Imagem de leitura: Harry Herman Roseland

13 05 2009

Harry Herman Roseland (EUA 1868-1950) The Writing Lesson

Aprendendo a escrever, s/d

Harry Herman Roseland (EUA, 1866-1950)

óleo sobre tela,  46 x 62 cm

 

Harry Herman Roseland nasceu no Brooklin, New York em 1866 e continuou residindo no local até o final da sua vida.   Ao contrário de seus contemporâneos ele não quis viajar para a Europa.  Apesar de ter estudado pintura com J B Whitaker, no Brooklin,  Harry Roseland foi principalmente um auto-didata.  Sempre contrário aos modismos da época ele trilhou seu próprio caminho e tendo bastante sucesso.  Numa época em que a pintura se tornva cada vez mais abstrata, Harry Roseland escolheu pintar o que via e como via, tornando-se um excelente pintor de gênero documentando a vida diária das pessoas que conhecia, no meio de suas ações cotidianas.  Seu charme, tanto na época em que viveu, quanto hoje, está justamente nesta documentação suave e gentil da vida no final do século XIX e na primeira metade do século XX.





PUC-RIO Abre concurso de artes visuais

8 05 2009

pintora 2Ilustração Maurício de Sousa.

 

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio) já está com as incrições abertas para o seu 1° Concurso de Artes Visuais, para candidatos de todo o país.  A partir do tema RIO DE JANEIRO: PAISAGEM E ARQUITETURA, os participantes devem  mostrar  a cidade do Rio de Janeiro por meio de pinturas, gravuras e desenhos.   As obras podem ser desenvolvidas a partir de técnicas de acrílica, vinílica, óleo, aquarela, guache, têmperas, mista, mosaico e gravura.  As inscrições podem ser realizadas até 3 de julho, no campus da universidade (Rua Marquês de São Vicente 225, Gávea, Rio de Janeiro), na Coordenação de Atividades Comunitárias e Culturais [CACC], sendo necessária a entrega da obra no ato da inscrição, ou via Correios.  Mais informações no site:

 

www.ccesp.puc-rio.br/minhaalmapinta

 FONTE: O Jornal do Comércio, 8,9 e 10 de maio de 2009, [edição impressa], página C-6.





Imagem de leitura: Eliseu Visconti

8 05 2009

ELISEU VISCONTI, mATERNIDADE OST,  60 X 81COL PART


Maternidade
, s/d

Eliseu Visconti (1866 – 1944)

Óleo sobre tela,  60 x 81 cm

Coleção Particular 

 

 

Eliseu D’Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro RJ 1944). Pintor, desenhista, professor. Vem com a família para o Rio de Janeiro, entre 1873 e 1875, e, em 1883, passa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles (1832 – 1903) e Estêvão Silva (ca.1844 – 1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, tendo como professores Zeferino da Costa (1840 – 1915), Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), Henrique Bernardelli (1858 – 1936), Victor Meirelles e José Maria de Medeiros (1849 – 1925). Em 1888, abandona a Aiba para integrar o Ateliê Livre, que tem por objetivo atualizar o ensino tradicional. Com as mudanças ocorridas com a Proclamação da República, a Aiba transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Visconti volta a freqüentá-la e recebe, em 1892, o prêmio de viagem ao exterior. Vai à Paris e ingressa na [i]École Nationale et Spéciale[/i] des Beaux-Arts [Escola Nacional e Especial de Belas Artes]; cursa arte decorativa na [i]École Guérin[/i], com Eugène Samuel Grasset (ca.1841 – 1917), um dos introdutores do Art Nouveau na França. Viaja à Madri, onde realiza cópias de Diego Velázquez (1599 – 1660), no Museo del Prado [Museu do Prado], e à Itália, onde estuda a pintura florentina. Em 1900, regressa ao Brasil e, no ano seguinte, expõe pela primeira vez na Enba. Executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence o concurso para selos postais e cartas-bilhetes, em 1904. Em 1905 é convidado pelo prefeito da cidade, engenheiro Pereira Passos, para realizar painéis para a decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre 1908 e 1913, é professor de pintura na Enba, cargo a que renuncia por descontentamento com as normas do ensino. Retorna à Europa para realizar também, entre 1913 e 1916, a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixa definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do Art Nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.

