular).

“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).

“Chama infinita, 1949 (poesias)

“O nordeste que o sul não conhece 1953 (ensaio)

“Ritmos e legendas” 1959 (poesias escolhidas)

“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967 (poesias escolhidas)

“Poesia do cotidiano”, 1977 (poesias)

 

 

Outros poemas de Mastins d’Alvarez neste blog:

 

SÚPLICA ; ANJO BOM ; JOÃO E MARIA





Onde está o leitor ou a leitora nas artes plásticas brasileiras?

3 10 2008

José Ferraz de Almeida Jr (Brasil,1850-1899) Moça com livro, 1879, MASP

 

 Moça com livro, 1879

José Ferraz de Almeida Júnior ( Brasil, 1850-1899)

óleo sobre tela

Museu de Arte de São Paulo

 

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Coleciono imagens de pessoas lendo.  A maioria foi feita por pintores europeus até o final do século XIX e depois deste período os artistas americanos passam à frente dos europeus na representação de homens, mulheres e crianças lendo.  Acredito que isto se deva ao número muito maior de artistas americanos, i.e., a classe dos artistas plásticos nos EUA ocupa uma maior percentagem da população do que o grupo de europeus em relação à população européia.  Provavelmente uma conseqüência na educação mais democrática, mais universal  no país da América do Norte. Mas, este não é o assunto nesta postagem. 

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José Ferraz de Almeida Jr, (Brasil 1850-1899), Moça lendo carta

Saudade, 1899, [Moça lendo carta]

José Ferraz de Almeida Jr ( Brasil 1850-1899)

óleo sobre tela, 197 x 101 cm

Pinacoteca do Estado de São Paulo [PESP]

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Meu tópico é questionar: por que um tema comum na Europa e nos países da América do Norte é praticamente inexistente nas artes plásticas brasileiras?  Uma opinião sem qualquer estudo específico seria de que no Brasil as pessoas não leriam tanto.  E também de que havia muito menos artistas em relação à população brasileira do que no resto do mundo.  Ou seja a proporção não permitiria a abundância de imagens, a necessidade de variações de temas.

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O tópico da mulher lendo, esta eterna musa inspiradora dos europeus e americanos, então, ainda restringe mais a imaginária brasileira.  No Brasil, a imagem da mulher leitora mal aparece na pintura do século XIX e aparece de maneira bem resumida durante o século XX.   A fascinação dos artistas estrangeiros pela mulher lendo poderia ter sido causada por diversos motivos:

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José Ferraz de Almeida Júnior, (Brasil 1850-1899) Familia reunida em casa do interior

 Família reunida em casa do interior, s/d

José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil 1850-1899)

óleo sobre tela

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1) A  modelo, mesmo sofrendo de um preconceito comum — de que esta mulher teria uma posição social duvidosa —  associada à uma mulher fácil, de princípios morais flexíveis — nos países mencionados anteriormente, mesmo sendo pobre  esta mulher era alfabetizada o suficiente para poder posar convincentemente como leitora.  

 

2) É verdade que o tema permite também que pessoas que não são modelos profissionais, tais como irmãs, mães e esposas de pintores, pudessem  facilmente se submeter a este papel de modelo, porque ler em geral é feito numa posição parada e confortável.  Ou seja mulher não profissional pode posar lendo.  

 

3) A fascinação quase erótica vista pelos artistas estrangeiros na pintura da mulher que se abandona ao ato privado da leitura parece ser mais provocativa lá fora do que no Brasil.  A sensualidade da mulher-leitora passa desapercebida no Brasil.  Talvez porque a maioria das mulheres brasileiras, mesmo das famílias mais abastadas, que se encontravam fora das grandes cidades, era analfabeta.  E analfabeta permaneceu até muitos anos dentro do século XX.

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José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil 1850-1899) Moça lendo em Itu.

 Moça lendo em Itu, sd

José Ferraz de Almeida Júnior ( Brasil 1850-1899)

óleo sobre tela

 

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No Brasil, a imagem da mulher leitora mal aparece na pintura do século XIX e aparece de maneira bem resumida durante o século XX.  A maior exceção à regra é do pintor paulista José Ferraz de Almeida Júnior ( 1850-1859) de quem conheço pelo menos quatro pinturas a óleo com o tema.

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Recentemente tive a oportunidade de ler o livro: O Retrato do Rei de Ana Miranda e me senti emocionada o suficiente para copiar algumas passagens que reproduzo aqui, descrevendo o tipo de consideração dada a quem queria ler.

