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Roberto Gil (Brasil, 1899-1990)
óleo sobre eucatex, 30 x 37 cm
Muitas casas muradas no Rio de Janeiro optaram pela hera para cobrir seus muros e protegê-los dos grafiteiros. Não há mais bela proteção do que a parede verde vertical. Não só se incorpora bem ao meio ambiente, como serve de oásis para os olhos, para a mente, para todos nós cansados do estresse diário de uma grande metrópole. Os grafiteiros que me perdoem, mas muitos grafites produzem um embaralhamento visual, muita informação de uma vez, que tonteia e desagrada. Acabamos com uma super dose de informação visual que não deixa espaço para um respiro; informação que asfixia. E os desenhos em painéis se perdem, porque são impossíveis de serem apreciados. Muito grafite contribui para caos visual da cidade. Assim aplaudo as ilhas de verde trazidas pelos proprietários das residências muradas porque eles proporcionam a outros moradores da nossa cidade a tão desejada paz visual.
Há diversas plantas que são usadas na cobertura de muros. Uma pequena busca na internet revela diversas espécies diferentes que podem ser usadas para esse fim. Aqui estão algumas: Tetrastigma ou trepadeira-castanha (Tetrastigma voinierianum)– esta fica mais feliz no sul do Brasil, onde o clima é mais ameno. Uma planta vistosa que dá muitas flores e precisa de sol é Amor-agarradinho ou mimo-do-céu (Antigonon leptopus). Unha-de-gato (Ficus pumila), Jibóia (Sindapsus aureus) são muito populares, esta última perfeita para o clima carioca. Tumbérgia-azul (Tumbergia grandiflora) também floresce, fazendo o muro ficar lindo. A brasileiríssima Cipó-de-São-João ou Flor-de-São-João é uma ótima opção.
Alamanda (Allamanda cathartica), Madressilva (Lonicera japonica), Lágrima-de-cristo ou Clerodendro-trepador (Clerodendrum thomsonae), Costela-de-adão ou banana-de-macaco (Monstera deliciosa), Congéia (Congea tomentosa), Sete-léguas (Pandorea ricasoliana), Tumbérgia-azul (Tumbergia grandiflora) e também a Tumbérgia-sapatinho ou Sapatinho-de-judia (Tumbergia mysorensis) são opções para cobertura de muros. Sugiro que você procure informações sobre a melhor planta para a sua casa e ponha mãos à obra para fazer de sua casa ou do seu edifício um lugar mais belo, mais ameno ao meio ambiente e que também traga prazer aos que passarem por sua propriedade.
Todas as fotos tiradas em bairros da zona sul do Rio de Janeiro, em ruas abertas. Nenhuma em condomínio fechado. Ruas comuns, algumas com mais trânsito do que outras.
Vadim Chazov (Rússia, 1975)
óleo sobre tela
Galeria Artica, São Petersburgo
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[Os candangos]
Bruno Giorgi (Brasil, 1905-1993)
Bronze, 8 metros de altura
Praça dos Três Poderes, Brasília
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Mulher de cor de rosa lendo no parque
Gwen Meyerson (EUA, contemporânea)
Não há dúvida que na Europa o livro de bolso foi elevado a um nível muito mais alto do que o atingido cá pelas nossas bandas. Não só na variedade do conteúdo, no cuidado com as traduções e na excelência da encadernação os livros de bolso europeus derrubam as aspirações de qualquer selo brasileiro semelhante. Tanto na França quanto na Inglaterra os livros de bolso sempre foram das melhores fontes de conhecimento. Quando eu estudava aqui no Brasil na Alliance Française foram os livros de bolso, depois dos primeiros anos básicos do aprendizado da língua, que me levaram a conhecer os grandes nomes da literatura francesa, do teatro, da poesia e até mesmo de qualquer outro assunto através dos diversos selos existentes naquele país. Muitos desses livros tenho até hoje comigo, fáceis que são de empacotar e repletos o suficiente de conteúdo para que eu não considere descartá-los.
Quando saí do Brasil para os Estados Unidos fui apresentada então às coleções de origem inglesa que já dominavam o mercado americano. A seleção de textos clássicos da Penguin trago comigo até hoje. Não sei quantos volumes tenho em casa desse selo. São muitos, forram uma pequena parede com seus dorsos negros, são organizados por assunto e época. O selo foi responsável pela minha familiaridade com os clássicos gregos e romanos, com os textos dos pensadores medievais e renascentistas, enfim, por todo aquele conhecimento necessário para qualquer curso superior sério nas ciências humanas. Se hoje meu conhecimento tem falhas — e muitas — não se deve certamente nem à falta de acesso aos textos originais, nem à precariedade dessas publicações, mas exclusivamente à minha inabilidade de digerir o conteúdo.
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Além dos Penguins, tenho, em menor número é verdade, volumes do selo Pelican da mesma companhia. O selo ajuda qualquer um a destrinchar assuntos complexos de diversas áreas de conhecimento: psicologia, história, antropologia, sociologia e assim por diante. Enquanto os Penguins são a fonte original, por exemplo, Platão, Juvenal, Catarina de Pisano; os Pelicans teriam grandes autores sobre esses originais. A combinação dos dois selos daria e dá uma educação completa, autodidata, de qualidade. O uso de textos originais é essencial na história da arte, por isso mesmo a minha tendência a ter mais Penguins do que Pelicans. Mas confesso que eu não havia me dado conta de que o selo Pelican havia deixado de ser produzido desde os anos 80. Talvez os meus interesses tenham me levado a outras áreas. Levamos muitas vidas através da vida e a cada etapa novas necessidades se impõem. As minhas últimas não incluíram os Pelicans.
Portanto, hoje quando li no jornal inglês The Guardian a respeito da volta do selo Pelican às livrarias fiquei simultaneamente surpresa e feliz. Surpresa de ter sido apresentada à sua morte e decadência, que eu não havia percebido e feliz por saber que ele volta às prateleiras. Eu me surpreendi também com a fidelidade dos meus sentimentos. Em marketing sou o exemplo ideal do consumidor satisfeito — objetivo a que todas as companhias aspiram — tenho confiança no produto, lealdade e ainda faço o meu boca a boca como nesta postagem. Mas acredito que as boas coisas devem ser difundidas e se possível permanecer no nosso dia a dia. Certamente é uma notícia esperançosa a respeito da educação. Você só precisa saber inglês. Mas hoje, quem não sabe?
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Foto: Cahn Auktionen AGColar com pendente de cabeça de carneiro, século V, aEC.
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Colar com pendente de carneiro composto por contas em forma de pinhões e abobrinhas dependurados alternadamente. Em ouro. A cabeça do carneiro fica no centro. Foi a leilão em 2013 na Suíça.
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Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1922)
óleo sobre tela
PESP — Pinacoteca do Estado de São Paulo
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Lua, ilustração John Alcorn.–
Em frente à tua janela,
teve a lua que parar;
achando-te muito bela,
se pôs a te contemplar…
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(Trova portuguesa)