 Itaú Cultural





5 livros do Romantismo I: A Moreninha

3 05 2009

 

 

 

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Moça com chapéu de palha, s/d

Haydéa Santiago (Brasil, 1896-1981)

Óleo sobre tela colado em madeira

28 x 29 cm

Coleção Particular

 

 

 

 

Pelas próximas postagens colocarei algumas informações sobre 5 livros mencionados pelo Prof. Vanderlei Vicente no Portal Terra,  como leituras que ajudam a entender o romantismo no Brasil e leitura essencial para quem está para fazer o vestibular.  O artigo original estará sempre em itálico azul. 

 

Entre os principais conteúdos cobrados nas provas de Literatura dos vestibulares do País, se destaca o Romantismo. O movimento, que se desenvolveu na Europa na virada dos séculos XVIII para XIX, teve início no Brasil no ano de 1836, com a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães.

 

Para o professor Vanderlei Vicente, dos cursos Unificado e PV Sinos, o vestibulando deve ter em mente algumas características da escola, como a idealização das relações e do caráter humano, o sentimentalismo exacerbado e, no Brasil, uma presença marcante do elemento indígena. O professor selecionou cinco dos principais romances do período, para ajudar a compreender a prosa romântica na literatura brasileira:

 

A Moreninha (1844), de Joaquim Manuel de Macedo – “Este romance merece atenção do estudante, por ser considerado o primeiro romance romântico brasileiro. Na obra, Augusto sente-se preso a uma promessa de amor feita anos atrás, o que o torna inconstante frente a outras possibilidades de relacionamento. Ao se apaixonar por Carolina, ele tem a doce surpresa: ela era a menina com quem havia trocado juras de amor no passado e que considerava digna de seu amor”.

 

 

 

 capa-romance-a-moreninha

 

O romance A Moreninha foi publicado no mesmo ano em que Joaquim Manuel de Macedo se formou em Medicina [1844] e se passa no Estado do Rio de Janeiro.  O autor nunca menciona o local em que se passa, exceto pela expressão:  Ilha de…  Desde o século XIX no entanto que a Ilha de Paquetá, principal ilha do arquipélago de Paquetá na Baía de Guanabara, localizada a 15 km do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, é associada com este romance.  O nome Paquetá, de origem indígena significa “lugar com muitas pacas”.    A ilha foi descoberta por André Thevet da expedição de Villegagnon em 1555, quando a França tentava instituir no Rio de Janeiro a França Antártica.  A partir de 1838 a ilha esteve ligada ao Rio de Janeiro por uma linha regular de barcas, estabelecida pela preferência da corte portuguesa, D. João VI em particular, por passeios no lugar.   Com este tipo de clientela e depois do sucesso do romance de Joaquim Manuel de Macedo, a ilha passou a  se tornar um local de atividade turística e aos poucos, através dos anos foi perdendo sua atividade de abastecedora de peixes e mariscos para a cidade do Rio de Janeiro e dedicar-se exclusivamente ao turismo.

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Ilha de Paquetá, s/d

Benedito Calixto ( Brasil 1853-1927)

Guache,  17 x 22 cm

 

 

Paquetá tem algumas pedras famosas entre suas pequenas e paradisíacas praias.  A Pedra da Moreninha, no final da Praia da Moreninha, figura com destaque na história de Joaquim Manuel de Macedo “A moreninha”, como local onde a Moreninha esperava pela volta de seu namorado.

 Hoje há nesta ilha uma escola  e uma rua com o nome de Joaquim Manuel de Macedo, uma praia e uma pedra Moreninha que acredita-se ser onde Carolina esperava a barca trazendo o seu amado.

 

Pedra da Moreninha.  Foto: Flávio Freitas, Flickr

Pedra da Moreninha. Foto: Flávio Freitas, Flickr

 

 Como era a Moreninha? 

Carolina é uma das mais cativantes heroínas brasileiras do século XIX.  Ela é uma adolescente de 14 ou 15 anos , muito alegre e espevitada, levando muito pouca coisa a sério.  Ela é descrita no romance como um beija-flor, mudando de posição e de paragem a qualquer momento: irriequieta e usando sua  língua ferina quando não faz caretas para o irmão Filipe.

 

O que é um breve, ou o que é O breve da Moreninha?

 No romance A Moreninha,  há um objeto valorizado muito importante que estava ao alcance de todos no século XIX : o BREVE.

