Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público
26 05 2010Comentários : Leave a Comment »
Tags: fotografia, Imagem de leitura, Leitura
Categorias : Cultura brasileira, Fotografia, LIVROS, Recreação
A Marcelina, um conto de Arthur Azevedo
19 05 2010Retrato de um janota, s/d
Giovanni Boldini ( Itália, 1842-1931)
Pastel sobre papel, 63 x 41 cm
The Norton Simon Art Foundation, Pasadena, Califórnia
—
—
A Marcelina
—
—
Arthur Azevedo
—
I
—
—
Naquele tempo ( não há necessidade de precisar a época) era o doutor Pires de Aguiar o melhor freguês da alfaiataria Raunier e uma das figuras obrigatórias da Rua do Ouvidor. Como advogado diziam-no de uma competência um pouco duvidosa, o que aliás não obstava que ele ganhasse muito dinheiro, — mas como janota – força é confessá-lo – não havia rapaz tão elegante no Rio de Janeiro.
Rapaz? Rapaz, sim: o doutor Pires de Aguiar pertencia a essa privilegiada classe de solteirões que se conservam rapazes durante trinta anos.
Quando lhe perguntavam a idade, respondia invariavelmente: — Orço pelos quarenta, — e durante muito tempo não deu outra resposta. Os seus contemporâneos de Academia atribuíam-lhe cinqüenta, e bem puxados. As senhoras, essas não lhe davam mais que trinta e cinco.
Ele tinha um fraco pelas mulheres de teatro. Consistia o seu grande luxo em ser publicamente o amante oficial de alguma atriz. Não fazia questão de espírito nem de beleza; o indispensável é que ela ocupasse lugar saliente no palco, e fosse aplaudida e festejada pelo público. Não era o amor, era a vaidade que o conduzia à nauseabunda Cythera dos bastidores.
Essas ligações depressa se desfaziam; duravam enquanto durava o brilho da estrela; desde que esta começava a ofuscar-se, ele achava um pretexto para afastar-se dela e procurar imediatamente outra. Como era inteligente e generoso – muito mais generosos que inteligente, — nunca ficava mal com o astro caído.
Algumas vezes o rompimento era provocado por elas – pelas de mais espírito – que facilmente se enfaravam de um indivíduo tão preocupado com a própria pessoa, e tão vaidoso das suas roupas.
—
—
Ivette Guilbert agradecendo ao público, 1894
Henri Toulouse-Lautrec (França, 1864-1901)
Óleo sobre papel fotográfico, 48 x 28 cm
Museu Toulouse Lautrec, Albi, França.
—
—
II
No tempo em que se passou a ação deste ligeiro conto, a nova conquista do doutor Pires de Aguiar era uma atriz portuguesa, a Clorinda, que viera de Lisboa apregoada pelas cem trombetas da réclame, e cuja estréia num dos nossos teatrinhos de opereta, o público esperava ansiosamente.
Uma hora antes de começar o espetáculo de estréia, entrou o advogado triunfantemente na caixa do teatro, levando pelo braço a sua nova amiga, elegantemente envolvida numa soberba capa de pelúcia. Ia fazer-lhe entrega do camarim, cujo arranjo confiara liberalmente ao bom gosto e à perícia dos mais hábeis tapeceiros e estofadores.
Ela ficou encantadíssima, e agradeceu com beijos quentes e sonoros a dedicada solicitude do amante.
Que belo tapete felpudo! que bonitos quadros! que papel bem escolhido! que delicioso divã! que magnífico espelho de três faces, onde o seu vulto airoso se refletia três vezes por inteiro! e que profusão de perfumarias! e que precioso serviço de toilette!…
Nada faltava também sobre a mesinha da maquilagem, intensamente iluminada por dois bicos de gás.
O doutor Pires de Aguiar tinha longa prática desses arranjos; não podia esquecer-se de nenhum dos ingredientes necessários ao camarim de uma atriz que se respeita; o arsenal estava completo.
Dali a nada ouviu-se um – Dá licença? — e o diretor de cena entrou no camarim acompanhado por uma mulher já idosa, muito pálida, de aspecto doentio, pobremente trajada.
— Dona Clorinda, aqui tem a sua costureira.
—
—
Mulher com espartilho, 1896
[Esboço para Elles]
Henri Toulouse-Lautrec ( França 1864-1901)
Óleo pastel sobre papel, colado em tela, 104 x 566 cm
Museu des Augustins, Toulouse.
