Nota arqueológica, mais de 3.000 peças encontradas em Luxor, Egito

20 05 2010
Foto: Agência EFE

Uma equipe de investigadores espanhóis encontrou mais de 3 mil peças, entre objetos e fragmentos, na primeira temporada de escavações na maior tumba da XVIIIª dinastia da antiga cidade de Tebas, Luxor, no Egito.   Múmias, ossos humanos, pérolas e linho estão entre os restos encontrados pela equipe liderada por Francisco Valentin Martin, do Instituto para o Estudo do Antigo Egito, que conseguiu em 2009, após dois anos de negociações, autorização para trabalhar neste local.





Prêmio Príncipe de Astúrias: Guerreiros de Xi’An

20 05 2010

A equipe arqueológica dos Guerreiros e Cavalos de Terracota do Mausoléu de Qinshihuang em Xi’an levou o Prêmio Príncipe de Astúrias de Ciências Sociais 2010, informou o júri nesta quarta-feira.  Considerada uma das descobertas arqueológicas mais importantes do século XX, os Guerreiros de Terracota, também conhecidos como Guerreiros de Xi’an, “são uma fonte de informação de extraordinária riqueza sobre a civilização chinesa“, argumentou o júri.

Descobertos em 1974 e declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987, os Guerreiros de Xi’an fazem parte do mausoléu funerário de Qinshihuang (que governou de 221 a 207 a.C.).  Ele foi o primeiro imperador que unificou os territórios da China e fundou a dinastia Qin.

 

Em julho do ano passado, mais cem guerreiros foram encontrados.  Arqueólogos chineses descobriram estes outros 100 guerreiros de terracota, um soldado de argila, em tamanho natural e quatro tanques de guerra.   As escavações fazem parte de um esforço arqueológico desenvolvido pelo Instituto de Arqueologia de Shaanxi  no últimos 24 anos — com algumas interrupções — na cidade de Xian, no centro do país.  

A primeira escavação começou em 1978 e terminou em 1984 e 1.087 figuras foram encontradas. A segunda foi realizada em 1985, mas foram suspendidas por razões técnicas. Os Guerreiros de Terracota fazem parte do mausoléu construído em homenagem à morte do primeiro imperador chinês, Qin Shihuang (259 a 210 a.C.).  Na crença de que precisaria de um exército e demais componentes numa outra vida o imperador foi enterrado com um exército de guerreiros de mais de oito mil figuras de soldados, músicos, concubinas, oficiais e cavalos em tamanho natural. O exército de 2 mil anos é considerado pelos pesquisadores como um dos achados arqueológicos mais importantes do mundo e uma das principais atrações da China.

As relíquias foram descobertas por acaso por camponeses, em 1974, e, desde então, se transformaram em uma das maiores atrações turísticas da China.





Dom Ratinho e Dom Ratão, poesia infantil de Helena Pinto Vieira

20 05 2010
Desenho infantil.

Dom Ratinho e Dom Ratão

Helena Pinto Vieira

Dom Ratinho, elegante morador lá da cidade,

come queijo, come pão, da mais alta qualidade;

Dom Ratão, o pobrezinho que mora lá no jardim,

vai comendo o que pode, sem se queixar, mesmo assim.

Dom Ratinho, boa casa sempre teve pra morar;

calça luvas, põe cartola e a bengala faz girar;

amigo das rãs e sapos, Dom Ratão, pobre coitado,

vive sempre escondido, é roceiro envergonhado.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol. I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 68





A Marcelina, um conto de Arthur Azevedo

19 05 2010

 

Retrato de um janota, s/d

Giovanni Boldini ( Itália, 1842-1931)

Pastel sobre papel, 63 x 41 cm

The Norton Simon Art Foundation, Pasadena, Califórnia

A Marcelina

                                                         Arthur Azevedo

I

 

Naquele tempo ( não há necessidade de precisar a época) era o doutor Pires de Aguiar o melhor freguês da alfaiataria Raunier e uma das figuras obrigatórias da Rua do Ouvidor.  Como advogado diziam-no de uma competência um pouco duvidosa, o que aliás não obstava que ele ganhasse muito dinheiro, — mas como janota – força é confessá-lo – não havia rapaz tão elegante no Rio de Janeiro.

Rapaz?  Rapaz, sim:  o doutor Pires de Aguiar pertencia a essa privilegiada classe de solteirões que se conservam rapazes durante trinta anos. 

