Auto-retrato como soldado dormindo
DETALHE
Ressurreição, 1465
Piero della Francesca (Sansepolcro, 1416-1492)
Afresco e têmpera, 225 x 200 cm
Pinacoteca Comunale, Sansepolcro
A obra:
Auto-retrato como soldado dormindo
DETALHE
Ressurreição, 1465
Piero della Francesca (Sansepolcro, 1416-1492)
Afresco e têmpera, 225 x 200 cm
Pinacoteca Comunale, Sansepolcro
A obra:
Guilherme Matter (Brasil, 1904-1978)
óleo sobre tela
Machado de Assis *
Vi os pinheiros no alto da montanha
Ouriçados e velhos;
E ao sopé da montanha, abrindo as flores
Os cálices vermelhos.
Contemplando os pinheiros da montanha,
As flores tresloucadas
Zombam deles enchendo o espaço em torno
De alegres gargalhadas.
Quando o outono voltou, vi na montanha
Os meus pinheiros vivos,
Brancos de neve, e meneando ao vento
Os galhos pensativos.
Volvi o olhar ao sítio onde escutara
Os risos mofadores;
Procurei-as em vão; tinham morrido
As zombeteiras flores.
*Este poema é a tradução de Machado de Assis do poema publicado em francês do poeta chinês Tin-Tun-Sing.
Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, selecionado por Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro:1961,p. 173.
Será possivel?
[Peter Pan em Kensington Gardens]
Camille Engel (EUA, contemporânea)
óleo sobre painel de madeira, 50 x 45 cm
Rodolfo Weigel (Brasil, 1907-1987)
óleo sobre tela, colada em madeira, 24 x 19 cm
Lyse Anthony (EUA, contemporânea)
aquarela, 24 x 16 cm
Mais uma fábula de Leonardo da Vinci. Quem segue este blog já sabe que além de grande pintor, arquiteto e cientista, o gênio da Renascença italiana também ficou conhecido por sua arte de conversar, e também de contar histórias. Leonardo escreveu e anotou fábulas e contos populares, lendas e anedotas, organizando-as em volumes diversos. Algumas dessas lendas foram traduzidas por Bruno Nardini e publicadas no Brasil em 1972. Transcrevo aqui a fábula As Garças do volume de Leonardo chamado: Lendas, H. 9r.) Em: Fábulas e lendas, Leonardo da Vinci, São Paulo, Círculo do Livro: 1972, p. 42
O rei era um bom rei, porém tinha muitos inimigos. As garças, leais e fiéis, estavam preocupadas. Havia sempre a possibilidade, principalmente à noite, dos inimigos cercarem o palácio e aprisionarem o rei.
— Que devemos fazer? pensaram elas. — Os soldados, que deveriam estar de guarda, estão dormindo. Não podemos confiar nos cães, pois estão sempre caçando e sempre cansados. Nós é que temos que guardar o palácio e deixar nosso rei dormir em paz.
Então as garças decidiram tornarem-se sentinelas. Dividiram-se em grupos, cada grupo zelava por uma área, com mudanças de guarda em horas determinadas.
O grupo maior postou-se no prado que cercava o palácio. Outro grupo colocou-se do lado de fora de todas as portas. E o terceiro decidiu ficar no quarto do rei, a fim de vigiá-lo o tempo todo.
— E se nós adormecermos? perguntaram algumas garças.
— Temos um modo de evitar adormercermos, respondeu a mais velha de todas. — Cada uma de nós vai ficar segurando uma pedra com o pé que estiver levantado enquanto permanecermos paradas. Se uma de nós dormir, a pedra cairá no chão e o barulho a acordará.
Todas as noites, desde então, as garças vigiam o palácio, mudando a guarda de duas em duas horas. E nenhuma, ainda, deixou cair a pedra.
Johan Patricny (Suécia, 1976)
Aquarela
Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato, publicado em 1917.