 O breve é um saquinho, em geral feito de linho branco, cortado em forma ciecular, onde se coloca um talismã, ou geral,  uma reza poderosa, em que colocamos nossas esperanças.   Depois dessas rezas colocadas no centro do círculo de linho, fecha-se o tecido prendendo-o pelas bordas.  Amarra-se então o breve ao  pescoço com uma fita.  Deve-se usar o breve no pescoço, próximo ao coração.     Mais tarde, no século XIX, o breve foi aos poucos modificado numa pequena caixinha , em geral de material nobre ( ouro, prata, banho de ouro) onde guardava-se não só as rezas, mas sobretudo um cachinho do cabelo do amado, ou outra lembrança que ajudava na simpatia de manter esta pessoa sempre em nosso poder.  Eles também eram pendurados ao pescoço.   Ainda hoje é usado, por dentro da roupa, como uma simpatia para “amarrar uma pessoa”.  Em geral dependura-se o breve no pescoço de uma fita de cetim, mas há alguns que dependuram o breve no pulso, como uma pulseira.  Houve no final do século XX um retorno ao uso de breves por aqueles que se vestem ao gosto gótico.

BREVE = A palavra Breviário, muito usada para os livros de oração, frequentemente pintados com iluminuras, usados pelas senhoras na idade média, tem a mesma origem que o breve.

 

CAPÍTULO VI

— …………………

 

Quando as ordens do ancião foram completamente executadas, ele tomou os dois breves e, dando-me o de cor branca, disse-me:

 

— Tomai este breve, cuja cor exprime a candura da alma daquela menina. Ele contém o vosso camafeu: se tendes bastante força para ser constante e amar para sempre aquele belo anjo, dai-lho a fim de que ela o guarde com desvelo.

 

Eu mal compreendi o que o velho queria: ainda maquinalmente entreguei o breve à linda menina, que o prendeu no cordão de ouro que trazia ao pescoço.

 

Chegou a vez dela. O homem deu-lhe o outro breve, dizendo:

 

— Tomai este breve, cuja cor exprime as esperanças do coração daquele menino. Ele contém a vossa esmeralda: se tendes bastante força para ser constante e amar para sempre aquele bom anjo, dai-lho, a fim de que ele o guarde com desvelo.

 

Minha bela mulher executou a insinuação do velho com prontidão, e eu prendi o breve ao meu pescoço, com uma fita que me deram.

 

Quando tudo isto estava feito, o velho prosseguiu ainda:

 

— Ide, meus meninos; crescei e sede felizes! Vós olhastes para mim, pobre e miserável, e Deus olhará para vós… Ah! Recebei a bênção de um moribundo!… Recebei-a e sai para não vê-lo expirar!

 

Isto dizendo, apertou nossas mãos com força: eu senti, então, que o velho ardia; senti que seu bafo era como vapor de água fervendo, que sua mão era uma brasa que queimava… Sinto ainda sobre os meus dedos o calor abrasador dos seus e agora compreendo que, com efeito, ele delirava quando assim praticou com duas crianças.

 

 — ………

 

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Foto de um breve, século XIX

 

 

E A Moreninha existiu?   Supõe-se que a verdadeira identidade da moreninha é Maria Catarina de Abreu Sodré, com  quem Joaquim Manuel de Macedo se casou depois de 10 anos de namoro.  D. Maria Catarina era prima-irmã do poeta Álvares de Azevedo (1832-1879). Ela era filha única. 

 

 joaquim-manuel-de-macedo

 

Joaquim Manuel de Macedo (Itaboraí, 24 de junho de 1820 — Rio de Janeiro, 11 de abril de 1882) foi um médico e escritor brasileiro: romancista, poeta, cronista literário e dramaturgo.

 

Em 1844, Joaquim Manuel de Macedo, formou-se em Medicina no Rio de Janeiro, e no mesmo ano estreou na literatura com a publicação daquele que viria a ser seu romance mais conhecido, “A Moreninha“, que lhe deu fama e fortuna imediatas.

 

Além de médico, Macedo foi jornalista, professor de Geografia e História do Brasil no Colégio Pedro II, e sócio fundador, secretário e orador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, desde 1845. Em 1849, fundou, juntamente com Gonçalves Dias e Araújo Porto-Alegre, a revista Guanabara, que publicou grande parte do seu poema-romance A nebulosa — considerado por críticos como um dos melhores do Romantismo. Foi membro do Conselho Diretor da Instrução Pública da Corte (1866).

 

Abandonou a medicina e criou uma forte ligação com Dom Pedro II e com a Família Imperial Brasileira, chegando a ser preceptor e professor dos filhos da Princesa Isabel.