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Bertha Worms (Brasil 1868-1937) Menina com livro, desenho

 Menina com livro, s/d

Bertha Worms ( Brasil 1868-1937)

desenho

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 Esta passagem ilustra bem o nível retrógrado da sociedade portuguesa, que não condizia mesmo com o resto da Europa neste sentido, principalmente porque a Mariana do romance é de uma classe social que na Europa já estaria lendo pelo menos o seu missal.  E explica a nossa herança cultural.

 

Ainda menina, Mariana recebera, uma noite, ordem de seu pai, dom Afonso, para que fosse à sala de livraria. Ela entrara, assustada. Sempre que o pai tinha uma repreensão ou castigo para as filhas chamava-as a tal lugar. O barão, em pé, diante da mesa, parecera-lhe um gigante. Batendo ritmadamente o chicote na mão, perguntara se ela estava pretendendo aprender a ler. Apontara com o chicote para um volume sobre a mesa, uma cartilha das primeiras letras. Mariana abaixara os olhos, sentindo o sangue tomar-lhe o rosto. Dom Afonso pegara o livro e aproximara-o da chama da vela. A cartilha demorou a pegar fogo e lentamente foi-se consumindo. “Cuida-te com os teus desejos”, o pai dissera. “Se eles te tomam, e não tu a eles, vais arder no fogo do inferno.” Em seu quarto a velha aia Sofia a esperava, com uma vara na mão. “Tira a roupa”, dissera a alemã. “Essas meninas da colônia são educadas como vacas. Que mal há em saber ler? As freiras não aprendem nos conventos? Na minha terra todas as mulheres sabem letras.” “Sabeis ler, dona Sofia?”  “Cala-te, menina. Tira a roupa.” Mariana, nua, curvada sobre o baú, esperara.“ Trata de gritar bem alto para que teu pai ouça”, Sofia sussurrara. E aplicara, sem nenhuma força, vinte vergastadas nas costas de Mariana, para cumprir a ordem do pai.

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Tarsila do Amaral (Brasil 1890-1973) Beatriz lendo, 1965

Beatriz lendo, 1965

Tarsila do Amaral ( Brasil, 1890-1973) 

óleo sobre tela

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Na história Mariana é mal vista através do padre local, justamente por parecer saber ler.  Ele suspeita que comunhão com o diabo por carregar um livro para a missa, todos os dias.  A dupla ironia é que ela realmente não sabe ler, mas não admite esta fraqueza para ninguém e continua sua solitária missão de “leitora” através de sua vida.   Aqui está uma passagem dos pensamentos de Frei Francisco no livro sobre a estranha dona Mariana. Estamos no Rio de Janeiro em 1707.

 

Nunca usava decotes como os das mulheres das Minas, vestia quase sempre saia e casaco pretos. Ás vezes aparecia com pintura e cabeleira, como os sodomas do palácio do governador. Costuma ser distraída e gostava de apreciar o horizonte. Falava com estranhos. Entrava nas igrejas, rezava ajoelhada. Andava com o nariz para o alto e olhava as pessoas nos olhos. Despertava vontade de fornicar, pois tinha carnes; mais dava medo. Às vezes a fidalga ficava olhando um livro de capa preta, que Lourenço não sabia dizer o que era, mas talvez fosse um missal.

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e no parágrafo seguinte:
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Frei Francisco interessou-se especialmente por esta última informação, que poderia esclarecer de vez o caráter de dona Mariana. Muitas pessoas se interessavam pelos livros de poesias e ensaios, abandonando as leituras de obras religiosas; não para adquirirem sabedoria filosófica, mas para se desavergonharem. Buscavam na Arte de amar apenas os trechos obscenos. Ovídio ensinava às esposas como enganar seus maridos em celas alugadas; suas mulheres ostentavam infidelidade e os homens uma complacência cornuda. A obra de Ovídio reduzia uma grande civilização a um galinheiro. A maioria dos livros continha um amontoado de sujeiras, arrotos de desbraguilhamentos. Os poetas costumam ser uma gente de natureza maliciosa. Descreviam príncipes em atividades obscenas nos alcouces, nobres em atitudes indignas nas camas, alcoviteiras ensinando moças a tornarem seus amantes generosos, velhos seduzindo meninas, exoterismo mundano, cumplicidade de salão; cantava-se gente da sarjeta em versos langorosos, padres eram difamados. Filósofos ensinavam como apanhar adolescentes no circo. Imperadores invadiam cidades vestidos como mulheres e deleitavam-se com escravos. O que achavam as pessoas, por acaso, que os poetas escreviam sobre as tendas esfumaçadas de César? Discussões sobre táticas de guerra? Meditações? Preferiam descrever vasos de vinho, coroas de pâmpanos, lascívia as bailarinas orientais e homens deitados na mesma cama.