Quando lhe perguntavam a idade, respondia invariavelmente:  — Orço pelos quarenta, — e durante muito tempo não deu outra resposta.  Os seus contemporâneos de Academia atribuíam-lhe cinqüenta, e bem puxados.  As senhoras, essas não lhe davam mais que trinta e cinco.

Ele tinha um fraco pelas mulheres de teatro.  Consistia o seu grande luxo em ser publicamente o amante oficial de alguma atriz.  Não fazia questão de espírito nem de beleza; o indispensável é que ela ocupasse lugar saliente no palco, e fosse aplaudida e festejada pelo público.  Não era o amor, era a vaidade que o conduzia à nauseabunda Cythera dos bastidores.

Essas ligações depressa se desfaziam; duravam enquanto durava o brilho da estrela;  desde que esta começava a ofuscar-se, ele achava um pretexto para afastar-se dela e procurar imediatamente outra.  Como era inteligente e generoso – muito mais generosos que inteligente, — nunca ficava mal com o astro caído.

Algumas vezes o rompimento era provocado por elas – pelas de mais espírito – que facilmente se enfaravam de um indivíduo tão preocupado com a própria pessoa, e tão vaidoso das suas roupas.

Ivette Guilbert agradecendo ao público, 1894

Henri Toulouse-Lautrec (França, 1864-1901)

Óleo sobre papel fotográfico, 48 x 28 cm

Museu Toulouse Lautrec, Albi, França.

II

 

No tempo em que se passou a ação deste ligeiro conto, a nova conquista do doutor Pires de Aguiar era uma atriz portuguesa, a Clorinda, que viera de Lisboa apregoada pelas cem trombetas da réclame, e cuja estréia num dos nossos teatrinhos de opereta, o público esperava ansiosamente.

Uma hora antes de começar o espetáculo de estréia, entrou o advogado triunfantemente na caixa do teatro, levando pelo braço a sua nova amiga, elegantemente envolvida numa soberba capa de pelúcia.  Ia fazer-lhe entrega do camarim, cujo arranjo confiara liberalmente ao bom gosto e à perícia dos mais hábeis tapeceiros e estofadores.

Ela ficou  encantadíssima, e agradeceu com beijos quentes e sonoros a dedicada solicitude do amante. 

Que belo tapete felpudo!  que bonitos quadros!  que papel bem escolhido!  que delicioso divã!  que magnífico espelho de três faces, onde o seu vulto airoso se refletia três vezes por inteiro!  e que profusão de perfumarias!  e que precioso serviço de toilette!…

Nada faltava também sobre a mesinha da maquilagem, intensamente iluminada por dois bicos de gás. 

O doutor Pires de Aguiar tinha longa prática desses arranjos;  não podia esquecer-se de nenhum dos ingredientes necessários ao camarim de uma atriz que se respeita; o arsenal estava completo.

Dali a nada ouviu-se um – Dá licença?  — e o diretor de cena entrou no camarim acompanhado por uma mulher já idosa, muito pálida, de aspecto doentio, pobremente trajada.

— Dona Clorinda, aqui tem a sua costureira.

 

Mulher com espartilho, 1896

[Esboço para Elles]

Henri Toulouse-Lautrec ( França 1864-1901)

Óleo pastel sobre papel, colado em tela,  104 x 566 cm

Museu des Augustins,  Toulouse.

A estrela não conteve um gesto de despeito.  O diretor de cena compreendeu-o, e saiu imediatamente, para não entrar em explicações.

— É doente?  perguntou Clorinda à costureira.

— Não, senhora.  Tive uma doença grave, mas agora estou boa.  Saí há dois dias da Santa Casa.

Clorinda trocou um olhar com o advogado, e este disse-lhe, resfestelando-se no divã:

Ma chère, il faut se contenter de cette habilleuse; nous ne sommes pas en Europe.

Ele impingiu a frase em francês, para que na a entendesse a costureira, mas a verdade é que Clorinda também não percebeu, o que aliás não a impediu de responder: — Oui.

Despojada da mantilha e da bela capa de pelúcia Clorinda sentou-se entre os dois bicos de gás, e começou a pintar-se dizendo: — Vamos a isto!

E dirigindo-se à costureira:

— Sente-se.  Porque está de pé?

A pobre mulher sentou-se a medo, como receiosa de macular a palhinha dourada da cadeira com o seu miserável vestido de chita.

— Sabe que me disseram bonitas coisas a seu respeito?  Perguntou a atriz ao advogado, olhando-o pelo espelho.

— Deveras?