—
–
–
A estrela não conteve um gesto de despeito. O diretor de cena compreendeu-o, e saiu imediatamente, para não entrar em explicações.
— É doente? perguntou Clorinda à costureira.
— Não, senhora. Tive uma doença grave, mas agora estou boa. Saí há dois dias da Santa Casa.
Clorinda trocou um olhar com o advogado, e este disse-lhe, resfestelando-se no divã:
— Ma chère, il faut se contenter de cette habilleuse; nous ne sommes pas en Europe.
Ele impingiu a frase em francês, para que na a entendesse a costureira, mas a verdade é que Clorinda também não percebeu, o que aliás não a impediu de responder: — Oui.
Despojada da mantilha e da bela capa de pelúcia Clorinda sentou-se entre os dois bicos de gás, e começou a pintar-se dizendo: — Vamos a isto!
E dirigindo-se à costureira:
— Sente-se. Porque está de pé?
A pobre mulher sentou-se a medo, como receiosa de macular a palhinha dourada da cadeira com o seu miserável vestido de chita.
— Sabe que me disseram bonitas coisas a seu respeito? Perguntou a atriz ao advogado, olhando-o pelo espelho.
— Deveras?
— Ao que me parece, você tem sido um gajo!
O doutor Pires de Aguiar teve um sorriso inexprimível. Aquele gajo entrou-lhe pela vaidade a dentro como uma grã-cruz.
— Com que então a sua especialidade são as atrizes?
— Sou doido pelo teatro.
—
—
Atriz no camarim, 1879
Edgar Degas ( França, 1834-1917)
Óleo sobre tela, 85 x 76 cm
The Norton Simon Museum, Pasadena, Califórnia.
—
—
— E há quanto tempo dura essa doidice?
— Há muito tempo. Estou velho, bem vê. Orço pelos quarenta.
— Ninguém lhe dará mais de trinta e cinco.
— São os seus olhos.
— Qual foi a sua primeira paixão no teatro?
— Ah, isso…
O advogado levantou o braço e estalou os dedos.
— … isso é pré-histórico; perde-se na noite dos tempos.
— Como se chamava essa colega?
— Chamava-se Marcelina.
— Que fim levou?
Ele encolheu os ombros.
— Sei lá! provavelmente morreu. Nunca mais ouvi falar dela. Há mulheres que desaparecem como os passarinhos que não foram mortos a tiro nem engaiolados: ninguém lhes vê os cadáveres.
— Gostou dela?
Foi talvez a paixão mais séria da minha vida.
— Nunca mais a procurou?
— Para que?
— Tinha talento?
— Talento? Não. Tinha habilidade.
E depois de uma pausa:
— Tinha habilidade e era muito boa rapariga.
— Brasileira?
— Sim. Representava ingênuas em dramalhões de capa e espada, ali, no São Pedro de Alcântara. Um dia – eu já a tinha deixado – um dia patearam-na ppor motivos que nada tinham que ver com a arte dramática; ela desgostou-se; andou mourejando pelas províncias, e afinal desapareceu. Requiescat in pace!
Entrou o cabeleireiro. Enquanto Clorinda lhe confiou a cabeça, o doutor Pires de Aguiar divagou longamente sobre os méritos da Marcelina; depois falou de outras atrizes, desfiando um interminável rosário das suas mancebias.
Clorinda, a costureira e o cabeleireiro, ouviam sem dizer palavra.
Terminado o serviço do cabeleireiro, que logo se retirou, Clorinda ergueu-se:
— Agora, meu doutor, há de me dar licença, sim? Vou vestir-me.
— Até logo, disse o advogado. O seu penteado ficou esplêndido! Vou aplaudi-la. Bonne chance!
Deu-lhe um beijo – na testa para não desmanchar a pintura, — e saiu do camarim, cuja porta a costureira discretamente fechou.
—
—
A meia, 1894
Henri Toulouse-Lautrec ( França 1864-1901)
Óleo sobre papelão, 58 x 48 cm
Museu d’ Orsay, Paris.
—
—
III
Minutos depois, Clorinda estava completamente nua.
— A senhora é muito bem feita de corpo, disse-lhe num tom adultório, a costureira, enfiando-lhe pela cabeça uma camisa de seda.