 Em:  O retrato do rei, ANA MIRANDA, Cia das Letras:1991, São Paulo. páginas 87-88

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Adalberto Lutkemeyer (Brasil, RS) Mulher com livro, 1983

 Mulher com livro, 1983

Adalberto Lutkemeyer ( Brasil, RS, contemporâneo)

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É claro, reconheço que estamos tratando de ficção.  Mas Ana Miranda já provou que sua pesquisa histórica é exemplar.

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Duas ou três semanas depois de ler este livro, encontrei uma história semelhante no romance de Luiz Antonio de Assis Brasil, Manhã Transfigurada, em que o noivo de uma jovem no interior do Rio Grande do Sul, desconfia de sua “pureza” por sabê-la leitora de um livro de poemas…

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Seriam só estas as razões para tão poucas imagens de pessoas lendo na pintura brasileira?  

 





A LUA FOI AO CINEMA, poema infantil de PAULO LEMINSKI

30 09 2008

 

A LUA FOI AO CINEMA

A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
– Amanheça, por favor!

 

Paulo Leminski Filho (PR 1944 — PR 1989) Escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro. Era, também, faixa-preta de judô.

 

 

Obras:

 

Quarenta clics de Curitiba. Poesia, 1976. (2ª edição Secretaria de Estado Cultura, Curitiba, 1990.)  

Polonaises. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.

Não fosse isso e era menos/ não fosse tanto e era quase. Curitiba, Zap, 1980. Tripas. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.

Caprichos e relaxos. São Paulo, Brasiliense, 1983.

Um milhão de coisas. São Paulo, Brasiliense, 1985. 6p.

Caprichos e relaxos. São Paulo, Círculo do Livro, 1987. 154p.

Distraídos venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1987. 133p. (5ª edição 1995)

La vie en close. São Paulo, Brasiliense, 1991.

Winterverno Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1994. (2ª edição publicada pela Iluminuras, 2001.

 





Em Palmeiras, uma esposa casadoura! Revolução de 1932

27 09 2008

Militares em Santos

Militares em Santos

24 de setembro de 1932

 

 

Um soldado voluntário, caipira, reclama hoje, lamuriento falta de noticias de sua esposa em Palmeiras.  E explicava:

 

“ Na outra revolução ( a de outubro de 1930) que durou só vinte dias, ela não recebia também minhas cartas e como contasse que eu fora morto em combate, em Itararé, minha mulher, quando eu voltei, já estava de casamento tratado com outro!”

 

E, desta vez, com certeza, o lamuriento voluntário, após 74 dias de ausência, tinha, e com carradas de razão, o pensamento voltado para Palmeiras, onde se achava a sua casadoura esposa!!

 

 

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Revista O Cruzeiro

Revista O Cruzeiro

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 147 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Militares de Caçapava, na Revolução de 1932

Militares de Caçapava, na Revolução de 1932

 





Alguns vencedores do Prêmio Jabuti

25 09 2008
Prêmio Jabuti de 2008

Prêmio Jabuti de 2008

 

Melhor Romance:

 

1 –  O FILHO ETERNO

CRISTOVÃO TEZZA

 

2 –  O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO

BERNARDO TEIXEIRA DE CARVALHO  

 

3 –  ANTONIO

BEATRIZ BRACHER

 

Melhor livro de contos e crônicas:

 

1 – HISTORIAS DO RIO NEGRO

VERA DO VALE


2 –A PRENDA DE SEU DAMASO E OUTROS CONTOS

JORGE EDUARDO PINTO

 

3 – FICHAS DE VITROLA

JAIME PRADO GOUVÊA

Melhor livro de poesia:

 

1 – O OUTRO LADO

IVAN JUNQUEIRA


2 – O XADREZ E AS PALAVRAS

MARCUS VINICIUS TEIXEIRA QUIROGA


3 – TARDE

PAULO FERNANDO HENRIQUES BRITTO

 

 

Melhor livro juvenil:


     1 – O BARBEIRO E O JUDEU DA PRESTAÇÃO    CONTRA O SARGENTO DA MOTOCICLETA

        JOEL RUFINO DOS SANTOS

2 – TÃO LONGE…TÃO PERTO

SILVANA DE MENEZES


3 – MESTRES DA PAIXÃO: APRENDENDO COM QUEM AMA O QUE FAZ

DOMINGOS PELLEGRINI

 

Melhor livro infantil:

 


1 – SEI POR OUVIR DIZER

BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS

 

2 – O MENINO QUE VENDIA PALAVRAS

 IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO


3 –
ZUBAIR E OS LABIRINTOS

JOSÉ ROGER DE MELLO

 

 





Promessas, promessas, promessas… Na hora de votar, lembre-se!