 

Macedo também atuou decisivamente na política, tendo militado no Partido Liberal, servindo-o com lealdade e firmeza de princípios, como o provam seus discursos parlamentares, conforme relatos da época. Durante a sua militância política foi deputado provincial (1850, 1853, 1854-59) e deputado geral (1864-1868 e 1873-1881). Nos últimos anos de vida padeceu de problemas mentais, morrendo pouco antes de completar 62 anos.

 

Obras:

Romances

 

A Moreninha (1844)

O moço loiro (1845)

Os dois amores (1848)

Rosa (1849)

Vicentina (1853)

O forasteiro (1855)

O culto do dever (1865)

Rio do Quarto (1869)

A luneta mágica (1869)

As Vítimas-algozes (1869)

Nina (1869)

A namoradeira (1870)

As mulheres de mantilha (1870-1871)

Um noivo e duas noivas (1871)

A Misteriosa (1872)

A Baronesa do Amor (1876)

Romance de uma velha

Uma pupila rica

Amores de um Médico – póstumo –

 Sátiras políticas

A carteira do meu tio (1855)

Memórias do sobrinho do meu tio (1867-1868)

Dramas

O cego (1845)

Cobé (1849)

O sacrifício de Isaac (1859)

O novo Otelo (1863)

Lusbela (1863)

Vingança por vingança (1877)

A Torre em Concurso (1863)

Remissão de Pecados (1870)

Antonica da Silva (1873)

Vingança por Vingança (1877)

Comédias

O fantasma branco (1856)

O primo da Califórnia (1858)

Luxo e vaidade (1860)

Cincinato Quebra-louças (1873)

O macaco da vizinha (1885)

Poesia

 A nebulosa (1857)

Didáticos

 

Lições de História do Brasil,  (1861)

Noções de Corografia do Brasil, (1873)

Amor e Pátria

 

Ensaios/ Crônicas

Os Romances da Semana (1861)

Um Passeio pela Cidade do Rio de Janeiro (1862)

Ano Biográfico Brasileiro (1876)

Efemérides Históricas do Brasil e Mulheres Célebres (1878)

Todas as suas obras encontram-se em domínio público.  Para baixar o texto de grande parte delas, clique aqui.

 

J. M. de Macedo, Domínio Público





Imagem de leitura: Henry Lamb

30 04 2009

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Retrato da esposa do artista, 1933

[A escritora Lady Pansy Pakenham]

Henry Lamb ( Inglaterra, 1880-1963)

Óleo sobre tela, 635 x 762 mm

Tate Gallery, Londres, Grã Bretanha

 

 

 

 

Henry Lamb, foi um pintor muito bem sucedido, nascido na Austrália, mas residente na Inglaterra.  Em 1911, fundou com outros artistas o Grupo Camden Town, — um grupo de pintores pós-impressionistas, que se encontrava na residência do pintor inglês Walter Sickert em Camden, na cidade de Londres.  O grupo nos molder dos grupos artísticos franceses, admirava e considerava importantes os trabalhos dos pintores Van Gogh e Paul Gauguin.  O grupo se distinguiu principalmente por suas obras retratando a Primeira Guerra Mundial em 1914, não só pelo valor histórico mas também pelas aberturas artísticas no trabalho de seus membros nesta época.  O grupo também organizou a exposição de pintura Cubista e Pós Impressionista em Londres.  





Estampa da Primeira Missa, poema de Murilo Araújo

26 04 2009

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Primeira Missa no Brasil, 1861

Victor Meirelles (Brasil 1832- 1903)

Óleo sobre tela, 268 x 358 cm

Museu Nacional de Belas Artes

Rio de Janeiro

 

 

 

Estampa da Primeira Missa

 

Murilo Araújo

 

 

Na terra amanhecida,

entre as ondas a rir jubilosas de luz

e as árvores em flor, se ergue a árvore da Vida –

a Cruz.

 

 

Entre os tupis a marujada ajoelha.

 

 

Uma legião de beija-flores passarinha.

 

 

 

Então “no ilhéu chamado a Coroa Vermelha”

Frei Henrique de Coimbra se aparelha

e em paramentos de ouro beija o altar…

 

 

A alma argentina de uma campainha

se une aos gorjeios da manhã solar.

 

 

Junto aos altos pendões do palmar nunca visto

treme um pendão mais alto, o estandarte de Cristo.