— Ao que me parece, você tem sido um gajo!

O doutor Pires de Aguiar teve um sorriso inexprimível.  Aquele gajo entrou-lhe pela vaidade a dentro como uma grã-cruz.

— Com que então a sua especialidade são as atrizes?

— Sou doido pelo teatro. 

Atriz no camarim, 1879

Edgar Degas ( França, 1834-1917)

Óleo sobre tela, 85 x 76 cm

The Norton Simon Museum, Pasadena, Califórnia.

— E há quanto tempo dura essa doidice?

— Há muito tempo.  Estou velho, bem vê.  Orço pelos quarenta.

— Ninguém lhe dará mais de trinta e cinco.

— São os seus olhos.

— Qual foi a sua primeira paixão no teatro?

— Ah, isso…

O advogado levantou o braço e estalou os dedos.

— … isso é pré-histórico; perde-se na noite dos tempos.

— Como se chamava essa colega?

— Chamava-se Marcelina.

— Que fim levou?

Ele encolheu os ombros.

— Sei lá!  provavelmente morreu.  Nunca mais ouvi falar dela.  Há mulheres que desaparecem como os passarinhos que não foram mortos a tiro nem engaiolados:  ninguém lhes vê os cadáveres.

— Gostou dela?

Foi talvez a paixão mais séria da minha vida.

— Nunca mais a procurou?

— Para que?

— Tinha talento?

— Talento?  Não.  Tinha habilidade.

E depois de uma pausa:

— Tinha habilidade e era muito boa rapariga.

— Brasileira?

— Sim.  Representava ingênuas em dramalhões de capa e espada, ali, no São Pedro de Alcântara.  Um dia – eu já a tinha deixado – um dia patearam-na ppor motivos que nada tinham que ver com a arte dramática;  ela desgostou-se;  andou mourejando pelas províncias, e afinal desapareceu.  Requiescat in pace!  

Entrou o cabeleireiro.  Enquanto Clorinda lhe confiou a cabeça, o doutor Pires de Aguiar divagou longamente sobre os méritos da Marcelina;  depois falou de outras atrizes, desfiando um interminável rosário das suas mancebias.

Clorinda, a costureira e o cabeleireiro, ouviam sem dizer palavra.

Terminado o serviço do cabeleireiro, que logo se retirou, Clorinda ergueu-se:

— Agora, meu doutor, há de me dar licença, sim?  Vou vestir-me.

— Até logo, disse o advogado.  O seu penteado ficou esplêndido!  Vou aplaudi-la.  Bonne chance!

Deu-lhe um beijo – na testa para não desmanchar a pintura,  — e saiu do camarim, cuja porta a costureira discretamente fechou.

A meia, 1894

Henri Toulouse-Lautrec ( França 1864-1901)

Óleo sobre papelão,  58 x 48 cm

Museu d’ Orsay, Paris.

III

 

Minutos depois, Clorinda estava completamente nua.

— A senhora é muito bem feita de corpo, disse-lhe num tom adultório, a costureira, enfiando-lhe pela cabeça uma camisa de seda.

— Acha?  perguntou desdenhosamente a atriz.

— Ah!  eu também já fui bem feita de corpo, mas…  não tive juízo:  fiei-me demais nos homens.  Se quer aceitar um conselho, filha, preste mais atenção à sua arte do que a todos esses … gajos, que fazem das mulheres um objeto de luxo e nada mais.  Só assim a senhora evitará o hospital e a miséria.

— Ora esta!  exclamou  Clorinda.  Quem é você mulher, para me falar assim?

— Eu sou … a Marcelina.

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 Em:  Contos fora de moda, originalmente publicado em 1894.

 

Artur Azevedo (Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo), jornalista, poeta, contista e teatrólogo, nasceu em São Luís, MA, em 7 de julho de 1855, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 22 de outubro de 1908. Figurou, ao lado do irmão Aluísio de Azevedo, no grupo fundador da Academia Brasileira de Letras, onde criou a Cadeira n. 29, que tem como patrono Martins Pena.