— Acha? perguntou desdenhosamente a atriz.
— Ah! eu também já fui bem feita de corpo, mas… não tive juízo: fiei-me demais nos homens. Se quer aceitar um conselho, filha, preste mais atenção à sua arte do que a todos esses … gajos, que fazem das mulheres um objeto de luxo e nada mais. Só assim a senhora evitará o hospital e a miséria.
— Ora esta! exclamou Clorinda. Quem é você mulher, para me falar assim?
— Eu sou … a Marcelina.
###
—
Em: Contos fora de moda, originalmente publicado em 1894.
—
—
Artur Azevedo (Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo), jornalista, poeta, contista e teatrólogo, nasceu em São Luís, MA, em 7 de julho de 1855, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 22 de outubro de 1908. Figurou, ao lado do irmão Aluísio de Azevedo, no grupo fundador da Academia Brasileira de Letras, onde criou a Cadeira n. 29, que tem como patrono Martins Pena.
Obra:
Carapuças, poesia, 1871
Sonetos, 1876
Um dia de finados, sátira, 1877
Contos possíveis, 1889
Contos fora da moda, 1894
Contos efêmeros, 1897
Contos em verso, 1898
Rimas, poesia, 1909
Contos cariocas, 1928
Vida alheia, 1929
Histórias brejeiras, seleção e prefácio de R. Magalhães Júnior 1962
Contos, 1973
Comentários : Leave a Comment »
Tags: Conto, DOMÍNIO PÚBLICO, literatura
Categorias : Artes Plásticas, Cultura, Cultura brasileira, Ensino, Literatura adolescente, Literatura Brasileira, Pintura
Os sapos, poema de Manuel Bandeira
19 05 2010—
—
Os sapos
—
Manuel Bandeira
—
—
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os delumbra.
—
Em ronco que a terra,
Berra o sapo-boi:
— “Meu pai foi à guerra!”
— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”
—
O sapo-tanoeiro
Parnasiano aguado,
Diz: — ” Meu cancioneiro
É bem martelado.
—
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
—
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
—
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A formas a forma.
—
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas…”
—
Urra o sapo-boi:
— “Meu pai foi rei” — “Foi!”
— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”
—
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
— “A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
—
Ou bem de estatutário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo.”
—
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas:
–“Sei!” — “Não sabe!” — “Sabe!”
—
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Verte a sombra imensa;
—
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
—
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio…
—
1918
—-
—
Manuel Bandeira (Recife PE, 1884 – Rio de Janeiro RJ, 1968) foi poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Teve seu primeiro poema publicado aos 8 anos de idade, um soneto em alexandrinos, na primeira página do Correio da Manhã, em 1902, no Rio de Janeiro. Cursou Arquitetura, na Escola Politécnica, e Desenho de Ornato, no Liceu de Artes e Ofícios, entre 1903 e 1904; precisou abandonar os cursos, no entanto, devido à tuberculose. Nos anos seguintes, passou longos períodos em estações climáticas, no Brasil e na Europa.
—
—
Obras:
Poesia
A cinza das horas, 1917
Carnaval, 1919
O ritmo dissoluto, 1924
Libertinagem, 1930
Estrela da manhã, 1936
Lira dos cinquent’anos, 1940
Belo, belo, 1948
Mafuá do malungo, 1948
Opus 10, 1952
Estrela da tarde, 1960
Estrela da vida inteira, 1966
Prosa
Crônicas da Província do Brasil – Rio de Janeiro, 1936
Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938
Noções de História das Literaturas – Rio de Janeiro, 1940
Autoria das Cartas Chilenas – Rio de Janeiro, 1940
Apresentação da Poesia Brasileira – Rio de Janeiro, 1946
Literatura Hispano-Americana – Rio de Janeiro, 1949
Gonçalves Dias, Biografia – Rio de Janeiro, 1952
Itinerário de Pasárgada – Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954
De Poetas e de Poesia – Rio de Janeiro, 1954
A Flauta de Papel – Rio de Janeiro, 1957
Itinerário de Pasárgada – Livraria São José – Rio de Janeiro, 1957
Andorinha, Andorinha – José Olympio – Rio de Janeiro, 1966
Itinerário de Pasárgada – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1966
Colóquio Unilateralmente Sentimental – Editora Record – RJ, 1968
Seleta de Prosa – Nova Fronteira – RJ
Berimbau e Outros Poemas – Nova Fronteira – RJ
Comentários : 46 Comments »
Categorias : Cultura, Cultura brasileira, Ensino, literatura, Literatura adolescente, Literatura Brasileira, Literatura infantil, Poesia
Leitura aumenta graças à Copa!