 

 

Longe um som de clarim morre em glória no ar.

 

 

As resinas do mato, onde em onde,

erguem incenso

turibulando pelos troncos bons.

 

 

 

Frei Henrique celebra e é Deus quem lhe responde

na voz do oceano, seu harmônio imenso,

rolando ao longe um turbilhão de sons.

 

 

As campânulas trêmulas nos galhos

tlintam  à brisa

sua matina aos pingos dos orvalhos;

e a várzea que se irisa

oferenda ao Senhor

nas passifloras roxas os martírios

e na água em sono as ânforas dos lírios…

Há um repousório em cada moita em flor.

 

 

São candelabros de ouro os ipês flamejantes!

E ascenderam ao sol corolas delirantes

como se fossem círios

em louvor.

 

 

Quando a hóstia se eleva angelical

sobe com ela o sol no firmamento.

 

 

As borboletas – que deslumbramento! –

com os tucanos e arás de tom violento

pintam no azul policromias vitral…

 

 

Canta a araponga na floresta longa

como um sino a tanger, dominical.

 

 

As naus florem de branco o deserto marinho.

Lembram virgens trazendo, em túnicas de linho,

na alva das velas uma cruz cristã;

e a patena dos sol as consagrou com o vinho

aéreo da manhã.

 

 

Oh hora ingênua da Fé!  Oh primeiro evangelho!

Pero Vaz escreveu que “um índio já bem velho

apontou para a cruz…”  Oh gesto anunciador!

 

 

Cabral e os que domaram os sete mares

Unem as mãos tremendo de fervor.

 

 

E na luz recém-vinda

em bênçãos tutelares,

a terra em flor se alegra em jubileus…

“a terra graciosa” e tão nova e tão linda! –

a terra desde então desposada de Deus.

 

 

Em: Poemas Completos de Murillo Araújo, com introdução de Adonias Filho, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti: 1960, 3 volumes.

 

 

 

Murilo Araújo – ou Murillo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta.

 

 

 

Obras:

 

Poesia:

 

Carrilhões (1917) 

A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)

Árias de muito longe (1921)

A cidade de ouro (1927)

A iluminação da vida (1927)

A estrela azul (1940)

As sete cores do céu (1941)

A escadaria acesa (1941)

O palhacinho quebrado (1952)

A luz perdida (1952)

O candelabro eterno (1955)

 

 

Prosa:

 

A arte do poeta (1944)

Ontem, ao luar (1951) — uma biografia de Catulo da Paixão Cearense

Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)

Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)

 

———

Victor Meirelles; ou Victor Meireles; ou Vitor Meirelles, ou ainda Vitor Meireles

 

Victor Meirelles de Lima (Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis SC 1832 – Rio de Janeiro RJ 1903). Pintor, desenhista, professor. Inicia seus estudos artísticos por volta de 1838, com o engenheiro argentino Marciano Moreno. No ano de 1847, muda-se para o Rio de Janeiro e se matricula na Academia Imperial de Belas Artes –  onde, em 1849, inicia o curso de pintura histórica. Em 1852 ganha o prêmio de viagem ao exterior e no ano seguinte segue para a Itália.  Em Roma freqüenta, em 1854, as aulas de Tommaso Minardi (1787 – 1871) e, posteriormente de Nicola Consoni (1814 – 1884), com quem realiza uma série de estudos com modelo vivo. Com a prorrogação da pensão que lhe fora concedida continua sua formação estudando em Paris onde, em 1857, matricula-se na École Superiéure des Beaux-Arts [Escola Superior de Belas Artes], freqüentando as aulas de Leon Cogniet (1794-1880) e, em seguida, recebendo orientações de seu discípulo Andrea Gastaldi (1810-1889). Durante o período em que permanece no exterior corresponde-se com Porto Alegre (1806 – 1879). Retorna ao Brasil em 1861 e, um ano depois, é nomeado professor de pintura histórica da Aiba. Entre os anos de 1869 e 1872 executa duas grandes telas, Passagem do Humaitá e Batalha de Riachuelo. Em 1879 participa da Exposição Geral de Belas Artes, expondo a Batalha dos Guararapes ao lado da Batalha do Avaí de Pedro Américo (1843 – 1905). A apresentação das duas obras gera grande polêmica e um intenso debate no meio artístico. A partir de 1886 passa a se dedicar à execução de panoramas. Entre eles destacam-se: o Panorama Circular da Cidade do Rio de Janeiro, feito na Bélgica, juntamente com Henri Langerock (1830 – 1915) e Entrada da Esquadra Legal no Porto do Rio de Janeiro em 1894, produzida nesse mesmo ano.