Obra:

Carapuças, poesia, 1871

Sonetos, 1876

Um dia de finados, sátira, 1877

Contos possíveis, 1889

Contos fora da moda, 1894

Contos efêmeros, 1897

Contos em verso, 1898

Rimas, poesia, 1909

Contos cariocas, 1928

Vida alheia, 1929

Histórias brejeiras, seleção e prefácio de R. Magalhães Júnior 1962

Contos, 1973





Imagem de leitura — Pierre Pivet

19 05 2010

O vestido amarelo, s/d

Pierre Pivet ( França, 1948)

óleo sobre tela, 100 cm x 60 cm

www.pierrepivet.com

Pierre Pivet nasceu na Normandia, na França em 1948.  Mudou-se para Paris em 1953 e começou a pintar em 1962, inspirado então pelos trabalhos de Velazquez e de Rembrandt.  Em 1969 ficou órfão de pai e mãe.  Começou então a trabalhar como programador  para uma companhia francesa.  Em 1972 fixa residência nos Estados Unidos e se casa.  Em 1974 retorna à França e completa seus estudos na Academia Port Royal.  Quando emigra para o Canadá em 1983, e se estabelece em Montreal, Pierre Pivet já havia visitado o Marrocos diversas vezes e se encantado com as cores do país.   Apreciador dos Fauvistas , ele retém até hoje a palheta cromática desses pintores.  É atrás de cores também que visita por diversas vezes países da America Central,  na década de 90.





Os sapos, poema de Manuel Bandeira

19 05 2010

Os sapos

                                                                      Manuel Bandeira

Enfunando os papos,

Saem da penumbra,

Aos pulos, os sapos.

A luz os delumbra.

Em ronco que a terra,

Berra o sapo-boi:

— “Meu pai foi à guerra!”

— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”

O sapo-tanoeiro

Parnasiano aguado,

Diz: — ” Meu cancioneiro

É bem martelado.

Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte!  E nunca rimo

Os termos cognatos.

O meu verso é bom

Frumento sem joio.

Faço rimas com

Consoantes de apoio.

Vai por cinquenta anos

Que lhes dei a norma:

Reduzi sem danos

A formas a forma.

Clame a saparia

Em críticas céticas:

Não há mais poesia,

Mas há artes poéticas…”

Urra o sapo-boi:

— “Meu pai foi rei” — “Foi!”

— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”

Brada em um assomo

O sapo-tanoeiro:

— “A grande arte é como

Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatutário.

Tudo quanto é belo,

Tudo quanto é vário,

Canta no martelo.”

Outros, sapos-pipas

(Um mal em si cabe),

Falam pelas tripas:

–“Sei!” — “Não sabe!” — “Sabe!”

Longe dessa grita,

Lá onde mais densa

A noite infinita

Verte a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,

Sem glória, sem fé,

No perau profundo

E solitário, é

Que soluças tu,

Transido de frio,

Sapo-cururu

Da beira do rio…

                                                                           1918

—-

 

Manuel Bandeira (Recife PE, 1884 – Rio de Janeiro RJ, 1968) foi poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Teve seu primeiro poema publicado aos 8 anos de idade, um soneto em alexandrinos, na primeira página do Correio da Manhã, em 1902, no Rio de Janeiro. Cursou Arquitetura, na Escola Politécnica, e Desenho de Ornato, no Liceu de Artes e Ofícios, entre 1903 e 1904; precisou abandonar os cursos, no entanto, devido à tuberculose. Nos anos seguintes, passou longos períodos em estações climáticas, no Brasil e na Europa.

Obras:

Poesia 

A cinza das horas, 1917

Carnaval, 1919

O ritmo dissoluto, 1924

Libertinagem, 1930

Estrela da manhã, 1936

Lira dos cinquent’anos, 1940

Belo, belo, 1948

Mafuá do malungo, 1948

Opus 10, 1952

Estrela da tarde, 1960

Estrela da vida inteira, 1966

Prosa 

Crônicas da Província do Brasil – Rio de Janeiro, 1936

Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938

Noções de História das Literaturas – Rio de Janeiro, 1940

Autoria das Cartas Chilenas – Rio de Janeiro, 1940

Apresentação da Poesia Brasileira – Rio de Janeiro, 1946

Literatura Hispano-Americana – Rio de Janeiro, 1949

Gonçalves Dias, Biografia – Rio de Janeiro, 1952

Itinerário de Pasárgada – Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954

De Poetas e de Poesia – Rio de Janeiro, 1954

A Flauta de Papel – Rio de Janeiro, 1957

Itinerário de Pasárgada – Livraria São José – Rio de Janeiro, 1957

Andorinha, Andorinha – José Olympio – Rio de Janeiro, 1966

Itinerário de Pasárgada – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1966

Colóquio Unilateralmente Sentimental – Editora Record – RJ, 1968

Seleta de Prosa – Nova Fronteira – RJ

Berimbau e Outros Poemas – Nova Fronteira – RJ

 





Estátuas do século VI aC encontradas na Grécia

18 05 2010

Foto: AFP

As autoridades gregas apresentaram hoje duas estátuas em mármore datadas do século VI a.C. em uma das salas do Museu Arqueológico de Atenas. As estátuas, que representam homens,[kouros]  foram encontradas pela polícia em posse ilegal de antiquários na região de Corinto.