18 05 2010—
—
A Copa do Mundo fez crescer o volume de lançamentos de livros relacionados ao esporte no Brasil. De olho nos leitores fanáticos por futebol, editoras lançaram no mercado mais de dez títulos ligados ao tema, que tratam desde listas de melhores atletas até dados históricos, apostando que a empolgação com a proximidade do torneio também impulsione as vendas. E os resultados já começam a aparecer: só nas lojas da Livraria Cultura foi registrado um aumento de 460% nas vendas de títulos relacionados a futebol no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, e a perspectiva é de que as vendas aumentem ainda mais com a proximidade do torneio.
“O mercado editorial evoluiu bastante no que se refere a futebol. A Copa é uma efeméride e atrai interesse de obras sobre as seleções, especialmente. Antes não vendia porque fazia-se livros sobre futebol voltado para antropólogos, filósofos, acadêmicos de modo geral. Hoje fazemos livros voltados para torcedores, e nossos números não param de crescer“, afirma Pedro Almeida, publisher da Editora Lua de Papel.
—
—
—
—
A mais ativa dentre as editoras que decidiram apostar na Copa do Mundo foi a Contexto. Ao todo, nove volumes foram colocados no mercado pela empresa. Seis livros fazem parte de uma coleção intitulada “Os Onze Maiores do Futebol Brasileiro” – técnicos, goleiros, laterais, volantes, camisas 10 e centroavantes. Entre os autores estão jornalistas esportivos de renome, como Milton Leite, Marcelo Barreto e Sidney Garambone. De acordo com a editora, a ideia foi contar com jornalistas conhecidos para chamar a atenção dos leitores. Outros dois livros lançados pela editora também prometem levantar discussões: “As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos” e “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos“.
Contudo, o livro da Contexto que, embora trate de futebol, extrapolou o foco de livro de História foi “O Futebol Explica o Brasil: Uma História da Maior Expressão Popular do País“, do jornalista Marcos Guterman. A obra trata da ligação do esporte com a sociedade brasileira, desde a chegada ao País pelas mãos (e pés) de Charles Muller até a Copa de 2002 e teve como base a tese de mestrado apresentada por ele. “O livro foi lançado em novembro justamente para escapar do rótulo de lançamentos da Copa, mas entrou no pacote da editora por causa do mundial. Hoje ele é encontrado na prateleira de esportes, mas ele é um livro de História“, conta Guterman.
—
—
—
—
Grande parte dos lançamentos nessa véspera da Copa do Mundo trata, no entanto, sobre a história do evento. E nenhum dos livros lançados atingiu a profundidade que “O Mundo das Copas“, do jornalista Lycio Vellozo Ribas, conseguiu. Em uma obra de mais de 600 páginas, ele traz uma verdadeira enciclopédia sobre a competição, com fichas técnicas e textos sobre todos os jogos da história do torneio, iniciada em 1930, além de resultados de eliminatórias, curiosidades e estatísticas sobre todos os atletas que já participaram da mais importante festa do futebol. “Cada Copa é influenciada por tudo o que acontece ao redor, então também cito fatores extracampo, como política“, explica.
Entre os livros sobre futebol, o de Ribas vem obtendo os melhores resultados de vendas nas livrarias. “Nossa ideia era de fazer um produto numa tiragem limitada, visto que se trata de uma obra para venda num período curto, de pouco mais de 70 dias. E enfrentamos outro dilema: trabalhar com um preço bem acessível. Assim, tivemos de encarar uma edição gigante, de 30 mil exemplares. Ficamos apreensivos no lançamento, mas na segunda semana percebemos que tínhamos acertado nas apostas de tiragem e preço. Mais de 70% da tiragem já está vendida“, conta Almeida, da Lua de Papel, responsável pela publicação de “O Mundo das Copas“.
—
—
—
—
O sucesso já faz a editora pensar em lançar uma segunda edição ao fim da Copa da África, atualizada com o que ocorrer na competição. Ribas, que também mantém um blog para promover o livro, já está trabalhando na atualização. “Mas, se o Brasil for mal na Copa, pode diminuir o interesse dos leitores“, admite.