25 09 2008
Walt Disney

Ilustração: Walt Disney

 

PAC do Livro: o que foi anunciado e o que foi feito

 

Vale a pena anotar as metas anunciadas pelo Ministério da Cultura em 4/10/2007 para a área do livro e leitura.

 

Ei-las:

 

1. Zerar o número de cidades sem bibliotecas.

O que foi feito: faltavam bibliotecas em 613 municípios; restam, agora, 350 e tudo indica que a meta será cumprida antes do prazo.   BOAS NOVAS!!!!!

 

2. Criar 4 mil pontos de leitura (de um total de 20 mil pontos de cultura).

O que foi feito: a idéia é entregar 600 kits ainda em 2008. Só que o edital ainda não saiu.

 

3. Revitalizar 4.500 bibliotecas.

O que foi feito: a idéia é apoiar 400 bibliotecas ainda em 2008 (R$ 55 mil cada). Mas o edital ainda não saiu.

 

4. Abrir 100 bibliotecas multiuso em áreas pobres e violentas das maiores cidades.

O que foi feito: assinados termos para abrir e/ou ampliar em duas cidades, mas ainda não saiu do papel.

 

5. Publicar 9 milhões de livros a preços populares.

O que foi feito: nada.

 

Sem meta numérica:

 

Anunciada a criação do vale-cultura (que funcionaria na área como o vale-livro, para ser trocado em livrarias)  AINDA EM ESTUDOS

 

Implantação de programas de formação de bibliotecários e agentes de leitura com recursos do Ministério do Trabalho. AGUARDA A PUBLICAÇÃO DE EDITAL  para dar início  a um projeto ainda modesto.

 

Embora não divulgado oficialmente, a idéia do MinC é investir R$ 300 milhões (de um total de R$ 4,7 bilhões) até 2010 em políticas do livro e leitura.

 

Se correr, ainda dá tempo!

Do blog do Galeno





Hoje houve vários peixes! Revolução de 1932

25 09 2008
Tropas no Instituto Biológico, Revolução de 1932

Tropas no Instituto Biológico, Revolução de 1932

 

23 de setembro de 1932

 

Circulam muitos boatos favoráveis a São Paulo.  Boatos preparados pela imprensa!  A imprensa também propala boatos, para manter alto o moral das tropas!  O boato entre os soldados, na sua gíria, chama-se peixe!  Talvez por causa dos poissons d’avril.  Hoje houve vários peixes.  O João Alberto demitiu-se da polícia do Rio.  O Olegário Maciel está de relações tensas com Getúlio Vargas, etc.

 

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Bombardeio em Passa Quatro, Minas Gerais, Revolução 1932

Bombardeio em Passa Quatro, Minas Gerais, Revolução 1932

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 147 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Jornal A Gazeta

Jornal A Gazeta





O ovelha, poesia de Henriqueta Lisboa

24 09 2008
Ovelhinha Desgarrada

Ovelhinha Desgarrada

 

A Ovelha

 

Encontrastes acaso

a ovelha desgarrada?

A mais tenra

do meu rebanho?

A que despertava ao primeiro

contato do sol?

A que buscava a água sem nuvens

para banhar-se?

A que andava solitária entre as flores

e delas retinha a fragrância

na lã doce e fina?

A que temerosa de espinhos

aos bosques silvestres

preferia o prado liso, a relva?

A que nos olhos trazia

uma luz diferente

quando à tarde voltávamos

ao aprisco?

A que nos meus joelhos brincava

tomada às vezes de alegria louca?

A que se dava em silêncio

ao refrigério da lua

após o longo dia estival?

 

A que dormindo estremecia

ao menor sussurro de aragem?

Encontrastes acaso

a mais estranha e dócil

das ovelhas?

Aquela a que no coração eu chamava

  a minha ovelha?

 

 

Henriqueta Lisboa

 

 

Em: Nova Lírica: poemas selecionados, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971

 

 

Vocabulário:

Aprisco – curral para ovelhas

Estival – do estio, do verão

 

 

 

Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira.

 

Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.