26 de abril de 1500, Domingo de Páscoa: a posse da terra

26 04 2009

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Primeira Missa no Brasil, 1948

Cândido Portinari (Brasil 1903- 1962)

Têmpera sobre tela, 266 x 598 cm

Coleção Particular

 

 

 

A importância primeira missa rezada em solo brasileiro é às vezes esquecida.  Talvez seja até mais importante do que a descoberta das terras brasileiras, porque a primeira missa tem o valor simbólico da tomada de posse.

 

Se não, vejamos:  de 22 a 26 de abril de 1500 os portugueses foram e voltaram de barquinhos para as caravelas e vice-versa, inúmeras vezes.  Ensaiaram uma comunicação gestual com os habitantes locais e uma troca de adornos.  Estabeleceram um mínimo de confiança entre estranhos.  Convencidos de que mal nenhum lhes chegaria por parte deste grupo de habitantes locais, os portugueses finalmente desembarcam, com sua religião, sua cultura.  Até então, a moradia, o lugar de estar, ainda estava limitado à área enclausurada das caravelas.  Como sabemos era Semana Santa.  E naquele tempo respeitada com muito mais restrições do que hoje.  Quando finalmente, chega o Domingo de Páscoa, já liberados dos limites instituídos pela crença, voltam-se os portugueses para a terra firme.  Trazem do mar, das caravelas, o mundo dos rituais religiosos, dos hábitos de vestir, comer, dormir europeus e os estabelecem em meio à floresta tropical, nas areias da costa brasileira.  É o ato maior de tomada posse da terra brasileira. E gestualmente comunicam aos índios que os circundam que de agora em diante “dividiremos o terreno”.

 

Para nosso prazer, coloco aqui a descrição da Primeira Missa, de acordo com Pero Vaz de Caminha.  

 

………………..

 

À tarde saiu o Capitão-mor em seu batel com todos nós outros capitães das naus em seus batéis a folgar pela baía, perto da praia. Mas ninguém saiu em terra, por o Capitão o não querer, apesar de ninguém estar nela. Apenas saiu — ele com todos nós — em um ilhéu grande que está na baía, o qual, aquando baixamar, fica mui vazio. Com tudo está de todas as partes cercado de água, de sorte que ninguém lá pode ir, a não ser de barco ou a nado. Ali folgou ele, e todos nós, bem uma hora e meia. E pescaram lá, andando alguns marinheiros com um chinchorro; e mataram peixe miúdo, não muito. E depois volvemo-nos às naus, já bem noite.

 

Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. E mandou a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

 

Ali estava com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual esteve sempre bem alta, da parte do Evangelho.

 

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção.

 

Enquanto assistimos à missa e ao sermão, estaria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos, como a de ontem, com seus arcos e setas, e andava folgando. E olhando-nos, sentaram. E depois de acabada a missa, quando nós sentados atendíamos a pregação, levantaram-se muitos deles e tangeram corno ou buzina e começaram a saltar e dançar um pedaço. E alguns deles se metiam em almadias — duas ou três que lá tinham — as quais não são feitas como as que eu vi; apenas são três traves, atadas juntas. E ali se metiam quatro ou cinco, ou esses que queriam, não se afastando quase nada da terra, só até onde podiam tomar pé.

 

Acabada a pregação encaminhou-se o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta. Embarcamos e fomos indo todos em direção à terra para passarmos ao longo por onde eles estavam, indo na dianteira, por ordem do Capitão, Bartolomeu Dias em seu esquife, com um pau de uma almadia que lhes o mar levara, para o entregar a eles. E nós todos trás dele, a distância de um tiro de pedra.

 

Como viram o esquife de Bartolomeu Dias, chegaram-se logo todos à água, metendo-se nela até onde mais podiam. Acenaram-lhes que pousassem os arcos e muitos deles os iam logo pôr em terra; e outros não os punham.