A Grécia,  apesar de estar no noticiário econômico nos dias de hoje como pivô da crise européia, continua a mostrar grande esforço em preservar seu patrimônio artístico milenar .  Já em 20 junho de 2009 o governo grego abriu um museu aos pés da Acrópoles em Atenas.  O Novo Museu da Acrópoles, como é chamado, foi construído com o objetivo não só de abrigar os achados arqueológicos locais, mas também de desafiar a Inglaterra a devolver ao país os símbolos de sua história: as esculturas do Parthenon de 2500 anos que foram levadas para Londres por Lord Elgin há 200 anos e que se encontram expostas ao público no Museu Britânico.  Por muitas décadas a falta de um lugar para mostrar ao público  essas esculturas da antiga civilização grega foi o motivo principal alegado pela Inglaterra para a permanência dessas esculturas em Londres.  O novo museu da Acrópoles foi a resposta dada pela Grécia.  

O museu, trabalho do arquiteto suíço Bernard Tschumi, é um prédio de 5 andares, com uma área aproximada de 14.000 m².  O edifício que é todo revestido por vidro reflete a imagem do Parthenon e as ruínas à sua volta.   Nele os mais de 200 metros do friso que decorava o exterior da Acrópole foi re-criado na galeria.  Moldes de gesso representam as esculturas que foram removidas por Lord Elgin e mais tarde vendidas ao  Museu Britânico: elas somam mais da metade de todos os painéis do friso. 

Nesse museu os moldes de gesso bem branquinhos contrastam com as antigas esculturas que com o tempo adquiriram uma pátina cor de mel.   Dessa maneira, a ausência dos relevos que se encontram em Londres é visualmente sentida.    O Parthenon que é visto das janelas do novo museu está a menos de 900 metros de distância e como um soldado vigilante  — o templo foi construído para a deusa Athena — também  reforça, na sua solidão no topo da colina, o apelo para o retorno dessas esculturas gregas para o seu país de origem.





Filhotes fofos: lontras brancas

18 05 2010

 

Um par de raríssimas lontras brancas nasceu em cativeiro no aquário Blue Planet, no Reino Unido. Segundo o estabelecimento, os funcionários só notaram que os filhotes eram brancos quando eles começaram a sair do ninho, já que os pais são marrons. Os tratadores acreditam que, apesar dos dois não apresentarem problemas sérios de saúde, eles sofrem de leucismo – uma condição rara na qual a pele do animal não produz o pigmento característico.

Os dois são lontras asiáticas de garra curta e ainda tiveram um terceiro irmão, que nasceu com a cor característica da espécie. O aquário ainda providenciou uma bateria de exames nos filhotes, mas não divulgou os resultados.

O estabelecimento explica que os filhotes só costumam sair do ninho após as primeiras seis ou sete semanas de vida, já que ainda não conseguem ver e são totalmente dependentes dos pais. O tempo médio de vida de uma lontra asiática de garra curta na natureza é desconhecido, mas em cativeiro elas vivem pelo menos 12 anos e muitas chegam ao 20º aniversário.





Leitura aumenta graças à Copa!

18 05 2010

 

A Copa do Mundo fez crescer o volume de lançamentos de livros relacionados ao esporte no Brasil. De olho nos leitores fanáticos por futebol, editoras lançaram no mercado mais de dez títulos ligados ao tema, que tratam desde listas de melhores atletas até dados históricos, apostando que a empolgação com a proximidade do torneio também impulsione as vendas. E os resultados já começam a aparecer: só nas lojas da Livraria Cultura foi registrado um aumento de 460% nas vendas de títulos relacionados a futebol no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, e a perspectiva é de que as vendas aumentem ainda mais com a proximidade do torneio.

O mercado editorial evoluiu bastante no que se refere a futebol. A Copa é uma efeméride e atrai interesse de obras sobre as seleções, especialmente. Antes não vendia porque fazia-se livros sobre futebol voltado para antropólogos, filósofos, acadêmicos de modo geral. Hoje fazemos livros voltados para torcedores, e nossos números não param de crescer“, afirma Pedro Almeida, publisher da Editora Lua de Papel.