Outra editora que também está apostando em livros sobre a história das Copas do Mundo é a Panda Books, que lançou no mercado duas obras por conta da competição: “Os 55 Maiores Jogos das Copas do Mundo“, de Paulo Vinícius Coelho, e “A História das Camisas de Todos os Jogos das Copas do Mundo“, do jornalista Rodolfo Rodrigues, do colecionador e administrador Paulo Gini e do ilustrador Maurício Rito – um livro com desenhos e histórias dos uniformes que cada seleção usou em jogos de Mundiais. Já a editora Girassol aposta no livro “A História da Copa do Mundo“, oficial da Fifa, que tem como diferencial a capa em formato e com textura de bola de futebol.
Os bons números de vendas e a empolgação dos torcedores ajuda, assim, a reforçar o mercado de publicações sobre futebol no País. “Na Europa sempre se vendeu mais livros sobre futebol, mas nosso mercado cresceu muito nos últimos anos e hoje conseguimos colocar livros sobre futebol nas listas de mais vendidos, o que não tem acontecido por lá“, conclui Almeida.
Comentários : Leave a Comment »
Tags: Copa do Mundo, Cultura Brasileira, editoras, Educação, Futebol, Leitura, LIVROS
Categorias : Cultura, Cultura brasileira, Ensino, LIVROS
Quadrinha sobre a formiga
16 05 2010
Ilustração, Maurício de Sousa.
—
—
A formiga é muito esperta
Está sempre a trabalhar!
Assim, quando o frio aperta
Descansa e põe-se a cantar!
—
(Peregrina)
Comentários : Leave a Comment »
Tags: Ensino, formiga, Quadrinha infantil, Rimas, trabalho, Verso
Categorias : Cultura, Cultura brasileira, Ensino, Recreação, Uncategorized
Descoberta especial: um super-predador em solo brasileiro
14 05 2010Foto: Ulbra
—
—
A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) apresentou na segunda-feira próxima passada, um fóssil quase completo de um superpredador, o tecodonte Prestosuchus chiniquensis , no município de Dona Francisca, no Rio Grande do Sul. Segundo a universidade, o animal viveu no período Triássico (há aproximadamente 238 milhões de anos) e é um ancestral dos dinossauros. O fóssil foi achado há cerca de 30 dias após chuvas que expuseram parte do material. Segundo universidade, os tecodontes eram um grupo de répteis ancestral aos dinossauros e também às aves.
O animal, segundo os pesquisadores, deveria ter aproximadamente 7 m de comprimento e pesar cerca de 900 kg. “Este é o maior esqueleto e em melhor estado de conservação já encontrado. (…) Esse achado tem enorme importância, com repercussão internacional, porque o conjunto completo pode nos dar informações amplas sobre este animal. Há diversos achados espalhados que se julga serem partes de prestosuchus. Agora, com todos os ossos, podemos certificar que realmente são desse tecodonte“, disse o paleontólogo Sérgio Cabreira.
—
—
—
—-
De fato a descoberta desse fóssil quase completo atraiu a atenção internacional. Segundo o paleontólogo Sérgio Cabreira, responsável pelo achado, a imprensa internacional não está acostumada com trabalhos na América do Sul. Países como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, defendem a sua própria cultura científica. “Aí, nesse conjunto, nós, brasileiros aqui do Sul, descobrimos algo completo com estruturas que não haviam sido encontradas antes. Isso mexe com o contexto“, afirma. De acordo em ele, o Brasil está em ascensão no cenário internacional e já é visto com respeito. “Não precisamos mais de suporte externo, temos estrutura.”
O pesquisador ressalta também que essa região do município de Dona Francisca é um dos sítios de fósseis mais importantes do mundo. “A área explorada ainda é pequena. Quando o processo de pesquisa for formatado realmente, nós vamos encontrar dezenas de fósseis“.