 

Andava lá um que falava muito aos outros, que se afastassem. Mas não já que a mim me parecesse que lhe tinham respeito ou medo. Este que os assim andava afastando trazia seu arco e setas. Estava tinto de tintura vermelha pelos peitos e costas e pelos quadris, coxas e pernas até baixo, mas os vazios com a barriga e estômago eram de sua própria cor. E a tintura era tão vermelha que a água lha não comia nem desfazia. Antes, quando saía da água, era mais vermelho. Saiu um homem do esquife de Bartolomeu Dias e andava no meio deles, sem implicarem nada com ele, e muito menos ainda pensavam em fazer-lhe mal. Apenas lhe davam cabaças d’água; e acenavam aos do esquife que saíssem em terra. Com isto se volveu Bartolomeu Dias ao Capitão. E viemo-nos às naus, a comer, tangendo trombetas e gaitas, sem os mais constranger. E eles tornaram-se a sentar na praia, e assim por então ficaram.

 

……………….. 

 

Carta de Pero Vaz de Caminha a El-rei D. Manoel I, 1500.





Imagem de leitura: Joan Llimona i Bruguera

24 04 2009

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O terraço, 1893

Joan Llimona i Bruguera,

(Espanha, 1860-1926)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

 

 

 

 

Joan Llimona i  Bruguera, (Espanha, 1860-1926) Nasceu em Barcelona numa família de artistas.  Seu irmão Josep foi um famoso escultor modernista.  Abandonou os estudos formais para arquitetura e engenharia e acompanhou seu irmão que havia ganhado uma bolsa de estudos para trabalhar em Roma.    Desde 1882 participa de algumas exposições coletivas em Barcelona.   Profundamente influenciado por seu catolicismo militante pintou numerosas obras de conteúdo religioso – “Cristo Vence” é seu trabalho mais famoso.   A partir de 1905 sua pintura é nfluenciada pela escola simbolista, mas sempre com raízes religiosas.  Moreu em 1926 em Barcelona.

 

 

 

 





Imagem de leitura: Noêmia Mourão

23 04 2009

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As Figuras, s/d

Noêmia Mourão, (Brasil, 1912-1992)

Óleo sobre tela, 70 x 55 cm

Coleção Particular

 

 

 

 

Noêmia Mourão Moacyr (Bragança Paulista, 1912 – São Paulo, 1992) Pintora figurativa, desenhista, cenógrafa.   Em 1932, estuda com Emiliano Di Cavalcanti, com quem se casa em 1933, separando-se em 1947. Entre 1935 e 1940, vive em Paris estudando nas Academias Ranson e La Grande Chaumière, e «Filosofia e História da Arte» na Sorbonne. Trabalha como ilustradora dos jornais Le Monde e Paris Soir.

 

De volta ao Brasil, estuda escultura com Victor Brecheret, mas nunca abandona as aquarelas, seu melhor e maior meio de expressão. Participou de grandes exposições; tais como: Salão de Pintoras da Europa, Paris (França), 1937; IVª Bienal Internacional de São Paulo, 1957. Em 1990 teve lugar uma sua Retrospectiva, no MAB/Faap, São Paulo.





Quadro confiscado por nazistas, devolvido

22 04 2009

gaiteiro

 

 

 

Quadro pintado no século XVII é exposto no Museu da Herança Judaica, em Nova York.  A pintura, o retrato de um gaiteiro pintado por um mestre flamengo, foi confiscada em 1937 pelos nazistas.  Em uma cerimônia por ocasião do Dia do Holocausto, a obra foi devolvida aos herdeiros do marchand judeu Max Stern. O quadro, o retrato de um gaiteiro pintado por um mestre flamengo, em 1632, foi devolvido aos herdeiros de Stern – três universidades em Montréal e Jerusalém – durante uma cerimônia em Nova York por ocasião do Dia do Holocausto.

 

A obra será levada para Montréal, onde ficará exposta no Museu de Belas Artes de Québec, disse Clarence Epstein, diretor do Projeto de Restituição de Arte Max Stern, que participou da cerimônia. Epstein destacou o apoio das autoridades americanas para se recuperar as obras que pertenciam a Stern, um marchand judeu alemão, que fugiu para o Canadá, onde morreu.

 

As universidades canadenses Concórdia e McGill e a Universidade de Jerusalém são os herdeiros de Stern. Há dois meses, o Bureau de Processos do Holocausto do departamento bancário do Estado de Nova York localizou o quadro em um inventário de um marchand americano que viajava para uma feira em Maastricht, Holanda, revelou a Universidade Concordia.

 

Ao regressar aos Estados Unidos, o marchand devolveu o quadro, após ser advertido pelas autoridades sobre sua origem.