Victor Brecheret (Brasil, 1894-1955)
Bronze
Túmulo da Família Scuracchio
Cemitério de São Paulo
Victor Brecheret (Brasil, 1894-1955)
Bronze
Túmulo da Família Scuracchio
Cemitério de São Paulo
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José Marques Campão (Brasil, 1892-1949)
óleo sobre madeira, 17 x 24 cm
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Bernardino Lopes
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Amanhecera. O tropeiro
Passa, cantando na estrada;
No seu casebre o roceiro
Prepara as foices e a enxada.
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Ao rumor a luz casada
Enche de vida o terreiro;
Parecem bruma cerrada
As flores, lá! do espinheiro…
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Aspira-se o olor suave
Do bom café… Alto e grave
Bate o pilão nas cozinhas.
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Há junto à horta uns barrancos
Onde a mulher de tamancos,
Distribui milho às galinhas.
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Em: Cromos, 1881
Praia de Jurujuba, Niterói, década de 1930
Felisberto Ranzini (Brasil, 1881-1976)
óleo sobre cartão, 11 x 17 cm
Edmund Blair Leighton (Inglaterra, 1853-1922)
óleo sobre tela, 160 x 116 cm
Coleção Particular
“… Na época carolíngea, o palácio do rei era uma escola de boas maneiras. As obras compostas pelos escritores à sua disposição tinham, assim, uma função pedagógica. Ensinavam os usos que distinguem o homem bem-educado, o homem de corte, o “cortês”, do “plebeu”, do grosseiro, do rústico. Ensinavam em particular os guerreiros a tratar segundo as conveniências as mulheres das quais se aproximavam no círculo dos príncipes.
Enfim, sentiam-se responsáveis pela ordem. O Todo-Poderoso dignava-se lhes delegar seu poder. Esperava que mantivessem a paz. Uma de suas preocupações mais aflitivas era conter a turbulência desses guerreiros que, mesmo se estivessem avançados na idade, eram chamados “jovens” porque não eram casados. Muito numerosos, pois a autoridade familiar, a fim de evitar a divisão dos patrimônios, velava para que os rapazes mais jovens não gerassem herdeiro legítimo e obrigava-os ao celibato. Todos esses homens sem esposa, ciumentos de um irmão mais velho que toda noite ia ao encontro da sua, alimentavam a discórdia na sociedade cortês. Lançavam-se sobre o patrão, reclamavam que lhes dessem por mulher uma prima, uma sobrinha, uma jovem viúva de um vassalo defunto. O patrão não podia casá-los todos. A maior parte permanecia ali, errante, instável, à espreita, prestes a apanhar alguma presa. Por certo, não tomá-la à força, raptá-la como se fazia no século IX. Ao rapto sucedera a sedução. Os “jovens” procuravam, enganando as famílias, captar os favores das moças casadouras ou então, enganando os esposos, os das damas. Muito disponíveis, a crer em Etiènne de Fourgères. E isso era, como diz o mesmo Etiènne, “semente de guerra”.
Para esses cavaleiros, a bela aventura, a façanha de que se vangloriavam tanto ou mais do que ter conquistado o prêmio na noite de um torneio, não era a proeza sexual, essa mirabolante aptidão para o jogo amoroso, exaltada por certas canções do conde de Poitiers. Era atrair para seus braços a fada, uma dessas estranhas e fugazes sílfides que os contemporâneos de Burchard de Worms esperavam encontrar um dia na orla de um bosque, era, sobretudo,apoderar-se da mais severamente proibida de todas as mulheres, ou seja, desafiando os terríveis castigos prometidos ao adúltero e ao traidor, arrebatar a dama, a esposa do senhor. Duplo delito, por certo. Mas brilhante demonstração de audácia, o mais invejado dos títulos de glória.”
Em: As damas do século XII, George Duby, São Paulo, Cia das Letras: 2013, edição de bolso [Companhia de Bolso], pp: 339-340
Leitura, nome original: a sombrinha verde, 1873
[Edma Morisot lendo]
Berthe Morisot (França, 1841-1895)
Óleo sobre tecido, 46 x 71 cm
Cleveland Art Museum, Ohio, EUA
Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)
óleo sobre tela, 79 x 101 cm
Coleção Torquato Sabóia Pessoa, SP
“É uma pena que os reencontros nem sempre suscitam os sentimentos de que o tempo não passa. Festas de família, amigos e parentes afastados pelo fluxo natural da vida costumam, de alguma maneira, resgatar o frescor da juventude e a carinhosa atividade quando vez ou outra se juntam compulsoriamente na maturidade. Não é rara a transformação de velório, antessalas de hospitais, missas e Natais em datas de celebração da saudade e de desejo de reviver momentos nos quais a única preocupação era compartilhar as mesmas alegrias e os mesmos prazeres.
É verdade que nem todas as famílias e nem todos os amigos traduzem esse desejo. Há os que a vida sepulta e afasta para sempre, roubando de cada um o pedaço de humanidade e do que temos de melhor na experiência de dar e receber amor.
Eu olhava os cinco irmãos, todos com mais de meio século de idade, se acomodando para o início da audiência e me perguntava em que momento eles perderam a intimidade que seguramente existiu, ainda que em uma longínqua infância. Brincaram de pique e de amarelinha? Mataram aulas em segredo? Foram cúmplices nas traquinagens e nos primeiros amores?
Não se olhavam com saudade e, exceto pelo gesto de Letícia que aos 53 anos buscava acolhida nos ombro de Lígia, a mais velha, pareciam estranhos ou, no máximo, conhecidos. Aos 62 anos de uma vida que não deve ter sido fácil, Lígia parecia mãe da irmã caçula. Os três do meio eram homens. Fisicamente se pareciam bastante, tanto pelos traços marcantes quanto pelo destino duro que a vida lhes impôs.
A mãe morreu quando todos já eram maiores de idade. Na ausência do pai, cresceram como foi possível. Econômicos nas manifestações de carinho, tinham urgência de sair rapidamente do fórum, cada qual com o seu compromisso. ”
Em: Segredo de Justiça, Andréa Pachá, Rio de Janeiro, Agir: 2014, pp: 102-103, capítulo 21: Acerto sem contas.
Chapéu amarelo, ilustração de Al Parker.
Que chapéu extravagante
dessa madame travessa!
Virou moda de elegante
– por chapéu sem ter cabeça!
(Eva Reis)