—
—
—
—
A descoberta reflete um trabalho de seis anos de projeto, conta Sérgio Cabreira. “Temos feito vários achados de material na área. Há três anos, encontramos neste mesmo local, duas vértebras muito grandes desse Arcossauro. Nessa oportunidade, eu já tinha uma ideia do belo material que estava para encontrar. A erosão expôs uma margem do material e o limpamos. Entendemos que se travava de algo importante“, afirmou. Ele também acredita que esse animal tenha sido soterrado por uma enchente poucos dias após a sua morte. “Encontramos um fóssil com crânio, coluna cervical, cauda, em excelente estado de preservação. O fóssil fala por ele mesmo.” Depois da divulgação das imagens, paleontólogos de diversas regiões visitaram o local. O Prestosuchus chiniquensis representa o grupo dos primeiros arcossauros que atingiram um grande tamanho. “Não conseguiremos entender esse frisson da imprensa internacional se não olharmos para o cenário científico“, explicou referindo-se a todas as implicações históricas, científicas e sociais do trabalho.
Existem leis que regem o patrimônio científico brasileiro. A divulgação das descobertas é essencial para criar uma guarda em torno desse patrimônio, segundo o paleontólogo. “Devemos expor esse material para disseminar a conquista de todos os brasileiros. Além disso, o fato permite com que a sociedade e os políticos tomem providências para o aproveitamento e cercamento de áreas.”
O fóssil do tecodonte Prestosuchus chiniquensis continuará sendo estudado em território nacional. Ele agora entra em um circuito de tratamento, com clima e acondicionamento adequados. Réplicas serão feitas antes que os cientistas possam manusear os fósseis encontrados. Geralmente essas cópias é que são apreciadas em museus, enquanto a original é utilizada em pesquisas.
Fonte: Portal Terra
Comentários : Leave a Comment »
Tags: Ciência e Tecnologia, Cultura, Descoberta arqueológica, Educação, Ensino, Escola, Paleontologia
Categorias : Ciências, Cultura, Cultura brasileira, Ensino
Imagem de leitura — Jean-Baptiste Debret
13 05 2010
Sábio trabalhando no seu gabinete no Rio de Janeiro, 1827
Jean-Baptiste Debret (França 1768-1848)
aquarela
Fundação Raimundo de Castro Maia, Rio de Janeiro
—
—
Jean-Baptiste Debret (Paris 1768 — Paris 1848) foi um pintor e desenhista francês. Integrou a Missão Artística Francesa (1816), que fundou, no Rio de Janeiro, uma academia de Artes e Ofícios, mais tarde Academia Imperial de Belas Artes, onde lecionou pintura. De volta à França (1831) publicou Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839), documentando aspectos da natureza, do homem e da sociedade brasileira no início do século XIX.
Comentários : 1 Comment »
Tags: Aquarela, ARTE BRASILEIRA, Brasil, Cultura, Ensino, História do Brasil, Imagem de leitura
Categorias : Artes Plásticas, Cultura, Cultura brasileira, Imagem de leitura
O jumento, poesia de Lêdo Ivo
11 05 2010
Ilustração anônima.
—
—
O jumento
—
Lêdo Ivo
—
No alto da crestada ribanceira
pasta o jumento. Seus grandes dentes amarelos
trituram o capim seco que restou
de tanta primavera.
A terra é escura. No céu inteiramente azul
o sol lança fulgores que aquecem
tomates, alcachofras, berinjelas.
O jumento contempla o dia trêmulo
de tanta claridade
e emite um relincho, seu tributo
à beleza do universo.
—
—
—
Lêdo Ivo, (AL 1924 )–jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta, nasceu em Maceió, AL, em 18 de fevereiro de 1924. Eleito em 13 de novembro de 1986 para a Cadeira n. 10, sucedendo a Orígenes Lessa, foi recebido em 7 de abril de 1987, pelo acadêmico Dom Marcos Barbosa.