A mais ativa dentre as editoras que decidiram apostar na Copa do Mundo foi a Contexto. Ao todo, nove volumes foram colocados no mercado pela empresa. Seis livros fazem parte de uma coleção intitulada “Os Onze Maiores do Futebol Brasileiro” – técnicos, goleiros, laterais, volantes, camisas 10 e centroavantes. Entre os autores estão jornalistas esportivos de renome, como Milton Leite, Marcelo Barreto e Sidney Garambone. De acordo com a editora, a ideia foi contar com jornalistas conhecidos para chamar a atenção dos leitores. Outros dois livros lançados pela editora também prometem levantar discussões: “As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos” e “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos“.

Contudo, o livro da Contexto que, embora trate de futebol, extrapolou o foco de livro de História foi “O Futebol Explica o Brasil: Uma História da Maior Expressão Popular do País“, do jornalista Marcos Guterman. A obra trata da ligação do esporte com a sociedade brasileira, desde a chegada ao País pelas mãos (e pés) de Charles Muller até a Copa de 2002 e teve como base a tese de mestrado apresentada por ele. “O livro foi lançado em novembro justamente para escapar do rótulo de lançamentos da Copa, mas entrou no pacote da editora por causa do mundial. Hoje ele é encontrado na prateleira de esportes, mas ele é um livro de História“, conta Guterman.

Grande parte dos lançamentos nessa véspera da Copa do Mundo trata, no entanto, sobre a história do evento. E nenhum dos livros lançados atingiu a profundidade que “O Mundo das Copas“, do jornalista Lycio Vellozo Ribas, conseguiu. Em uma obra de mais de 600 páginas, ele traz uma verdadeira enciclopédia sobre a competição, com fichas técnicas e textos sobre todos os jogos da história do torneio, iniciada em 1930, além de resultados de eliminatórias, curiosidades e estatísticas sobre todos os atletas que já participaram da mais importante festa do futebol. “Cada Copa é influenciada por tudo o que acontece ao redor, então também cito fatores extracampo, como política“, explica.

Entre os livros sobre futebol, o de Ribas vem obtendo os melhores resultados de vendas nas livrarias. “Nossa ideia era de fazer um produto numa tiragem limitada, visto que se trata de uma obra para venda num período curto, de pouco mais de 70 dias. E enfrentamos outro dilema: trabalhar com um preço bem acessível. Assim, tivemos de encarar uma edição gigante, de 30 mil exemplares. Ficamos apreensivos no lançamento, mas na segunda semana percebemos que tínhamos acertado nas apostas de tiragem e preço. Mais de 70% da tiragem já está vendida“, conta Almeida, da Lua de Papel, responsável pela publicação de “O Mundo das Copas“.

O sucesso já faz a editora pensar em lançar uma segunda edição ao fim da Copa da África, atualizada com o que ocorrer na competição. Ribas, que também mantém um blog para promover o livro, já está trabalhando na atualização. “Mas, se o Brasil for mal na Copa, pode diminuir o interesse dos leitores“, admite.

Outra editora que também está apostando em livros sobre a história das Copas do Mundo é a Panda Books, que lançou no mercado duas obras por conta da competição: “Os 55 Maiores Jogos das Copas do Mundo“, de Paulo Vinícius Coelho, e “A História das Camisas de Todos os Jogos das Copas do Mundo“, do jornalista Rodolfo Rodrigues, do colecionador e administrador Paulo Gini e do ilustrador Maurício Rito – um livro com desenhos e histórias dos uniformes que cada seleção usou em jogos de Mundiais. Já a editora Girassol aposta no livro “A História da Copa do Mundo“, oficial da Fifa, que tem como diferencial a capa em formato e com textura de bola de futebol.

Os bons números de vendas e a empolgação dos torcedores ajuda, assim, a reforçar o mercado de publicações sobre futebol no País. “Na Europa sempre se vendeu mais livros sobre futebol, mas nosso mercado cresceu muito nos últimos anos e hoje conseguimos colocar livros sobre futebol nas listas de mais vendidos, o que não tem acontecido por lá“, conclui Almeida.

 

MÁRIO SÉRGIO LIMA, COM COLABORAÇÃO DE WLADIMIR D’ANDRADE – Agência Estado




Quadrinha sobre a formiga

16 05 2010
Ilustração, Maurício de Sousa.

A formiga é muito esperta

Está sempre a trabalhar!

Assim, quando o frio aperta

Descansa e põe-se a  cantar!

(Peregrina)