Obras:
As imaginações, poesia, 1944
Ode e elegia, poesia, 1945
As alianças, romance, 1947
Acontecimento do soneto, poesia, 1948
O caminho sem aventura, romance, 1948
Ode ao crepúsculo, poesia, 1948
Cântico, poesia, 1949
Linguagem, poesia, 1951
Lição de Mário de Andrade, ensaio, 1951
Ode equatorial, poesia, 1951
Um brasileiro em Paris e O rei da Europa, poesia, 1955
O preto no branco, ensaio, 1955
A cidade e os dias, crônicas, 1957
Magias, poesia, 1960
O girassol às avessas, ensaio, 1960
Use a passagem subterrânea, contos, 1961
Paraísos de papel, ensaio, 1961
Uma lira dos vinte anos, reunião de obras poéticas anteriores, 1962
Ladrão de flor, ensaio, 1963
O universo poético de Raul Pompéia, ensaio, 1963
O sobrinho do general, romance, 1964
Estação central, poesia, 1964
Poesia observada, ensaios, 1967
Finisterra, poesia, 1972
Modernismo e modernidade, ensaio, 1972
Ninho de cobras, romance, 1973
O sinal semafórico, reunião de sua obra poética, 1974
Teoria e celebração, ensaio, 1976
Alagoas, ensaio, 1976
Confissões de um poeta, autobiografia, 1979
O soldado raso, poesia, 1980
A ética da aventura, ensaio, 1982
A noite misteriosa, poesia, 1982
A morte do Brasil, romance, 1984
Calabar, poesia, 1985
Mar oceano, poesia, 1987
Crepúsculo civil, poesia, 1990
O aluno relapso, autobiografia, 1991
A república das desilusões, ensaios, 1995
Curral de peixe, poesia, 1995
——————————————————————————————
——————————————————————————————
Uma entrevista com Lêdo Ivo:
——————————————————-
—
—
Comentários : Leave a Comment »
Tags: Cultura Brasileira, Ensino, Escola, Poesia, poesia infantil, Professor
Categorias : Cultura, Cultura brasileira, Ensino, Literatura Brasileira, Literatura infantil, Poesia, Recreação
Itu comemora 400 anos com exposição de Almeida Júnior!
11 05 2010O violeiro, 1899
José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850- 1899)
óleo sobre tela — 141 x 172 cm
Pinacoteca do Estado de São Paulo
—
—
Já era tempo de José Ferraz deAlmeida Júnior ser honrado com uma exposição de seu trabalho na sua cidade natal. Um dos grandes expoentes da arte brasileira do final do século XIX, finalmente vai ser conhecido e se possível reconhecido por seus conterrâneos. O pintor que como muitos de sua época, estudou fora do Brasil, teve a coragem de voltar ao país e procurar, encontrar e desenvolver um vocabulário imagístico próprio, totalmente brasileiro. Suas obras captam uma realidade regional que foi pouco explorada por seus companheiros de profissão na época e que além do valor artístico que demonstram, esses quadros têm o valor de documentos de época, documentos de valores.
Com o tema “Homem e Natureza”, 20 das principais obras do pintor que integram o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo completam a exposição. “Caipira Picando Fumo“, de 1893, um dos destaques do acervo. A mostra faz parte das comemorações dos 160 anos do nascimento do pintor, além de comemorar os 400 anos da fundação de Itu.
—
—
Paisagem do Sítio Rio das Pedras, 1899
José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850-1899)
óleo sobre tela — 57 x 35 cm
Pinacoteca do Estado de São Paulo
—
—
A curadoria de Ana Paula Nascimento ressalta nessa exposição os quadros que representam a temática de Almeida Júnior, mostrando a preocupação do pintor de valorizar o caipira e sua cultura: “Caipiras Negaceando” (1888), “Cozinha Caipira” (1895) e “O Violeiro” (1899)[ foto acima], demonstram esse cuidado do pintor. Almeida Júnior foi um pintor que viveu exclusivamente de sua arte, assim sendo, grande parte do acervo do pintor é dedicada aos retratos de pessoas ilustres, que fazia por encomenda. [Por exemplo, neste blog, Retrato de D. Joana Cunha] Mas Almeida Júnior também se dedicou ao retrato da natureza à sua volta, pintando com cuidado locais favoritos de seus passeios pelos arredores de Itu: “Cascata do Votorantim” (1843) e “Paisagem do Sítio Rio das Pedras” (1899) [foto acima] são dois exemplos de seu paisagismo nessa exposição.
—–
——
SERVIÇO:
Exposição:
Regimento Deodoro — Antigo Colégio São Luiz
Data: 9 de maio de 2010 a 20 de junho de 2010
Praça Duque de Caxias, 284, Centro
Telefones: (11) 4022-2967 ou (11) 4022-1184
Entrada Franca.
—-
Comentários : 6 Comments »
Tags: Arte, ARTE BRASILEIRA, Estado de São Paulo, José Ferraz de Almeida Júnior, Piano
Categorias : Artes Plásticas, Cultura, Cultura brasileira, Ensino, História do Brasil, Pintura, Recreação























